História Querido Diario - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 2.518
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - And I can hardly speak, my heart is beating so


Eu ainda não tinha uma explicação lógica para tudo que vinha acontecendo. A revolta de Maísa, as coisas que ela havia dito sobre Di, sua frase final ‘Pergunte ao seu namorado’. Foi algo tão... insinuante e atormentador. 
Eu estava no meu quarto, encarando o teto cor pêssego. Reparei em suas rachaduras, em algumas partes descascadas dele... Tentava me distrair de todos aqueles pensamentos absortos que me consumiam, e que definitivamente não me levariam a nada.
Afinal, era sábado, e sábado é um dia para se ter a cabeça fria e apenas curtir os pequenos momentos sem ter que calcular nada ou qualquer outra coisa que envolva escola. E neste sábado eu teria um encontro com Benjamin. Eu não estava nervosa como antes, na verdade não via a hora de encontrá-lo e fazer o que Maísa havia dito. Ouvi algumas batidas na porta de madeira do meu quarto e vi Marina se aproximar com uma bandeja. Ela a depositou sobre minha cama e foi abrir as cortinas das persianas. Sentei-me e puxei a bandeja para mais perto, pegando as torradas e passando geleia de amora sobre elas. “Rise and shine, Lari” Marina disse incrivelmente animada, e eu fiquei me perguntando como alguém pode ser tão bem-humorada de manhã. Não disse nada, só continuei concentrada em meu café da manhã. Os únicos momentos do dia em que minha cabeça fica completamente vazia é quando estou comendo, algo muito estranho para falar a verdade. “Termine seu café e vista-se. Você tem treino de tênis hoje com seu pai, e Mharessa ligou dizendo que também irá” Mari anunciou e saiu do quarto. Terminei de comer calmamente e me levantei da cama com muito desgosto, indo em direção ao meu closet pegando meu uniforme de tênis e o vestindo.
Era rotina, todo sábado eu e meu pai íamos ao clube local praticar tênis por diversão. Eu particularmente adorava, meus problemas desapareciam e minha raiva esvaziava toda hora que aquela pequena bola amarela batia contra minha raquete. 

O motorista no levou até o clube, onde eu e meu pai fomos direto às quadras de tênis, conversando sobre novas técnicas de aprimoramento no esporte. Mha já estava à nossa espera, eu jogaria com ela e meu pai jogaria com seus amigos multimilionários. Cumprimentei minha amiga com um abraço e começamos a nos preparar. Eu estava com o saque inicial, então não tardei a lançar a bola em direção à Mha. O som de Ray Charles invadiu todos os campos, como sempre à música no tênis do clube Itacolomy era indispensável.
Mha rebateu a bola para meu campo, e a imagem de Maísa veio em minha cabeça, me dando um impulso a rebater fortemente a bola contra o campo adversário. “FORA! ” Gritou o juiz do nosso jogo, e eu limpei uma gota de suor que escorreu sobre minha face. “Isso tudo é raiva, Lari? ” Mha gritou do outro lado do campo e eu saquei novamente. “Não é raiva” rebati. “Na verdade, não sei o que é. Eu só não consegui entender o comportamento ridículo de Maísa” rebati novamente. “Já te disse, ela deve estar se drogando com essas coisas novas que andam aparecendo” ela rebateu. “Isso realmente não justifica, Mha” rebati fortemente. “FORA! ” O juiz gritou novamente e tive vontade de jogar a bola em sua cara. “Ponto para Mharessa” anunciou. Mha levantou a raquete assim como a bola e sacou. 
