História Quarto para a Luz - Capítulo 1


Escrita por: ß

Postado
Categorias SERVAMP
Personagens Kuro, Mahiru Shirota
Tags Kuro, Kuromahi, Mahiru Shirota, Mary, Marys, Pesadelos, Quarto Para A Luz, Servamp, Sleepy Ash
Exibições 135
Palavras 1.347
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


❝Com sua devida atenção, plágio é crime. Se o acontecimento for encontrado, o indivíduo será devidamente avisado.❞

Capítulo 1 - A luz de Mahiru e a escuridão de Kuro


Kuro? Você está bem?

Essas são as palavras que fazem a cabeça de Kuro elevar-se para cima, fazendo-o olhar em volta freneticamente antes de se concentrar em Mahiru ajoelhado a sua frente. Ele não consegue se lembrar onde ele está, o que aconteceu e por que Mahiru está o olhando desse jeito.

Claramente em causa, aflito, preocupado com ele.

Ele quebra o contato visual para olhar em volta, somente capaz de ver o breu, mas ainda consegue reconhecer o quarto do jovem Shirota. Seu corpo está em cima da cama, encolhido em um canto, os joelhos até o peito, respirando pesadamente.

O que aconteceu?

Há um toque súbito contra seu braço e Kuro recua, o pânico se espalhando por todo seu corpo, fazendo seu coração bombear dolorosamente contra seu peito antes que ele se lembre que Mahiru está a sua frente e o toque gentil pertence ao seu Eve.

Está tudo bem, é apenas Mahiru.

Mahiru, que agora está olhando-o ainda mais preocupado, os olhos ligeiramente arregalados com a reação do outro.

A mão ainda estava estendida em sua direção.

Kuro gostaria de dizer alguma coisa, para se desculpar, embora ele sequer soubesse para o que, mas a necessidade de fazê-lo palpitava em si – quando, de repente, todo o seu corpo ficou rígido e uma breve memória volta a tona.

Ele se lembra de ouvir as vozes em seu sonho.

As vozes que ele achava que tinha sob controle, presas na parte mais escura de sua consciência.

As vozes que o culpam de tudo.

E ele se lembra das sombras.

A persegui-lo, agarrando-o e, finalmente, arrastando-o para baixo na escuridão.

Mais e mais fundo até que não há nada, só a si mesmo, sozinho.

Ele não consegue se mover, não consegue ver, não consegue produzir um único som, não consegue fazer nada. Existe apenas ele naquela escuridão aterrorizante.

E justamente quando ele pensou que ia enlouquecer, as vozes voltaram.

Gritando, o culpando.

“Assassino!”

“Você o matou!”

“É culpa sua!”

“Nós, assim como todos, odiamos você!”

“É culpa sua!”

E ele não consegue se mover, não consegue cobrir seus ouvidos para bloqueá-los do som, ele não consegue–

E é Mahiru o agitando levemente para trazê-lo de volta – o corpo tremendo e os olhos arregalados em terror.

Ele percebe que Mahiru está dizendo algo; seus olhos se fecham para tentar o seu melhor em bloquear a memória e apenas focar no jovem – ele tenta se concentrar apenas no sentimento de ter Mahiru ao seu lado.

– O que está acontecendo, Kuro? Você está bem? Por favor, me diga o que está acontecendo!

Há uma urgência na voz de Mahiru que faz o Servamp abrir os olhos e fixar seu olhar em seu Eve, capturando em seu rosto a definição de preocupação e alarme, os olhos castanhos fixos em cima de si com algo escondido dentre deles que se assemelhava ao desespero.

O Servamp não diz nada para retribuir o olhar que recebia. A mão do jovem estende-se novamente, o mínimo possível para não assustar o outro novamente. O calor de Mahiru é contagiante e seu toque é suave, e Kuro sabe que há mais do que uma pitada de preocupação no Eve – poderia ser considerado como medo.

– Kuro, o que está errado? Por favor, me diga...

A voz de Mahiru está banhada em medo, mas Kuro percebe que não é medo dele, mas sim do que há de errado com ele.

Ele está preocupado com ele.

E Kuro abre a boca para falar, para dizer a Mahiru que está tudo bem, que ele está bem, embora obviamente não esteja, mas apenas para lhe dizer que está tudo bem e que não há necessidade para se preocupar.

Porque Kuro não consegue enfrentar os olhos protetores de Shirota Mahiru.

Ele não quer Mahiru preocupando-se a toa por ele.

