História Quase - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Pristin
Personagens Eunwoo, Kyla, Kyungwon, Mingyeong, Nayoung, Pinky, Siyeon, Sungyeon, Yebin, Yewon
Tags Angst, Minkyebin
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Palavras 5.224
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Yuri
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Sem mts revelações só qje amo esse casal demaisjshsw

Capítulo 1 - Capitulo único: o "quase" entre nós


Fanfic / Fanfiction Quase - Capítulo 1 - Capitulo único: o "quase" entre nós

Quase.

A palavra que definia todas as tentativas de Yebin. Quase.

E às vezes, parecia que o quase nunca teria um fim.

— Minky! — Chamou depois de tanto ter corrido para alcançar a garota ruiva, alta e apenas um ano mais velha que ela.

Kim Minkyung. Ou como poderia dizer, a pessoa que Yebin amava mais do que qualquer coisa.

Minkyung era o seu primeiro amor, seu suspiro, seu olhar apaixonado e as batidas do seu coração. Mas, acima de tudo, Minkyung também era o quase nas suas inúmeras tentativas de dizer o que sentia.

Todos os dias, Yebin acordava pensando em como dizer aquelas três palavras para sua colega de grupo, em qual momento isso iria acontecer ou se ela ainda teria que esperar mais do que o normal. Porque sempre que tentava, alguma coisa atrapalhava a Kang de continuar com seu momento de fala, e no final, havia ficado apenas no quase.

O medo de Yebin, era que o quase entre ela e Minkyung, durasse para sempre.

Quando a ruiva avistou sua pequena menina correndo na sua direção, seus braços se abriram automaticamente como um convite para que Yebin se jogasse neles sem medos ou receios. E ela de fato o fez.

Estando abraçada a sua cintura e se deleitando da diferença de altura das duas, Yebin sorriu para Minkyung e apertou ainda mais seus braços em torno do corpo alto.

— Melhor assim? — Perguntou em um sussurro, em seguida lhe deixou um beijo na testa que fez a loira fechar os olhos durante os segundos que aquele contato durou.

— Bastante. — Respondeu.

— Pode me contar por quê estava correndo?

— Oras, eu sempre estou correndo até você. Ainda não se acostumou Minky? — Yebin reforçou sua mania de viver correndo atrás de Minkyung.

E ela fazia isso no sentido literal da frase, sempre que via a ruiva em algum lugar, corria até ela na esperança que seus braços estivessem abertos para lhe receber, e Minkyung nunca deixava de segurá-la para então abraçá-la com força. Bem como estão agora.

— Hummm, sim. E de todas as suas manias, essa é minha favorita. — Minkyung beijou sua testa novamente, dessa vez demorando um pouco mais para apartar aquele contato tão tenro e amável.

Yebin sentia-se amada e única, como se naquele mundo só existisse apenas ela e Minkyung.

E se sentindo tão especial, não demorava para a coragem de confessar seus sentimentos aparecer.

— M-Minky, eu quero lhe dizer algo. — As mãos de Yebin agarraram a camiseta da mais velha com um pouco de força, e Minkyung não deixou de perceber.

— O que houve? É muito importante? — Perguntou, fazendo um carinho gentil com sua mão no rosto da menina.

— Sim, muito importante. — Yebin respirou fundo, encarando aqueles olhos tão belos, de uma mulher tão bela e que ela tanto amava. Ela estava pronta. — E-Eu estou apaixonada por vo-

Há um problema, que não pode ser ignorado. Yebin se sentia amada, única e especial para Minkyung sempre que estavam juntas.

Mas a sensação nunca durava muito tempo.

Pois havia um fenômeno que acontecia toda vez que a Kang criava coragem para se confessar. Às vezes ela achava que Minkyung era apenas distraída demais e que não percebia quando se tratava de uma conversa séria, sem interrupções. Ela nunca esteve tão errada.

A ruiva não era distraída ou desatenta, e não demorou muito para Yebin perceber, que ela também tinha olhos para outra pessoa.

— Minkyungie. — Uma das integrantes do grupo surgiu ao lado de Minkyung, com um sorriso largo no rosto, tão belo e atraente que a Kim sorria de forma espontânea só de olhar para ele. E claro, interrompendo completamente o que Yebin estava prestes a dizer.