“E hoje vou sair com Silva. Espero que ele tenha uma resposta para isso tudo. Apesar de eu não ver conexão entre os fatos” rebati. “Você vai me machucar, Larissa” Mha reclamou com a força que eu estava mandando a bola. Meu pai já era acostumado com os meus acessos de raiva, Mha teria que acostumar também. Era isso, ou ter que aguentar murros e chutes. Acho que ela iria preferir o tênis. “Desculpa...” balancei minha cabeça tentando espantar aquela raiva que me perseguia. “Olha Lari, o único jeito de você ter respostas é falando com Lucas. Remoer isso não vai adiantar de nada! ” Disse Mharessa, a sabia. Concordei e tentei não pensar em mais nada e me concentrar no meu esporte favorito, o único jeito que realmente me relaxava e me fazia esquecer do mundo à minha volta. “Okay, te ligo mais tarde...” despedi-me de Mha, que havia ligado para que seu motorista a pegasse, já que ela tinha um importante jantar de família comemorando o aniversário de 95 anos de sua bisavó.
Resolvi ficar por ali mais um tempo, aquele clube me acalmava. Papai ainda jogava, e se eu estivesse com ele, provavelmente também estaria, mas Mha não tem o mesmo pique que nós dois. Então resolvi nadar na piscina gigante que tinha ali. Eu também gostava de praticar natação, peguei habito desde quando tive uma crise asmática nos meus 5 ou 6 anos…
Fui até o vestiário, coloquei minha roupa de banho e rumei às piscinas gigantes. Sem rodeios, pulei de ponta, sentindo a água fria como um choque em contato à minha pele quente. Comecei a nadar e nadar, ignorando a presença de qualquer pessoa ao meu redor. Piscina me faz lembrar de minha infância, quando eu, Mha e Maísa costumávamos brincar, imaginando que éramos sereias, e cada uma tinha o direito de escolher a cor da cauda, top e cabelos. Eu e Maísa sempre brigávamos para ter a cauda rosa. Fui mergulhando até a borda lateral da piscina e fui nadando lentamente até a superfície, apoiando meus braços na borda para subir.
Assim que minha cabeça saiu da água, vi alguém sentado com as pernas para dentro da piscina, ali, bem perto de mim. Levei um susto ao ver que essa pessoa era Di, e que ele estava me encarando descaradamente. “H-Hey...” cumprimentei-o nervosa antes de dar um impulso para sair da piscina. “Oi Lari...” ele sorriu e me acompanhou com o olhar até eu pegar minha toalha na espreguiçadeira ali perto. Resolvi me sentar ali ao lado de Di, também com as pernas dentro da água.
Houve um silencio meio incomodo entre nós, eu olhava para o movimento das pessoas ali por perto, as crianças brincando animadamente na parte mais rasa da piscina, enquanto eu sentia os olhos de Di sobre mim. Eu tentava puxar minha saia mais para baixo, envergonhada. Eu tinha a absoluta certeza de que minhas bochechas estavam coradas de um jeito ridículo. Era estranho, eu me sentia estranha perto do garoto ao meu lado. Não estranha de um jeito ruim, mas de um jeito bom, se é que isso existe. Olhei-o pelo canto do olho, e foi só aí que reparei em seus trajes, ou a falta deles. Di usava apenas um calção que ia um pouco acima do joelho, e vi que seus cabelos estavam molhados e totalmente desarrumados, alguns fios estavam grudados em sua testa, respingando água pelo seu rosto. Meus olhos ficaram um pouco hipnotizados demais com a cena, até que vi um sorriso brotar nos lábios do garoto, e eu cair na realidade novamente, sentindo mais uma vez, minhas maçãs do rosto queimarem. “E-Então...” falei totalmente sem jeito, contraindo meu corpo de vergonha e tentando olhar para qualquer canto que não fosse os olhos ou o corpo definido do Oliveira. Me senti extremamente promiscua com todos os pensamentos que rondavam meu cérebro. “Então...” ele repetiu e jogou o peso de seu corpo para trás, apoiando-o sobre as mãos, tendo uma visão das minhas costas, o que