História Querido Diario - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 4.867
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Make the world go away



A partir do momento em que vi Maísa sentar no colo de Di, senti minha respiração se prender sem que eu mandasse. Assim como todos sentados ali na mesa. Quero dizer, desde quando os dois são tão íntimos assim? Vi Lu fechar o pulso sobre a cadeira, mas eu tive a impressão de que não era para eu ter visto, então ele procurou disfarçar.
A vi aproximar-se do ouvido de Oliveira e sussurrar algo que não pude escutar, enquanto via Mha me lançar olhares tão confusos quanto os meus. Foi aí que voltei minha atenção à Gui, que comprimia fortemente um lábio contra o outro em uma expressão de raiva. Muita raiva. Então ele se levantou bruscamente e começou a correr contra a multidão concentrada ali. Meus olhares voltaram para Di, que me devolveu um totalmente confuso, e tive impressão, uma leve impressão, de que ele não sabia realmente o que estava acontecendo. Balancei minha cabeça negativamente e fui atrás do meu amigo.

O vi no morro de grama do campo de futebol, onde mais cedo eu havia conversado com Di. Ele estava escorado na parede, com as mãos apoiadas nos joelhos e ele fungava. Gui estava chorando.
Não disse uma palavra, apenas me aproximei e envolvi seus ombros com um de meus braços.
Seus olhos subiram de encontro aos meus e eles estavam vermelhos e inchados. Algo apertou meu coração com força e um espírito protetor se apossou de mim, me fazendo abraçar Gui com mais força, como se aquilo fosse acabar com sua dor. “Como Di pode fazer isso comigo, Lari? ” Ele disse com a voz tremula, mas cheia de raiva. Abri e fechei a boca a procura de respostas, mas a verdade era que eu também não sabia como ele poderia fazer isso com um de seus melhores amigos. Chegava a ser desumano. Mas eu tinha que dizer algo. Era o meu papel, como amiga, dizer palavras para tentar amenizar sua dor.
"Talvez não seja nada demais! Eles são apenas amigos, assim como eu e você!" Eu falei num tom meio animado, tentando ME convencer de que aquilo realmente não era nada demais. 
"Eles estavam muito íntimos para eu acreditar que são apenas amigos!" Gui disse com certa agressividade, voltando a encarar os pés. EU não sabia mais o que fazer ou falar, porque não havia o que dizer! Eu me recusava a acreditar no fato de que Di e Maísa estariam juntos, apesar de isso não ser da minha conta. Porque eu estava me importando, afinal?
"Bom, preciso ir, Gui..." olhei para meu relógio, que marcavam meia noite, e Lu e Silvana combinaram que eu estaria em casa às dez. Eu nunca obedecia de qualquer forma. Seta me olhou apreensivo e apenas concordou levemente com a cabeça, voltando a encarar os sapatos muito bem lustrados. Dei um leve aperto em seu ombro antes de voltar para a área da piscina, e para minha descrença, dar de cara com Lucas.
"Lari, posso te levar até sua casa? Quero dizer, eu tenho que te levar até em casa..." ele deu um leve sorriso maroto e eu neguei com a cabeça e apertei meu cenho com uma mão, esforçando para encontrar alguma desculpa que me livrasse de sua encantadora companhia. Eu não estava entendendo, mas eu não queria sua carona de alguma forma. Eu simplesmente queria... ficar sozinha, espairecer minhas ideias tão confusas naquele momento.
"Acho melhor não, Lu... Quero dizer, sem querer eu acabei ligando do telefone do Tho para o Marcos e ele está vindo me buscar..." menti descaradamente, tentando me livrar de qualquer maneira do meu namorado. Meu namorado... que tipo de namorada eu era? A pior, disso eu tinha certeza. Lu me olhou um tanto quanto desconfiado e hesitante, mas vi sua testa relaxar após um tempo me observando.
"Tem certeza?" Ele insistiu e eu concordei um pouco alheia. "Certo. Deixe-me esperar pelo motorista então..." continuo com a insistência. Qual era agora? Mania de perseguição?
"Fique tranquilo Lu. Minha mãe não vai saber disso..." sorri gentilmente e em segundos, senti o corpo do garoto se colar ao meu, suas mãos envolveram meu rosto e levou-o involuntariamente até o seu. Lu me beijou, e eu fiz o máximo que pude, sem motivos, para afastarmos um do outro. Tudo naquele relacionamento havia se tornado tão... indiferentemente normal e ordinário. Nada do que eu sempre li nos meus romances favoritos, nada do que sempre almejei sentir... ou foi tudo ilusão, ou algo dentro de mim insistia em dizer que nem tudo estava perdido.
Sorri vagamente e dei às costas ao homem mais lindo e perfeito que eu já havia visto na vida. Apertei meus braços contra mim mesma no momento em que senti uma corrente de vento passar por mim, e apertei meu passo para poder chegar logo na saída da casa imensa de Tho.

