História Rascunho de um romance ruim. - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Reituki, Romance, Yaoi
Visualizações 94
Palavras 6.932
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oie.
Espero que gostem.
Boa leitura ^-^

Capítulo 5 - O garoto pássaro e o garoto casulo.


Fanfic / Fanfiction Rascunho de um romance ruim. - Capítulo 5 - O garoto pássaro e o garoto casulo.

 

 

 

 

Não podia ser.

Não podia ser.

Mas era.

No mesmo ambiente que ele; a Girafa de Chapéu que roubava a atenção de Yuu e não o suficiente, aquele louro do moicano e gestos letárgicos.

O almoço não podia ser pior que aquilo.

Não gostou da comida que pediu sob influência de Kouyou, não sabia o que dizer e sentia-se irritado todas as vezes que seu editor lhe lançava um olhar mortal nas partes da conversa que sabia que ele teria uma frase ácida para dizer.

Estavam sentados em um sofá em formato de L e como Yuu e Kou ocupavam a lateral horizontal, coube a ele e ao enfaixado sentarem-se juntos na outra. Estava quase encurralado por um lado por Yuu e do outro pelo louro estranho que parecia não ter constrangimento algum enquanto ria e conversava normalmente com os outros dois como bons velhos amigos.

Mas Takanori não estava acostumado àquela proximidade e detestava pensar que pareciam dois casais almoçando. Era uma ideia patética, não queria que nenhum deles tivesse essa ideia sobre o que acontecia ali.

Restou a ele calar-se, apenas responder quando era solicitado.

O mais estranho é que o Suzuki não lhe dirigiu a palavra durante momento algum depois daquele “oi” de sorriso reto, como se ele sequer estivesse ali.

Talvez ele não fosse tão sensível quanto Yuu achou que ele era, pois parecia sequer se importar com nada do que havia acontecido.

Takanori evitou olhar para ele, não queria dar a entender que havia mudado de ideia, embora intimamente aquela parte egoísta e egocêntrica dentro dele achasse um pouco ofensivo que ele não houvesse sofrido sequer um pouquinho pelo seu “não”.

Mas logo se conformou, afinal ele era apenas um esquisito, não era um Seiji-senpai nem de longe. O que esperar de um cara como aquele?

Melhor assim.

— Ah, ela é tão ótima! — dizia Uruha-sensei com uma expressão de satisfação sobre algo que Takanori não compreendia o que era.

Ao seu lado ouviu um leve resmungo positivo da parte do louro, sendo completada pela voz jovial e grave dele;

— Ela tem muito talento. Acho que é uma das minhas mangakás favoritas da editora.

Takanori sentiu os lábios sorrirem sarcasticamente. Não era ele o mangaká favorito do punk? Agora era outra pessoa? Estranho...

Bebeu um gole daquele chá ruim que lhe foi oferecido enquanto sentia suas expressões sarcásticas que sequer Yuu pode controlar.

— Mas é claro. — tornou Reita com aquele timbre calmo e levemente bem humorado. — O meu mangaká favorito, todos sabem, que é Sakura Aika...

Takanori quase cuspiu o chá ao ouvir aquilo. Sakura Aika, era ele, é claro.

Foi inevitável não erguer o rosto em direção ao louro e encara-lo pela primeira vez naquele dia nos olhos, depois do choque inicial.

Viu os lábios dele sorrindo de modo satisfeito pela reação e lhe olhando de canto, com uma expressão que não podia ser descrita de outra forma que não fosse sacana, fugindo da frieza habitual.

Sentiu um singelo arrepio diante daquele olhar e abaixou os olhos novamente para o chá que segurava entre as mãos.

— Hm... Obrigado. — disse formalmente de maneira impessoal.

— Kou, podia me ajudar a achar o banheiro? — Yuu disse subitamente se levantando e o encarando.

Kou ficou o olhando por alguns segundos, o rosto inocente sem compreender e só então em um salto assentiu e levantou-se.

— Ah, é claro. — sorriu aos dois. — Já voltamos.

Takanori encarou Yuu com um olhar de desespero e viu um sorrisinho maligno ser direcionado a si sobre o ombro dele, saindo do local com o seu novo mangaká.

Suspirou, incomodado com aquela situação e apertou a cartilagem do nariz, entre os olhos como se aquilo fosse ajuda-lo a se desfazer da tensão.

Ao seu lado, Reita se moveu ligeiramente no sofá e ele o olhou apenas com um olho aberto para descobrir o que ele estaria fazendo, mas estava apenas tirando o casaco de couro.

— Por que está tão nervoso? — disse o louro finalmente.

Sorriu, sem olhar para ele.

— Quem te disse que estou nervoso?

— Parece nervoso para mim. — resmungou naturalmente dando uma mordida no chapati.

— Você adora comer com as mãos, né? Aposto que esse lugar foi ideia sua.

Ouviu a risadinha dele ao seu lado.

— Na verdade o Kou sabe que eu gosto de comida indiana. Acho que ele quis me alegrar um pouco depois que fui deixado na calçada como um idiota esses dias.

Takanori sorriu, amargamente diante daquela provocação.

— Talvez se você fosse mais cauteloso em escolher quem importunar não fosse deixado na calçada como um idiota.

— Sabe... — molhou o pedaço de chapati em seu prato com o frango e curry e o mordeu. — Não foi um dia totalmente perdido aquele.

O mangaká arqueou as sobrancelhas, com desdém enquanto o olhava comer. Ele fazia aquela comida parecer melhor que a que tinha em seu prato, talvez ao fato de comer com prazer.

