História Quando os mortos caminham - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Konan, Konohamaru, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, TenTen Mitsashi
Tags Ação, Apocalipse, Gaaino, Naruhina, Sasusaku, Zumbis
Exibições 447
Palavras 8.413
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Humanos queridos!

O que dizer desse capítulo que mal escrevi e ficou grande pakas?

Por que tão extenso? Primeiro, porque TODOS os acontecimentos a seguir são de extrema importância para os próximos capítulos e segundo porque não sei quando irei postar o próximo, por isso quero deixar vocês ocupadas(os) com a leitura desse.

Ah, obs: Quando aparecer (...) é quebra de tempo e ... é mudança de cenário.

Aproveitem! *-*



Capa do capítulo por ~NaneSixteen

Capítulo 15 - Trazido pelas águas PT final


Fanfic / Fanfiction Quando os mortos caminham - Capítulo 15 - Trazido pelas águas PT final

O vento da madrugada acertava seus olhos, que marejados, lhe davam a sensação torturante de que aquela parte de seu corpo iria congelar a qualquer momento. Contudo, a possibilidade de diminuir sua velocidade estava totalmente descartada.

Mesmo Kabuto tendo se sacrificado por eles, alguns mortos resolveram ignorar o corpo do jovem e continuaram a correr atrás dos três únicos sobreviventes do que havia sido uma verdadeira chacina. Acima de tudo, a ideia de ter um animal feroz podendo surpreendê-los a qualquer instante era o combustível que seus corpos precisavam para ignorarem as fortes reclamações musculares por um descanso e continuarem aquela corrida incerta.

Em compasso com o som de seus pés acelerados e de suas respirações ofegantes, o forte barulho de tiros lhes chegou ao ouvido. Como um bálsamo em uma ferida, aquele era o indício de presença humana e, para lhes dar mais esperança, estavam armados.

  -De onde veio isso? - Tsunade perguntou afoita como uma súplica aos ventos, arriscando sua vida para interromper seus passos e se concentrar no próximo tiro que poderia ouvir.

  - Ficou maluca?! - Neji recuou e arrastou Tsunade pelo braço para voltarem a correr. Queria saber também onde estavam esses sobreviventes armados, mas só escapar da morte, por hora, já era suficiente - Por ali!

Soltou Tsunade e tomou a frente, implorando em seu íntimo que a próxima rua lhes desse um descanso de qualquer predador. Como um pedido que fora atendido, viraram em uma rua onde tudo que os aguardava de diferente era um tapete de corpos baleados na cabeça, com o sangue a dominar gradativamente o asfalto.

Com calçados baixos e antiderrapantes, Neji e Shizune tropeçaram e vacilaram algumas vezes com o pé nas poças de sangue, mas conseguiram reestabelecer o equilíbrio, mesmo isso tendo custado a velocidade que corriam, diminuindo consideravelmente seus passos.

Porém as sandálias com salto de Tsunade não puderam manter o equilíbrio da loira. Pisando em falso na primeira poça de sangue da rua, o corpo de Tsunade foi lançado com violência para trás, com a loira caindo de costas naquele asfalto quente e molhado.

  - Tsunade! - O temor em perder a grande amiga fez Shizune interromper de vez seus passos, atitude que lhe custou uma queda abrupta de joelhos. Já sem forças até para levantar, Shizune apoiou seu corpo trêmulo e ofegante com as duas mãos no chão, sem levar em consideração o sangue que agora lhe cobria as palmas. Ergueu o rosto que se movia fraco para cima e para baixo, dada a velocidade com que seu pulmão tentava recuperar o fôlego - Depressa, Tsunade!

Foi tudo que conseguiu gritar antes das mãos de Neji lhe abraçarem lateralmente, a ajudando a levantar para juntos testemunharem horrorizados a besta colossal virar a esquina e caminhar sem pressa na direção de Tsunade.

A loira arregalou o olhar e começou a respirar pela boca quando olhou por cima do ombro aquele ser sobrenatural ir até sua direção. Com muitas dores pelo corpo, virou ainda sentada para fazer frente àquilo e se arrastou com os pés para se afastar dele. Cada tentativa de ficar em pé era repelida pela sangue escorregadio, a fazendo cair sentada toda as vezes.

Sentindo que a morte a abraçaria, Tsunade engoliu o seco e mesmo ofegante fechou a boca, encarando desesperançosa aquele monstro caminhar como um felino imponente e bufando irritado vez ou outra em sua direção. Abaixou pouca coisa a cabeça, mas manteve um contato visual firme com aquele ser; se morreria entre os dentes daquela coisa, não demonstraria qualquer medo. Moveu o olhar pela cabeça de pêlos negros e bagunçados da criatura, até chegar à pequena etiqueta de identificação com o escrito "Cobaia 12" pregada na ponta de sua orelha parecida com de cachorro. Soltou um sorriso de escárnio e voltou o olhar para o do monstro.

  - Olha só o que fizemos com você, Doze - Murmurou com arrogância.

Ao som de um rugido furioso, aquela coisa desferiu um golpe horizontal carregado de ódio na barriga de Tsunade, rasgando com profundidade sua pele, causando um sangramento instantâneo e um grito de muita dor vindo do íntimo da loira.

Shizune fraquejou de desespero nos braços de Neji, precisando o moreno a apertar com mais força, mesmo estando tão cansado quanto ela.

  - Tsunade... - A jovem soprou quase sem fôlego, sem conter as lágrimas que a essa altura deram a seu olhar um tom avermelhado - Temos que ajudá-la...

  - Não há algo que pos...

Neji tentou consolar a amiga, mas interrompeu suas palavras quando, com um movimento aleatório de cabeça, observou um homem fardado, com cabelos presos em um baixo rabo de cavalo virar a esquina atrás de onde estavam parados, o olhando pelo canto de olho de relance antes de empunhar o fuzil e caminhar até Tsunade e a criatura, buscando diminuir a grande distância que os separava.

Shizune se mexeu com brutalidade nos braços de Neji, sentindo o moreno segurar com cuidado sua cabeça e afundá-la em seu peito, impedindo que a jovem assistisse ao desfecho daquela cena. Agarrou a camisa do amigo e chorou descontrolada, sentindo o quão era inútil nesse novo mundo.

