História Querido Diario - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 4.533
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Take me to your heart




Acordei confusa e, por alguns segundos, estranhei o lugar em que me encontrava. Mas nos outros instantes, todos os acontecimentos do dia anterior passaram pela minha cabeça rapidamente, e então suspirei. 
Levantei-me lentamente e espreguicei. Arrumei a cama e em seguida fui em direção ao banheiro que Di havia me apresentado, o qual era em frente ao meu quarto. 
Quando cheguei no batente da porta, percebi que o garoto estava lá dentro apenas com uma toalha amarrada em sua cintura e arrumava o cabelo se é que passar a mão insistentemente por ele para deixá-lo bagunçado se chamava arrumação. Fiquei estática. 
Eu já vira o tórax de Di descoberto milhares de vezes, mas nenhuma delas me atraiu tanto quanto aquela. Eu obviamente estava o vendo com olhos diferentes. Eu não negaria isso a mim. 
Seu corpo era incrível. Indefectível é a palavra certa. Assim como o todo que consistia em aquele garoto. Seu abdome era perfeitamente moldado pelos tantos esportes que praticava, seus braços eram relativamente fortes e se contraiam à medida que ele os dobrava para levar até a cabeça. 
Enfim, eu estava babando. Literalmente babando. Minha boca entreaberta mostrava minha fascinação e eu me peguei pensando se todos os dias eu acordaria com aquela visão. Eu seria feliz para o resto da vida... 
Como se percebesse que alguém o observava, Di olhou em minha direção naturalmente, fazendo-me assustar e em um ato infantil corri para dentro do quarto. Como eu era patética, não me canso de repetir. Ao invés de disfarçar e fingir que não havia percebido sua presença ali, fui criança a ponto de me esconder. 
Comecei a mexer em minha mochila, procurando algo que eu nem ao menos sabia o que era, apenas para simular um falso autocontrole. 
Senti que ele havia entrado no quarto, mas obviamente não ousei olhá-lo. Minha vergonha era maior do que à vontade de observar aquele corpo perfeito novamente. 
“Bom dia Lari” disse o garoto com um senso de humor incrível, e eu sabia que ele estava se segurando para não rir da minha situação ridícula. 
“Bo-bom dia...” Cocei minha nunca e continuei a (fingir) procurar qualquer coisa na mochila. “O que está procurando? ” Indagou ele, ainda com aquele sorriso na voz. 
“Er... Minha escova de.. De dentes...” falei a primeira coisa que me veio à cabeça e dessa vez o escutei dando um risinho. 
“Não seria essa que está no bolso da sua bermuda?” Di apontou para a peça de roupa no meu corpo, a qual realmente continha minha escova. Eu simplesmente devia aprender a mentir melhor. Então meu estômago se afogou em minha mácula. 
“Oh! Achei! ” Ri nervosa, pegando a escova do bolso da minha bermuda e balançando-a no ar. “Obrigada Di...” falei rapidamente e passei pelo garoto numa velocidade incrível até chegar ao lavabo. 
Tratei de colocar a pasta dental na escova e a enfiei na boca para que eu não soltasse nenhuma outra baboseira que pudesse me deixar ainda mais envergonhada. 
“Venha tomar café depois que terminar ai, okay?” O escutei falar vagamente, já que fiquei encarando a privada ali perto. Apenas chacoalhei minha cabeça e o garoto me deixou a sós com a minha ignomínia. 


Quando eu finalmente cheguei na cozinha, levei um novo susto ao ver Gilberto sim, meu pai sentado no sofá da saleta dos Oliveira. 
“Pai?” Eu demonstrei surpresa, mas na verdade eu estava incrivelmente feliz por vê-lo. Eu havia saído de casa tão impulsivamente que nem ao menos tive tempo de me despedir ou dar uma explicação. 
“Oh, minha pequena” o homem se levantou ligeiramente do sofá e veio em minha direção, abraçando-me fortemente em seguida. Retribui com toda a força que eu tinha e senti que a qualquer momento eu poderia desabar em choro ali mesmo. “Você quase me matou do coração, querida” Gilberto continuou colocando minha face entre suas duas enormes mãos e me analisou, como se procurasse alguma coisa errada. 
