História Quick Musical Doodles and Sex (Imagine Yoongi) - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Suga
Tags Bts, Imagine Bts, Imagine Suga, Imagine Yoongi, Min Yoongi, Suga, Yoongi
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Palavras 6.479
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Finalmente cheguei com atualização quentinha pra vocês! Preciso confessar que passei o dia inteiro escrevendo esse capítulo, e tava louca pra postar logo! Acabei demorando porque passei por umas coisas complicadas nessas últimas semanas ): Mas aos poucos eu vou postando, espero que vocês entendam! Boa leitura! <3

Capítulo 9 - Parte 8


O som da voz melódica de Yoongi é completamente abafado pelo volume ensurdecedor de meus pensamentos. Meu olhar teimoso ignora os fios loiros, o sorriso levemente inclinado, e todo o restante de seu corpo esguio, que sempre rouba minha atenção. Porém, dessa vez, só consigo encarar o hematoma roxo com tons esverdeados que contorna seu olho direito. Meu coração acelera mas não consigo dizer com precisão se é por ele estar na minha frente depois de dias desaparecido, ou se é por causa da preocupação que sinto ao reparar em seu machucado.

— O que aconteceu? — As palavras saem de modo automático e, sem pensar, acabo levando os dedos até a mancha roxa, tocando sua pele marcada com cuidado, temendo machucá-lo. Vejo Yoongi fechar os olhos por uma fração de segundos e inclinar o rosto em direção a minha mão, como se estivesse tentando se afundar em meu toque, o que me faz voltar para realidade. O que estou fazendo?! Afasto os dedos depressa e cruzo os braços na altura do peito, em uma tentativa de me impedir de tocá-lo novamente — Desculpa… 

Só então consigo ampliar meu campo de visão e perceber que há um corte bastante discreto no canto de seu lábio, e alguns arranhões superficiais em sua bochecha. O boné preto com argolas que ele usa para esconder a maior parte de seu cabelo parece ter como propósito maior criar uma sombra sobre seu rosto, escondendo seus machucados. No entanto, é óbvio que a tentativa é um fracasso e assim que Yoongi percebe que não há como esconder seus hematomas, ele retira o boné e desliza os dedos longos pelos fios descoloridos, tentando arrumá-los sem muita eficiência. Depois de um suspiro curto e de umedecer os lábios com a língua - a ponta desta se demorando sobre o pequeno corte no canto da boca - ele finalmente diz algo.

— Caí da escada — Ele responde simplesmente, balançando os ombros como se o fato de seu rosto estar coberto por uma galáxia roxa com estrelas verdes não fosse lá grande coisa. E como se seu desleixo fosse capaz de me fazer acreditar em uma mentira ridícula dessas. 

— Você espera que eu acredite nisso? — Pergunto e assisto o canto de sua boca se repuxar em um sorrisinho, e o modo como ele me olha me faz ter certeza de que não vou descobrir a verdade sobre seu machucado tão cedo. 

— Só espero que você me convide pra entrar, colega de literatura.

Só então percebo que ainda estamos no corredor. Suspiro derrotada, desistindo de saber o que realmente aconteceu e deixo a passagem livre para ele, que dá uma piscadela rápida para mim enquanto passa ao meu lado e entra em meu apartamento, em minha casa, em minha vida, em minha corrente sanguínea. Ah. O fato de que estou terrivelmente ferrada por causa de Min Yoongi é uma verdade absoluta e que não pode ser contestada.

— Você mora sozinha? — Ele pergunta enquanto olha em volta, estudando minha sala. 

— Esse é o tipo de pergunta que um assassino faria, não é? — É quase difícil de acreditar quando Yoongi joga a cabeça pra trás e fecha os olhos, dando uma risada desacreditada antes de me olhar com um sorriso que ilumina todo seu rosto. 

— Você é um pouco paranoica… O que te faz pensar que posso ser um assassino? — Ele pergunta enquanto deixa sua mochila sobre o sofá e começa a revirá-la, buscando por algo. 

— Eu estava brincando — Confesso, controlando minha vontade de espelhar seu gesto e sorrir também — Mas você poderia ser… Você é um mistério completo. Ficou sumido por dias e reapareceu machucado… Isso é um pouco suspeito. 

Quando Yoongi volta a me olhar, o sorriso de antes não está mais ali, e em seu lugar há uma expressão séria e indecifrável. Seus olhos parecem mais focados e intensos e um arrepio percorre toda minha coluna assim que ele dá um passo curto em minha direção, sem desviar os olhos dos meus. Me pego prendendo a respiração assim que ele para em minha frente, sendo obrigado a olhar para baixo em razão de nossa diferença de altura. Sua respiração quente e calma acaricia minha bochecha, denunciando sua proximidade. Quando ele começa a falar, o timbre de sua voz é repleto de nostalgia.