— Que bom pra você.

— Eu beijei um cara muito difícil, mas que valeu a pena. — ele disse naturalmente dando um gole em seu lassi e suspirando. — E eu acho que ele gostou.

Resmungou, alheiamente.

— Que pretensão...

— Não gostou?

Takanori deu de ombros, como se não estivesse morrendo de vontade de sair correndo dali para encontrar Yuu e mata-lo o atirando daquelas escadas.

— Não pareceu nada de mais. Sequer me recordo.

Grande erro.

Depois que disse aquilo que compreendeu o perigo que havia se metido.

Reita soltou mais uma risadinha e limpou as mãos calmamente no guardanapo, se virando a ele e o encarando fixamente.

— Vamos fazer você se recordar então.

Takanori negou, se afastando, mas foi puxado bruscamente contra ele, dando-se conta que ele vestia uma camiseta preta sem mangas com o emblema do Misfits que deixava seus braços a mostra. Era magro, mas bem torneado e aquilo o fez paralisar ligeiramente.

Os dedos dele que o puxavam pelos ombros machucaram, mas logo as mãos quentes se desculparam ao segurar mais uma vez seu rosto de maneira gentil e ir de encontro aos seus lábios, desta vez suavemente, sem surpresa.

Á princípio apenas um roçar da boca dele contra a sua, depois a língua dele pedindo passagem entre seus lábios cerrados e aquilo fazia uma pequena cocega, o forçando a dar-lhe o que queria mesmo que timidamente.

Sentiu a língua dele de encontro a sua, tinha um gosto ligeiramente cítrico, talvez pela bebida que havia acabado de tomar e pareceu muito mais agradável que aquele chá verde sem graça que tinha com ele.

Deixou que os lábios finos e quentinhos dele ditassem os movimentos, era suave e lento assim como a maioria de seus movimentos, mas logo se intensificou de forma que quando percebeu estava apertando a camiseta dele entre os dedos o puxando contra si.

Sentiu seu lábio inferior ser mordiscado e soltou um gemido baixo, mostrando a ele que também poderia comandar aquele beijo, se inclinando e ditando os movimentos de lábios e língua, sentindo o interior de sua boca e provando que os lábios dele eram realmente gostosos de beijar.

Quando o ar precisou voltar aos seus pulmões se afastou como se houvesse tomado um susto e ficou o encarando, ligeiramente ofegante sentindo seus lábios inchados devido ao atrito, assim como os de Reita que pareciam avermelhados. Agora ele sorria genuinamente feliz.

Takanori passou a mão pelo rosto, desnorteado e estendeu a mão, o barrando de se aproximar outra vez.

— Já chega. Pare com isso. — gemeu.

— Por quê? — pegou a mão depositada em seu peito que o impedia outra aproximação e beijou a ponta de seus dedos com cuidado. — Não gostou?

O mangaká puxou a mão em um único movimento e levantou-se, chocado com aquilo que acabava de acontecer ali.

— Você não entende? Isso não vai dar certo. Você é todo sentimental e eu não. O Yuu parece que preza você, acho que todo mundo te adora e eu não estou a fim de ferrar com você, então podia parar de me provocar?

Reita piscou lentamente, quase letárgico.

— Não é problema seu se vou me magoar ou não. Você gostou, admita.

— É, eu gostei. — rosnou irritado e pegou a bolsa a colocando no ombro. — E dai? Por baixo dessa roupa esquisita e de toda essa aparência bizarra tem um cara atraente que me beijou e meu corpo respondeu a esse estimulo. Grande coisa. Você não significa nada além de lábios gostosos de beijar, eu sinto muito.

Outro rapaz iria ficar zangado, mas ele pareceu não demonstrar emoções enquanto ficava o olhando partir com uma expressão nada além de natural.

Takanori abriu a cortina e passou a andar rapidamente, olhando furiosamente para Yuu e seu novo mangaká que estavam conversando animadamente afastados, próximos à escada.

— Aonde vai, Taka... — disse Yuu, surpreso por vê-lo saindo tão bravo.

— Vá à merda, Yuu. — gemeu a ele, irritado. — Banheiro... Vocês todos são um bando de patéticos.

Viu as expressões de Uruha-sensei se tornar chocada, mas deu as costas descendo as escadas rapidamente. Virou-se e viu o louro do moicano saindo pela cortina com as mãos nos bolsos. Do meio da escada apontou para ele e gritou, fazendo sua voz retumbar pelo silêncio do restaurante;

— Não ouse me seguir! Não ouse!

Virou-se novamente depois de ver o novo casal de patéticos indo de encontro ao louro que parecia muito entediado o olhando partir, agora estático. Estático como da outra vez, para trás com aquela mesma expressão.

Alguns clientes do andar inferior o olhavam como se ele fosse algum tipo de vândalo, mas ele passou reto, sem se importar e bufou até chegar na recepção. Arrancou as chaves das mãos do manobrista e entrou no carro sentindo a raiva que aquele almoço havia o proporcionado.

Assim que deu partida e dirigiu pela rua de volta para casa, sentiu seu corpo levemente dormente.

O que era aquilo? Realmente um maldito complô.

Todos estavam contra ele, isso era culpa de Kai que havia colocado um premio pelo primeiro que conseguisse o seduzir apenas para ele continuar com aquela história sem sentido sobre amor.

Abanou a cabeça, indignado. Era um golpe, na verdade, um golpe terrorista de todos eles e não era como se alguma pessoa se importasse com ele, se importasse caso ele sentisse algo e precisasse de alguém, de amor.