E de repente, as vozes estão de volta, escapando de seus sonhos e encontrando seu caminho para sua cabeça, gritando e gritando com ele.

“A única coisa que você faz é causar sofrimento onde quer que vá!”

“Você nunca poderá fazer alguém feliz!”

“Você é a razão que todo mundo está sofrendo!”

“É culpa sua!”

“É culpa sua!”

“A culpa é sua!”

E Kuro estremece porque ele sabe que as vozes estão certas – elas sempre estavam.

É culpa sua de que tudo aquilo estava a acontecer.

É culpa dele que Mahiru estava a colocar sua vida em risco.

– Eu sinto muito.

Ele concentra-se atrás de Mahiru, as palavras que acabam de sair queimam dentro de sua consciência.

Ele está tão triste.

Ele olha para o Eve, a culpa se acumulando dentro dele, espalhando-se por seu corpo até que ele consiste somente em desculpas – pretas, pesadas, esmagando a culpa, como ele murmura aquelas palavras mais e mais uma vez, embora ele saiba que isso não ira ajudar.

As desculpas não levaram a culpa embora.

Ele ainda continua a contar os segundos enquanto a expressão de Mahiru começa a mudar, transformando-se em algo suave, quente e compreensivo que faz as vozes gritarem “culpado! culpado!” em um nível ensurdecedor.

Como Mahiru conseguia olhar para um monstro como ele?

Ele sabe o que Kuro fez, ele viu cada pequeno detalhe de seus pecados; então, como ele conseguia continuar a olhá-lo como se tudo estivesse bem? Como ele conseguia olhar para Kuro com aquela expressão suave, o entendimento de que deixava claro que ele não o julgaria?

Ele sabia que deveria desprezá-lo por tudo o que ele fez.

– Está tudo bem. Eu entendo.

E o Servamp de cabelos azuis quer gritar para que o jovem apenas agisse como se ele não entendesse, como ele deveria odiá-lo e dizer-lhe para sair e nunca mais voltar; mas tudo o que sai é um soluço quebrado.

Ele ainda pode sentir a mão quente de Mahiru contra seu rosto, sentindo-o olhando para ele com aquela expressão, que o cuidava naquela expressão de amor.

E ele não conseguia lidar com aquilo – repetindo, ele não conseguia lidar com aquilo.

Ele não sabe o que é suposto a fazer.

Mahiru não o odeia – por que ele não o odeia!?

E é então que Kuro apenas deixa-se cair para frente, a cabeça tombando no peito do Eve, as mãos agarrando a parte de trás da camisa de Mahiru para que as lágrimas rolem por seu rosto.

Ele não emite nenhum som, as lágrimas silenciosamente caindo, molhando a camisa do ser humano, que aceita segura-lo de bom grado.

Ele nunca chorou, nem uma única vez e agora há tantas lágrimas que ele sente como se estivesse se afogando.

Ele está se afogando e Mahiru está ali para salva-lo.

Há mãos esfregando suas costas suavemente, pressionando-o mais perto do calor – a luz é Shirota Mahiru para a escuridão de Kuro.

– Está tudo bem, Kuro – ele ouve os sussurros do Eve. – Não é culpa sua.

E é como se o mundo tivesse parado; Kuro para de respirar, suas lágrimas param o fluxo.

É como se parte da escuridão dentro de Kuro começasse a rachar para deixar que alguns raios de luz adentrem.

– Não é culpa sua.

Ele novamente o ouve e as rachaduras de escuridão abrem-se mais um pouco.

Ele consegue sentir um par de lábios quentes pressionados contra sua testa, para que ele afaste-se com os olhos arregalados com o gesto.

E Kuro sente como se Mahiru fosse necessário para a essência de seu ser.

Mahiru é preenchido com uma luz quente que escoa para dele nos locais onde eles estão e fluindo em direção a Kuro.

– Está tudo bem, tudo vai ficar bem – e o Eve diz com tanta confiança, enquanto permite-se encostar-se contra Kuro para que ele consiga sentir como a culpa dentro dele continua a rachar para permitir que mais e mais luz adentre seu ser.

E com tudo o que a luz traz, há um sentimento de pertença que se instala a direita no coração de Kuro, que o faz relaxar contra o corpo quente de Mahiru.

Com os braços envoltos do corpo quente do jovem, o Servamp percebe que há algo dentro dele mudando à medida que a escuridão abre espaço para a luz.



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