História Querido Diario - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 2
Palavras 9.050
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - I smell T-R-O-U-B-L-E




“Casal seis, por favor, no palco! ” o apresentador falou com alegria no microfone e pude escutar uma série de gritos e aplausos.
Meu Deus, eu estava perdida. P-E-R-D-I-D-A. 
Após alguns segundos sem resposta, ele voltou a chamar: 
“Casal seis no palco! ” 
Os aplausos se cessaram e eu senti a tensão no ar. Respirei fundo. Eu iria no palco, contaria alguma piada enquanto os garotos não voltavam com Di e, assim que o festival acabasse, Di estaria a seis palmos abaixo do chão. 
Passei pelas cortinas. Vi todos aplaudindo novamente e pude até achar o rosto da minha mãe no meio daquela multidão, com uma visível feição de choque. Abaixou o rosto envergonhado, inclusive. Meu pai, em contrapartida, batia palmas euforicamente. 
Meu estomago dava voltas e mais voltas, e senti que poderia jogar tudo para fora a qualquer minuto. Minhas mãos tremiam como nunca e jurei que cairia a qualquer momento de tão bambas que minhas pernas estavam. 
Fui em direção ao apresentador baixinho, rosa e gordo, e roubei o microfone de sua mão. 
Meu estomago dava voltas e mais voltas e senti que poderia vomitar. 
“Er... Olá! ” Minha voz ecoou no salão. O silencio era absoluto, exceto por uma pessoa que tossia compulsivamente na arquibancada. “Bom, meu nome é Larissa Elias e...” olhei para Mharessa que me encarou confusa e pesarosa; sorri nervosa. “Olá mamãe”, é, eu estava enlouquecendo. Eu tinha que ganhar tempo e a imagem de Silvana envergonhada me pareceu um ótimo meio. Afinal, irritá-la foi o motivo pelo qual Deus me mandara para a Terra. 
Uma multidão de olhares foi direcionada à loira, que usava um coque prendendo seus cabelos sedosos, tinha as bochechas coradas e colocou um sorriso murcho nos lábios. 
“Então... Aconteceu um imprevisto e...” Minha voz foi interrompida quando a porta do ginásio foi aberta bruscamente e meu coração foi comprimido no momento em que vi meus quatro amigos adentrando o recinto. 
Le na frente, com a feição mais amedrontadora que eu já vira em toda minha vida. No entanto, no instante que meus olhos pousaram nos três de trás, deixei o microfone cair no chão, fazendo-o soltar um ruído estridente e insuportável. Todos moveram suas cabeças para trás num movimento sincronizado e, na escadinha que ficava paralela ao palco, desci na velocidade da luz. 
“DI! ” Deixei minha garganta soltar um grito de desespero quando vi o estado do garoto. Andava com ajuda de Gui e Tho, ainda com as pernas arrastadas. Vários cortes espalhados por seu rosto na sobrancelha, canto da boca, nariz; o olho esquerdo estava inchado e roxo...  As pessoas deixavam grunhidos de choque escaparem de suas bocas, mas nenhuma estava mais intrigada que eu. 
“O que aconteceu? ” Minha voz soou extremamente desesperada e eu não sabia se olhava para Gui, Tho ou o próprio Di por explicações. 
Vi, de relance, Le andar no corredor que as cadeiras faziam, e indaguei-me o porquê dele não estar ajudando o amigo. Encarei seus movimentos e vi que ele procurava por alguém no meio da plateia. 
“Está vendo, Sr. Prefeito? ” Gritou para um ponto fixo no meio da multidão, que reconheci por sendo seu próprio pai. Todas as cabeças curiosas se voltaram para aquele ponto, despejando sussurros e exclamações. Le apontava freneticamente para Di, espumando rancor de suas entranhas. 
“Está vendo? Isso é tudo obra do seu querido filho, Lucas! ” Ele gritou e cinco quintos dos presentes incluindo a mim soltaram interjeições incrédulas. 
“Lucas fez isso? ” Minha voz explodiu em raiva, e eu encarei o pouco de olhos que ainda estavam expostos de ousei. O garoto pareceu estar desacordado, portanto me dirigi à Gui, esbanjando ódio por todos meus poros. “LUCAS FEZ ISSO? ” Repeti em alto e ameaçador som. Gui apenas acenou positivamente com a cabeça, o que fez meus punhos se fecharem de raiva. 

“Le, o que você está fazendo? ” Carlos, pai de Le, perguntou com uma expressão nítida de embaraço e inquietude. 
“Estou mostrando o quão perfeito seu filho é, bem do jeito que todos pensam! Quero que todos vejam a educação impecável que ele recebeu! ” O menino fazia gestos exacerbados com as mãos, enquanto seu rosto já tomava uma cor avermelhada. 
Joana Silva se levantou, colocando a mão no ombro do marido, preparando-se para acobertá-lo. 
“Le, meu querido, agora não é hora de falar sobre isso, o que acha de irmos embora para discutir sobre o assunto? ” Ela disse com um sorriso forçado. 
“EU NÃO VOU A LUGAR ALGUM! ” 

“Oh meu Deus, temos que levar Di daqui! ” Me agachei um pouco, ficando da altura do garoto que já não se aguentava sobre suas pernas e coloquei seu rosto delicadamente entre minhas mãos. Fez um pouco de esforço para me encarar. 
A discussão entre a família Silva continuava, mas eu já não prestava atenção. 
“Vai ficar tudo bem, Di! Nós vamos te tirar daqui e eu vou cuidar de você” olhei-o profundamente, tentando passar uma fala de segurança, já que eu estava desesperada por dentro. Levantei-me e encarei os dois garotos que o seguravam. “Vamos, eu estou de carro! ” Fui à frente, andando devagar para que Gui e Tho me acompanharem. Eu estava arrebatada; minha testa suava de nervosismo e demorei cinco minutos para achar as chaves do meu carro dentro da minha pequena bolsa de mão. 
“Coloquem-no aqui” ordenei, abrindo a porta dos bancos de trás. Meus amigos deitaram Di ali em seguida. 
“Tho, por favor, leve-nos para minha casa” joguei o molho de chaves ao garoto, que a pegou de imediato e foi para o banco do motorista. Eu, no entanto, sentei-me ao lado de Di, colocando sua cabeça em meu colo. Pedi para que me explicassem exatamente o que acontecera e, a cada parte da história, eu me sentia mais e mais culpada. 
“Me desculpa por isso, Di...” sussurrei perto de seu ouvido, no mesmo tempo em que mexia nos seus cabelos. Eu estava massacrada por ver seu estado, todos aqueles ferimentos que foram causados, nem que indiretamente, por mim. Vi o garoto tentar dizer algo, contudo aquilo parecia ser uma tarefa extremamente difícil. Beijei sua testa com sutileza, podendo enfim, escutar o som que tentava sair com esforço da boca do menino. 
“Eu apanharia... De novo...” sua voz era falha e pesada. Respirou fundo. “Se fosse por você...” 
Quis sorrir, apesar de aquele momento ser totalmente importuno para tal ato. 
“Não diga isso! Ninguém merece ser espancado por causa de qualquer garota...” contrapus, mapeando seu rosto carinhosamente com a ponta dos dedos. 