Finalmente, depois de ser esmagada dezenas de vezes, passei pela porta de entrada e dei de cara com um enorme jardim à minha frente. Foi aí que o desespero bateu em minha porta, pois me realizei de que não havia chamado Marcos coisa nenhuma e que não havia uma alma caridosa se quer para me resgatar dali. Se fosse um pouco menos tarde, e se minha casa não fosse do outro lado de Bolton, eu iria com meus próprios pés. 
Bufei impaciente com a minha estupidez e fui em direção aos balanços das irmãzinhas mais novas do Tho, pensando em como eu sairia dessa confusão que eu mesma havia criado. Consequentemente, passei a ocupar minha mente com as cenas vistas há poucos instantes atrás, e para minha surpresa, uma onda de sentimentos instantes começou a percorrer meu corpo e fez meus olhos se fecharem fortemente em um gesto de raiva. Raiva?

"Posso me sentar aqui?" Uma voz muito familiar soou ali do meu lado e eu não precise abrir meus olhos para saber quem era. Era ele. Apenas concordei com a cabeça, ainda de olhos fechados por alguma razão... talvez me proteger do garoto ali do meu lado.
Não respondi coisa alguma, mas ainda assim o menino se sentou no balanço ao meu lado e nos balançávamos de mondo totalmente desordenado: eu para frente enquanto ele ia para trás. Silêncio. Constrangedor.
"Nós não temos nada..." a voz de Di soou do nada, me fazendo acordar do drama profundo que aflorava em minha mente.
"O que disse?" Perguntei confusa, sem entender aonde Oliveira queria chegar. O vi desviar seu olhar para a rua à nossa frente, enquanto eu fitava seu rosto indefectível.
"Eu e Maísa... Nós não temos nada..." ele continuou sem me encarar, e os tormentos que antes rondavam meus pensamentos voltaram. Porque diabos ele estava dizendo aquilo? Por um acaso eu havia lhe perguntado? Ou tinha cara de que queria saber sobre sua fantástica vida amorosa?
"Hm..." Jorrei um som qualquer da minha garganta, com a finalidade de mostrar que eu não importava com o assunto. Eu realmente não importava. Não mesmo, que ele casasse com a Maísa, tivesse filhos feios e vesgos e fosse feliz para sempre. "Porque está me dizendo isso?" Não resisti.
"Só achei que você gostaria de saber..." ele respondeu hesitante e dando de ombros. E pelos calções furados de Merlin, por que raios eu gostaria de saber?
"Não gostaria" simplifiquei minha inquietude. Mais silêncio. Constrangedor novamente, acrescento.
"É que..."
"Di, você não me deve explicações. É sua patética vida amorosa, eu já tenho a minha para preocupar, agradeço" Larissa atinge seu limite de grosseria, Silvana ficaria orgulhosa. Vi Di concordar silenciosamente ao meu lado, enquanto continuávamos a nos balançar. Dois patéticos.
"Droga, quero ir embora desse lugar" exclamei minha insatisfação um pouco alto demais, já que fiz Di desencostar a cabeça das correntes e me encarar. 
"O Pontiac do seu namorado está ali..." ele apontou com a cabeça em direção à calçada e então pude ver o reluzente e bem ilustrado carro.
"Não quero ir embora com ele" bufei impaciente. Eu estava me saindo a pessoa mais irritante e insuportável do mundo, me assustava o fato de ver Di ali ainda.
"Vá com Mha então..." ele sugeriu absorto, remexendo na grama abaixo de nossos pés.
"Ela provavelmente está em algum canto com o Le, não vai querer ir embora agora..." Di novamente concordou silencioso, mas hesitante. "Bom... Eu... Sabe, eu posso... Se você quiser é claro... Eu..."
"Me levar?" Adiantei-me animada, e totalmente oferecida. Eu estava burlando todas as normas de etiqueta e de como ser uma mocinha educada e respeitável.
"É..." Di me pareceu tímido e tive uma vontade inusitada de apertar suas bochechas. Patética. Larissa é o ser mais patético de toda a via Láctea.
"YAY, vamos nessa!" Saltei instavelmente do balanço e uma alegria tão surpreendentemente nova me dominava. Ouvi Di soltar um riso abafado atrás de mim, mas vindo em minha direção logo em seguida e andando lado a lado comigo. "Então, onde está seu carro?" Perguntei, procurando curiosa pelo carro do Oliveira, não vendo a hora de tirar aquelas horríveis sapatilhas que iriam me causar joanetes um dia.
"Err... Na verdade eu estou de moto..." Di bagunçou os cabelos nervoso e automaticamente meus olhos se arregalaram.
"Mo-moto? Você quer dizer aquele veículo de duas rodas e sem proteções nas laterais?" Eu me ridicularizei novamente. Mas dessa vez era o meu inconsciente falando mais alto. Continue gaguejando e dando características à uma moto, gaguejando e agindo como completa idiota. Sabia que Di ria por dentro do meu ato de desespero. Não tenho culpa se motocicletas não me atraem por serem o símbolo do perigo. "Nã-não acho uma bo-boa ideia, Di..." fui me afastando da moto enquanto Di se aproximava dela com um sorriso um tanto quanto maléfico e se sentou no banco de couro e cruzou seus braços em uma pose que prefiro tirar da minha mente.
"Vamos lá, Lari. Você acha que eu vou deixar algo te acontecer?" Ele disse todo confiante e assustei quando uma onda de calma passou por mim. Hesitei alguns instantes mais, pensando no que poderia acontecer se eu subisse naquela moto. Uma delas era certa, eu morreria. E Silvana Daria um jeito de me ressuscitar para poder me matar novamente.
"O-okay" me rendi e esperei para que ele me desse um capacete. Peguei um vermelho que se prendia no queixo e Di colocou um outro. O vi sorrir abertamente, mas eu não estava assim tão feliz. Até mesmo de conversível eu tenho medo de andar. Tenho medo de poder voar dali para o asfalto, e esse fato não é muito convidativo. Di passou uma perna para o outro lado da moto, posicionando-se para dirigir, e me olhou, esperando para que eu fosse. Suspirei pesadamente e bufei por ver que eu não tinha outra escolha.

