História Quando o Pecado Bate à Porta - Capítulo 1


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Categorias Originais
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Palavras 1.855
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Então
eu tive essa ideia muito do nada, e achei super legal
ela tá guardada na minha pasta de ideias aleatória faz muuuuuito tempo
e eu tirei ela da frase de undertale:
"Você sente o seus pecados pesando em suas costas"
gostei, bateu a ideia então é isso

Capítulo 1 - O acidente


Fanfic / Fanfiction Quando o Pecado Bate à Porta - Capítulo 1 - O acidente

-Você não acha errado dizer que alguém morreu para você? Quer dizer, pode ser tarde quando você desistir dessa ideia, não pode? –Cibele falou, tentando analisar cada palavra na qual ela mesma se espantava de pronunciar. Aquilo estava tão guardado dentro de seu peito que não podia fazer nada além de soltar.

-Eu não sei se consigo dizer as coisas que são certas ou erradas aqui, a não ser que você comece a contar a história.

Era difícil começar a dizer tudo, início a início, parte a parte sem esquecer pelo menos um detalhe. Aquele escritório que na opinião sincera de um arquiteto se diria com madeira demais, e aquelas cabeças de animais pendurados na parede assustam os mais aguçados sentidos de ambientalista, o que a fazia pensar que estava num tipo de documentário sensacionalista de caçadores de fantasmas, a deixou mais desconfortável para conseguir lembrar tudo que tinha acontecido.

E então, ela simplesmente começou.

Era início das aulas na escola que todos os estudantes já haviam se acostumado. Todo o ano de 2012 já havia passado: os bailes, as festas universitárias, a formatura dos mais velhos... Mas havia uma única coisa que não havia mudado.
Lá estava o nosso grupo de garotas que não se encaixavam na minoria Natural nem na maioria Racional. Nós éramos bonitas, certamente, mas a vida socialite não era feito apenas de cabelos de seda e dentes perfeitos. Para isso, nós tínhamos uma lista restrita na irmandade, que se chamava O Livro do Pecado.

Ao contrário da Bíblia, o Livro do Pecado era um livro de tudo que as meninas podiam e não podiam fazer até o caminho da vida de socialite. Nós acreditávamos fielmente nisso, e só tomávamos decisões importantes depois de uma releitura inteira no livro.

-O livro disse que a Sarah não pode ficar com ninguém abaixo de cinco. –Rebeca disse enquanto bebia o café com adoçante que todos odiávamos tanto pelo gosto quanto pelo bafo que ela ficava depois, mas ela insistia em beber apenas para parecer mais inteligente.

Rebeca era, bem, na verdade quase ninguém sabia quem ela era. Ela era do último ano, e por isso nós só a víamos nas quartas de educação física e na hora da entrada/saída. Tudo que sabíamos era que seu cabelo era lindo e por isso falávamos com ela.

Sarah era uma das únicas negras da escola, e isso a tornava mais especial, seu cabelo grande e cacheado nos causava inveja e bem, por isso ela estava lá.

-Qual é, gente, quem iria ficar com um menor de cinco? –Foi a única coisa que a Vitória ouviu de toda a conversa, não sei se era por que ela estava retocando sua maquiagem ou por que ela simplesmente não ligava.

Quem era Vitória? Bem, sem dúvida a melhor de todas nós. Temos uma inimizade profunda, mas a quis no grupo por que todos na escola pareciam estar enfeitiçados por ela.

Eu era a Cibele, ou simplesmente “segunda melhor do grupo”.

Estávamos todas sentadas na escada em frente à imensa portaria da escola, na qual nós nunca lembramos o nome. Toda a amizade dessa irmandade se resumia em interesse e equilíbrio, algo bem complicado na verdade, que precisava de diversas estatísticas e trabalho para organizar. Todas as garotas que estavam lá foram cuidadosamente selecionadas para balancear a vantagem que cada uma tinha com aquela amizade e eu admito, eu achava descolado estar lá, e sim, a palavra “descolado” não estava fora de moda naquela época.