“Você não é uma garota qualquer...” disse com dificuldade, suas pálpebras mal conseguiam manterem-se abertas. “E se for para te ter fazendo carinhos em mim em cada briga que eu me meter, Lucas que me aguarde...” 
No fim de sua frase, tanto eu quanto os dois garotos do banco da frente, caímos na gargalhada. Di tentou desfrutar do mesmo prazer, mas acabou tossindo e se contraindo de dor. 
“Esse é o nosso Di! Garanhão até mesmo após um bode! ” Tho falou em meio de risos. 
Quando cessei minhas risadas, curvei-me um pouco, de modo que ficasse na altura de seu ouvido e sussurrei: 
“Você não precisa ter apanhado para receber meus carinhos...” 
Di simplesmente esboçou um sorriso enorme e com sangue nos dentes, fazendo-o arrepender-se de o ter feito em seguida. 



“Obrigada garotos. Tho, leve meu carro que amanhã eu o busco na sua casa...” falei já dentro de casa, depois que os dois me ajudaram a carregar Di para dentro. Despedi-me deles e os acompanhei com o olhar até que desaparecessem pelo enorme jardim. Por mais que aquela casa me trouxesse algumas lembranças pesarosas, uma saudade enorme me abateu no momento em que cruzei os portões de ferro da mansão. Os tempos em que eu corria com Gilberto pelo jardim e outros em que subia nas arvores, e gritava a Marina desesperada. 
“Mari? ” Gritei em meio daquele vazio. Minha voz ecoou pelo grande salão de entrada. Di gemeu ali do meu lado, onde se apoiava em meus ombros e em um móvel cheio de porta-retratos. 
“MARINA? ” Gritei novamente, vendo a luz do corredor que dava para a cozinha ser acesa. 
“Larissa? ” Ouvi sua voz preocupada ao longe, e seus passos assoarem no chão de mármore. “Oh meu Deus, Larissa! ” Um sorriso enorme se formou em seu rosto redondo e moreno. Veio ao meu encontro e me abraçou, sem ao menos notar a presença de Di. Só pareceu notá-lo quando este gemeu de dor ao ser tocado acidentalmente. 
“Santo Deus, o que aconteceu com o pequeno Oliveira? ” O chamou como costuma meu pai, e passou a analisar seus ferimentos. 
“Lucas aconteceu...” falei com ódio só de lembrar o nome do dito cujo. Mariana soltou um grunhido de choque. 
“O que está acontecendo aqui...” uma voz surgiu no pé da escada e foi perdendo intensidade aos poucos. “Pelas barbas de Merlin, o que aconteceu com o pequeno Oliveira? ” Gilberto se mostrou tão chocado quanto Mari e desceu as escadas como um relâmpago. Sem que eu precisasse abrir a boca, Marina se pronunciou com desgosto: 
“Lucas Silva foi o que aconteceu...” repetiu minhas palavras até na entonação exasperada. 
“Lucas é um xexelento...” Papai mexeu a cabeça negativamente e fez uma cara pensativa ao analisar Di. Ri da expressão que usara; Gilberto sempre gostava de estar antenado na modernidade, inclusive nas gírias da mocidade. 
“Papai, me ajuda a levá-lo pro meu quarto?” 
Não precisou que eu repetisse eGilberto já ofereceu o ombro para que Di se apoiasse. 
“Mari, pegue a caixa de primeiros socorros que você guarda debaixo da sua cama...” falei apressada, enquanto começava a subir a escada. 
“Eu sabia que esse Lucas era um mal elemento...” meu pai começou com desgosto na voz. “Cada osso do meu corpo era contra seu namoro com aquele pivete...” 
“Deveria ter me impedido...” falei alheia assim que entramos em meu velho refúgio. 
Acendi as luzes, dando lugar às paredes em tom rosa claro; a cama de casal com várias almofadas e ursos de pelúcia, a enorme escrivaninha de madeira envernizada, com dezenas de porta-retratos, livros e bonecas de porcelana. 
“Deite-o ali” apontei para minha cama e papai o fez em seguida. Pouco depois, Marina apareceu com a caixinha que guardava para emergências, tais como quando eu caia de um balanço, esfolava o joelho, era arranhada por um gato... 
“Trouxe também uma toalha umedecida em água burricada...” entregou-me tudo em mãos. Agradeci brevemente antes de correr para a cama e me sentar ao lado de Di. 
“Bom...” papai pigarreou. “Vamos deixá-los a sós... Se precisar de alguma coisa...” antes de terminar a frase, os dois já haviam deixado o quarto. 
Peguei a toalha e passei levemente sobre os ferimentos no rosto de Di, vendo-o se contrair com agonia. 
“Desculpe...” falei receosa e voltei a tocá-lo, agora com o maior cuidado do mundo. 
O garoto me encarava com o olho que não estava inchado. Continuou a me observar por longos segundos enquanto eu limpava seus ferimentos. 
“Se continuar assim, não vou conseguir fazer meu trabalho direito...” senti minhas bochechas idiotas corarem em um ato involuntário. O garoto riu de leve, seus olhos sempre me perseguiram tanto, sempre estremeceram cada parte do meu corpo. Mesmo com o olhar fraco e debilitado, eles continuavam minuciosos e cativantes. Peguei um antisséptico e molhei um algodão. 
“Vai doer...” avisei com uma feição de dor, como se eu pudesse sentir o que o garoto estava prestes a sentir. Toquei seus ferimentos com delicadeza, e Di se contraiu como previsto. Depois de limpar todos os cortes, passei a observá-lo ternamente. Como alguém tinha a capacidade de fazer mal àquela criatura? O rancor que pulsava em minhas veias era enorme. Estava tudo acumulado, toda a aversão por Lucas, de tudo que ele tinha me feito e agora fazia com Di. O que este tinha a ver com tudo isso? Não era como se ele tivesse me roubado de Lu, o próprio me fez afastar! Como ele podia ser tão hipócrita? 
“Agora sou eu quem vai ficar envergonhado...” o menino falou calmamente, e eu não contive meu sorriso. 
Di apoiou sua cabeça em meu colo, e eu passei a mexer em seu cabelo. 
“Preciso ir embora...” Di disse após alguns minutos, aparentemente sonolento. 
“Não precisa...” beijei sua testa sutilmente. “Você vai ficar aqui essa noite” desci meus lábios para sua boca. 
“Sua mãe vai pirar...” falou com um sorriso atrevido no rosto. 
“Eu sei como lidar com a fera...” ri, ainda mexendo em seu cabelo úmido de suor. “E além do mais, estou fazendo uma boa ação...” dei de ombros. 
“Como você é boazinha...” Di se ergueu com dificuldade, sentando-se e apoiando suas costas nas minhas milhares de almofadas. “Que tal você ser um pouquinho mais boazinha e... ” O garoto se aproximou, fazendo-me rir bobamente e eu, então, acabei com o pouco espaço que nos distanciava. Beijava-o calmamente, com medo de causar-lhe mais alguma dor. 