Kang Kyungwon.

— Oi meu amor! — Minkyung disse.

Foi tudo muito rápido. Em um segundo, Yebin estava nos braços de Minkyung, se sentindo amada e única como ninguém, aproveitando o curto tempo daquele sentimento tão gracioso que ela sentia por sua colega. Mas no outro, nem perto de Minkyung ela estava mais, tampouco presa no seu abraço e tendo seus olhos lhe dando atenção.

As duas mais velhas se colocaram em uma conversa animada, cheia de gargalhadas e toques carinhosos por parte de ambas. Abraços, beijos na bochecha e mãos entrelaçadas.

Yebin sentia ciúmes, muito ciúmes, mas não odiava sua Unnie por conta disso. Kyungwon era de longe uma das melhores pessoas que ela já havia conhecido, e por esse mesmo motivo, muitas vezes ela desejava estar no corpo de Kyungwon.

Talvez, essa seja a única solução para não perder a atenção de Minkyung.

Era sempre assim, não importava como as duas estivessem, se Kyungwon aparecesse ou apenas estivesse por perto, Minkyung desviava totalmente sua atenção de Yebin e sem perceber, ela acabava por partir o seu coração por sempre deixá-la de lado.

Era estranho para Yebin quando as duas estavam juntas, porque antes de Kyungwon aparecer, era como se Minkyung não tivesse olhos para mais ninguém além dela. E depois, quando o seu amor estava ao lado da outra integrante, era como se Yebin nem ao menos existisse.

A loira se sentia uma intrusa ali, e como todo o sentimento de incômodo fazia, Yebin sempre se afastava sem ser notada por nenhuma das duas, levando embora consigo a tristeza de não ter conseguido, e a sensação de novamente ter que voltar para o seu quarto com todos os seus sentimentos guardados.

Sem se esquecer de anotar outro Quase na sua lista de tentativas fracassadas.





______________




Era hora do almoço, todas as integrantes do grupo estavam demasiadamente animadas, pois seria um longo dia de trabalho e seu manager permitiu que elas pedissem bastante comida pronta e para se alimentarem bem.

Sempre que as dez meninas estavam juntas no mesmo espaço para comer, elas disputavam os lugares, porque uma queria sentar do lado da outra, mas outra não queria ficar separada de uma. Era uma confusão imensa que sempre causava dor de cabeça para a líder Nayoung.

Para Yebin, o que importava era se sentar ao lado de Minkyung. Sempre que elas se sentavam juntas, parecia que o almoço ficava mais divertido, a comida mais saborosa e aquele momento mais especial. A presença de Minkyung alegrava todas as partes de seu dia, e para elas era quase uma tradição se sentar juntas para uma refeição.

— Meninas, não vai caber todo mundo na mesa. — Nayoung disse. — Algumas terão que se sentar lá no sofá, mas se decidam logo ou a comida vai esfriar.

Uma mão discreta segurou a da líder chamando sua atenção. Era Zhou Jieqiong que já estava sentada em seu devido lugar, ao lado de Nayoung e apenas esperando para que ela se sentasse também para lhe fazer companhia.

— Guardei seu lugar. — A chinesa sussurrou, dando a Nayoung o prazer de ver o seu sorriso tímido antes de receber uma piscada como resposta da mais velha.

Yebin estava com seu prato em mãos, pronta para se sentar ao lado de Minkyung e aproveitar seu almoço ao lado dela. Só que novamente, o Quase, fez uma interrupção nos seus planos.

Quando ela viu Minkyung sentada ao lado de Kyungwon e as duas conversando com empolgação, todo o seu ânimo desapareceu. Ela nem ao menos percebeu que havia ficado ali parada observando, até uma de suas colegas se manifestar.

— Yebin? Não vai se sentar? — Nayoung perguntou, tirando a loira daquele transe. — Não sobrou lugar na mesa, você queria ficar aqui?

A situação era um tanto vergonhosa, e até meio humilhante. Yebin sentia uma árdua vontade de chorar, mas se o fizesse deixaria suas amigas preocupadas e acabaria atraindo atenção demais para um assunto tão comum.