Lembrei-me dessa paixão de Di por motos subitamente. Lembro de quando ele ganhou sua primeira bicicleta motorizada aos quatorze anos e todos os meninos da turma ficaram doidos para aprender a pilotar com o senhor Oliveira, pai de Di.
Então fui em direção a moto com as pernas bambeando e meu coração palpitando a mil. Isso não daria certo. Era uma péssima ideia, mas eram quase onze da noite e eu não tinha muitas opções, e minha mãe provavelmente estava tendo ataques, se já não tiver ligado para a polícia. Então passei uma perna de cada lado da moto assim como Di, tendo cuidado com a saia do meu vestido. Friso que meu corpo ao se chocar com o de Di, por alguma razão inusitada, fez meu coração dobrar seus batimentos. Estranho. Bizarro. 
"Pronta?" Ele disse em meio de um risinho. Muito engraçado. Ele estava adorando toda essa situação embaraçosa, eu tinha certeza.
"Se você correr, eu te estrangulo, entendeu bem?" Falei séria, olhando-o pelo retrovisor e apontando meu dedo indicador mostrando que eu realmente o faria. Di soltou outra risada e deu partida na moto, me fazendo soltar um grito assim que escutei-a ranger, dando mais motivos para Oliveira poder gargalhar. "CUIDADO!" Gritei e dei um tapa em seu ombro.
"LARISSA, RELAXA!" Di gritou de volta e então senti o vento forte bagunçar meus cabelos. Agarrei ferozmente nos apoios atrás de mim e fechei os olhos fortemente, na tentativa de fazer tudo desaparecer inclusive a moto estúpida e minha casa se materializar em algum lugar qualquer da rua.