Em toda a minha vida, eu experimentara o beijo de apenas três pessoas, ainda assim, eu podia afirmar que o de Di era o melhor de todos. Era como se nossas bocas se encaixassem de modo indefectível. E eu não sabia se eu atingia as expectativas dele da mesma maneira que ele fazia comigo. 
“Espero que sua mãe não apareça no quarto de surpresa...” o garoto disse entre o beijo, fazendo-me rir em seguida. 
“Você vai... Err... Dormir aqui? Comigo? ” Ele disse demoradamente, olhando para as mãos enquanto isso. Coloquei seu rosto entre minhas mãos e o beijei, sorrindo em seguida. 
“Não senhor” falei divertida e Di forjou uma cara triste. 
“Você não é mais tão boazinha assim...” afundou seu rosto em meu pescoço e eu me contrai ao arrepiar pelo toque de seus lábios. 
“Já vou agora... Silvana já deve ter chegado e tenho que me preparar para escutar muito” tentei levantar da cama, mas Di não tirou as mãos da minha cintura. “Di, é sério! ” Tentei me levantar novamente e o garoto me apertou ainda mais contra seu corpo. “Quer que Silvana me coloque em uma jaula? ” 
“Hm” ele fechou os olhos. “Só se ela me colocar lá também... ” Ri de sua cara meiga e beijei-lhe a testa. 
“Boa noite...” falei com calma. “Durma com os anjos...” sorri docemente e toquei os lábios do garoto de forma sutil. 
Levantei-me da cama e fui em direção à porta, mas, antes de abri-la, lancei um último olhar ao garoto, sentindo um grande pesar por ter que sair daquele quarto. 

Assim que saí do cômodo, Silvana estava de braços cruzados, encostada na parede de fronte à porta do meu quarto. Apesar dos pesares, eu sentia falta da minha mãe. Como isso era possível? Queria que tivéssemos uma relação mãe e filha como todas as outras; que eu chegasse em casa após um baile e pudesse correr para seus braços e contar do meu paquera da vez, e então ela me daria conselhos. No entanto, algumas pessoas como eu não têm essa sorte. 
Aquele garoto está aqui? ” Ela falou com aquele típico tom de desprezo que te faz arrepiar de tanto desgosto. 
Aquele garoto se chama Diego! ” Retruquei entre dentes. 
“O que ele está fazendo aqui? ” Continuou com seu tom desprezível, sem dar a mínima para o que eu havia dito. Como ela conseguia ser tão hipócrita? 
“Não viu o estado em que ele se encontrava? ” Minha voz começava a se alterar e meu roto tornava-se vermelho de raiva. “Não viu o que seu querido Lucas lhe fez? ” 
“Foi merecido...” seus olhos se apertaram em uma expressão ameaçadora, a qual não me colocava medo algum. 
“Como você pode ser tão nojenta? ” Não aguentei toda aquela situação e deixei que minhas emoções tomassem conta de mim. A expressão de Silvana era de choque extremo. O que era de se esperar, já que burguês algum suporta escutar a verdade. 
“Esse garoto está te envenenando! ” Ela agora também perdia as estribeiras. “Você nunca foi assim! Rebelde! ” 
Era como se cuspisse as palavras, acusando Di sem ao menos conhecê-lo. E ainda por cima, culpando-o pelos meus próprios atos. Eu não precisava de ninguém para abrir meus olhos e me fazer realizar do ninho de cobras em que eu vivia! 
“Por que você sempre tem que culpá-lo? Isso não tem nada a ver com ele, mãe! ” Eu fazia gestos desesperados com as mãos, mostrando que meu controle estava indo para os infernos. 
De repente, escutei a porta do quarto se abrir atrás de mim e Di sair por ela. Levei um susto, já que havia até esquecido do fato de Di estar a uma parede de mim, escutando toda a calúnia vinda da boca de Silvana. 
“Err... Lari, acho que eu deveria ir embora...” o garoto apareceu no corredor com as mãos nos bolsos e uma expressão extremamente envergonhada em seu rosto. 
“É garoto, você realmente deveria ir...” Silvana começou, olhando Di dos pés à cabeça e pensava: Bom feito, Lucas..., era previsível só pela sua expressão. “O NOME DELE É DIEGO! ” Explodi em ódio, fazendo com que Silvana se assustasse com minha raiva repentina. 
Di abriu a boca para falar algo, porém desistiu no último minuto. Abaixou a cabeça, derrotado, e começou a andar sem mais palavras, causando uma discórdia enorme dentro de mim. 
“Você não vai a lugar algum! ” Falei com firmeza, puxando-o pelo braço. “Lari, não penso que isso seja...” o garoto começou, provavelmente tentaria me convencer de que aquilo era o melhor, mas eu não deixaria Silvana sair ganhando nessa. Ela teria que aceitar Di a partir de agora, e não havia escapatória! 
“Entre no quarto” ameacei-o com o olhar. Ele juntou as sobrancelhas, como se tentasse ainda me convencer do contrário. “Agora” falei entre dentes. Di deu de ombros e entrou, enquanto eu mirava meus olhos nos de minha mãe, sentindo que poderia pular em seu pescoço a qualquer momento. 
“O que pensa que está fazendo, questionando minha autoridade desse jeito? ” Aproximou-se de mim, olhando profundamente em meus olhos. 
“Hey, o que está acontecendo aqui? ” Meu pai apareceu no corredor apenas de penhoar, com uma feição irritada e olhos pequenos de sono. 
“Pai, Di está machucado, totalmente impossibilitado de ir embora, e Silvana quase o expulsou daqui! ” Caminhei em sua direção, soltando toda minha raiva para cima dele. 
“O garoto se ofereceu a ir embora! ” Foi a vez dela de se aproximar e se defender, dirigindo-se a Gilberto. 
“Se ofereceu a ir embora por causa das barbaridades que você estava falando! ” Gritei e continuei com os gestos robustos e raivosos com as mãos. 
“Não falei mais que a verdade...” forjou a cara mais cínica já vista na face da Terra e olhou para suas unhas grandes e vermelhas. 
“PAI! ” Encarei o homem, perplexa. Silvana estava passando todos os limites, a ponto de me fazer querer arrancar seus olhos com meus próprios dedos. “FAÇA ALGUMA COISA! ” Gilberto bufou e rolou os olhos. 
“Silvana, deixe o garoto em paz...” falou calmamente, encarando a mulher de forma despreocupada. 
“Gilberto, esse...” já ia chamar Di por algum xingamento, mas Gilberto a reprimiu com o olhar. “Diego está em nossa casa! No quarto da nossa filha! Perdeu o juízo? ” 
“Oh, se fosse Lucas você não veria problema! ” Continuei gritando as palavras na cara de Silvana, sem me importar se eu estava ultrapassando ou não os limites da educação. 
“Não Larissa, eu não veria problema! ” HIPÓCRITA, HIPÓCRITA! Deus me perdoaria se eu cometesse homicídio contra minha mãe? 
