História Que Hay Detrás - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ~missrafa

Postado
Categorias Fifth Harmony, Rebelde (RBD)
Personagens Alfonso Herrera, Ally Brooke, Anahí, Camila Cabello, Christopher Uckermann, Dinah Jane Hansen, Dulce Maria, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Mia Colucci, Portiñón, Rbd, Rebelde, Roberta Pardo
Exibições 778
Palavras 8.570
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


ALO ALO GRAÇAS A DEUS. Demorei? Acho que não? Nem deu 1 mês ainda da última att, então estamos adiantadas.
Vocês devem estar percebendo a divulgação de Bad Things nesse capítulo e pensando "só podia ser da Mandus mesmo", mas a verdade é que: acertaram. Esse hino precisa ser enaltecido de alguma maneira e de certo modo combinou bastante com o capítulo (que já estava sendo escrito quando a música saiu, ou seja, não foi a música que motivou o tema, apenas veio a calhar).
Temos duas músicas pro capítulo e os links estão nas notas finais.
Espero que gostem!
Boa leitura ;)

Capítulo 19 - Am I Out Of My Head?


Fanfic / Fanfiction Que Hay Detrás - Capítulo 19 - Am I Out Of My Head?

Estava a ponto de desistir de ficar rolando na cama e levantar-se de uma vez. Mal dormira à noite toda, devido aos pensamentos que insistam em lhe assombrar. Havia saído com seu namorado – era seu namorado, afinal? – na noite anterior, mas não deixava de pensar naquela garota, no que ela estaria fazendo naquele momento. Mia suspirou com pesar e jogou para o lado o lençol que lhe cobria, sentando-se em sua cama. Passou as duas mãos em seu rosto para espantar o pouco de sono que ainda lhe pesava nos olhos e, enquanto bocejava, viu que a luz que indicava nova mensagem piscava em seu celular. Pegou o aparelho e revirou os olhos ao ver que era Luca, o rapaz com quem saía, e jogou o mesmo de volta onde estava. O relógio marcava 7:49am, certamente ela ainda era a única que estava dormindo em sua casa, mesmo sendo sábado. Já ouvia a movimentação de seus empregados no andar de baixo. Por fim, levantou-se e andou até o banheiro para fazer sua higiene matinal e preparar-se para mais um dia.

Quando finalmente estava pronta – e com “pronta” quero dizer que parecia uma modelo prestes a desfilar -, colocou sua melhor máscara e desceu. Sua máscara era o sorriso falso que dirigia a todos os empregados como se por dentro não estivesse sentindo dor. Logo do corredor, avistou seu pai, Franco, sentado em seu lugar à mesa, com sua xícara de café e um jornal em suas mãos, vestido com seu terno de trabalho. Mia revirou aos olhos ao perceber que o pai teria compromisso no sábado, mesmo já sendo de costume.

- Buenos dias, daddy! – cumprimentou o pai fingindo animação, dando-lhe um beijo em sua bochecha.

- Bom dia, Mia. – respondeu, fechando o jornal e deixando-o em cima da mesa – Achei que acordaria mais tarde hoje.

- É, bom... O dia está lindo, achei melhor aproveitá-lo. – mentiu, sentando-se em seu lugar.

- Realmente, está um dia lindo. – concordou o homem – Vai sair?

- Talvez. Depois vou ligar para Ally e Normani. – respondeu, passando sua geleia diet em uma torrada integral – E você, vai trabalhar?

- Tenho uma reunião em alguns minutos. Coisa rápida. – deu de ombros.

Mia assentiu com a cabeça, sabendo que a “coisa rápida” que ele faria demoraria um dia inteiro. O silêncio pairou sobre a mesa, mas a loira já estava acostumada com a falta de palavras do pai. Geralmente, as únicas palavras que saíam com frequência de sua boca era “trabalho”, “empresa” e “viagem”. Dessa última, Mia apenas gostava quando se referia a ela. A garota limpou algumas migalhas de torrada que caíram em sua saia, cuja seu pai trouxera da última viagem à Europa, quando o homem decidiu falar algo mais.

- Quem era aquele garoto que te trouxe ontem à noite?

- Ah, bem. – tomou um gole de seu suco de laranja, disfarçando o incômodo que aquele assunto lhe causava – É um garoto com quem estou saindo.

- Oh. Entendo. – o homem arqueou as sobrancelhas, parecendo surpreso – E qual o nome dele?

- Luca. – respondeu, apenas.

- Ele é do colégio? – continuou indagando.

- É sim. Está no terceiro ano. – deu de ombros.

- E há quanto tempo vocês estão saindo?

- Há alguns dias... – Mia respondeu franzindo o cenho, desconfiada da curiosidade do pai – Por que está me perguntando tudo isso, daddy?

Franco deu uma risada fraca, tomando um gole de seu café e deixando a xícara de volta ao pires. Cruzou as mãos em cima da mesa, desfazendo o ato em seguida, quando repousou a esquerda sobre a mão de mia, acariciando-a devagar.

- Por nada, Mia. Apenas sinto que devo participar mais da sua vida, tenho estado muito distante, você sabe.

A loira sorriu de canto, abaixando a cabeça e fitando seu próprio colo. A mão de seu pai continuava sobre a sua, e de certo modo isso lhe trazia um pouco de conforto. Ele não era tão desatento, afinal.

- Tudo bem, daddy. Você tem muito trabalho, eu entendo. – mentiu. Ela não entendia tão bem quanto fingia.

- Me desculpe não ser tão presente. Só quero te dar tudo do bom e do melhor, Mia. – Franco parecia realmente preocupado.

Está tudo bem, papai. – repetiu, sorrindo-lhe suavemente – Eu lhe desculpo, mas com uma condição.

- Qual?

- Da próxima vez que for à Paris, vai me trazer um de cada modelo novo da Louis Vuitton. – disse da sua maneira séria, fazendo o pai rir.

- Combinado. – respondeu Franco, passando a mão rapidamente na bochecha de Mia, que sorriu e encolheu os ombros, franzindo o nariz.

O empresário pediu licença e retirou-se da mesa, apressando-se para se arrumar e partir para sua reunião de trabalho. Mia suspirou, descansando seu rosto em suas mãos, enquanto apoiava os cotovelos na mesa. Sabia que o pai se esforçava para lhe dar a atenção que uma adolescente precisava, mas que, na maioria das vezes, falhava. A loira sentia falta de uma presença feminina em sua vida, já que crescera sem mãe. Precisava dividir o que sentia com alguém que a entendia, mesmo que não fosse maternamente falando. Quando pensava em presença feminina, prontamente uma imagem surgia em sua cabeça, sugando-a para o vazio outra vez. Essa presença era praticamente impossível de ter.

