História Radioactive - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias A Hospedeira
Tags Drama, Romance
Exibições 47
Palavras 2.053
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Finalmente meu cronograma está se acertando devagarzinho. Adoro isso!
Espero que gostem...
Vamos ao cap.

Capítulo 6 - All Systems Go


Em pouco tempo o barulho de helicóptero sumiu, as sirenes também desapareceram e eu não economizei em velocidade. Não me iludiria que estávamos seguros, ainda não. Pelo menos não enquanto estivéssemos nas delimitações de Phoenix.

O viaduto ainda era como me lembrava. Nos primeiros anos como fugitiva, eu e Jaime brincávamos todos os dias naquele lugar caindo aos pedaços. O cimento ainda podia aguentar o carro, pelo menos era nisso que eu acreditava.

Não consegui manter a calma e confiei na minha sorte, coisa que havia me salvado mais vezes do que podia contar. Graças a deus que ela não me abandonou naquele justo momento.

O carro foi fluído pelo caminho acidentado e logo havíamos saído da cidade com discrição.

Esse era um dos motivos pelos buscadores nunca terem me capturado em meus sete anos de fuga. Eu sabia onde estava cada buraco naquela cidade. Eu conhecia Phoenix mais que ninguém.

Lancei outro olhar preocupado rumo ao banco passageiro somente para me deparar com o rosto adormecido de Daniel. Se esse buscador não houvesse resolvido colocar a mão na massa e sujar as mãos, eles nunca teriam me encontrado. Se Daniel não tivesse me achado, eu estaria escondida até hoje.

Daniel. Suspirando voltei meus olhos para a estrada. Tinha pegado a principal porque mesmo vazia era fácil se passar por um deles. Ligando os faróis e apertando o volante me dei conta que era arriscado levar Daniel para onde pretendia. Não sabia se tio Jebb continuava com o mesmo preconceito idiota em relação aos alienígenas, porém não tinha mais opções. E não deixaria Daniel para trás.

O caminho foi longo. Demoramos um dia aproximadamente para chegar na caverna onde eu sabia que meu tio escondia os carros para suprimentos. O carro de Daniel não era muito bom para aquele tipo de terreno, no entanto por mais que eu quisesse me descartar do carro, não poderia. Daniel ainda dormia.

E ele continuou assim por mais três horas depois que estacionei. O dia amanheceu e me questionei qual era minha preocupação prioritária. O despertar de Daniel ou não saber quanto tempo o pessoal de tio Jebb demoraria para parecer.

Não conhecia os hábitos deles. Só sabia o que tio Jebb me contava por cartas que trocamos de vez em quando. Ele não era muito detalhista, e pelo risco que aquela forma de contato proporcionava falávamos apenas o essencial.

Mas eu tinha encontrado minha prima Melanie uma vez. Ela tinha se casado. O nome do marido era Jared. Na época me senti mal de não ter me juntado a eles, mas eu estava sozinha e não precisava de ajuda para me esconder nem nada semelhante. Eu me virava bem sozinha e também não sentia falta de uma sociedade. Mas agora a situação era diferente, Daniel estava comigo.

    Peguei a arma de onde ele disse que estaria e soltei-o do cinto. Daniel pendeu para o lado, segurei-o pelo rosto e ajeitei-o delicadamente no banco usando boa parte de minha força de vontade para afastar-se dele. Dei um olhar preocupado para a figura adormecida, e coloquei a arma onde ficasse fora do alcance de Daniel e me recostei confortavelmente no banco. Não sabia quanto tempo a turma de tio Jebb demoraria a aparecer então somente adormeci.

    Acordei com a mão de Daniel contra a minha boca e o banco inclinado. Quase imediatamente coloquei a arma contra seu tórax com os olhos arregalados.

    -Sou eu. -sussurrou baixinho olhando volta e meia para o lado de fora. Devagar ele retirou a mão e minhas batidas cardíacas dolorosas no peito desaceleraram ao mesmo tempo que o aperto do medo diminuía e me deixava respirar. -Você está bem?

Os olhos verdes brilhantes de Daniel se voltaram para mim e a preocupação era evidente neles. Ele estava praticamente em cima de meu corpo, a respiração dele também estava acelerada.

    -Tô. -confirmei respirando profundamente. -O que está acontecendo?

    -Alguém nos encontrou. Estão em três. -ele disse com a precisão de um militar esticando um pouco o pescoço para ver algo no banco detrás. -Pode abaixar essa arma, por favor?

    -Desculpe. -envergonhada tirei a arma de seu tórax e coloquei-a grudada em minha perna. -Quem são?