Queriam calar sua boca e faze-lo se apaixonar para exclusivamente desenhar aquela história de amor para que eles lucrassem.

Sentiu lágrimas ofuscando seu campo de visão e as secou com raiva.

Tudo sempre se tratava de lucros, de tirar um pouquinho mais dele como se pudessem tirar sempre mais e mais, até ele estar completamente esgotado.

Queriam um mangaká, o mangaká que rendia rios de dinheiro para a editora e nada além disso.

Sequer Yuu podia respeitar a sua posição, agora ele via.

Yuu não se importava com ele de verdade, não como pensou que se importava.

Yuu era como todos os outros, estava lá para suporta-lo, por que era o único com paciência que podia se submeter aquele trabalho e agora que havia encontrado um outro mangaká melhor que ele e que ainda podia dar-lhe algo como sexo e sabe-se lá o que mais o outro prometia, ele queria desesperadamente o despachar para outro.

Pegue essa droga e tome como sua responsabilidade, eu já tenho coisa melhor para fazer.

Ouviu seus soluços magoados dentro do carro e fechou o teto sobre sua cabeça.

Quem precisa de um conversível quando se está chorando desesperadamente?

 

***

Entrou escondendo os olhos por trás dos óculos escuros e assim que passou pela portaria, viu uma coisa que era endereçada a ele, obviamente.

Era alto, esguio e tinha traços orientais bastante marcados, um rosto bonito com maxilar bem delineado e cabelos castanhos jogados para o lado. Vestia uma camisa branca, com dois botões abertos e a gravata azul que Seiji-senpai usava normalmente.

Sequer prestou atenção às flores e ao chocolate, sem olhar para ele mais de uma vez ou dar a chance que o rapaz abrisse a boca, agarrou sua camisa e o puxou consigo pelo salão de recepção até o elevador de maneira quase furiosa.

O projeto de Seiji-senpai o seguiu, satisfeito.

Dentro do elevador ele não quis escutar nada do que ele teria para dizer, nada faria diferença de qualquer forma.

Fungava olhando diretamente para os pés e quando a porta foi aberta, o puxou novamente até a porta de seu apartamento. A abriu e tirou os sapatos, sem dar a deixa do rapaz dizer qualquer coisa, jogou-o contra a parede e arrancou sua gravata azul com violência.

O rapaz pareceu surpreso, mas logo suas mãos estavam embrenhadas entre os seus cabelos revisando entre sua cintura e seu rosto. Takanori deixou o beijo se tornar tão lascivo quanto possível, sentindo sua mente irritada se deixar levar por o que seu corpo dizia, sem se importar com mais nada além do que sentia naquele momento.

— Nossa... — gemeu o rapaz, surpreso quando foi puxado outra vez sem tempo sequer de tirar os sapatos sendo arremessado no sofá da sala. — Você...

— Cale a boca, Seiji-senpai de Faz de Conta. — Takanori disse com mau humor enquanto abria a camisa branca de uma vez só, fazendo os botões saltarem pela sala.

O rapaz o olhava quase assustado, mas logo gemeu com satisfação quando sentiu os lábios do mangaká devorando seu peito.

Takanori tinha que admitir, ele era perfeito.

Tinha um corpo realmente perfeito assim como seu rosto.

Mordeu-lhe o peito enquanto sua mão tentava arrancar seu cinto, desesperadamente.

— Você é realmente lindo, garoto.

— Matsumoto-san, eu...

— Bleeh, fique quieto.

O celular dentro da bolsa começou a distrai-lo, mas ele não sentia vontade de voltar para o mundo das decepções onde as coisas não eram perfeitas como aquele momento onde um rapaz extremamente bonito — perfeito — estava seminu sobre seu sofá.

— Matsumoto-san, o seu celular...

Bufou irritado e levantou-se, puxando a bolsa e pegando o celular.

Não era ninguém que conhecesse. O desligou.

O garoto o atacou agora, puxando-o para ficar em seu lugar e passou a arrancar suas roupas com afinco.

Quem quer atender a uma droga de telefone em uma situação dessas?

Quando o interfone tocou, Takanori cerrou os olhos e chegou a rosnar de raiva. O garoto sobre ele pareceu apreensivo e largou seus lábios.

— Quer atender? Eu posso esperar e...

— Não! — puxou-o novamente para seus lábios e acomodou-o entre suas pernas, ainda envoltas nas calças embora o rapaz apenas conservasse as roupas de baixo em si.

Apenas quando o punho que batia violentamente em sua porta soou alto o rapaz se pôs em pé, tamanho susto e olhou em direção onde alguém esmurrava a madeira.

— O que está acontecendo? Você está sendo procurado pela policia ou algo assim? — disse o rapaz com uma expressão estupida.

Takanori revirou os olhos e levou as mãos ao rosto, deixando que deslizassem até seus cabelos e suspirou, exausto.

— Espere aqui.

Levantou-se vestido novamente a camiseta e direcionou-se à porta, sabendo perfeitamente que deveria ser Yuu. Ele era o único quem entrava ali sem ser anunciado.

Quando abriu a porta, com força olhou para fora entediado e disse;

— Estou ocupado e...

Mas as palavras ficaram presas em sua garganta outra vez.

Não era Yuu.

— Como você subiu? — disse indignado. — Você está me perseguindo? O que é isso, afinal e...

Sem se importar com ele parado a porta, o sujeito de faixa no rosto olhava sobre o seu ombro com uma expressão que agora sim revelava que ele não era tão frio e inumano quanto parecia.

