História Querido Diario - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Exibições 3
Palavras 2.160
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - You light my morning sky with burning love...


"Tchau, pai!" Gritei já fora do carro e vi meu pai acenar enquanto o carro se afastava. Sorri e entrei correndo para dentro da escola, já estava cinco minutos atrasada. Fui para o terceiro bloco, onde corri desenfreada até a escada e a subi até chegar ao terceiro andar, onde procurei a porta com a placa que dizia 'Orientação Vocacional por Bruce Campbell'. Orientação Vocacional no primeiro horário é pedir para que as alunas durmam.
Bati sutilmente na porta e esperei alguns segundos até o professor Campbell abrir a porta para mim e me dar um pequeno sermão sobre pontualidade antes de me deixar entrar. Eu não tenho culpa se Marina hoje tenha queimado a mão enquanto fazia minhas panquecas e tenha demorado a me acordar. 
Acenei para Mha, que estava sentada do outro lado da sala, onde não havia cadeiras vagas. Então me contentei por ficar ao lado de Marcia Souza, a garota que não sabia mascar chiclete e não me deixava prestar atenção na aula com os estalos que dava ao estourar uma bola.
Após torturantes cinquenta minutos, com muito esforço para ficar acordada, o sinal me despertou e percebi que Mha já estava pronta ao meu lado. Rolei os olhos, peguei minha mochila no chão e trilhamos caminho à nossa próxima chata aula que seria 'Assistência Social & Saúde', sorte de Mha que sua próxima aula seria Língua Inglesa.
Nos despedimos quando cheguei até a sala de número 113, e entrei para mais longos minutos de tortura. Me assustei ao ver que Maísa estaria na mesma sala que eu, que tolice a minha, é claro que eu sabia. Nós sempre criticávamos o péssimo corte de cabelo da professora Glaucia.
Fui de cabeça baixa até uma cadeira bem afastada da dela, mas sentindo seus olhos pesados sobre mim. Desde o incidente, nós não nos falávamos mais. Nem eu sabia o porquê verdadeiro disso tudo, mas Maísa se recusava a conversar comigo. Todas as minhas tentativas de uma argumentação amigável eram descartadas quando a garota me lançava um de seus olhares cheios de ódio e amargura.
A professora entrou, e eu simplesmente abri meu caderno para fingir que prestava atenção no que ela falava. Eu rabiscava o cabeçalho do papel, desenhando coisas aleatórias, alguns tribais, outras vezes um coração. Mas me peguei de surpresa quando escrevi, sem ao menos perceber, a letra inicial de alguém inusitado. Eu havia começado a escrever o nome dele...
Fechei meu caderno bruscamente e me afundei na cadeira, encarando o teto e deixando que aqueles pensamentos, que me perseguiram desde a última vez que eu o vi, me dominassem.

A partir do momento em que eu subi as escadas do meu quarto, quando meu pequeno encontro um tanto exótico também, acrescento com Oliveira acabou, tudo o que me vi fazer durante todos os minutos, era pensar nele. Flashes de toda aquela noite, e de todas as palavras ditas, passavam pela minha cabeça constantemente, e nada no mundo conseguia tirá-los dali. Era desde sua voz, até o toque de sua pele e a cor de seu cabelo. O cheiro de seu perfume parecia estar impregnado em mim... Era como se eu estivesse fugindo de um demônio, de um pecado... Talvez ele fosse meu pecado... Minha sina, meu carma...
Desde então, não consegui uma vez se quer, olhar verdadeiramente dentro dos olhos de Lucas. Eu o olhava, mas não via nada, era apenas uma figura vazia na minha frente. Sua voz firme e grossa soava extremamente áspera e rude aos meus ouvidos. Eu não conseguia me concentrar em uma palavra que ele dizia. E eu me odiava por isso. Lu sempre foi um garoto tão doce e gentil para mim... Não havia razões para eu tratá-lo assim! 