Era 2013 e eu tinha feito várias promessas no ano novo para melhorar dessa vez, mas bem, não cumpri nenhuma delas.

-Meninas, vai ter uma festa de início de ano na minha casa. –Vitória falou enquanto endireitava seu rímel. –Convidei o povo antigo e algumas pessoas novas na escola.

-Vitória, por que você está tão calma com a situação? –Sarah explodiu, se levantou rapidamente e ficou dois degraus debaixo de nós para poder nos olhar nos olhos, e dar mais ênfase o que ela estava dizendo. Para explicar, geralmente ela fazia isso quando tinha uma ideia incrível. –Vamos poder nos influenciar mais com as pessoas famosas, e quem sabe fazer dar certo esse ano!

-Relaxa Sarah. Nem sabemos se eles vão. –Falei e tentei acalmá-la, mas ela continuou a tentar nos convencer com sua voz aguda.

-Eu não vou relaxar! Meu Deus! Será que vocês não podem ser otimistas?

Sarah era bem pequena, mas sabia chamar atenção quando queria.

-Meu Deus, Sarah, fale baixo. Estão nos olhando. –Novamente falei, enquanto a forçava a sentar. Rebeca se levantou e entrou na escola. Ela fazia isso quando queria fingir que não nos conhecia.

Eu até faria a mesma coisa que Rebeca, mas ao contrário dela que pode correr aos amigos de banda do último ano, não tinha nenhum amigo além daquelas garotas.

Eu me arrependia de ser assim, é sério, mas eu não tinha escolha a não ser fazer isso. Veja bem, todas tinham seus motivos. Sarah estava lá por que queria ser importante para as pessoas, já que tinha diversos problemas de abandono pela família. Rebeca estava lá por que às vezes queria voltar a ser adolescente e deixar de ser uma adulta que vai para a faculdade. Vitória estava lá por que ela queria se sentir superior a todas nós, na verdade ela fazia isso com todo mundo, mas gostava de nós por especial.

Eu estava lá por que eu não tinha para onde correr. Eu já era uma fracassada com elas, mas sem elas eu me tornava uma fracassada solitária. Pelo menos falar mal e rebaixar os outros fazia eu me sentir superior.

No final de toda a conversa, todas nós fomos para a casa da Vitória e curtimos a festa. Mesmo que fosse quase impossível “curtir” uma festa no porão de uma casa de pais divorciados com cheiro de mofo e fezes de cachorro. Apesar disso, as pessoas se divertiam, e consequentemente eu também.

A festa estava como habitual. Os pais de Vitória haviam ido para algum lugar da fronteira – Suriname ou coisa assim – e a deixaram sozinha em casa (tremendo erro). Com certeza lá era o lugar mais frio já visto na face da Terra depois do Alaska e Polos. Às vezes, brincávamos:

-Esse porão é tão largo que chega mais perto do Atlântico que qualquer cidade do litoral. –Falei, enquanto bebia num pequeno copo com o desenho da Hello Kitty.

-Esse porão é tão largo que acho que vou mudar o DDD do celular. –Disse Sarah, logo em seguida, como se fossemos um dueto de piadistas de show.

-Não exagerem, meninas. –Vitória falou com um tom sério, cortando nossas risadas abafadas pelo som alto da caixa de som que estava tocando, sei lá, algum reggae remixado estranho.

-Eu vou ao banheiro. –Levantei e subi as escadas estreitas, tentando achar o banheiro da casa de Vitória no escuro.

A casa de Vitória era grande assim como seu porão, mas não o suficiente para alguém se perder. Eu demorei a encontrar o W. C. por que a) estava escuro e b) eu nunca tinha ido a nenhum lugar além do porão. Quando finalmente cheguei lá, ouvi gritarias intensas do lado de fora e um carro de policia.

Tentei ser rápida e sair o mais rápido possível, mas parecia que com a pressão a casa só havia ficado mais escura e eu não conseguia ver nada além de minha respiração ofegante. As pessoas estavam todas correndo para fora e os sapatos batiam com força no piso.