Itachi disparou usando o corpo treinado para absorver com eficiência o coice do fuzil, acertando a extensão do corpo do monstro. A criatura cambaleou desnorteada para trás, o sangue espesso a correr revelava as inúmeras feridas abertas pelas balas, mas sacudiu a cabeça e rugiu furioso, como se desafiasse Itachi a fazer melhor que aquilo. Começou a correr com todo desequilíbrio na direção do moreno que, soprando para se concentrar, mirou no centro da testa daquela coisa e disparou até descarregar o fuzil. O corpo pesado do monstro caiu em meio ao sangue dos corpos que Itachi e sua equipe acabaram de exterminar, com ele olhando por cima da arma aquele bicho bizarro cair bem a sua frente com a pálpebra até a metade do olho branco e o sangue a escorrer por sua face monstruosa, indicando que seja lá o que fosse aquilo, já não passava de mais um cadáver.

  - Tsunade! - O grito de desespero saído de Shizune ecoou em toda a extensão da rua, contrastando com a morena correndo com severa dificuldade e em meio a muitos tropeços de exaustão, até se lançar de joelhos com os braços a envolver Tsunade em um abraço suplicante e desajeitado - Aguente, minha amiga, por favor... Não quero perder você... - Suas súplicas saíram junto às lágrimas que caiam na testa de Tsunade - Neji, me ajude aqui! - Soltou o pedido em um grito angustiado, com a cabeça virada na direção do moreno.

O rapaz olhou com receio para Itachi, não sabendo se andava até Tsunade ou se falava com ele. Itachi olhou pelo canto de olho a indecisão no olhar de Neji e indicou as moças com a cabeça para que ele fosse até elas sem qualquer receio.

  - O que aconteceu aqui? - A voz de Konan chegou aos ouvidos de Itachi e Neji antes de sua presença junto com o restante do grupo ser percebida.

  - Caralho...  - Hidan não segurou o espanto, mesmo tendo sussurrado. Agachou ao lado do corpo da criatura sem encostar os joelhos no chão e olhou com uma sobrancelha arqueada para a extensão daquele corpo mutado enquanto tragava sem pressa seu charuto - Que merda bizarra - E apagou o charuto no focinho do cadáver.

  - Deixa eu ver, deixa eu ver - Deidara pediu com um entusiasmo infantil, empurrando Konan e Tenten para passar entre as jovens, chegando até o lado de Hidan e soltando um longo assobio impressionado - Uma graça, não? É de qual raça? - E riu divertido, dando uma cotovelada em Hidan para que ele também risse. Contudo o homem apenas deu um leve empurrão para que Deidara se afastasse, revirando o olhar ao som da risada debochada do loiro.

  - Deixem ela passar - Itachi ordenou passagem para Tenten que apareceu atrás do corpo de Amazona de Konan - É esse o seu bichinho? - Perguntou com notório desdém, olhando para Tenten e indicando a criatura com a cabeça.

Tenten olhou imediatamente para o corpo do monstro e arregalou o olhar assentindo devagar, era deveras mais assustador do que ela lembrava; mesmo morto lhe causava arrepios.

  - Tenten? - O murmúrio vago de Neji foi levado pelo vento até os ouvidos da moça, seu olhar perdido parecia não acreditar na imagem da mulher projetada poucos metros à sua frente.

Aquele chamado fez a expressão de Tenten adquirir toda a incredulidade que era capaz de sentir, olhando atônita para o rapaz parado com o vento a balançar para o lado seu longo cabelo e seu jaleco.

  - Neji - Sussurrou desacreditada, levando as duas mãos à boca antes de correr desconcertada até o moreno.

Antes que seu corpos se unissem em um abraço, Neji impediu qualquer contato da morena apoiando a palma de sua mão acima do peito da jovem. Franziu o cenho sem pressa, usando toda a intensidade de seu olhar perolado para captar os orbes da morena. Deu um leve empurrão contra a área onde apoiava, suficiente para Tenten vacilar um passo para trás.

  - Neji, por favor... - Suplicou com um sussurro carregado de culpa.

  - O que ainda faz em Konoha, Tenten? - Fez uma pausa em suas palavras ásperas para aguardar algum tipo de resposta da morena, mas tudo que ela fez foi suspirar - Apesar de tudo, não consegue ir muito longe sozinha, não é? - Ironizou amargo com uma expressão de profunda seriedade. Olhou de relance para a equipe de Itachi que assistiam a cena como se quisessem captar algum detalhe que lhes fizesse entender o que acontecia, voltando a encarar Tenten na sequência - Foi o seu precioso Madara quem os enviou?

Não esperou qualquer resposta, apenas jogou aquelas palavras carregadas de rancor ao ar e virou seu corpo, caminhando na direção de Tsunade e Shizune com passos acelerados, sem perceber os olhares perdidos em curiosidade que a equipe de Itachi trocava entre si.

-Neji... - Tentou uma nova comunicação com o moreno, mas ao desviar o olhar para o início da rua, sentiu a descarga arrepiante de pavor lhe percorrer com assustadora velocidade quando reconheceu, por fim, as duas mulheres no início da rua - Meu Deus... Meu Deus! Tsunade!

Correu entre tropeços, ouvindo os passos calmos de Itachi e sua equipe logo atrás. O que eles estavam fazendo? Não era digna de tamanha proteção e cuidado. Faltando poucos metros para alcançar as mulheres, a visão de Shizune com os braços envoltos em Tsunade à cuspir sangue com a barriga severamente ferida a fez interromper os passos de imediato, caminhando devagar e completamente atônita diante de tal cena de terror.

  - O que vamos fazer, Neji? O que faremos? - As súplicas mergulhadas em choro de Shizune, enquanto balançava aflita a loira fez Neji reagir unicamente com um suspiro pesaroso e um afago nos cabelos de Tsunade.

A morena percebeu uma aproximação e olhou bruscamente por cima do ombro. Avistou Tenten se aproximando com evidente receio e, sentindo o sangue do mais puro ódio borbulhar em seu interior, avançou com passos vacilantes em meio a tanto sangue, agarrando o colarinho de Tenten e dando fortes trancos na morena.

  - Sua cadela desgraçada, isso tudo é culpa sua! - Entre gritos inflamados, acertou um forte tapa na lateral do rosto de Tenten que nada fez exceto passar a língua no canto da boca e aguardar em silêncio o restante da investida furiosa de sua antiga companheira de trabalho - Como tem coragem de aparecer na nossa frente? Não é suficiente destruir toda uma cidade para nunca mais querer dar as caras de novo? Agora olha, olha o que sua imprudência nos causou! - Arrastou Tenten pelo colarinho da camisa para mais perto de Tsunade e apontou para a mesma - Todos nós estávamos pagando por seu erro, enquanto você se escondia atrás desses soldados, não é? Agora,  por sua culpa, todos estão mortos! Vimos todos morrer diante de nossos olhos! Mortos por essas coisas que você criou!

