História Querido Diario - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 3.633
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - You're just a natural born beehive filled with honey




Morar com Di passara a ser uma tarefa difícil. Por uma razão lógica, não nos expúnhamos em frente ao seu pai, apesar de termos a absoluta certeza de que ele sabia de alguma coisa. Então passamos a dar alguns beijos escondidos nos momentos em que tio José não estava em casa, ou saia para pescar ou qualquer outra coisa relacionada. Nos beijávamos quando ele não estava olhando, e disfarçávamos rapidamente quando chegávamos a um fio de sermos pegos. Estava um tanto quanto divertido...  Toda aquela aventura... E convenhamos que tudo que é escondido ou perigoso é muito mais gostoso. 
Já havia se passado uma semana desde o ocorrido no farol e nada parecia ter mudado. Toda a paixão continuava, e cada vez mais intensa. 
Pegava-me de minuto a minuto a pensar em Di. Na escola não conseguia me concentrar, pois contava as horas para vê-lo. Até Mharessa já havia encrencado comigo, dizendo que não aguentava mais escutar o nome de Oliveira. E eu não me cansava de pronunciá-lo. 
Naquele dia, nós havíamos combinado de ir ao autocine naquela noite, o qual passaria o suspense Um Corpo que Cai, estrelando James Stewart e Kim Novak, dirigido por Alfred Hitchcock, o gênio do suspense. 
Di me buscaria na escola e de lá iríamos para a praça Bergan, onde aconteceria o cinema ao ar livre. 


“Até mais, Mha” me despedi de minha amiga assim que o sino da escola tocou, liberando-nos para irmos embora. Eu não via a hora de encontrar Di...  Sai correndo pelos jardins da Ladywood com os cadernos em mãos, ultrapassando e esbarrando qualquer garota que se pusesse em meu caminho sem ao menos me desculpar. 
“DI! ” Gritei assim que o vi de braços cruzados e escorado sobre seu carro charmosamente velho. Num impulso joguei os cadernos no chão e pulei em seu colo, chamando a atenção de meio mundo que passava ali. Atraindo inclusive os olhares repressores dos pais das puras garotas. 
Dei milhares de selinhos no garoto, vendo sorrir entre eles. Eu estava morrendo de saudades, e nem parecia que nos vimos de manhã, quando ele me deixou no colégio. 
“Vamos? ” Ele disse após eu cessar meus beijos. Simplesmente concordei com a cabeça e pulei de seu colo. Di abriu a porta do carona para que eu entrasse e foi para o lado do motorista em seguida. “Só não vale ficar com medo durante o filme, hein? ” Ele me olhou apreensivo antes de dar partida no carro. 
“Eu não tenho medo” rolei os olhos. “E afinal, eu tenho você pra poder agarrar se acaso ficar, não é mesmo? ” O encarei sugestiva. O garoto riu. 
“Sempre” ele piscou e deu partida no carro, que fez um barulho estrondoso antes de ganhar velocidade. 