Era raiva, sim, ele estava com raiva.

Com um gesto apenas afastou Takanori da porta e entrou, como se aquela casa fosse dele. A princípio Takanori achou que ele fosse soquear o rapaz parado no centro da sala que usava apenas cueca e expressões de confusão.

Mas Suzuki abaixou-se e pegou algo entre os dedos, em seguida levantando-se e encarando o sósia de Seiji-senpai. Takanori ficou boquiaberto, não via as expressões do louro por ele estar de costas, mas o rosto do rapaz parecia assustado e ele se sobressaltou quando Suzuki atirou um pedaço de pano azul contra o rosto dele, era a gravata. Em seguida disse em um tom de voz rouco e adulto, cheio de ressentimento;

— Dê o fora daqui.

Obedeceu rapidamente vestindo as roupas e deu uma breve olhadela em Takanori que vinha até a sala e encarava Suzuki com indignação, com as mãos na cintura vendo-o sentado completamente à vontade olhando com curiosidade o sujeito que se vestia a sua frente.

— O que pensa que está fazendo? Essa é a minha casa e esse é o... — Takanori apontou em direção ao rapaz e franziu o cenho. — Quem é você mesmo?

Era um estupido. Era mesmo um estupido aquele sujeito, pois sorriu e fez uma mesura aos dois, como se estivesse participando de uma cena muito confortável.

— Ichiro.

— Esse é Irochi-san. — completou Takanori finalmente.

— Ichiro. — corrigiram Reita e o próprio sujeito em coro.

— Ichiro-san. — tornou Takanori.

Reita sorriu, arqueando as sobrancelhas com desdém e detendo sua atenção ao sujeito que havia terminado de vestir a calça.

— O Ichiro-san. Muito prazer Ichiro-san. — disse calmamente.

— Prazer é meu. — outra reverencia enquanto colocava a camisa sobre os ombros e descobria que ela não tinha mais botões. — Matsumoto-san, eu...

— Ichiro-san. — chamou Reita calmamente.

O sujeito se voltou a ele, fazendo um gesto para ele continuar. O louro sorriu friamente.

— Que parte de “dê o fora” você não entendeu?

— Ah. — assentiu e olhou decepcionado para Takanori, direcionando-se a saída sem dizer mais nada.

O proprietário do apartamento encarava o louro sentado em seu sofá com um misto de indignação e raiva, enquanto ouvia a porta ser fechada pelo garoto que ia embora.

— O que você pensa que está fazendo?

Suzuki o puxou pelo braço o fazendo sentar-se ao seu lado e agora seu rosto parecia magoado, cheio de frustração e acusação.

— Estou te salvando de você mesmo, estou te livrando de uma ressaca moral por trazer um desconhecido para casa e transar com ele por que ficou excitado de estar comigo e não quer admitir que você pode sim sentir algo como qualquer pessoa nesse mundo. Estou te salvando de continuar nesse pedestal de mediocridade que você vive há anos acreditando que se as coisas não forem exatamente como são escritas em um roteiro elas não podem dar certo. Você é covarde e teimoso, mas eu não aguento ver você fazendo isso com esse moleque que sequer quer saber nada sobre você.

Takanori o encarou sem saber o que dizer.

O que era isso em sua vida acontecendo?

Uma perseguição? Ele estava o salvando?

Não era assim que um romance normal se iniciava, não funcionava assim.

Takanori era um dos maiores criadores de histórias de amor, ele sabia como eram os começos, sabia exatamente como criar e desenvolver o amor entre duas pessoas e definitivamente aquela confusão diante si não fazia parte de roteiro algum.

Como poderia aceitar algo assim?

— Você quer me obrigar a gostar de você? — disse em tom mais ponderado, aquele tom que sabia que soava cruel.

— Não. — retrucou enfim, o soltando e suspirando. — Eu não quero que você seja obrigado a gostar de mim.

Takanori assentiu, se encolhendo no sofá e abraçando as pernas ao lado dele.

— E afinal, o que você quer?

Reita pareceu hesitar, mas suspirou e abaixou a cabeça enquanto seus dedos se entrelaçavam sobre as pernas.

— Eu te conheci há uns anos e você estava realmente irritado naquele dia. Você estava com o Yuu e acho que deu algo errado com a gráfica. Eu te vi reclamando que as páginas finais não foram impressas e você estava em pânico. Foi um erro realmente ruim aquele.

— Eu lembro quando isso aconteceu. — balbuciou tentando lembrar onde aquele louro estranho se encaixava naquela história.

Ele soltou um novo suspiro.

— Yuu chamou uma reunião, estava desesperado e eu não fui convidado a participar, sabe que apenas os chefes de sessão participam, mas eu tive uma ideia e assim que pude achei o Yuu e expus a ele que poderíamos colocar aquela ultima pagina onde um pequeno avatar do mangaká encerrava a história com um “continua”. Não parece algo tão incrível, mas foi o que salvou aquela edição. Não precisaram reimprimir tudo.

Takanori se voltou a ele, chocado.

— O avatar... O avatar da garotinha de cabelos rosa foi ideia sua?

Viu Reita assentir com uma expressão branda.

— Sim.

— Por que ninguém nunca me disse isso? — disse chateado. — Eu achei que...