 

Do outro lado da cidade, uma ruiva e uma morena compartilhavam a mesma cama, após terem compartilhado seus corpos. A diferença entre elas, apesar de terem se tornado uma coisa só naquela noite, é que uma dormia tranquilamente, enquanto a outra mal havia pregado os olhos. Roberta fitava o teto do quarto iluminado pela luz do sol que entrava pela fresta da janela, pensando no que havia acontecido. Ela e Vero haviam transado. Não havia sido ruim, muito pelo contrário, a ruiva descobriu na morena um dos melhores sexos que já fizera na vida. Elas estavam bêbadas, mas não muito, havia um pouco de lucidez em ambas quando aconteceu. Mas então por que Roberta se sentia estranha? Será por ter visualizado Mia quando as duas atingiram o clímax? Por ter aberto os olhos logo após seu orgasmo e não ter encontrado as duas esferas azuis que esperava ver? Era praticamente impossível de entender o que a ruiva sentia em relação à Mia Colucci, talvez o sentimento que estava exatamente no meio do amor e ódio ainda não tinha um nome. O que incomodava Roberta é que, mesmo tendo uma garota como Vero – nua – ao seu lado, seu pensamento ficasse focado naquela que ela tentava evitar.

Na tentativa de espantar os fantasmas que lhe assombravam, Roberta sentou-se na cama, esfregando seus olhos e levantando-se. Recolheu suas roupas que estavam jogadas pelo chão, dirigindo-se ao banheiro para fazer sua higiene matinal. Tomou um banho demorado o suficiente para que pudesse colocar os pensamentos em ordem e escovou os dentes, saindo apenas de roupão de volta ao quarto. Logo notou que a cama estava vazia, Veronica havia se levantado. Não precisou procurar pela morena, já que a mesma voltava para o quarto com uma bandeja em suas mãos.

- Buenos dias, alegria. – disse sorridente, deixando a bandeja na cama e um selinho nos lábios de Roberta.

- Bom dia. – respondeu de cenho franzido – Você fez o café da manhã?

- Oh, acordei e não te vi na cama, queria fazer uma surpresa. – Vero mordeu o lábio inferior, receosa pela ruiva se incomodar – Espero que não se importe de eu ter mexido em sua cozinha.

- Nah, tudo bem. – Roberta deu de ombros – Não vou mais à cozinha desde que Lauren e Camila transaram lá.

Vero jogou a cabeça para trás em uma gargalhada, sentando-se na cama ao lado da bandeja.

- Elas transaram lá antes da gente? Que mancada. – disse enquanto puxava a ruiva pela mão, fazendo-a sentar em seu colo.

- Pra você ver. E há boatos de que o apartamento é meu. – riu, disfarçando o nervoso que começava a sentir.

A morena riu da brincadeira de Roberta e prendeu seu lábio inferior entre os seus, sugando-lhe lentamente. O corpo da ruiva se arrepiou ao sentir as mãos quentes de Vero por suas costas, por dentro do roupão. Um beijo se iniciava, ainda sem participação das línguas, mas Roberta cortou a garota antes que pedisse permissão para avançar. Limpou a garganta e pegou uma caneca da bandeja, levando até sua boca.

- Cappuccino? – perguntou ao sentir o sabor do líquido que bebera, e Vero sorriu.

- Por favor, diga que gosta. – a morena cruzou os dedos e mordeu o lábio inferior, ansiosa pela resposta.

- Eu não gosto. – Roberta respondeu com seriedade, assustando Vero que começava a se arrepender – Eu amo!

- Pare de me assustar! – a garota riu, dando-lhe um tapa leve na coxa – Já estava quase me levantando pra fugir.

- Uma garota gostosa, que transa bem e me traz cappuccino no café da manhã. – Roberta disse para si mesma, simulando um pensamento alto – Até parece que vou deixar que fuja.

As risadas das duas ecoaram pelo quarto, que ficava cada vez mais iluminado pela luz do sol que o invadia pela janela que Vero abrira. Embora não fosse libriana, Roberta sentia-se cada vez mais indecisa sobre o que queria. Sentia-se bem com Vero, não restavam dúvidas sobre isso. Mas o que lhe assustava era a maneira como Mia lhe invadia os pensamentos quando estava com a garota. E, embora estivesse gostando de ficar com a morena, lhe faltava alguma coisa. E ela tinha quase certeza de que essa coisa era facilmente encontrada em Mia Colucci.

[...]

Já passava das onze da manhã quando Camila abriu os olhos, despertando de seu sono. Pode ouvir a voz de Célia Cruz, cantora preferida de seu pai, ecoar pelos demais cômodos da casa. Era sábado e o homem estava de folga, o que significava que aquele seria um dia para se passar em família. A pequena bocejou e espreguiçou-se, sentindo alguém que lhe recordou que não estava sozinha. Sorriu ao ver que Lauren dormia tranquilamente, de bruços e com suas mãos embaixo do travesseiro, com a cabeça virada para seu lado. Camila aproximou-se um pouco mais da namorada, mexendo lentamente em seus cabelos e acariciando seu rosto. Lauren sentiu os carinhos e também despertou, respirando fundo e abrindo os olhos lentamente.

- Bom dia. – sussurrou Camila, deixando um beijo suave na ponta de seu nariz.

- Bom dia. – respondeu Lauren enquanto bocejava – Acordou há muito tempo?

- Não, acabei de acordar. – sorriu ao ver que a morena fechava os olhos novamente, ainda com sono – Se quiser, pode dormir mais um pouco.

- Estou com fome. – disse ainda com os olhos fechados.

- Acho que já está quase na hora do almoço, posso sentir o cheiro dos tacos da dona Sinu.

- Acordei. – Lauren brincou, abrindo os olhos de repente e sentando-se na cama, fazendo Camila gargalhar.

- Não acredito que estou namorando uma morta de fome. – a pequena também se sentou, abraçando a namorada por trás.

- Ninguém mandou você me dar uma sogra cozinheira. – respondeu, sorrindo ao ver que Camila sorria – Já disse que te amo hoje?

- Ainda não. – respondeu, franzindo o cenho enquanto simulava estar pensando.

- Eu te amo. – Lauren sussurrou, mordendo o lábio inferior da namorada.

- Eu amo mais. – sorriu.

- Chega de gayzice e vamos comer. – a morena saltou da cama, calçando chinelos que Camila lhe emprestou e correndo para o banheiro.

As duas garotas tomaram um banho rápido – separadamente, já que se tomassem juntas provavelmente sairiam na hora do jantar – e se vestiram para passar o dia. Camila emprestou à Lauren sua camiseta do Iron Man que tanto gostava de ver no corpo da namorada, além de uma calça de moletom. O clima estava favorável para usar esse tipo de roupa e ficar em casa o dia todo, e era exatamente isso o que fariam. Logo que saíram do quarto de Camila puderam sentir melhor o cheiro da comida de Sinu. A mulher sempre fisgava as pessoas pelo estômago, e claro que com a nora não seria diferente. Camila andou até a mãe que finalizava o prato em cima do fogão e a abraçou por trás, deixando-lhe um beijo de bom dia na bochecha.