— N-Não, e-eu só-

— Unnie, vem sentar com a gente. — De repente, Siyeon, uma das mais novas do grupo, segurou o seu braço delicadamente e lhe fazendo um convite para ir até a sala, qual Yebin não pensou duas vezes em aceitar.

E lá na sala, Siyeon estava almoçando em companhia de Eunwoo, sua namorada.

Não era novidade nenhuma para ninguém ali o que as duas tinham e sentiam uma pela outra, tanto que as outras meninas descobriram sobre o namoro escondido sem nem precisar interrogar ou que elas contassem. A famosa troca de olhares e demonstrações de afeto já falavam por si só.

— Obrigada por isso, Siyeon, — A Kang agradeceu ao se sentar no sofá, e acabou por receber um olhar compreensivo da morena.

— Eu vi como você ficou quando viu a Minkyung unnie sentada do lado da Kyung unnie. Achei que seria bom ir até o resgate. — Ela disse. — Sinto muito.

— Está tudo bem, quer dizer, é só um lugar na mesa… — Yebin tentava disfarçar, mas não conseguia porque Siyeon e Eunwoo eram espertas o suficiente para notar o comportamento estranho da Kang.

Justamente porque o casal já havia passado pela mesma situação antes de resolverem acabar com aquela tortura emocional.

— Quando a Siyeonnie se sentava com outra pessoa na mesa ou dava mais atenção para outra integrante, eu ficava assim como você. — Eunwoo comentou.

— E quando você se sentava com outra pessoa na mesa ou dava mais atenção para a Kyulkyungie, eu também ficava como ela! — Siyeon retrucou e não hesitou em beliscar o braço da namorada.

O casal começou uma discussão saudável ali, e ficando totalmente alheias ao assunto anterior. Yebin observava a cena com certa inveja, porque poderia ser ela e Minkyung discutindo sobre como se sentiam à respeito de ciúmes antes de começarem a namorar. Poderia, mas não era.

A diferença, é que tanto Eunwoo quanto Siyeon, tinha sentimentos completamente recíprocos. Já Yebin não fazia a menor ideia de como Minkyung se sentia a seu respeito, porque ao mesmo tempo que ela parecia amar Yebin com todas as suas forças, também parecia que Kyungwon era o seu maior desejo na vida toda.

Às vezes ela se sentia em um triângulo amoroso, mas sem o consentimento das outras duas pessoas. E sem Minkyung ao seu lado, o almoço não ficava mais divertido, a comida perdia o seu sabor e o momento se tornava monótono e tedioso.

Mais um Quase para a sua lista.




______________




Yebin tinha um plano. E não teria como dar errado.

A grande vantagem que ela tinha sobre Kyungwon, é dividir o quarto com Minkyung. Às vezes a loira se pegava achando graça de nunca conseguir se confessar para a Kim mesmo dormindo no mesmo quarto que ela. O grupo que estava apenas no início de sua carreira, tinha uma agenda rigorosa de treinos e compromissos, sendo assim, quando as meninas voltavam para o dormitório, só desejavam um banho quente e suas camas, pois se sentiam cansadas demais até para conversar.

Mas dessa vez, Yebin decidiu que iria esperar Minkyung acordada, mesmo que o cansaço estivesse consumindo cada parte do seu ser. O dia de hoje havia sido cansativo demais, o grupo precisou se separar para atividades individuais, então ela só teria aquela chance para conseguir falar com Minkyung de uma vez por todas.

Era só uma questão de esperar que a ruiva terminasse o seu banho…

A tarefa não era fácil, justamente porque seus olhos lacrimejavam de tanto sono e seu corpo implorava por descanso. Seu cérebro dizia para que deixasse de lado e fosse dormir, mas seu coração era o único teimoso na história que a fazia ficar acordada e esperando Minkyung entrar no quarto.

E então a porta se abriu. Minkyung entrou.

Com a toalha enrolada no seu pescoço, vestindo um pijama curto e destacando todas as suas curvas do seu corpo perfeito, a mais velha adentrou o quarto que dividia com Yebin exalando cansaço.

— Céus, estou morta! — A ruiva exclamou com a voz manhosa. Apenas pendurou a toalha na fechadura da porta e se jogou na sua cama logo em seguida.