— Você não quis. — disse com um sorriso ligeiramente amargurado. — Naquela época eu tinha a ideia que você era uma pessoa tão doce quanto o material que criava, eu não te conhecia antes daquele problema, achava realmente que era uma garota, mas quando eu te vi eu te achei tão entregue aquele trabalho que quis ajudar. Embora é claro, depois você não tenha achado uma ideia legal conhecer a mim e eu não insisti. O Yuu e eu nos aproximamos desde aquele dia e passamos a ser amigos. Sempre que possível eu perguntava a ele coisas sobre você e pude compreender muito de quem você era.

— Reita...

— Você me pareceu mimado, arrogante, infantil, mau humorado e cínico. — afirmou suavemente. Não soava como uma acusação, era apenas sua visão sobre ele. --- Mas havia algo mais, você parecia extremamente solitário todas as vezes que entrava naquela editora. Quando você estava desenhando, você sequer olhava ao redor. Sabia que eu estive aqui, exatamente aqui ajudando com a fonte naquela vez que a edição do Yuu não passou pelo Kai?

Aquilo não era possível. Takanori saberia que um sujeito com uma faixa no rosto esteve em seu apartamento. Isso não era possível. Reita era extravagante o suficiente para ser percebido onde quer que fosse.

— Não tem como eu não ter visto você uma vez aqui...

— Mais de uma vez. — acenou com a cabeça com um sorriso de canto. — Não era minha função, mas quando dava problema eu vinha com seus assistentes e ajudava. Sempre quando a situação era critica de mais. Você nunca percebeu.

Aquilo soava cruel e terrível de mais para Takanori. Estaria ele realmente vivendo em outro mundo que sequer percebia as coisas ao seu redor? Como esteve vivendo nesses últimos anos?

— Isso é impossível. — sussurrou.

— Não é. Você estava exausto, fisicamente esgotado e tudo o que via era o Seiji-senpai, queria terminar logo. Não o culpo por isso...  Eu sempre te achei uma gracinha. — sorriu e deu os ombros. — Mas você não é apenas uma “gracinha” pra mim, eu te conheço muito bem por que eu estive com você nos piores dias e nunca quis chamar a sua atenção por que não era o momento. Eu não sou mais uma dessas pessoas que julgam você pelas aparências, ironicamente do mesmo modo que você as julga. Não me importo que você seja essa pessoa irritante que você é. Eu gosto de você exatamente assim, eu não quero um Uchi. Eu quero você.

Takanori sentiu seu peito subindo e descendo mais rapidamente, por baixo seu coração batia levemente acelerado e sabia que seu nariz estava começando a ficar vermelho.

— Por que está mentindo desse jeito? — balbuciou sem sequer compreender por que disse aquilo, afinal, não havia por que ele estar mentindo.

Reita sorriu com aquele sorriso reto e estendeu a mão, tocando em seu rosto com a ponta dos dedos.

— Eu te amo, há muito tempo já eu te amo. Mas nunca vi oportunidade de me aproximar. Não havia oportunidade, pois tudo o que você queria era o Seiji-senpai ou pelo menos o mais próximo disso. Quando você anunciou que não iria mais desenhar esse mangá... Você tem ideia do quão feliz eu fiquei?

Aquilo o pegou de surpresa, ergueu o rosto chocado e o fitou boquiaberto.

Para Takanori era inconcebível que uma pessoa declarasse “eu te amo” assim, sem constrangimento algum. O “eu te amo” era uma frase clichê que fazia parte de seu universo de fantasia, mas na realidade ele não saberia definir se soava artificial ou extremamente assombroso.

Principalmente vindo daquela pessoa que mal conhecia e sabia tanto sobre ele, mas o que mais o incomodava era o fato de Reita parecer tão firme, tão adulto seguro do que dizia.

Quando conseguiu achar palavras para dizer, o que saiu de seus lábios foi;

— O que?

— Eu odeio True Love Story of Uchi, Takanori. — disse como se aquilo estivesse preso a sua garganta por tanto tempo que soou como uma confissão aliviada. — Eu odeio o Seiji-senpai, nossa, como eu odeio ele. Eu odeio, odeio, odeio ele.

Takanori franziu o cenho, quase magoado com aquela frase, mas nada disse.

Odiar o Seiji-senpai era como odiar parte sua, odiar sua idealização, odiar o que ele amava e odiava.

Reita uniu as mãos, com os braços apoiados nos joelhos afastados enquanto sua postura ereta no sofá parecia maior. Parecia que era um momento de confissão para ele, algo que sempre quis dizer e por esse motivo Takanori se deixou escutar.

— Eu odeio como esse pedaço idiota de papel parece ter te seduzido a ponto de você achar que se não for daquela maneira o amor ele simplesmente não existe. O amor existe de infinitas maneiras, Takanori, infinitas maneiras. Odeio como você se sente indigno de amor por não ser um Uchi, odeio como ele te absorveu. Odeio que seja por causa dele que você se envolve em todas essas relações rasas e esteja sempre tão triste. Odeio tanto esse mangá como seria possível odiar uma pessoa que faz mal a você.

Agora Takanori compreendia.

Parte sua odiava Seiji-senpai também. Parte sua queria gritar que o odiava por ele não ser real, e se fosse provavelmente o odiaria por ser tão perfeito e era provável que se cansasse dele. O odiava também.

Ficou observando o semblante do louro se tornar quase infantil de tanta magoa.

Sentia-se culpado por fazer aquilo com alguém que o conhecia tão bem enquanto ele sequer tinha noção de quem estava ao seu redor. Não era assim com os outros mangakás, por que ele teve que ser absorvido daquela forma? Sem poder diferenciar a realidade da fantasia, transportando-se para dentro de um papel, vivendo lá e negligenciando as pessoas ao seu redor, negligenciando as coisas realmente importantes.