“Meu Deus! ” Falei chocada, assim que descobri que Madeleine estava possuída pelo espírito de sua avó, Carlotta. A cada minuto do filme, eu ficava mais e mais tensa. Apesar de Di estar ali do meu lado, eu não conseguia desgrudar os olhos do telão. Havia em torno de quatro fileiras de carros na nossa frente, então tínhamos uma ótima visão. Senti Di beijar meu pescoço, mas não dei muita atenção, já que estava vidrada no filme. 
“Vamos prestar atenção, Di! ” Sussurrei entre dentes, um pouco irritada com a falta de interesse do garoto. Então ele se afastou e fingiu que passou a prestar atenção na tela em sua frente. 
Passados cinco minutos, ele começa a me beijar novamente. 
“Mas que fogo, hein? ” Forjei uma cara brava, fazendo-o rir abafadamente em meu pescoço. 
Não tinha como não ceder aos encantos de Oliveira, então simplesmente me deixei levar. 
A boca do garoto passou a descer pelo meu ombro, e foi ai que me lembrei de estarmos em um lugar público. 
“Di! Tem pessoas ao nosso redor! E dezenas delas! ” Empurrei-o bruscamente. “Ah, vamos lá, Lari. Acha mesmo que estão prestando atenção na gente? ” Ele fez uma cara de extremo cachorro sem dono. Olhei para os lados e reparei que todos mantinham seus olhos grudados à tela, como antes eu mantinha os meus. Corei levemente, vendo que eu não teria outra opção a não ser me entregar à lábia de Di. 
Quando o garoto viu que havia vencido, sorriu abertamente e me puxou para perto dele. 
“Vem cá, emburradinha” ele fez uma voz fofa e começou a distribuir beijos por toda minha face, me fazendo rir. 
Após a crise, Di passou a me observar. Observava-me tão profundamente que chegava a me deixar tímida. Passou, então, as pontas de seus dedos sobre minhas maçãs do rosto, fazendo com que meus olhos se fechassem involuntariamente. Em seguida, pude sentir seus lábios irem de encontro aos meus, fazendo com que todo o meu ser se revirasse, como se fosse a primeira vez. Tudo com ele parecia a primeira vez. 
Di se debruçou um pouco sobre mim, fazendo com que o espaço sobre nós fosse mínimo. Nosso beijo foi ganhando intensidade ao longo dos segundos e eu já sentia minha respiração ficar falha. Uma de minhas mãos puxava-lhe os cabelos de leve, enquanto a outra se posicionava firme em suas costas bem definidas. 
Di voltou sua atenção ao meu pescoço, beijando-o veemente e me fazendo suspirar inconscientemente. Ele sabia que ali se concentrava meu ponto fraco e sabia como se aproveitar disso. 
Suas mãos não se decidiam entre minha coxa ou minha cintura e isso estava me deixando aflita. Até que elas, agora em meu cós, começaram a subir gradativamente e um susto me atingiu. 
“Hey! ” Afastei-o com força, vendo-o me olhar assustado. Meus olhos estavam arregalados de horror. Quero dizer, eu jamais havia chegado naquele nível de intimidade com alguém antes! 
“Me... Me desculpe, Lari” ele disse tão assustado quanto eu após recuperar seu fôlego. “Eu me precipitei, desculpa de verdade! ” Ele parecia desesperado. 
Não o encarava, talvez eu tivesse vergonha... Chame-me de tola se quiser, eu apenas não estava acostumada com aquele tipo de situação! 
“Eu é quem peço desculpas, Di... Por ser tão infantil” desabafei, encarando meus dedos que brincavam com a barra da minha saia. 
“Nunca, Lari! Você não é infantil! É só que... Não consegui me controlar” Di tocou meu queixo, de modo que eu o encarasse. “Isso não vai mais acontecer, tudo bem? ” Me olhava apreensivo. Sorri sutilmente. 
“Eu quero que aconteça...” falei totalmente corada e sem graça. Ele me olhou surpreso. “Só que com o tempo... Se é que me entende...” 
“Eu te entendo, linda” falou finalmente, compreensivo, e depositou um beijo minha testa. “Vamos voltar nossas atenções ao filme, certo? ” E eu concordei com a cabeça. Então pulei para seu banco, de modo que pudéssemos terminar de assisti-lo bem juntinhos. Encostei minha cabeça em seu peito, o qual se movia ainda descompassado. 

 

 “Este seu lago anda muito ruim de peixe, José” meu pai reclamou, após uma hora estendido abaixo do sol com uma vara de pescar na mão. Ele e o tio José estavam vestidos como se fossem para uma expedição em uma floresta tropical. Quando dois malucos se juntam... 
“Você é que não tem a técnica, Gilberto” retrucou o tio, irritando ainda mais meu pai. Ele simplesmente não suportava estar por baixo das coisas, já que o senhor Oliveira havia pescado três peixes. Fez cara feia e voltou a se concentrar no lago a sua frente. 