Yebin mordeu discretamente o lábio inferior e observou a cena completamente admirada porque graças a Deus, Minkyung era a mulher mais linda do mundo. E de bônus dormia no mesmo quarto que o seu.

Porém, ela não poderia se esquecer do seu objetivo.

— Minky, posso dormir com você? — Yebin perguntou inocentemente.

Minkyung abriu apenas um olho e encarou a loira, com aquele rostinho esperançoso por uma resposta positiva. A ruiva sorriu de canto.

— Venha.

Bastou a mais velha erguer sua coberta, que Yebin praticamente correu para debaixo dos cobertores, logo tendo seu corpo aquecido e confortável por Minkyung. Não era incomum para elas dormirem na mesma cama, às vezes, quando chegava muito tarde e encontrava Yebin dormindo, a própria Minkyung ia se deitar com ela em sua cama e abraçando o seu corpo, tomando cuidado para não acordá-la.

Mas Yebin nunca estava de fato dormindo, ela sempre esperou Minkyung acordada e só pegava no sono mesmo quando a ruiva abraçava seu corpo e se aconchegava nele.

— Tomou banho rápido dessa vez. — A loira comentou enquanto acariciava de leve o braço de Minkyung. — Ou foram as meninas que não demoraram?

— Ahm, eu tomei banho com a Kyungie. — Ela disse. — Éramos as últimas, então foi mais rápido.

Yebin engoliu em seco, a contragosto e sentindo um gosto amargo na boca.

Por que ser apaixonada por Minkyung, a cada dia se tornava uma tarefa tão difícil?

Por que tinha que doer tanto?

Tudo por causa do quase.

Ela sabia que não seria tão fácil, mas não se sentia disposta a desistir de alguém que amava e que estava tão perto. Era tolice.

Com um sorriso um tanto forçado, ela decidiu trocar de assunto e falar sobre o que realmente importava.

— Preciso te dizer algo, Minky.

— Tem que ser agora? Não pode ser amanhã? — A ruiva mostrou seus sinais de sono e indisposição, que quase fizeram Yebin desistir de se confessar.

Mas, ela não iria.

— Por favor Minky, é muito importante! — Ela insistiu. — Por favor…

Minkyung riu fraco, sabendo que não era capaz de dizer não para Yebin.

— Tudo bem, me diga o que é.

O coração de Yebin passou a bater acelerado, nada poderia impedir aquele momento de acontecer. Ela precisou se esforçar para não sorrir feito uma boba antes da hora, precisava aproveitar aquela oportunidade tão valiosa de uma vez por todas.

— Faz tempo que somos amigas e de uns tempos pra cá ando me sentindo diferente em relação à você. — Yebin respirou fundo e fechou os olhos. — Minkyung, quero dizer que-

Alguns segundos, um único fechar de olhos, uma única distração. Isso foi o suficiente para Minkyung pegar no sono antes mesmo que Yebin pudesse terminar de falar. Ao abrir seus olhos novamente, sua animação, coragem e empolgação de dizer o que estava entalado na garganta, havia evaporado totalmente.

Outra tentativa fracassada.

Que bobeira

Yebin deveria saber que Minkyung era fraca em relação ao sono, e que quando estava se sentindo sonolenta, acabava dormindo facilmente. Não era a primeira vez que isso acontecia, mas parecia que as experiências de Minkyung lhe deixando a falar sozinha não serviram de nada. É claro que ela iria acabar dormindo.

Quando as lágrimas começaram a escorrer pelas suas bochechas, devido à tristeza acumulada de nunca conseguir dizer para Minkyung como a amava, era imensa. Yebin já não sabia mais se podia aguentar por muito tempo.

Com a voz trêmula e entrecortada, ela terminou de dizer o que estava falando, mas sabendo que Minkyung não iria escutar.

— E-Eu te amo.

E pela primeira vez, Yebin deixou Minkyung dormindo sozinha na cama.




______________






— Alguém viu a Yebin? Isso não pode começar se uma estiver faltando! — Nayoung disse para todas as meninas que estavam reunidas no salão de dança.

