História Quem é você, Jeff? - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 3.660
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Dedico este capítulo a minha mana, Neko-chan. Feliz aniversário mana!
E desejo a vocês uma Boa leitura! <3

Capítulo 2 - Amnésia



   Ainda ofegante, corria por toda aquela extensa e sombria floresta. Sombras me perseguiam e pareciam se aproximar cada vez mais. Desviei de algumas árvores e acabei parando em uma trilha. A voz da razão me dizia para seguir por ela e foi isso que eu fiz. Até este momento, as sombras haviam parado de me seguir e um feixe de luz no final da trilha me chamou a atenção. Acelerei meus passos na esperança de que fosse uma saída para aquele maldito lugar e conforme eu corria , mais a luz se aproximava. A poucos metros de distância da luz eu acabei tropeçando em alguma raíz de árvore enfincada no chão e caí com tudo para fora da floresta. Ergui minha cabeça tentando retomar meus sentidos e notei que já não estava mais em uma floresta e sim em um grande espaço aberto e iluminado. Fiz esforço para levantar e me assustei ao perceber onde estava. Algo um tanto familiar... Estava de frente para a mesma casa de minhas visões. A luz que me chamara a atenção vinha das chamas que possuíam a enorme casa. A curiosidade fez com que eu me aproximasse da casa, mas conforme ela aumentava, a tensão me consumia cada vez mais por dentro. Quando atingi o máximo de aproximação possível, avistei na janela do andar de cima da casa uma pessoa. Não conseguia identificar quem era, pois só conseguia ver sua silhueta. Um medo incompreensível tomou conta de mim e então decidi que era melhor eu sair dali, porém, antes que eu pudesse me virar, senti uma mão tocar em meu ombro e sussurrar em meu ouvido...

          " Está vendo Jeff, a dor que você lhes causou? Porque você não morre de uma vez?! "

Em seguida essa mão cravou suas unhas em meu ombro e senti uma dor absurda. Acordei ofegante com os sons da campainha tocando. Estava assustado com o sonho que havia acabado de ter, era tão... Real. Ainda de pijama desci correndo as escadas e destranquei a porta.

— Bom dia! — uma moça de aparência meiga e vestida de um jaleco branco me olhava com um sorriso irritante no rosto.

— O que deseja? — perguntei em um tom arrogante e ela torceu o bico.

— Ora senhor Jeff! Dormindo até tarde? Isso não faz parte do processo de reabilitação social. — ela soltou uma risadinha e a olhei sem entender. — Bom, sou sua nova enfermeira. — ela estendeu a mão afim de que eu a cumprimentasse.

— Não preciso mais de enfermeiras. — retruquei com raiva.

— Na verdade precisa sim. Sua recuperação não está sem por cento completa e eu fui encarregada de cuidar de você até que ela esteja. Me chamo Esther... — percebi que ela estendeu a mão novamente e dessa vez eu decidi cumprimentá-la, em seguida permiti que ela entrasse em casa. — Eu trouxe seu café da manhã. — ela levantou uma sacola e me olhou de cima em baixo. — Acho melhor você ir se arrumar primeiro. Estou te esperando aqui em baixo! — ela me empurrou para as escadas como se estivesse mandando eu subí-las. Ninguém merece... Já estou meio grandinho para ter alguém cuidando da minha vida. Mesmo irritado, decidi fazer o que ela disse. Após terminar minha higiene matinal e vestir uma roupa decente, desci as escadas e fui na direção da cozinha. A mesa estava bem organizada com um bolo, algumas torradas, pães, manteiga e uma jarra de suco. Ora, ora. Parece que não vai ser tão ruim ter uma enfermeira cuidando de mim...

— Está melhor... — olhei na direção da garota e notei que ela me observava. — Até parece gente. — ela sorriu e acabei por reparar nos traços dela. Não aparentava ser tão velha, talvez fosse nova na área da enfermagem. Tinha longos cabelos castanhos e lisos amarrados em rabo de galo, pele clara, olhos verdes por trás de um óculos discreto e um belo corpo. Mostrava-se feliz com tudo à sua volta e isso me tirava do sério. Para mim, a felicidade é a maior mentira que existe. Pessoas felizes não conseguem enxergar o mundo miserável que as cerca e sempre ficam com aquele sorriso irritante estampado no rosto, como se tudo estive correndo bem... Patético. Pessoas que não querem enxergar a verdade acabam se tornando ignorantes e vulneráveis. — Ei! Você está me escutando? 

— Hum?! 

— O que o senhor anda pensando hein?! Espero que não seja pervertido como os outros pacientes... — com o comentário pude perceber que estava olhando fixamente para ela a um bom tempo. 