— A única pessoa que eu mataria seria eu mesmo, no dia em que a vida lhe escapasse, oh Julieta — Yoongi brinca, mas a seriedade em seu rosto e em sua voz faz meu coração dar cambalhotas dentro do peito. O momento só é quebrado pela risadinha sem graça que Yoongi dá depois de alguns segundos, desviando o olhar para baixo e apertando o livro antigo que só agora percebo que ele está segurando. 

— Romeu e Julieta ficariam ofendidos com essa brincadeira, Min Yoongi. 

— Ficariam… Se tivessem existido — Ele diz, sentando-se no chão, em frente a mesa de centro repleta de papéis com anotações de nosso trabalho. Faço o mesmo e me sento do lado oposto, observando enquanto ele abre seu livro e começa a folhear as páginas amareladas pelo tempo. 

— Talvez eles tenham… A gente nunca vai saber — Yoongi permanece em silêncio, me observando — O que a gente sabe é que precisamos continuar logo esse trabalho.

— O professor pediu algo novo? Você sabe, na última aula… Quando eu faltei — Ele se explica, coçando a nuca e entortando os lábios em uma expressão incomodada. Acho bonitinho o fato dele parecer envergonhado por ter faltado na aula, e sou obrigada a morder o lábio para me impedir de sorrir. 

— Só disse que deveríamos fazer uma análise da obra, explorando os temas que mais chamaram nossa atenção. 

— O fato deles serem inimigos e ainda assim se apaixonarem… — Yoongi diz, e não parece ser uma questão. 

— É isso que mais chama sua atenção?

— Parece uma formula bastante clichê… Duas pessoas que deveriam se odiar, mas acabam se apaixonando. 

— E também o amor deles ser bastante parecido com um amor a primeira vista… Eles se apaixonam instantaneamente, não é nada gradual… — Por algum motivo, falar sobre isso me incomoda e me deixa com um gosto amargo na boca. Ter esse tipo de discussão com Yoongi parece perigoso, e sinto vontade de recuar e deixar que ele guie nosso trabalho. 

— E você não acredita que uma pessoa possa se apaixonar pela outra assim, a primeira vista? 

— Você acredita? — Devolvo a pergunta, vendo-o esboçar outro sorriso. Por algum motivo meu apartamento parece mais quente cada vez que Yoongi sorri. Paro por um segundo, tentando lembrar o momento exato em que me apaixonei por ele, mas a lembrança me escapa, e por mais que eu tente, não consigo encontrar a resposta. 

— Acho difícil dizer a hora certa em que a gente se apaixona… Talvez seja a primeira vista, mas a gente só se dê conta depois — Ele responde com uma calmaria invejável, e enquanto ele se parece com uma marola calma cobrindo o mar em uma manhã quente, eu me sinto como um tsunami, devastando tudo que existe ao redor. Sua resposta me deixa ainda mais nervosa, e começo a rabiscar anotações em um papel qualquer, em uma tentativa desesperada e afastar meu olhar e minha atenção dele — Só acho meio absurdo um amor de só três dias ter feito eles se matarem. 

— Bom, eles não iam se matar… Eles iam fugir, mas as coisas deram errado. 

— Sabe o nome disso? 

— Azar? — Pergunto, e vejo Yoongi negar com a cabeça, enquanto brinca com uma caneta.

— Falta de comunicação. Não existe azar… — É minha vez de balançar a cabeça em discordância, porque como posso concordar com isso quando acabei me apaixonando pelo garoto misterioso da biblioteca? 

— Eu, sendo uma das pessoas mais azaradas do mundo, sou obrigada a discordar disso. 

— E o que te faz pensar que você é uma das pessoas mais azaradas do mundo? — Ele parece curioso, e já que não posso dar a primeira resposta que surge em minha cabeça, opto pela segunda, que também aparece depressa. 

— Eu tenho um vizinho extremamente barulhento, por exemplo… Eu chamo isso de azar — Explico, vendo-o arquear a sobrancelha e continuar em silêncio. Por algum motivo resolvo continuar a falar, e ele escuta atentamente, o que só me deixa mais incentivada para descarregar a raiva que sinto de meu vizinho — Acho que dá pra contar nos dedos o número de vezes em que tive paz durante uma semana inteira, sabe? 

— O que você chama de extremamente barulhento? 

— Alguém que gosta de ouvir música alta em horários meio inapropriados… E outras coisas… — Os gemidos. Os malditos gemidos e a constatação de que meu vizinho irritante tem uma vida sexual que certamente é mais ativa que todas minhas relações sexuais acumuladas ao longo de várias reencarnações. 

— Outras coisas? — Yoongi questiona, franzindo o cenho e me encarando. Vejo ele inclinar o tronco para frente, debruçando-se sobre a mesinha de centro para ficar mais perto — Que outras coisas? 

— Coisas, ué… — Respondo tentando fugir do assunto, mas ele continua calado, esperando por uma explicação mais detalhada. Suspiro frustrada, voltando a falar com a voz mais baixa — Às vezes ele traz algumas pessoas pra passar a noite.