-Vai ficar tudo bem, Cibele. –Uma voz que parecia estar atrás de mim falou. Eu virei para trás e tentei encostar-me a algo que fosse humano, mas nada além da parede do banheiro. –Vai ficar tudo bem, Cibele.

A voz repetia de forma que parecia que estava cada vez mais próxima de mim, mas eu só dava giros e tentava encostar-se a algo sem ter nenhum sucesso. Parecia cada vez mais familiar, e repetia como se fosse uma gravação. Uma voz grossa e assustadora que não me fez perceber que eu estava chegando perto da escada.

Minha memória falhava quando eu acordei na cama de um hospital. Eu conseguia me lembrar da festa, do banheiro, da sirene da polícia, da voz, mas nada depois disso. Minha cabeça doía de latejar, e quando eu abri os olhos por completo tinha apenas um homem vestido de médico sentado numa cadeira na minha frente.

-Bom dia, mocinha. –O doutor falou. –Nós ligamos para seus pais, eles já estão vindo para buscá-la.

-Pode me contar o que aconteceu?

-Bem... –Ele olhou na sua prancheta por menos de um segundo, como se já tivesse decorado minha condição. –Você estava numa festa adolescente e aparentemente caiu da escada do segundo andar. Noite difícil, certo?

-Não, eu estava perfeitamente sã, só estava tudo escuro e tinha uma coisa...

O médico arregalou seus olhos negros.

-Uma voz, talvez? –Completei.

-Uma... voz? E como ela era para você? –Pareceu cada vez mais interessado no que eu falava, tremia e suava gelado.

-Você está bem, doutor?

-DIGA COMO ERA A VOZ! –Elevou o tom da fala e permaneceu inquieto, depois respirou fundo e sorriu como se não tivesse acabado de gritar comigo.

-Ela era... um pouco como a sua mas... parecia mais grossa. Ela era bem familiar, como se já estivesse ali desde sempre. É um pouco estranho, mas... –Gaguejei diversas vezes, amedrontada.

-Não, não é estranho.

A porta bateu e uma enfermeira entrou com um copo de água e meus pais. Ela me entregou o copo, e os três agiram como se o homem sentado na cadeira em minha frente não existisse.

O olhar dos meus pais, no qual eu imaginei cheio de decepção, estava preocupado e ao mesmo tempo feliz por eu estar bem. Eles me abraçaram cada um de uma vez, e minha mãe começou a chorar, já que quando recebeu a ligação provavelmente estaria imaginando o pior.

-O que houve com ela, moça? –Meu pai falou para a enfermeira, e o doutor virou os olhos.

-Bem... Ela estava numa festa e a policia bateu lá por causa do barulho. Na fuga sua filha caiu das escadas e teve um desmaio. Alguém a trouxe aqui, e se registrou como... –Olhou sua prancheta para ter certeza. –Cain.

O homem de jaleco levantou as sobrancelhas e pôs a mão na boca, fingindo espanto.

-Minha filha, você conhece algum Cain? –Minha mãe falou por que, certamente, era um nome incomum na América do Sul.

O médico apontou para si mesmo várias vezes, mas ninguém o via.

-Bem, não... –Falei, enquanto observava os gestos do homem. Ele retribuiu os olhares, desapontado. –Deus, vocês não estão vendo ninguém sentado naquela cadeira?

Todos se fixaram na cadeira, e depois olharam para mim com espanto.

-Amor, não tem ninguém além de nós quatro aqui. –Meu pai falou, e o homem sorriu.

-Prazer, Cain. Meu lema é viver em constante conflito com o mundo. –O tal homem se apresentou e estendeu a mão para mim.

Eu tentei olhar para a enfermeira, mas ela parecia tão perdida quanto os meus pais. Será que esse tal homem é algum fantasma que só eu conseguia ver?


Notas Finais


Espero que gostem rs ~
desculpa pela demora :v


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