“Me explique! Por favor, me diga o porquê! ” 
“O pai desse garoto” apontou para o meu quarto. “É UM LUNÁTICO! Dono de um bar! Qual seria a educação dele? ” Abaixou seu tom de voz. Não que se importasse se Di estaria escutando ou não. “Ele não tem futuro! ” 
“Olha aqui” aproximei-me da mulher, apontando o dedo indicador para seu rosto. “A educação que ele recebeu foi uma bem melhor que a recebida por Lu Silva! ” Silvana abrira a boca para contestar, entretanto eu a interrompi antes que ela pudesse dizer mais alguma bobagem. “E eu não me importo com o que você pensa! Eu estou com Di agora, é ele quem eu gosto, ele está machucado e vai passar a noite aqui! ” Impus minha voz, tentando parecer mais convincente. 
“Vai deixar que ela fale assim comigo? ” virou para Gilberto, deixando-o sem reação. O homem gaguejou, entretanto não emitiu som algum. Silvana bufou furiosa e passou por mim como um trovão, quase me derrubando; bateu a porta do fim do corredor com força, por fim. 
“Você sempre me coloca em situações difíceis, Larissa...” meu pai balançou a cabeça e pousou a mão sobre a testa. 
“Não pedi pra você me colocar no mundo...” dei de ombros e deixei um pequeno sorriso surgir em meus lábios. Gilberto não conseguiu conter uma risada e veio em minha direção, abraçando-me e depositou um leve beijo no topo da minha cabeça. Envolvi sua cintura com meus braços, afundando meu rosto em seu peito seminu. Sua pele exalava o cheiro de algum sabonete, muito bom por sinal, e não pude deixar de sorrir. Eu sempre tinha reflexões em momentos como esse. Sempre me lembrava de agradecer por tê-lo comigo. Enquanto Silvana era o anticristo, Gilberto era um arcanjo. Era a mãe em corpo de pai. 
“Obrigada, papai” falei num suspiro, apertando-o ainda mais contra meu corpo. 
“Apesar da crise que você acabou de causar no meu casamento... De nada” soltei uma risadinha. “Boa noite, meu anjo. ” 
“Noite” sorri e dei as costas, indo em direção ao meu quarto. Suspirei e ponderei a opção de entrar ou não ali. O que eu diria? Di com certeza escutara a discussão e eu, naquele momento, sentia vergonha pelas coisas que Silvana havia dito. 
Dei uma olhada para Gilberto, que continuava parado no meio do corredor. O mais velho fez um gesto positivo com a cabeça e seu olhar passava segurança. Foi tudo o que bastou para me encorajar. 
Abri a porta, a ponto de ver Di sentado na ponta da cama com a cabeça entre as mãos. 
Olhei para meus pés, ainda incerta do que fazer, e aproximei-me lentamente do garoto, sentando ao seu lado. Passei o braço sobre seus ombros e deitei a cabeça no direito. Di não moveu um músculo, o que me fez agarrar sua mão. 
“Desculpa...” sussurrei pesarosa, acariciando a palma de sua mão. “Não queria que você presenciasse isso...” 
O garoto suspirou pesadamente e encaixou seus dedos entre os meus. 
“Sua mãe tem razão, sabe...” ele falou baixinho. “Eu não tenho futuro...” concluiu tristemente. 
“Não dê ouvidos ao que ela diz, Di! ” Bufei. 
“O que se pode esperar de mim? ” Levantou a cabeça. “Eu provavelmente não vou pra faculdade e vou simplesmente arrumar um emprego qualquer na cidade e pronto! ” 
“Di, eu não importo com o que você vai fazer da sua vida! Eu realmente não me importo! Eu importo com o que você é, só isso! E você é melhor do que qualquer coisa que você possa fazer...” fui diminuindo meu tom à medida que as revelações saiam da minha boca. Di levantou seu olhar, de modo que ele se encontrasse com o meu. 
“É sério? ” Falou com simplicidade e um meio sorriso nos lábios. Agarrei-me em seu pescoço. 
“Uhum...” murmurei e encostei meu nariz em sua bochecha. “Você pode ser... Sei lá... Pedreiro...” ri da minha falta de criatividade. “Que você vai continuar sendo lindo...” beijei sua bochecha. “Fofinho...” desci para seu queixo. “Essas coisas...” 
Di soltou uma risada abafada e virou seu rosto em minha direção, encostando seu nariz no meu. 
“Ainda assim, acho que você merece algo melhor” sibilou com os lábios irresistivelmente próximos aos meus. Já pude sentir minha respiração se afobar. 
“O que te faz pensar que eu seja tão boa a ponto de merecer algo melhor? ” Vi minha voz falar e ceguei a me perguntar o porquê de sempre me sentir atordoada perto de Di.
Estávamos naquela situação há um tempo considerável, as coisas já deviam estar normalizadas dentro de mim... 
“Eu nunca tive alguém como você... Quero dizer...” ele pareceu se enrolar com as palavras. “Alguém que se importasse tanto e... Que me fizesse sentir desse jeito...” Di encarava seus joelhos, talvez muito envergonhado. Homens sempre se enrolavam na hora de falar de sentimentos, eu sabia disso. Mas só de vê-lo tentar, com as bochechas avermelhadas e a voz falha, valia como uma perfeita declaração. 
“Desse jeito? ” Tentei o incentivar, com um olhar insinuante sobre ele. O garoto suspirou e olhou para o teto. 
“Não sei como explicar... Eu nunca havia sentido antes...” falou rapidamente, pegando uma das minhas mãos e brincando com meus dedos. “Sei lá... Eu penso em você quase o tempo todo, até sem perceber... É loucura, não? ” Encarou-me como se esperasse que eu confirmasse. Sorri, entretanto. “Eu até paro em frente ao espelho, quando a gente vai sair por exemplo, e fico imaginando se está tudo bom o suficiente para você...” balançou a cabeça e eu imaginei se meus lábios suportariam um sorriso maior. “Isso não é estranho? ” 
“É...” Ri levemente e ele bufou. “Mas é um estranho bom...” Di murmurou algo e concordou com a cabeça, olhando para nossas mãos entrelaçadas. 
“Isso não responde a minha pergunta...” falei alheia. Ele me encarou sem entender e sorriu depois de realizar. 
“Não sei, Lari... eu te vejo naqueles bailes chiques, com o braço dado a um cara com roupas sofisticadas e nariz empinado. Vocês se casam e se mudam para uma mansão, onde terão cinco ajudantes e quatro carros...” não pude deixar de rir de sua imaginação fértil. Ele via um futuro o qual eu rezava todas as noites para não ter. Era divertido. 
“Eu me vejo de mãos dadas com um garoto de calça rasgada, All-Star surrado nos pés, entrando em um baile no bar do José Oliveira. Quem sabe nos casamos e vamos morar em um sítio no campo e andar de moto para todo canto...” rebati e vi Di abrir um sorriso meigo em seu rosto. Toquei suas bochechas com a mão. “Você deveria me ver assim também...” 
“Vou tentar...” ele sorriu. Retribui e, sem pensar duas vezes, selei nossos lábios. Era sempre uma sensação nova, como se cada beijo fosse diferente. 
“Vai dormir aqui agora? Acho que eu mereço, hein? ” Disse divertido. Balancei a cabeça em negação, achando graça em sua insistência. Acho que eu poderia dar esse agrado a ele, não é verdade? O garoto havia levado uma surra por minha causa e depois ainda escutara grande baboseira sobre sua pessoa. 
