História Querido Diario - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
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Palavras 3.992
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - Oh please don't ask what is on mind



“Vamos logo, Lari! ” Di gritou e bateu na porta de madeira pela milésima vez. 
Eu encarava meu guarda-roupa, totalmente descrente por ver que nada parecia dar certo em mim. Tudo parecia me engordar cinco quilos ou mais. Pensei em abrir a porta e dizer ao garoto que eu havia desistido de sair. 
Di me chamara para um encontro, alegando que nunca havia me levado em um, oficialmente. Então saíriamos para jantar, mas o lugar estava rondado pelo mistério que Di fazia. 
“Eu sou horrível, Di! Nada parece cair bem em mim! ” Resmunguei, escondendo meu rosto desanimado entre as mãos. Através da porta, pude escutar uma risada estridente. 
“Você não está mesmo dizendo isso para mim, está? ” O tom debochado em sua voz era visível. “Você nunca é horrível, Larissa” agora adiquiriu um tom sério. Pelo seu timbre, podia perceber que estava sorrindo. E eu, que não podia conter um a cada gesto seu, não contive um singelo sorriso no canto de meus lábios. 
Voltei meus olhos ao guarda-roupa, procurando algo descente. Era injusto fazer Di esperar todo aquele tempo pelo meu ego totalmente pessimista. Se ele não me achava horrível, era isso que importava. Meus olhos pousaram sobre um vestido vermelho e ele me pareceu perfeito por alguns instantes. 
Após vestida, fui em direção ao espelho pendurado em cima da escrivaninha. Maquiei-me de forma simples, sem muitos exageros. Uma sobra clara nas pálpebras, rímel para alongar meus cílios e um blush para me dar um toque corado. Por fim, prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo alto, deixando minha nuca e a abertura da frente de meu vestido à mostra, sem esquecer do perfume. 
Respirei fundo, já sentindo o nervosismo me atacar. Eu estava indo para um encontro. Um encontro com Di Oliveira. Se me contassem, no passado, que isso aconteceria, eu provavelmente riria da pessoa louca com a imaginação fértil. Destranquei a porta e girei a maçaneta lentamente, com o coração palpitando dentro de mim. 
Dei de cara com a figura perfeita de Di recostado na parede em frente ao meu quarto, de braços cruzados e feição relaxada. Usava uma camisa social preta, de mangas dobradas até o cotovelo e com dois botões da frente desabotoados, mostrando parte de seu peitoral forte. A calça larga e rasgada nos joelhos desmanchava toda aquela expressão formal, assim como os coturnos nos pés. Os cabelos foram propositalmente bagunçados, deixando-o ainda mais charmoso. Para completar, um sorriso brincava no canto de seus lábios, e seus olhos conquistadores me observavam cautelosos. Da cabeça aos pés. Admito que a timidez me acertou em cheio, com aqueles olhos brilhantes e insistentes sobre mim. 
“Como você tem a capacidade de dizer que é horrível? ” Perguntou ele, indignado. Olhei para minhas sapatilhas vermelhas, vendo o garoto se aproximar de mim, tomando meu queixo em suas mãos e me obrigado a encará-lo. “Você está linda. Como sempre” sorriu, dando-me um selinho em seguida, sem se importar em estarmos dentro de casa. “Pronta? ” 
Assenti e então fomos em direção à saída da casa. Tio José estava na sala, sentado no sofá e com um cachimbo em mãos. Escutava Billie Holiday, totalmente alheio a qualquer coisa que pudesse acontecer a sua volta. 
“Pai, estamos saindo, okay? ” Di parou em frente ao sofá, sendo ignorado pelo pai, que olhava para um ponto fixo na parede, sem expressão alguma no rosto “Pai? ” O chamou novamente, vendo agora o mais velho encará-lo com surpresa. 
“Sim? ” Sorriu abertamente, como se estivéssemos acabado de chegar ali. Olhei para Di, que agora substituíra o olhar divertido de antes, por um totalmente... triste. 
“Estamos saindo...” Di olhou para a vitrola, depois para os pés e depois para o pai. 
“Oh sim! Divirtam-se! ” Acenou com a cabeça e voltou a olhar para qualquer lugar, tragando profundamente o cachimbo. 
