História Quid Pro Quo - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Deisaku, Naruto, Romance, Sasusaku, Slowburn
Visualizações 991
Palavras 7.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ecchi, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


>amanhã
>8 dias depois

Desculpem por eu ser esse lixooo, mas enfim, parte II.
Parte III vai sair logo. Tô revisando.

Capítulo 9 - Mesmerin (Parte II)


Deidara sorri para mim ao abrir a porta, e é impossível continuar de mau humor.

Eu estou aqui unicamente por ele.

Por minha vontade, ficaria em casa, por horas na cama, dormindo todo o tempo possível. Realmente não estou bem o suficiente para jantar com o meu namorado, eu tive um dia horrível e meu corpo tem algumas manchas em lugares de fácil visualização que foram difíceis de esconder.

Ocultei o máximo possível de partes da minha pele com roupas e mesmo assim fiz um esforço para parecer minimamente apresentável para ele. Estou usando um vestido curto, com mangas obviamente compridas e uma gola alta para cobrir as marcas em meu pescoço; nas pernas, uma meia 7/8, as mais longas que tenho.

 “Bem na hora,” ele recua com a maçaneta em suas mãos, abrindo espaço para que eu possa entrar. “Você está linda, amor.”

Ele também se arrumou para mim. “Você também está” Sorrio para ele ao observá-lo de alto a baixo, contemplando sua boa aparência. Não é nada como um terno, mas é o tipo de roupa que ele não usa habitualmente, apenas em ocasiões especiais. Um belo suéter de linho branco, calças escuras de tarja e os cabelos soltos.

Eu o abraço, fechando os olhos e suspirando profundamente ao sentir o corpo e cheiro familiares da pessoa que é o meu alento. Eu o abraço realmente apertado, e ouço uma risada leve em meus ouvidos.

Ele beija meu pescoço, e percebo que quer se afastar do abraço mas ainda não estou pronta para deixá-lo ir. O cabelo dele cheira bem, as roupas estão limpas e o perfume dele é tudo que eu precisava para me sentir um pouco melhor.

 “Você tem que me soltar, madame.” Ele provoca.

“Eu não quero.” Sinto as leves vibrações as risadas causam em seu peito contra o meu, e ele empurra a porta com o pé.

Com a minha recusa, permaneço agarrada a ele como um parasita quando tenta andar até a cozinha. Nossas risadas preenchendo o apartamento.

É realmente uma pena que não podemos transar hoje.  Me faria muito bem.

E lembrar disso dentro do táxi fez com que eu me sentisse nervosa durante todo o trajeto. Normalmente a noite terminaria exatamente nisso, mas hoje não pode acontecer. Então fiquei remoendo tudo isso, tentando manter a calma e pensando em todas as formas que terei que dizer ‘não’ a Deidara hoje, mesmo querendo dizer sim.

E é de extrema importância que eu o faça. Porque ele definitivamente não pode ver as marcas no meu corpo, tão recentes como estão.

Não que eu saiba o que fazer para me livrar delas, talvez uma banheira de gelo sirva, mas não tenho planos de fazer isso tão cedo. Cobrir-me bastante pode ser a resposta mais fácil por ora.

Ou não, eu realmente não sei o que fazer.

Mas sei bem o que não posso fazer. E eu definitivamente não posso contá-lo o que aconteceu. Isso resultaria em um efeito dominó irreversível, que começaria com eu o contando que sofri uma tentativa de homicídio e terminaria com ele sabendo de toda a verdade sobre as ameaças que estou sofrendo de Sasuke e Naruto.

Uma coisa simplesmente levaria à outra.

Se ele fosse outro homem, um mais calmo, menos emotivo, com um senso de justiça menor, talvez a possibilidade de contá-lo sobre tudo me passasse pela cabeça. Se eu soubesse que ele proporia que nos sentássemos com calma e pensássemos juntos em uma atitude para ser tomada, talvez eu o contasse.

Mas ele não vai fazer isso.

Seu comportamento super-protetor imediatamente vai se sobressaltar em meio às emoções, e ele vai querer tomar atitudes inviáveis. Sair na mão com Sasuke ou me forçar a ir até a polícia mesmo sabendo que sua vida está em risco, mas aceitando esta consequência como se a dele fosse a única em jogo. Mas não, Suigetsu e Ino também foram envolvidos, e eu preciso pensar em todos.

Eu preciso pensar em todo mundo e ‘andar sobre ovos’ o tempo inteiro, porque todas as decisões são minhas. Todas elas. E eu vou me sentir culpada se qualquer um deles sair machucado por minha causa. Porque eu não pude manter a minha boca fechada e aceitar os limites delimitados por Naruto e Sasuke.

Dois homens que eu realmente não sei quem são, o que fazem, o que são capazes de fazer. Quão longe estão dispostos a ir para me manter quieta.

E realmente não quero descobrir.

Eu também não posso dizer que fui assaltada. Deidara, novamente,  insistiria que fôssemos à polícia.  A minha melhor opção no momento é omitir.

Me separo dele, tentando não transparecer a tensão que estou sentindo.

“Eu tentei ligar para você,” por sorte, ele se vira e faz seu caminho em direção da cozinha enquanto apoio meu peso sobre cada um dos pés respectivamente para tirar os saltos. “Para saber se queria que eu fosse buscar você em casa, mas não me atendeu”

Com os pés descalços e alguns centímetros mais baixa, eu o sigo. Suas costas estão viradas para mim antes que se agache para checar o forno, enquanto eu travo uma batalha comigo mesma sobre como justificar isso.

Não estou em condições de comprar um celular novo agora, mais cedo ou mais tarde ele descobriria o que aconteceu. Mais cedo do que tarde.

Eu limpo a garganta, “Meu celular está quebrado.”