“Me desculpe, papai. Eu simplesmente perdi a cabeça e ainda não tive tempo de pensar em tudo que aconteceu...” falei sincera, deixando uma lagrima indesejada rolar pela minha maçã do rosto. Gilberto novamente me envolveu com seus braços e uma vontade gritante de voltar para casa com ele me abateu. Não que eu fosse uma ingrata ou que quisesse voltar a morar no mesmo teto que Silvana, mas aquele homem na minha frente era tudo de mais importante que eu tinha na vida, e agora que repensei em tudo que eu havia feito, deixá-lo sem nenhuma explicação me pareceu um ato imperdoável. 
“Marina me contou tudo o que aconteceu. Eu mesmo estou pasmo com sua mãe, ela está totalmente pirada! A mulher surtou de vez! ” Meu pai fazia tudo aquilo parecer uma grande piada com aquele tom de voz despreocupado e eu não pude conter um riso debochado. “Discutimos muito no dia. O que ela fez simplesmente passou dos limites! Já falei com meu advogado, ele está preparando os papéis do divórcio agora mesmo...” ele continuou, mas meu coração apertou naquele instante. Eu havia escutado direito? Escutei mesmo a palavra divórcio? 
“O-o que?” Meus olhos arregalaram e senti uma falta de ar repentina. Certo, eu não suportava Silvana em alguns aspectos, mas aquela mulher não deixava de ser minha mãe! E eu não queria ver minha mãe e meu pai separados! E por minha culpa! “O senhor não pode fazer isso por minha causa, pai! ” Alterei minha voz sem ao menos perceber, e em instantes, já estava andando de um lado para o outro totalmente descontrolada. 
“Filha, isso não é por sua causa! Quero dizer, em parte é, mas eu já venho pensando nisso há muito tempo! Isso só foi mais um motivo para eu ter certeza de que não aguento mais as loucuras de Silvana! ” Ele colocou as mãos sobre meus ombros, me fazendo parar e olhá-lo nos olhos. “Isso é uma coisa natural filha... E além do mais, divórcios estão na moda...” o homem deu de ombros fazendo-me questionar sua sanidade mentalmente. Após alguns segundos refletindo, simplesmente ri e cheguei à conclusão de que toda a família Elias era louca. Cada louco com sua mania. Ou moda. 

Tio José nos chamou para tomar um cafezinho e comer cookies, então meu pai e eu nos direcionamos a mesa no centro da sala. Tomamos café tranquilamente, eu ria sem parar das piadas sem graça de Gilberto e José, cada uma era pior que a outra. Meu pai me pediu para voltar para casa, mas eu o convenci que não voltaria mais, que eu finalmente havia encontrado um rumo e uma nova motivação para minha vida: ser independente. Apesar dos meus dezessete anos, me achava responsável o suficiente para viver a minha própria vida. Ele concordou comigo e se ofereceu para me ajudar a achar um apartamento o quanto antes, apesar da insistência do senhor Oliveira para que não tivéssemos pressa, que eu poderia ficar ali o quanto eu quisesse. Mas eu simplesmente não queria colocar o fardo das minhas ações inconsequentes nos ombros de mais ninguém. 
No meio da conversa, Di comentou sobre um churrasco que aconteceria ali no sitio naquele mesmo dia, então meu pai ofereceu carona até a cidade para que pudéssemos comprar os suprimentos necessários e pegaria cada um dos nossos amigos em suas respectivas casas, já que Gilberto estava de caminhonete. 
Então após estarmos bem servidos, Di ligou para Gui, Le, Tho e Mharessa para que se preparassem para buscarmo-los. Os demais convidados viriam depois das duas da tarde. 
Partimos na caminhonete vermelha de Gilberto até Bolton escutando Jerry Lee Lewis em um volume estrondoso, seguido da voz de meu pai em cada música. 


“Certo, então vamos” Di colocou a última caixa de cervejas na carroceria da e todos os seis pularam na mesma. 
“Todos prontos?” Gilberto perguntou com a cabeça para fora da janela e todos nós concordamos. 