    -Ainda não sei. -ele respondeu se comprimindo mais em mim quando ouvimos passos. -Por que paramos em uma caverna? -questionou descendo o olhar verde brilhante para mim. Seu tom era repreensivo enquanto eu digeria sua pergunta.

    -Para nos acharem. -então ampliei meus olhos e coloquei as mãos em seu peito empurrando-o levemente. -Deve ser eles.

    Mas Daniel não se moveu franzindo o cenho.

    -E se não forem? -questionou duvidoso. Levei a arma para seu peito e o empurrei de novo, ele deixou-se ser afastado.

    -Você atira. -disse fazendo-o pegar a arma e me deslocando para a porta.

    -Cuidado, Samantha. -advertiu antes que eu a abrisse. Assenti com a cabeça não dirigindo o olhar para ele e me concentrando no que iria fazer.

    Abri a porta do carro devagar, saindo em movimentos lentos. Quando estava fora deixei a porta aberta por via das dúvidas e encarei as cinco figuras de pé em frente ao farol ligado de um jipe.

    -Quem é você? E como sabe desse lugar? -quase no mesmo momento reconheci a voz agressiva. Sorrindo de canto e pondo uma mão na cintura estalei a língua.

    -Tsk, você continua o mesmo idiota Ian O’Shea. Desligue a merda desses faróis, estão me cegando seu imbecil. -ouvi um suspiro desgostoso e então os faróis se apagaram e houve passos antes que braços me cercarem e minha visão se acostumar.

    -Sua pirralha. -ele disse contra meu ombro me espremendo contra seu corpo musculoso. -Pensamos que tinha sido morta. Enrolou tanto tempo para chegar que Jebb quase ficou louco.

    -Ei, eu tenho minha própria vida sabia? Não queria fazer parte de uma comunidade ainda. -justifiquei nos separando com um sorriso.

    -E o que faz aqui então? -questionou Stan com uma sobrancelha arqueada, mas um sorriso divertido no rosto.

    -Circunstâncias meu caro, elas mudam toda uma situação. -revirei meus olhos.

    -Isso é muito interessante, Samantha. -disse Kyle atraindo minha atenção para minhas costas de onde ele tirava Daniel do carro com brutalidade. Meus olhos se estreitaram enquanto Daniel aceitava ser conduzido sem resistência. -Porque trouxe um deles?

    -Um buscador. -comentou Ian surpreso. -Você trouxe um buscador com você? -Ian se colocou ao meu lado, mas meus olhos estavam grudados em Kyle que segurava Daniel pela nuca enquanto o meu buscador tinha as mãos levantadas. A arma estava nas mãos de Kyle, junto com a espingarda que ele levava nas costas. -Por que?

    -Solta ele, Kyle. -disse com um tom sério. Kyle arqueou uma sobrancelha.

    -Você veio com um buscador. Não quer que o tratamos com a mesma cortesia que você, não é? -ironizou ele.

    -O carro não tem rastreador. -Daniel afirmou me olhando fixamente. -Vocês ainda estão seguros. -afirmou simplesmente.

    -Solta ele, Kyle. -exigi levantando meu olhar para ele. -Ele está comigo. -Kyle hesitou, mas soltou meu buscador devagar, só para dar uma pancada com a coronha da espingarda. Meus olhos se arregalaram enquanto Daniel caía.

    -Desculpe, Sam. Não podemos correr o risco. -disse Ian com um suspiro. Não lhe dei ouvidos, correndo para Daniel no chão e me ajoelhando ao seu lado para trazer a cabeça dele para meu colo. Não tentei chamá-lo, mas abri seus olhos e quase suspirei de alívio quando notei que o reflexo ainda estava ali, ainda vivo e brilhante. Fechei os olhos e segurei o rosto de Daniel com delicadeza.

    -Que alívio! -levantei a cabeça então para olhar para Kyle que me fitava com interesse. -Nunca faça isso, O’Shea. -adverti com o olhar penetrante. -Nunca mais. Você não sabe as consequências que isso pode trazer. -estendi uma de minhas mãos. -Me dê a arma e me ajude a levá-lo para o carro. Irei para a caverna.

    -Quer levá-lo pra caverna? -questionou Ian levemente surpreso.

    -Ele está brigando com o hospedeiro. -afirmei olhando-o e franzindo o cenho. -Até que eu descubra uma forma que ele consiga se livrar da consciência dele, ele não pode voltar para sua espécie.