- Olha só quem acordou. Bom dia, Bela Adormecida. – brincou a mulher, ainda sem perceber a presença de Lauren ali.

- Só acordei pelo cheiro da sua comida, senão continuaria dormindo. – respondeu a pequena, sorrindo enquanto tomava um copo d’água.

- Já está quase pronto, vá chamar seu pai e sua irmã. – pediu, virando-se e sorrindo ao ver Lauren – Ah, oi, Lauren! Não tinha te visto, me desculpe.

- Tudo bem, senhora. – sorriu timidamente.

- Por favor, nada de formalidades. Apenas Sinu. – a repreendeu de maneira divertida.

- Desculpe, Sinu. – respondeu.

- Que horas vocês chegaram? – a mãe dirigiu sua pergunta à Camila enquanto arrumava a mesa.

- Por volta das seis. Trouxe a Lauren pra dormir comigo, não iria deixá-la ir embora sozinha uma hora daquelas.

- Fez bem. Aliás, é um prazer tê-la aqui de novo, Lauren. Espero que goste do almoço de hoje. – a mulher sorriu simpática.

- Com certeza vou gostar. – a morena assentiu, sentindo-se mais confortável ali.

- Onde estão papai e Sofi? – perguntou Camila.

- Seu pai está lavando o carro. De novo. – Sinu rolou os olhos de maneira divertida e tirou uma risada de Camila – Sabe como ele ama aquele carro, acho que dá mais banho nele do que em si mesmo. – brincou, Lauren permitiu-se rir também – E Sofi deve estar ajudando-o.

- Vou chamá-los. – disse Camila enquanto saía da cozinha, deixando Sinu e Lauren sozinha.

- Sente-se, Lauren. – Sinu ofereceu uma cadeira, enxugando as mãos úmidas no pano de prato que descansava em seu ombro.

A morena assentiu com a cabeça e sorriu simpaticamente para a mulher, sentando-se no local indicado. Não era novidade que os Cabello eram uma família extremamente educada e hospitaleira e, com Lauren, os pais de Camila pareciam ter ainda mais carinho. Certamente a pequena já havia contato sobre a relação das duas para eles e por isso a tratavam tão bem. Os três membros da família que faltavam não demoraram a chegar, tomando cada um seu lugar à mesa. Alejandro cumprimentou Lauren sorridente, enquanto Sofi parecia ainda mais animada do que seus pais juntos em ver a morena. Camila sentou-se ao seu lado e assim iniciaram a refeição. Ainda que estivesse sendo bem acolhida, Lauren continuava sentindo-se tímida, era uma característica sua. Camila pegou seu prato e colocou dois tacos, o que fez a morena arquear as sobrancelhas.

- Toma, amor. – entregou-lhe o prato, mas o que chamou a atenção da morena foi a maneira carinhosa pela qual lhe chamara na frente de seus pais – Mata essa fome antes que ela te mate.

- Obrigada. – sorriu para a pequena que lhe devolveu uma piscada.

- Vocês são namoradas? – Sofi perguntou, curiosa.

- Ahm, bem...

- Somos, Sofi. – Camila cortou Lauren, segurando sua mão por cima da mesa para lhe passar tranquilidade.

- Então Lauren é minha cunia... cum... como se fala?

- Cunhada, amor. – respondeu Sinu, sorrindo com a confusão da caçula.

- Sim, Sofi, sou sua cunhada. – Lauren por fim resolveu responder, percebendo que não havia problemas com isso na família.

- Ta vendo isso, Sofi? – Alejandro apontou para as mãos de Camila e Lauren entrelaçadas em cima da mesa e todos o fitaram curiosos e atentos – Você só vai poder fazer o mesmo quando atingir 40 anos.

Uma mescla de gargalhadas ecoou pela mesa, inclusive a de Sofi e Alejandro, e então a família seguiu com o almoço. Lauren realmente havia gostado da comida da sogra, afinal, já estava no terceiro taco e sentia que ainda cabia mais. O assunto na mesa variava entre assuntos cotidianos, sendo eles trabalho, colégio e Sofi comentando sobre seus desenhos favoritos.

- Falando em colégio, Camila. – Alejandro iniciou mais um tema, bebendo um gole de seu suco antes de continuar – Sua mãe comentou comigo que você vem sendo perseguida no Elite Way. Que história é essa?

A única que Lauren queria esquecer. Essa era a história. A morena, que engolia um pedaço de taco, sentiu o alimento enroscar-se na garganta no momento em que Alejandro tocou no assunto. Para disfarçar, tomou um grande gole de suco, engolindo junto o nervosismo.

- Ah... Bem, é complicado. – disse Camila, respirando fundo – Há uma seita no colégio e estou sendo a vítima principal deles. É isso.

- E ninguém faz nada? Falou com o diretor?

- Sim, a mamá até foi lá para conversar com ele, mas não adianta. Ele se nega a acreditar que há uma seita em seu precioso colégio.

- Eles mexeram com você de novo? – perguntou Sinu, preocupada – Depois da vez que fui lá?

- Colocaram uma cobra em meu armário. – Camila soltou de uma vez só, sabendo que seus pais ficariam possessos.

- O QUE? – Alejandro e Sinu exclamaram de uma só vez, arregalando os olhos.

- Como assim uma cobra? Que cobra? Quem a tirou de lá? – a mãe perguntava eufórica, com uma das mãos no peito.

- Mãe, calma! Foi só um susto, Lauren me protegeu. – disse, segurando novamente a mão da namorada que ouvia a conversa calada – Ela prendeu a cobra e chamou o inspetor com os seguranças para tirá-la de lá.

- Meu deus, que absurdo! E o diretor não fez nada, mesmo assim? – esbravejou Alejandro.

- E nem vai fazer, pai. – Camila deu de ombros – Ele não nos dá ouvidos. Acha que isso é uma brincadeira de mau gosto de alguém e que os boatos sobre uma seita no colégio são espalhados por pessoas que querem “causar”. – fez sinal de aspas com os dedos, respirando fundo.

- Você deveria ter me contado isso, Camila. – Sinu a repreendeu.

- Achei melhor nem te preocupar, mãe. Além disso, Lauren estava comigo, se ela não estivesse aí sim teríamos problemas, pois eu não saberia reagir.

Sinu e Alejandro fitaram Lauren, que continuava comendo a fim de distrair-se do assunto que predominava a mesa. A seita era o seu maior temor e lembrar que fazia parte do que machucava Camila, a destruía por dentro.

- Camila tem sorte de ter você, Lauren. – disse Alejandro, sorrindo-lhe de canto, porém sem deixar o ar de pai preocupado – Obrigada por cuidar dela.

- Não precisam me agradecer. – disse a morena com a voz falha, limpando a garganta em seguida – Não vou deixar ninguém machucá-la, prometo.

- Esse aqui é o meu anjinho. – disse Camila, derretendo-se e abraçando a namorada, deixando-lhe um beijo estalado na bochecha.