Estávamos em frente ao mercado principal da cidade, e havíamos comprado dez caixas de cerveja e alguns petiscos. Um boi já havia sido preparado no sítio e a função de assá-lo ficaria para o senhor Oliveira. 
“Prontos!” Le gritou e bateu no capo de latão. Meu pai então engatou a caminhonete e no outro segundo já estávamos em movimento. 
Nós seis, Gui, Di, Tho, Le, Mharessa e eu respectivamente, estávamos sentados na beirada da carroceria e sentíamos o vento cortante passar pelas nossas faces enquanto bagunçava bruscamente nossos cabelos. 
“Aumenta o som aí, tio Elias!” Tho gritou e meu pai imediatamente aumentou o volume, e reconheci Shake, Rattle and Roll imediatamente. Todos nós gritamos no exato momento e não tardamos a cantar, juntamente com nosso rei e com toda voracidade de nossa alma. 
Não há como explicar toda aquela áurea boa que nos rondava, especialmente quando estávamos juntos. Separados, sempre tínhamos a sensação de que algo faltava, alguma parte de nós estava incompleta. 
E quando nos encontrávamos, podia ser cinco minutos ou cinco anos, que nada entre nós mudava. Era sempre aquela mesma alegria, a mesma gritaria, a animação, os assuntos totalmente desconcertados e sem sentido algum, ou quando resolvíamos levar algo a sério, falávamos desde política a estudos. 
I SAID SHAKE, RATTLE AND ROLL! SHAKE RATTLE AND ROLL! ” Gritávamos com toda a avidez que conseguíamos, fazendo até John entrar em nosso clima e cantar junto. 

Uma observação que devo fazer, é sobre as trocas de olhares constantes entre Di e eu. Eu já não conseguia evitar ou me controlar. Eu havia me tornado descarada mesmo. Não tinha culpa-se somente agora eu havia reparado no quão fascinante aquele garoto era. Eu me surpreendia mais e mais a cada minuto que passava, cada palavra sua dita era um mistério a ser desvendado, cada olhar me causava uma sensação diferente, cada sorriso me fazia delirar... principalmente aquele sorriso que dançava apenas no canto de seus lábios, fazendo com que apenas pequenas partes de seus dentes aparecessem. Apesar daquele onde todos eles apareciam em uma gargalhada estrondosa era realmente encantador... 

“TIO GILBERTO, PARE A CAMINHONETE! ” Um grito de Mharessa nos fez parar de cantar no mesmo momento e todos olharam-na assustados. Meu pai obviamente freou o veículo bruscamente, e saiu rapidamente do mesmo. 
“O que foi, meu amor?” Le segurou a garota pelos ombros, totalmente desorientado pelo grito que sua namorada havia dado. 
“Olhe só aquele bezerro!” Mha apontou para um animal deitado na beira do acostamento do asfalto. Todos nós olhamos na direção em que ela apontara. “Mharessa, não acredito que você nos deu esse susto para mostrar um bezerro! ” Tho disse furioso, com o tom de voz totalmente alterado. 
“Olhe só a cara dele! Olhe como ele está abatido... E sozinho! ” Ela fez uma cara de total pobre-coitada, fazendo-nos todos quase perder o controle com a garota. Mharessa tinha essa incrível mania ambientalista de sentir extrema pena de animais isolados, maltratados e afins. Mas nos assustar daquela forma fora realmente loucura. 
“E daí? É a lei natural da vida! Alguns animais nasceram para viver sozinhos! ” Tho rebateu, fazendo gestos bruscos com a mão. 
“Não seja tolo, Tho! Bois e vacas não nasceram para viverem sozinhos! E este pobre bezerro está sem sua mãe e seus amigos! Olhe como está desnutrido! ” Mha ficou de pé e agora os dois engataram uma discussão totalmente sem nexo e Di, Le, Gui, Gilberto e eu ficamos apenas assistindo àquela cena absorta. Aqueles dois eram realmente loucos. 
“Como você sabe? É capaz de ler mentes de bezerros? Espero que não possa ler a minha, porque estou xingando você de todos os nomes possíveis nesse momento! ” Tho continuava com seus gestos expressivos e estava ficando vermelho de tanto falar. 