Deixou seus gritos embargados e aflitos ecoarem, soltando da camisa de Tenten com severa brutalidade. A morena vacilou com o corpo para trás, indo de encontro ao chão não fosse o corpo firme de Itachi a apoiá-la por trás. Sentiu a mão coberta por luvas vazadas do moreno apoiando em seu ombro e olhou sem pressa e temerosa para cima, até seu olhar castanho encontrar os olhos de Itachi lhe encarando com a clara ideia de que exigia uma explicação para tudo aquilo.

  - Não há algo que possamos fazer agora - O aviso de Konan contrastou com ela ajoelhada ao lado de Tsunade. Ergueu o olhar inexpressivo até Neji e Shizune - Eu sinto muito.

Com as palavras soltas ao vento, Tsunade vacilou com as pálpebras, fechando os olhos com sua cabeça a cair devagar para o lado. A mão trêmula de Shizune ameaçou tocar no rosto da amiga já morta, mas apertando as pálpebras e trincando os dentes, cerrou o punho e investiu novamente contra Tenten que mantinha o rosto virado para o lado; um gesto culposo de quem não queria ver alguém morrer à sua frente.

  - Não se atreva à desviar o olhar - Apertou com uma mão as bochechas da jovem, movendo seu rosto em um gesto brusco para frente - Olhe bem para o que seu erro nos custou!

Sentiu uma mão firme afastar com cuidado a sua do rosto de Tenten e olhou ofegante de ódio para a figura de Itachi atrás da jovem, com uma expressão de quem não estava gostando daquela atitude.

  - Já chega - Ordenou com sua voz rouca, sem hesitar com o olhar. Olhou para cada um dos presentes, deixando claro que a ordem que daria serviria para todos - Temos que continuar, aqui não é seguro.

Um a um os que ali estavam começaram a caminhar na direção de onde Itachi e sua equipe haviam voltado. Neji abraçou Shizune lateralmente e guiou a mulher que fraquejava de angústia a cada passo para junto dos outros. Ficando por último com Tenten, Itachi esperou a morena começar a caminhar para pará-la com um movimento rápido de seu braço na frente dela.

  - Acho que você me deve algumas explicações - Avisou com uma seriedade tão profunda em seu olhar que a tristeza que assolava Tenten foi dissipada instantaneamente por uma onda de temor - Agora vai - Indicou a frente com a cabeça.

O som do que pareciam rosnados alcançou o ouvido de todos. O recuo de Tenten até o corpo de Itachi foi instintivo, assim como as mãos do moreno em seus braços em sinal de proteção, com o rosto alavancado aos céus. Parecia loucura, mas era de cima que aquele barulho vinha.

  - Só pode ser piada, quando é que eu vou poder dormir? - Deidara reclamou diante do surgimento de uma nova ameaça, ajeitando o carregador do fuzil.

  -Silêncio, Deidara - Konan sussurrou entre dentes, alavancando o rosto aos céus na tentativa de ver algo.

  - Fique aqui e não faça barulho - Itachi ordenou em um murmúrio para Tenten, afastando a jovem com cuidado de seu corpo e caminhando a passos cuidadosos, sempre com o olhar ao céu, para perto de sua equipe.

A formação circular com um de costas para o outro rendeu aos soldados um campo de visão de 360 graus. Os olhares treinados vasculharam os topos escuros dos prédios, enquanto o som macabro de rosnados parecia se manifestar em forma de eco, o que só os fez concluir que a possível besta que os observava não estava sozinha.

Por instantes o equilíbrio mental de todos fora testado, já que não havia qualquer sinal da presença dos monstros, apenas os rosnados em conjunto e incessantes. Shizune sentiu que seu íntimo necessitava manifestar o medo latente através de um grito de pavor, precisando a jovem apertar com força as duas mãos em sua boca e apertar suas pálpebras; era como tentar acordar de um pesadelo.

  - Estão nos cercando, estão... buscando a melhor maneira de atacarem... - Os sussurros afogados em pavor saíam como um sopro de Tenten, seu olhar arregalado encarava o chão e sua mão trêmula não conseguia alcançar sua boca.

Ergueu o rosto de uma vez como se sua mente captasse a estratégia daquelas coisas, levando seu olhar para o telhado exato onde agora cinco silhuetas animalescas surgiam.

  - Nos telhados! - E com isso, seu grito de pavor deu início à guerra pela sobrevivência. Um a um os monstros pularam dos telhados e, com muita perícia e ao som de seus rugidos ensurdecedores, se lançaram contra a equipe de Itachi.

  - Formação alfa, agora! - Itachi bradou, com Deidara e Konan ajoelhando à sua frente e à de Hidan.

Os disparos incessantes contra as quatro bestas causaram um show de luzes atordoantes, o barulho dos tiros era insuportável, queimavam os ouvidos de tão impactantes. Contudo, entre flashs de luzes causados por tais disparos, era possível perceber os monstros se contorcendo no chão e rugindo de dor como resposta às perfurações pelas balas dos fuzis.

  - Preciso recarregar! - Konan avisou já assumindo o lugar de Itachi e ele o dela. Eram perfeitamente coordenados, alternando entre quem disparava e quem recarregava.

Porém tais esforços pareciam não surtir tanto efeito, sem enxergarem direito por conta da penumbra noturna, a maioria dos tiros acertaram apenas a extensão do corpo mutado dos monstros, um ou outro pegando na cabeça. Diferente dos zumbis, um único tiro não seria capaz de parar aquelas criaturas. Se não fosse feito como na Cobaia 12, tudo que fariam seria apenas gastar uma preciosa munição.

Atordoada pelos disparos e pelas luzes intermitentes, Shizune levou as costas de sua mão para frente dos olhos e os apertou, recuando alguns passos. Distância fatídica que fora suficiente para uma sexta besta surgir em um salto e cair pesado à sua frente e de Neji.

Na fração de segundo que se seguiu, Shizune moveu o olhar arregalado e suplicante para os soldados, mas sentiu o ar fugir de seus pulmões e suas pernas amolecerem quando percebeu o quão ocupado estavam tentando aniquilar as outras cinco bestas que, mesmo feridas, desviavam de alguns tiros em saltos estratégicos usando as paredes para dar o impulso necessário e diminuirem a distância do pelotão.