    -Peg, pode vir aqui um momento? -disse Ian aumentando a voz enquanto cruzava os braços. Do jipe desceu uma quarta pessoa com tornozelos finos e corpo pequeno e esguio. Os cabelos negros emolduravam um rosto em formato de coração cujo o que se destacam eram os olhos cinzentos com os reflexos já tão comuns. Minhas sobrancelhas se arquearam. -Sam, esta é Peregrina, minha esposa. -disse Ian fazendo meus olhos se arregalaram. -Ela também é uma alma.

    Peregrina se aproximou de Ian com olhos baixos e passos hesitantes.

    -Nunca pensei que você se envolveria com uma alma, O’Shea. -disse voltando meu foco para ele. Kyle se deslocou para meu lado perto de Daniel.

    -Eu também me casei com uma. -afirmou Kyle entregando a arma para mim e ajeitando a espingarda nas costas. -O nome dela é Sunny.

    Agora eu estava surpresa.

    -Isso é novidade! -Kyle somente deu de ombros e jogou Daniel nos ombros. Dei-lhe um tapa forte na nuca pela brutalidade com que tratou meu buscador.

    -Ei, ele é pesado! -reclamou me lançando um olhar feio enquanto ficávamos de pé.

    -Trate ele assim de novo e não terá filhos, nunca! -Kyle somente bufou e levou Daniel para o jipe. -Onde vocês vão?

    -Buscar suprimentos. -respondeu Ian. -A população na caverna está bem maior que no começo. Descobrimos outro grupo de resistência, mas eles são de Seattle. Também tem contatos com outros espalhados. Estamos crescendo rápido. -ele puxou Peg para si, passando o braço pelos ombros da pequena mulher. -Graças á Peregrina que nos ensinou como retirar as almas dos hospedeiros sem prejudicar nenhum dos lados.

    Meus olhos baixaram para a pequena alma que me encarava timidamente.

    -Sabe como suprimir a consciência de um humano? -os olhos da mulher se arregalaram e ela se voltou para Ian que parecia igualmente surpreso.

    -Porque saberia disso? -questionou com a voz fina que me lembrava muito Pôr do Sol. Desviei o olhar dela para o chão de terra batida e suspirei. -Porque ela quer saber disso?

    -Daniel tem lutado com o hospedeiro dele desde que chegou a terra. -eu voltei a fitar Ian. -E ele não é tipo de ser humano que mereça liberdade, Ian.

    -Acharemos um jeito, Sam. -afirmou meu amigo colocando uma das mãos em meu ombro e dando um aperto caloroso.

    -Ei, princesa. Seu príncipe está na carruagem. -gritou Kyle pendurado no jipe.

    -Nós temos que ir, você se lembra do caminho? -sorri de modo prepotente.

    -É como andar de bicicleta, O’Shea.

    -Esteja aqui ao anoitecer. Vamos precisar de duas picapes. -disse Stan. Assenti com a cabeça seguindo para o carro, até que parei em frente á Peg.

    -Você deve ter passado por umas boas antes de ser aceita, não é mesmo Peregrina? -ela assentiu esboçando um pequeno sorriso. -Você não é uma alma fraca. Meus parabéns.

    Dito isso saí correndo para o lado do motorista recebendo um tapinha nas costas de Kyle.

    -Você também caiu por um deles né? -disse ele com um sorriso divertido. Revirei meus olhos e dei de ombros enquanto percebia Stan colocar as mochilas minha e de Daniel no jipe.

    -Eles não são tão ruins. -lancei um olhar para o banco traseiro onde Daniel estava. -Nós que fomos terríveis para eles.

    -Quem dera eu tivesse essa sua tolerância no começo. Quase matei Jodi quando a encontrei. -meus olhos arregalados se voltaram para Kyle que somente negou com a cabeça. -Ela se chama Sunny. Jodi desapareceu.

    -É bom que você tenha mordido sua língua por tudo o que disse sobre os alienígenas. -ele revirou os olhos e somente bagunçou meus cabelos.

    -É ótimo que você tenha um cara. Estava começando a pensar que era lésbica. -chutei sua canela com força fazendo ele gemer e se afastar mancando. -Deus! Você não mudou seu temperamento.

    -Segura a língua se ainda quiser enfiar ela na boca da sua mulher. -subindo no jipe acenei para os quatro e liguei-o dando a ré e entrando na estrada.

    Como dissera á Ian, era como andar de bicicleta. Todo verão quando menor, tio Jebb me levava àquela caverna, era como nosso lugar especial. Quando minha mãe morreu, encontramos conforto um no outro e foi isso que nos aproximou o suficiente para tio Jebb dividir comigo a única coisa que manteve sempre para si, a caverna.


Notas Finais


Comentários?
Sei que é chato, mas incentiva muito meu trabalho, pessoas ^-^
Obrigada ^^


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