— Eu não te ignorei por que sou mal. — gemeu, com um suspiro. — Eu não fiz de proposito, sabe? Imagino que tenha sofrido por mim, sei que nem mereço isso, mas não me sinto feliz por causar isso em você. Eu só... Me desculpe.

Suzuki virou o rosto lentamente e abanou a cabeça, com um ligeiro sorriso de compreensão.

— Não se preocupe comigo. Mas respondendo ao que me perguntou antes, sobre o que eu quero afinal com você, bem, eu realmente não quero te obrigar a gostar de mim. Isso seria bem ruim, não é isso.

— O que você quer de mim então, Akira? — sentiu sua última barreira de intimidade se quebrar ao dizer o nome dele daquela forma. Akira. Era o seu nome, afinal, mas por que parecia tão intimo e agradável? — O que você espera de mim a essa altura?

— Quero que me permita competir com ele. É só isso que eu quero. Você me permite competir com o Seiji-senpai?

Aquilo era tão absurdo que Takanori não soube como responder, encarou o tapete da sala e levou as mãos aos cabelos, depositando-as ali e remexendo nos fios castanhos.

— Isso é loucura.

— E dai? A vida é uma loucura sem roteiro algum, isso que torna divertido. Você me deixa competir com ele? Eu posso te provar que posso ser diferente da sua idealização, mas eu te amo tanto exatamente do jeito que você é, sem exigir que você seja um Uchi idiota. Eu posso te provar que posso superar aquele bobão do senpai.

Takanori riu, era tão absurdo e a frase dele tão cheia de magoa que mesmo tristemente não pode deixar de sorrir. Cobriu os olhos com a mão e quando tornou a fita-lo viu toda a verdade sobre os sentimentos que ele prometia ali, a sua frente.

Não haviam estrelas ao redor do louro, seus olhos não brilhavam como em um encarte e sua voz não era como a de um dublador, mas não pode deixar de perceber aquela inquietação dentro de si ao escutar pela primeira vez na vida que alguém o amava como ele era, que alguém o amava depois de ver seu pior lado.

— Você quer competir com um personagem, tem ideia de como isso soa bizarro? — permitiu-se dizer com um sorriso mais desarmado.

Reita sorriu também e deu os ombros.

— Minha única magoa é não poder dar uns socos nele.

— Você é violento então. — brincou.

— Não... Entro em brigas de bar apenas umas quatro vezes por semana e tenho confrontos com a policia apenas nos finais de semana. — respondeu naquele mesmo tom descontraído.

Takanori riu novamente e percebeu como isso fazia o rosto do louro se tornar mais relaxado.

— Você é persistente. — disse enquanto o analisava melhor, sentindo que o modo que era encarado lhe rendia sensações cujo ele não estava acostumado a lidar. — Digamos que eu diga que sim, mas que tenho condições, o que você acharia?

Um suspiro longo de alivio saiu dos lábios sorridentes do punk que assentiu sem pensar duas vezes.

— O que você quer?

— Posso ver o seu rosto sem essa faixa?

Suzuki riu, como se fosse a ultima coisa que poderia imaginar que ele pediria.

— Pode. — levou as mãos à nuca para desamarrar o nó que a prendia e resolveu deixa-la lá. — Quer ver agora?

— Quero.

— Então tira.

Ele se inclinou para frente a fim do nó ficar mais exposto, mas não deu as costas ao mangaká, gostaria muito de ver o rosto dele mais próximo ao seu, seus braços passando ao redor de seu pescoço.

E foi exatamente o que ele fez. Inclinou-se, concentrado em tatear a faixa e depositou os braços nos ombros do louro que fez uma careta quando seus cabelos foram puxados ligeiramente devido aos dedos se atrapalharem na tarefa.

Quando o nó ficou solto, Takanori apenas puxou a faixa e ela veio parar em suas mãos facilmente. Com uma expectativa estranha levantou os olhos para ele e o viu extremamente sério.

— Booo! — disse o louro.

— Olhe, você tem um nariz. — sorriu e o encarou achando que ele ficava bastante diferente sem a faixa. Tinha um nariz pequeninho, talvez o louro não gostasse dele por lhe tirar aquele ar frio e durão, fazendo com que seu rosto se tornasse harmoniosamente infantil. Mas era um nariz muito bonitinho, a seu ver. — É estranho te ver sem ela. Poxa.

Reita riu, divertido.

— É a primeira vez que escuto que eu fico estranho sem a faixa. — deixou seus dedos irem parar naturalmente nos cabelos castanhos do mangaká e se misturarem aos fios, fazendo carinho na nuca como se fosse ali que sua mão sempre houvesse pertencido. — Quer que eu a coloque de volta?

— Não. --- ronronou sentindo os dedos carinhosos dele fazendo caricias em sua nuca. — Me deixe dar mais uma olhada para o seu Narizinho Oculto.

Reita riu daquele comentário, o encarando atentamente.

Como se fosse inacreditável as expressões do mangaká se desfizeram em um bico de conforto devido ao carinho na nuca e ele gemeu prazerosamente. Reita ficou observando aquelas expressões como se quisesse gravar em sua memoria, satisfeito por ser ele o causador das sensações relaxadas que alguém tão tenso e arredio como Takanori sentia.

— Acho que descobri seu ponto fraco.

— Sim... — gemeu com os olhos fechados, quase se deixando cair sobre ele enquanto sentia as caricias em sua nuca. — Você tem mãos boas.

