História Querido Diario - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 19
Palavras 2.392
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - If that isn't love


Fanfic / Fanfiction Querido Diario - Capítulo 1 - If that isn't love


“Mharessa...” eu sacudia minha amiga. “Mharessa, acorda! ” Cochichei desesperada e a empurrava.
“Ah Larissa, o que foi?” Ela resmungou, colocando o travesseiro sobre seu rosto. Lancei um olhar impaciente a Maísa, que estava roendo as unhas de nervosismo ao meu lado.

Estávamos na casa de minha avó, e não eram menos do que uma e meia da manhã. Eu e Maísa estávamos nadando e reclamando da preguiça de Mharessa, quando escutamos uma buzina vinda do lado de fora dos muros da casa.
Eu e Maísa nos entreolhamos assustadas, sabíamos quem era. Eles haviam nos ligado há umas duas horas atrás.

“Os meninos estão lá fora, Mharessa!” Falei impaciente e a vi levantar imediatamente da cama, toda descabelada. Previsível.
“O que?? Eles estão lá fora??” Mha dizia afobada, enquanto andava de um lado para o outro naquele quarto de paredes amarelas.
“Sim Mharessa, e se você falar mais alto, minha avó irá acordar e nós não iremos sair!” Falei entre dentes, e minha amiga começou a trocar seu pijama pela roupa que usava antes de dormir. “Vamos...” cochichei e peguei a mão de Maísa, que enroscou seu braço no de Mha.
Havia uma gigante janela no quarto, era mais uma porta de vido, que dava para uma sacada de pedra. Lá de cima era possível ver o Pontiac do Silva, e quatro garotos ao seu redor. É claro que meus olhos se prenderam em cima de apenas um. O sorriso brotou imediatamente em meu rosto.
“Hey garotas, desçam!” Le, escandaloso como sempre, gritou, me fazendo fechar a janela atrás de nós imediatamente.
“Cala essa boca, Silva! Quantas vezes eu tenho que dizer para não gritar quando vir aqui? ” Eu estava cansada de avisá-lo, mas acho que ele estava bêbado demais para lembrar. Os outros garotos pararam de fazer barulho imediatamente.
“Vamos logo!” Mha disse impacientemente feliz, e passou para o outro lado da grade da sacada.
Logo ao lado haviam outras grades com trepadeiras que enfeitavam a casa da minha avó. Mha já descia por elas, e Gui já estava a ajudando logo embaixo.
Depois foi a vez de Maísa, e era óbvio que Seta estava animadinho para ajudá-la. Assim que ela chegou ao chão, os dois foram em direção ao carro juntos.
“Hey amigos, obrigada por quererem me ajudar!” Protestei a quantidade de pessoas que me ajudariam a descer as trepadeiras. Le estava ocupado demais cochichando algo para Mharessa, e Gui e Maísa estavam fora do meu campo de visão.
Pude escutar a risada de alguém conhecido, e vi os cabelos Ruivos de Di virem em minha direção.
“Venha, gordinha mimada...” ele fez uma careta e eu soltei uma risada cínica. Pulei a grade da sacada em direção às trepadeiras e as desci, com muita fobia, já que além de alergia por aquelas plantas horríveis (na minha opinião elas deixavam a casa dez vezes mais rústica, mas vovó insistia que aquilo será a nova tendência), eu tinha um incrível medo de altura. O fato de que aquilo tinha apenas dois metros de altura não fazia diferença. Podia ser um degrau com 1 metro que ainda sim eu teria medo.
Quando eu estava a alguns palmos do chão, Di colocou as mãos na minha cintura e me ajudou a pular.

“Fique sabendo que eu ficarei dois dias sem comer por sua causa, Oliveira...” dei um tapa em suas costas enquanto íamos em direção aos outros, que conversavam escandalosamente. Não sei qual a parte do ‘não façam escândalos’ ou ‘calem a boca’ eles não entenderam. Meus amigos sofrem de algum grave problema mental, isso é obvio.
“Você sabe que suas gorduras são seu charme, Lari...” ele já disse encolhido, sabia que vinha mais tapas.
“Por isso você não namora ninguém, Oliveira, você é um grosso!” Dei um murro em seu braço. Os garotos começaram a rir e zoar o idiota, que me lançou um olhar totalmente assassino. “Um a um, Di. Estamos empatados...” falei rindo, dando um abraço em meu amigo.
“Deixa você comigo, Elias...” ele fez uma cara má e me soltou.