“Dormir, entendeu, Oliveira? ” Apontei o dedo indicador em seu rosto ameaçadoramente. O garoto fechou os olhos e forjou uma feição angelical. Afastei-me do garoto, deitando minha cabeça no monte de almofadas e o vi fazer o mesmo, virando o corpo em minha direção. 
“Apague a luz ali atrás da cômoda do telefone...” apontei para o móvel do lado da cama e Di o fez no momento seguinte. O quarto estaria completamente escuro se não fossem as luzes do jardim que o invadiam através da janela. 
Di se deitou novamente ao meu lado e agarrou uma de minhas mãos, levando-a em direção de sua boca em seguida; depositou um leve beijo na mesma. 
Eu não queria fechar meus olhos. Queria ficar o resto da noite encarando os de Di como eu fazia naquele momento. Nossa expressão era serena, nossos olhares eram inofensivos. Era como se quiséssemos apenas sentir a presença um do outro. 
Relutei o máximo a não fechar meus olhos quando o sono bateu; mas o que me deixou aliviada foi que, mesmo de olhos fechados, ainda podia vê-lo. Em meus sonhos, como sempre. 

“Como você é teimosa, Larissa! ” Di continuava com seu tom irritado. Eu estava no volante do Fusca de Gui e ele no banco carona. 
O rádio estava no último volume e, para completar, Gui e Tho estavam no banco de trás gritando os acordes das músicas e cantando cada garota da calçada. 
“Di, eu já estou abusando da hospitalidade de vocês. Eu tenho senso, okay? ” Rebati no mesmo tom, sem desviar minha atenção da avenida. Di bufou e apoiou a cabeça nas mãos. 
“Você sabe que não está abusando! Bem que eu queria que estivesse...” disse com um sorriso maroto e eu não me contive em dar um tapa em seu braço. “Meu pai te adora, você sabe disso! Diz que você trouxe o toque feminino que a casa precisava” imitou a voz do Sr. José. 
“Você sabe que eu ficaria se pudesse... Mas eu realmente preciso achar meu canto...” arqueei minhas sobrancelhas e Di balançou a cabeça com desgosto. 
“É, Di, pensa pelo lado bom...” Tho
“Vai nessa, Costa... Minha casa não vai ser lugar para suas orgias” cerrei os olhos e lancei-o um olhar mortal pelo retrovisor. Estávamos rodando as ruas de Bolton a procura de algum apartamento habitável. Gilberto havia me dado carta branca para que eu pudesse achar um lugar para morar após ver que eu não voltaria a viver no mesmo teto que Silvana. 
Eu queria que Mharessa estivesse ali comigo para me ajudar a escolher, mas ela e Le estavam comemorando um ano de namoro em alguma praia a qual não me recordava o nome. Três marmanjos não era o que se podia chamar de especialistas nesse assunto. Qualquer lugar que tivesse um quarto, um banheiro e uma sala em que eles pudessem beber era suficiente. Por isso, visitamos os lugares mais improváveis. Cortiços alagados, apartamentos habitados por ratos, condomínios caindo aos pedaços... E a cada lugar que parávamos, Di tentava me convencer de ficar mais um tempo no sítio, no mesmo tempo em que batia em Tho por tentar me convencer a ficar no cortiço, ou na colônia de ratos. Costa estava mais empolgado que eu. Assustador. 
“Vira aqui!” Gui disse extasiado, apontando para a esquina da direita. Não entendi o surto repentino, mas virei no local indicado. Uma placa continha um 'Lafayette' escrito indicava o nome da rua. Havia apenas um prédio cercado de bares, pequenas lojas e um restaurante de massas, portanto, era um tanto quanto movimentado. 
“Já vim num strip club nessa rua...” Tho disse pensativo, olhando para os recintos como se procurasse algo. 
“Você quer que eu more perto de um strip club? ” Perguntei brava, observando o edifício que se aproximava. Ele era apresentável. Ponto, já que os outros nem isso eram. 
“Bom que você pode ir lá a hora que quiser e ficar mais experiente...” Gui deu de ombros. 

Estacionei em frente a uma lanchonete e desci do carro sem dar importância aos comentários idiotas dos dois de trás. Di me seguiu e colocou um braço ao redor dos meus ombros. Sorrimos e entramos na portaria do prédio 'Lafayette' nome muito criativo por sinal e com os dois patetas ao nosso alcance. 
Conversei com o síndico, que nos levou até o terceiro andar, onde havia um apartamento vago. O prédio estava em ótimo estado comparado com os outros, possuía elevador, pintura conservada, e o corredor que levava até os apeteós, tinha móveis decorativos de bom gosto. 
O homem ia falando a história do prédio algo envolvendo seu tataravô mas eu não dava atenção. O êxtase percorria-me, a ideia de independência, de autonomia... Além de ter minha própria casa, eu começaria a trabalhar e depois de alguns meses eu estaria na minha almejada faculdade de Literatura. Tudo estava nos devidos eixos e eu não poderia estar mais feliz. Tudo bem que eu havia deixado todo o conforto da minha antiga casa para começar uma vida totalmente incerta, sem a proteção integral dos meus pais e eu devia estar amedrontada por isso. No entanto, o que é a vida sem riscos? Uma vida incerta é muito mais excitante de se viver. Ter um amanhã sempre diferente dos outros me dá a sensação de que se há sempre algo novo a se aprender.
“Lari, é aqui que você tem que ficar! ” Escutei Tho dizer ao entrar no apartamento, antes mesmo de eu entrar no local. 
Assim que eu o adentrei, fiquei encantada. Não tinha móveis, a pintura estava descascada, havia algumas teias de aranha...  Mas minha imaginação fértil foi ativada no mesmo momento. Vi os móveis, vi as paredes pintadas, vi os meninos caídos no chão com cervejas na mão, vi eu e Mharessa cozinhando...  Aquilo tudo era perfeito demais! 

Passamos os outros cinco dias pintando as paredes do apartamento e cada cômodo possuía uma cor diferente. A sala de entrada onde também seria a sala de TV era vermelha. Ela tinha uma porta de blindex a qual levava para uma sacada com uma linda vista para o centro comercial de Bolton. Também havíamos enchido as paredes com pôsteres do Elvis, depois dessa, havia um cômodo mediano com uma janela grande que nos permitia ver o telhado de um restaurante lá embaixo. Este cômodo foi pintado de amarelo e seria uma sala de refeições que no fim das contas serviria para nossos jogos de cartas, para a direita, havia uma porta de madeira a qual pintamos de roxo que levava para a cozinha. Ela era coberta de azulejos azuis que pintamos de branco e eu, para dar um toque mais feminino no meio de tantos machos, pintei algumas flores em uma fileira de azulejos em cima da pia. À esquerda da sala de refeições havia um corredor pequeno com dois quartos e um banheiro. 
Ao longo da semana, meu pai e Mari juntamente com a tropa inteir) me ajudaram a levar os móveis do meu antigo quarto para meu novo recanto. Além disso, Le roubara alguns enfeites de sua casa, Gui arranjara talheres, Mharessa comprara pufes de couro para a sala e Tho
Em minha antiga casa, havia uma geladeira velha, a qual Silvana trocara por uma mais moderna, então Gilberto a trouxe para mim. Ganhei um fogão de duas bocas, um ventilador, um relógio de parede... 