Deidara se vira em minha direção, parecendo surpreso e inocente de uma maneira que me machuca. Eu odeio ter que mentir para ele tantas vezes, mas sinto dentro de mim que estou fazendo a coisa certa, e é o que me motiva a prosseguir.

“Que pena. Vai tentar consertar?”

Hoje de manhã eu segurei os cacos da tela do meu celular. Para ser franca, acho que dificilmente alguém conseguiria consertar aquela coisa.

“Não, eu... Eu estou pensando em comprar um novo.”

Ele ri baixinho, virando-se de volta a pia. “Já estava na hora.”

A provocação faz com que eu suspire de alívio.

Faço meu caminho ao redor do balcão, percebendo alguns ingredientes e temperos sobre a ilha, até me aproximar da silhueta dele. Percebendo que estou chegando, ele me observa com as sobrancelhas loiras erguidas e uma feição alarmada. “Não, não!” Em seguida a mão grande coberta por uma luva térmica tapa a minha visão, e eu dou algumas risadinhas. “Eu arrumei a mesa, você vai esperar por mim lá.”

“Eu quero ajudar.”

“Não,” ele segura meus ombros, me encaminhando pacientemente até a mesa posta. “Eu estou tentando ser um cavalheiro.” Ele puxa a cadeira, “Vamos, senta”

Faço uma careta, obedecendo ao seu pedido. Eu estou sentindo desconfortos para sentar, principalmente na parte inferior das minhas costas. Ele sorri para mim e volta até a cozinha.

Deidara é um bom namorado, mas ele realmente não sabe cozinhar, e eu lembro bem cada uma das vezes em que tive que fingir que gostei de algo que fez ou que simplesmente estava ruim demais para sequer fingir. Por isso estou apreensiva pelo resultado final.

Embora eu reconheça o quão fofo é todo o seu esforço, a forma nervosa como se move de um lado a outro na cozinha e me observa por cima do ombro enquanto permaneço aqui sentada é engraçada e amável. Ele faz uma grande coisa do meu curso, e por isso, está tentando me agradar.

Tudo ao meu redor mostra que sim. A meia-luz, o sofá vazio, sem livros ou folhas, como sempre está. As janelas na sala abertas, permitindo a entrada de uma brisa fresca.

Estou observando o ambiente calmo ao meu redor quando ele se aproxima da mesa, duas velas longas e pretas em mãos. “Uau,” eu brinco, ao perceber do que se trata. Seus olhos azuis me observam com um brilho extra quando ele as posiciona, uma em cada extremidade; e eu não posso resistir a tomar o acendedor de suas mãos, esticando os braços para colocar uma pequena chama nos pavios de cada uma.

É quando ele vê o curativo em meu dedo.

A essa altura, ele já está acostumado com os meus cortes. Lido com facas o tempo inteiro, e vez ou outra, meus dedos são vítimas desse constante contato.

Eu fico feliz por isso, por não precisar mentir outra vez.

Deidara não faz um comentário sobre o novo corte, ele apenas solta uma risada sutil pelo nariz e retorna até a cozinha. “Eu vou servir você.” Ele remarca. Não há um tom de pergunta em sua voz, ele está me avisando, sem deixar rastros para uma negação minha.

Não que eu fosse negar.

Os dois pratos limpos estão empilhados sobre a mesa, e eu os espalho antes que ele retorne, distribuindo os talheres e organizando as taças nas quais beberemos. Coloco o guardanapo sobre meu colo e aguardo sua volta.

Quando voltou, ele não conseguia conter o sorriso satisfeito consigo mesmo em seus lábios, e eu assisto calada enquanto ele me serve uma quantidade apropriada de batata-doce branca assada, metade do prato de salada caesar. Por último, uma porção perfeitamente temperada e ao ponto de bife.

Eu dou uma risada, e seus olhos azuis imediatamente estão em mim, “Oh, você tem certeza que não comprou tudo isso aqui pronto?”

Ele faz uma careta, a mão parada no ar para dramatizar a minha pergunta com uma falsa expressão de ofensa. “Eu estou realmente ofendido, Sakura.”

Nós dois nos olhamos de forma séria por alguns segundos, antes que eu não consiga mais segurar, e assim risadas irrompem, contagiando a ele também.

“Eu cozinhei tudo, eu juro.”

“Acredito em você.”

“Eu juro,” ele insiste após detectar pouca convicção em minhas palavras. “Eu juro, eu tenho a nota fiscal do supermercado onde comprei todos os ingredientes─”

A candura em seus olhos enquanto se defende é adorável. Eu sinto vontade de segurar seu rosto em minhas mãos e apertar suas bochechas até que se cale, mas a feição de escárnio em meu rosto por si só faz com que interrompa a si mesmo para me observar. “Por causa desta brincadeira você não vai ganhar um aperitivo da sobremesa.”

Eu choramingo. “Não, por favor. Eu não vou mais duvidar de nada”

“Promete?”

Eu anuo; ele deixa o prato em suas mãos sobre a mesa e se inclina para me dar um beijo. Seguro seu rosto para estender o contato por mais tempo e ele corresponde, as mechas loiras deslizando por seus ombros, enquanto resiste a minha tentativa de aprofundar o beijo. Ele se afasta, um sorriso charmoso no rosto, “Apenas um aperitivo, lembra?”

Gemo frustrada. Ele ri, sem saber o quanto seu lindo gesto para melhorar as coisas entre nós dois é um problema para mim hoje. Então pressiona os lábios contra os meus mais uma vez como uma tentativa de me reconfortar, “Eu fiz algo especial para nós dois.” E então ele se afasta, tomando seu lugar no assento à minha frente.

Enquanto ele serve seu próprio prato, meu psicológico me tortura. Ir para a casa dele em um jantar como esse já deixa subtendido para nós que é uma questão de tempo até rolar um clima e terminarmos a noite no quarto, como sempre foi.