— Eu não sou... — abaixei a cabeça e olhei para o pedaço de bolo intacto em meu prato. Ela suspirou.

— Hunf... Eu disse que é melhor você tomar seu café depressa ou então vai acabar se atrasando.

— Atrasando? Atrasando para o quê?

— Acho que esqueci de te falar... Te inscrevi em uma escola interna. Já que você perdeu muito tempo internado e não teve tempo suficiente de estudo, achei que o melhor a se fazer era recuperar todo esse tempo perdido.

— O quê?! — bati meus punhos na mesa e ela me olhou assustada. — Como assim escola interna?! Você não tem o direito de interferir nas decisões da minha vida. Eu não vou voltar à escola! E você é só uma enfermeirazinha, faça seu trabalho e não se meta onde não é chamada. — vi a expressão da garota mudar de sorridente para triste.

— Eu posso ser uma "enfermeirazinha", mas estou fazendo meu trabalho. Caso você não saiba, meu objetivo é fazer sua vida voltar ao normal e te preparar para uma boa integração na sociedade. Acha que as pessoas vão aceitar normalmente alguém que saiu de um hospital psiquiátrico? Entenda isso que eu fiz, como parte do tratamento. Mas eu não vou lhe forçar a nada, isso é apenas seu futuro, e cabe a você decidir se joga ele pelo ralo ou se realmente quer uma mudança. — isso me deixou ainda mais irritado, porém no fundo, algo me dizia que ela tinha razão. Decidi ficar calado e tomar meu café da manhã. — Caso mude de ideia e queira ir, estarei te esperando aqui em baixo daqui quarenta minutos. — continuei com a cabeça baixa e sem emitir um único som. Levantei bruscamente e fui em direção às escadas. — Não vai terminar seu café?

— Perdi a fome. — disse sem me virar e continuei subindo as escadas. Cheguei no corredor e caminhei em direção ao meu quarto. Entrei nele fechando a porta atrás de mim e fiquei parado no meio do quarto com a respiração pesada. Olhei para a porta do banheiro que ficava ao lado do guarda-roupa e me dirigi a ela. Empurrei-a, porém ela estava emperrada, então usei toda minha força e consegui abrir uma passagem de tamanho suficiente para que eu atravessasse. O banheiro era velho, suas paredes estavam manchadas com uma cor escura e havia teia de aranha por todo lugar. Me aproximei da pia e me encarei no espelho manchado... Meus olhos estavam fundos e minha pele pálida por causa da insônia. Os medicamentos que eu tomava também colaboravam. Já se faziam meses que eu não conseguia dormir direito e sempre que finalmente pegava no sono, os terríveis pesadelos vinham, como os dessa noite. Ainda estava irritado com tudo aquilo. Tive que aturar meus pais por vários anos e agora que finalmente estou livre de tudo e de todos, surge essa enfermeirazinha querendo dizer o que eu tenho que fazer. — Inferno! — grito e dou um soco no espelho que se despedaça por completo. Gotas de sangue pingavam no chão e senti uma ardência nos dedos. Haviam vários cortes nas minhas mãos. Me assustei ao ouvir fortes batidas na porta do quarto.

— Senhor Walker?... — abri uma fresta da porta.

— Sim? — escondi minha mão atrás da porta tentando evitar problemas.

— Está tudo bem aí?... Ouvi barulho de algo quebrando e fiquei preocupada. — a garota expressava um olhar de preocupação.

— Ah, não foi nada. Eu só deixei um negócio cair aqui.

— Negócio? Que negócio? — ela estava curiosa e tentava espiar dentro do quarto.

— Coisa minhas. Não tem com o que se preocupar, eu estou bem.

— Se quiser eu posso limpar a bagunça... — ela tenta entrar mas eu a impeço.

— Não! Eu não preciso! Só preciso de um tempo sozinho no meu quarto. Daqui a pouco eu estou lá embaixo para podermos ir na tal escola. — digo num tom de deboche e solto um suspiro. Vejo ela abrir um sorriso.

— Então mudou de idéia. Estou te esperando lá embaixo. — ela sorri e vai embora. O que eu não faço para me livrar de gente grudenta. Arrumo a bagunça que fiz no banheiro, enrolo uma faixa na minha mão e visto meu moletom. Depois saio do meu quarto indo em direção às escadas. Esther me olha e suspira.

— Podia pelo menos usar uma roupa mais apresentável. — já me preparava para respondê-la mas fui interrompido. — Porém não vou interferir no seu estilo. Vamos, estamos quase atrasados. — terminei de descer as escadas e fomos em direção ao carro da garota. Me sentei no banco passageiro e ela deu partida no carro. Ficamos alguns minutos em silêncio até que ela perguntou... — O que aconteceu com sua mão? — percebi que ela sangrava por baixo do pano.

