História Querido Diario - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 3.757
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - This time the girl is gonna stay for more than just a day




“Bom dia...” Eu disse ainda sonolenta assim que vi Di atrás do balcão com uma frigideira em mãos.
“Bom dia” ele respondeu todo sorridente. Não pude deixar de reparar em seu físico seminu, de boxers e sem camisa, com apenas um avental tampando seu tórax. Um barulho do lado de fora me despertou do transe, e pela porta aberta, vi o senhor Oliveira gritar e correr atrás de uma galinha. 
“Não se assuste. Ele está correndo atrás do nosso almoço” o garoto sussurrou perto de mim, e eu nem havia percebido sua proximidade. Beijou minha bochecha e fez aquele local formigar de uma maneira intensa. Assim como meu estomago e minhas mãos. 
“Dormiu bem? ” Me perguntou. Muito bem, na verdade, pensei.
“Aham” falei simplesmente. Ele não podia saber que eu demorei duas horas para conseguir dormir. Rolava e rolava na cama, pois não conseguia afastá-lo dos meus pensamentos e poder dormir em paz. E quando finalmente peguei no sono, foi ele quem me perseguiu em meus sonhos. Seria ridículo. Ele pensaria que eu era uma criança de dez anos. Ou menos. 
“Qual vai ser a programação de hoje? ” Me arrisquei a perguntar, seguindo-o até a cozinha e recostando meus ombros na bancada que separava este cômodo da sala.
“Os garotos estavam pensando em ir para Dover acampar...” Di disse, concentrado nos bacons que fritava. 
Fazia tempos que não acampávamos nas praias de Dover. Era quase que um ritual, ou uma parada obrigatória nem que fosse uma vez ao ano. 
Eu ia vez ou outra, quando conseguia convencer Silvana a me deixar dormir na casa de Mharessa. 

“Mas que galinha danada! ” Tio José entrou na sala, totalmente descabelado e com a ave se debatendo em suas mãos. 
Não contive minha gargalhada ao ver aquela cena. O pai de Di era a pessoa mais louca e divertida que eu já havia conhecido. 


“I’M A LITTLE SHOOK UP BUT I FEEL FINE” gritávamos dentro do fusca vermelho de Gui. Estávamos todos apertados, Di estava quase em meu colo. Mas tudo estava bem. Espaço nunca foi um problema para a gente, de qualquer maneira.
Gui batucava o volante do fusca de acordo com as batidas da música e Tho ora colocava a cabeça para fora do automóvel e cantava para o nada ora dava um trago em um baseado que estava passando de mãos em mãos. 
Estávamos em plena estrada, com nada exceto o asfalto à nossa frente. 
Nossas mochilas estavam amontoadas no porta-malas, entretanto não levávamos nada mais que o necessário. Duas barracas, lanternas, repelentes, blusas de frio e roupa de banho. Não precisávamos de nada mais que isso. 
Eu estava um pouco tonta, e tomei isso como desculpa para recostar minha cabeça no ombro de Di. Não havíamos, ainda, comentado sobre o dia anterior. Ou feito nada como no dia anterior. Mas aquele clima constrangedor não pairava sobre nós. Quando fosse a hora, tocaríamos no assunto, naquele instante simplesmente não víamos necessidade nisso. Parecia que um podia ler isso no outro. Eu não precisava perguntá-lo ou olhá-lo para saber que ele me entendia. E aquilo me assustava. 
Ele fazia um leve cafuné em meu ombro descoberto já que eu usava um tomara que caia florido e eu senti que poderia adormecer ali a qualquer instante. 
“Senti que seremos os candelabros dessa viagem, Gui” Tho disse fingindo disfarce, e nos olhando pelo canto do olho. Gui olhou para trás pelo retrovisor e gargalhou alto. 
“Quero ser a vela do Di e da Lari. Le e Mha são chatos demais, só beijam e não conversam. ODEIO CASAIS ASSIM” gritou bem alto, fazendo Le, que por acaso beijava Mharessa, mostrar o dedo do meio ao garoto. 
“Vamos deixar os dois excluídos e formar um verdadeiro lustre para Di e Lari” Tho disse finalmente, batendo na minha perna e me fazendo rir de leve devido a sonolência. 
Alguma música da radio tomou-lhes a atenção, mas naquela altura do campeonato, eu já não prestava atenção. Adormeci. 