Di se dirigiu à porta e eu o segui. Quando eu já estava na varanda, vi o garoto encostado em um pilar, com a cabeça apoiada no braço. Eu não podia ver seu rosto, mas não precisava fazê-lo para saber que não estava bem. 
Olhei para trás, vendo tio José com a mesma expressão de antes, e eu duvidava que ele estava prestando atenção em qualquer outra coisa que não fosse a parede. Então coloquei minha mão em seu ombro direito e recostei minha cabeça no esquerdo, sentindo um perfume incrível vir de seu pescoço. Pela pouca iluminação e o braço que tampava, não podia ver seu rosto muito bem. 
Abaixei minhas mãos para sua cintura, abraçando-o fortemente. 
“Não aguento mais vê-lo assim...” falou fracamente. “Desde a morte da minha mãe, chega uma hora do dia que ele simplesmente... sai desse mundo” sua voz mostrava toda sua agonia e era como se eu pudesse sentir tudo o que Di sentia, já que meu coração parecia estar comprimido dentro de mim. Lembro-me bem do dia em que Raquel, a mãe de Di, faleceu. Não fazia mais que dez meses... 

Era uma noite chuvosa e os dois, Raquel e José voltavam da cidade para o sítio. Um caminhão desgovernado atravessara a pista e, tio José para desviar, jogara o carro em direção ao acostamento. Devido ao asfalto molhado, acabou por derrapar e perder totalmente o controle do carro. O pai quebrara a clavícula e teve alguns cortes profundos no braço, mas, infelizmente, a mulher não teve tanta sorte...  Meu pai, Gilberto, foi o primeiro a saber. E o primeiro a nos contar. Estávamos todos em minha casa, na piscina, apenas os seis, conversando sobre tudo e nada, totalmente alheios ao mundo. 
Foi a cena mais triste da minha vida. Di pareceu perder o chão, o brilho pareceu sumir de seus olhos. No começo, não acreditou. Após alguns instantes, vendo que Gilberto não estava brincando, desabou em choro ali mesmo, sendo abraçado por todos nós. 
Gui teve que o segurar pelos ombros para que seus joelhos não cedessem. 

“Não precisamos sair, se você não quiser...” sussurrei perto de seu ouvido. Di suspirou. Finalmente desencostou a cabeça do braço e me encarou. 
“Não. Eu quero sair com você. Quero muito” segurou meu rosto com suas mãos. “Você me faz esquecer disso tudo. Que isso tudo acontece ou... aconteceu...” seus olhos estavam extremamente vermelhos. Agora foi a vez das minhas mãos irem de encontro com seu rosto. Não gostava de vê-lo naquela situação, não gostava nenhum pouco. Di fechou os olhos e eu colei nossas testas, de modo que nossas respirações se misturaram. 
“Então vamos. Afinal, esse é o nosso primeiro encontro. Temos que estar animados! ” fiz uma careta, fazendo-o sorrir e me dar um beijo na testa em seguida. 
“Vamos” estendeu a mão e eu a peguei sem hesitar. 
Andamos em direção ao carro amarelo e entrei assim que Di abriu a porta do mesmo para mim. Ao invés de virar à esquerda em direção à Bolton, o garoto virou a direita e eu fiquei sem entender. Olhei-o desentendida, e o garoto apenas sorriu de lado e me olhou pelo canto do olho, tentando prestar atenção na estrada. 
Já estava escuro e não havia muito movimento. 
Di ligou o rádio e me contagiei com a voz de Johnny assim que eu a escutei. 
“Love is a burning thing” começamos a cantar juntos. “And it makes a firery ring bound by wild desire” Di me olhou rapidamente. “I fell in to a ring of fire” com uma mão ele fazia gestos engraçados e a outra manobrava o volante. Eu não conseguia parar de rir das caras e bocas que o garoto fazia. 
Eu não tinha a mínima ideia de onde ele estava me levando, entretanto, amava todo aquele clima de suspense. De uma coisa eu sabia: não seria em Bolton. Obviamente. O que me deixava ainda mais intrigada. 
Di não desencaixou sua mão da minha uma hora sequer, apenas quando precisava trocar de macha para frear ou algo assim. 
Eu gostava do modo como elas ficavam bem encaixadas. 
O olhei de esgoela, e o vi encarar a estrada com um sorriso simples, mas que fazia todo o meu mundo paralisar... 


