História Razão e Sensibilidade - Capítulo 48


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chicago P.D.
Tags Chicago Med, Hospital, Reese, Rhodes
Visualizações 11
Palavras 2.196
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 48 - Três balas


Por mais que a ideia de Dr. Charles perdendo seu emprego não me trouxesse paz alguma, a noite na qual descobrimos a verdade sobre seu envolvimento na morte de Downey foi a primeira em que consegui ter uma boa noite de sono, ou pelo menos algo perto disso. No dia seguinte, quando finalmente consegui conversar objetivamente com Naomi, Goodwin e outras pessoas envolvidas sobre o caso, descobri que Dr. Charles foi afastado do hospital, mas que devido à carta deixada por Downey há uma pequena possibilidade de que ele não seja demitido, contato que o conselho de medicina não decida caçar sua licença. Naomi me lembrou que são dois processos diferentes que ele precisará enfrentar, um civil e outro direto com o conselho de ética médica.

Inicialmente, a ideia de Donwey pedindo a Charles para deixá-lo ir não fazia muito sentido para mim. Claro que Donwey e ele sempre foram bons amigos, aquele tipo de amizade baseada na troca de provocações, mas que sempre terminava com boas gargalhadas. Sempre que Donwey precisa de uma consulta de Charles, ou o contrário, eu assistia a troca de farpas, os tapas nas costas cheios de camaradagem. E então, aos poucos, fui me lembrando de outras coisas. De quando Charles falou sobre a ex-mulher de Downey e a sua esposa terem sido colegas, de tê-los encontrado conversando baixinho em alguns momento na sala de Downey, do modo como Dr. Charles falou sobre o amigo no memorial.

—Esse telefone é terrível. – Sarah diz. Encaro-a sorrindo. – Ok, sinto muito. É um bom telefone, mas eu sinto falta do meu.

—Vamos comprar outro amanhã, e talvez da próxima vez você não coloque ele para lavar junto com a roupa. – Digo sorrindo.

—Você estava tão concentrado. No que estava pensando? – Ela me pergunta espantando meus pensamentos. – Dr. Charles?

—Estou. – Confesso. – Nele, em Downey. Não consigo parar de pensar nisso.

—Eu também não consigo. – Ela diz passando a mão na minha nuca. – Estou um pouco em conflito porque eu não sei o quão ruim parece se eu disser que estou aliviada. –Estamos dentro do carro, entrando no hospital, no meu primeiro dia de volta depois da confissão de Downey. Já passa do meio dia, mas eu tive que ir na delegacia e Sarah fez questão de me acompanhar.

—Eu também estou aliviado. – Confesso. – Eu não queria estar, mas estou.

Estaciono o carro e caminhamos juntos em direção ao hospital.

—Animado por estar de volta? – Ela pergunta.

—Eu tenho um chefe novo que não conheço, mais de uma semana longe dos meus pacientes... eu acho que animado não é palavra certa, mas eu estou feliz de poder estar aqui. –percebo uma leve mudança na expressão de Sarah, ela parece preocupada com algo, então paro de andar e... – Vem aqui. – Digo passando minha mão pela sua cintura. – Eu disse alguma coisa errada?

—Não... não é isso. É que... eu estou aliviada Connor. Eu estou muito aliviada... eu sei que eu disse que você deveria me contar tudo e eu insisti para saber... mas saber a verdade me deixou morrendo de medo... eu não estou dizendo que você deve começar a me esconder coisas novamente... eu só quero te contar como me senti.

—Ei, tá tudo bem. Nós dois estamos bem. Estamos juntos. O que mais importa?

—Eu posso te contar algo idiota? Algo que eu estava sentido?

—Meu amor, nada que venha de você pode ser idiota. Eu já assumi esse papel na nossa relação, não esqueça disso. – Afirmo tentando animá-la.

—Eu estou falando sério Connor. Todo esse tempo, eu estava pensando que você podia perder a sua licença e iria querer ir embora, voltar para um desses países onde o seu trabalho faria toda a diferença.

—Você acha mesmo que eu iria para qualquer lugar do mundo onde você não estivesse? – Pergunto beijando-a. –E eu sei que os últimos meses foram ruins, eu sei que eu te fiz sofrer e se questionar sobre meio milhão de coisas, mas não duvide do quanto eu te amo Sarah.

Escutamos aproximação de uma ambulância e as portas da emergência se abrem. Dr. Choi acompanhando de dois residentes se preparam para receber o paciente. Ele acena a cabeça positivamente ao me ver, sei que esse é o seu modo de dizer “que bom que você está de volta”. Em seguida, ele pede para que Sarah assuma suas rondas.

—Eu preciso te contar uma coisa. – Ela me diz, noto que ela parece tensa, mas a ambulância chega e Etham me pede para ajudar.

—O que? – Pergunto.

 -Não agora. Vamos conversar mais tarde, ok? Vamos sair para jantar. – Ela grita na minha direção enquanto me afasto.

 –Ok, saio às 19h. Eu te amo!

Me aproximo do paciente e começo a examiná-lo. O paramédico nos dá uma breve descrição da situação, o homem tem trinta e dois anos e foi baleado num assalto, um tiro no peito. A hemorragia está sendo controlada pela pressão aplicada por ele, assumo o cuidado com o ferimento.

—Você cuida dele? Eu vou esperar a próxima ambulância. -  Etham pergunta. Aceno positivamente e peço para que uma sala de cirurgia seja preparada imediatamente, peço ainda assistência de um residente.