Eu estava debaixo de uma das árvores ali, curtindo uma sombra fresca para ler um livro, já que Di estava preparando o almoço. Gilberto havia trago o resto das minhas roupas e me contara as novidades de casa. Silvana continuava pirada e agora descontava suas angustias em Marina. Pobre Mari... Eu precisava resgatá-la daquele inferno o quanto antes. Assim que eu achasse meu apartamento, a levaria para morar comigo. 
“O almoço tá pronto, cambada!” Di apareceu na varanda da casa. Tirei minha atenção do livro para dedicá-la a ele. Escutei os dois homens murmurarem algo que não dei importância, e então os segui. 
Di havia preparado uma macarronada e só pelo cheiro, eu poderia dizer que ela estava deliciosa. 

“Hm” meu pai resmungou. “Di está pronto para casar” ele exclamou após a última garfada. Vi Di corar e eu ri instantaneamente. 
“Só o deixo casar se for com a Lari” tio José disse divertido e foi minha vez de corar bruscamente e Di rir. Meu pai, por sua vez, engasgou-se com a comida, tossindo compulsivamente. 
“Não diga bobagens, José. Você me deixa preocupado, com esses dois morando juntos! ” Ele se mostrou irritado. Puro ciúme. 
Se soubesse que Di e eu estávamos juntos teria um ataque do coração ali mesmo. 

O almoço correu tranquilamente após esse incidente. Meu pai e tio José discutiram como sempre, sobre algo sem importância, enquanto Di e eu trocávamos olhares discretos. Seus olhares sempre me faziam tremer as bases, era incrível. Depois de nos deixar a sós, as crianças começaram uma guerra de macarrão, lambuzando não só a nos mesmos como a sala inteira. Meu cabelo escorria molho vermelho, e minha blusa estava toda manchada. Di não estava diferente, tinha até almôndegas em suas orelhas. 
Depois de relativamente nos limparmos, fomos para umas das arvores ali. Eu ia escutar Di tocar alguma coisa. Escutá-lo tocar tornou-se meu hobbie. Não havia algo que me deixasse mais feliz ou em paz. 
Quando víamos que ninguém nos observava, trocávamos alguns beijos e carícias divertidas. Era incrível como eu ainda podia sentir uma tempestade em meu estômago a cada beijo. É incrível como eu não me cansava de observá-lo tocar, totalmente alheio. Como todos os simples gestos do garoto me hipnotizavam. E quando ele me olhava nos olhos? Oh, parecia que tudo poderia desaparecer a qualquer momento. 
Melhor ainda era quando ele percebia meus olhos insistentes sobre cada movimento seu, suas maçãs do rosto avermelhavam-se e um sorriso tímido brotava em seus lábios rosados. 
Deitei minha cabeça em seu ombro, sem me importar em como isso podia parecer aos olhos do meu pai ou do tio José. Eu simplesmente queria que o mundo desaparecesse, de qualquer maneira. 

 