Eu sabia disso. Eu sei disso.

Mas em nossos programas anteriores a comida sempre era uma responsabilidade minha ou de restaurantes para os quais fazíamos encomendas, nunca dele.

Ele nunca se dedicou dessa forma a fazer algo especial para mim antes, por isso eu não consegui ligar para ele e desmarcar tudo, ou ficar em casa e ligar de última hora. Isso magoaria os seus sentimentos.

Eu simplesmente não pude dizer não, eu precisava vir hoje. Mesmo que as marcas em meu corpo e minha mente gritassem em uníssono que a melhor resposta era ficar em casa, eu estou aqui.

“Você está esperando por mim?” Ele quebra o silêncio, seus olhos presos a atividade que está executando em servir a si próprio.

Saio de meu estado de reflexão e anuo compulsivamente, fazendo-o rir baixinho. “O que você comprou para bebermos?”

“Oh, eu esqueci.” Percebo por sua movimentação que está prestes a se levantar para buscar, mas eu salto para fora da cadeira antes, e ele não questiona minha iniciativa. “Tem uma garrafa na geladeira, amor.”

Enquanto caminho de volta à cozinha, eu tento focar em manter a calma.

Sim, ele organizou algo especial para nós dois. Provavelmente algo que espera por mim em seu quarto, e eu ganho a certeza disso no momento em que abro a geladeira, percebendo que não é apenas ‘uma’ garrafa, como mencionou antes, e sim quatro.

Ele comprou quatro vinhos para nós dois, porque em um momento comum, passaríamos a noite acordados e bebendo, mas hoje não é um momento comum.

Eu suspiro, sentindo uma forte tensão em meu peito quando seguro a garrafa fria pelo gargalo e caminho de volta até a mesa. Ponho a garrafa em sua frente, porque ele tem um jeitinho especial de empurrar a rolha com a força do polegar sem precisar de utensílios especiais para isso, e me sento novamente.

Deidara está me observando, “Algum problema?”

“Não. Tudo bem.” Eu respondo, fazendo o melhor possível para soar convincente enquanto espalho o guardanapo sobre meu colo novamente. “Vamos, abra isso, eu quero beber”

Ele ri, os olhos se direcionando até a garrafa. Eu sussurro rapidamente para que tome cuidado com o lustre, mas ele sequer parece ouvir. A rolha explode com um breve ruído, e só sabemos que nada quebrou no processo porque não houve barulhos.

Ele serve uma dose para mim e em seguida para si próprio, minha mão imediatamente alcançando a taça para degustar do vinho, e quem sabe encontrar ali algum reconforto para a parte de mim que está em completo desespero.

Dizer que estou menstruada está fora de cogitação, pois ele sabe muito bem quais são os meus dias, sempre no início do mês.

Nós não costumamos transar no escuro, seria realmente estranho se eu pedisse isso hoje.

Eu posso simplesmente dizer não. Ele tentaria me convencer do contrário das formas mais manhosas e físicas possíveis, formas que absolutamente me farão repensar, mas pararia no momento em que percebesse que estou falando sério, e mesmo que fique frustrado por sua ‘surpresa’ ter sido rejeitada, eu posso compensá-lo depois.

“Amor?” Sua voz é suave e gentil, me puxando para a realidade outra vez, enquanto seus olhos atenciosos me encaram em busca de respostas.

Eu dou um sorriso, tomando mais um gole do vinho tinto. Estou mais tranquila agora, tendo chegado a um consenso comigo mesma. Pronta para conduzir este jantar normalmente.

“Você escolheu bem...” Eu elogio, e ele imediatamente anui, concordando após experimentá-lo por si próprio.

“Não escolhi, foi uma recomendação do sommelier.” Ele ri verdadeiramente, contagiando a mim. E então ergue a própria taça, me oferecendo um brinde. “Vamos fazer um brinde a nós dois.”

Limpo a garganta, erguendo o braço direito em direção ao seu para que nossas taças se encontrem com um suave tilintar. “A nós dois.”  Murmuramos em uníssono, e enquanto ele sorve mais um gole da bebida, eu decido experimentar a comida.

“É doce.” Ele comenta, e sei que está falando sobre o vinho.

A ponta do meu garfo investiga a comida lentamente. Pego um pouco de alface e pepino, dando início a minha forma metódica de comer; salada primeiro, carboidratos depois, e por último, a melhor parte: a carne.

Eu não me importo em deixar isso de lado, visto que ele conhece muito bem os meus hábitos alimentares, e inclusive, os considera engraçados e bobinhos, mas não me importo. Enquanto ele espalha sua comida, optando por partir a carne e comê-la com um pedaço de batata, eu estou cantarolando tranquilamente enquanto como os meus vegetais, que estão maravilhosos, enquanto penso sobre o quanto estou pagando por minha língua afiada agora, porque ele realmente fez um trabalho ótimo.

Deidara parece estar pensando na mesma coisa. Ele ergue as sobrancelhas loiras para mim, e por um momento tenho certeza que perguntará sobre minha opinião, mas ao contrário disso, ele direciona sua atenção à própria comida.

“Como foi o seu dia, amor? Você parecia um pouco para baixo quando chegou.”

Como eu deveria começar a explicá-lo como foi o meu dia?

Eu suspiro, deglutindo a comida, e o observando rapidamente. “Não foi tão bom assim... Bem, eu... Nós recebemos uma demonstração hoje e eu não consegui replicar corretamente, então me cortei em seguida.” Eu ergo a mão, o mostrando o dedo com o curativo. “Não dormi muito bem... Meu dia foi cansativo e ruim, para ser sincera. A melhor parte dele está sendo esse momento com você.”

Ele sorri para mim, os olhos baixos, firmes em sua comida.

“Eu gostei do molho à base de coentro que você usou aqui. É delicioso.”