novamente me deixou extremamente sem graça. Eu comecei a ficar realmente incomodada comigo mesma, pelo fato de não conseguir fazer o sangue concentrado nas minhas bochechas descer. Era uma vergonha constante e que não e deixava em paz. Acho que eu nunca havia ficado assim na presença de Di... quero dizer... Ele é o Di! Porque diabos eu tinha que ficar envergonhada perto dele? “O que está fazendo por aqui? ” Perguntei, quebrando aquele silencio extremamente constrangedor. Vi Di se espreguiçar e bocejar antes de me responder. “Lá em casa estava um tédio, e nenhum dos meninos queria treinar hoje, então resolvi vim jogar uma sinuca... Nadar...” ele respondeu distraído, olhando para as pessoas por ali, com seus olhos apertados a fim de protegê-los do sol. Ele ficou ainda mais... Lindo. Balancei minha cabeça, tentando espantar novamente os pensamentos nada amigáveis que insistiam em me perseguir. “Andam escrevendo muitas músicas? ” Puxei mais assunto, a fim de me distrair. “Oh sim. Eu estou começando a escrever essa, Get Over You..., mas ela ainda está picada, só tenho o refrão...” Di disse casualmente. “Canta ela para mim! ” Falei normalmente, encarando-o. Ele me olhou assustado e negou com a cabeça freneticamente. “De jeito nenhum! ” Ele se adiantou, agora fazendo gestos exagerados com a mão. “Hey, por que não? Vergonha é? Como você pretende cantar na frente de milhares de pessoas quando ficar famoso? ” Fingi-me de brava. “Não é vergonha é que...” ele parou subitamente de falar e encarou as mãos. “Okay, eu canto. Mas só a parte que escrevi! ” Concordei com a cabeça e ele fechou os olhos.

 

“Cuz you’ve got all the things that I want 
and I just can’t explain so
Help me baby I gotta get over you
And now and then she looks in my direction, 
Im hoping for a sign of her affection but shes in denile and,
Shes got some worries today
But I think if she'd give me a chance,
I'll pleasantly surprize but,
Help me babe I gotta get over you…”


A voz de Di era tão perfeita que eu viajava enquanto ele cantava. Era algo de outro mundo escutá-lo cantar. Se eu pudesse, passaria o dia escutando qualquer porcaria que ele quisesse cantar. Qualquer porcaria se tornaria perfeição. 
“Bom... É isso!” Ele disse sem graça, dando de ombros. Eu ainda estava estática, sem palavras para expressar o que eu sentia. Quero dizer, aquela letra me tocou de alguma forma que eu não podia explicar, e eu simplesmente não poderia dizer o quão magnífico era escutá-lo cantar, afinal, aquilo soaria estranho. “Está ficando muito boa! Quero escutá-la completa depois...” falei sorrindo sem graça e voltando minha atenção às crianças barulhentas ali. Senti seus olhos pousarem sobre mim, e pelo canto do olho vi que ele sorria.
Olhei-o novamente, disfarçando o máximo possível, apesar de não ser boa nisso. Ele continuava a me encarar. “O que foi? ” Perguntei incomodada. Talvez eu estivesse com uma sujeira em algum lugar, ou meu cabelo estava ridiculamente estranho... Di soltou um risinho e voltou a se sentar normalmente. “Não é nada... É só que lembrei de algo” ele disse ainda rindo, o que me fez ficar mais intrigada. 
“Anda, fala logo!” Comecei a rir também, mas só pelo fato de estar escutando a risada dele. “Você nada de um jeito engraçado...” Di disse rindo explosivamente. Fiz uma cara de choque e minha mão foi em direção ao seu ombro em um tapa. “Não tem nada de engraçado, okay Oliveira? Eu nado desde os cinco anos, sou quase uma profissional! ” Falei brava, e nada fazia aquele garoto parar de rir. “Você parece um sapo, ou algo do tipo...” ele disse, já se contraindo, pois, sabia que eu iria o estapear. E foi o que eu fiz. “HEY, HEY, EU NÃO TENHO CULPA, OKAY? ” Continuou ele, rindo. Bufei e decidi ignorá-lo, colocando minhas pernas novamente na água e olhando para frente. 