Ao som de um rugido de aviso para o ataque, Shizune sentiu o aperto firme de Neji em seu pulso. O moreno iniciou uma corrida por suas vidas, rebocando Shizune para o mais longe possível daquele ser.

  - Neji, não faça isso! - Tenten suplicou em um grito, mas o jovem já ganhava distância com Shizune - Neji!

A criatura alavancou o rosto deformado aos céus e soltou um rugido feroz, correndo em seguida e entre saltos contra as paredes atrás dos dois jovens.

Percebendo uma das bestas cair já sem vida à sua frente, Deidara captou a rápida imagem da criatura a correr atrás dos dois civis e, sem hesitar, saiu de sua posição.

  - Deixa comigo! Deixa comigo! - Avisou animado com um sorriso aberto exalando êxtase, pondo-se a correr atrás da criatura.

Percebendo o que Deidara fizera, Itachi descarregou furioso toda a munição de seu fuzil na criatura que pulara a seu encontro, a fazendo cair em meio a todo o sangue da rua em espasmos violentos até sua pálpebra forrar metade de seu olho e um baixo e último sopro sair de sua boca entre aberta.

  - Deidara! - O brado repreensivo de Itachi só fora manifestado quando o loiro já virava a esquina com suas longas madeixas amareladas esvoaçando sem controle. Grunhiu com muita irritação, puxando as duas wakizashis alocadas diagonalmente em suas costas e com um perfeito domínio de seus movimentos, caminhou a passos rápidos na direção onde o loiro seguia, até uma das cinco bestas saltar à sua frente, o desafiando a tentar passar por ela.

Afastou seu corpo um passo para trás, desviando habilmente de uma patada dada horizontalmente, enfiou a lâmina afiada na grossa pata e com um movimento brusco a prendeu contra o chão. Ao som do rosnado furioso da besta puxando a pata para tentar se soltar, o moreno segurou o cabo da outra espada com as duas mãos, a alavancou com fúria aos céus e afundou com toda sua força no topo da cabeça daquele animal, retirando a lâmina com exímia velocidade e repetindo tal movimento um pouco mais à frente, fazendo aquele animal assustador cair a sua frente e ganir como um mero cãozinho assustado até seu corpo parar completamente de se mover.

Levemente ofegante e com uma expressão sombria de ódio, Itachi apanhou a espada que prendia a pata daquela coisa ao chão, sem desviar, em momento algum, o olhar para onde Deidara seguiu.

Com o findar do barulho de tiros, Itachi olhou para o lado procurando a figura de uma morena em especial, a encontrando escorada na parede de um estabelecimento qualquer com as mãos trêmulas entrelaçadas como uma súplica em frente à seu peito e uma expressão estática de medo que relaxou para uma de alívio quando percebeu que seus novos protetores não só estavam bem, como cuidaram daquelas mutações com maestria. Correu com dificuldade e entre tropeços para o lado do moreno que a guiou com o olhar por todo o caminho. Como se o mundo lhes concedesse um único segundo e com seus cabelos dançando ao ritmo do doce vento da madrugada, a jovem tentou trocar alguma palavra com ele, mas tudo que seu corpo conseguiu fazer diante daqueles intensos olhos ônix foi suspirar com o olhar baixo a se perder de um lado para o outro. O qual culpada estava se sentindo agora para se desarmar e submeter-se dessa forma diante daquele homem?

Itachi nada pronunciou também, mas sua expressão habitual de seriedade deu a entender que poderia ser bem compreensivo se nada lhe fosse omitido quando ela por fim contasse o que significava tudo aquilo. Quebrando o momento para trazer a verdadeira realidade de volta, o moreno olhou por cima dos ombros para o rosto de Hidan e Konan que já se aproximavam dele e de Tenten.

  - Deidara seguiu naquela direção - Indicou a frente da rua com a cabeça, devolvendo as pequenas espadas às bainhas em sua costas - Precisamos correr.

                            ...

Mesmo que seu tempo de reação diante da fuga daqueles dois tenha sido curto, fora o bastante para Deidara se ver andando a esmo no que parecia o início do trecho da zona rural de Konoha.

A visibilidade se extendera para mais alguns metros, resultado do início do amanhecer com o céu em tom azul marinho. Embora fosse um alívio não vagar à procura dos jovens em uma penumbra, a pouca claridade recém disponibilizada ainda não era suficiente para enxergar qualquer indício dos dois civis.

Resolveu se aventurar por aquela rua de terra e grama, afinal tinha a certeza de ter visto o ser sobrenatural correr naquela direção. Com o carregador do fuzil quase sem bala e recostado em sua barriga, Deidara caminhou sem se preocupar com a possibilidade de ser surpreendido por algum monstro ou até mesmo zumbi, interrompendo seus passos quando se viu à beira do que parecia um barranco. Iluminou com a lanterna da arma para ver o final da grande queda e avistou um trecho do rio que cortava Konoha a passar entre pedras com uma forte correnteza.

  - Será que...? - Murmurou alto o pensamento dos jovens talvez terem pulado para se salvar, mesmo sabendo que uma queda tão alta como aquela poderia quebrar por inteiro qualquer pessoa, até um grito masculino seguido do rosnado que ele já conhecia bem lhe chegar aos ouvidos.

Olhou bruscamente para sua esquerda e teve a certeza de onde deveria ir. Correu alguns metros, passando um casebre de madeira até avistar, para a frustração de quem esperava encontrar os dois ainda com vida, o corpo mutilado da jovem com uma das pernas arrancadas e metade do tronco mastigado. Sua expressão estática se compunha de um olhar arregalado e lábios entre abertos com sangue a descer por um dos cantos da boca.

  - Merda - O loiro murmurou contorcendo os lábios em sinal de reprova à sua demora - Cadê o outro? - Questionou despreocupado para si, cerrando o olhar como uma forma de enxergar melhor ao redor.

Em meio à cena de morte do local, Deidara ergueu o olhar e avistou Neji mais à frente, acuado e com o olhar suplicante para os lados com a criatura caminhando como um felino em sua direção.

  - Te achei - Murmurou com um sorriso satisfeito, mirando com o fuzil na direção do monstro e desferindo os últimos tiros restantes.

A criatura deu forte trancos em resposta a cada disparo que lhe atingiu, caindo desnorteada e agitando as patas em meio à terra.

  - Depressa! - Bradou para Neji, movendo a mão rapidamente indicando que o moreno deveria correr até ele.