Reconheci Salford antes mesmo de ver a placa com um grande ‘Welcome to Salford’. Uma cidade à 16 quilômetros de Bolton, no máximo. Era um pouco menor que nossa cidade, mas eu podia afirmar que era melhor. Fazia divisa com Manchester, sendo separadas apelas pelo rio Irwell, e as pessoas dali eram muito mais legais que as de Bolton. Quero dizer, pelo menos são mais liberais e não se metem tanto na sua vida. Não posso generalizar, entretanto, tendo em vista que todos que eu conhecia eram bratinados e de esquerda. 
Meus olhos se surpreenderam e encararam os de Di imediatamente, e ele apenas deu de ombros. 
O carro foi parando, após alguns minutos, em frente à um restaurante chamando Actal’s Restaurant, um recinto muito fino e famoso por ter as melhores massas da região. É um restaurante tipicamente romântico, onde noventa e oito por cento dos clientes são casais. 
Eu continuava com o olhar surpreso, totalmente atônita pelo fato de ele ter me levado àquele lugar. Quero dizer, ele precisava me tirar de Bolton apenas para me levar a um encontro? Isso me soava exagero... 
O restaurante era todo de vidro, com luzes amarelas e mesas decoradas. 

“Reserva para Di Oliveira, por favor” ele falou com a atendente loira que ficava atrás de um pequeno balcão na entrada. Pediu para aguardarmos enquanto olhava em um caderno. 
“Di, não acredito que me trouxe aqui! ” Sussurrei entre dentes. “Esse restaurante é muito chique! E caro! ” Ele riu. 
“Nosso primeiro encontro tem que ser... Romântico, Lari” continuou rindo e eu rolei os olhos. “Também seria romântico se você me levasse para um piquenique no parque! ” rebati. O garoto passou o braço pelos meus ombros e beijou minha bochecha, sem mais palavras. 
“Podem me seguir, por favor” a atendente sorriu e a seguimos até uma mesa perto do blindex, o qual possuía uma vista para o rio Irwell. 
Como eu previa, havia apenas casais todos muito finos e havia um saxofonista tocando em um pequeno palco ali perto, tocando um blues apaixonante. 
A mesa era decorada com forros brancos e vermelhos, com um arranjo de velas e flores em cima. 
Nos sentamos e a moça já nos entregou o cardápio. Espantei-me ao ver os preços absurdos e encarei Di imediatamente, e ele mantinha uma expressão tranqüila...   Divertida, até. 
“Vou querer um Hacienda Monasteiro, por favor” o garoto pediu um vinho com um sorriso e me espantei ao ler o preço do mesmo. Quando a garçonete terminou de anotar os pedidos e foi em direção ao balcão, me virei para o garoto. 
“Um vinho de duzentas e setenta libras? Está louco ou ganhou na loteria? ” Perguntei entre dentes, com a sobrancelha arqueada. 
“Dá para largar de ser chata e não estragar nosso encontro? ” Ele disse em meio de risos e eu bufei. “Só curta o momento, Lari” Di deu uma piscadela e sorriu sapeca. Dei de ombros e em seguida pedi bruschettas com tomate e manjericão. Nosso vinho chegou e começamos a bebê-lo no mesmo instante. 
Di contava-me suas histórias de criança, de quando beijava todas as menininhas e depois puxava seus cabelos. Totalmente louco, devo acrescentar. 
Eu contei de quando eu era totalmente viciada no filme A Bela e a Fera e sempre atrapalhava o namoro das minhas tias no sofá da minha avó. Eu sempre fazia birra para que elas juntas dos namorados vissem o filme comigo. Totalmente mimada, por sua vez. 
Perdi a conta de quantas taças já havíamos tomado. Acho que já tínhamos tomado demais...  Acho não, tenho plena certeza. Já gritávamos e riamos escandalosamente, fazendo todos os casais requintados nos olharem com reprovação, e isso nos fazia sussurrar coisas nada agradáveis sobre os mesmos. 
“Bando de caretas! ” Di sussurrou, não tão discretamente. “Acham que são os donos do mundo, esses burgueses idiotas.” Eu adorava esse jeito esquerdista do garoto. Ele era tão idealista quanto eu, e se brincar era até mais. Tinha tanta vontade de mudar o mundo que desejava ser americano para participar da guerra que começava no Vietnã. Completamente louco, penso eu. 