“Respira, Tho” Gui disse alheio, achando total graça daquela cena. Tho e Mharessa estavam discutindo sobre um bezerro. E nós parados no meio de uma rodovia. Morreríamos e o bezerro continuaria ali desnutrido e sozinho. 
“Vamos logo levar a droga do bezerro com a gente” Le cochichou aos que não estavam discutindo e então nós pulamos da carroceria sem que ao menos os dois inúteis notarem nossa ausência. Gilberto veio atrás totalmente empolgado com nossa ideia benfeitora. 
Assim que chegamos perto do bezerro branco cheio de manchas pretas, o mesmo se assustou mas não teve forças para se levantar e fugir. Sorte a dele é que queríamos ajudá-lo. 
Gilberto se abaixou junto com os outros três garotos e todos fizeram um esforço para levantar o animal e colocá-lo na carroceria. 
Meu pai até voltou a dirigir e os benditos, Mharessa e Tho, continuavam a discutir, mas agora sobre vegetarianismo. 
“CÉUS, O QUE ESSE BICHO ESTÁ FAZENDO AQUI?” Tho berrou após olhar o animal desnutrido deitado ali no meio. 
“Estamos salvando essa pobre alma” Di disse com uma feição imaculada. Tho se encolheu no canto, com medo de que o pobre bezerro pudesse atacá-lo. Mas a situação do bichinho era realmente de dar dó. 
“Oun, pobre bezerrinho” Mha se agachou e acariciou a cabeça do animal, que estava estatelado e parecia mal conseguir abrir os olhos. 
“A partir de hoje ele é o nosso mascote” Gui disse animado, olhando de um e um para analisar nossas feições. 
“Acho uma ótima ideia” eu opinei, totalmente alegre com o fato de termos um mascote. Era uma ideia bastante original. E o animal no final das contas precisava de ajuda mesmo... 
“Temos que arranjar um nome para ele...” Le fez uma cara de pensativo, como se procurasse no fundo de sua mente um nome provavelmente sem nexo ao bezerro. “Que tal Churrasquinho? ” Ele arregalou os olhos feliz, totalmente cheio de si pelo super. Nome. Que na verdade era totalmente maldoso. 
“ESTÁ LOUCO? QUER COLOCAR O NOME DO BEZERRO DE CHURRASQUINHO? ” Mharessa resmungou como previsto, dando um tapa estralado nas costas de do namorado. 
“Voto pelo Churrasquinho” Tho levantou a mão, recebendo um olhar furioso de Mha. Deu de ombros. 
“Dois votos pro Churrasquinho” foi a vez de Di desaforar nossa amiga, deixando-a cada vez mais vermelha de raiva. 
“Agora são três” Gui disse alheio, sem ao menos encarar Mharessa. Todos olharam para mim ansiosos. 
“Larissa?” Mha me pressionou e o olhar assassino dela me deu medo. Se eu votasse pelo Churrasquinho que era realmente engraçado Mharessa me mutilaria. Se eu não votasse, os meninos me mutilariam. Eu seria esquartejada de qualquer maneira, então que se danasse. 
“Seja bem-vindo, Churrasquinho” sibilei olhando para o bezerro que agora tinha os olhos fechados, e tudo que escutei foram os gritos graves dos garotos em vitória, e percebi a cara de esterco que minha melhor amiga fez. 


O sítio já estava lotado. Havia pessoas em todos os lados, na beira do lago, em cima das porteiras, dentro do curral... 
Tio José e Gilberto se divertiam enquanto assavam uma carne de carneiro e bebiam, e meus amigos e eu estávamos sentados na grama jogando ‘Eu não bebo’ com tequila. O jogo era simples: cada um trocava de nome com outra pessoa, por exemplo, eu trocava de nome com o Tho, o Tho trocava de nome com o Le, o Le trocava de nome com o Di, o Di trocava de nome com a Mharessa, a Mharessa trocava de nome com o Gui, e o Gui trocava de nome comigo. 
“O Tho não bebe, quem bebe é o Gui” eu disse com um copo de tequila na mão. No caso, a Mharessa teria que responder, já que ela havia trocado de nome com o Gui. Se o menino respondesse, ele teria que beber a tequila. 