Lauren se limitou a sorrir para a pequena, mas no fundo sentia-se culpada. Culpada por não conseguir colocar um fim nessa história de seita, por não conseguir impedir que machucassem a pessoa que ela amava. Sabia que Camila temia, mesmo que a menor se fizesse de forte e dissesse o contrário. Ela temia, pois não sabia o que aquelas pessoas eram capazes de fazer, e temia que Lauren não estivesse sempre ao seu lado para defendê-la. Mal sabia ela...

- Eu não me conformo que em um colégio tão renomado quanto o Elite Way School exista esse tipo de gente. Ainda mais que fechem os olhos pra isso. – disse Sinu.

- Eles acham graça, mãe. – Camila deu de ombros novamente, tomando um gole de seu suco – Acham graça porque não é com eles. Mas eu não achei nada engraçado quando vi meus laços pegando fogo.

Lauren tremeu. Os laços. Fora a primeira e única ordem da seita que obedecera, e talvez a pior. Jamais se esqueceria do olhar de Camila ao ver seus pertences virando cinzas, muito menos do quanto eles significavam pra ela. A morena remexeu-se em sua cadeira, desconfortável.

- Os laços são o de menos, Kaki. – Alejandro comentou – O que me preocupa é que possam fazer algo pior com você.

- Eles não vão fazer. – disse Lauren, tendo todos os olhares da mesa voltados para si – Digo, não vou permitir. Não vou sair do lado dela, prometo.

- Guarde essa garota em um potinho, Camila. – o pai ordenou, apontando para a morena com o dedo indicador.

A família se permitiu rir do comentário descontraído de Alejandro. Aos poucos, para a felicidade de Lauren, o assunto na mesa foi mudando para outros mais leves. Camila enroscou seus braços no pescoço da namorada, puxando a cadeira para mais perto da mesma, e não poupava carinhos para a garota. Vez ou outra, Sinu lhes lançava olhares carinhosos, admirando o quanto estavam apaixonadas. Ela via no olhar da filha que estava feliz, e o motivo era Lauren. E nada agrada mais uma mãe do que alguém que faz sua filha feliz.

O resto da tarde foi tranquilo, como um bom sábado deve ser. Lauren ajudou Sinu a arrumar a cozinha e Camila ajudou o pai a terminar de lavar o carro – que havia deixado de lado para almoçar -, tendo Sofia se juntando a eles. Quando todas as tarefas foram terminadas, os pais de Camila se juntaram na varanda da casa, desfrutando do vento fresco que havia. O casal de namoradas permanecera um bom tempo no quarto de Sofi, brincando com a caçula. Ela mostrava à Lauren seus brinquedos favoritos e Camila se divertia com a cena, adorava ver o quanto sua irmãzinha gostava da namorada.

Quando começou a escurecer, depois de todos da casa tomarem seus respectivos banhos, o jantar foi servido. Comeram, conversaram sobre coisas aleatórias, e logo se separaram novamente. Alejandro foi quem ficou com a louça dessa vez, tendo a ajuda da mulher. Sofia correu para a sala dizendo que colocaria um filme e em seguida foi buscar algo em seu quarto. Camila sabia que assistiria pela enésima vez ao mesmo filme, já que a irmã nunca se cansava e sempre queria sua companhia, mas não se incomodou, afinal, dessa vez teria a presença de Lauren também. A morena, por sua vez, estava um pouco mais quieta desde a hora do almoço, quando tivera que passar pelo assunto da seita. Era cansativo o quanto aquilo a assombrava, estava exausta de fingir que estava tudo bem, quando na verdade não estava. O que aconteceria quando voltassem ao colégio? Estava acostumada a ter momentos lindos com Camila e em seguida ser chamada para alguma missão da seita, por isso tinha receio de voltar e ter sua paz quebrada novamente. A pequena percebeu a mudança de ânimo da namorada e preocupou-se, afinal, ela estava em sua casa e se alguma coisa lhe incomodava, era sua responsabilidade. Sentou ao lado dela no sofá, abraçando-a pelo pescoço e depositando beijos leves em seu rosto.

- Tudo bem, bebê? – perguntou com a voz calma.

- Tudo, anjo. – Lauren deu um sorriso de canto, tentando disfarçar.

- Está quieta. Não gosto disso. – Camila fez um bico.

- Prefere quando faço bagunça? – arqueou as sobrancelhas, colocando um pouco mais de humor na voz.

- Se significar que você está se divertindo, sim. – respondeu no mesmo tom.

- Estou me divertindo, boo. É um pouco de ressaca de ontem, só isso. – mentiu.

- Vamos assistir ao filme com a Sofi e depois vamos dormir, aí você pode descansar. – prometeu, acariciando os cabelos de Lauren e fitando-a com um olhar apaixonado.

As duas, que se aproximavam lentamente para o início de um beijo, foram interrompidas por uma Sofia agitada, que trazia em suas mãos duas bonecas. Uma delas foi identificada por Lauren como a Elsa de Frozen.

- Lolo, olha minhas princesas. – a menina parou em frente à morena, mostrando-lhe os brinquedos.

- São lindas! Eu também adoro Frozen. – sorriu, dando atenção à garotinha.

- Essa é a Ariel, a pequena sereia. – esticou a mão e entregou-lhe uma boneca ruiva com calda de sereia – As duas são minhas “favs”!

- Quem será que ensinou essa palavra pra você? – arqueou as sobrancelhas e fitou Camila, que riu.

Sofia pegou novamente a boneca que entregara à Lauren e sentou-se no chão para brincar. Simulava uma conversa entre as duas personagens, quando encostou o rosto das duas e simulou um beijo. A irmã e a cunhada da menina arregalaram os olhos e se fitaram, caindo na gargalhada.

- Sofia! – Camila chamou-lhe a atenção e a menina parou o que fazia e a fitou, confusa – O que é isso?

- Ué, elas são namoradas, igual a vocês duas. – deu de ombros.

- Desde quando? – a irmã continuou a indagar, achando graça da situação.

- Desde agora. – respondeu apenas, fazendo as namoradas gargalharem ainda mais.

- Eu sou a Elsa. – Camila disse em baixo tom de voz, perto do ouvido de Lauren.

- Por que eu tenho que ser a Ariel? – franziu o cenho.

- Porque ela tem mais jeito de bottom. – sorriu com a língua entre os dentes e roubou um selinho da namorada, antes que ela resmungasse – Ok, Sofi, vamos assistir logo ao filme.

- Eu coloco!

A menina levantou-se depressa e correu até o aparelho DVD, colocando o filme que assistiriam. Só viram que se tratavam de O Rei Leão quando o desenho se iniciou, e Camila ficou surpresa ao ver que sua irmãzinha havia mudado o filme da noite. Geralmente, ela sempre pedia para que a irmã a acompanhasse para ver Frozen ou A Pequena Sereia, já que, como ela havia dito, eram seus favoritos.