“Não esqueça que eu faço parte dessa sociedade, Di” brinquei e ele fez uma careta engraçada. 
“Você não é como eles. Na verdade, você não é nem um pouco burguesa, vamos combinar, Lari. Exceto pelas roupas que você usa, talvez. E pelo modo educado que você come e fala...” forjou uma cara pensativa. “Certo, talvez você seja, mas não é como eles! Vamos lá, eles não são felizes seguindo todas aquelas regras ridículas e sem sentido! NEM AO MENOS FICAM BÊBADOS! ” Ele gritou, atraindo ainda mais olhares chocados. 
Rebeldes, eles deviam pensar. Provavelmente se perguntavam por que diabos jovens tão “sem classe” como nós estavam no mesmo restaurante que eles, tão etiquetados. 
“Senhores, poderiam falar um pouco mais baixo? É que vieram reclamar...” a mesma moça que antes nos atendeu, agora nos reprimia um tanto receosa. Talvez temia que nós a atacássemos. 
Olhei para Di. Ele olhou para mim. Sustentamos o olhar por um tempo, sabendo o que viria depois. Gargalhamos tão alto no momento seguinte, e com tanta veemência que, se eu estivesse sóbria, repreenderia os escandalosos. 
A atendente olhava para os lados, totalmente assustada com a situação, o que nos fazia rir ainda mais. 
A mulher nos deixou tendo ataques e entrou em um cômodo perto do balcão. 
“Acho que ela vai nos expulsar” Di disse entre risos, e eu era realmente anormal por achar graça naquela cena. Era meu primeiro encontro com o garoto e seriamos expulsos do restaurante. 
“Vamos embora” sugeri e já fui me levantando da cadeira, enquanto Di me encarava surpresa. “Vamos logo! ” O puxei pela gola da camisa e ele me seguiu aos tropeços. 
“Espera! ” Ele me freou e eu o observei ir até a mesa. Tirou uma nota do bolso traseiro de sua calça e colocou em cima da mesa. Em seguida tirou a garrava de vinho do balde de gelo e veio correndo em minha direção. 
“Saudações! Desculpem-nos por envergonha-los e estragar a maravilhosa noite de vocês” Di ia falando e, assim que vi a garçonete voltar com um homem alto e robusto, puxei seu braço e começamos a correr em direção ao carro. Sabíamos que nenhum dos dois tinha a minha condição de dirigir, mas simplesmente tínhamos que fugir dali. 
Entramos no carro às pressas e aos risos, vendo o segurança correr em nossa direção, no mesmo instante em que Di deu a partida no carro e uma fumaça saía dos pneus que cantavam no chão. O carro andava em grande velocidade e Di apenas a diminuiu quando tínhamos certeza de estar bem distantes do Actal’s “MEU DEUS! ” Gritei em meio de risos, sentindo meu coração disparado por tanta adrenalina. Di ainda ria e parou assim que o sinaleiro mais a frente se tornou vermelho. “Quanto de dinheiro você deixou na mesa? ” Perguntei curiosa. 
“Cinco libras” ele deu de ombros e meus olhos saltaram das órbitas. Quero dizer, só o vinho que pedimos era duzentas e poucas libras! “Não mereciam mais que isso mesmo...” rolou os olhos, me fazendo concordar e cair no riso. O relógio do rádio indicava três horas da manhã e não havia sinal de uma alma viva na cidade. 
“Quer voltar para Bolton agora? ” Ele me perguntou alheio, enquanto eu olhava atentamente para o farol, esperando-o mudar sua cor para o verde. Voltei minha atenção para o garoto. 
“Acho que seria perigoso pegarmos a estrada agora... Além de estar tarde, nossas condições não são das melhores...” falei apreensiva, vendo o garoto fazer uma careta e dar de ombros. 
Di ligou o rádio, em uma estação que tocava um especial ‘Flashback’, com música da década de 20. A voz de Louis Armstrong consumiu todo o silencio do carro, e eu continuava a observar o garoto do meu lado, que me olhava na mesma intensidade. Acho que o sinal já havia ficado verde, mas não nos importávamos. Não havia um movimento sequer, de qualquer maneira. 