Abri um sorriso inesperado ao lembrar do meu compromisso de hoje após a escola. Já havia avisado Silvana que voltaria para casa depois das sete... Os garotos iriam nos buscar Mha e eu na escola para um piquenique nas montanhas de Stahl e veríamos o pôr-do-sol. Gui, Tho, Le e... ele.
Às vezes me pego pensando nele às escondidas, me torturando em pensamento por isso. Não era para eu estar assim. E logo depois de me torturar, eu fico me indagando por que diabos eu estava assim, e por que raios esse maldito garoto insistia em me perseguir, até mesmo em meus sonhos. Não ousei a falar isso com Mharessa. Talvez eu tivesse uma ideia do que ela diria, mas a insegurança era maior. Porque uma garota que já tem um namorado perfeito estaria pensando em outro? 
Sem nem mesmo perceber, vi as horas se passarem cada vez mais rápido para minha infelicidade. Mha e eu sentamos no mesmo lugar de sempre na hora do almoço, com algumas garotas do nosso curso de música. Elas discutiam de Beethoven à Mozart, pulando para Elvis e Johnny Cash. Mas eu conseguia apenas encarar uma pessoa do outro lado do refeitório. Maísa estava sentada com as garotas mais populares do colégio, as mais bonitas por assim dizer. Talvez aquele fosse seu verdadeiro lugar, onde ela realmente pertencia. Sempre andou de nariz empinado, sempre se achou melhor do que as outras, sempre gostou de humilhar os outros. Talvez eu que nunca percebi esse seu lado. Nossos olhares se encontravam às vezes, mas eu não ousava em sustentá-lo.