Senti leves beijos tocarem minha testa e me perguntei se aquilo era um sonho. Como era bom sentir o toque dos lábios de Di sobre a minha pele. 
“Acorda, linda. Chegamos” o escutei sussurrar em meu ouvido, e só então percebi ser tudo realidade. Não reclamei, aquilo era ainda melhor que um sono. 
Sorri sutilmente e me levantei de seu ombro, me espreguiçando logo após. Gui e Tho já saiam do carro, assim como Le e Mharessa. Olhei pelo vidro e percebi que estávamos na praia, e eu a reconhecia completamente. O farol de Chadwick estava lá adiante como eu me lembrava, com aquelas largas listras vermelhas. 
Levantei o banco da frente e sai do veículo, sendo seguida por Di. Tínhamos que descer uma ladeira por entre as falésias da praia, até que chegássemos a uma escada e descêssemos. Era um caminho cansativo, mas que valia totalmente a pena. 
Os garotos já corriam feito loucos pelas pedras da praia quase deserta, tirando as camisas pelo caminho e jogando-as pelo ar. Ri da cena e involuntariamente comecei a correr, agarrando a mão de Di e arrastando-o comigo. Os garotos jogavam água em Mharessa, a qual chiava e ria ao mesmo tempo. Le pegou-a pelas pernas e a jogou no mar logo em seguida, despertando risadas de todos. 
Eu via a cena de longe, e à medida que eu me aproximava do mar, meu sorriso ia alargando. 
Assim que meus pés tocaram as águas gélidas do mar, uma onda de calmaria me dominou e uma felicidade ainda maior me contagiou ao ver que minha mão ainda estava grudada à de Di. O garoto havia tirado a camisa fato que não posso deixar de citar e corríamos com dificuldade até o resto da turma. 
Parecíamos um bando de crianças, já que jogávamos água para cima ou uns nos outros. A alegria era visível ali, e tenho certeza que, até mesmo quem assistia a cena de longe, era contagiado com nossa infantilidade. 
Vi Di afundar a cabeça de Tho dentro d’água e os dois começarem uma batalha sobre quem afogava mais o outro. Gui havia me colocado em suas costas, assim como Le fizera com Mharessa, e agora começávamos a brincar de briga de galo. Quando Di e Tho terminaram sua batalha, começaram a torcer por cada casal. Di obviamente ou não gritava para que eu derrubasse Mharessa, e Tho fora obrigado a gritar pela outra amiga. 
“VOU TE POR NO CHÃO, VADIA! ” Eu gritei, forçando minhas mãos contra as de Mha, fazendo-a rir das caras e bocas que eu fazia. 
“VAMOS LÁ, LARI! ” Escutei a voz de Di ao meu lado, o que me estimulava cada vez mais. 
“AAAAAAAAAH! ” Gritei assim que coloquei todas minhas forças na mão para, finalmente, derrubar minha amiga e Le. 
“YEAAAAAAAAAAAH! ” Gui gritava animado. “SOMOS OS MELHORES NA BRIGA DE GALO! ” Ele berrava para a praia inteira ouvir, inclusive apontava para algumas pessoas que observavam. 
“O GUI ROUBOU! ” Um Le totalmente furioso e engasgado acabara de levantar debaixo d’água. 
“Oh, vamos lá, Le, aceite a derrota! Não seja tão maricas! ” Gui contrapôs, rindo debochadamente do outro garoto que tossia constantemente. Mharessa não estava diferente. 
“Você me paga” Le forçou uma cara ameaçadora, nos fazendo gargalhar ainda mais da situação. 