Passando com passos cuidadosos pelo criatura atordoada a sua frente, Neji rapidamente alcançou Deidara que o guiou para trás de uma caçamba de lixo sem tirar o olhar do ser colossal que agora se recompunha, levantando cambaleante e sacudindo a cabeça.

  - Fique abaixado e proteja os ouvidos - Proferiu rapidamente para Neji, enquanto vasculhava um dos muitos bolsos de seu colete militar.

Antes mesmo que Neji pudesse questionar aquela ordem esquisita, ouviu passos rápidos e pesados acima de suas cabeças e entendeu, diante do vasto conhecimento que tinha daquele ser, que aquilo não só se recuperou, como também planejava um segundo ataque pelos telhados.

  - Isso, vem pra mim - Deidara murmurou caminhando de costas sem tirar o olhar dos telhados, com um sorriso maléfico desenhado em seus lábios - Tenho uma coisinha pra você.

Avistou a criatura correr por dois telhados dos casebres até seu instinto lhe avisar que a distância era suficiente. Desceu em um pulo pesado no chão de terra, levantando uma fina camada de poeira ao seu redor, iniciando de imediato uma corrida na direção do loiro que estrategicamente o esperava em pé alguns metros a frente.

Guiados pelos barulho, Itachi e os demais viraram a esquina a tempo de perceberem a cena do que parecia uma tentativa de suicídio do loiro.

Tomando um impulso com as patas traseiras, a mutação se lançou ao som de seu rugido feroz na direção do loiro que respondeu com o lançamento de um pequeno dispositivo redondo um pouco maior que uma bola de gude na direção da  criatura.

Acionado por um sensor de proximidade, o dispositivo emitiu um som duplo de bip ao encontrar com o corpo moldado em músculos da criatura, iniciando uma pequena, porém potente explosão que não só despedaçou aquele ser em muitos pedaços, como também dissipou uma forte onda destrutiva e de barulho ensurdecedor que se arrastou levando os pedaços da criatura e tudo mais que encontrava no caminho em todas direções, obrigando Neji a se encolher com os braços protegendo as laterais de sua cabeça e Itachi a usar seu próprio corpo como escudo para Tenten, envolvendo a morena em seus braços, enquanto Hidan e Konan apenas viravam de costas para a explosão e protegiam suas cabeças como Neji fez, levemente curvados.

Deidara, que repetia o gesto de proteção de Konan e Hidan, olhou de relance para o corpo da criatura se partindo e sorriu ácido de mais uma explosão bem sucedida, até perceber que não calculara bem a distância para tal feito.

  - Merda - Foi a única palavra que teve tempo de murmurar, sendo atingido de frente pela onda de destruição que o lançou abismo abaixo ao mesmo tempo que Itachi olhou por cima do ombro a tempo de ver tal cena.

  - Deidara! - Bradou com sua voz de trovão em compasso com a corrida que iniciou junto à Konan e Hidan na direção do loiro, sendo obrigado a assistir Deidara sumir de sua vista e ser lançado à própria sorte para dentro daquele barranco.

Parou de maneira brusca a poucos centímetros da beirada e, ofegante, tentou encontrar qualquer vestígio de que o amigo ainda estava por lá e vivo. Percebendo a penumbra que forrava o final da extensa queda impedir qualquer tipo de visão, virou rapidamente o fuzil em sua direção e usou a lanterna acoplada no topo do armamento para varrer aquela queda de um lado para o outro até avistar em seu final o que parecia um dos trechos mais violentos do rio que cortava Konoha, com suas fortes correntezas a arrastarem qualquer coisa ou pessoa que se atrevesse a cair ali.

Fechou os olhos e apertou o maxilar, dando uma respirada profunda sem perceber os olhares apreensivos que seus dois companheiros lhe lançavam.

Olhou uma última vez para as águas traiçoeiras e, então, se afastou com passos lentos da beirada, indo em direção à morena poucos metros à sua frente.

                              (...)

O que ela poderia dizer sobre aquele pequeno e doce momento? Era como se o mundo à desse um minuto da mais perfeita paz, sentindo as carícias mornas que os primeiros raios de sol distribuíam por sua face alva.

Manteve os olhos fechados, queria usufruir daquele momento. Respirou fundo como se pudesse absorver a essência daquele instante em que acabava de acordar; dormira como nunca desde que a era dos mortos vivos começara.

O som contínuo e agudo do canto em conjunto dos muitos pássaros que habitavam aquela mata lhe chegou aos ouvidos, contrastando com a doce brisa matinal que entrava pela janela pouco aberta. Hinata se permitiu dar uma última respirada de alívio por ter dormido tão bem e aninhou seu rosto juvenil ao repouso em que descansava, sentindo algo abaixo de sua face se mexer pouca coisa em resposta.

Abriu os olhos perolados de uma vez e piscou rápido até sua visão se adaptar à intensa claridade do quarto e perceber, sentindo o sangue despertar de súbito e correr para seu rosto, que adormecia sobre o corpo viril de Naruto.

Arregalou o olhar e comprimiu os lábios, impedindo que um gritinho de surpresa escapasse, enquanto seu olhar perolado ía da cintura do loiro até se encontrar com os traços impecavelmente desenhados de seu rosto adormecido. Então não fora um sonho, de fato dormira com ele...

Escorreu visivelmente envergonhada para o lado vazio da cama e se alavancou apoiando as pequenas mãos ao colchão, fazendo a mão de Naruto deslizar de seu ombro para os lençóis brancos da cama.

Não teve tempo de raciocinar ou até mesmo de sair correndo do aposento para dissipar a vergonha, os olhos de azul intenso de Naruto abriram devagar, mas já procurando a doce figura feminina feita de porcelana que dormira tão confortavelmente em seus braços. Ergueu o olhar para o lado, encontrando a face alva e corada da morena que parecia procurar palavras para quebrar o constrangimento que sentia daquele momento.

  - Ham... Bom dia... Naruto...  - E forçou um pequeno sorriso, só servindo para lhe fazer corar mais quando,  após alguns segundos a encarando inexpressivo, Naruto abriu um sorriso carinhoso sem mostrar os dentes.

  - Não precisa se envergonhar disso - Sugeriu com ternura enquanto sentava na ponta da cama e ficava de costas para a pequena. Deu um longo bocejo preguiçoso e coçou a nuca respirando fundo com os olhos fechados, acordando cada parte de seu corpo - Você parecia cansada depois que terminou meus curativos, acabou pegando no sono... Não sabia onde você iria dormir e não queria te acordar - Levantou sonolento, caminhando até o banheiro já sentindo uma significativa melhora de seu corpo. Deu uma olhada por cima do ombro para a pequena que permanecia na mesma posição e sorriu maroto - Mas fique tranquila, ninguém precisa saber o que houve.