Iniciaram a sessão cinema e para isso contaram com o apoio de Sinu, que levou um balde de pipocas e um copo de refrigerante para cada uma. A mãe sentou-se ao lado de Sofia no sofá menor, sentindo o corpo da criança aconchegando-se em seu colo. O casal de namoradas ficou com o sofá maior, no qual Lauren deitou parcialmente o corpo e recebeu as costas de Camila sob sua frente. Ficaram assim até que a pipoca e o refrigerante acabaram, então deixaram os baldes e os copos vazios em cima da mesa de centro, e aconchegaram-se melhor, Lauren deitando-se completamente e Camila descansando a cabeça em seu peito. Alejandro juntou-se à família, sentando-se junto de Sinu e Sofia.

Quase na metade do filme, a morena percebeu que Camila havia pegado no sono, respirando pesado em seu peito. Sorriu ao ver a expressão leve da namorada e perdeu-se fitando seu rosto. Contornou seu maxilar com a ponta do dedo indicador, passando por sua testa, descendo por seu nariz e parando em seu queixo. Suspirou, ainda mantendo seu sorriso, e limitou-se a acariciar os cabelos de Camila lentamente, enquanto voltava sua atenção para o filme. Sinu percebeu a cena e cutucou Alejandro com o cotovelo, acenando com a cabeça para as duas. O pai as mirou e sorriu, também sentindo a mesma felicidade que a mulher sentia ao ver sua filha sendo amada. Camila sempre fora uma garota romântica e sonhadora, e seus pais já a haviam visto sofrendo por amor. Era mais do que gratificante para eles que a filha tivesse encontrado alguém como Lauren, que lhe retribui todo o amor que ela dá.

Não demorou muito para que Lauren também pegasse no sono. Na verdade, Sinu e Alejandro eram os únicos acordados naquela sala, já que Sofia também cochilava abraçada com suas bonecas. A mulher sussurrou para o marido que levasse a filha caçula para o quarto e assim ele o fez, enquanto ela levantava-se e desligava a TV e o DVD. Aproximou-se com calma do casal que dormia profundamente, acariciando as costas da filha com carinho para acordá-la.

- Kaki... – chamou baixinho – Filha, acorde.

- Hmmm. – a pequena murmurou, suspirando e abrindo os olhos devagar – Que horas são?

- Já passam das onze. – respondeu – Vão dormir no quarto, ficarão mais confortáveis.

Camila concordou com a cabeça e bocejou, recebendo um beijo na testa da mãe que se afastava. Ergueu a cabeça e encontrou Lauren de olhos fechados, a expressão tranquila e respirando pesadamente. Sorriu e beijou seu queixo lentamente, distribuindo outros beijos pelo seu rosto.

- Amor. – chamou, acariciando-lhe os cabelos – Bebê, acorda. – deixou um beijo na ponta de seu nariz, roçando-lhe ao seu em seguida – Lo...

- Oi. – respondeu a morena que acordava, respirando fundo e bocejando – O que houve?

- Vamos pro quarto, já está tarde. – disse, passando seus dedos pelos cabelos bagunçados da namorada.

Lauren assentiu e Camila levantou-se primeiro, dando espaço para a morena espreguiçar-se antes de também se levantar. Entrelaçaram os dedos e andaram até o quarto de Camila, dando boa noite para os pais da menina que também estavam indo dormir.

Ainda sonolenta, Lauren se jogou de costas na cama de Camila, cobrindo-se com o edredom até o pescoço. A cama era de solteiro, mas suas dimensões eram suficientes para aconchegar duas pessoas pequenas como elas. De olhos fechados, ouviu a porta ser fechada e passos se aproximarem, e logo sentiu o movimento na cama que indicava que Camila se deitava também. Suspirou, sentindo as mãos da namorada envolverem seu tronco e seu rosto se afundar em seu pescoço. Abraçou a menor e esperou que ambas adormecessem, mas não foi bem assim que aconteceu.

[PLAY link 1]

A morena arrepiou-se ao sentir os lábios de Camila se fecharem em seu pescoço em um beijo lento, enquanto suas mãos invadiam o moletom, acariciando sua barriga. Antes mesmo que pudesse protestar, a pequena já havia se sentado em seu colo, intensificando suas carícias. Camila capturou os lábios de Lauren em um beijo apaixonado, não era desesperado, mas também não era tranquilo. Pincelou a ponta da língua no lábio inferior da morena, pedindo passagem para invadir sua boca, e sem mais delongas, ela cedeu. Segurou a cintura da namorada com as duas mãos, sentindo o sabor doce de seu beijo que a enlouquecia. A mais nova arranhava a barriga de Lauren com as duas mãos, subindo cada vez mais pelo seu corpo. Como já estava sem sutiã, o trabalho de Camila fora facilitado. Ela agarrou os seios de Lauren e iniciou uma massagem lenta em ambos, sugando seu lábio inferior e migrando com os beijos para seu pescoço. A morena arfou ao sentir a língua quente de Camila traçar desenhos pela sua pele até chegar a sua orelha, na qual começou a trabalhar com mordidas e chupadas.

- Você não estava com sono? – perguntou já com a respiração descompassada.

- Já acordei. – a menor sussurrou com sensualidade em seu ouvido, causando arrepios por todo seu corpo.

- Jesus... Camila... – respirou fundo ao sentir que a namorada rebolava lentamente em seu colo, tentando um contato maior – Seus pais... Eles podem nos ouvir.

- Tsc, tsc. – a garota estalou a língua em negação, descendo as mãos pelo corpo de Lauren e deixando um leve chupão abaixo de sua orelha, para sussurrar em seguida – A gente faz baixinho.

- Meu deus...

- Eu quero você. – sussurrou com uma carga enorme de sensualidade ao pé de sua orelha, o que fez a morena se arrepiar ainda mais – Quero você dentro de mim.

- O que quer que eu faça? – poderia até parecer uma pergunta inocente, se não trouxesse consigo toda aquela redenção de quem está pronta para obedecer.

- Coisas más. – Camila respondeu, fitando os olhos verdes da namorada com os seus castanhos e puxando seu lábio inferior entre os seus – Tão boas que não consigo explicar.

- Você está fora de si. – Lauren riu com a ousadia da garota que sorria diabolicamente – E eu estou amando.

Em um impulso, a morena trocou as posições, ficando completamente por cima de Camila que lhe abraçava a cintura com as pernas. Abocanhou os lábios da namorada e retomou o beijo, desta vez ainda mais intenso do que antes. Em questão de minutos, as roupas já não existiam mais em seus corpos e o calor debaixo do edredom só aumentava. Lauren desceu com seus lábios pelo pescoço da garota, deixando uma mordida ao chegar a sua clavícula, e continuou o caminho até encontrar o vale de seus seios. Deixou um beijo em cada um e a fitou de maneira apaixonada, acariciando sua barriga com as mãos livres. Sugou lentamente o mamilo direito e a observou fechar os olhos para aproveitar o momento. Camila levou as duas mãos até os cabelos de Lauren e os agarrou, entrelaçando seus dedos nos fios bagunçados. Quando finalmente se deu por satisfeita, a morena voltou aos lábios da menor, sugando-os lentamente, chegando a ser quase uma tortura.