— Ah, ele dá festas…

— Não, na verdade não…  

— Isso que você está tentando me contar não faz o menor sentido — É a vez de Yoongi suspirar, parecendo cansado e confuso, e sua expressão frustrada aperta meu peito e me faz querer satisfazer todas suas vontades, apenas pra ver seu rosto sendo iluminado por seus sorrisos novamente. Pela centésima vez, meu cérebro grita que é um perigo que ele consiga me fazer sentir esse tipo de coisa, mas não tenho tempo de pensar a respeito, porque no segundo seguinte estou relatando todos os detalhes possíveis sobre meu vizinho, determinada a entreter Yoongi.

— Ele tem essa mania de ficar ouvindo a mesma música mil vezes de madrugada… E são músicas que eu nunca ouvi na vida, mas que quase já decorei… E ele não costuma dar festas, mas ele sempre parece estar junto com outra pessoa… Com alguma garota, no caso… — As palavras saem depressa, e acabo abandonando minha caneta sobre a mesa, deixando o trabalho de lado para focar completamente no assunto atual — O que eu quero dizer é que, sei lá… Eu acho que não tem necessidade de ser tão barulhento assim na cama — Confesso de uma vez, e finalmente vejo um lampejo de compressão cruzar o rosto de Yoongi, fazendo-o endireitar a posturar e assumir uma feição mais suave. 

— Você escuta o seu vizinho fazer sexo? — Sua pergunta curta e direta me atinge em cheio e sinto meu rosto ferver quase que de imediato, denunciando que devo estar vermelha. 

Ah, puta merda, não foi isso que eu quis dizer! 
Por que eu resolvi conversar sobre isso com ele mesmo?!

— Não! — Falo depressa, tentando me defender — É claro que não, você não entendeu! — Por algum motivo, que não consigo entender, Yoongi tenta esconder um riso baixo atrás de um sorriso torto, que só confunde ainda mais meus pensamentos. Isso não é engraçado… Não é nada engraçado!

— Você acabou de dizer que escuta seu vizinho transar…

— Sim, eu disse, mas não é proposital! — Meu tom de voz alarmado soa mais alto que o normal — Eu só escuto porque essas paredes são ridiculamente finas e porque ele parece fazer questão de me deixar saber quando ele está… você sabe… — Me sinto estúpida mas, por algum motivo, não consigo pronunciar as palavras sexo e transar na frente de Yoongi sem sentir que estou prestes a ter um colapso nervoso.

— Transando? — Ele completa minha frase, com uma naturalidade absurda que chega a me causar calafrios. Apenas afirmo que sim com um breve balançar de cabeça, vendo-o voltar a esboçar um de seus vários sorrisos inclinados — Você tem algum problema com sexo?

Puta que o pariu.

Sinto vontade de gritar ao mesmo tempo em que me levanto e corro para o mais longe possível dessa conversa. Até mesmo quando não está me atrapalhando com seu volume alto, meu vizinho está me deixando louca.

E, droga, por que foi que nós afastamos de Romeu e Julieta?!

— A gente não devia estar falando sobre Romeu e Julieta? — Imploro aos Deuses para me ajudem a colocar um ponto final nesse assunto.

— Você acha que Julieta tinha um problema com sexo? Ou que Romeu também era barulhento na cama? — Yoongi questiona com uma falsa seriedade que chegaria a ser engraçada se eu não estivesse sendo sufocada pelo fato de estar conversando sobre sexo com o cara por quem estou apaixonada.

— Yoongi! — Exclamo, escondendo as bochechas atrás de minhas mãos, desesperada para esconder o rubor de meu rosto. Me sinto uma garotinha minúscula e indefesa na frente dele, e a sensação não é nada agradável. 

— Droga… — A palavra escapa dos lábios de Yoongi em um tom de voz quase inaudível — Isso não faz sentido, mas você fica ainda mais bonita com vergonha, colega de literatura…

Meu cérebro trava.

Ele literalmente trava porque por um minuto inteiro sou incapaz de formular pensamentos, e o mundo ao meu redor é engolido por um vácuo imenso que me engole e me faz ficar perdida no espaço-tempo. Demoro para entender com clareza as palavras de Yoongi, e quando elas fazem sentido, percebo que continuo perdida, sem saber como reagir ao elogio. E, por algum motivo, o apelido ao final da frase só faz com que meu coração se torne ainda mais amolecido.

Como se fosse capaz de perceber que perdi a capacidade de funcionar direito, meu colega de classe limpa a garganta e volta a falar, parecendo tentar me ajudar a encontrar as palavras.

— Mas você claramente tem um problema em falar sobre sexo — Ele completa, apoiando um dos cotovelos na mesa e repousando o queixo na palma da mão, mantendo seu olhar sobre mim. Inconscientemente me pego agradecendo-o por voltar para o tópico anterior, porque acho que consigo lidar melhor com o tema sexo do que com elogios — Mas tudo bem, a gente pode falar sobre isso outra hora, o dia de hoje é pra Romeu e Julieta — Seu sorriso transborda um misto de compreensão e de uma promessa futura, que me deixa com borboletas no estômago. A indireta de que vamos conversar sobre outras coisas, outras horas, parece um verdadeiro delírio, mas que me deixa exageradamente feliz.