Obviamente eu estava perdendo. Antes de termos começado a brincadeira, já havia bebido quatro latinhas de cerveja com meu pai, então as coisas começavam a ficar confusas. Eu sempre respondia quando alguém dizia meu nome, ou esquecia de responder quando diziam o nome do Tho. Já havia perdido a conta de quantos copos eu já havia virado. 
“O Gui não bebe, quem bebe é a Larissa” Mharessa disse, e como meu cérebro já estava todo atrapalhado, fui incapaz de lembrar que agora eu era o Tho. 
“A LARISSA NÃO BEBE!” Gritei bem alto, levantando o copo para cima e deixando gotas de tequila caírem em Le e Gui que estavam do meu lado. 
“EU SOU A LARISSA!” Gui gritou me dando um empurrão e me fazendo cair no ombro de Le. Todos nós disparamos a rir e eu tampava meu rosto de vergonha pela minha ‘tontura’. 
“VIRA! VIRA! VIRA! VIRA! ” Todos começaram a gritar e eu mandava língua de volta. “Enche essa merda! ” Gritei e entreguei o copo a Di, que colocou tequila até o final do pequeno copo. Virei todo aquele liquido garganta abaixo, sentindo-o rasgá-la e queimar meu estômago no final. Não contive a careta após ingerir aquela bebida amarga. Estávamos bebendo-a pura, sem sal ou limão. 
“A Larissa não bebe, quem bebe é o Tho” Gui disse e eu deitei minha cabeça no ombro de Le. Fechei meus olhos e no momento seguinte desejei não o ter feito. Tudo girava na velocidade da luz e cheguei a sentir meus pés saírem do chão. 
“LARISSA!” Todos gritaram e eu abri meus olhos assustada, sentindo minha mente rodar ainda mais veloz. 
“MERDA!” Bufei após perceber que eu havia esquecido de responder. “Vocês estão fazendo de propósito” fiz uma cara bêbada emburrada enquanto Mharessa enchia meu copo rindo. 
“Você é quem está fazendo de propósito, alcoólatra” ela disse após terminar e me entregou a bebida novamente. Meu estômago embrulhou assim que senti o cheiro da tequila invadir minhas narinas e tive que prender minha respiração para ser capaz de jogar todo aquele álcool novamente para dentro de mim. 
“AAH!” Gritei enraivecida após o gosto amargo me invadir novamente, e fiz menção de levantar-me dali, caindo em cima de Gui na mesma hora. 
“Calma ai, Lari!” O garoto disse rindo enquanto eu envolvia seu pescoço com meus braços, totalmente fora de mim. 
Havia esquecido até do fato de que meu pai estava ali, mas ele provavelmente estava pouco importando já que estava no mesmo estado que eu. 
“Chega pra você, né?” Mharessa forjou uma cara de brava e eu simplesmente peguei a garrafa da bebida que estava no meio da roda, levantei rapidamente e saí correndo, escutando os risos misturados a gritos logo atrás de mim. 
“Volte aqui com essa garrafa, sua alcoólatra!” Le gritou, e percebi que agora todos corriam atrás de mim, enquanto eu não era capaz de parar de rir ou realizar como eu estava conseguido correr. 
Estávamos no meio do pasto verde, o céu extremamente azul acima de nós e eu nada via além de borrões na minha frente. 
“AAAAAAAAAAH” escutei um berro atrás de mim, e sem eu ao menos poder fugir, meu corpo estava no ombro de Di, o qual agora corria feito louco. 
Senti que eu poderia cair, voar, regurgitar, desmaiar, tudo ao mesmo tempo. O álcool que eu havia ingerido há minutos foi todo para minha cabeça e eu nunca me senti tão bêbada em toda a minha vida. Deixei a bebida cair na grama, e no mesmo instante Tho a pegou e começou a virar o liquido puro. 
Di ainda corria comigo em seu ombro, enquanto eu me debatia e implorava para que ele parasse, entretanto não conseguia parar de rir. 
O garoto foi diminuindo a velocidade e no momento seguinte me colocou deitada na grama, deitando-se ao meu lado de imediato. 
Eu mantinha meus olhos fechados, mas ainda ria sem motivo. Minha barriga já começava a doer. 