“Vamos logo, Tho está nos esperando...” aquela voz me fez arrepiar.
Literalmente. Olhei para trás, e só aí vi que ele estava sentado no capo do Pontiac, com os braços cruzados e aquele olhar inexplicável, que só ELE tinha.
Lu me encarava na mesma intensidade, e o mundo sumiu a minha volta. Aquele par de olhos verdes e aquelas sardas quase invisíveis eram a combinação perfeita. Seu cabelo raspado na máquina 2 tinha um tom loiro escuro e um pequeno topete aumentava o charme. Ele usava uma jaqueta de couro preta por cima de uma regata branca, sempre soube muito bem como escolher as roupas que o deixam perfeito.
O irmão de Silva normalmente era nosso motorista, mas agora ele definitivamente era mais do que isso. Meu coração sempre esquecia de bater toda vez que ele chegava perto de mim, quando eu digo sempre, significa desde quando eu brincava de bonecas com Maísa (prima dos Silva) em seu quintal. E toda aquela história de eu ser apenas a amiguinha de seus irmãos mais novos. Mas de uns tempos para cá, vejo que seu pensamento sobre isso vem mudando.
“Vamos entrando no carro, porque definitivamente o clima pesou aqui...” escutei vagamente a voz de Oliveira de fundo dos meus pensamentos, seguido por ecos que eu adivinhei como sendo risadas. Vi vultos passarem por mim, eram apenas borrões, já que a única imagem concreta era a de Ben a minha frente.
“Oi Lari...” sua voz, grave e grossa, soou como poesia. Eu provavelmente estava patética. Não, eu absolutamente estava patética.
“O-oi Lu...” para completar a situação, eu gaguejei.
Não suportava mais olhá-lo, pois já estava tonta. Encarei minhas unhas com esmalte descascado, e o vi se aproximar. Claro que não ousei mudar a direção de meus olhos. Suas mãos tocaram meus cabelos, colocando minha franja atrás da orelha, e logo em seguida senti seus lábios quentes tocarem minha testa. Minhas pernas bobearam, e não sei aonde arranjei forças para continuar de pé.
“Vamos antes que esses animais destruam meu carro...” ele disse divertido. Sorri e o vi abrir a porta do carona para mim. “Saia daí Di, esse é o lugar da Lari”. Lu deu um tapa na cabeça do garoto (o que fez seu boné amarelo voar longe) e Oliveira passou por entre os bancos da frente em direção à parte de trás do carro.
Maísa estava no colo de Gui (os dois sempre foram os mais avançados nesse sentido), Mha fazia um escândalo dizendo que não iria no colo de Le, obrigando Di a sentar em seu colo.
“Lari, eu não namoro ninguém porque provavelmente as garotas pensam que eu sou gay” Di disse entre dentes, totalmente desconfortável no colo do Silva. Gargalhei.
“Eu acho que vocês são um casal magnífico!” Falei divertida, escutando a risada escandalosa de todos a fundo. Lu ligou o carro e engatamos em direção à casa de Tho.
Normalmente nossos finais de semana eram assim. Eu, Mha e Maísa dormíamos na minha avó (já que ela era, com todo o respeito, mais lerda que meu meus pais, pois nunca percebia nossa ausência nas madrugadas), enquanto esperávamos os pais do Costa saírem para algum baile, ou viajarem para Londres e deixarem a casa às traças. Em dias de sábado era inevitável sua virar o point da cidade, já que Tho espalhava propositalmente o local da festa. Lá virava um verdadeiro palco para bailes.

De madrugada, os garotos pediam a Lu pelo carro, consequentemente ele ia junto, já que o Pontiac era sua namorada. Oliveira sempre ficava no carona e eu ficava de vela no banco de trás.
Mas de uns tempos para cá, Lu vinha exigindo minha presença ao seu lado. Me sinto ilustre, obviamente. Isso soa clichê, mas Lucas Silva não era um garoto qualquer. Além dos seus vinte e três anos (enquanto eu e os outros tínhamos dezessete), um carro e um rosto indefectível, todas as garotas de Bolton sonhavam em um dia entrar naquele carro. Afinal, tudo o que elas queriam eram ser vistas com alguém de reputação tão impecável.
Eu me sentia incomodada com esse fato, já que isso geraria uma inveja sem tamanho para cima de mim, e eu não gosto nem de ser notada pelas crianças em festas de aniversário, imagina por um bando de promiscuas enraivecidas.
Despertei-me de meus pensamentos quando os Beatles invadiram o carro com Can’t Buy Me Love.
“I DON’T CARE TOO MUCH FOR MONEEEEEY, MONEY CAN’T BUY ME LOOOVE” Gui e Lu se juntaram à cantoria e em mais a voz de nenhum dos Beatles era ouvida.
Depois de quatro músicas, muita gritara e tapas, chegamos na casa do Tho.

