História Querido Diario - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
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Palavras 2.701
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 21 - We are in trouble but we dont care...




Depois do episódio na rua que eu não me lembro o nome, Di e eu começamos uma maratona atrás de um hotel. O primeiro que encontramos, Floats Hotel, e posso dizer que nunca vi um muquifo tão...  Muquifo quanto aquele. Uma velha de bigode e verruga no queixo nos atendeu e nos entregou uma chave de um quarto do terceiro andar. Só pelo estado da recepção teias de aranhas nos cantos do teto, mofo no sofá e poeira em todos os lugares possíveis já tive uma imagem de como seria o quarto. Não reclamei ou tive um ataque burguês porque estava bêbada demais e com sono demais para poder ter alguma reação. 
Subimos escadas porque aquele lugar ainda não conhecia algo chamado elevador em direção ao terceiro andar, quarto 307. 
Já no corredor, o carpete era o mais sujo que eu já havia visto na minha vida, paredes descascadas e portas pintadas com uma cor azul celeste. 
“Chegamos” Di disse meio morto, tão acabado quanto eu. Um cheiro de fumaça chegou às minhas narinas e mude perceber que vinha do quarto ao lado e nem quis imaginar o que poderia estar acontecendo ali. 
O quarto era... Bem, não há descrições que possam definir meu estado de espírito ao adentrar aquele quarto. Pensei em pirar de vez e fazer um escândalo, tirando Di de lá pelos cabelos, mas pela expressão tranquila do garoto preferi ficar calada e aguentar aquilo...  Por ele. 
O garoto me olhou, dando de ombros e fazendo uma cara inocente, como se pedisse desculpas pelo olhar. Forcei um sorriso. Apesar de eu amar passar meu tempo com Di, preferia passar, não sei...  Quem sabe no carro? Aquele lugar era um desespero! 
O garoto, visivelmente bêbado, saiu correndo quarto adentro e pulou com força em cima da cama. Tudo que pude ouvir foi um estralo enorme e no momento seguinte, Di e a suposta cama estavam no chão. Não pude deixar de soltar uma risada escandalosa ao ver a cara de espanto do menino, que pareceu perder todo o álcool em seu organismo e olhar assustado para os lados. 
Tive até que me sentar no batente da porta por tanto rir e não estar me aguentando de pé. Minha barriga já começava a doer e tudo que se escutava ali no cômodo era minha risada estridente que, em segundos, se juntara com a de Di. 
“Esse... É o melhor... Hotel que eu... Já fui” ele falava pausadamente, entre risos e suspiros. 
Em um impulso me levantei, e corri em direção à cama, pulando nela em seguida e caindo nos braços de Di. Ela já estava no chão mesmo, um peso a mais não faria diferença. Pelo menos ela caíra enquanto estávamos acordados... 
“Só você mesmo para me fazer ficar num lugar desses” falei após cessar as risadas e o agarrei pela cintura. 
“Se quiser procurar outro, podemos ir...” ele disse alheio, passando um braço por um de meus ombros. Suspirei. 
“Não... Vai ser divertido” falei antes de morder seu pescoço e tê-lo fazendo cócegas em minha barriga. 
E a noite se estendeu com muita conversa, barulho vindo dos demais andares, e risadas sobre tudo e nada ao mesmo tempo... 


Eu já estava no backstage e nunca me senti tão nervosa em toda minha vida. Minhas mãos tremiam de tal maneira que tinha dúvidas se conseguiria subir naquele palco. Eu revisava em pensamentos todos os passos da minha apresentação, enquanto os outros candidatos ensaiavam e se alongavam nas penteadeiras. Eu não conseguiria nem mover os dedos do pé. E quer saber o pior de tudo? Di não havia chegado. 
Ele não podia amarelar agora, por Deus, não agora! Ele não seria capaz de me deixar nessa situação, seria? 
Eu olhava por uma fresta da cortina que tampava o palco, e o ginásio Passerby se enchia cada vez mais. Eu havia chamado todos meus amigos e vi que chegavam naquele exato minuto. 