“Acho que nunca fiquei tão bêbada na minha vida...” falei com dificuldade e abri meus olhos lentamente, sentindo a luz do sol fazê-los doer. 
“Você já ficou sim. Mas é que sempre fica bêbada demais para perceber” o garoto disse alheio, também tropeçando nas palavras e rindo logo após de dizê-las. Era possível escutar meus amigos gritando a fundo. Virei um pouco minha cabeça para trás e pude vê-los correndo atrás de Tho a fim de pegar a garrafa de tequila da mão do garoto. 
Soltei uma risada e movi meu rosto na direção que o de Di se encontrava, pegando aqueles olhos intensos me encarando. Eu estava totalmente fora de mim, isso eu não podia negar. Ainda via tudo embaçado e desfocado, mas aqueles olhos continuavam a me dar medo e a perfurar toda minha alma. Eu tinha a certeza absoluta que Di podia ler minha mente tamanha era a força que seus olhares tinham sobre mim. Talvez ele também pudesse me controlar... 
“Você sabe o que eu estou pensando, não sabe? ” Perguntei, encarando-o profundamente e sentindo o álcool me confundir a cada segundo. 
“Bem que eu queria...” o garoto respondeu embaralhado, deitando-se de lado e apoiando sua cabeça em uma das mãos. “No que você está pensando? ” Ele perguntou baixinho, franzindo o cenho e esperando pela minha resposta. 
Eu, em sã consciência, ficaria calada, coraria e sairia correndo. Mas toda aquela cena estava muito engraçada a meu ver, e uma coragem ou tolice incrível me dominava. Eu poderia ficar eternamente alcoolizada. 
“Penso que você é lindo” falei sem pensar e sem me arrepender, observando cada traço do rosto de Di, analisando-o com uma audácia que nunca tive antes. Vi um sorriso singelo e quase imperceptível brotar no canto de seus lábios perfeitos e convidativos e não evitei falar mais. “Seu nariz é lindo” passei a ponta do meu dedo em toda extensão de seu nariz perfeitamente esculpido sob medida para ele. “Seus olhos são os mais lindos que eu já vi...” falei quase em um sussurro, subindo meu dedo sobre as pálpebras do garoto, o qual as fechou no exato momento, me deixando traçar o desenho de seus olhos. “Abra-os” sussurrei assim que terminei de examiná-los, e vi o garoto obedecer em seguida. Eram definitivamente os mais lindos que eu já vira em toda a minha vida. Eu cheguei à conclusão de que queria sempre aquele olhar sobre mim. Que não sentiria mais intimidada sobre eles, que iria devolver toda a intensidade depositada em mim. 
Naqueles olhos haviam coisas que eu não podia entender, segredos que eu desejava desvendar, desejos que eu queria realizar, pensamentos que eu queria escutar... Eles eram misteriosos, não me respondiam os milhares de questionamentos que pulsavam na minha mente. 
“No que você está pensando?” Foi minha vez de querer saber. Já que eu não podia lê-lo de maneira alguma, poderia ao menos escutar vindo dele mesmo. 
Vi Di fechar os olhos e suspirar profundamente. Ficou em silêncio por longos minutos e uma agonia persistia em me abater. 
“Nesse momento tudo está confuso...” ele disse tão baixinho que tive que me esforçar para ouvir. “Mas eu posso te afirmar uma coisa... Você é o pensamento constante da minha mente...” Di disse num sussurro e abriu os olhos lentamente. Não sei se era a bebida... não sei se eram aqueles olhos em cima de mim..., mas tudo desapareceu em um segundo. Minhas emoções estavam embaralhadas então não seria capaz de descrevê-las com a devida complexidade que elas mereciam. Engoli seco. 
“Di...” chamei-o com toda a força que meu ser permitia, e ainda me pareceu pouco. Meus olhos se fecharam sem minha permissão e minha respiração descompassada começava a me entorpecer. 
“Sim...” escutei o garoto responder no mesmo tom calmo e palpitante que eu. Senti minha respiração vacilar novamente e um gemido indesejado sair da minha garganta. 