O sol já se punha e as pessoas da praia começavam a ficar cada vez mais escassas. Vez ou outra um casal caminhava à nossa frente, ou velhinhas passeavam com seus cães. 
Estávamos sentados eu, Mharessa, Tho e Le, enquanto Gui e Di tinham ido comprar bebidas num boteco do outro lado da falésia. Conversávamos alheios sobre assunto nenhum, já que nossos papos na maioria das vezes nunca fazia sentido. 
“Lari, por que você não pega os violões? ” Tho sugeriu, apontando com a cabeça para os cases que estavam à dez metros de distância. 
“Por que você nunca os pega e sempre sugere para eu pegar? ” Falei meio brava. 
“Ah, vamos lá, você é a mais gordinha da turma, logo tem que pegar as atividades mais pesadas” ele respondeu, dando de ombros. Não me contive e dei um murro relativamente forte em seu ombro. “Outch! ” Se encolheu. 
Ri e me levantei indo em direção às nossas coisas e recolhi os dois cases dos violões dos garotos. Luau sem música ao redor de uma fogueira não é luau. Entreguei-os aos meninos, enquanto via Di se aproximar com engradados de cerveja em cada uma das mãos. 
Não pude deixar de observá-lo. 
Sorria abertamente de alguma bobagem ou coisa que Gui havia dito. Como seu sorriso era perfeito... Era aquele tipo que você vê e não consegue não rir junto. Os fracos feixes de luz que ainda persistiam batiam em seu rosto, fazendo com que ele fechasse sutilmente os olhos, a fim de protegê-los. 
Ainda estava sem camisa e, só de olhar para seu tórax, me faltava ar nos pulmões. 
Presumo que o garoto percebeu que estava a observá-lo, já que direcionou seus lindos olhos à mim. Percebi um sorriso bem singelo brotar no canto de seus lábios, o que fez meu estômago revirar como se isso fosse uma novidade e virar o rosto para qualquer outra direção. Ele me pegou observando seu físico! Vergonhoso... 

Colocaram as cervejas em uma caixa de isopor cheia de gelo, e claro, cada um já pegou a sua. O sol já quase não dava sinais de vida, tudo que se podia ver era um pequeno riso laranja ao fundo do oceano. 
Era a hora de montar as barracas. Fora uma verdadeira bagunça, já que Mharessa não tinha a mínima noção de como montar uma e derrubava os ferros dela toda hora que tentava fazer algo direito. Até que cansamos de remontá-la e mandamos a garota sentar. Depois de no mínimo uma hora, muitas risadas e sacrifícios, as duas barracas estavam perfeitamente montadas. Já haviam feito uma fogueira, e agora estávamos sentados em torno da mesma, escutando Le e Di afinarem os violões. 
“Certo, a gente vai tocar uma música que o Di compôs há uns dias atrás...” Le anunciou e começaram a tocar os primeiros acordes da canção. Eu estava totalmente entusiasmada para escutar a nova música de Di. Não só por ser dele, mas eu simplesmente ficava toda animada quando envolvia os garotos tocando. 

 

Well I met this girl, just the other day, 
I hope I don't regret, the things that I said now
And when we're laughing and joking with each other now, 
I’m glad I met this girl, She didn't walk away, 
I think she was impressed and was having a good time, 
And when we're laughing joking with each other, 
Spending all our time together...



Mharessa me cutucava ao longo da música, mas eu não precisava dela para ficar atônita diante dela. Di não me olhava, mantinha sua atenção nas cordas, mas eu encarava os movimentos de sua boca ao longo da canção, sentindo o mundo todo sumir de repente, e restar apenas nós dois. 

 

“When she walks in the room my heart goes boom! 
Ba ba ba ba ba da ba, 
I tried to take her home but she said, 
You're no good for me...”