Mharessa carregava consigo um enorme sorriso e dava pulos de alegria enquanto se dirigia às cadeiras em frente ao palco da área restrita. Restrita aos poderosos da cidade e suas famílias. Hipócrita, mas o que eu podia fazer... 
Le conversava animado com Tho e rindo de alguma bobagem, provavelmente que Gui dissera. 
A cidade inteira estaria ali. O prefeito Silva, as socialites, as garotas da escola, as famílias dos meus amigos... Só esperava que Silvana não resolvesse sair de casa hoje. Pensaria: “O que diabos minha filha está fazendo ali? ” 
Eu provavelmente a ‘envergonharia’, já que lugar algum era decente o suficiente para sua cria. 

Quando o salão já estava cheio, o apresentador do Dancing Days abriu a cortina e uma multidão de aplausos, eu pude ouvir. Uma montanha russa se formou em meu estomago e a ausência de Di fez tudo piorar. Seriamos o sexto casal a se apresentar e onde aquele moleque havia se enfiado? Queria me matar do coração, era isso? Se fosse, estava conseguindo lentamente! 
Respirei fundo enquanto via o primeiro casal entrar no palco. Eu não olharia a desempenho dos concorrentes, não queria me sentir intimidada e ter que fugir. Aquela era minha primeira aparição em público, mostrando uma habilidade que, até então, era desconhecida por mim, e isso me deixava extremamente nervosa. O fato de Di não estar ali, piorava tudo ao quadrado. 

O segundo casal se dirigiu animadamente ao palco. 
Fui com as pernas bambas em direção a uma penteadeira e bufei assim que me sentei. Olhei-me no espelho e vi uma garota de olhos tensos e pálida devido ao nervosismo. Peguei um blush que estava em cima do móvel e passei em minhas maçãs do rosto tentando disfarçar minha tensão. 

Depois de quatro minutos, o terceiro casal foi se apresentar. E eu queria matar aquele ser chamado Di Oliveira. Como ele podia fazer isso comigo? Ele sabia o quão importante era esse concurso para mim, estávamos treinando há quase um mês e ele me parecia tão certo quanto a participar! O que diabos estava acontecendo? 


 

Di’s POV



Eu nunca soube como dar um nó em gravatas. Estava para surgir algo mais complicado a se fazer do que isso. Desisti e, por fim, resolvi apenas colocar o terno branco sobre a camisa amarela. Larissa queria que eu parecesse com Elvis Presley e isso era obvio. Olhei-me uma última vez no espelho e peguei a chave da minha moto, saindo de casa em seguida. Faltava uma hora e meia para o início do festival e se eu me atrasasse um segundo, Lari ficaria louca, eu tinha certeza. 
Demoraria dez minutos para que eu chegasse ao centro da cidade, andando a 120 quilômetros por hora. Multas seriam consequência. Como programado, cheguei em frente ao ginásio Passerby. Eu estava mais nervoso do que quando fiz minha primeira aparição com FunBoys. Primeiro porque foi apenas para cem pessoas e esse concurso teria, no mínimo, oito mil pessoas...  Segundo, eu estaria frente a frente com Larissa, imagine se eu esquecesse algum passo e a fizesse passar vergonha? Se eu pisasse em seu pé? Droga, eu estava perdido! 

E, quando estava prestes a entrar no ginásio, senti uma mão puxar-me pelo ombro e um hálito de álcool muito forte chegou ao meu nariz. Surpreendi-me ao ver Lucas parado em minha frente, com uma cara furiosa. Engoli seco. Por mais que eu não tivesse medo daquele idiota, eu estava surpreso por sua aparição após anos luz. 
“O que quer, Silva? ” Falei firme, tirando sua mão do meu ombro brutalmente e o encarei com raiva. “Você não imagina, Oliveira...” ele sibilou com dificuldade e o cheiro de álcool saindo da sua boca. “O ódio que eu sinto de você” falava entre dentes. 
“Que bom que seus sentimentos são correspondidos” falei no mesmo tom. De repente, senti meu corpo ser empurrado com força e gemi fracamente ao sentir minhas costas baterem na parede. 
“Agora não tem ninguém para gritar por você, Di...” ele foi se aproximando, deixando seus olhos vermelhos mais visíveis à medida que chegava mais perto. 

 

End of Di’s POV



“Droga! ” Exclamei após a milésima vez que olhei em meu relógio de pulso. Aquela demora não estava normal! E cheguei à conclusão de que Di jamais me deixaria esperando daquela maneira se nada tivesse acontecido.