Enquanto eu observava as casas e árvores passarem por nós rapidamente como se fossem borrões, senti meu corpo ser jogado para frente bruscamente, e quando olhei para frente desesperada, vi que Di havia freado em frente ao semáforo. E automaticamente, em um ato de desespero, envolvi o corpo de Di com minhas mãos, diminuindo a pouca distância que nos separava. Senti o corpo do garoto se enrijecer de uma forma tensa, e foi aí que reparei no que eu estava literalmente agarrada à Di Oliveira.
Soltei-o imediatamente, e uma vergonha insana tomou conta de mim. Se eu fosse doida o suficiente ou pelo menos um pouco bêbada, eu pularia daquela moto e sairia correndo para lugar nenhum. Uma pessoa sensata faria isso. Percebi que o garoto à minha frente lançava olhares tão envergonhados quanto os meus pelo retrovisor frontal. Eu... agarrei... o Di. Eu o agarrei! Deus!
Mas... Eu gostei. EU GOSTEI? Oh meu santo Deus, me diga o que acontece comigo. Tudo ficava cada vez mais sóbrio e... confuso à medida que eu passava o tempo com Di.
O sinal finalmente ficou verde, então ele engatou novamente e começamos a vagar pela White River Street, onde localizavam-se os mais luxuosos condomínios de Bolton. Di pigarreou.

"Acho que.. Você devia ficar daquele jeito... Você sabe... É mais seguro..." ele disse nervoso e gaguejando. Soltei um pigarro. "Se você quiser... Ficar mais segura, eu digo, claro..." ele deu de ombros.
"Eu quero... Vo-você sabe, eu tenho medo..." falei no mesmo tom de nervosismo. Não sei por que diabos isso saiu da minha boca, essa impulsividade não combinava comigo, mas simplesmente me deixei ser levada pelo momento. O que poderia acontecer, afinal?
Então com as mãos trêmulas envolvi meus braços na cintura de Di novamente. Ele contraiu-se como antes, mas com o passar dos milésimos senti seu corpo relaxar. Meus ombros encostavam leve e suavemente nos braços definidos do garoto, e agora posso dizer do que gostei. O toque da pele macia de Di com a minha me fazia sentir coisas tão esquisitas e boas ao mesmo milésimo de segundo. Sentir o cheiro vindo de seu pescoço e minha mão tocando sua barriga, faziam meu estômago revirar a ponto de eu não conseguir explicar nada mais. Por um mísero segundo, vi meu medo ir embora e o mundo se resumir a mim, Di e aquela moto barulhenta.
O vi sorrir pelo retrovisor, e eu não deixei de fazer o mesmo. Impulsivamente, encostei meu queixo em seu ombro enquanto ainda sentia o vento bagunçar meu cabelo e algumas vezes o fazer espalhar por todo meu rosto.
Minha saia esvoaçava com a brisa forte e a única coisa que nos iluminava eram as luzes pregadas nos postes. Di se virou um pouco, fazendo com que nossos rostos ficassem perigosamente próximos a ponto de eu sentir sua respiração. Ou talvez era o vento.

"Você está bem?" Ele disse em um tom alto para que eu pudesse escutar, já que o vento era um grande ruído entre nós.
"Estou!" Gritei de volta, fazendo-o sorrir abertamente e voltar sua atenção na rua deserta. Não nego que o medo ainda tomava conta de mim, mas não completamente. Abraçando Di, as coisas mudaram. Quem sabe ele não passava segurança por telepatia?
Lentamente, senti a moto diminuir a velocidade e de longe pude ver os grandes portões de bronze da casa dos Elias.
"Está entregue..." Di disse quando paramos totalmente. Retirou seu capacete e então pude ver seus cabelos bagunçados completamente. 
Admito que nunca havia reparado na beleza de Di antes, e eu estava estática por reparar agora. Ele ainda tinha um sorriso maroto no rosto, o que estava me deixando hipnotizada. Ele desceu da moto e me estendeu uma mão para que eu pudesse descer. Mas eu não o fiz, e como uma retardada, continuei a encará-lo até ver suas bochechas corarem levemente e seus cabelos caiam suavemente em seus olhos.
"Não vai entrar?" Ele me despertou do pequeno tranze e eu balancei a cabeça abobada.
"Oh, claro..." respondi vagamente. Olhei para a pequena torre ao lado do portão acenei ao porteiro, então as barras de bronze foram abertas. Meu desejo profundo e mais obscuro era de ficar ali, mas algo me dizia que o certo e sensato seria entrar. 
Di sustentou meu olhar e tive a impressão, de que por um segundo, nós dois tentávamos decifrar o pensamento um do outro. Balancei a cabeça, tentando ficar em sã consciência e pensar claramente.