— Obrigada — Finalmente consigo dizer algo, apesar da palavra sair um tanto insegura. 

— Mas posso te perguntar uma última coisa? — E lá vamos nós de novo… Levo alguns segundos para finalmente concordar, vendo-o voltar a ficar sério e a me analisar com olhos invasivos e atentos — Esse seu vizinho… Você já tentou falar com ele? 

Lembro dos episódios envolvendo os post-its, mas eu, definitivamente, não pretendo compartilhar isso com Yoongi.

— Uma vez, mas não deu muito certo… — Digo agitando os ombros, tentando fazer parecer que o assunto não é tão importante assim, e que não me incomoda tanto a ponto de me tirar o sono. 

— Acho que vocês dois deviam tentar conversar de novo… 

— Não sei se essa é uma boa ideia — O post-it. O post-it me chamando de reprimida. Não, conversar com o vizinho está fora de cogitação. 

— Você odeia ele? — Não sei porque Yoongi está tão interessado nisso, mas a atmosfera ao nosso redor parece ter se tornado mais leve então acabo deixando o assunto continuar. 

— Não sei, odiar é algo meio forte, e eu nem o conheço… — Percebo que nunca pensei muito sobre isso. Será que eu o odeio? — Eu odeio minhas noites mal dormidas, e minhas manhãs em claro ouvindo as garotas dele irem embora… E odeio a música alta quando estou tentando estudar, e a mania irritante de me deixar saber sobre o sucesso da sua vida sexual… Ok, acho que talvez eu o odeie um pouco. 

Dou uma risadinha sem graça mas Yoongi continua sério, os lábios comprimidos em uma linha fina e sem vida. Ele permanece quieto por algum tempo, como se estivesse pensando em minhas palavras e no que dizer, e quando estou prestes a falar algo, o som de sua voz ressurge, vibrando pelas paredes de meu apartamento.

— A música dele é tão ruim assim? — Algo no modo como ele elabora a frase faz meu coração doer, e sinto vontade de acabar com a distância entre nós e o abraçar, e esse pensamento me incomoda. Parece errado deixar que a vontade de beijá-lo se transforme em vontade de abraçá-lo e de cuidar dele… Parece íntimo demais, e mais parecido com amor do que com paixão, e estou apaixonada, não amando… Como se fosse capaz de perceber que estou divagando, ele se livra de sua expressão séria e volta a assumir uma expressão descontraída — Eu sou estudante de música, fiquei curioso — Explica, como se estivesse tentando justificar sua curiosidade. 

— A música não é ruim… Na verdade, eu até gosto delas — Digo sinceramente, porque apesar de só conseguir ouvir com clareza alguns trechos, a maioria das melodias, por mais desconhecidas que sejam, me atraem… — O problema é o horário que ele resolve escutá-las.

— Entendi… — Yoongi responde, parecendo mais animado, e então o assunto envolvendo meu vizinho, sexo, e música, finalmente chega ao fim e voltamos a discutir sobre Romeu e Julieta e seus impasses amorosos. 

O restante da tarde parece voar, e é dividido em momentos em que ficamos em silêncio, fazendo anotações pessoais sobre nossas discussões; momentos em que falamos sem parar, tentando chegar a algum acordo sobre a relação envolvendo Romeu e Julieta, e momentos em que fazemos uma pausa para tomar um café da tarde, que conta com café de menos e sorvete demais.

— Desculpa, eu esqueci de comprar café essa semana  — Digo entre uma colherada e outra de meu sorvete de morango. Agora estamos sentados em meu sofá desbotado, lado a lado, e por algum motivo o calor do corpo de Yoongi parece irradiar para o meu, por mais que não estejamos nos tocando, e por mais que o sorvete deixe meu interior frio. 

— Tudo bem, eu precisava mesmo de algo gelado para colocar nesse corte  — Ele brinca, comendo outra colherada de sorvete, e assisto atentamente sua língua deslizar pelo metal gelado do talher - e puta merda, o fato de eu sentir inveja de um talher me faz perceber que cheguei no fundo do poço. Quando o sorvete desaparece em sua boca, ele encosta a colher gelada no corte de seu lábio e joga a cabeça para trás, sobre o encosto do sofá. Assisto ele fechar os olhos e respirar fundo, e controlo a vontade que sinto de tocá-lo.  

— Eu fiquei preocupada  — A confissão escapa sem aviso algum, e me xingo mentalmente. Yoongi leva algum tempo para abrir os olhos e voltar a me olhar, parecendo não entender a que me refiro  — Quando você sumiu, eu fiquei preocupada… Achei que tivesse acontecido algo, e não é como se eu estivesse errada, Yoongi  — Digo, correndo meu olhar por todos os machucados que estampam seu rosto. Ridículo como mesmo coberto por machucados ele ainda se parece com um anjo. 