A TV do meu antigo quarto agora estava na sala vermelha, enquanto os pufes de Mharessa ficavam envolta da mesma. Enfim, tudo que uma casa necessitava fora arranjado. 
Dentre tudo, o melhor presente de todos quem me deu foi Di.


“Arruma essa mesinha aí...” Di pediu com um nítido esforço na voz. A cor vermelha tomava conta de seu rosto pela força que fazia ao carregar minha TV. Arrumei o suporte de madeira que estava no meio da parede vermelha, e então Di colocou o aparelho ali com um suspiro de alivio. 
“Sabia que aboliram a escravidão há séculos atrás? ” Falou ofegante enquanto apoiava as mãos nos joelhos. 
“Não seja frangote, vai! ” Empurrei-o levemente, aos risos. 
No momento seguinte, Gilberto entrou no apartamento do mesmo modo que Di e com caixas cobrindo até seu rosto. “Agora virei seu escravo? ” Falou ao depositar as caixas no chão. Di cerrou os olhos, como se me desse um sermão por eles. 
“Vocês são uns frescos...” rolei os olhos e me joguei no chão, abrindo cada uma das caixas em seguida. 
Um mar de memórias e momentos passaram com ondas violentas sobre mi, relembrando-me e atingindo-me com nostalgia. Bonecas da minha infância, retratos em tom amarronzados tirados com máquinas dos anos trinta “Oh, pai! ” Chamei-o com a mão. “Olhe só essa foto! ” Falei com entusiasmo, estendendo a tal fotografia. Ela era minha favorita. Gilberto usava um boné qualquer, sua barba estava malfeita, conjunta com seu sorriso enorme e típico. Eu, no entanto, beirava meus quatro anos de idade. Usava um vestido floral e uma tiara nos cabelos; também tinha o dedo indicador na boca, dando-me um tom ainda mais angelical e infantil. Estava no colo de Gilberto, mas o que mais me chamava a atenção era o fato de Silvana estar a fundo, como se estivesse aproximando de nós, com a boca aberta provavelmente gritando algo. 
“Silvana com seu humor fantástico de sempre...” papai exclamou com ironia, fazendo Di que havia se aproximado para também ver a foto e eu rirmos. Gilberto suspirou e se abaixou para mexer na caixa. E como muitas vezes, peguei-me imaginando as razões pelas quais ele se casara com Silvana. Desde que eu me lembro, ela sempre foi ansiosa, impaciente e autoritária. Que ser humano aguentaria outro assim? Não podia ser por dinheiro, já que Gilberto era um dos mais afortunados economicamente da cidade. 
“Por que vocês se casaram, pai? Quero dizer, por que você se casou com ela? ” Me atrevi a perguntar. Gilberto novamente suspirou pesadamente. Analisava uma foto de nós três, uma das únicas em que Silvana sorria. 
“Não escolhemos a quem amar, Larissa...” balbuciou quase inaudivelmente, quase como um suspiro pesaroso. “O amor nasce nas, das e pelas pessoas mais inusitadas e inimagináveis...” completou pensativo, analisando outras fotografias. 
Eu, no entanto, movi meus olhos timidamente na direção dos de Di e tive a surpresa de tê-los me encarando. Fora um ato inesperado, contudo cheio de cumplicidade. Sabia exatamente o que meu pai queria dizer. Você não comanda seus sentimentos e deveria agradecer a Deus, Buda, Alá ou seja qual for sua entidade maior de admiração. O amor é uma semente plantada por esse ser superior antes mesmo de atingirmos a Terra. Semente a qual fora criada a partir de um pedaço do coração de outra pessoa e depositada dentro de ti; e quando encontrar alguém que te complete e te sustente de modos irracionais, uma vez que você não é capaz de explicá-los por nenhuma teoria científica, saiba que este alguém é a parte semeada por Deus dentro do seu coração. 
Por conseguinte, apesar de nunca ser capaz de verbalizar as confusões sentimentais que Di me causava, eu começava a entender o que se passava dentro de mim. A semente, que antes estava adormecida, começava a aflorar e crescer, e dentro do meu coração eu sentia ele.
Após alguns minutos de silêncio, papai pigarreou e levantou-se do chão.
“Me ajuda a trazer a mesa, Di? ” O mais velho pediu. Di concordou vorazmente, quebrando seu contato visual comigo e seguiu meu pai até o elevador. 

A tarde assim se seguiu: monótona e sem mais estardalhaços. Vez ou outra, Gilberto soltava uma frase exacerbada fazendo-nos rir. Até que chegou o momento em que ele precisava ir embora, quando, às sete e meia, o sol começava a se esconder por entre as montanhas de Bolton. Oferecera carona à Di, que recusou alegando ter que arrumar mais algumas coisas para mim. Gilberto o olhou desconfiado e divertido ao mesmo tempo e se despediu. 
Di se jogou nos pufes da sala vermelha e suspirou de forma cansada em seguida. 
“Me lembre de nunca sair do sítio para morar noutro lugar e ter que passar por tudo isso de novo...” disse com os olhos fechados, mas com um sorriso nos lábios. Sentei-me ao seu lado, sentindo meu corpo afundar nos pufes de Mharessa. Coloquei a cabeça em seu peito relativamente suado, sentindo-a ir e vir de acordo com sua respiração pesada. “Tenho que comprar um tapete bem extravagante para colocar nessa sala...” falei absorta, encarando o chão de madeira roliça. Di nada disse, mas começou a acariciar meus cabelos. 
Dentre o silêncio que se apoderou de nós, enquanto o garoto descansava o corpo e a mente do trabalho que eu o obrigara a fazer, eu refletia nos pensamentos de horas atrás... Meu coração palpitava só de imaginar... Todo meu corpo gritava, implorando para que eu tomasse aquela decisão. O que havia de demais naquilo?
“Di...” chamei-o calmamente, do modo que eu sempre fazia ao interromper nosso diálogo silencioso e perene. O garoto emitiu um 'hm' e eu me obriguei a não fraquejar. Eu era uma garota determinada e decidida, todavia insegura em certos assuntos. Em especial aqueles que envolviam garotos e suas complexidades. 
“Quer jantar aqui? ” Como previsto por mim, não fui capaz de pedir ou dizer o que queria. Havia um nó em minha garganta que a deixava seca, de modo a não me deixar falar o que realmente queria. 
“Claro, meu bem” Di respondeu doce e sem mais delongas. 
Após meia hora de poucas palavras e muito carinho, ele foi para casa alegando ter que tomar banho e voltaria assim que terminasse. Como eu sabia que essa ida até o sítio demoraria e torno de uma hora e meia, aproveitei para descer até o restaurante vizinho. Vantagens de se morar no coração da cidade. 