Ele morava em um dos condomínios mais nobres da cidade, e por coincidência era meu vizinho.
A música estava altíssima, os vizinhos o odiavam por isso. Os Costas sabiam das festas que acabavam com sua casa, mas como Tho tem um incrível poder persuasivo, sempre se dava bem.
Todos nós saímos do carro preto reluzente em um pulo, e eu particularmente fui saltitante em direção àquele amontoado de pessoas. Mha e Le apareceram do meu lado, e nós três fomos em direção à cozinha.
Jailhouse Rock explodia nas caixas de som espalhadas pela casa, e as garotas todas balançavam suas enormes saias coloridas, com os garotos as observando de longe.
Le pegou a garrafa de Martini Rose que Tho havia escondido para nós no faqueiro, enquanto eu pegava os copos.
“Acharam o Martini?” Tho entrou gritando na cozinha.
“Sim senhor, chame os outros e peça a Lu para trazer a tequila...” Le disse empurrando Tho porta afora. Ele a fechou logo após, para evitar que estranhos entrassem ali. Sim, éramos um grupo de pessoas autista e supostamente drogadas, de acordo com os desocupados de Bolton.
Lu adentrou a cozinha com uma garrafa de tequila na mão, sendo seguido por Maísa, Gui, Di, Tho e uma desconhecida.
Provavelmente alguma garota que Oliveira achou pelo caminho para passar a noite.
“Vamos logo!” Falei impaciente, me levantei e abri a porta dos fundos da cozinha, que dava para a área de lazer.
Além de uma festa geral para ganhar dinheiro extra para nossas bebidas (sim, Tho cobrava umas cinco libras de cada pessoa que entrava em sua casa), gostávamos da nossa festa particular.
A área era gigantesca. Um gramado gigante onde o senhor Costa chamava os amigos para uma partida de futebol, uma churrasqueira com um imenso balcão em um quiosque, e a piscina imensa.
Me sentei em uma espreguiçadeira com Mha, Le, Tho sentou-se no chão com Lu, e Gui se isolou na beirada da piscina com Maísa.
Oliveira estava em outra espreguiçadeira com a desconhecida em seu colo. Devo frisar que ela era muito bonita. Usava uma saia rodada preta com bolinhas brancas até a canela, uma blusa branca colada em seu corpo seguida por uma faixa preta na cintura. Seus cabelos pretos estavam presos por uma fita de cetim, e sua maquiagem era de se invejar.
Parei de reparar na garota quando Gui pediu por copos, fui entregar a cada um, e depois decidimos tomar a tequila primeiro.
Peguei um limão e um pouco de sal, coloquei uma dose, enquanto esperava os outros se servirem. O primeiro brinde era rotineiro e indispensável para nós.

“Que seja eterno enquanto dure!” Falamos em coro antes de cada um morder o limão e jogar a tequila para dentro. Uma careta involuntária apareceu em meu rosto assim que senti minha garganta queimar. Era esse o nosso lema. Não acreditávamos em no para sempre mas acreditávamos que cada momento que vivíamos era eterno. E vivíamos cada segundo de nossas vidas intensamente. E sempre juntos.
A música de dentro da casa era escutada também por nós, e depois da quinta dose de tequila, Mha e eu dançávamos My Generation em cima das cadeiras.
Levantei a barra da minha longa saia amarela com as mãos e a balançava de acordo com o ritmo da música. Mha fazia gestos engraçados enquanto dançava, arrancando risadas de todos ali.
“PEOPLE TRY TO PUT US DOWN, JUST BECAUSE WE GET AROUND, THINGS THEY DO LOOK AWFUL C C COLD, HOPE I DIE BEFORE I GET OOOOLD” Roger Daltrey encarnou literalmente em nossos corpos.
Pude perceber o olhar de Lu sobre mim, hipnotizado. Até Oliveira pareceu parar de alisar sua garota.
Continuei dançando e inventando passos para a música, sem me importar com os olhares, afinal o álcool me deixava desinibida.
“Lari, desde quando você tem bunda?” Escutei Di gritar e eu apenas lancei-o um olhar mortal.
Quando a música acabou, não animei a dançar Can’t Explain com Mharessa.
Deixei minha amiga dançando sozinha com uma colher como microfone, e fui até o balcão do quiosque pegar um copo d’água.

“Não sei como você até hoje não se inscreveu para nenhum dos Dancing Days da cidade...” aquela voz me fez arrepiar, e só por esse fato, sabia que era Lucas, afinal, que outro garoto tinha esse poder controlador apenas com a voz? Explicando, Dancing Days eram os bailes dançantes anuais e um dos mais tradicionais da cidade, onde haviam várias modalidades de danças, tango, blues, salsa, bolero, rock.
Gargalhei e me virei de frente para o garoto.
“Tenho certeza que você ganharia de todas essas garotas aqui...” ele continuou.
“Bondade sua, Silva...” mesmo com álcool em excesso no meu cérebro, esse garoto ainda conseguia fazer minhas bochechas corarem. Ele havia tirado sua jaqueta, e agora a regata branca marcava perfeitamente seus músculos.
Vi seus braços fortes envolverem minha cintura, e meu coração palpitou fortemente contra meu peito.
Lu afundou seu rosto em meu pescoço, e tive a impressão de que ele aspirava meu perfume.
“Seu cheiro é bom...” ele disse delicadamente enquanto voltava a me encarar. Sorri tímida e vi sua mão sair da minha cintura em direção ao meu rosto. Ele acariciou minha bochecha carinhosamente com o polegar, me fazendo fechar os olhos automaticamente.
O senti aproximar do meu rosto, e tempo depois sua respiração bateu em minha boca.
“Se importa?” Lu perguntou fracamente, e eu ainda com os olhos fechados, neguei com a cabeça. Foi aí que senti seus lábios quentes e macios tocarem os meus, e esqueci o que era respirar. O cheiro dele me intoxicou, e eu precisei me apoiar em seus ombros para não cair.
Me senti desnorteada, tonta e... apaixonada.



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