“Você também anda sendo meu pensamento constante...” tirei aquele peso de cima de mim, que andava me torturando nos últimos tempos. Eu admiti naquele momento, não só para mim, mas como para o torturador. Não tinha mais como fugir daquilo que eu sentia mas negava sentir. Não tinha mais como ignorar o frio na barriga constante, as gotas de suor que caiam da minha mão ao escutar sua voz, do coração querendo partir as costelas... naquela hora, minha coragem havia se fugido para algum lugar longe, então não fui capaz de abrir meus olhos. Mas pude escutar o garoto soltar uma risada baixinha. 
Antes que eu pudesse protestar, ele disse: 
“Você não tem ideia do quão bom é escutar isso de você...” 
Eu apenas sorri, sem entender muito bem o que aquelas palavras significavam. Ainda de olhos fechados, senti a mão do garoto encostar-se à minha, e envolvê-las de tal maneira que pareciam peças encaixadas de um quebra-cabeça. 
No instante seguinte, senti seus lábios tocarem de leve a minha mão. Repetiu o movimento algumas vezes, dando vários beijos na mesma e me entorpecendo ainda mais. 
Aquele garoto estava fazendo minha razão se embaralhar de uma forma absurda, bagunçando meus sentidos e minhas emoções de uma forma já irreversível. Era tudo novo, confuso, abstrato, intenso... 
“O que você está fazendo comigo? ” Minha voz vacilou. Eu precisava daquela resposta. Eu precisava de ajuda. Ajuda para entender tudo que estava acontecendo. 
“O que você sempre fez comigo” o escutei responder. Sua voz estava perto, seu hálito de tequila misturado com menta batia no pé do meu ouvido. Nossas mãos entrelaçadas tocavam nossos troncos, mostrando o quão próximos estávamos. 
Senti seu nariz tocar o meu. Senti seus lábios roçarem os meus. Senti minha respiração embaralhar com a sua. Senti minha mão livre envolver seu rosto com firmeza. Senti meus olhos abrirem e encontrarem os seus a postos para me encarar com veemência. Deixei-o lê-los e perceber que eu esperava uma atitude sua, que eu queria senti-lo de uma maneira diferente. Sim, eu queria aquilo com todas as forças da minha alma. 
Nossas testas se encostaram. Vi seus olhos se fecharem e seus pulmões soltaram um suspiro agonizante. Com algum estimulo inexplicável, juntei nossos lábios de uma vez. Meus dedos entrelaçaram em seus cabelos e meu corpo foi empurrado contra o dele com força. 
Em meio de um suspiro, movimentei minha cabeça de modo que nossos lábios também se movimentassem. 
A língua do garoto invadiu minha boca, tocando a minha em seguida e fazendo o desejo borbulhar em meu sangue. 
Nada pensava naquele instante, queria apenas aproveitar aquele momento, sentir todas aquelas correntes elétricas faiscarem cada parte do meu corpo... 
Meu peso caiu sobre Di, fazendo-o deitar totalmente na grama, sem ao menos partirmos nossa boca. 
Eu estava inconsciente. Mergulhada em desejo e paixão. Fogos de artifício agitavam meu estômago. Minha boca parecia tão perfeitamente encaixada na do garoto que era difícil até lembrar de respirar. 
Minha mão grudada em sua face nos separou, e eu depositei um leve beijo naqueles lábios perfeitos e vermelhos. 
Palavras fugiam da minha mente na hora de tentar descrever aquele momento, meus sentimentos embaralhados eram incapazes de me fazer entender o que se passava dentro de mim, e meus olhos ficados nos de Di palpitavam por respostas. 
Selei nossos lábios mais uma vez. Suspirei, deixando extravasar a tensão do meu coração. 
Olhei para o garoto novamente e a surpresa saltava de suas órbitas. Podia sentir por cima dele seu peito movendo rapidamente para cima e para baixo, ofegante. Eu não sabia o que falar. O álcool havia me abandonado há muito tempo. Prevenindo-me de ter que dizer qualquer coisa, deitei-me novamente na grama ao seu lado, mais especificamente sobre seu tórax. Entrelacei nossas mãos novamente e escutei seu coração palpitar fortemente contra seu peito, fazendo um sorriso se abrir indecentemente em meus lábios. 
Era aquilo. Não precisávamos de palavras. Nossos atos falavam por si sós. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...