No mesmo momento, as portas do salão se abriram e revelaram uma Kang Yebin usando um moletom vermelho e largo, cabelos amarrados em um rabo de cavalo e esfregando os olhos devido ao sono que ainda sentia.

A noite havia sido muito mal dormida.

E ela não queria falar sobre isso.

— Estou aqui, estou aqui. — A loira disse, atraindo a atenção das outras meninas que estranharam sua aparência.

— Você está fazendo greve de sono ou o quê? Parece que não dormiu a noite toda. — Sungyeon perguntou, recebendo um empurrão de Yewon pela audácia da pergunta.

— Unnie, você parece exausta. — Siyeon se pronunciara desta vez.

Yebin revirou os olhos, aquelas perguntas estavam lhe dando dor de cabeça.

— Eu estou bem, tá legal? E sim, eu dormi bem, só… Continuo cansada. Só isso. — Respondeu por fim e se sentou no chão do salão ao lado de Kyla, que lhe lançou um olhar preocupado. A loira logo tratou de acalmar a maknae. — Shhh, está tudo bem.

De outro lado, Minkyung estava sentada junto com Kyungwon. Basicamente, Kyungwon estava no meio de suas pernas e com o corpo encostado no seu, tendo Minkyung lhe abraçando por trás e beijando seu cabelo de vez em quando.

Yebin apenas olhou de soslaio para ter certeza de que não deveria olhar na direção de Minkyung pelo resto do dia ao menos. Isso se quisesse evitar de se machucar de graça. Para tudo tinha limites, e Yebin estava quase atingindo o seu.

— Enfim, eu tenho um anúncio à fazer. — Nayoung, a única que estava de pé, começou. — Nosso manager informou que vamos nos mudar de dormitório. — As meninas logo começaram a ficar animadas com a notícia e visivelmente felizes. — Tem mais espaço, os quartos são maiores e tem três banheiros para dividir, muito útil. — Nayoung sorriu ao ver todas comemorarem pela notícia que veio em ótima hora. — E por isso, como vamos todas nos mudar, quem quiser trocar de colega de quarto o momento é esse. Porque até onde sei, são apenas quatro quartos, um deles com beliche e uma cama separada para três pessoas dormirem. Uma de nós vai ter que dormir sozinha.

Por um momento, Yebin pensou que ao menos pela questão do quarto, não teria que se preocupar com nada. Desde que o grupo debutou, ela e Minkyung dividem o quarto juntas e sempre adoraram ter a companhia uma da outra.

Até que…

— Finalmente vou poder dividir o quarto com a Minky!

Kyungwon falou um tanto alto, atraindo a risada de algumas das integrantes, mas o olhar preocupado de outras em Yebin.

Era engraçado, todo mundo sabia. Menos quem mais precisava.

Tudo foi acontecendo em câmera lenta para Yebin, ela escutou todas as duplas serem ditas por Nayoung e a maioria permaneceu igual. Siyeon dormindo com Eunwoo, Sungyeon com sua recente namorada Yewon e tendo kyla dividindo o mesmo quarto, Nayoung ficaria com Kyulkyung.

E Minkyung iria dividir o quarto com Kyungwon.

— Bom, todas formadas então… É, eu acho que você vai dormir sozinha Yebin. — A líder exclamou.

Yebin queria abraçou ainda mais seus joelhos, tentando ao máximo esconder a cara de choro que fazia. O pior de tudo era saber que Minkyung concordou, sem nem ao menos pensar em como ela iria se sentir.

Quase foram colegas de quarto novamente.

Quase aproveitaram uma noite toda dormindo juntas.

Quase que Yebin conseguiu se declarar.

Quase, quase, quase e quase.

O termo que nunca tinha um fim.




______________




Yebin estava arrumando suas malas, sentindo mágoa em cada ato que realizava, por mais mínimo que fosse como colocar suas roupas dentro da mala e pegar tudo o que era seu.

O pior de não dormir com Minkyung, era ter que dormir sozinha. Era abrir os olhos de manhã e não encontrar a figura adormecida e serena da ruiva, era não ter o prazer de ser a primeira a lhe desejar bom dia, era não sentir Minkyung abraçando o seu corpo de madrugada quando chegava de suas atividades que sempre estendiam até mais tarde.