Me aproximei do garoto estático e coloquei suavemente minha mão em seu ombro, mas dessa vez ele não se contraiu. Eu ainda estava mortificada em seus olhos, mas tive o impulso de me aproximar de seu rosto e depositar um leve beijo em sua bochecha. Foi tão suave a ponto de fazer Di fechar os olhos. Inspirei o cheiro doce que vinha de seu pescoço, a fim de guardar aquela fragrância tão apaixonante na minha memória.
"É melhor eu ir..." sussurrei e me afastei, mas percebi que Di mantinha os olhos fechados e demorou dez segundos até que ele os abriu novamente para me encarar.
Balançou a cabeça lentamente, mas não tive certeza sobre sua concordância. Então me afastei e no mesmo segundo escutei uma voz estridente gritar pelo meu nome. Mas eram apenas ecos, como da última vez em que eu estava sozinha com ele.
"LARISSA, ENTRE JÁ EM CASA!" Escutei novamente a voz irritada e irritante, e quando olhei para trás, o encanto se quebrou assim que vi a figura de Silvana à alguns metros.
"Oh, droga!" Demonstrei meu desespero e vi o sorriso lindo de Di se abrir. Eu estava oficialmente ferrada. Podia ver a fúria de minha mãe de longe! Mais castigos estavam por vir.
"Vá. Não quero lhe causar nenhum problema..." Di disse num tom meigo. Sorri abertamente e então dei às costas e corri mansão adentro. Silvana tinha as mãos na cintura e uma visível feição irritada que me fez tremer de cima à baixo. Eu estava cansada disso, dessas punições e manias de me tratar como criança. Eu faria 17 anos e era totalmente responsável sobre meus atos, minha tolerância sobre essa proteção exagerada de Silvana estava se esgotando aos poucos, e quando ela atingisse seu limite, as coisas ficariam feias.
"O que significa isso?" Ela disse entre dentes assim que atingi a varanda de entrada.
"Eu chegando em casa?" Fui cínica e a expressão de raiva no rosto de minha mãe aumentou. 
"Chegando em casa com um garoto que não é seu namorado! O que você tem na cabeça?" Ela rosnou, apontando o dedo indicador em meu rosto. Bufei impaciente e me preparei para o discurso moralista, totalmente ensaiado. "E afinal, quem era aquele?" Silvana perguntou desafiadora, com um desgosto em seu rosto.
"Aquele era Di Oliveira, mãe!" Irritou-me ainda mais o modo como ela se referiu a ele. Meu rosto provavelmente estava vermelho, tanto era o acumulo de raiva em mim.
"Oliveira? Família Oliveira? Aquele filho do dono daquela espelunca chamada de bar? Como tem coragem de andar com um elemento como aquele? E ainda descer da moto dele? Da moto!"
"Ele é meu amigo mãe! E eu tenho muita coragem de andar com ele, pois ele é um ÓTIMO garoto, para a sua informação!" Minha ira já percorria cada veia do meu corpo e ela estava prestes a desencadear de mim.
"Ótima desculpa, Larissa! Você acha que os vizinhos vão achar que ele é seu amigo?" Silvana continuou agora gesticulando ferozmente com as mãos.
"O que os vizinhos têm a ver com a minha vida?" Comecei a me irritar e meu tom de voz consequentemente se elevou.
"Você tem uma moral a cuidar, Larissa! Um nome a proteger! Eu não vou deixar que você acabe com a reputação dessa família como você vem fazendo!" Minha mãe estava me irritando profundamente! Ela precisava acordar, precisava ver que o mundo estava mudando, que os costumes estavam mudando! Estávamos quase indo para os anos 60, tudo estava mudando, e ela continuava antiquada!
"Essa é minha vida! Não vou deixar que ninguém a viva por mim, nem você, nem os vizinhos!" Gritei a enfrentando, dando as costas à minha própria mãe. Não há algo mais frustrante do que ter que se preocupar com o que os cidadãos sem-ter-o-que-fazer dessa cidade pensam de mim ou do que eu faço! Entretanto, senti as mãos frias de Silvana puxando meu braço com força. Soltei um gemido.