“Quer dançar comigo? ” Di disse calmamente, com a voz um pouco falha. Seus olhos estavam vermelhos e seus cabelos mais bagunçados do que nunca e um pouco suados. 
“Aonde? ” Perguntei confusa, vendo o garoto encostar a cabeça na beirada do banco, bem próximo de mim. 
“Na rua...” ele disse despreocupado, com um sorriso no canto dos lábios. “Agora? ” Hesitei. Di já se moveu do banco e saiu do carro, rodeando-o e parando do lado da minha porta. Eu o encarava atônita através do vidro e o vi abrir a minha porta, erguendo sua mão para que eu saísse do veículo. 
“Você é louco, Oliveira” ri e segurei sua mão. Antes que pudéssemos ir para o meio da rua, Di aumentou o som num volume não permitido pela Lei do Silêncio, e eu reconheci Dream a Little, Dream of Me do Louis. Era um blues totalmente gostoso de se ouvir, e dançar com Di me pareceu muito convidativo naquele momento. Estávamos bêbados e o mundo não nos importava. Já havíamos infringido várias regras naquele dia, mais uma não iria fazer a mínima diferença. 
Ele me conduziu até o meio da rua, em frente ao carro e em cima da faixa de pedestres. 
Fez uma reverência, curvando-se. Eu peguei as pontas de minha saia e devolvi o gesto com um sorriso. 
Ele se aproximou lentamente de mim, colocando sua mão delicadamente em minha cintura, enquanto a outra se encaixava na minha. 
Toquei seu ombro com sutileza e encostei nossos rostos gentilmente. Começamos a mover nossos corpos lentamente de acordo com o ritmo que a música nos permitia. Girávamos com cautela e sem pressa, sentindo os ventos frios do outono tocarem nossa pele, nos fazendo colar ainda mais nossos corpos. 
A respiração quente do garoto batia em minha bochecha, fazendo meus olhos se fecharem lentamente. Seu cheiro era entorpecente e sentir seu hálito entrar em contato com a minha pele me deixava ainda mais tonta. 
Aconcheguei meu rosto em seu pescoço, e escutando seus suspiros em meu ouvido à medida que eu depositava leves beijos ali. 
Suas mãos apertavam minha cintura levemente e nossos pés continuavam a se mover na mesma sintonia. 
A rua seria demasiada escura se não fosse pelas luzes do semáforo que mudavam constantemente. 
Movi minha mão, que antes se encontravam no ombro forte do garoto, para seus cabelos, entrelaçando-os em meus dedos. 
Di moveu seu rosto, beijando lentamente meu lóbulo, depois minha maçã do rosto, passando pela minha mandíbula e, por fim, tocou meus lábios com doçura. 
Sua respiração se misturava com a minha, devido à proximidade de nossas faces, e eu não ousei abrir meus olhos... Estava tudo perfeito daquela maneira. Passamos a nos beijar lentamente, sentindo nossos gostos se misturarem e nossas línguas se encontrarem com calma. Di tinha gosto de vinho, o que deixava aquele beijo ainda melhor... 
As mãos do garoto agora passeavam pelas minhas costas, e se já não bastasse, me causava arrepios gostosos. 
Dei uma mordida de leve em seu lábio inferior antes de nos afastar. 
O garoto me abaixou lentamente, com as mãos firmes em minha coluna, em um passo encantador. Voltou-me à posição normal, deixando nossos rostos próximos novamente. Meu nariz estava encostado no seu, e eu os rocei levemente. 
Senti os lábios de Di tocarem os meus novamente, separando-os no mesmo instante. Ele trilhou o mesmo caminho de antes até chegar em meu pescoço, onde beijava sem pressa. Eu suspirava baixinho em seu ouvido, e aquilo parecia o estimular. Minha respiração já começava a se descompassar, e minhas mãos agora puxavam seus cabelos com certa força. Di me puxou ainda mais contra seu corpo, e estremeci ao senti-lo tão perto de mim. 
Senti algo gelado tocar meus joelhos e percebi que havíamos chegado perto do carro. Nossa dança havia parado, mas Di continuava com o corpo colado no meu. Sentei no parachoque do veículo e abri um pouco as pernas para que o garoto ficasse entre elas. 