— Tsc! Não é nada.

— Eu sou sua enfermeira e é meu dever cuidar de você.

— Eu não preciso de ninguém cuidando de mim.

— Todos nós precisamos, Walker. Ninguém consegue viver sozinho e isolado do mundo. Entenda, eu só quero o seu bem.

— Já não tenho mais esperanças nas pessoas.

— Desde quando você pensa assim?

— Desde o momento que me abandonaram naquele hospício e ignoraram a minha existência.

— Você estava doente. Após a morte de seus avós, você entrou em depressão e não conseguia mais se relacionar com as pessoas. Isso tudo foi para seu bem. Seus pais se importavam com você. — neste momento senti uma vontade enorme de rir. 

— Eu não me lembro de muita coisa mas me lembro do necessário para saber que meus pais não eram pessoas que consumavam a se importar com os outros. Se foi isso que te contaram, estavam mentindo.

— Mesmo que isso seja verdade, ainda existem pessoas que realmente se importam.

— Quem por exemplo?

— Eu. — a encarei com uma expressão de curiosidade. — Sei que no fundo você é uma pessoa gentil e que ainda há amor no seu coração. — virei meu rosto e encostei minha cabeça no vidro do carro...

— Se enganou de novo... — sussurrei baixo o suficiente para que só eu pudesse ouvir. Ficamos mais uns minutos na estrada até que finalmente ela estaciona o carro na frente de um grande prédio laranja. Era um prédio largo de três andares com várias janelas e que ocupava quase um quarteirão. Descemos do carro e entramos pelo portão central que ligava ao pátio. Um homem alto que aparentava ter uns 40 anos se aproximou.

— Sejam bem vindos ao Colégio Interno de Hutchinson. — ele olha para mim. — Suponho que seja o jovem Jefferson Walker. Prazer, sou o diretor desta renomada instituição. — ele estende a mão para que eu o cumprimentasse.

— Tanto faz. — desvio o meu olhar do dele e ignoro sua mão estendida.

— Ora senhor Walker. Seja mais simpático! — Esther me adverte e o diretor sorri sem graça.

— Ora, ora. Não precisamos chamar a atenção do jovem rapaz. Sei que ele passou por vários problemas. — o olho irritado. — A senhorita deve ser a enfermeira encarregada de cuidar dele. A inscrição dele está quase completa, só precisamos assinar mais algumas papeladas. Vamos para a minha sala...

— Senhor Walker, eu vou resolver alguns assuntos com o diretor. Pode dar uma volta pela escola se quiser. Quando eu terminar nos encontramos para ir embora, ok? — dei de ombros e me distanciei da presença deles. — Ele é um garoto difícil de se lidar... — ouvi ela falar para o diretor enquanto me distanciava. Caminhei pelo pátio até chegar às escadas que levavam ao portão principal que era, provavelmente, por onde os alunos entravam e saíam. Subi as escadas e atravessei o portão que se encontrava aberto. Estava dentro da escola. Haviam um grande corredor com vários armários cinzas e algumas portas de ferro. Andei pelo corredor e descobri que por trás dessas portas ficavam as salas e os alunos estavam em horário de aula. Continuei caminhando com minhas mãos no bolso até chegar no fim do corredor, onde havia uma outra escadaria. Subi as escadas e me deparei com outro grande corredor com várias portas, porém não haviam armários. Ali ficavam os dormitórios. Caminhei até chegar no fim do corredor onde ele se dividia em dois, um para a direita e outro para a esquerda, e formava um figura parecida com um 'T'. Decidi ir para a direita e vi que haviam ainda mais dormitórios. "Esse colégio deve ser muito cheio para ter essa quantidade de quartos...". Continuei caminhando enquanto olhava para o chão e me assustei quando senti alguém esbarrar em mim. 

— Olha por onde anda... — falei e vi uma garota de cabelos negros jogada no chão enquanto catava seu material espalhado.

— Perdão... — ela disse em quase um sussurro. Fiquei olhando para ela e notei que sua pele era estranhamente pálida. Seu cabelo negro, comprido e liso contrastava com sua pele absurdamente branca. Não consegui ver seu rosto e achei estranho ter alguém pelos corredor àquela hora. Pensei que os alunos estivessem em horário de aula. Ia perguntar seu nome mas ouvi uma voz me chamar...