E depois de tanto tentar, de tanto ter o Quase na sua lista mental de tentativas, Yebin sentiu que não tinha mais forças para continuar tentando.

Ela não queria gritar ao mundo que amava Minkyung, queria compartilhar o sentimento a sós com ela, mas tudo impediu para que isso acontecesse e em partes, a culpa era da própria Minkyung.

Seria para Minkyung, tão difícil assim manter sua atenção presa em Yebin por pelo menos cinco minutos? Yebin era tão desinteressante assim? Qual era o problema?

Kyungwon unnie, você é tão sortuda…

De repente, a porta do quarto qual ela iria deixar para sempre, se abriu. Era Minkyung quem entrava ali, com um sorriso cúmplice, mas acompanhado de um olhar preocupado.

— Oi, meu bem. Vim conversar. — A ruiva disse, pousando suas mãos nos ombros de Yebin.

— Sobre? — Perguntou, sem nem ao menos olhar para Minkyung.

A ruiva franziu o cenho, confirmando sua teoria mentalmente de que alguma coisa estava errada.

— Hum, está tudo bem? Você estava estranha hoje, nunca te vi tão desanimada antes. — Minkyung passou a massagear lentamente os ombros da mais nova e se surpreendendo com a tensão em seus músculos. — Fiquei preocupada.

Yebin fechou os olhos, absorvendo a sensação calorosa daquele contato físico. Ficar assim tão perto de Minkyung era sempre um motivo para se sentir em outra dimensão. O sentimento não podia ser simplesmente comparado.

Mas de tanto Quase e nunca um Finalmente, Yebin não sentia mais a vontade de se declarar, nem de continuar tentando, muito menos de aproveitar a oportunidade já que ambas estavam a sós.

O sentimento que ela nutriu por Minkyung, uma hora teria de sumir. E até lá, ela iria ficar esperando até que esse dia chegasse.

— Estou ótima. — Respondeu, logo se afastando de Minkyung para pegar outras roupas em seu armário. — Preciso terminar de arrumar as malas. Deveria fazer o mesmo.

— Yebin, qual é o problema? — Minkyung insistiu, começando a se irritar com a situação. A ruiva no fundo, sabia muito bem o motivo daquele comportamento, só não se manifestou antes por causa das ocupações, mas agora que estavam a sós no quarto, nada poderia impedir. — Você está chateada por quê vou dividir o quarto com a Kyungie? É isso?

A loira apertou parou o que estava fazendo, as roupas que segurava em suas mãos muito em breve poderiam rasgar devido à força que ela estava colocando em suas unhas.

Ela se virou para Minkyung e a encarou como uma felina, pronta para atacar.

— E se eu estiver?

— Pelo amor de Deus, nós dividimos o quarto desde sempre, não achei que fosse se importar por causa de algo assim! — A ruiva rebateu, estando incrédula com o comportamento da Kang.

— E desde quando você pensa em mim? Nem ao menos perguntou se eu estava de acordo com isso, simplesmente me jogou de escanteio.

Minkyung conseguia sentir a mágoa na voz de Yebin, coisa que nunca havia presenciado na loirinha desde que a conheceu. Ela não podia imaginar que algo tão estúpido a deixaria tão devastada.

— Você não pensou em mim quando me deixou dormindo sozinha ontem à noite! — A ruiva esbravejou, estando ciente de que algumas das meninas poderiam estar ouvindo. — Acha que não percebi quando você saiu?

E então, Yebin se sentiu exausta.

Era agora, ou não seria nunca mais. Mas era uma pena que o único modo de dizer para Minkyung o que sentia, teria que ser durante uma briga.

— Eu teria ficado se você não tivesse dormido enquanto eu tentava dizer que te amava.

Yebin falou, finalmente, mas se sentindo fraca e cansada demais. Estava desgastada.

Enquanto isso, Minkyung nem ao menos conseguia acreditar no que havia escutado. Parecia surreal demais para os seus ouvidos, seus olhos estavam arregalados e da boca aberta não saía som algum.

— Você… — A ruiva tentou dizer, mas acabou falhando.