Fui em direção às cortinas, onde o quarto casal se apresentava e procurei por Le na plateia. Comecei a fazer gestos bruscos para chamar sua atenção, sem sucesso por alguns instantes, já que ele olhava atento à apresentação. Vi Mha cutucá-lo e apontar para mim, fazendo-me agradecê-la mentalmente. 
“Cadê o Di? ” Falei, esperando que ele fizesse leitura labial. 
“O quê? ” Li em seus lábios. Bufei nervosa. 
“Di! ” Insisti. Ele continuou sem entender, com aquela cara de palerma. Por que diabos meus amigos eram tão lerdos? “DIEGO! ” Gritei, e alguns olhares foram direcionados em minha direção, fazendo-me esconder. 
Olhei para Le novamente e, finalmente, ele pareceu entender. Cutucou Tho e Gui, e os três se levantaram em direção à saída. 

 

Di’s POV



“Eu adoraria perder meu tempo com você, Lucas, mas tenho um festival para participar...” falei sarcástico e me desvencilhei em direção à saída. Entretanto, a mão de Silva novamente me puxou, prensando-me, mais uma vez, contra a parede. Rolei os olhos. 
“Festival que eu teria que participar!” Lu rangia os dentes e aquele showzinho já estava me cansando. E o fato que mais me preocupava era que Lari já estaria ficando louca. 
“Bom que você sabe conjugar verbos, Lu, vamos terminar logo com isso! ” Falei com um tom entediado. 
“Como quiser, Oliveira” ele disse divertido e, no momento seguinte, senti sua mão entrar em contato com meu nariz. Bicho, não tinha algo que doesse mais do que um soco no nariz. Certo, um chute nas partes baixas ganhava. 
Não contive o grunhido de dor e, então, senti um liquido escorrer até minha boca e eu reconheci o gosto de ferro enferrujado. 
Meu instinto animal despertou no mesmo instante e, sem que eu ao menos mandasse estímulos de raiva ao meu cérebro, meu punho se fechou em direção à maçã do rosto do Silva. O garoto se desequilibrou um pouco para a direita, se recuperando após alguns segundos. Olhou para o lado e fez um singelo aceno com a cabeça. Forcei um pouco a visão e vi três garotos, tão grandes quanto Lucas, se aproximarem. Presumi que eram as prostitutas de Lucas Silva. 
“Precisa das suas amiguinhas para dar conta de mim? ” Ri irônico, antes de sentir meu estômago ser afundado por um murro na barriga. Contrai com grande dor. Esperei todos os flashes da minha vida passarem pela minha mente, já que eu morreria naquele momento. Dizem que isso sempre acontece, não é mesmo? Ótima hora de ser espancado, justo quando a cidade inteira se concentrava no mesmo lugar, deixando a rua deserta. 
No momento em que me levantei, preparado para deixar Silva estéril, um mais novo murro acertou em cheio minha bochecha direita. E depois a esquerda. E a barriga. 
Eu não sentia dor alguma devido à santa adrenalina que borbulhava em minhas veias e, quando um dos capangas que mais parecia um chipanzé ia me atacar, desvencilhei-me de seu braço e dei-lhe um chute forte no joelho do capanga que parecia uma hiena, fazendo-o cair no chão. Agora faltavam três e eu agradecia o senhor Oliveira por ter me obrigado a fazer karatê até os quinze. 
Dei um murro rápido na barriga do chipanzé, mas fui surpreendido por trás, quando o outro capanga segurou meus braços. Lu, então, deu dois murros seguidos em minha barriga. Dessa vez, a adrenalina me abandonou. Chapa, eu senti que podia vomitar a qualquer momento. Jogaria tudo na cara do Silva. 
“Co-covarde! ” Juntei fôlego e força para dizer, sendo atingido no rosto em seguida.
“Você rouba a garota dos outros”, murro na barriga. “E espera sair ileso? ” Murro no rosto. Naquele momento, sangue já saia de todos os cantos do meu rosto e eu não sabia se poderia ficar de pé por se um dos carrascos não estivesse me segurando. E apesar disso, tudo que eu conseguia pensar, era em Larissa. Eu tinha que me manter firme para ela, não podia decepcioná-la. Sabia o quão importante aquele concurso era para ela. Com seu sorriso lindo em minha mente, tentei me desvencilhar do garoto que me segurava, sem sucesso, entretanto. Aparentemente, só aumentei o ódio de Lucas. 
“Você não vai a lugar nenhum, Oliveira! ” Escutei vagamente antes de ter meu rosto atingido pela vigésima vez. 