Eu estava totalmente sem palavras. Eu não poderia ser tão egocêntrica a ponto de pensar que aquela música era direcionada a mim, mas em decorrência dos recentes acontecimentos, tudo me fazia acreditar que sim. Eu queria acreditar que sim. 

 

“She's got a pretty face, such a lovely name, 
I don't want my friends to see, they might take her away from me, 
She's one I won't forget, in a long long long time, 
Now I really want the world to see, 
That she is the one for me”



Ele era perfeito até cantando. Queria descobrir um jeito que ele não era tão indefectível...  Chegava a ser irritante. Eu me pegava a pensar o que diabos ele encontrou em mim, enquanto ele poderia ter a garota que quisesse com aquela perfeição. 

 

“The first time that I saw her she stole my heart, 
And if we were together, nothing could tear us apart”




Nothing could tear us apart, repeti aquele verso na minha mente. Eu concordava. Algo dentro de mim gritava, dizendo que nada seria capaz de nos separar. Quero dizer, todo aquele bombardeio de sentimentos por Di eram tão recentes, mas ao mesmo tempo, tão intensos, de uma forma que nunca havia sentido igual. A cada instante, cada sorriso, cada palavra, uma nova onda de emoções me acertava, me deixando ainda mais confusa. Eu não entendia tudo o que estava sentindo, justamente por nunca ter sentido antes, e isso me assustava muito. Eu, às vezes, pensava que tudo aquilo era um exagero, que eu não poderia sentir tudo o que eu sentia por uma pessoa em tão pouco tempo. Não era racional. Não era possível. 

Alguns fios da franja de Di caiam sobre seus olhos concentrados, dando-lhe uma feição angelical. Seus dedos ágeis continuavam a tocar, e sua boca a cantar. Sua voz era tão linda que eu poderia escutá-la para sempre. 

 

“When she walks in the room my heart goes boom, 
Ba ba ba ba ba da ba 
I tried to take her home but she said you're no good for me
Ba ba ba ba ba da ba”




Fui a primeira a bater palmas, assim que eles terminaram os acordes da canção. Di olhou-me meio cabisbaixo, como se esperasse pela minha aprovação. Sorri abertamente e vi suas bochechas corarem, o que era algo totalmente novo. Eu nunca ou talvez quase nunca vira Di envergonhado, ou sem graça por algum motivo. Achei uma graça. 

“Agora vou tocar uma para o meu moranguinho” Le disse com um biquinho, fazendo Mha suspirar ao meu lado. Começou os acordes de I’ve Got You, a música que ele sempre tocava para a namorada, a qual nunca enjoava de escutá-la. E sempre tinha as mesmas reações de euforia, detalhe. 
Di agora tocava olhando para mim, com aquele conhecido ‘pequeno-sorriso’ nos lábios, o qual me fazia delirar. Hora e outra olhava para as cordas do violão, voltando a me encarar no mesmo instante. 
Eu bebia minha cerveja tranquilamente quando me lembrava e os garotos ao meu lado Gui e Tho fumavam um baseado, para variar. Davam a desculpa que esse mundo era muito repressor e que precisavam de uma válvula de escape. Diziam também que lhes inspiravam mais... Di já confirmara essa afirmação.
Vez ou outra eu tragava, apenas para relaxar e entrar no clima retardado dos meus amigos. 
Confesso que já nem prestava atenção na música que cantavam. Eu estava mais preocupada em reparar nos movimentos que a boca de Di fazia a escutar I’ve Got You pela milésima vez. Eu já a sabia de cor e salteado, de qualquer maneira.
Cantaram mais algumas músicas, de Elvis à Little Richard, enquanto os loucos digo, Gui e Tho pulavam e dançavam. Mharessa, ainda encantada pelo namorado, mexia-se lentamente de um lado para o outro. Eu queria tirar Di dali e levá-lo para algum lugar onde pudéssemos ficar a sós. 