“Sim, eu fui até uma loja orgânica e pensei ‘por que não’? Decidi tentar. Vai um pouco de limão fresco e azeite também, dentre outras coisas.”

“Que outras coisas?” Coloco um pouco mais de salada na boca.

Ele pisca para mim, “Segredo do chef.”

É impossível não achar engraçado, principalmente porque poucos segundos depois ele contou a mim a receita completa, e nós dois começamos a conversar de verdade. Ele comentou sobre como entraria de férias em dois meses, e chácara de sua família estará livre para nós. Deidara parece tão empolgado que é contagiante, mesmo que eu tenha segundos, terceiros e infinitos pensamentos contra essa alternativa.

Ao contrário de mim, criada em uma família com renda estável de classe média, Deidara vem de uma família de posses, e embora saiba dentro de seu coração que sim, ele não gosta de escutar de mim ou outras pessoas que é ‘rico’, porque o dinheiro de sua família servira mais como um fardo que separou cada membro dela durante toda sua vida.

E embora seu desejo de ser auto-suficiente e manter o contato necessário com seus irmãos seja explícito, eles forçam presença na vida dele, e já emitiram algumas opiniões sobre mim, minha ‘falta de classe’ e a diferença entre nossas idades que pouco agradaram a Deidara. Isso já causou brigas sérias, e eu tento ao máximo mantê-lo de cabeça fria. Às vezes é suficiente.

Às vezes ele fica longe de mim para me poupar de suas crises de mau humor, outras vezes eu o ajudo a sair delas.

Com a última garfada, eu deslizo um pouco sobre a cadeira, suspirando. Estou satisfeita.

Deidara come bem mais rápido que eu, por isso, ele terminou alguns minutos antes e ficou conversando comigo até que eu concluísse.

“Então, você gostou?” Ele pergunta, mesmo sabendo da resposta. “Do bife, das batatas, de tudo?”

Com a sensação de estar estufada, eu corrijo minha postura e suspiro. “Está brincando? Incrível. Quando eu abrir meu restaurante, contratarei você”

Ele dá uma risada gostosa.

“Mas é verdade,” eu continuo. “tudo está maravilhoso. Comi tanto que estou cansada e com sono.”

Foi o que bastou.

“Sono?” ele questiona, e sei bem apenas pelo timbre em sua voz que ele não está realmente esperando uma resposta, pelo contrário. “Então você não quer a sua sobremesa?”

Oh, céus.

Tento não aparentar todo o desconforto que estou sentindo, então apenas me levanto. “Claro,” eu respondo em tom baixo, enquanto minhas mãos e mente se ocupam em empilhar os pratos sujos com os talheres.

Eu não deveria estar tensa assim diante do homem que namoro há mais de um ano, e geralmente não estou. O que me atormenta agora são as circunstâncias.

Não existe uma explicação inofensiva para os hematomas em meu corpo. Eu não posso dizer que caí da escada, porque é muito óbvio que as escadas precisariam ter rolado comigo no chão de um beco e batido em mim para justificar as marcas que tenho.

Minhas costas estão doendo, se eu fosse transar com ele, seria em câmera lenta.

Eu estou esperando ganhar um pouco de tempo com a atividade que estou fazendo. Jogo os talheres sobre a pilha de pratos e com a outra mão levo a minha taça direção à cozinha, deixando tudo sobre a pia.

O fôlego fica preso em minha garganta quando ele me segue, em toda sua graça que indubitavelmente está me dando tesão desde o início da noite, mas não posso fazer nada a respeito disso hoje.

Mas é difícil quando apenas um de nós está tentando resistir.

“Por que você vai perder tempo com isso?” Sua voz soa ao meu lado, e eu o observo por cima do meu ombro durante alguns segundos; minhas mãos ensaboadas trabalhando na louça abaixo de mim.

Seus quadris estão apoiados à geladeira, enquanto ele beberica os últimos goles de sua taça.

Eu solto uma risada nervosa, “Eu odeio louça suja, você sabe.”

“Não, você fala que a constante insistência por limpeza e organização em suas aulas é irritante e sempre deixa a louça para mim, apenas no dia seguinte.” Ele refuta, e eu suspiro enquanto esfrego a bucha pela superfície do prato.

Sim, é o que eu falo. Todas as malditas vezes.

“Eu estou no clima de lavar louça hoje.”

“É?” Antes que eu possa responder, ele coloca seu corpo entre mim e a pia, derramando o resto de seu vinho e tirando a bucha de minhas mãos sem qualquer aviso, “Eu não. Saia.”

Eu protesto, repetindo o seu nome algumas vezes, mas ele não me escuta. No momento seguinte está de costas para mim, arregaçando as mangas de seu suéter e assumindo a função de ensaboar os pratos.

“Deidara!”

“Você molhou o curativo da sua mão, e sinceramente, eu não tenho outro.” Ele alcança um pano de prato seco ao lado do escorredor e joga em minha direção, “Por que não enxuga?”

Ainda um pouco aérea, eu observo minha mão, e ele está certo. Eu tento enxugar meus dedos no vestido, torcendo para o curativo não perder a aderência, e no momento em que o mesmo parece mais seco, eu assumo a atividade que ele me designou.

O silêncio que se segue é completamente incômodo para mim, e apenas para mim. Ele começa a assobiar, e quando trás os pratos limpos para a mesa, onde estou esperando, eu começo a enxugá-los sem dizer uma palavra.

Se estava ruim com ele de costas para mim, assobiando e ocupado com a louça, fica pior quando ele conclui o que estava fazendo e sua única ocupação é me assistir enxugar a mísera quantidade de pratos e talheres.

Em silêncio, me observando fixamente enquanto eu tento fingir dedicação, levando bons minutos para concluir o que eu faria em segundos, se quisesse.