- Não acredito que estamos fazendo isso aqui. – disse uma Camila quase completamente desconcertada, mantendo apenas um fio de lucidez – Na minha cama, na minha casa.

- Só espero que seus pais não ouçam. – Lauren riu, mas no fundo estava nervosa – Vou precisar da sua cooperação.

- Só me ama. – pediu, segurando o rosto da namorada com as duas mãos e fitando-a – Esquece o resto.

Não havia como recusar aquele pedido. E, naquele momento, Lauren se entregou completamente. Deixou a inexperiência de lado e passou a ter certeza de que, naquela noite, faria a namorada feliz. A deixaria satisfeita, saciada. Mesmo que fosse sua primeira vez fazendo o que faria, seria feito com vontade.

As mãos de Camila percorreram toda a extensão da coluna de Lauren, parando em sua bunda e trazendo seu corpo para colar mais ao seu. A morena a apertava em várias partes do corpo, seios, coxas, cintura. Resolveu descer com seus lábios roçando a pele da menor, sentindo seu sabor. Deixou um beijo demorado em seu umbigo, erguendo os olhos para fitar seu rosto e ver que ela sorria. Lauren também sorriu contra a pele de Camila e continuou descendo, sentindo que a namorada já ultrapassava os limites de ansiedade pelo que viria. Encaixou-se por entre as pernas de Camila e então a conheceu melhor, totalmente exposta e molhada para ela. Lauren sentiu sua boca salivar de uma maneira que nunca sentira antes, finalmente ela experimentaria o sabor da garota que amava. Como em um paralelo com a sua primeira vez, a morena segurou a mão de Camila, entrelaçando seus dedos. A pequena enroscou os dedos da mão livre nos cabelos da namorada e assentiu com a cabeça, encorajando-a. Sem pensar mais, a língua de Lauren invadiu o sexo de Camila, que fechou os olhos e mandou para o inferno o autocontrole. Sua família a ouviria e, se duvidar, os vizinhos também.

“Ela só pode estar brincando que é a primeira vez que faz isso”, pensou Camila. Lauren agia como se fosse profissional no que fazia, já conhecia todos os pontos de prazer do corpo da namorada. Camila quase atingia um dos melhores orgasmos de sua vida, não iria demorar muito. Agarrou os cabelos de Lauren e apertou sua mão que ainda segurava, quase torcendo seus dedos. A língua da morena era ágil e trabalhava sem parar no clitóris de Camila, que já começava a aumentar o volume de seus gemidos. Lauren trabalhava de olhos fechados, mas quando ouvia um gemido mais alto, abria os mesmos em alerta. Em um momento, após uma chupada certeira, Camila arqueou o corpo para cima e gemeu de maneira que chegou a ecoar no quarto. Assustada, Lauren parou o que fazia por alguns segundos para alertar a namorada.

- Camz, seus pais...

- Cala a boca e continua!

Camila segurou a cabeça de Lauren e a forçou para baixo, obrigando-a a continuar o que fazia. Lauren soltou uma risada nasal contra a carne de Camila e o ar que bateu naquela região só serviu para enlouquecê-la ainda mais. Bastaram mais algumas chupadas para a pequena se desfazer em sua boca, como um agradecimento por ter feito um bom trabalho. Era como uma estagiária inexperiente que recebia elogios e era promovida. Lauren deixou um beijo em seu sexo e voltou para cima, certificando-se de beijar cada parte de seu corpo que não fora beijado na descida. Roubou um beijo dos lábios de Camila, que segurou seu rosto com as duas mãos.

- Lauren do céu! – a pequena exclamou, ainda de olhos fechados e respiração descompassada.

- Quem é a Ariel bottom agora? – brincou, rindo e fazendo Camila rir.

- Ainda temos a noite inteira pra descobrirmos. – sorriu com malícia.

Aquele era o território de Camila Cabello, a garota que gostava de domar, mas também amava ser domada. O que dizer? É complicado.

[...]

Era bastante sugestivo que Camila e Lauren aparecessem na cozinha pela manhã com o mesmo sorriso em seus rostos. Afinal, depois de uma madrugada inteira transando, não havia outra maneira de reagir, a não ser sorrir até o rosto doer. Embora quase não tivessem dormido, acordaram por volta das nove, horário do café da manhã de domingo na casa dos Cabello.

- Bom dia, família. Muito bom dia. – Camila foi a primeira a cumprimentar, deixando um beijo no topo da cabeça de Sofi, que tomava seu leite.

- Bom dia, Kaki. – a criança a cumprimentou de volta, franzindo o cenho como se tivesse um ponto de interrogação na cabeça.

- Bom dia. – seus pais responderam em uníssono, em meio a entreolhares.

- Bom dia. – Camila repetiu, suspirando enquanto se sentava à mesa.

Lauren, ao contrário de Camila, ainda permanecia quieta. Estava com receio de ter algum comentário sugestivo dos sogros, pois sabia que era impossível que ninguém tivesse escutado a movimentação vinda do quarto delas, à noite.

- Dormiram bem? – Sinu perguntou com as sobrancelhas arqueadas e Lauren captou o sentido da pergunta, ruborizando imediatamente.

- Até demais. – Camila respondeu, inocente, não percebendo que a mãe sabia o que havia acontecido.

- Kaki, você melhorou? – Sofia, que continuava de cenho franzido, a questionou.

- Melhorei do que? – a irmã mais velha perguntou confusa.

- Você estava triste ontem, não estava? Escutei você chorando.

- Chorando? Eu? – agora quem franzia o cenho era ela.

- Sim, no seu quarto. Você estava fazendo “huuuuuumm, aaaah”. – a criança imitou os sons que Camila havia feito, o que fez Lauren engasgar-se com o leite que tomava e a irmã mais velha ficar vermelha feito um pimentão.

- Eu... Eu n-não. – engoliu em seco, olhando seus pais de soslaio e vendo que eles seguravam suas risadas – Não estava chorando, Sofi.

- Tem certeza? Você não brigou com ela, né Lolo?

- N-não. Não. – Lauren limpou a garganta depois de gaguejar.

- Alguma coisa brigou naquele quarto. – disse Alejandro, abrindo o jornal frente a si.

- Sofi, seu desenho deve ter começado, não quer ir ver? – Sinu sugeriu.

- Quero! Eba!

A menina pegou seu copo de leite com achocolatado e correu para a sala, deixando apenas os maliciosos na mesa.

- Querida, no meu próximo aniversário... – Alejandro iniciou uma conversa e as namoradas se alegraram por ele estar mudando de assunto... ou parecer estar – Que tal me dar tampões de ouvido como presente?