Antes de responder, ele se arruma no sofá de modo a ficar virado em minha direção. O movimento faz com que seu joelho encoste no meu, mas nenhum dos dois se preocupa em se afastar, deixando que o contato inocente continue. Quando está completamente de frente para mim, ele apoia um dos braços no encosto do sofá e usa a mão como apoio para seu rosto, inclinando-o para o lado como sempre faz quando parece estar me olhando de maneira analítica. Engulo a seco, incapaz de desviar meu olhar porque algo nas íris escuras de Yoongi parece me atrair como um ímã.

— Eu gosto de ouvir você dizendo meu nome — Sua resposta me pega de surpresa, e talvez seja esse motivo de eu não conseguir reprimir o sorrisinho bobo que cresce em meu rosto sem permissão. 

— Você disse isso ontem — Relembro, e de repente o conteúdo de nossas mensagens e de nossa ligação me atinge em cheio e lembro que ele me deve uma resposta, mas não tenho certeza se estou psicologicamente preparada para descobrir a verdade por trás daquilo que tirou o sono dele. 

— Eu disse muita coisa ontem —  Um risinho baixo corta sua frase — Mas achei que era importante repetir isso…

— Você conseguiu resolver seus problemas? — Pergunto, lembrando que era por conta disso que ele havia desaparecido… Problemas… Problemas que aparentemente tinham resultado em vários roxos em seu rosto. Minha curiosidade continua me consumindo por completo, e preciso morder a língua várias vezes para não acabar pedindo diretamente para que ele, pelo amor de Deus, me conte o que realmente aconteceu. 

— Quase todos… — Ele responde, a colher com o sorvete napolitano parando na metade do caminho até sua boca, e voltando para a tigela antes de completar seu curso — Mas tem algo que continua me incomodando, e tirando meu sono… —  E lá vamos nós. A conversa que me fez rolar de um lado para o outro na cama quase a noite inteira. Sinto meu coração martelar dentro do peito e minhas mãos ficarem frias, sinais claros do meu nervosismo.

— Eu ainda estou esperando você me contar logo isso — Minha curiosidade é escancarada, mas nem consigo me importar.

— Eu disse que te contaria se você fosse uma boa garota — Eu estaria mentindo se dissesse que a forma como Yoongi pronuncia as palavras é mais inocente do que suja… Ou talvez seja minha escuta que esteja poluída por todos os pensamentos impróprios que me assombram sem permissão. 

— Achei que eu já fosse isso — Tento me defender, e percebo que minha voz sai mais manhosa que o planejado, e que involuntariamente acabo franzindo os lábios em um biquinho tristonho e Deus, quando foi que Yoongi conseguiu despertar esse meu lado?! — O que mais eu preciso fazer? 

— Não me odiar já é um bom começo… — Ele fala depois de algum tempo, me deixando sem entender o significado por trás de sua frase. Por que eu o odiaria? Quero dizer que nem se eu tentasse conseguiria fazer isso… 

Quero dizer que por algum motivo que não entendo, ele me faz ter vontade de cumprir promessas que eu nem pensava em fazer.

Que por algum motivo que não conheço, ele me faz querer abrir as janelas da minha alma adormecida pra deixar o ar puro entrar.

E que ele me faz pensar nesse tipo de coisa melosa, que me faz lembrar o porque de eu estar estudando literatura e ser uma amante dos romances.

Min Yoongi me transformou em um verdadeiro clichê.

— Isso não faz muito sentido, e você continua desconversando… — Ele apenas sorri preguiçosamente, os olhos se estreitando em duas semi luas que se fecham quase que por completo. 

— Se a gente terminar logo essa parte da análise, talvez eu conte antes de ir embora — É tudo que ele fala antes de escorregar do sofá e voltar a se sentar no chão, voltando a dar atenção para os papéis sobre a mesa e a dar por encerrada nossa conversa paralela. Suspiro derrotada, cada vez mais convencida de que arrancar alguma informação de Min Yoongi é uma missão aparentemente impossível. 

Depois de quase mais uma hora marcando trechos importantes da obra e discutindo sobre coisas aleatórias sobre a história de Shakespeare, nossas cabeçam finalmente começam a dar sinais de sobrecarga e nossas conversas começam a perder o sentido. De repente não parece mais tão importante discutir sobre o plano ridiculamente trágico de Julieta, ou sobre como ela deveria ser considerada uma feminista em sua época. Também não parece nada produtivo discutir sobre como Romeu conseguia criar tantas metáforas diferentes para comparar Julieta com a lua, e muito menos produtivo discutir a quantidade de coisas de casal que é possível fazer em três dias - ironicamente chegamos a conclusão de que são muitas coisas, na verdade.

Não sei como nem porque, mas depois de praticamente brigarmos por não concordarmos sobre qual o melhor ato da peça, acabamos rindo no meio de minha sala de estar, jogados sobre o tapete que acaba sendo atingido pelo sorvete derretido que Yoongi acaba derramando sem querer, em meio a um ataque de riso. A cena é tão ridícula que, depois de chegar a ficar pálido me pedindo desculpas por ter arruinado meu tapete, ele volta a rir como uma criancinha de cinco anos que assiste a uma comédia pela primeira vez, e o som de seu riso é tão contagiante que ignoro o estrago no tapete para rir junto.