Então ele cansa de esperar e seus braços fortes envolvem a minha cintura. Suspiro profundamente, e fechando os olhos por alguns segundos ao sentir sua respiração atingir meus cabelos, até que apóie o queixo sobre meu ombro esquerdo.

Muito lentamente, eu alcanço mais um prato molhado para começar a enxugá-lo, e ele ri ao perceber minha miserável tentativa de atrasar tudo. Pressionando seus quadris contra meu traseiro, ele beija o meu ombro sobre o tecido, e enfia a ponta do nariz entre meus cabelos em seguida.

Minha mão treme um pouco no que estou fazendo. Eu engulo em seco à medida que meus dentes arrastam sobre meu lábio inferior, reagindo à pressão de seu corpo envelopando o meu e me empurrando contra a mesa.

“Por que está me maltratando assim?” Ele sussurra contra meus cabelos, tão baixo em comparação ao quão alto gritam os meus pensamentos desgovernados. “Você quer que eu peça?”

Com os olhos fechados, eu absolutamente desisto de me concentrar ao que estou fazendo e largo o prato juntamente com o pano sobre a mesa, minhas mãos unicamente em contato a ela para buscar o apoio que minhas pernas bambas não podem me fornecer.

Suas mãos deslizam pelos lados do meu corpo até alcançar a barra do vestido, e ele a ergue até a altura da calcinha pendurada em meus quadris, apertando a minha pele, apalpando tudo que pode sem restrições.

Deito a cabeça sobre seu ombro, “Não,” eu respondo em um sussurro vil.

Deidara distribui beijos cálidos por minha bochecha, e seus lábios vibram sutilmente contra minha orelha ao me questionar novamente: “Então o que você quer?”

“Não...” eu gemo outra vez, lembrando que alguns centímetros abaixo da minha orelha, sob uma camada de tecido da gola, estão as marcas da mão de Juugo. Isso instintivamente faz com que meu corpo fique em estado de alerta, e mesmo no pouco espaço que tenho, eu me viro de frente para ele. “Eu quis dizer ‘não’. Hoje não, ok?”

Nem mesmo eu no lugar dele levaria essas palavras a sério. Poucos segundos antes e ele me tinha derretendo em seus braços.

Percebo a chama em seus olhos se dissipar com minha negação, mas ele continua ali, suas íris alternando-se entre as minhas, as sobrancelhas levemente arqueadas em busca de um motivo que eu não verbalizei, enquanto eu travo uma guerra comigo mesma, e ele percebe.

Deidara segura o meu queixo entre seus dedos e sua boca cai sobre a minha, abafando qualquer tipo de coisa que eu pudesse dizer. Mas suas mãos não perduram ali, pelo contrário, deslizam por mim de volta a meus quadris, e no momento em que me ergue para fora de meus pés pela minha cintura e me senta na borda da mesa, eu sinto a dor aguda do incômodo em minhas costas e gemo entre o beijo.

Eu realmente estou no clima, e mesmo agora, quando ainda tenho plena consciência das marcas de luta corporal que estou carregando, o cheiro de Deidara é tudo em torno de mim, e sua presença, seu corpo quente, a forma como ele está me segurando e beijando com tanta luxúria que minha mente fica em branco e eu desisto.

Desisto de dizer não a nós dois quando quero dizer sim.

Meus braços envolvem seus ombros ao redor de seu pescoço e eu o trago para perto; ele dá um sorriso malicioso, as mãos espalmadas em minhas coxas quando percebe que não estou mais hesitando.

Aperto minhas pernas em volta de sua cintura, agarrando seus cabelos longos e o trazendo para mim outra vez; ele me beija lentamente, sua língua massageando a minha com calma. Eu sei que ele quer levar tudo isso para o quarto, e o que estamos fazendo aqui não é nada perto do que acontecerá lá. Mas quando seus dedos acariciam minha vulva sobre a calcinha, eu me afasto do beijo: “Eu pensei que você tivesse uma surpresa para mim no quarto?”

Ele volta sua atenção a minha bochecha e queixo, deixando beijos quentes por todo o meu rosto, “Quem disse que é no quarto?” posso sentir o riso em sua voz ao questionar-me, e minhas sobrancelhas se unem.

“Eu acho que é.”

“Podemos ir para lá depois, nós nunca fizemos na cozinha antes”

“Sim, já fizemos. Seu boboca, você não lembra?”

Com uma risada, ele inclina a cabeça para mordiscar minha orelha.  “Eu estava tentando convencer você a ficar aqui... Nós temos a noite inteira”

Suspiro, meus quadris deslizando sobre a mesa de encontro aos dele.

Eu tento pensar, mas não consigo. Minha mente não está em completa atividade agora, aliás, tudo que consigo fazer é focar em suas ministrações.

Deidara está me fazendo um grande favor. Não importa o quanto eu odeie admitir fragilidade, depois do que aconteceu comigo hoje, eu precisava estar nos braços de alguém, e sendo nos dele, eu finalmente me sinto em paz. O dia inteiro eu estive com o rosto daquele homem em minha cabeça, e agora, finalmente, eu arranjei algo melhor para pensar.

Nada. Não estou pensando em nada.

Isso até seus dedos quentes puxarem a gola do meu vestido para baixo, e cada nervo do meu corpo fica em estado de alerta quando ele pressiona os lábios ali, deixando beijos abrasadores que não me afetam tanto quanto a tensão em meu peito. Eu fico estática sob seu toque, não consigo me mover, porque ele está beijando a área que mais cedo estava sob o agarre daquele homem, e quando eu finalmente me olhei no espelho hoje, eu vi. Também tenho alguns hematomas ali, fora as marcas das unhas dele.

Mas com sorte, ele não parece ter visto nada.