“Engraçado não é sinônimo de feio...” Di veio em minha direção, também colocando os pés dentro da piscina. Continuei a ignorá-lo. “Porque isso seria totalmente impossível...” ele disse mais baixinho, mas eu pude ouvir e virei para encará-lo. Ele parecia envergonhado, já que começou a bagunçar os cabelos freneticamente. “Quero dizer... Nada em você é. Você sabe... Feio...” Di já não olhava para mim. Brincava com o cordão de seu calção, e eu vi o quão nervoso ele estava. Um sorriso involuntário apareceu no meu rosto. “Nada que você faz... Enfim... Er... Nada.. Terminou ele com pressa. ‘Como alguém pode gostar de você? Só algum idiota como o Oliveira’
“Obrigada...” falei tão sem graça quanto Di e comecei a encarar meus pés desfigurados na água. “Larissa? ” Escutei alguém me chamar de longe, e eu e Di nós viramos para ver quem era. “Sim, papai? ” Respondi Gilberto, que estava atrás de uma cerca que separava a piscina do resto do clube. “Está ficando tarde, acho melhor irmos...” ele disse e eu o obedeci. Me levantei, enrolando a toalha no meu corpo e calçando meu par de chinelos que estava ali perto. Para minha surpresa, Di se levantou junto, e pegou minha bolsa um tanto quanto grande, já que minhas roupas e outras coisas estavam lá dentro e meu case da raquete na espreguiçadeira, e me acompanhou até onde meu pai estava. “Senhor Elias...” Di o cumprimentou com um aperto de mão, e meu pai abriu um sorriso. “Hey pequeno Oliveira, como está seu pai? ” Gilberto perguntou e me lembrei que ele e o pai de Di eram grandes amigos. Meu pai sempre frequentava o bar dele. “Está bem, de vez em quando reclama que o senhor não anda mais indo lá no bar” Di respondeu e os dois começaram a conversar animadamente sobre o bar, e o pai de Di, e eu totalmente absorta no assunto. Deixei os dois ali e fui me trocar, colocando minha roupa suada que antes usei para jogar tênis. “Bom te ver, Di. Mande um abraço para o velho Oliveira e diga que amanhã darei uma passada lá! ” Meu pai deu alguns tapinhas nas costas do garoto e pegou minhas coisas com ele. Eu esqueci totalmente que ele as carregava e que só o case da minha raquete pesava no mínimo dois quilos. “Pode deixar, senhor Elias! ” Di sorriu e meu pai começou a andar na minha frente, me deixando sozinha com o ‘pequeno Oliveira’. Eu ainda estava envergonhada, não olhava diretamente para Di, e sim para os meus pés. Percebi então, que o sol finalmente começava a se pôr, deixando o céu em um tom alaranjado, e os mínimos raios que ele ainda lançava, tocavam o rosto de Di realçando seus olhos de um jeito incrível. “Bom... Até mais então, Lari...” ele disse com um sorriso lindo. “Até...” falei distraída, olhando hipnotizada para seus olhos, que estavam ainda mais claros pela luz fraca que batia em seu rosto. Ele sustentou meu olhar, deixando cada vez mais difícil a minha partida. Balancei minha cabeça negativamente e me aproximei mais do garoto. Coloquei as duas mãos em seu ombro e me estiquei na ponta dos meus pés para alcançar sua bochecha, depositando ali um leve beijo. Não sei o que me levou a fazer isso, impulso... não sei... Só sei que vi suas bochechas ficarem muito vermelhas, e as minhas não estavam diferentes. Olhei para os meus próprios pés, e comecei a mexer com os pés algumas pedrinhas ali no chão. “Bom... Adeus...” falei baixinho, ainda sem olhar diretamente para Di. “A-Adeus...” ele falou finalmente, com dificuldade.
Sorri envergonhada e dei as costas, correndo em direção ao meu pai que estava à alguns metros de distância. 
 



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