Hinata sentiu as bochechas queimarem, mas esperou o loiro entrar no banheiro para encolher os ombros e segurar os pequenos lábios com o indicador, impedindo que o sorriso tímido abrisse demais enquanto olhava para um lado qualquer.

                              ...

Era para ser um mero passeio pelos arredores do sítio, mas desde que o barulho forte similar ao de trovão ecoou pela mata e fez um número assustador de pássaros se retirarem às pressas das árvores, Karin se via na obrigação de deixar seu corpo guiá-la até a fonte do barulho.

Caminhava rápido, afastando os incontáveis galhos e arbustos de seu caminho, abrindo uma trilha até chegar a um descampado e avistar, sem conter um grunhido irritado e revirar os olhos, a figura de Sasori distraído em suas tentativas falhas de acertar algum pássaro ou qualquer outro animal que estivesse se movendo entre os galhos das árvores.

  - O que acha que está fazendo, imbecil? - A morena bradou diminuindo a distância entre eles com passadas pesadas e irritadiças, ganhando como resposta um notório olhar de desdém por cima do ombro de Sasori - O que pretende? Chamar todos os mortos para cá?

Quanto mais a distância entre eles diminuía, mais ódio crescia em Karin por perceber que Sasori não só a ignorava por completo, como continuava os disparos que poderiam comprometer e muito a segurança do local.

Ao som de um grunhido irritado, a morena usou toda a força de seus braços treinados para o baseball contra as costas do ruivo, o fazendo vacilar com brutalidade para frente, lhe dando tempo de arrancar a carabina de suas mãos.

  - Onde conseguiu isso? - Questionou bufando de ódio, apertando a arma com uma das mãos e a indicando com a outra - Onde?!

O ruivo se manteve parado com as costas arqueadas por alguns instantes, até uma nova exigência de explicação sair da boca daquela mulher e o fazer olhá-la de uma vez por cima do ombro com os olhos arregalados indicando que ela conseguira despertar o ódio transbordante que ele já não conseguia mais domar.

Aquele olhar causou uma sensação de grande desconforto na morena, forçando os pensamentos da noite passada a invadirem sua mente e colocarem seu corpo em modo de defesa. Sasori virou sem pressa para Karin, sem perder o contato visual e sem relaxar sua face furiosa. Caminhou até uma distância pequena separar seus corpos e percebeu como Karin engoliu o seco e comprimiu o lábio, erguendo o rosto de forma a camuflar o receio com arrogância.

Foram alguns segundos em silêncio, lhes chegando ao ouvido unicamente o canto de um ou outro pássaro que não fugiu dos tiros, com suas mentes estudando o inimigo à frente para decidir como agir. Karin precisava admitir: aquele rapaz com olhar sombrio e expressão congelada deixara de ser o doce Sasori, dando espaço para uma personalidade sinistra e imprevisível que ela não sabia bem como lidar.

  - E então, Sasori.... O que vai fazer? - A morena soltou friamente, arqueando rapidamente uma das sobrancelhas, preparando sua mente para usar a carabina em suas mãos se aquele maldito ousasse tocá-la novamente.

Sasori moveu a mão para trás da cintura e puxou a pistola Ben Tren que Sasuke lhe dera há alguns dias. Afundou a ponta do armamento contra a têmpora de Karin, causando um espanto na face da morena que olhou incrédula pelo canto do olho aquela arma prestes a disparar contra sua cabeça.

  - Tem alguma ideia do quanto você me irrita? Tem ideia de como seria prazeroso enfiar uma bala nessa sua cabeça? Tem?! - O ruivo enfatizou com ira a última palavra, empurrando mais a arma fazendo Karin vacilar com a cabeça para o lado - Eu poderia disparar contra você agora mesmo que ninguém sentiria sua falta. Eu só preciso puxar esse gatilho...

Suas palavras saíram com o mais alto nível de sadismo, seus lábios trepidavam com a ansiedade de cumprir com o que disse e sua cabeça caindo um pouco para o lado, observando contemplativo seu próprio dedo acariciar o gatilho. Diante de tal comportamento doente, Karin engoliu o seco e desviou o olhar da arma para os olhos de Sasori, esperando alguns instantes para então proferir algo em sua defesa.

  - Atira - A fala calma e segura da morena fizeram a expressão de Sasori vacilar por um instante, com ele comprimindo pouca coisa o olhar e tentando entender o que exatamente ela pretendia com isso - Faça isso, não é o que quer? Então... tem minha permissão. Vai, Sasori... atira!

Só então ele entendeu a atitude desafiadora da jovem. Confrontar era sua arma de defesa contra uma morte tão sangrenta quanto levar um tiro na cabeça?

  - Atira! - Gritou com fúria, movendo involuntariamente a cabeça rapidamente na direção de Sasori, uma reação de seu corpo à adrenalina que inflava suas veias.

  O ruivo nada disse, mas sorriu de canto com evidente satisfação, puxando a trava da pistola.

  - Ei! - O grito repreensivo de Sakura lhes chegou ao ouvido enquanto a jovem corria desesperada na direção dos dois.

Sasori deixou sua mão com a arma cair sem pressa até encostar na lateral de seu corpo, com ele e Karin observando inexpressivos a rosada se aproximar.

Ofegante, Sakura empurrou Sasori e entrou na frente de Karin, observando furiosa Sasori vacilar alguns passos para trás até parar ereto e pressionar o maxilar.

  - Então era você quem estava atirando? Que merda tem na cabeça? E o que pensa que ia fazer com Karin? - Gritava com toda a incredulidade que seu instinto protetor sentia quando viu a situação entre os dois. Não gostava de Karin, mas não se permitiria assistir até o membro mais irritante do grupo morrer pelas mãos de outro - O que está acontecendo com você, Sasori? Você não era assim... - Olhou casualmente para o lado e percebeu três espingardas ao chão com uma pequena caixa de munição ao lado - E onde conseguiu todas essas armas?

Sasori olhou para o lado, soltando um breve riso de escárnio enquanto devolvia a pistola para sua cintura. Enfiou as mãos nos bolsos da calça e parou alguns passos à frente de uma rosada bem irritada.

  - Não precisa de toda essa cena - E sorriu cínico colocando uma mecha do cabelo de Sakura para trás da orelha - Eu não ia atirar em Karin, não sou um assassino - E encolheu os ombros com um risinho debochado - E essas armas são de Shikamaru, ele me permitiu usá-las para praticar aqui. Satisfeita?

Arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto para concluir sua fala.

  - São, é? Então não vai se importar se eu for confirmar o que disse com ele, não é? Aproveito e pergunto o que ele acha de ter alguém atirando em suas terras e comprometendo nossa localização. Que tal?

Sasori olhou frio para cada um dos olhos de Sakura e diminuiu mais a distância entre eles.

  - Mais alguma coisa? - Sugeriu seco - Por exemplo, correr para contar ao seu cão de guarda também?

  - Não envolva Sasuke nisso - Advertiu com raiva contida - Nem fale dele dessa forma. O problema aqui é você e sua...

Rindo de escárnio, Sasori interrompeu o restante da fala de Sakura. Se afastou das jovens e caminhou até as armas, recolhendo-as e caminhando em direção à saída daquele descampado.

  - Faça como quiser, minha querida - Soltou com sarcasmo sem interromper seus passos - Estou bem por hoje - Refletiu despreocupado olhando para as armas aconchegadas em seus braços.

Como se o clima de tensão seguisse Sasori conforme ele se distanciava, Sakura soprou de alívio e correu os dedos pelo topo da cabeça, jogando os cabelos rosas para trás. Olhou para Karin que seguia Sasori com o olhar furioso e lábios comprimidos, usando toda sua raiva no aperto que dava na carabina em sua mão. Percebeu os orbes verdes a lhe encarar e olhou de canto para Sakura.

  - O que foi? - Disparou ríspida.

  - Você está bem? - A rosada devolveu com a mesma preocupação que sentiria se alguém apenas tropeçasse à sua frente.

  - Não se preocupe comigo - Disparou mal criada, pondo-se a caminhar na direção da saída.

Sakura arqueou a sobrancelha enquanto Karin se afastava, revirando o olhar em seguida.

  - De nada - Murmurou com tédio, caminhando em seguida atrás da morena.

                                ...

A cozinha e sala de jantar do sítio estavam com a mesma agitação das casas em finais de ano. Shikamaru preparava o que seria o café da manhã de todos, contando com a ajuda preciosa de Ino que prontamente se ofereceu para colher as ervas plantadas à poucos metros da casa. Gaara se distraía no sofá em uma conversa típica de jovens baderneiros com Naruto, causando risadas divertidas em Shikamaru com suas palavras pesadas. Era o cenário ideal de garotos agindo como garotos.

  - Ah, Shikamaru... Posso falar com você? - A voz tímida de Hinata tirou a atenção do moreno das panelas e o fez olhá-la parada alguns passos atrás de si.

  - Hinata, o que quer? - Perguntou educado, esfregando as mãos em um pano de prato.

  - É que... Eu esqueci de pegar alguns itens quando estávamos na farmácia e gostaria de saber se você os tem aqui - Entregou toda sem jeito um pequeno pedaço de papel com alguns escritos.

  - Ah sim, deixe-me ver... - O Nara recolheu o papel e analisou o conteúdo com itens de higiene feminina, contendo uma pequena risada e entendendo o porquê da pequena estar tão sem jeito - Me desculpe, não vou ter essas coisas por aqui, mas posso ver se alguém consegue buscar isso no vilarejo aqui perto.

A compreensão tão atenciosa de Shikamaru junto à ideia de compartilhar suas necessidades femininas com outra pessoa fez a pequena Hinata abaixar a cabeça e assentir extremamente envergonhada, causando uma risada compreensiva em Shikamaru e um breve afago no topo de sua cabeça.

  - Não fique sem jeito, ok? Posso incluir outras coisas na lista e ninguém irá desconfiar, não é? - Era como se falasse com Konohamaru, tamanha a inocência que Hinata exalava.

Shikamaru observou Sasuke surgir no balcão que dividia os dois cômodos e começar a comer despreocupado as uvas que ornamentavam o mármore. Sorriu satisfeito olhando para Hinata e pescou uma caneta nas gavetas dos armários, escrevendo itens aleatórios que poderiam ser encontrados no mesmo local dos produtos da jovem.

  - Sasuke, pode me fazer um favor? - Começou casual, caminhando até o moreno de cotovelos repousados no mármore que levantou o olhar para ele enquanto colocava outra uva na boca.

Sem conseguir ouvir o que Shikamaru dizia à Sasuke, a morena apenas observou o moreno recolher a lista ao mastigar o restante da uva e analisar o que estava escrito enquanto Shikamaru apontava para os itens e falava algo inaudível.

  - Absorvente? Onde eu encontro isso? - Foi uma pergunta casual sem qualquer malícia, mas suficiente para o sangue queimar as bochechas de Hinata e fazer a jovem sair da cozinha a passos rápidos e com muita vergonha.

Shikamaru riu divertido afundando o rosto em uma das mãos, voltando o olhar para Sasuke que olhou de relance a pequena morena sumir desnorteada pelo corredor e seus dois amigos rirem debochado enquanto o encaravam.

  - A farmácia do vilarejo aqui perto tem tudo isso, só precisa pegar a segunda entrada pela Estadual - Shikamaru entregou a chave da sala de armas para o moreno que apenas assentiu e foi buscar o armamento necessário ao som dos trocadilhos debochados de Gaara, lhe mostrando o dedo do meio antes de sumir no corredor.

Estavam se recuperando da situação descontraída e prontos a voltarem para seus afazeres. Ino já voltava com as ervas, abrindo com cuidado a porta do local com um pequeno cesto de palha em mãos, quando ouviram passos rápidos saindo do corredor.

  - A porta, a porta, a porta! Rápido! - Konohamaru advertia em pânico, caminhando a passos rápidos para alguém tão pequeno e com os braços esticados para frente, segurando o pequeno filhote nas mãos.

  - Kono, o que foi? - Shikamaru perguntou, pego de surpresa pela reação agitada do pequeno que já alcançava a porta.

  - Ele precisa fazer xixi! - Avisou tão rápido que foi um milagre não ter tropeçado nas próprias palavras, passando por baixo do cesto nas mãos da loira e sumindo ao som de seus gritos de alerta para saírem da frente, embora não houvesse qualquer coisa do lado de fora impedindo seus passos infantis.

Shikamaru riu juntamente com Ino da atitude desesperada do pequeno.

  - Ino, se importa...? - Pediu com um sorriso terno, indicando a porta com a cabeça. Não era preciso complementar a frase de irmão mais velho super protetor para a loira entender que ele queria alguém olhando pelo pequeno.