- Pai! – Camila riu, escondendo seu rosto em suas mãos.

- Vou comprar dois pares. – Sinu respondeu, entrando na brincadeira.

- Deu pra ouvir muito? – a menor perguntou, preocupada.

- Quem deu foi você. – o pai respondeu, dando de ombros, Lauren arregalou os olhos – Achei que teria que invadir seu quarto e impedir a Lauren de que te matasse.

- Eu n-... Eu... – a morena tentou falar.

- Alejandro, pare! Está deixando a garota sem graça. – disse Sinu com bom humor, rindo da situação.

- Vocês são muito fracos. Eu sempre ouvi seus gemidos e nunca reclamei. – Camila atacou, deixando os pais pálidos.

- Camila! – Lauren exclamou, caindo na gargalhada.

- Não acredito que criamos um monstro. – brincou Alejandro, permitindo-se rir também, assim como a esposa.

Não demoraria muito para que Lauren se acostumasse com a convivência dos Cabello. Não havia tensão na família, tudo era levado numa boa entre eles, até uma noite de sexo da filha com a namorada. A morena desejava que sua família fosse assim, mas contentava-se em poder fazer parte de uma nova. Os Cabello eram, sem dúvidas, a melhor família que Lauren Jauregui havia tido o prazer de conhecer.

[...]

Mia chegou ao colégio por volta das sete da noite, estava cansada de ficar sozinha em sua casa. Na verdade, estava acompanhada de seus empregados, mas sentia-se sozinha. Franco tinha sido chamado para outras reuniões em seu trabalho e, mesmo sendo domingo, não teve o que fazer, a não ser desculpar-se com a filha por ter que se ausentar novamente. A loira já estava acostumada, mas, talvez por estar tão sensível, aquilo havia mexido com ela. Sentou-se na escada do pátio principal do colégio, desbloqueando seu celular e procurando algum contato com o qual pudesse conversar e passar o tempo. “Ally não”, pensou ao ver o nome da amiga. “Normani daqui a pouco está aqui”, “Por que eu tenho o celular da Camila?”, “Quem é Celina, meu deus?”. A loira falava consigo mesmo em seus pensamentos conforme ia vendo os nomes em seus contatos, e parou quando viu um em especial. Roberta Pardo. Suspirou e meneou com a cabeça, continuando sua busca por alguém. Encontrou um número e considerou que serviria, já que a pessoa lhe dava ótimos conselhos e era como uma mãe para ela. Embora não servisse para ser filha dela...

Descendo do táxi, na portaria do Elite Way, Roberta trazia sua famosa expressão emburrada por ter que voltar ao colégio. O final de semana com Veronica havia sido ótimo e voltar para aquele lugar praticamente anulava tudo o que tinha sentido. Bateu a porta do carro e bufou quando ouviu o celular tocar, mostrando o nome de sua mãe na tela. Atendeu revirando os olhos.

- Escritório do demônio, em que posso ajudar? – a ruiva mudou a voz, utilizando todo seu sarcasmo.

- Credo, Roberta Alexandra! – a voz de Alma Rey soou do outro lado da linha - Esses são modos de falar com sua mãe?

- Na verdade, há piores. Dessa vez peguei leve. – respondeu, irônica.

- Não seja assim! Já chegou no colégio?

- Não percebeu que falei escritório do demônio? – disse a ruiva enquanto andava pelos corredores.

- Ai, Roberta. – Alma respirou fundo – Você precisa de alguma coisa?

- Preciso de dinamites para explodir esse lugar.

- Não sei por que ainda tento falar com você. – a mãe respondeu, já sabendo como a filha era – Se precisar de alguma coisa, me ligue, por favor. Irei correndo.

- Cuidado pra não cair e estourar seus silicones, mamãe. – Roberta provocou com sarcasmo na voz, rindo.

- Ha-ha-ha. – a mulher fingiu uma risada, fazendo a filha gargalhar ainda mais – Oh, tenho outra ligação, filha. Depois nos falamos. Amo você.

- Tudo bem, mamãe. Amo você também. – disse sincera.

A ruiva desligou o celular e continuou sua caminhada até seu dormitório, passando pelo pátio central, onde parou de repente e se escondeu atrás de uma parede. O motivo foi por ter ouvido a voz de Mia, e preferiu esperá-la terminar de conversar com quem quer que fosse antes de passar pela loira.

- Me sinto muito sozinha. – disse a garota – Meu daddy me deixou sozinha com os empregados de novo por causa de reunião. – ela falava com mágoa na voz, Roberta podia sentir – Eu sei que não devia esperar nada dele, mas eu espero, né! Ele é meu pai. – houve um silêncio, o que indicava que a outra pessoa estava falando – Você tem razão, não é só por causa disso que estou assim... É que... – Mia respirou fundo – Ai, Alma, eu te adoro, mas ainda não consigo falar sobre isso com você. – a ruiva abriu a boca em um perfeito “O” e arqueou as sobrancelhas ao ouvir o nome de sua mãe – É complicado... Ah, tudo bem então. Depois nos falamos. – mais um silêncio – Não se preocupe. Beijos, Alma!

A loira desligou o celular e respirou fundo, resmungando algo que Roberta não conseguiu entender. Tomada não só pelo ciúme de sua mãe, mas também pela curiosidade, a ruiva avançou em direção à Mia, que arregalou os olhos ao vê-la.

- Então quer dizer que foi você que interrompeu minha ligação com a minha mãe? Não se cansa de querer toda a atenção pra você, Barbie? – a ruiva cruzou os braços em seu peito e disparou as palavras em sua famosa maneira sarcástica de ser.

- Ai, Roberta, como ia saber que ela estava falando com você? – Mia revirou os olhos e fez sua expressão de desdém, levantando-se da escada e subindo os degraus – Me deixa em paz, não sou obrigada.

- Você faz de tudo pra me atormentar, não é? – Roberta subia atrás dela, apertando os passos conforme via que ela tentava fugir – Em tudo tem que ter dedo de Mia Colucci.

- Eu te atormento? Sério? Não sou eu quem está correndo atrás de você agora, ou sou?

- O que você queria com a minha mãe? – ignorou o que a loira havia falado e continuou pressionando-a.

- Nada que te interesse. – respondeu, erguendo a mão para que ela parasse de falar – Por que você não vai procurar suas amigas vaqueiras, Roberta? Ou melhor, vá atrás da prima do caipira, parece que ela é a melhor, já que te laçou. E olha que você é um boi bravo.

Roberta parou onde estava, enquanto Mia seguiu seu caminho até o quarto, sentindo-se vitoriosa. A ruiva abriu e fechou a boca, de cenho franzido, e revirou os olhos.

- O que você viu nela, Roberta? Pelo amor de deus. – falou para si mesma antes de voltar a andar.