Quando finalmente conseguimos nos acalmar e colocar um ponto final em nossa crise de riso sem motivo aparente, minha sala mergulha em um silêncio que parece gritar uma porção de coisas. Eu continuo jogada sobre o tapete, tentando recuperar meu fôlego e encarando o teto branco acima de mim, quando meu cérebro resolve que é uma boa ideia ficar de lado para encarar Yoongi. Assim que coloco isso em prática, percebo que ele deve ter tido a mesma ideia, já que Yoongi está deitado de lado, os olhos calmos agora encarando os meus, enquanto seu peito se move depressa, deixando evidente que ele também precisa de mais ar.

Eu não sei porque, mas nenhum dos dois desvia o olhar.

Pouco a pouco nossas respirações se acalmam, mas meu coração só parece acelerar cada vez mais.

Uma eternidade parece se passar e não consigo dizer se ficamos parados apenas nos fitando por um segundo ou por um milênio, porque o tempo parece deixar de existir. Yoongi é o primeiro a se mover, mas o gesto é tão calmo e sutil que não consegue fazer com que eu retorne para meu estado de consciência normal. Eu apenas continuo paralisada, observando enquanto ele ergue levemente o tronco, usando um braço de apoio enquanto o outro avança em minha direção numa velocidade tão absurdamente lenta que chega a ser torturante.

Conforme seus dedos finos e longos vão se aproximando de meu rosto febril, o ar de meus pulmões parece ir sendo roubado, até que minha respiração fique presa em minha garganta. Parece que o menor dos meus movimentos para ter a força de fazer com que esse momento seja interrompido, e eu não consigo aceitar essa ideia, então continuo imóvel, me dando o direito de me perder nas íris castanhas de Yoongi. Seus dedos tocam meu queixo de um jeito leve e suave, e então deslizam por minha mandíbula, em direção a minha bochecha, mas o contato é tão superficial que não consigo acreditar que isso seja real.

Devo ter ficado louca e estou imaginando coisas. Estou claramente alucinando.

Mas os dedos frios de Yoongi continuam a se mover de maneira receosa, como se ele próprio também não tivesse certeza do que está fazendo ou do significado por trás de suas ações, o que faz com que uma fagulha de fogo se acenda em meu interior. Eu sei, eu sei que racionalmente falando tudo isso não dura mais do que alguns poucos segundos que obviamente vão se perder no meio de tantos minutos e horas que virão pela frente, mas no instante em que sinto o indicador dele contornar meu lábio inferior, a certeza de que esses poucos segundos ficaram tatuados em minha pele pra sempre é clara.

Deixo minha respiração sufocada escapar em um sopro que me faz partir os lábios e vejo Yoongi fazer o mesmo, mas sua boca permanece aberta, como se ele estivesse ensaiando para dizer algo.

E só Deus sabe o quanto eu me encontro desesperada para ouvir sua voz e o que quer que seja que ele esteja tentando dizer.

Mas não é isso que escuto.

É claro que não.

Em um piscar de olhos, o momento é interrompido pelo som alto e estridente de meu celular tocando e invadindo todo meu apartamento, nos pegando de surpresa e nos fazendo voltar para realidade. Os dedos de Yoongi se afastam depressa de meu rosto e ele se senta em um sobressalto. Tento imitar seus movimentos mas sou uma centena de vezes mais atrapalhada que ele e acabo batendo com o joelho na mesa de madeira de centro, o que me faz praguejar mentalmente. Depois de uma infinidade de segundos finalmente consigo me levantar e cambalear até o aparelho até então esquecido sobre o balcão da cozinha, e assim que vejo o nome de Jisoo no visor sei que é melhor atender, porque ela não vai desistir de ligar até conseguir falar comigo.

— Oi Jisoo — Digo meio sem fôlego, me esforçando para reencontrar minha voz. 

O que acabou de acontecer?!

— Nossa, te mandei mil mensagens e você não respondeu, aconteceu algo? — As palavras dela quase não fazem sentido e sou obrigada a fechar os olhos e a pressionar os dedos de minha mão livre em minhas têmporas, buscando clarear a ideias. 

— Eu estava ocupada fazendo um trabalho, não vi as mensagens… 

Escuto um barulho de folhas sendo reviradas e de zíper sendo aberto e quando abro os olhos, dou de cara com um Yoongi arrumando suas coisas, deixando claro que está se preparando para ir embora. Não sei se devo agradecer ou se devo matar Jisoo.

— São quase oito da noite, quem passa a tarde de sábado fazendo trabalho?! — A voz ansiosa de minha amiga denuncia que ela tem planos para nós, e minha própria ansiedade começa a dar sinais de vida, me deixando com os lábios secos. 