Puxei seus cabelos, de modo que o garoto deixasse meu pescoço e me encarasse. Olhei profundamente naqueles olhos maravilhosos antes de colar nossos lábios pela milésima vez. Nosso beijo foi tomando velocidade ao longo dos segundos e o corpo de Di já forçava bastante contra o meu, então me deitei no capô. Dobrei uma de minhas pernas, em uma posição mais agradável, e senti o peso do corpo do garoto sobre o meu. 
Partiu o beijo e me encarou, seus olhos cheio de desejo e paixão. Sua mão, que antes se encontravam em meu pescoço, desceu lentamente pelo meu corpo, explorando cada parte do mesmo. Andou por meu colo, barriga, até parar em minhas coxas. 
Voltou a me beijar, e eu mantinha minhas mãos estavam espalmadas em seu peito. As do garoto começaram a subir, trilhando um caminho por debaixo do meu vestido. Eu não me importava. Estava até segura por atingir esse ‘novo nível’. Eu simplesmente estava com uma incrível atração física naquele momento, e meu corpo implorava para estar colado no do garoto. 
Suas mãos passaram lentamente por uma de meus glúteos, demorando um tempo considerável ali. Depois subiram para a minha cintura, apertando-a com acuidade. Nossos corpos se moviam de acordo com nosso beijo, o que me permitia sentir a paixão de Di mais embaixo. 
O garoto passou a beijar meu pescoço, arrancando suspiros pesados da minha garganta. Meu coração, assim como minha respiração, estava totalmente descompassado, decidindo se continuava a bater ou não. 
Di desceu seus lábios lentamente, dando atenção agora para meu colo descoberto devido ao decote. Com a mão livre, ele desabotoou mais um botão, deixando agora parte do meu sutiã vermelho à mostra. Beijava com desejo a parte descoberta de meus seios, me deixando um tanto quanto entorpecida. Tanto que eu já fazia movimentos contra seu corpo, mostrando o quanto eu estava gostando daquela situação. 
Puxei novamente seus cabelos, trazendo sua boca de volta, eu precisava daqueles lábios contra os meus, eu precisava sentir seu gosto novamente. 
Senti sua mão, que antes estavam em minha cintura por debaixo do meu vestido, se juntar com a outra em um trabalho de desabotoar outro botão do meu vestido. Certo, eu estava adorando aquele momento. Estava louca de paixão e desejo, mas o fato de estarmos no meio da rua e, para piorar, em cima do capô de um carro, me fez despertar de toda aquela loucura entorpecente. Separei nossos lábios. 
“Di...” tentei começar, mas o garoto colou nossas bocas novamente. Ri no meio do beijo, mas não desisti. 
“Di, estamos no meio da rua” falei rapidamente, antes dele me interromper novamente. Ele riu contra meus lábios. 
“Quem se importa? ” Ele disse ligeiro, apenas para poder me beijar novamente. 
“Eu não me importo... Mas já está tarde e...” Hesitei por um instante. Di me olhou penetrante e eu olhei para seus lábios vermelhos e inchados. “Estamos indo rápido demais...” o que não era mentira. Se continuássemos daquele ritmo, não sabia quando pararíamos mais e como aquilo acabaria...  Na verdade, sabia sim. 
Di fechou os olhos e suspirou pesadamente. Encostou a testa em meu peito descoberto, tentando ceder ao meu pedido. 
Sorri e comecei a acariciar seus cabelos suados. 
“Às vezes é difícil, Lari...” ele sussurrou abafadamente. “Digo... Me controlar perto de você” concluiu e eu abri ainda mais meu sorriso devido ao desabafo. Di levantou a cabeça e me encarou. 
Levei uma mão até seu rosto, alisando sua bochecha carinhosamente, vendo seus olhos se fecharem. 
“Vamos. Ainda temos que achar um hotel...” empurrei-o de cima de mim com cuidado e lhe dei um selinho antes de me dirigir até a porta do carro. 
Di permaneceu estático por alguns segundos, como se ainda tentasse restabelecer seu autocontrole. Eu não podia deixar de rir daquela situação. 
Bagunçou nervosamente os cabelos e finalmente entrou no carro. 
“Você ainda vai me matar, Larissa” ele disse, balançando a cabeça negativamente e dando partida no carro. 



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