— É, Minky, eu te amo, mais do que amo a mim mesma. E venho tentando te dizer isso à meses, m-mas- — Yebin enxugou as lágrimas com a manga da blusa. — Nunca consigo ter sua atenção por tempo o suficiente, eu tentei muito, mas talvez a Kyungwon unnie seja mais interessante do que eu, já que é ela quem sempre consegue te atrair por mais tempo.

Yebin sentia seu peito doer, as lágrimas ardiam seus olhos e era difícil se declarar em uma situação como essa.

— Y-Yebin, eu-

— Deixa isso pra lá, tá bem? Eu vou levar minhas malas lá pra baixo. Aproveite sua nova colega de quarto.

Yebin pegou as duas malas que estavam devidamente prontas no chão e passou por Minkyung de cabeça baixa, em silêncio, sem lhe direcionar um único olhar.

E deixou ela sozinha no quarto que costumava ser das duas.

Não teve um quase.

Yebin finalmente se confessou para Minkyung.






______________




— Unnieee! — Enquanto arrumava suas coisas no quarto novo do novo dormitório, Yebin só teve tempo de sentir um par de braços agarrarem sua cintura e a voz manhosa de Siyeon soar no pé da sua orelha.

Ela já imaginava que a maknae havia escutado toda a conversa e que depois, quando estivesse seguro, iria procurá-la para saber como estava.

— Siyeonnie, vá devagar. — A voz de Eunwoo ecoou preocupada pelo quarto onde Yebin iria viver por tempo indeterminado.

— O que vocês fazem aqui meninas? — Yebin perguntou.

— Não precisa fingir que nada aconteceu unnie, nós escutamos a conversa toda. — Siyeon disse após se soltar do seu corpo, cruzou os braços e ficou ao lado da namorada. — Sentimos muito, as coisas poderiam ter sido diferentes entre vocês…

— É, poderia, mas… Não se pode ter tudo. — Yebin sorriu tristemente, se lamentando por as coisas terem acabado daquela forma. — Mas por favor, não se preocupem comigo está bem? Eu vou ficar legal, prometo!

— Não acredito em você! — Eunwoo se prontificou em falar. — Se fosse eu no seu lugar com a Siyeonnie, eu já estaria chorando toda a água do meu corpo!

Siyeon e Eunwoo eram assim, o que tinham de engraçadas, tinham de fofas também. Por mais que a situação fosse triste, Siyeon não resistiu em dar um beijo daqueles na bochecha da namorada. Elas eram tão felizes, resolveram todos os seus problemas de uma forma tão simples… Sortudas.

— Tá ok meninas, eu já entendi e agradeço pela preocupação, mas estou dizendo que vou ficar bem. — Yebin reforçou dando risada. — Agora me deixem terminar de arrumar as coisas e vão namorar em outro lugar!

— Vamos pro meu quarto Siyeonnie!

Yebin nem ao menos teve tempo de protestar sobre aquilo, mas confiava nas duas meninas e sabia que elas não fariam nada de errado. Pelo menos, era o que ela esperava.

E o resto do dia se arrastou dessa forma, Yebin não se atreveu a pisar fora de seu quarto e nenhuma das integrantes veio atrás dela para saber se estava tudo bem. Muito provavelmente Siyeon e Eunwoo já haviam informado as outras que ela queria ficar sozinha e agora não seria uma boa hora para conversar.

Obviamente, Minkyung também não apareceria.

Yebin estaria mentindo se dissesse que não se pegou imaginando pelo restante do dia, como a ruiva ficou sem a sua companhia.

Ela deve estar bem… A Kyungwon unnie é sua colega de quarto afinal.

O pensamento lhe torturava, porque havia grandes possibilidades de Minkyung estar de fato muito bem. Enquanto ela continua remoendo seu amor fracassado.

Será que elas vão dormir na mesma cama?

Que bobeira. Se até banho elas tomam juntas, provavelmente vão dormir na mesma cama.

Olhando as horas em seu relógio, Yebin decidiu tentar pegar no sono. Já passava das onze e meia da noite e tudo o que ela mais desejava era esquecer o dia de hoje, queria tentar sonhar com uma realidade melhor e com sorte, Minkyung não estaria inclusa nela.

Ou pelo menos, foi isso o que ela idealizou.