E assim passou-se o dia, sem muita agitação ou novidades, o ruim de uma escola só de garotas. Não temos muito o que falar ao longo do dia sem os garotos para serem observados...
Mas pelos tantos pedidos que fiz à Deus, o tempo passou rápido e eu e Mha já estávamos saindo da escola lado a lado e com os materiais nas mãos. Na minha mochila, eu carregava um bocado de porcarias: bolachas, Pringles, sucos de saquinho, pasta de amendoim e é claro, uma manta de piquenique. Eu tinha a absoluta certeza de que os garotos esqueceriam. Mha levava coisas saudáveis como frutas, barrinhas de cereais... Coisas que continuariam em sua mochila. Nós conversávamos sobre algo aleatório até esbarrarmos em alguém.
"Olá, senhoritas, deixem-me carregar os seus pertences?" Escutamos uma voz muito familiar, forçando-se por ser galanteador. Costa estava à nossa frente, com uma pose de cavalheiro, todo curvado e charmoso. Não contive a risada, muito menos Mharessa. Assim que Tho se desfez da pose em um pulo, entregamos nossos materiais a ele e trilhamos o caminho até o seu carro do outro lado da rua. Com muito empurra-empurra e comentários do Tho sobre as tantas garotas que passavam ali, chegamos até o Fusca vermelho do Gui.
"Oi, princesas!" Gui apareceu ali de fora, dando um abraço em cada uma de nós. Ele, aparentemente, havia superado todo o incidente passado. Assim como eu, não conversava com Maísa e havia chegado à um acordo com Di. Coisas de homens. Seta abriu a porta para nós, juntamente com o banco. De trás, pude ver Di e Le sentados lado a lado. Mha entrou correndo, indo de encontro com seu namorado, o qual colocou-a no colo para que houvesse espaço para todos nós. Eu não entrei. Não consegui. Os olhos de Di não deixaram. Não sei quanto tempo ficamos nos encarando, mas para mim foi uma eternidade.
"Ande logo, Lari!" Tho gritou do lado de fora, me dando um empurrão indesejado. Para minha vergonha, eu caí bem em cima do colo de Di, e logo após, senti o banco voltando para seu modo original e Tho se sentou, me fazendo ficar mais desconfortável e me dando pouco espaço para eu poder me sentar ao lado de Di, não em seu colo.
Minhas bochechas estarem mais vermelhas do que estavam, era impossível. Eu podia sentir a respiração de Di tão perto de mim, e seus olhos estavam tão próximos dos meus que me senti vesga.
"Oh, desculpe..." falei desnorteada, me remexendo em seu colo e batendo várias vezes no banco de Tho escutando suas várias reclamações e tentando me sentar decentemente. Di tentava me ajudar, ora colocava suas mãos em minha cintura me empurrando, ora se espremia contra a parede do carro para eu poder passar.
"O que vocês estão fazendo? Sexo?" Tho gritou do banco da frente, e assim que consegui finalmente me sentar, dei um murro em sua cabeça.
Olhei para Di de relance, e o mesmo sorriu abertamente para mim, me fazendo abaixar a cabeça, dar um risinho totalmente envergonhado e colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Gui ligou o som do calhambeque em uma rádio que todos nós adorávamos. A Rádio Rock Station.
"LORD ALMIGHTY, FEEL MY TEMPERATURE RISIIIIIIING. HIGHER HIGHER, IT'S BURNING THROUGH TO MY SOOOOOOOUL" começamos a cantar no imediato momento em que Burning Love começou a tocar. Seta aumentou o volume do rádio no máximo, a ponto de podermos confundir nossas vozes com a do Rei. 
"GIRL GIRL GIRL, YOU GONNA SET ME ON FIIIIIIIIIIRE" Mha cantava apontando para mim. "MY BRAIN IS FLAAAAMING, I DON'T KNOW WITCH WAY TO GOOOOO" Eu fazia caras e bocas enquanto cantava. Fiquei no vão entre Gui e Tho, enquanto fingíamos ser um trio. "YOUT KISSES LIFT ME HIIIIIIGHER LIKE THE SWEET SONG OF A CHOOOOIR. YOU LIGHT MY MORNING SKY" me virei para trás a ponto de ver Di olhando para mim. "WITH BURNING LOOOOOOOVE" ele gritou alto, mas ainda olhando profundamente para mim. Todos começamos a dar gargalhadas assim que a música acabou, e eu me joguei no banco de trás.
"Devíamos juntar essas duas no FunBoys..." Tho disse se curvando para trás e apontando para mim e Mha.
"Concordo plenamente. Cantamos mil vezes melhor do que vocês quatro juntos!" Falei de peito estufado e Mha concordou.
"Melhor do que eu impossível" Di disse ao meu lado, mas um pouco baixo fazendo com que somente eu escutasse.
"Como você é convencido! Claro que eu canto melhor!" Revidei toda cheia de mim, fazendo-o gargalhar. Oh, como eu amo aquela risada.
"Eu te provo" ele falou maroto e deu uma piscadela antes de girar sua atenção ao vidro do seu lado direito. Sorri sem motivos e olhei para a direção contrária, e para o meu desconforto, dei de cara com Mha e Le aos amassos. Eles estavam se engolindo, juro! Ri e passei a mão pelo meu cabelo, bagunçando-o um pouco. Quando depositei a mão em meu colo, devido ao pouco espaço dentro do Fusca, ela tocou levemente na mão de Di, a qual estava depositada em seu colo. Olhei-o imediatamente, mas ele continuava estático, olhando para a paisagem do lado de fora. Porém, percebi um suave sorriso que se formou no canto de sua boca. Obviamente, senti minhas maçãs do rosto queimarem, e minha mão formigou, pedindo para agarrar a mão que estava ao seu lado. Mas me contentei apenas em um simples e sutil toque. Hora e outra, eu e ele nos remexíamos, fazendo nossas mãos ficarem cada vez mais próximas, a de Di quase estava totalmente por cima da minha. Mas nada fiz para tirá-la dali. Eu não queria que ela saísse dali.
E assim foi a nossa pequena viagem de meia hora até o topo das montanhas Stahl. Alguns olhares aqui e ali, pigarros de minuto a minuto... Mas nada de desconforto. Por incrível que pareça, eu não senti desconforto algum. Apenas uma plena satisfação e alegria dentro de mim.
Tho e Gui saíram do carro, abriram as portas e subiram os bancos para que pudéssemos sair. Mha saiu do lado do motorista, logo atrás saiu Le.
Di me olhou maroto quando viu os quatro se afastarem e eu apenas dei uma risada. Para surpreendê-lo, e não sei para que diabos quis isso, dei um beijo rápido e estalado em sua bochecha, correndo rapidamente e aos risos para fora do carro pelo lado em que Silva havia saído, e o deixando lá dentro, estático e com uma feição desentendida.
Meus quatro amigos estavam a postos, um ao lado do outro, onde dali eu sabia que seria o penhasco entre uma montanha e outra. 
Cuidadosamente, me pus ao lado de Gui e agarrei sua mão. Todos estavam de mãos dadas. Olhei para baixo e uma sensação de liberdade apoderou-se de mim. Estar ali, no topo de uma montanha enorme com os meus melhores amigos, podendo ver o mundo abaixo de nossos pés... Definitivamente era uma sensação libertadora. Eu sentia como se nada, absolutamente nada pudesse nos atingir ali. Como se nada nem ninguém pudesse nos destruir, nos separar. Dali, ninguém poderia acabar com nossos sonhos.
Respirei o ar puro que percorreu entre nós, e senti a corrente de vento bagunçar bruscamente meus cabelos. Olhei para meus amigos, e todos tinham seus olhos fechados e sorrisos enormes estampados nos rostos. Eu os amava. Com toda a minha certeza, eu os amava mais do que tudo. Fiz como eles e fechei meus olhos, deixando escapar um sorriso aberto em meus lábios. 
E o senti aumentar assim que senti minha mão livre ser entrelaçada por uma nova mão. E eu sabia de quem era...

 



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