Os feixes de luz insistiam em me irritar. Apesar de ser apenas uma soneca da tarde, relutei ao máximo para não abrir meus olhos, mas não adiantava, eu teria que abri-los. Assim que o fiz, assustei-me a deparar com a figura de um Di sentado em uma cadeira em frente à minha cama, com uma perna apoiada na mesma e encarando um pedaço de papel. Senti minhas bochechas queimarem e então cobri meu rosto com o lençol. 
Assustei-me ainda mais ao perceber que estava apenas de lingerie. 
“Não se cubra” o escutei dizer num tom divertido. Fechei meus olhos com força, desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo muito embaraçoso. O que ele estava fazendo ali, afinal? 
“O que você está fazendo aqui, Di? ” Me atrevi a perguntar, ainda com o rosto coberto. Di soltou um risinho baixo. 
“Estou escrevendo” respondeu simplesmente, ainda com um tom divertido na voz. Certo, isso não esclareceu muita coisa. 
“Mas por que aqui? ” Reforcei. Escutei ele colocar o caderno sobre o colo e dar um suspiro. Esperei ansiosa por sua resposta. 
“Porque você me inspira” escutei. Como se fosse uma novidade, meu coração disparou como se tivesse vida própria. Lentamente, descobri meu rosto, encarando aqueles olhos que eu tanto conhecia. Analisavam-me cautelosamente. Eu tinha certeza que ele podia ver mais ali que qualquer pessoa normal. 
“O-o que você está escrevendo? ” Perguntei, tentando o distrair de mim. 
Olhou para seu caderno e voltou para mim em seguida. 
“Uma música” sorriu. E eu, derreti. 
“Sobre o-o que? ” Perguntei curiosa. Ele riu divertido, olhando para o caderno novamente. 
“O que mais poderia ser? ” Me olhou. “Sobre você” deu de ombros e recostou-se na cadeira. “Como sempre.”
Prendi a respiração.
“O que você quer dizer com como sempre? ” Eu podia ser realmente lerda algumas vezes. Ou simplesmente gostava de ouvir as palavras saírem de sua boca.
“Quero dizer que tudo o que eu sempre escrevo é para você” Di se levantou da cadeira e veio lentamente em minha direção, enquanto eu o encarava totalmente alheia e abobada. Sentou-se então ao meu lado. 
“Sempre? ” Reforcei, querendo escutar aquelas palavras novamente. Era como um sonho, ou algo assim. 
“Sempre” sorriu singelo, e eu podia dizer que aquele era meu sorriso preferido, entre tantos maravilhosos. 
Minha mão foi em direção ao seu rosto automaticamente e alisaram sua face perfeita. E então seus olhos se fecharam. E meus lábios foram ansiosos de encontro aos seus, encaixando-os e sentindo todas aquelas sensações que eu sabia de cor. A língua de Di causava coisas incríveis em mim, e um desejo insaciável de sempre querer mais e mais. Eu não me cansava de seu gosto. 
Quando já ficávamos ofegantes, separei nossas bocas para que pudéssemos respirar. 
“Não há jeito melhor de acordar...” falei com um sorriso maroto no rosto, vendo seus olhos abrirem lentamente e um risinho baixo sair de sua boca. 
Ficamos em silêncio por alguns instantes, os olhos penetrantes de Di sobre os meus, e suas mãos carinhosas mexiam nos meus cabelos. 
“Di...” falei calmamente e o escutei balbuciar algo inaudível. “Você pode ler meus pensamentos ou algo assim? ” Ao terminar minha frase, o garoto soltou uma risada incrivelmente gostosa de ouvir. Ri um tanto sem graça, vendo o quão idiota foi minha pergunta. 
“Eu queria...” ele disse, ainda com um sorriso no rosto e o olhar penetrante. “Por quê? ” 
“Você me olha tão profundamente que acho que pode lê-los às vezes...” olhei para minhas mãos espalmadas em seu peitoral. 
“Eu gosto dos seus olhos” levantou meu rosto levemente pelo queixo. “Eles me acalmam...” Di sorriu, fazendo-me abrir um também. Eu amava o jeito como ele me tratava. Eu amava todo aquele jeito carinhoso. Ficava pensando se ele era assim com todas as meninas que ele já teve, e convenhamos, não foram poucas. Se sempre fora assim, não é à toa que sempre teve todas que queria, inclusive eu. Só torcia para que eu não fosse só mais uma como as outras foram. 
Di novamente tocou nossos lábios de forma gentil, com as mãos coladas em minha face. 
Estava começando achar que minha vida havia se tornado um livro. 