E, do nada, vi meus amigos correndo em direção ao mar, tirando suas roupas –sim, inclusive as partes de baixo e adentrarem o mesmo aos gritos. Até mesmo Mharessa havia entrado no meio da loucura. 
“YEAAAAAAAAAAAAAAAH! ” Os escutava gritar em liberdade, e pela escuridão, não era capaz de saber o que estavam fazendo. Tive vontade de tirar as roupas e correr em direção ao oceano, mas no momento seguinte vi que eu não estava sozinha. Pensei que aquele seria o momento perfeito para ficar sozinha com Di. 
O silencio predominava entre nós, sem ser algo que nos incomodava. Na verdade ele às vezes era muito bem vindo. 
“Quer dar uma volta? ” O garoto disse calmo, e então encarei sua face. Não havia luzes além da que vinha do farol e do luar, mas ainda sim podia ver o brilho de seus olhos. Acenei com a cabeça e peguei a mão estendida de Di. O menino me ajudou a subir as escadas, subindo logo em seguida e então começamos a andar pela ladeira. Se eu olhasse para o lado, me depararia com, além da linda paisagem do oceano, meus amigos nus gritando feito loucos lá em baixo. 
Chegamos ao topo da falésia onde se encontrava o farol. Devo admitir, aquela vista parecia muito mais bonita à noite. 
As ondas do mar estavam calmas e a lua era perfeitamente refletida nas águas. Di me conduzia em direção ao farol, e rapidamente já estávamos dentro do mesmo, subindo as escadas espirais. 
O garoto abriu uma porta, a qual deu em um quartinho vazio. Eu pude sentir o cheiro de mofo, o que nos deixava chegar à conclusão de que ninguém vinha ali há muito tempo. Havia uma cama empoeirada no canto de uma parede, uma escrivaninha no canto de outra, com uma lamparina em cima da mesma e vários papéis amarelados. Um banheiro podia ser visto também mais à frente. 
À medida que pisávamos no assoalho de madeira, podíamos escutá-lo ranger, e um sentimento de que poderíamos cair a qualquer momento me assombrou, me fazendo apertar ainda mais a mão de Di. 
Finalmente chegamos a uma sacada. Ela tinha a mesma vista da falésia, só que ainda mais ampla. Lá em baixo, as ondas batiam fortes contra o paredão de pedra, e eu podia sentir alguns respingos e um forte cheiro de oceano nos abater. As grades da sacada foram visivelmente corroídas pelo sal do mar, o que as tornava enferrujadas e dava àquele local, um cenário ainda mais rústico e bonito. 
“O que achou? ” Di me perguntou apreensivo, encarando a imensidão a nossa frente. 
“É tudo muito lindo...” respondi sincera. Não tinha como tudo ficar mais perfeito. Vi um sorriso abrir no rosto dele, e me perguntei quando eu pararia de ficar hipnotizada por cada sorriso seu. 
Di se sentou e foi só ai que percebi que estava com um violão em mãos, o qual ele recostou na parede. Sentei-me junto a ele. 
O silêncio caiu sobre nós novamente, permitindo-nos escutar apenas as ondas se quebrarem e, de longe, nossos amigos gritarem. 
Repentinamente, senti a mão de Di pegar a minha, e colocá-las uma sobre a outra como se estivesse as medindo. Se fosse isso, perceberia que minha mão era duas vezes menor que a dele. 
“Di? ” O chamei, tirando sua atenção de nossas mãos. 
“Sim? ” Ele respondeu imediatamente. Respirei fundo. 
“O que você sente por mim? ” Tirei toda a coragem do meu ser ao fazer essa pergunta. Eu precisava saber. Eu precisava saber se ele sentia o mesmo que eu, precisava entender aquilo que sentia, inclusive. 
Di riu baixinho e olhou para frente. Não entendi muito bem essa sua reação, mas continuei apreensiva por sua resposta. 