  - Sem problema - Respondeu com um pequeno sorriso, depositando a cesta com ervas no mármore e começando a caminhar até a porta.

  - Me espera, loirinha - Gaara avisou debochado, saindo com um pulo do sofá e alcançando a loira - Precisamos de algum tempo juntos - Ironizou com o braço envolvendo os ombros de Ino que apenas revirou o olhar e comprimiu os lábios, retirando o braço do ruivo de cima de si ao som da risada descontraída dele.

  - Espera, eu vou também - Naruto avisou já caminhando até os dois - Preciso andar também... Sasuke! - Emendou com animação debochada quando percebeu o moreno próximo a eles e com duas espingardas penduradas pela bandoleira em um ombro.

  - Não esquece que é com abas, tá? - O ruivo debochou fingindo preocupação, recebendo um olhar com sobrancelha arqueada do moreno e uma revirada de olhar.

Sasuke apenas caminhou até Shikamaru para devolver a chave, ignorando as risadas e os deboches dos amigos, junto à cara de paisagem de Ino que não entendia o que acontecia.

  - O que houve? - Sakura surgiu no cômodo com um sorriso antecipado de quem queria saber o que acontecia para rir também.

  - Sasuke vai comprar absorventes - Naruto avisou parando um segundo de rir para dar um ar dramático à sua fala, junto com uma sobrancelha arqueada e um meio sorriso. Porém, bastou olhar para Gaara que as risadas voltaram a ecoar pelo recinto.

  - Ah, entendi - Sakura soprou segurando a risada com as bochechas infladas. Não que estivesse debochando de Sasuke, mas sim porque era facilmente contagiada com risadas alheias.

Porém o Uchiha não viu dessa forma, arqueou uma sobrancelha sem tirar o olhar de Sakura enquanto caminhava até a porta, recolhendo a rosada pelas pernas e a jogando em seu ombro como um saco de cimento.

  - Achou graça, rosinha? Então vai comigo - Murmurou ácido ajeitando a jovem em seu ombro e passando assim pela porta.

  - Não se preocupem, eu protejo ele - Sakura avisou divertida entrando na brincadeira, acenando em despedida para os que ali estavam e ainda riam - Logo voltaremos com os absorventes! - Cerrou o punho no ar e dramatizou com deboche, fazendo os meninos rirem mais e Sasuke dar um tranco com o ombro, o que fez seu corpo responder com um pequeno pulo. Continuou rindo enquanto o moreno parecia não ter interesse em descê-la para o chão, até sumirem da vista de todos.

Ino revirou o olhar e sorriu pequeno por toda aquela cena, seguindo o rastro de Konohamaru com Gaara e Naruto rindo descontraídos de novas piadas sobre a situação logo atrás.
   
                                ...

Pulando no meio do descampado para alcançar as borboletas que sobrevoavam sua cabeça, Konohamaru ria animado de sua brincadeira sob o olhar cuidadoso de Ino, acompanhada de Gaara e Naruto.

Era muito pequeno para entender o quão caótico estava o mundo, o que fazia sua imagem brincando animado no meio daquele local querer ser preservada de tão inocente e vulnerável. Ino permanecia sentada alguns metros longe do pequeno, queria dar a ele total liberdade para brincar como bem entendesse. Sem contar que, surgindo qualquer imprevisto, tinha à seu lado Gaara e Naruto que conversavam descontraídos, mas estavam preparados para qualquer contratempo.

  - Olha isso, pequei uma! - Konohamaru levou as mãos fechadas em concha na direção do filhote. Separou as palmas e revelou uma borboleta de asas laranjas que rapidamente voou de sua mão para longe, fazendo o pequeno suspirar decepcionado enquanto nada podia fazer a não ser acompanhar seu vôo com o olhar.

Ouviu o filhote farejar com a cabeça virada para a mata e rosnar baixinho. Estranhou o comportamento do amigo e abaixou sem encostar os joelhos no chão.

  - O que foi? - Perguntou inocente com um pequeno sorriso revelando a falta de dois dentes de leite, até o filhote começar a latir e correr com extrema velocidade para dentro da mata - Amigo, volta aqui! - Suplicou com medo, pondo-se a correr atrás do filhote.

Ouvindo a voz de Konohamaru ecoar pelo local, Ino voltou o olhar das nuvens a tempo de ver o pequeno correr mata à dentro e, se levantando desengonçada pelo impulso, iniciou uma corrida atrás de Konohamaru.

  - Kono, não! Volte aqui! - Seus gritos de preocupação mais que depressa despertaram Gaara e Naruto que não esperaram um segundo sequer para irem atrás da loira - Kono!

Penetrando à força aquele trecho da mata, Konohamaru empurrava como podia os galhos que ficavam entre ele e a visão que tinha de seu pequeno amigo. Com o pequeno olhar marejado de quem temia perder o único cachorro que tinha, Konohamaru continuou a corrida pela trilha que o filhote passara, até percebê-lo parar à beira de um pequeno declive que dava acesso à um trecho estreito do rio.

Soprou de alívio com um sorriso de gratidão, alcançando o filhote e caindo de joelhos ao seu lado. Afagou o corpo do amigo algumas vezes até as lágrimas sumirem de seu olhar.

  - Não faça isso, amigo - Pediu com um sorriso de alívio, até perceber que o filhote apenas encarava o leito do riacho - O que está olhando?

  - Ei... Garoto... - O chamado fraco chegou aos ouvidos de Konohamaru antes que ele alcançasse o que seu cachorro encarava. Entendeu então o que atraiu o filhote, ao encontrar um loiro com metade do corpo dentro nas águas, vestido com a farda negra do exército, agarrado com suas últimas forças às raízes de árvores que escapavam por entre a terra do declive.

Deidara ergueu a cabeça com muita dificuldade, encarando o rosto atônito de Konohamaru. Buscou forças para conseguir falar algo, com o olhar entre aberto, respirando descompassado e deveras ofegante.

  - Dá pra me ajudar aqui? - Pediu soprando as palavras, mas sem deixar de lado seu típico sorriso irônico.


Notas Finais


Não acharam que eu ia matar o Deidara, não é? u.u

E o que mais aprendemos nesse capítulo? Nunca use salto no Apocalipse Zumbi ;D

É isso, fiquem no aguardo do próximo capítulo e me perdoem os erros, estava louca de café quando o escrevi e esse negócio é grande demais para não deixar um ou outro erro escapar. É isso, flw u.u/


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