— Você ainda não viu nada.

Takanori abriu os olhos rapidamente o olhando e vendo que não era apenas de inexpressividade, magoa e palhaçadas que o sujeito — agora sem faixa — era feito. Ele sabia olha-lo com desejo também e pelo que via, era muito.

Sentiu-se quase constrangido, sem compreender por que se sentia assim.

Há poucos minutos estava arrancando as roupas de um desconhecido e agora apenas a simples menção maliciosa de uma insinuação o fazia sentir-se perdido.

Não era um virgenzinho que corava diante de uma frase como aquele, não era como Uchi de seu mangá, tinha vinte e sete anos e uma boa carga de experiência sexual para sentir-se constrangido com aquilo, então por que aquele louro o deixava sempre tão desconfortável ao mesmo tempo em que se sentindo ansioso e na expectativa como se algo estivesse prestes a acontecer?

Talvez, como ele havia dito, por que não houvesse um roteiro quando estavam juntos.

— Sei cozinhar. — remendou o louro visivelmente divertido com as expressões constrangidas do mangaká. — Sou bom com edições de mangá, até mesmo desenho muito bem. Não o bastante para trabalhar com isso, mas me arrisco. Toco alguns instrumentos de cordas sem ser aéreos e faço massagens tão bem que ganhei um premio, certa vez, como o maior massagista do Japão.

Takanori franziu o cenho e o encarou, surpreso.

— Sério?

— Não. — riu-se diante a confusão dele. — Isto é, na parte do premio, mas o resto é verdade.

— Você desenha também? — pareceu chateado quando a mão dele voltou para o lugar, em seu colo, talvez por estar cansada de estar naquela posição.

— Uhum. Quando entrei na editora esperava poder desenhar para viver, mas a rotina é muito exaustiva, eu não saberia lidar com isso. Melhor fazer o que sei que é interpretar as ideias dos outros e as vender.

Takanori sorriu, sarcástico.

— Você não gostaria de interpretar as suas próprias ideias e as vender? Não parece mais divertido?

— Não tenho ideias muito boas, pelo menos não acho que elas venderiam tão bem quanto as outras.

Takanori sorriu, divertido com o fato dele ser tão humano quanto qualquer pessoa e possuir algum tipo de sonho escondido em seu interior, tinha falhas como a si próprio, não era aquele muro rijo de determinação e autocontrole.

Soava egoísta estar satisfeito por perceber frustrações em alguém, mas era assim que ele era.

— Me conta uma delas.

— Não... — esquivou-se com um sorriso quadrado, como se estivesse muito nervoso com aquela insinuação.

— Não seja bobo, conte logo.

— Tem noção do quanto é difícil expor ideias amadoras para um mangaká famoso quanto você?

Takanori deixou sua mão deslizar pelo braço dele, casualmente como se sentisse uma pequena vontade de toca-lo e isso fez o louro olhar o gesto com um sorriso singelo no rosto atento.

— Não sou um mangaká famoso o tempo todo. Ás vezes sou só o Takanori.

— Agora é o Takanori?

— Sou.

Ele assentiu, sem poder resistir aquele pedido e suspirou, rendido.

— Então... É assim... Meu esboço favorito de um mangá eu desenhei há pouco tempo, um ano e meio atrás, acho. É sobre um garoto que era meio-pássaro e ele sentia-se frustrado por não poder voar porque não tinha asas. Era um mundo onde todas as pessoas eram meio animais, sabe, mas as outras tinham suas características animais para usufruírem. Tinha uma garota meio-gato e ela enxergava no escuro, tinha um garoto meio-leopardo e ele podia correr como o vento. Apenas o garoto meio-pássaro não tinha suas asas. Ele tinha um bico e cabelos estranhos. Nada mais.

Takanori escorou o rosto na mão que apoiava no encosto do sofá, encolhendo-se mais próximo dele e analisando como aquela historia parecia ser bastante pessoal.

Pelo menos ele o via como um garoto-pássaro.

— Que droga. — comentou.

— É. — Reita assentiu mordiscando o lábio inferior, pensativo. — Ele cantava muito bem, também, mas não voava. As outras pessoas debochavam dele, e isso o incomodava um pouco, então ele conheceu um garoto. Ele era estranho e sem característica alguma, apenas de se isolar, talvez. Sentiu-se atraído por uma pessoa que era como ele, tão infeliz quanto ele e os dois se tornaram bons amigos. Por algum tempo o garoto pássaro esqueceu-se de sua deficiência de não ter asas e sentiu-se feliz com seu novo amigo, mas em breve o garoto-isolado começou a se isolar dele também e o garoto-pássaro voltou a ficar sozinho. O garoto-isolado se isolou completamente, como se houvesse criado um novo muro de resistência.

Takanori piscou lentamente, aquele sujeito era realmente sensível, mais sensível que podia imaginar e isso o assustava um pouco. Percebia que ele tinha medo de ficar sozinho, muito medo e isso o fez sentir-se mais atraído a ele, pelo fato de se identificar totalmente a sua solidão, ao seu medo.

— O que aconteceu então? — ousou perguntar com receio de um final triste.

Reita sorriu.

— O garoto-isolado virou um casulo. — o olhou com vergonha de sua ideia e deu de ombros. — Ele literalmente construiu um casulo e entrou para dentro e quando o garoto-pássaro o encontrou ele estava saindo de lá, com longas e belas asas de borboleta. Ele não o ignorou por que não gostava dele ou por que era mal, era apenas parte de sua natureza, parte daquela fase de sua vida. Agora com asas, ele sentia-se completo e isso o fez sentir seguro para se reaproximar do garoto-pássaro outra vez. Então eles voaram em direção ao sol.