“Você acreditaria...” ele começou baixinho e depois respirou fundo. Olhei-o curiosa. “Se eu dissesse que meu coração acelera só de ouvir seu nome? ” Finalmente me encarou. Me encarou tão profundamente que me fez sentir um pouco tonta. Era como se ele procurasse uma verdade em meus olhos. Tremi quando meu cérebro digeriu suas palavras. 
Como o efeito de ação e reação, o meu coração acelerou. Se eu fosse taquicardia ou algo assim, já estaria morta e poderiam prender Di como culpado. 
“É isso que eu sinto, Lari. Não consigo te demonstrar de outro modo que não seja esse” ele disse, diminuído seu tom de voz gradativamente, à medida que se aproximava do meu rosto. 
Colocou uma de suas mãos em minha nuca, e a outra envolveu minha cintura. Só de sentir seu cheiro tão perto de mim fez minha cabeça delirar. 
Meus olhos se fecharam rapidamente, e eu esperava ansiosa para sentir seus lábios se chocarem contra os meus. 
Entretanto, esperei em vão. 
Primeiramente, senti seu hálito quente em meu ombro, fazendo cada parte minha arrepiar. Seus lábios úmidos me tocavam tão suavemente que me faziam suspirar e meu peito subir e descer rapidamente devido a minha respiração totalmente falha. Sua boca foi subindo em uma velocidade vagarosa, passando demorada pelo meu pescoço e indo em direção à minha orelha. 
I just can’t help believin’ when she smiles up soft and gentle with a trace of misty morning and the promise of tomorrow in her eyes” o escutei sussurrar com aquela voz esplêndida em meu ouvido, enquanto suas mãos passeavam livremente por minhas costas. 
Minha boca estava entreaberta, esperando apenas o momento em que encontraria com a de Di. Eu estava delirando. Aquela voz me fazia delirar. Aquelas mãos me faziam delirar. 
I just can’t help believin’ when she’s lying close beside me and my heart beats with the rhythm of her sighs. This time the girl is gonna stay for more than just a day” minhas mãos cravaram em seus cabelos, e como um ato de suplico, puxei seu rosto para mais perto do meu, fazendo com que nossas bocas finalmente se chocassem. 
Aquela boca sim, me fazia delirar. Fazia todo o mundo abaixo dos meus pés desaparecer. Fazia com que nada mais existisse além de nós dois. 
Di puxou-me mais para perto de si, de modo com que nossos corpos se chocassem. Não era um beijo calmo. Era mais tendencioso que o primeiro, entretanto, sem perder sua doçura. Sua língua brincava com a minha, fazendo com que eu tivesse o desejo de nunca mais separá-las por se darem tão bem. 
Minhas mãos puxavam os cabelos do garoto levemente, fazendo-o soltar sua respiração pesada pelo nariz. Já as suas mãos apertavam minha cintura veemente, como se quisesse juntar ainda mais nossos corpos se fosse possível. 
Após alguns minutos a minha necessidade por oxigênio irritante me forçou a separar de Di. Estávamos ofegantes, pude perceber. Soltávamos o ar de nossos pulmões de forma totalmente desajeitada.
Minhas mãos ainda estavam grudadas em seus cabelos, e as dele se mantinham firmes em minha cintura. Nossos narizes colados. 
Peguei sua mão livre e levei-a lentamente em direção ao lado esquerdo do meu peito. Eu queria que ele sentisse o que era capaz de fazer comigo. 
“Uau” falou em um suspiro e não contive o riso falho. Meu coração batia totalmente atrapalhado, e a culpa era toda e exclusivamente dele. 
“Pois é...” Debochei. Não me contive em selar nossos lábios em um beijo rápido. 
“Por que isso não aconteceu antes, Di? ” Quis saber. Abri meus olhos e dei de cara com os dele, instigantes e curiosos. Suspirou. 
“Porque antes não era a hora, Lari” ele respondeu simplesmente. “Porque talvez antes não fosse tão certo como agora...” completou. Sorri. 
Di estava certo. O agora nunca me pareceu tão certo antes... 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...