"Essa não é a sua vida. Você tem uma mãe que não vai permitir que você destrua sua família" ela disse firme e friamente, do modo mais ameaçador e amedrontador possível. Sustentamos um olhar assassino uma para a outra, a qualquer instante eu poderia explodi-la com meu pensamento e vice-versa. Soltei meu braço bruscamente e corri até chegar na escada e desaparecer da vista da pessoa que eu chamava de 'mãe'. Andei a passos pesados e com os olhos embaçados por lágrimas até chegar em uma das últimas portas do corredor. Entrei em mu quarto, batendo a porta fortemente e jogando-me na cama de viúvo. Minha própria mãe pensava que eu era uma ameaça à família! Porque insistir nessa história de que a vida é uma reputação? Reputação não era nada, apenas uma máscara usada por burgueses hipócritas fingirem o que não eram ser!
Eu simplesmente me recusava a me comportar dessa maneira. Eu jamais seria como um deles. Eu jamais me tornaria uma mulher como Silvana. Meu pai era como eu, mas nunca entendi o porquê de ele nunca enfrentar a fúria de sua esposa. Ele sempre dissera que na vida nós precisávamos de equilíbrio e saber suportar certos incidentes. Mas tudo tinha seu limite, e Silvana estava ultrapassando todos! Deixei minha raiva cair em lágrimas, e nunca desejei tanto fugir dali. Vesti uma camisola qualquer e tornei a me jogar na cama, afundando fortemente meu rosto no travesseiro.
Subitamente, escutei algo bater em minha janela, mas resolvi ignorar o barulho, era provavelmente o vento. Entretanto, o barulho tornou a invadir meus ouvidos, então percebi que uma pedra havia atravessado minha janela. 

"LARISSA, QUE BARULHO É ESSE?" Escutei minha mãe gritar do lado de fora do quarto. Me desesperei e tratei de me levantar da cama, andando de um lado para o outro, procurando uma desculpa.
"É.. Foi um porta-retrato que caiu, mãe!" Respondi nervosa, esperando que ela acreditasse e não resolvesse entrar para conferir.
"Trate de limpar isso!" Escutei sua voz autoritária se afastando aos poucos. Suspirei aliviada e fui em direção ao closet à procura de um penhoar. Então, finalmente abri minha persiana para quase cair para trás de susto. Estava chocada por ver aquele semblante de pessoa me encarando no jardim.
"Di? O que diabos você está fazendo aqui?" Sussurrei visivelmente surpresa, mas ele não pareceu estar preocupado.
"Só vim ver se estava tudo bem..." ele disse tranquilamente, se balançando de frente para trás com as mãos nos bolsos da calça.
"Estava! Mas não vai estar mais se alguém te ver aqui!" Olhei para os lados a fim de me certificar que ninguém nos observava. Di soltou um risinho e olhou para os pés por um momento.
"Você.. Err, poderia descer aqui por um instante?" Ele parecia meio incerto. Talvez pela minha resposta. Mordi meu lábio inferior, hesitando e pensando no que eu faria naquele momento. Meu coração me dizia para descer, e que se danasse toda a moralidade que me envolvia. Mas minha razão continuava a dizer que o melhor era não contrariar as vontades de Silvana, pois sempre que eu o fazia, algo acabava dando errado. Mas meu coração batia tão forte contra o meu peito, que era impossível escutar qualquer coisa que não fosse ele. "Vamos lá! Só um instantinho!" Di insistiu, com uma cara impossível de se resistir. Novamente, resolvi agir impulsivamente. O máximo que poderia me acontecer, seria um mês sem sair de casa, e era para isso que serviam as janelas. Pelo menos as minhas.
"Okay, pegue a escada que fica no vão entre a casa e o muro!" Apontei para meu esconderijo de fuga. Le já sabia de cor onde era, por isso sempre que eu escapava da prisão, todo o equipamento já estava a postos. Di concordou e foi aonde eu indiquei, voltando segundos depois com uma escada imensa de madeira. 
"É essa?" Ele me perguntou rindo, me fazendo gargalhar, mas imediatamente coloquei uma mão sobre a boca.
"Agora coloque aqui..." indiquei a entrada da minha janela, e ele o fez. "Certo, agora esteja a postos debaixo de mim caso eu caia...." Falei vagamente, já me preparando para descer.
"Oh, por favor, não caia!" Di disse debochado e eu novamente me segurei para não rir e realmente não cair. Desci com cuidado, mas cheguei rapidamente até o chão, devido aos meus tantos dias de prática. O garoto me ajudou a descer os últimos degraus e rimos sem motivo quando nos encaramos.