Takanori sentiu os lábios entreabertos de surpresa.

Ele era realmente sensível, como ele poderia ser tão sensível? Tinha um modo bobo e estranho, mas como alguém poderia ser daquele modo?

O observando era apenas um maluco com expressões frias, mas era capaz de dizer coisas como “eu te amo” e criar histórias bobas, mas carregadas de sensibilidade como aquela.  

Não imaginava que houvessem pessoas como ele. Julgava que todas as pessoas que criavam relatos sentimentais fossem como a si próprio; amargos e automáticos, criando emoções que jamais sentiram sem sequer se importar com isso, desejando ansiosamente que aquelas palavras e imagens bonitas que criavam se tornasse seu mundo, mas a sua frente estava um garoto pássaro que não havia desistido de encontrar suas asas, nem que para isso precisasse lidar com um garoto casulo, pois apostava que um dia ele pudesse sair dele.

— O que foi? — Reita gemeu, sorrindo constrangido. — Eu sei, é uma história muito boba e eu...

Não pode resistir ao ato involuntário do seu corpo e jogou-se contra ele, pela primeira vez o tocando por vontade própria. Sentindo os cabelos louros macios contra os seus dedos, a pele suave que já havia provado de seus lábios e o ouvindo gemer baixinho de surpresa.

Takanori o beijou ternamente de uma forma que sequer sabia ser possível.

Em seu mundo imaginário não era comum Uchi se jogar contra Seiji daquela forma tão ansiosa, não era comum Uchi se agarrar a Seiji e guiar o beijo e sequer era comum o próprio Seiji parecer tão disponível, tão entregue e emocionado com um simples beijo.

Não era assim que romances funcionam, mas ali na realidade, sentia seu coração batendo acelerado como jamais havia batido antes por o ouvir soltar baixos gemidos de satisfação ao contornar seu corpo com os braços, em uma ânsia carinhosa e traze-lo para seu colo facilmente.

Não era apenas desejo, Reita não estava desesperado para arrancar suas roupas e devora-lo, era diferente. A mão em seu rosto que o acariciava como se para ter certeza que era ele mesmo ali consigo, os lábios lentamente se movendo para acompanhar os seus como em uma dança muito intima, seus dedos voltando a sua nuca a acariciando como se soubesse o quanto ele gostava de ser tocado ali.

Era cuidado.

E não apenas cuidado por ele ter uma personalidade gentil e doce como várias pessoas haviam lhe dito.

Ele é um amor de garoto”, havia dito Kai.

 “Ele tem um coração enorme”, contou-lhe Yuu.

Mas agora, com aquele rapaz tão diferente e ao mesmo tempo tão obviamente complexo que contrastava ao rapaz que bateu em seu carro, subiu em uma cadeira em pleno restaurante, Takanori descobriu o quanto seu Seiji-senpai era falho e fútil.

Seiji-senpai apenas era mortalmente atraente e sedutor, educado e  cheio de frases românticas e provocadoras, mas jamais iria possuir o calor que aqueles braços possuíam, jamais iria amar alguém tão cheio de falhas quanto o seu criador.

Quando o beijo foi quebrado, deixou seu nariz tocar ao dele, vendo quanto as expressões do louro pareciam perdidas, perplexas.

— Você me beijou. — ele sussurrou como se isso não fizesse parte de seus planos, ao mesmo tempo em que parecia deixa-lo eufórico. — Você quis me beijar e você me beijou.

Takanori deixou sua mão acariciar o rosto macio dele com a ponta dos dedos enquanto olhava nos olhos escuros do rapaz que parecia perdido.

— A sua história é adorável. Assim como você.

— O que? — franziu o cenho, sem poder acreditar naquilo que ouvia.

— Você tem todo o direito de competir com o bobão do Seiji, acho que você já ganhou dele, na verdade, mas tem alguém pior que você vai precisar lidar.

Reita se afastou para poder encara-lo melhor e piscou aturdido, não era possível possuir outra pessoa em seu caminho para o coração — duro e fechado, mas havia um coração — do mangaká.

— Quem? — ousou pronunciar.

— Eu. — Takanori suspirou. — Acho que eu... Eu não sei amar e gostaria de ir com calma, eu não acredito no amor, Reita, vou ser franco com você e não sei se poderia realmente amar alguém, mas se você acha que essa coisa existe mesmo... Se você pode sentir, eu acho que... Eu acho que não me importaria se você me ensinasse. Pode ser um plano patético e ridículo, uma decisão tomada em um momento impulsivo que talvez eu me arrependa muitas vezes, mas... Mas seria legal voar em direção ao sol... com você.

Seiji-senpai não iria ficar com aquela expressão chocada, congelada. Seiji-senpai não iria desabar em lágrimas como o louro fez, tecnicamente não era assim que os “semes” se comportavam.

Mas ali, com aquele louro cheio de facetas que agora mostrava um lado que chorava descaradamente, deixando as lágrimas correrem de seus olhinhos escuros e buscava seus lábios daquele modo tão doce, Seiji-senpai era a coisa que menos importava no momento.


Notas Finais


A fanart é tão bonitinha, mas não lembro de onde peguei, porem não é minha. Só pra esclarecer D:
A historinha que o Rei-chan contou pro Taka sim, escrevi na hora ali, portanto não tem referencia.

Eai estão curtindo? :)


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