 

O pub do tio José estava lotado. Fazia séculos que eu não dava as caras lá, e me bateu uma nostalgia enorme assim que pisei meus pés no local. Havia um palquinho montado mais à frente, onde bandas independentes sempre tocavam, um balcão com cadeiras e atendentes, e outras mesas no canto da parede. E óbvio, uma pista de danças e milhares de luzes cintilantes. Di e eu entramos de mãos dadas no local, e vimos nossos amigos sentados em uma das mesas, bebendo e sendo escandalosos como sempre. 
“O casal!” Tho gritou, levantando o copo de bebida para cima e todos viraram a cabeça para nos encarar. Eu queria correr obviamente. 
“E aí, Costa” Di deu um tapa na cabeça do amigo, fazendo todos rirem e darem espaço para que nos sentássemos. Abracei Mha, que estava do meu lado, e logo pedi um destilado para o primeiro atendente que apareceu. 
Os meninos iriam tocar ali hoje, então o pub estava bastante lotado. FunBoys era bem famoso nas redondezas de Bolton e ninguém se atrevia a perder um show deles. Principalmente as garotas, devo frisar. Os garotos tinham muitas fãs, digamos, fieis. Isso nunca havia me incomodado antes, eu até me sentia orgulhosa por eles, mas os olhares insinuantes das garotas da mesa do lado estavam me irritando um pouco. Eu tentava me controlar, mas fiz questão de encostar minha cabeça em seu ombro e ver se elas, ao menos, disfarçavam. 
Assim que minha primeira bebida chegou, foi impossível parar. Di tomava uma cerveja e beijava minha bochecha ou pescoço de vez em quando, arrancando-me suspiros. Às vezes nos realizávamos que estávamos em um lugar público apenas quando Tho insistia em nos lembrar. Ele era um invejoso, isso sim. 
Nossas mãos se desgrudaram apenas quando tio José anunciou que era a vez deles tocarem. Subiram no palco, aos gritos de várias garotas histéricas, e cada um foi para seu devido instrumento. Fazia certo tempo que eles não se apresentavam em público, e eu senti falta daquela sensação de ser um deles. Acho que Mha e eu ficávamos mais ansiosas que os próprios integrantes. Minhas mãos suavam, minha barriga gelava e meus olhos brilhavam. Tudo no mesmo tempo. 
Eles ficavam incrivelmente lindos sobre aquele palco, e eu sempre me sentia incrivelmente orgulhosa. Ver todas aquelas pessoas gritando por eles, mesmo as groupies, me fazia muito feliz. Uma coisa que começou por brincadeira se tornava algo cada vez mais sério. 
“Boa noite, pessoal” Le começou animado, e as pessoas levantaram seus copos de bebida e gritaram. “Senti saudades de vocês. Bom, vamos começar com uma que todos vocês conhecem. Surfer Babe!” eu gritei histérica. Eu adorava aquela música! 
Eu e Mha estávamos bem em frente ao palco, recebendo todos os olhares dos nossos garotos e dançando muito. Meu coração parou quando Di tocou Met This Girl e ainda por cima dedicou à menina mais apaixonante desse pub. Eu me derreti toda, não posso negar. 
O show durou uma hora, com direito a muito Elvis. Os garotos sabiam obviamente da minha louca paixão, e faziam questão de cantar. Não sei se preferia as músicas nas vozes dos meninos ou no próprio Elvis. 

Fiz questão de dar um beijo longo e intenso no momento seguinte que Di desceu do palco, arrancando não só suspiros de mim, como de todas as garotas ali. Não queria causar inveja, mas naquele momento, ele era meu mesmo... 
Ele era meu...  Isso soava um pouco estranho. Eu não sabia o que nós éramos para falar a verdade. Não fazia questão de saber também. Não era daquele tipo de garota histérica por ter o garoto ajoelhado aos seus pés e a pedindo em namoro. Eu não precisava daquilo. Estava satisfeita por simplesmente tê-lo ao meu lado. Enquanto eu tivesse isso, não importava o que nós éramos.
“Eu to suado, Lari! ” Ele disse rindo durante o beijo, e eu simplesmente me joguei mais ainda em seus braços. 
“E quem disse que eu importo? ” Dei língua e ele me apertou pela cintura, beijando-me veemente em seguida. 
Eu queria congelar aquele momento. Sinceramente, queria ter esse poder. Eu nos congelaria ali e ficaria daquela maneira para sempre. Com o suor de Di em meu corpo, aquele cheiro ainda assim entorpecente, suas mãos me tocando... Era tudo muito surreal. Havia instantes em que eu não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo comigo e puxava Di para um beijo, apenas para constatar que não estava sonhando. Eu não podia estar sonhando. Seria uma tremenda tortura se um dia eu acordasse e tudo aquilo desaparece. 