"Você precisava ver sua cara quando sua mãe apareceu!" Ele disse rindo, mas abafando com as costas da mão.
"Aquela megera me odeia" bufei. Rimos mais um pouco, até que o silêncio nos domou. Encarei meus pés cobertos por uma pantufa ridícula e tive vergonha por parecer tão infantil.
"Gostaria de se sentar comigo... Err..." ele olhou para os lados à procura de algo. "De baixo das palmeiras?" Ele disse galanteador. Arqueei minhas sobrancelhas.
"Que inovador!" Falei debochada, pegando em sua mão recém-estendida. Andamos de mãos dadas até alguns metros para frente, onde havia uma passarela de palmeiras. A sensação de estar de mãos dadas com Di Oliveira foi nova. Foi desesperadora, para ser sincera. Um misto de nervosismo e tranquilidade, algo que eu jamais havia sentindo com Ben, meu próprio namorado. Com ele, tudo era muito... Indiferente. Eu não sentia esse calor que ao mesmo tempo me dá um frio na espinha, essa intensidade que apenas a mão de Di causava. Olhei para nossas mãos entrelaçadas, e elas pareciam perfeitamente encaixadas. Vi Di direcionar seu olhar a elas também, então o senti dar um leve apertão nelas. 
Sorri e o encarei nos olhos. Aqueles olhos tão profundos e tão cheios de segredos que eu estava louca para decifrar. 
Paramos de andar, mas não de nos olhar, muito menos soltamos as mãos. Me bateu um desejo desenfreado por tocá-lo, acariciar suas bochechas rosadas, sentir sua pele... Não sei o porquê desses meus instintos estarem tão impulsivos, e por que eles tentavam me controlar. Eu não gostava de ser inconsciente sobre meus atos, sempre tive o controle sobre minha racionalidade.

"Te chamei para sentar, mas se você quiser ficar de pé debaixo das palmeiras, por mim tudo bem..." Di sussurrou vagamente com um pequeno sorriso. Soltei um risinho tímido pela minha distração e me sentei rapidamente na grama fofa abaixo de nós, puxando-o para sentar-se também. Ele soltou um suspiro e se apoiou com as mãos para trás numa pose relaxada. Fiquei fitando qualquer coisa que não fossem os olhos hipnotizantes que estavam me encarando.
"Então... O que você quer?" Cortei aquele silêncio que me incomodava bastante.
"Quanta educação, Elias..." Di riu e eu rolei os olhos, fingindo impaciência.
"Hm. Então você interrompe o sono alheio por tédio? Quanta educação, Oliveira!" Ele riu e eu não pude conter minha risada também.
"Você não estava dormindo... Estava chorando..." ele disse quase num sussurro e eu soltei um gemido de surpresa. O olhava abismada e curiosa ao mesmo tempo.
"Como... Como você..." então fui interrompida pela mão de Di, que tocou levemente meu rosto, trilhando um caminho dos olhos até o final do meu queixo, um caminho onde antes foi trilhado por lágrimas. Abaixei meu olhar para a grama que eu arrancava por culpa do nervosismo.
"Na verdade eu só queria te ver novamente... Você sabe... Antes de voltarmos a nos tratar como estranhos..." ele disse calmamente, encarando seu All-Star malcuidado. Todo o sangue do meu corpo se concentrou em minhas bochechas, e tudo o que eu consegui fazer foi encarar minhas pantufas.
"Mas nós não precisamos ser estranhos..." falei num sussurro e o encarando novamente. Eu não sabia se me concentrava no olho direito, ou no esquerdo, não sabia qual era mais encantador. Senti sua mão ser depositada de leve contra a minha e a apertar suavemente.
"Precisamos, Lari. Nós precisamos..." ele respondeu, e eu não entendi exatamente o que ele queria dizer com isso. Havia mais em seus olhos, algo que ele implorava para que eu pudesse entender, mas eu não conseguia ler o que estava escrito em sua feição triste.
"Porque... Porque eu estou sentindo as coisas mudarem, Di?" Disse fracamente, encarando nossas mãos dadas em meu colo. Suas unhas eram ligeiramente malcuidadas, mas eram perfeitas. Seu toque era tão suave e macio que eu vagamente podia sentir os calos abaixo de seus dedos.
"Elas só estão mudando para você, Lari... Para mim sempre foi assim..." Di disse firmemente, me olhando de um modo tão profundo que me senti fraquejar. Senti meu estômago revirar.



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