Sempre que pensava em Minkyung, se distraía facilmente de qualquer coisa. Como por exemplo, de trancar a porta de seu quarto para a sua própria privacidade.

E por mais que não fosse sonhar com Minkyung naquela noite, Yebin teve que lidar com ela do mesmo jeito. Porque sorrateiramente, a ruiva entrou no seu quarto e deitou na sua cama, abraçando o seu corpo como sempre faz quando chega tarde no dormitório e encontra Yebin dormindo.

Yebin poderia gritar de medo ou qualquer coisa, mas sabia que aquele movimento, aquele perfume e aquela mão invadindo sua camiseta devagar, era de Minkyung.

— O-O que vo-

— Shhhh. — A ruiva sussurrou quando percebeu que a pergunta sairia um pouco mais alto e a puxou para se virar de frente para ela.

— O que faz aqui? — Yebin perguntou, tentando não parecer afetada pela presença de Minkyung.

— Não é só porque não dividimos mais o quarto, significa que eu não possa dormir com você. — A mais velha respondeu sorrindo, mas logo se desfez. — Precisamos conversar.

— Não precisamos não Minky, nós já conversamos. — Yebin respondeu, tentando desviar seu olhar dos olhos de Minkyung.

— Nada disso, você conversou. Eu não e agora é minha vez. — Minkyung segurou o rosto de Yebin e forçou a loira a lhe encarar. Ela estava séria, parecia decidida do que fazia. — Me perdoe por te deixar de lado, eu juro que não fazia por mal, fui muito desatenta com você e quando percebi isso depois do que você me disse… Me senti uma idiota. — Ela confessou. — Céus, eu amo seu sorriso Yebin, amo quando você corre na minha direção para se jogar nos meus braços, não consigo me imaginar sem você fazendo isso e a ideia de não ter você sorrindo para mim é perturbante. — Minkyung mordeu seus lábios, mas precisava continuar o que havia começado. — Eu penso em você, mais do que eu gostaria. Por mais que você não seja minha colega de quarto, eu vou invadir o seu de madrugada sempre porque dormir contigo é a melhor coisa do mundo. E por favor, me perdoe por não pensar nos seus sentimentos quando aceitei trocar de colega de quarto. E por pegar no sono quando você tentou dizer que me amava, se eu ao menos imaginasse o motivo daquela conversa, teria impedido qualquer um que tentasse te interromper.

Yebin sentiu seu coração vibrar em explosões internas. Minkyung estava se desculpando pelas coisas que havia feito sem consentimento, e de um modo sincero, que também revelava algo que Yebin não imaginava.

Um sentimento recíproco.

— Até mesmo a Kyungwon? — A menor perguntou, sorrindo timidamente.

— Principalmente a Kyungwon! — Minkyung riu baixo e inclinou o rosto para beijar Yebin nos lábios.

Aquele momento tão esperado finalmente estava acontecendo, debaixo das cobertas, as duas se abraçaram até que seus corpos ficassem totalmente colados um no outro. Yebin passou sua coxa por cima da cintura de Minkyung e intensificou o contato labial, sem se esquecer de matar sua vontade de agarrar os cabelos ruivos da mais velha.

Devido a falta de ar, elas se separaram, mas com leve roçar de lábios.

— Se eu soubesse que te beijar era tão bom, já teria feito isso antes. Sou muito burra. — Minkyung resmungou fazendo Yebin rir.

— Talvez, você seja só um pouquinho. — Disse antes de selar rapidamente seus lábios com os da Kim. — Você vai dormir aqui comigo? E a Kyungwon unnie?

— Não se preocupe, a Kyla foi fazer companhia pra ela. Aquelas duas se gostam muito. — Explicou.

— Pensei que vocês duas que se gostavam muito. — Yebin deixou explícito o pouco do ciúmes que sentia das duas, o que fez Minkyung lhe abraçar mais forte ainda.

— Mas não tanto quanto eu gosto de você, na verdade, te adoro. — Elas voltaram a se beijar, com pausas rápidas e dando risada durante o beijo. — Ou melhor… Eu te amo.

Yebin sorriu, sentindo as borboletas em seu estômago e como se um peso tivesse sido removido do seu interior.

E Minkyung finalmente havia conseguido se declarar para Yebin.




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