Quando Deidara se afasta, eu tenho certeza que ele poderia tranquilamente ter visto o pânico em meus olhos no momento em que inclina a cabeça, seus dedos ganhando acesso no outro lado do meu pescoço para que faça o mesmo. Eu o observo, o olhar luxurioso e a sede com a qual toma minha pele sob seus lábios.

Eu respiro pela boca, a tensão se misturando ao intenso prazer que ele está me proporcionando; estou indecisa sobre qual desses sentimentos é o mais proeminente quando a voz dele soa baixa em meu ouvido, a voz ainda suave: “O que é isso?”

O peso do mundo parece cair sobre minha cabeça. O que eu não queria que acontecesse acaba de acontecer porque eu não tive pulso forte para tomar decisões e prover por elas.

Meus lábios se abrem e fecham, eu não sei o que falar, o que diabos pode ser convincente para que ele não volte a perguntar sobre isso, mas nada me passa pela cabeça, e eu apenas suspiro derrotada.

“O que é isso, Sakura?” Ele recua um passo, os olhos azuis presos ao meu pescoço desnudo.

Os meus olhos ardem, e eu deslizo para fora da mesa, ficando sobre meus pés descalços. Corrijo a gola, para que não passe mais muito tempo olhando para ela, e então me concentro em não começar a chorar.

Eu sabia que iria chorar em algum momento hoje, só não queria que fosse agora.

Seus olhos azuis, uma vez vibrantes, foram ficando aborrecidos pelo meu silêncio.

“O que é isso no seu pescoço, Sakura?” Seu timbre está abertamente alterado. A voz não é mais a manhosa de antes, e sim algo profundo e ríspido. Recriminador.

Ele me olha da cabeça aos pés, e quase posso ouvir as engrenagens em sua mente trabalhando acerca dos fatos. Coisas que separadas são totalmente indefesas, porém combinadas, são obviamente um sinônimo de problemas.

O trecho de pele livre em meu corpo são minhas mãos, cabeça e alguns centímetros entre o fim do vestido e onde as meias começam.

Seus olhos param em minhas mãos, mais exatamente o meu dedo ferido, e então, em seguida, ele olha dentro dos meus olhos outra vez. Eu olho para longe.

O celular que hoje de manhã estava em perfeito estado, pelo qual conversamos, agora está quebrado. E existem marcas arroxeadas em meu pescoço.

Ele está juntando as peças.

Deidara se aproxima de mim outra vez, e ele segura meu queixo em suas mãos, trazendo meus olhos diretamente para os seus. A forma compulsiva como está piscando, os lábios estreitos e suas sobrancelhas franzidas me mostram que está preocupado, mas meu silêncio está o tirando de sua paciência.

“Por que tem marcas de dedos no seu pescoço?”

Meus lábios tremem, e para ele isso é a confirmação de que algo definitivamente está errado.

“Sakura, por favor,” insiste. Com um olhar consternado, ele continua com a atenção presa a mim, e eu não consigo conter as lágrimas que se formam nos cantos dos meus olhos. “Alguém bateu em você?

Não sei o que fazer.

Eu francamente não podia imaginar um desenrolar pior para esta situação do que esse, e estou envergonhada. Não sei o motivo, nada disso é culpa minha, ele não quer o meu mal, – pelo contrário – mas eu não posso suportar olhar nos olhos do meu namorado.

Porque agora eu não me sinto merecedora dele, não me sinto bem em nem mesmo considerar contar a ele toda a verdade apenas para que isso possa passar e nós dois ficarmos bem outra vez, mas isso não aconteceria.

Apenas o fato de eu ter escondido isso dele por algum tempo o deixaria irritado, e em seguida iria propor soluções esdrúxulas que eu não posso me dar o luxo de esperar que funcionem.

Sua primeira proposta seria que fôssemos embora. E mesmo que eu vá, os prejuízos são muito maiores do que os lucros. Suigetsu e Ino continuarão aqui, correndo perigo porque eu fui egoísta ao ponto de ir embora; Deidara tem um emprego aqui, e eu não posso trancar o meu curso.

Eu não posso ir embora, eu não posso fazer uma denúncia; eu me sinto presa aqui e de mãos atadas, a mercê deles. Todos os caminhos que eu puder seguir sempre me levariam a um mesmo fim: Sasuke e Naruto.

Sempre eles dois.

“Ninguém me bateu.” Seguro sua mão, afastando-a do meu rosto.

Eu nem mesmo sei o que inventar para justificar, estou completamente perdida.

“Você foi roubada?”

Eu não consigo ligar com isso. Lágrimas continuam a queimar por trás de minhas pálpebras, e eu puxo minha gola para baixo outra vez; estou me sentindo sufocada. Doente, com medo, com raiva e sufocada.

Não aguento mais mentir.

Ele olha para meu pescoço outra vez, comprimindo os lábios. O passo que dá em minha direção é receoso, como se estivesse se aproximando de um animal selvagem, e ver que ele também não tem ideia do que fazer nesta situação me acalenta na mesma proporção que me destrói.

Isso acabou com a nossa noite. Meus problemas voltaram para assombrar a nós dois novamente, e eu temo que seja a última vez.

“Você foi roubada, não é? Levaram o seu celular e você está com vergonha disso, porque a agrediram.” Sua voz morre, e durante os próximos segundos, ele fica calado, refletindo sobre o que disse. Ele está cavando, é óbvio que as informações estão se acumulando em sua cabeça e ele está buscando pelas razões que não está recebendo de mim. Quando seus olhos se erguem até os meus novamente, há um brilho diferente neles. Algo afiado e rancoroso, e o que fiz em seguida faz com que lágrimas rolem por minha bochecha. “O celular com o vídeo. É claro...”

“Deidara─”

“O que aconteceu, Sakura?” Sua abordagem agora é severa. Eu temia o momento em que ele pensasse sobre tudo e percebesse que existe uma relação com o que testemunhei na quinta-feira, e isso acabou de acontecer. Ele sabe, e está furioso. “Quem são essas pessoas? O que fizeram com você?”