A garota chegou ao quarto de Mia, que era de frente ao seu, e entrou sem pedir licença. Para sua sorte, a loira estava sozinha, suas amigas ainda não tinham chegado ao colégio. Mia assustou-se ao ver que a ruiva havia invadido seu dormitório, e antes que tentasse falar alguma coisa, Roberta disparou seus ataques.

- Então quer dizer que você está com ciúmes da Vero?

- Quem disse isso? Olha, Roberta, vou ter que falar com sua mãe pra te levar em um psiquiatra. Parece que os remédios não estão fazendo efeito.

- Você nem precisou falar, Mia. Ficou claro na tua cara. – a ruiva soltou um riso nasal.

- Então vou precisar falar urgente com o cirurgião plástico do meu pai, porque se algo na minha cara tem a ver com você, o negócio está feio. – ironizou.

Roberta avançou seu corpo contra o de Mia, segurando-a pela cintura. Ela não queria provocá-la daquela maneira, mas não conseguia se conter quando estava perto dela. Alguma coisa na loira a puxava, a corrente elétrica que existia entre as duas não era explicada nem pelas leis da física. Mia respirou fundo ao sentir as mãos de Roberta em seu corpo, sentindo sua espinha arrepiar-se. Claro que isso não passou despercebido pela ruiva, que sorriu vitoriosa.

- Vai ter que fazer plásticas pelo corpo todo, então, pois parece que não estou só na sua cara. – a voz da ruiva saiu arrastada, deixando Mia ainda mais desnorteada.

- Me solta. – a loira ordenou, sendo ignorada por Roberta – Me solta, Roberta!

- Ou o que? Vai chamar seu namoradinho? Qual o nome dele mesmo? Pucca? – provocou.

- É Luca! – Mia rosnou, fazendo Roberta gargalhar pela sua reação – E não vou chamá-lo, não preciso dele pra me defender de você.

- Me pergunto pra que você precisa dele, na verdade. – a ruiva continuou provocando, soltando a cintura de Mia que rapidamente se afastou.

- Talvez para a mesma coisa que precisa da priminha do caipira. – deu de ombros, mexendo em suas unhas a fim de disfarçar o nervosismo que sentia.

- Está com ciúmes. – Roberta riu.

- Não estou! – Mia ergueu a voz, irritando-se – Até parece que vou ter ciúmes de uma garota como ela, por favor! Não sei o que você viu nela.

Bingo. Ela havia pegado o ponto fraco de Roberta, já que agora nem ela própria sabia o que tinha visto em Vero. Quer dizer, sabia. Afinal, Veronica era uma garota linda e amável, e a noite entre elas havia sido ótima. Mas, perto de Mia, Roberta odiava admitir, a garota perdia feio.

- Quer saber o que vi nela? – o tom de Roberta era sério, sem um pingo de sarcasmo ou ironia – Ela não é você.

[PLAY link 2]

A última frase vinha carregada de duplo sentido. “Ela não é você”, podia ser uma qualidade ou um defeito de Veronica, e a intenção de Roberta ao dizer aquilo era descrever como a segunda alternativa. Mas sabia que Mia poderia entender o contrário, como se Veronica não ser Mia Colucci fosse a maior qualidade da garota. Entretanto, a maneira desanimada com a qual falou deixou claro para a loira que aquilo era o pior defeito de Vero, e que ela queria que a garota fosse Mia Colucci. A ruiva engoliu em seco, pronta para virar-se e sair do quarto, quando sentiu as mãos da loira enroscar-se em seus cabelos e seus lábios selarem os seus. Arqueou as sobrancelhas ao sentir aquela boca procurar a sua e, rapidamente, levou suas mãos novamente à cintura da loira. Mia pediu passagem com a língua e Roberta cedeu, ocorrendo a explosão de mistura de sabores entre elas. Beijar Mia havia se tornado o pecado favorito de Roberta, embora odiasse admitir. Duas garotas que brigavam feito cão e gato e fingiam se odiar, quando na verdade mantinham sentimentos uma pela outra. O beijo não era desesperado, era calmo e cada uma aproveitava o sabor da outra, sem saber ao certo quando teriam aquilo de novo. Quando o ar faltou, Roberta cortou o beijo, deixando alguns selinhos demorados nos lábios da loira. Colaram suas testas e, ainda de olhos fechados, deixaram que suas respirações se normalizassem antes que as palavras tomassem conta novamente.

- Mia... – Roberta sussurrou, mas foi cortada pela loira.

- É melhor você ir embora. – Mia decretou, respirando fundo e desvencilhando-se dos braços da ruiva com calma.

- Mas...

- Por favor, Roberta. – pediu, seus olhos azuis eram confusos e pode ver que os castanhos da garota também – É melhor pra nós duas não continuarmos com isso, seja lá o que for que esteja acontecendo.

- Por quê? – a ruiva também respirou fundo, seu coração disparava como nunca antes – Por que não descobrimos juntas o que está acontecendo?

- Nós somos duas bombas, Roberta. Se explodirmos juntas, não restará nada.

Ela tinha razão. Roberta Pardo e Mia Colucci nunca dariam certo juntas, começando pelo fato de que nem sequer sabiam como lidar com aquilo. Eram duas almas perdidas que, mesmo sendo possível se encontrarem juntas, não sabiam qual caminho seguir. Podia ser medo de arriscar ou até mesmo medo de dar certo. Na verdade, as duas seriam ótimos objetos de estudos dos cientistas, já que havia muita coisa pra ser descoberta dentro delas. As duas se fitavam com intensidade, ainda queriam dizer muita coisa, mas nenhuma delas se arriscaria. Roberta saiu de seu transe e assentiu com a cabeça, virando-se lentamente e andando até a porta. Mia engoliu em seco, sentindo o choro formar-se em sua garganta, mas não se deixaria falhar naquele momento. Não na frente de Roberta.

- Espero... – a ruiva parou em frente à porta, virando-se de lado para fitar Mia uma última vez naquele quarto – Espero que dê certo com o Luca.

A loira sentiu sinceridade na frase de Roberta e aquilo a quebrou ainda mais por dentro. A ruiva deu-lhe apenas um sorriso fraco de canto e saiu, fechando a porta atrás de si. Estando sozinha novamente, Mia permitiu-se chorar, tendo tantos sentimentos dentro de si que mereciam ser explorados, mas que não sabia como fazê-lo.

Do outro lado da porta, Roberta também chorava em silêncio, mas, como era uma pessoa forte – ou assim gostava de demonstrar ser -, limpou as lágrimas e engoliu o choro, rumando para seu quarto.

Aqueles corações precisavam ser curados e, se fosse preciso a ajuda de terceiros, assim elas o fariam.


Notas Finais


Links das músicas:
Hino gospel Bad Things que você respeita: https://www.youtube.com/watch?v=4cauU2IpFyA
Será Mejor: https://www.youtube.com/watch?v=34hUzLjpsmg

O próximo é da Rafa, portanto, até um dia, kelas.

tt: @ironmandus @rafaellacabello (pega essa mambinha) @savjaureg e @howjauregui


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