— Jisoo, você precisa de algo? — Tento encurtar o conversa, porque Yoongi está quase terminando de guardar suas coisas e meu desespero começa a se tornar ameaçadoramente perigoso.

— Hoseok e os outros garotos foram convidados pra uma festa e estão chamando a gente pra ir junto… O Hobi falou que o Jungkook não vê a hora de ver você de novo — A animação em sua voz chega a me causar calafrios, e a menção ao nome de Jungkook me faz ter certeza de que ela já deve estar planejando me jogar para cima de alguém, certa de que as coisas com Yoongi nunca vão dar certo.

Yoongi…

Com o canto dos olhos consigo ver que agora ele está sentado no sofá e o boné preto está de volta em sua cabeça, escondendo os fios loiros.

— Hoje não vai rolar, acho que não estou com muita cabeça pra sair — Digo depressa, ouvindo enquanto Jisoo tenta protestar e usar uma de suas várias chantagens para me convencer — Jisoo, preciso resolver umas coisas aqui, eu te ligo depois! — Encerro a ligação e desligo o celular antes que ela tenha tempo de me ligar novamente.

Respiro fundo algumas vezes antes de voltar para perto de Yoongi, cuja expressão serena e descontraída não se parece em nada com aquela de minutos atrás. De repente é como se nada daquilo tivesse realmente acontecido, e sei que não tenho a coragem necessária para tocar no assunto, então resolvo fazer o mesmo que ele e fingir que nada aconteceu.

— Desculpa, eu precisava atender ou Jisoo não iria me deixar em paz — Ele dá um sorrisinho torto antes de se levantar e jogar a mochila sobre um ombro. 

— Sem problemas, na verdade foi bom ela ligar porque eu perdi completamente a noção da hora… 

— Você precisa ir agora? 

Ok, o certo seria apenas concordar e deixar ele ir embora, e não deixar óbvio que a ida dele me deixa triste.

— Preciso, tenho um compromisso mais tarde e preciso ir pra casa tomar um banho e arrumar umas coisas… — Ele explica e o vejo mexer na orelha enquanto fala, um dos vários hábitos que ele parece ter e nos quais me pego prestando atenção — Mas acho que a tarde foi produtiva, não? 

É claro, bastante produtiva pra fazer com que uma centena de novas interrogações surjam em minha mente.

— Claro, acho que no final desse trabalho vamos ser praticamente experts em Romeu e Julieta! 

— Talvez eu acabe até escrevendo e produzindo uma música sobre isso — Apesar de seu tom sério, o deboche em seu rosto deixa claro sua brincadeira. 

Ficamos novamente em silêncio, apenas nos fitando, e chego a conclusão de que essa mania está passando dos limites. Dessa vez sou a primeira a quebrar o silêncio, porque meu nervosismo não contribui para que eu consiga ficar parada.

— Eu te levo até a porta então… 

Ele concorda e cruzamos a distância curta entre minha sala e a porta de saída em apenas alguns passos. Assim que abro a porta e deixo o caminho livre, ele passa por mim mas se vira em minha direção e para, as mãos escondidas nos bolsos de sua jaqueta verde. Resolvo me apoiar no batente da porta porque minhas pernas estão ameaçando me deixar na mão e porque Yoongi me deixa fraca, e resolvo admitir isso logo.

— A gente se vê na biblioteca, então… 

— Se você não sumir de novo — Respondo brincando e ele ri, balançando a cabeça antes de se aproximar mais de mim, me deixando em estado de alerta de novo. 

— Eu não vou sumir de novo… Já disse que resolvi quase todos meus problemas — Seu olhar magnético recaí sobre o meu outra vez, fazendo meu coração palpitar.

Ele tem um sorrisinho de canto na boca e tenho certeza de que minha expressão é exatamente igual a sua.

— É, eu sei, menos o da insônia… 

— Acho que só uma pessoa pode me ajudar com esse problema, na verdade… — Ele dá outro passo em minha direção, até que não existe distância alguma entre nós — Por isso, eu queria te pedir um favor… 

Sim, sim, sim, qualquer coisa. Meu cérebro grita antes que minha consciência tenha tempo de processar algo.

— O-o quê? — Acabo gaguejando, mas isso deve ser considerado um sinal de vitória, se considerarmos que Yoongi, ainda com as mãos escondidas na jaqueta, inclina o corpo ainda mais em minha direção, os lábios se aproximando de meu ouvido. 

— Seria interessante se você pudesse ficar longe dos meus pensamentos por algumas horas, só pra eu poder dormir um pouco… — Sua voz uma oitava mais baixa no pé do meu ouvido faz com que uma explosão de sentimentos desconhecidos tome conta de meu corpo e tenho certeza de que a única coisa que me mantém em pé é o pouco resto de dignidade que me resta - e o apoio indispensável do batente de minha porta, é claro.

Puta merda, Min Yoongi.

Isso só pode ser um jogo comigo, não é possível.

Sem dizer mais nada, ele se afasta e volta a grudar seu olhar no meu, como se estivesse esperando por alguma reação.