“Nada.”

“Eu disse a você que o melhor a fazer é procurar a polícia, e depois disso, sinceramente, nós precisamos sair agora.” Ele anda de um lado para o outro, os dedos entrelaçados entre os cabelos “Você está correndo risco de vida... Amor, isso é muito sério. Nós precisamos agir rápido e tirar você daqui, eu...” Ele caminha até a porta, recolhendo as chaves. Deidara está frenético. Eu sei que ele joga toda a responsabilidade por mim sobre seus ombros, e está disposto a tudo para me manter segura, mas as coisas não são tão simples quanto ele pensa que são “Nós temos que ir até a sua casa para juntar as suas coisas, e então eu levarei você para Utsunomiya... Lá podemos pensar no que fazer. Eu só... eu só preciso tirar você daqui.”

Eu sei exatamente o que quer fazer. É um de seus irmãos que mora em Utsunomiya, e eu jamais me prestaria a ir para a casa de qualquer um deles.

“Nós não vamos a lugar nenhum.” Meu tom é calmo e decisivo. “Ao menos eu não irei.”

Ele me observa completamente pasmado e boquiaberto.

Eu entendo suas reações. Cada uma delas. Eu reagiria com o mesmo frenesi e desespero caso os reagentes fossem opostos, mas não são. Ainda sou eu aqui tentando inutilmente proteger as pessoas que amo, e em decadência disso, recebendo todo o ódio delas porque eu continuo mentindo. Mentindo sem parar em um círculo vicioso no qual também estou presa, para variar.

Seus lábios tremem, “Você quer MORRER?” Meu corpo sobressalta com o grito estridente, e eu fecho os olhos. Estou tentando manter um mínimo de frieza para encarar esta situação, e agir assim inclui engolir os seus surtos sem ser intimidada por eles. Eu achei que estava conseguindo, mas as lágrimas fluindo continuadamente em meus olhos me dizem ao contrário.

Ver que eu estou chorando parece refrear seu comportamento explosivo.

É muito difícil para mim limpar as lágrimas e mentir outra vez: “Você está exagerando.”

Ele não está.

Talvez estivesse antes, mas depois do que aconteceu comigo hoje, não é um exagero. É óbvio que nem todos os ‘sócios’ de Sasuke estão satisfeitos com a decisão dele, e também é óbvio que Sasuke não pode controlá-los. Um deles chegou a mim com facilidade, e quase me matou.

Sabe-se lá quantos outros ele tem, e quantos deles pretendem fazer alguma coisa contra mim, ou se vão.

“Você acha que querer manter a minha namorada segura é um exagero?”

Relutante, eu balanço a cabeça “Eu acho que você está sendo irracional.”

“Querer que você fique bem é irracional?”

“Eu não posso ir embora.”

Quando ele me dá as costas, as mãos esfregando o rosto em uma amostra de que eu não sou a única ali tensa. Ele está em seu limite também, e eu sei disso apenas pela forma como olha em meus olhos depois.

Eu sinto como se eu houvesse desgastado sozinha todo o nosso relacionamento, como se tudo que está acontecendo agora é culpa minha. Ele está cansado de perguntar, eu estou cansada de fugir das respostas.

“Pensei que o que prendia você aqui fosse eu.”

Meus ombros se encolhem, “E é─”

“Nós vamos juntos”

“Eu não posso ir embora!” Rosno, com um pouco mais de hostilidade do que eu planejava. “Você tem um emprego aqui, eu tenho a minha faculdade.”

O emprego realmente é um péssimo argumento, visto que ele não precisa dele. Realmente não precisa.

Seu peito se sacode com uma risada amarga, “Você só precisa se preocupar com o seu curso se estiver viva para se formar.”

Deve ser a frase mais cruel e rigorosa que ouvi dele em todo o tempo que estivemos juntos. Mas não posso me dar o luxo de dizer que está errado.

Na verdade, quem está errada sou eu.

Um forte rangido faz com que eu me ponha em estado de alerta, logo em seguida, o barulho desagradável da cadeira desmoronando no chão com uma força assustadora. Eu não pude ver o que aconteceu porque estava ocupada demais refletindo sobre nós, mas pela forma como ele manca ao andar de um lado para o outro, eu sei que foi um chute.

Um chute forte, eu temo que tenha o machucado, mas isso não parece importante agora.

Eu nunca vi o Deidara fazer isso antes.

Ele se senta no sofá, o rosto mergulhado nas mãos “Você sabe quem são eles, não sabe?”

É uma pergunta difícil. Ele não vai se satisfazer com ela, e será uma isca para outras, mais complicadas, que eu não posso responder.

“Sim”

“Quem são eles?”

Eu suspiro, “Você entende o quanto eu te amo?”

“Dizer esse tipo de coisa não vai melhorar em nada a situação fodida que estamos, Sakura...” Ele grasna, o tom profundamente ressentido.

“Eu nunca faria você correr o mesmo risco que eu estou correndo” Ele levanta os olhos em direção a mim, as sobrancelhas retraídas e um olhar que faz todo o mínimo de esperança que tenho se dissipar. “Mesmo que no fim me odeie por isso.”

“São os namorados que estão no apartamento da Konan?”

“Não...”

“E por que você deu o apartamento a eles?”

“Ela está precisando do dinheiro.” Eu minto outra vez.

“Você não parecia se importar com isso antes,” Ele dá de ombros, “Aliás, você era outra pessoa antes disso tudo acontecer. Você está escondendo tanto de mim que eu sinto raiva, Sakura. Eu estou com raiva de você.”

Meu lábio inferior treme. “Por favor, não diga isso...”