Uma hora e meia não me deixava com muitas opções, então pedi um macarrão ao molho Alfredo: prático e rápido. Ainda com a pouca variedade de artefatos decorativos, enfeitei a mesa de plástico de quatro cadeiras que ficava no centro da sala amarela com uma vela feia que Gilberto me dera. 'Não se sabe quando pode ter uma tempestade que faça cair a energia desse prédio, então mantenha sempre essa vela com você', ele justificou. Papai talvez não sabia que algo chamado lanterna foi inventado. Tentei deixar o lugar romântico conforme ele permitia. Então sobraram-se dez minutos para minha própria arrumação. Coloquei um vestido qualquer e passei apenas um rímel nos cílios. 
Como previsto, Di bateu na minha porta no momento em que eu acendia as velas em cima da mesa. Devo frisar que meu estômago deu voltas e eu pensei em me esconder e simplesmente não abrir a porta. Quero dizer, qualquer uma ficaria nervosa após tomar uma decisão como a que eu tomara, certo? Pelo menos eu estava nervosa. Muito nervosa por sinal. 
Respirei profundamente e fui em direção à porta, ajeitando meu vestido no caminho e suspirando novamente antes de girar a maçaneta. 
Ao ver o semblante do garoto parado na minha frente, toda minha tensão extravasou. Encostado na parede do corredor, tinha as pernas cruzadas e as mãos mantidas dentro dos bolsos da calça, o famoso All Star preto surrado e uma blusa social roxa. Tão lindo que me tirava o fôlego só de olhá-lo. 
Ele abriu um enorme sorriso ao me ver, arrancando um de mim no exato momento. Fomos um na direção do outro numa velocidade espantosa, chocando nossos corpos em um abraço. Ele cheirava tão bem... 
Ao envolver seus cabelos com meus dedos, percebi que eles estavam bem úmidos. Estremeci ao senti seus lábios tocarem levemente meu pescoço. 
“Você está lindo” sussurrei no pé de seu ouvido, vendo-o afastar-se de mim no momento seguinte. Observou-me dos pés à cabeça, mantendo o sorriso aberto nos lábios. 
“Preciso mesmo comentar sobre você? Vou me sentir um pouco humilhado...” fez uma careta e voltou a me abraçar, levando nossos corpos para dentro da casa e fechando a porta em seguida. “Deus, isso tudo é pra mim? ” Ele disse com uma cara espantada, olhando fixamente para a mesa mais a frente. 
Virei meu pescoço para olhar e meus pensamentos foram confirmados: ele também não se importava com a simplicidade do lugar. Até mesmo uma mesa de plástico parecia extremamente luxuosa a nossos olhos. 
“Tudinho pra você” sorri e juntei nossas bocas em um beijo rápido. Ele sorriu e eu então o puxei pela mão, indicando a cadeira para que ele sentasse. 
“Foi você que cozinhou? ” Di perguntou, enquanto eu me dirigia a cozinha ali perto. 
“Acha mesmo que eu teria a capacidade de cozinhar alguma coisa com um fogão de duas bocas? ” Zombei, escutando-o rir enquanto pegava a bandeja com o macarrão. Peguei também o whisky de Tho
“Pelo menos o cheiro está bom” disse ele, espionando a bandeja que eu acabara de depositar na mesa. 
“Então vamos fingir que foi eu quem cozinhou” fiz uma careta e me sentei em frente ao garoto. 
“Whisky, senhorita? ” Vi Di se levantar e pegar a bebida, vindo em minha direção em seguida. Sorri. 
“Por favor” 
Então ele colocou o liquido na minha taça a qual eu havia pedido emprestada de Mha, já que eram muito caras para eu comprar naquele momento e me beijou. 
Entrelacei meus dedos em seus cabelos Ruivos
“Vamos comer, estou com fome” resmunguei no meio do beijo, vendo-o rir e rolar os olhos. “Chatinho, teremos muito tempo para fazer isso...” ao terminar a frase, uma frente fria me bateu em cheio. Como eu era engraçada. 
“Bom mesmo” Di balbuciou baixinho e voltou a se sentar na cadeira, servindo-se de whisky. 
Enquanto comíamos, Di me contava como andava o sítio sem mim. Disse que estava tudo extremamente chato sem sua fonte de inspiração para poder escrever. Disse também que Thor estava tão triste quanto ele sem a minha presença. Di era uma besta, isso sim. 
Mas eu também estava um tanto triste por isso. Quero dizer, eu sabia que não podia morar lá para sempre, eu tinha meu senso, mas foram dias incríveis que passaram tão rápido... De vez em quando eu me pegava lembrando como era bom acordar e dar de cara com os olhos do garoto sobre mim. Até mesmo acordar com os latidos dos cachorros era bom...  Pelo menos era melhor do que buzinas de carros. 
Nunca conseguíamos comer em silencio, o que era uma falta de educação de acordo com as normas de etiqueta. Pouco nos importava, para falar a verdade. 
Qualquer burguês ficaria pasmo quando nos visse fazendo uma guerra com o resto do macarrão que comemos. 

No fim, eu estava totalmente lambrecada. Di e eu podíamos ser muito crianças quando queríamos, era impressionante. 
“Depois dessa tenho que tomar um banho” resmunguei, me desvencilhando dos últimos grãos de arroz que Di jogava em mim. 
“Ah, vamos lá! Você está gostosa! ” Ele disse entre gargalhadas e eu forjei uma cara chocada. 
“Mais respeito, Di Oliveira! ” Dei um tapa em sua cabeça. 
“Ei! Gostosa por estar coberta de macarrão, oras! Afinal, ele estava bom mesmo...” deu de ombros e me puxou pelo braço, fazendo com que eu caísse em seu colo. 
Ele estava igualmente sujo, com macarrão e molho em todos os lugares possíveis. Tirei uma ervilha de seus cabelos, sentindo suas mãos firmes em minha cintura. 
“Vai lá, enquanto isso, vou arrumando essa bagunça...” ele disse alheio e eu observei a comida espalhada pelo chão. 
“Eu não vou deixar você limpar tudo sozinho! ” Rebati e o garoto soltou minha cintura, empurrando-me pelos cômodos até chegar à porta do banheiro. 
“Vai sim. Essa é minha retribuição pelo jantar maravilhoso” Di completou com seu sorriso esplêndido e eu não discuti mais. Roubei-lhe um beijo e entrei no banheiro. Procurei demorar o máximo possível, até o ponto de ver meus dedos quase definharem de tão enrugados. 
Sem mais delongas, vesti uma lingerie com um robe por cima e saí do banheiro, empurrando Di para fazer o mesmo em seguida. 
Então agora era a hora. 
Peguei a vela que antes estava na mesa e levei até o quarto vago, já que o meu estava com um cheiro de tinta horrível. Levei meu colchão até lá e o coloquei no chão. Eu improvisaria o nosso cantinho, afinal, o lugar era o que menos importava naquele momento. 
Quando eu menos esperava, Di batera na porta do quarto. 
Congelei. 
O que diabos eu estava fazendo? Milhares de coisas passavam na minha cabeça, mas nenhum pensamento superava o que me dizia que não havia nada mais certo a se fazer. 