Nos sentamos novamente, e voltamos à rotina boemia, esperando apenas os garotos descansarem. Claro que dezenas de pessoas foram até a nossa mesa para cumprimentar os garotos e tudo mais, deixando-me ainda mais orgulhosa. Ali, eles eram as celebridades. E eu me sentia importante por tê-los por perto. 
Após alguns instantes, sem nem mesmo pedir, simplesmente puxei Di pela mão, levando-o em direção à pista de dança. Ele me seguia aos tropeços, mas sem reclamar uma vez se quer. Penso que ele talvez visse que eu sentia falta de dançar. Sem meu par rotineiro, Lucas, fazia séculos que eu não dançava. E dançar e ficar com Di empatavam para ver quem era o mais importante. 
Roll Over Beethoven invadiu meus ouvidos, me deixando ainda mais animada. Não sabia se Di me acompanharia, então não faria passos complexos. Só queria meu corpo junto ao dele movendo em uma sincronia só nossa. 
Passei meus braços em sua nuca, fazendo questão de entrelaçar os dedos em seus cabelos sedosos. Suas mãos abraçaram minha cintura e me levaram para mais perto de seu corpo, acabando com qualquer possibilidade de espaço entre nós. Nos balançavamos lentamente, apesar da música ser bastante agitada. Não queríamos arrasar na pista, queríamos apenas curtir a presença um do outro, sentir os arrepios que nossos corpos davam ao se chocarem, e a incrível sensação de estarmos juntos. Eu sorria bobamente, eu tinha certeza. Não me importava o quão patética eu poderia parecer, ele me fazia sentir assim... Patética. Alucinada. E o principal: Feliz. 
Di possuía o mesmo sorriso alheio e um brilho nos olhos que me contagiava. Eu não cansava de admirar sua beleza. Era algo de outro mundo. Aqueles olhos me alucinavam, aquela boca perfeita, seus cílios pequenininhos, sua sobrancelha fina, suas bochechas levemente rosadas, e seu nariz tão bem moldado. Ah, como eu amava aquele nariz. 
Não me contive e juntei nossos narizes, roçando-os suavemente. O sorriso aumentou nos lábios do garoto, permitindo-me analisar seus dentes tão brancos. Di então movimentou sua cabeça um pouco mais para frente, de modo que nossos lábios se tocassem. Ficamos daquele jeito por um longo período, apenas com as bocas encostadas, sem nos movermos. Eu sentia sua respiração misturar com a minha, seus olhos estavam tão perto que quase se tornavam um só. Em um impulso, mordi seu lábio inferior levemente, fazendo-o suspirar. 
Minhas mãos estavam presas em seus cabelos e, vez ou outra, moviam-se para fazer um carinho de leve. Nossos corpos ainda se moviam como se fossem um só, e eu não era mais capaz de decifrar qual música saía da junkie box. Com Di, eu perdia noção de tempo e espaço. Parecia-me completamente normal. 
Colei nossas bocas novamente e, dessa vez, pedi passagem aos seus lábios para que nossas línguas se encontrassem. Elas se moviam lentamente, mal poderiam os outros perceber que estávamos nos beijando. Era tudo tão intenso e calmo ao mesmo tempo, o que me deixava totalmente confusa. Meus sentimentos com Di poderiam ser totalmente antônimos às vezes. Como isso era possível? 



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