“Quando foi que se tornou ok mentir para mim? Mentir continuadamente, esconder coisas de mim como você está fazendo todo esse tempo... Você mesma sempre disse que o pilar mais importante de um relacionamento é a confiança, por que está cuspindo em seus próprios valores dessa forma?”

“Eu estou tentando proteger você.”

“Você é quem precisa ser protegida!”

Eu gostaria tanto que ele pudesse entender...

Entender que a minha proteção significa o perigo para ele e outras duas pessoas que são importantes para mim.

“Eu estou disposta a assumir os riscos.”

Ele se levanta do sofá e vem ao meu encontro, e em um ato inesperado, seus braços me envolvem em um abraço apertado. Quando fecho os olhos, as lágrimas acumuladas caem por meu rosto, manchando a roupa dele.

Deidara apóia o queixo sobre minha cabeça, “Eu não estou.” Ele sussurra contra meus cabelos, deixando um beijo ali.

Eu não queria ter entendido essa frase da forma que entendi.

Eu empurro o seu peito para que se afaste de mim, os olhos dele estão brilhando. “O que você está falando?”

Ele funga, e a feição em seu rosto é de quebrar o coração. Parece completamente devastado, “Eu sinto muito, Sakura... Não posso continuar fazendo isso.”

“O que isso quer dizer?” Grito à plenos pulmões.

Eu sei exatamente o que quer dizer.

“Você parece fora de órbita... Eu me sinto deixado de fora, escanteado. É como se eu estivesse sozinho nesse relacionamento... Você parece ter a cabeça em outro lugar. As coisas não são mais como eram antes, você mente tanto para mim e eu me sinto imprestável... Eu quero ajudar, mas você não parece querer ajuda. Eu lamento, mas não posso mais...”

Sinto meu fôlego faltar e levo minhas duas mãos à boca. Lágrimas ardem em minha garganta e deslizam continuadamente dos meus olhos.

“Você não pode fazer isso comigo... Não agora.”

“Estou apenas pedindo um tempo.” Ele funga, e percebo que seus olhos estão brilhando, molhados. “Eu preciso pensar sobre isso e você obviamente precisa colocar a cabeça no lugar. Se a minha vontade de fazer algo por você é um incômodo, é melhor que o faça sozinha.”

Ele não pode me deixar sozinha no período mais instável da minha vida, logo agora que preciso tanto dele.

A forma como está falando faz com que a válvula que me mantinha em equilíbrio explodir, e não há nada mais contendo minha sanidade.

“Um tempo? Por que não assume de uma só vez que eu me tornei ‘doida’ demais para você aguentar?” Grito, minha garganta ardendo como se estivesse em chamas, “Por que você fala que quer ‘um tempo’ como se isso não fosse a coisa mais clichê do mundo para suavizar a verdade? Diga de uma vez por todas que quer terminar comigo e me abandonar logo agora que preciso tanto de você!”

“Você não age como se precisasse. Você fica em silêncio, e as suas mentiras falam por você”

Apesar do meu surto, a voz dele continua equilibrada. Isso me tira de sério ainda mais.

Eu o dei todo o suporte que podia, movi mundos para tentar fazer a vida dele melhor quando seus desentendimentos com os irmãos alcançaram níveis mais graves. Eu tolerei o seu mau humor, todo o tempo em que ele precisou se deslocar até a casa da família, às vezes uma semana inteira, enquanto eu ignorava que estavam falando mal de mim pelas costas e pedindo que me deixasse de uma vez, como sempre fizeram desde que nos tornamos um casal.

Eu não queria ouvir pessoas que detesto me destratando, por isso eu não perguntava nada. Ele voltava, e eu não fazia perguntas. Eu era apenas a rocha na qual se apoiava e que permaneceria exatamente ali.

Por algum tempo, eu suprimi a minha vida em favor da dele.

Tenho plena consciência de que são situações muito distintas, que o problema no qual me encontro agora é muito mais delicado do que meras disputas de ego entre familiares, mas há um minuto eu contava com ele.

“Filho da puta ingrato” O sussurro sai entre meus dentes cerrados, e ele arregala os olhos.

Soluços agitam meu corpo inteiro quando eu passo por ele em direção aos meus sapatos. Não perco tempo calçando, porque isso só me deixaria aqui dentro por mais alguns minutos, e eu não quero passar outro segundo olhando para ele.

“Sakura!”

Seguro as alças entre meus dedos e rumo em direção a porta. Percebo que ele pegou as chaves e torço que a mesma esteja aberta, porque do contrário, eu as tomaria das mãos dele na base da força.

Como se deus advogasse pelo bem estar físico dele, está aberta. “Sakura, pelo amor de deus!”

“Não venha atrás de mim” É o meu último aviso antes de girar a maçaneta e partir.

No corredor, eu percebo que todo esse tempo eu estive discutindo com ele com o vestido na barriga, e antes que outras pessoas vejam o estado deplorável no qual me encontro, o puxo de volta ao lugar.

“Sakura, por favor, não faça isso”

Meu dedo empurra o botão do elevador com tanta força que eu poderia afundá-lo. E eu continuo apertando repetidamente quando percebo que Deidara fecha a porta atrás de si, indeciso entre cumprir sua própria vontade ou respeitar o meu pedido.

Está dois andares acima.

“Sakura” O seu tom é mais baixo desta vez. Mais ressentido.

Deidara continua chamando o meu nome, e sinceramente eu não sei o que está esperando. Eu jamais voltarei até ele.

“Sakura, por favor”

O elevador chega, e as portas se abrem diante de mim. Um homem está me olhando assustado, e quando meus olhos alcançam o espelho, eu não o culpo.

Estou descabelada, descalça, o rosto vermelho e molhado por causa das lágrimas. Estou soluçando como uma criança.

Meu coração está doendo como nunca antes.

 

(...)    


Notas Finais


Até a 3.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...