— Senhor Walker! — virei a cabeça da direção de onde vinha a voz e vi Esther me chamando no final do corredor. Olhei novamente na direção da garota caída no chão e fiquei confuso ao perceber que o lugar estava vazio e só havia eu naquele extenso corredor. — Senhor Walker! O senhor está bem? Te procurei por todo o colégio...

— Hum?... Estou sim... — caminhei para onde Esther estava. — Você viu para onde aquela garota foi?

— Que garota?

— A que eu esbarrei sem querer...

— Hãn?

— Nada, esquece... — fiquei pensativo. — Deve ser só coisa da minha cabeça. 

— Hum... Vamos, o diretor ainda quer falar com você. — Esther segura em meu braço e me puxa para outra escadaria que levava ao terceiro andar. Nesse andar, ficavam as salas dos funcionários do internato. Esther me leva até a sala do diretor  que me esperava sentado em sua mesa. Olhei para sua mesa e vi uma plaquinha... Diretor Jake Stanford

— Por favor, sente-se senhor Walker. — o homem aponta para uma das cadeiras vazias em frente à sua mesa e eu me sento.

— Eu te espero do lado de fora. — Esther sai da sala e fecha a porta.

— Vejamos... Jefferson Walker, nasceu no dia 30 de outubro de 1996, Kansas na cidade de Hutchinson, fez 20 anos, filho único dos empresários Nora Walker e Rick Walker... — o homem dizia enquanto lia minha ficha. — apresenta um quadro psicológico instável e ficou internado durante cinco anos no Hospital Psiquiátrico de Hutchinson onde quase matou um paciente. — fechei a cara quando ele disse isso. Eu havia sido provocado e tive que agir por instinto. — Seus boletins da sua antiga escola mostram um bom desempenho e sua ficha escolar mostra que você era comportado e não dava trabalho. Mas em contrapartida, nos últimos anos você se envolveu em vários problemas tanto pessoais, quanto sociais. Aqui diz que você apresenta um comportamento violento. — eu ouvia tudo e permanecia calado. — Me diz senhor Walker... Porque deseja entrar nossa instituição?

— Eu na verdade... — pensei em dizer que não era eu quem queria, mas me lembrei do que Esther havia me dito. — Eu... Acredito que isso irá me dar uma boa oportunidade de recomeçar a vida. Acho que se eu quiser uma mudança, tenho que abandonar meu passado e seguir em frente. — dizia algo que não era verdade. Estavam bem claros meus objetivos. Nunca deixaria para trás meu passado, e eu, naquele momento, desejava descobrir tudo o que havia de errado comigo e com meu passado esquecido. Por mais que eu tentasse lembrar, na minha mente só restavam pequenas lembranças insignificantes e nenhuma delas poderiam sessar minhas perguntas e dúvidas. Eu faria qualquer coisa por respostas e além de tudo, podia sentir que algo não estava certo. 

— Bom ouvir isso. Fico feliz em ver que existem pessoas dispostas a mudar e deixar toda a infelicidade de lado. Senhor Walker, minha instituição terá prazer em recebê-lo, mas fique ciente... Existem regras bem claras. Não gostamos de problemas e acredito que os alunos daqui já sabem que o novo aluno possui alguns problemas. Alguns deles se sentem desconfortáveis com isso, mas tudo vai dar certo. Só não se envolva em encrencas. — ele se levanta da cadeira e estende sua mão. — Seja bem vindo ao Colégio Interno de Hutchinson! — fiz o mais sensato. Apertei a sua mão com um sorriso forçado no rosto. — Suas aulas começam na próxima semana e nós decidimos que é melhor que não tenha um parceiro de quarto. — outra vez senti vontade de rir... "Isso já era óbvio, sendo que eu posso, muito bem, esfaqueá-lo enquanto dorme". Pensei ironicamente. As pessoas realmente sentem medo de mim... 
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 Chegando em casa, me preparo para ir me trancar no quarto novamente, porém Esther me persuadiu.

— Nananinanão! O senhor vai ficar sentado no sofá e eu vou fazer um curativo nessa sua mão! — ela puxa meu braço e praticamente me 'joga' no sofá. Fico alguns minutos sentado e ela chega com uma caixa de curativos na mão.

— Eu não preciso disso.

— Precisa sim! A não ser que queira perder os dedos... — olhei para ela assustado. 

— São só uns cortes de nada! Não exagere. — ela desenrola o pedaço de pano sujo de sangue na minha mão e eu solto um gemido baixo. Apesar de serem pequenos cortes, estavam doendo.

— Isso pode infeccionar... Você deveria ter lavado e esterilizado para depois colocar uma gaze. Reze para que não tenha pegado uma bactéria com esse pano sujo. — ela passa um algodão molhando com alguma coisa em cima das feridas e logo em seguida começa a arder. Depois de limpar o sangue e esterilizar as feridas, ela enrola uma gaze e termina o curativo.