E eu.

Simplesmente.

Não faço ideia.

Do que fazer.

— Tudo bem, acho que posso tentar… — É a única coisa que escapa de minha boca, mas o rastro de sorriso no rosto de Yoongi me faz pensar que talvez minha resposta não tenha sido tão errada assim. 

— Agora você está sendo uma boa garota, viu só — Ele pisca um olho em minha direção e sinto vontade de processá-lo por danos existenciais. 

Permaneço quieta enquanto assisto ele dar alguns passos em cego para trás, enquanto uma de suas mãos escapa do bolso de sua jaqueta, revelando um molho de chaves.

Enquanto observo o chaveiro de borracha que imita uma bola de basquete, paro pra pensar no que ele acabou de dizer.

Eu sou o motivo da sua insônia.

Ele brinca com as chaves, o olhar ainda repousando sobre o meu.

E a ideia de que existe uma chance de que ele também pensa em mim tanto quanto eu penso nele explode sobre minha cabeça como fogos de artifício em uma noite de ano novo.

E então ele começa a dar mais passos cegos para trás, afastando-se da escadaria, e chegando cada vez mais perto da porta ao lado.

Como se ele, estranhamente, já conhecesse o caminho.

E seus lábios avermelhados continuam repuxados em um sorrisinho inclinado e discreto que meus olhos já estão treinandos para reconhecer.

E a beleza etérea de Min Yoongi me faz sentir o chão sumir, como se eu pudesse flutuar.

E estou tão ocupada pensando em como estar apaixonada me faz sentir leve que não consigo parar pra pensar sobre o porque dele estar parado diante da porta de meu vizinho, brincando com suas chaves.

Porque tudo parece tão certo, e destinado a acontecer, que só quero sorrir.

Eu lembro do seu toque quase superficial em meu rosto.

E assisto ele caçar uma chave específica, sem precisar olhar para baixo para fazer isso.

Eu lembro do seu perfume e do toque inocente do seu joelho no meu, e de nossa preguiça indiscreta de nos afastarmos.

E assisto ele erguer a chave.

Eu lembro de muitos detalhes pequenos e sem importância, e esqueço completamente de como era não estar apaixonada por Min Yoongi, deixando toda minha vida gravitar ao seu redor.

E então assisto ele finalmente colocar a chave dourada na fechadura da porta ao lado, destrancando-a.

E com um clique ensurdecedor a porta do meu vizinho de corredor está sendo aberta, e sua sala decorada em tons escuros está sendo exposta.

E então eu paro. 

E, de repente, as coisas não parecem assim tão certas.

E eu não consigo entender.

Eu simplesmente não consigo juntar 1 + 1 e formar 2 porque a conta não fecha e nada faz sentido.

O oxigênio parece parar de correr por minha corrente sanguínea ao mesmo tempo em que meus lábios se partem em um sinal claro de confusão.

Por que Yoongi tem uma chave que abre a porta do apartamento ao lado?

Por que Yoongi está caminhando para dentro do maldito apartamento?

Por que um campo de guerra parece se instaurar no fundo do meu cérebro, e um sinal de alerta vermelho começa a piscar atrás de minha retina?

Por que? Por que? Por que?

E por que eu, estupidamente, me recuso a pensar e aceitar a única hipótese possível que é capaz de resolver a equação e explicar toda essa situação?

Eu sou uma estátua paralisada e incapaz de esboçar reações, e Yoongi é um buraco negro sugando toda minha energia e me consumindo por completo, e, por algum motivo, pela primeira vez, a ideia de que ele sabe que é exatamente esse o efeito que ele causa em mim cruza meus pensamentos.

Eu sinto uma onda de pânico se alastrar por cada célula de meu corpo, e a certeza de que algo muito, muito ruim está prestes a acontecer me deixa tonta, e preciso lutar contra a vertigem que machuca minha visão.

Isso… Não pode ser o que parece.

Com o mesmo sorrisinho inclinado e repleto de significados ocultos, Yoongi começa a fechar a porta atrás de si, mas para por um momento, buscando meu olhar novamente.

O pensamento de que estou apaixonada pelo garoto loiro em minha frente é logo substituído pelo pensamento de que eu estou completamente ferrada, e a frase que escapa de sua boca logo em seguida só comprova isso.

Com a voz calma e firme, e com uma postura relaxada de dar inveja, Yoongi abre a boca e faz meu mundo desmoronar antes de fechar a porta e desaparecer, me deixando sozinha no corredor, tendo que lidar com uma verdade que eu imploro para que seja mentira.

— Boa noite, vizinha. 

É exatamente o que parece. 


Notas Finais


Eu só vou falar que minha vontade é de esganar o Yoongi porque ele é muito filho da mãe, sério hahahaha.
E ah, eu acabei não dando conta de responder alguns comentários no capítulo passado, perdão! ): Mas prometo que vou tentar responder todos que vocês deixarem nesse capítulo! Então me contem o que vocês estão achando, e quais as teorias pro futuro da história haha!


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