Dizem que o amor é algo inexplicável. Um sentimento tão abstrato que você não é capaz de saber se o sente ou quando o sente. Era isso que estava acontecendo comigo? Tudo que eu podia ter certeza era que eu queria os lábios de Di tocando os meus imediatamente. Que eu queria seus braços perfeitamente esculpidos envolvendo-me, mostrando-me que nada poderia nos acontecer enquanto estivéssemos juntos. Que meu estomago dava voltas e voltas só de ter seus olhos sobre os meus. Seus olhos azuis hipnotizantes, que podiam me levar à loucura a qualquer instante. As famosas borboletas eram incessantes, não cansavam de bater as asas dentro de mim. Tinha certeza também de que meu sorriso era maior quando eu encontrava o dele. Eu estava ficando louca? Já eram os sinais sublimes da loucura? Se sim, eu não via problema em ser levada a um hospício, desde que pudesse ter todas essas sensações que somente Di me causava. Isso era possível? Era possível uma só pessoa no mundo inteiro fazer seu coração parar e, em um piscar de olhos, fazê-lo bater desesperadamente no momento seguinte? 
“Po-pode entrar...” gaguejei, me sentei no colchão e tirei o robe, ficando apenas de sutiã e calcinha. Eu estava a mil. Minha respiração estava falha. 
Vi a porta se abrir em câmera lenta, juro que vi. Nessa imagem vagarosa, vi Di entrar somente de samba-canção e uma toalha em mãos, secando os cabelos com ela. Seus olhos me encontraram e no momento seguinte a toalha caiu de suas mãos lentamente até o chão. Sua boca se entreabriu e seus olhos percorreram meu corpo seminu com cautela e confusão. Havia algo de errado? 
Resolvi então me levantar e ir em direção a Di sem pressa. Nossos olhos estavam compenetrados um nos outros; eu sentia meu peito subir e descer rapidamente; meu coração parecia querer saltar de dentro de mim. 
Quando a distância entre nós era mínima, envolvi sua nuca úmida com meus dedos trêmulos e o puxei, de modo que nossos lábios se encontrassem pela milésima vez. Nossos beijos possuíam uma sincronia perfeita, como se minha boca fosse moldada para ser encaixada na dele. As mãos de Di se posicionaram firmemente em minha cintura, levando meu corpo a se chocar com o dele. Gemi vagamente ao sentir o peitoral ligeiramente molhado contra meu colo descoberto e apertei um de seus braços fortes com veemência. 
Pulei em seu colo de surpresa e senti as mãos do garoto apertarem as minhas coxas, de modo a me segurar; elas passeavam por toda região, enquanto eu puxava seus cabelos com força e com a mínima dó. 
Eu estava completamente entorpecida com o cheiro de sabonete que sua pele exalava. Minha mente estava vazia e eu agradecia por isso. 
Parti nosso beijo, segurando o rosto de Di entre as minhas mãos. Seus olhos estavam absortos de desejo e me encaravam como se pedissem por mais. Eles eram tão maravilhosos... 
Então, vi o garoto se mexer e começar a andar vagarosamente até a cama improvisada. Com delicadeza ele me deitou no colchão e se deitou por cima de mim. Seus olhos continuavam cravados nos meus como se nada pudesse partir o contato entre eles. Eu, no entanto, o parti no momento em que o puxei novamente para um beijo. Di se encaixou entre as minhas pernas e levou uma de suas mãos até minha coxa, enquanto a outra se apoiava no colchão, de modo a não deixar seu peso cair sobre mim. 
Nosso beijo ia se intensificando a cada segundo e eu não podia mais controlar o meu desejo. Eu queria Di. Eu precisava de Di mais do que tudo naquele momento.
O garoto desceu seus beijos para o meu pescoço, fazendo-me cravar as unhas em suas costas em resposta. Sua língua ia me enlouquecendo à medida que descia do pescoço até meu peito. Desceu para a minha barriga, dando pequenos beijos espalhados por toda a região. 
Empurrei o garoto e me sentei em seu colo, tirando meu sutiã em seguida. Ele ficou extasiado e estático ao mesmo tempo. Olhava para o meu corpo com atenção, no mesmo tempo em que suas mãos passeavam por minhas costas totalmente descobertas. 
“Você é linda...” sua voz saiu falha, ao contrário de seus olhos que estavam certeiros, analisando cada parte do meu corpo. 
Minhas bochechas não tinham como estar mais coradas. Beijei-o novamente, não só com a intenção de fazê-lo parar de me encarar, mas também para poder sentir seu gosto novamente. 
Eu não sabia se percorria suas costas perfeitamente esculpidas ou vagava por seus braços contraídos. 
Então, Di novamente me deitou. Fazia movimentos insinuantes sobre mim, e eu podia sentir todo o êxtase e excitação vindos de todas as partes de seu corpo. Seus dedos agora percorriam meu colo enquanto os meus desceram até sua cintura, apertando-o ainda mais contra mim. 
Minha respiração estava totalmente descoordenada, mas eu não queria parar para respirar; isso me parecia superficial naquele momento. 
“Tire sua samba-canção” falei entre nosso beijo, mais ofegante impossível. Di me encarou assustado, seus olhos muito abertos e sua boca deixando escapar os suspiros de desejo e confusão. “O-o que? ” Balbuciou com dificuldade. Suspirei profundamente e sussurrei bem perto de seu ouvido: 
“Eu te quero, Di... Te quero agora” 
Por alguns longos segundos, o garoto apenas me encarou. O quarto que antes estava preenchido por nossos suspiros, agora deu lugar a um silêncio profundo, não absoluto apenas por nossas respirações descompassadas. 
Di encostou sua testa na minha e fechou os olhos. Não tinha a mínima ideia do que se passava em sua mente e mesmo se soubesse, não entenderia. Eu mal conseguia coordenar os meus pensamentos...  Em um ato inusitado, o garoto desceu suas mãos até a única peça de roupa que possuía. Observei-o tirá-la lentamente, gravando cada detalhe de seu corpo. Quando terminou, voltou a me encarar. Seus olhos transpareciam toda a segurança que eu poderia precisar. Transpareciam tudo o que o garoto sentia. Era um olhar totalmente novo. 
Levei minha mão até seus lábios e os contornei com a ponta dos meus dedos. Subi para seu nariz; depois para suas sobrancelhas. 
“Você é maravilhoso” falei com certeza. Um sorriso singelo e perfeito brotou em seus lábios. “Me faça sua. Agora” 
O garoto olhou-me profundamente como nunca havia feito antes. Tive a impressão de que ele podia ler meus pensamentos ou algo além disso. Meu coração batia ritmado, não mais nervoso ou ansioso. Aqueles olhos sobrenaturais fizeram toda minha insegurança extravasar. É assim que devíamos nos sentir? 
Um segundo depois, pude sentir Di dentro de mim e um suspiro exaltado escapar da minha garganta. Meus dedos cravaram em seu braço e meus lábios se afundaram em seu pescoço. 
Apesar do pequeno incomodo que suas investidas me causavam eu nunca me senti tão certa de algo: eu estava completa. Não sei como, não sei o porquê. E dentre todas as coisas, algo pulsava em mim. Aquele foi o único momento em minha existência que meu cérebro e meu coração conciliaram-se sobre um fato: Eu amava, e como amava, Di Oliveira.



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