— Obrigado... — digo baixinho.

— Oi? Falou alguma coisa? — ela perguntou com um sorriso irônico no rosto.

— Eu disse obrigado! — falei irritado mas ela riu. 

— Isso foi fofo. — senti meu rosto esquentar. "Fofo? Eu não sou fofo!"

— É estranho... Ninguém cuida de mim assim desde a morte de meus avós...
 
— As vezes as pessoas só precisam de alguém que as dê carinho. Como eu disse, no fundo você é uma pessoa doce. Vejo isso em você. — e pela primeira vez em muito tempo, eu tenho a sensação de paz. Depois de algum tempo eu decido ir para meu quarto e deixo Esther sozinha na sala. Eu subo normalmente as escadas e vou até o final do corredor. Antes de abrir a porta solto um suspiro pesado...

— Esses dias na escola vão ser um verdadeiro inferno... — sussurro e giro a maçaneta. Senti meu coração acelerar e entrei em estado de choque. Todos os móveis estavam revirados, as paredes manchadas de sangue e no chão do meu quarto havia um rastro de sangue que ia até a porta do banheiro. Em passos lentos e ainda em pânico, caminhei até a porta e a empurrei abrindo uma pequena passagem. Passei por ela e me arrependi disso na hora que vi no chão do banheiro um corpo banhado em sangue. Eu estava em choque e não conseguia sequer gritar. Minha única reação foi aproximar do corpo. Não reconhecia o rosto daquela pessoa mas era visível um corte profundo em sua garganta. Fiquei mais alguns segundo olhando aquela cena perturbadora sem esboçar nenhuma reação, mas isso não durou por muito tempo. O cadáver se mexeu e com uma mão segurou meu tornozelo apertando-o com força.

— Veja o que você fez... — o homem falava com dificuldade. — Veja o que você fez Jeff! — olhei para minhas mãos que se encontravam banhadas em sangue. — Você é um monstro! — comecei a recuar mas acabei tropeçando em algo e caí batendo a cabeça em alguma quina. Tudo ficou escuro...
...
  
 Acordei com uma enorme dor de cabeça e um pouco tonto. Estava em uma cama de hospital. Toquei minha cabeça e senti que estava enfaixada. Fiquei alguns segundos olhando para o nada tentando me lembrar do que havia acontecido quando a porta do quarto se abre. Era Esther seguida por um médico.

— Graças a Deus! Você está bem? — ela se aproxima da minha cama e me abraça. Nada parecia fazer sentido.

— O que aconteceu?... — pergunto com uma mão na cabeça e apertando os olhos por causa da dor.

— Você caiu e bateu a cabeça. Bati na porta do seu quarto várias vezes mas ninguém atendia. Tive que entrar mas você não estava lá. Vi que havia uma porta entreaberta ao lado do seu guarda-roupa e entrei. Encontrei você desacordado no chão com um pouco de sangue ao lado da cabeça. — Esther falou e na hora me lembrei de tudo o que ocorreu.

— O jovem teve sorte por não ter sido tão grave. Normalmente quando alguém bate a cabeça assim, acaba com sequelas ou até mesmo corre risco de morte. No seu caso, tivemos apenas que dar alguns pontos.

— Mas... E aquele corpo?

— Corpo?... Que corpo? — Esther parecia confusa.

— O corpo no banheiro! — já estava me exaltando. — Tinha uma pessoa degolada no banheiro!

— Senhor Walker, não tinha nada lá. Encontrei somente o senhor desacordado no chão.

— Como assim só eu, droga?!

— Tenha calma rapaz. É normal que depois de uma pancada na cabeça, fique confuso ou tenha algum tipo de alucinação, mas com repouso você se recuperará. — o médico disse com aquele tom de voz irritante.

— Aquilo não era uma alucinação seu velho caquético! — Esther me olhou assustada. — Não pode ser... — fechei os olhos com força e apertei minha cabeça. — É real... Tudo isso é real... Eu não estou louco! — Esther tentava me acalmar mas não adiantava. 
   Eu estava assustado. Todas as minhas alucinações aconteciam quando eu estava desacordado, mas aquela... Foi diferente. Eu tinha certeza de que estava acordado e está piorando a cada vez que acontece.
"Droga! O que está acontecendo comigo?..."


Notas Finais


O que acharam?
Não se esqueçam de comentar! Além de me incentivar a continuar eu poderei ficar atenta a opinião de vocês...
Obrigada a todos que estão acompanhando <3


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