“LUCAS? ” Escutei uma voz ao longe e vi, vagamente, o garoto se virar surpreso para a porta do ginásio. 
“Saia daqui, bro! Isso não tem nada a ver com você! ” Lu falou apreensivo para o irmão que se aproximava. 
“Que diabos você está fazendo? ” A voz de Le se elevou e ele parecia incrédulo apesar de eu não conseguir ver sua fisionomia. Minhas pernas não me aguentavam mais e eu me sentia cada vez mais tonto, cada vez menos sensato. 
“Gui, tire ele daqui! ” Lucas ordenou furioso e desesperado, enquanto meus três amigos se aproximavam cada vez mais. Escutei um estralo e vi que Le havia batido em seu próprio irmão, e cai no chão assim que o capanga me largou para ajudar seu cafetão. Por tanta pancada, meus sentidos estavam destroçados, assim como diversas partes do meu corpo. Eu estava estatelado no chão e minhas pernas não recebiam as ordens para que se levantassem. Pude ver meus amigos brigando com as prostitutas de Lucas. Gui batia no que antes me segurava, Tho com o chipanzé e Lu ordenara que a hiena nada fizesse, já que em seu irmão ninguém tocaria. 
“Por que você fez isso, Lucas? ” Le gritava no meio da confusão. 
“Esse seu amigo é um verme! Isso é o que ele merece! ” Lu gritava de volta. 
“Merece o que, Lucas? O que você tem na cabeça? ” Le deu um empurrão no mais velho, que se manteve imóvel. 
“Esse idiota roubou minha namorada!” Lu apontava o dedo indicador ameaçadoramente contra Le, que balançava a cabeça, totalmente incrédulo. 
“Ninguém roubou nada de você! Você afasta as pessoas, você ficou com a melhor amiga da Lari, é tudo você! Tudo SUA culpa! ” O Silva mais novo já havia perdido o controle. “Vá embora...” 
“Le, você...” 
“VÁ EMBORA! ” Gritou. Le estava furioso e, por mais acabado que eu estivesse, percebia que jamais o vira com tanto ódio. Nem quando os garotos da oitava série colocaram sua cabeça na privada, por volta da quarta série, ele ficara nesse ódio como agora. Lu respirava rapidamente, talvez contendo a vontade de bater no irmão. O mais velho olhou furiosamente para suas prostitutas, que agora o encaravam, e acenou com a cabeça. Deu uma última olhada em mim e se virou, sumindo assim que dobrou a esquina. Meus três amigos vieram rapidamente em minha direção e me levantaram. Tho passou um braço em minha cintura, fazendo-me apoiar em seu ombro, enquanto Gui fazia a mesma coisa do outro lado. 
“Você está bem, mate? ” Le perguntou, encarando-me cautelosamente. Tossi, vendo gotas de sangue saírem da minha boca e uma feição de pena apareceu no rosto do meu amigo. 
“Nunca estive melhor” sorri alheio, arrancando risadas dos três. 
Le foi na frente e ia abrir a porta do ginásio quando Tho o interrompeu: 
“O que está fazendo, Le? Temos que levá-lo ao Pronto Socorro! ” Ele apontou para mim com a cabeça. Silva ponderou por alguns instantes, suspirando pesadamente no final. 
“Vamos chocar essa cidade...” ele falou sério e eu ri fracamente. Ele sempre lia meus pensamentos. 
“De que adianta levar uma surra dessas se não se pode mostrar para todo mundo? ” Sibilei fracamente, com as últimas forças que me restavam, vendo os três rirem novamente. 
Isso sim era amizade. Conseguiam rir até quando um dos amigos atingiu o último nível da desgraça. 
“E além do mais, a família Silva tem que ser desmascarada...” Le falou vagamente, mas com firmeza. 
“Le...” Gui chamou. “Você se lembra que é um Silva, não lembra? ” 
“Sim, Gui. Eu infelizmente me lembro” falou antes de abrir a porta e encarar Bolton inteira em um só lugar. 

 

End of Di’s POV



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