Assim que realizamos a esternotomia identifico os ferimentos, o disparo atingiu três importantes estruturas do coração, é um milagre que aquele homem ainda esteja vivo, que ainda esteja lutando por sua vida. A bala entrou pelo ventrículo direito, saiu pelo átrio direito e atingiu ainda a veia cava inferior, analisando o caso, não posso deixar de pensar em Downey, ele adoraria isso, ele adorava desafios.

Comecei reparando a veia cava e depois dei atenção aos outros pontos atingidos, a pior parte, que mais demorou, foi a parte posterior do coração, o reparo dos músculos e o ferimento de pólvora

—Dr. Rhodes, acha que ele vai aguentar? – Riley perguntou me encarando.

—Acho que é uma milagre que ele esteja aqui, então tudo pode acontecer. Eu quero que você vá na recepção e procure saber se alguém da família já apareceu, eu vou terminar de fechar e acompanhar a transferência dele para UTI. – Afirmo encarando a loira.

Olho para o relógio e percebo que estou na sala de cirurgia por mais de seis horas, estou com fome. São quase sete horas quando deixo a sala de cirurgia. Estou acompanhado a equipe que transfere o paciente quando um homem se aproxima de mim.

—Dr. Rhodes? – Ele pergunta me encarando. Meus olhos correm para o crachá de identificação, Dr. Isidore Latham.

—Dr. Latham, é um prazer conhece-lo. – Digo esticando a minha mão para cumprimenta-lo. Ele ignora o gesto e me encara, não parece irritado, apenas extremamente objetivo, quase distante da situação.

—Quem lhe deu permissão para operar esse paciente?

—Era uma emergência, ele não teria sobrevido se... – começo a me explicar.

—Eu vou lhe orientar na especialização porque aparentemente eu não tenho escolha, mas isso não significa que você pode fazer o que bem entender no meu departamento, eu sou o chefe da cardiologia agora, não espere que as coisas aconteçam no mesmo modo como aconteciam com Downey.

Passo a mão no rosto tentando me conter,não quero mais causar nenhum tipo de problema.

—Ok. – Respondo. – Não vai se repetir. Agora se me der licença, eu vou acompanhar o meu paciente, porque essa é a única coisa que me importa no momento.

Sigo junto com a equipe e acompanho enquanto o paciente é colocado na UTI, confiro os sinais vitais e me sinto confiante.

—A esposa de Leonard está aqui, na recepção. O senhor vai falar com ela? – Riley pergunta me abordando assim que saio da sala.

—Claro. – Respondo.

—Ok, o nome dela é Zoe, está com duas crianças pequenas.

—Tudo bem. Railly, eu preciso que você coma alguma coisa e fique com o paciente na UTI.

—Pode deixar! – Ela afirma sorridente.

Sigo para falar com a esposa do paciente e aproveito para chegar meu telefone, entre outras, há uma mensagem de Sarah “Jantar as 19h30?”, dou um sorriso e respondo com um “Claro. 19h30, te encontro na estação de enfermagem”

Entro na recepção e procuro pela mulher descrita por Railly, é fácil encontrar alguém que está esperando por uma cirurgia crítica, a mulher está sentada com as duas mãos juntas, como se rezasse em silencio, ainda assim, seus olhos estão abertos, viajando os filhos como uma águia, um deles, o maior, está sentado ao lado dela, o outro brinca despreocupado com um pequeno barco de madeira.

—Zoe? – Pergunto. Ela fica de pé de imediato e acena a cabeça positivamente. – Meu nome é Rhodes, eu sou o cirurgião que cuidou do seu marido.

—Como ele está?

—O quadro é complicado, mas eu estou confiante. – Confesso. – Ele acabou de sair da cirurgia e está na UTI...

—Posso vê-lo?

—Apenas pelo lado de fora da sala, pelo menos por enquanto, mas se tudo correr bem, vamos transferí-lo para um quarto amanhã mesmo.

—Ele vai ficar bem? Ele vai poder trabalhar?

—Vamos nos concentrar em uma coisa de cada vez, mas não existem possibilidades de sequelas motoras.

Caminho com a mulher até a frente da Unidade de tratamento intensivo, e ela pode ver o marido pelas portas de vidro. Explico a ela a complexidade dos ferimentos e conto que nunca vi um caso parecido com o dele, nunca vi ninguém nem mesmo chegar vivo na sala de cirurgia com um quadro como o dele.

—O papai vai ficar bem? – O garoto mais velho pergunta. Ele parece ter uns cinco anos.

—Claro que vai! – A mulher responde. O menino me encara como se esperasse uma resposta da minha boca. Coloco a mão em seu ombro e o encaro.

—O seu pai é um dos homens mais fortes que eu já vi. Ele está lutando bravamente para voltar para vocês.

Continuo conversando com eles por um tempo e então sigo para me trocar. Meu telefone vibra e confiro outra mensagem de Sarah “Te encontro no estacionamento”. Já estou pronto para sair quando sou novamente bipado por April.

—Você viu a Sarah? – Ela pergunta.

—Ela está aqui, estamos saindo agora para jantar.

—Estou ligando tem um bom tempo, mas ela não atende.

—Ela derrubou o telefone na máquina de lavar. Está usando um antigo aparelho meu, outro número. – Respondo.

—Eu tentei bipá-la também. – Ela afirma parecendo nervosa.

—April, aconteceu alguma coisa?

—Aconteceu sim. A Sarah me deu uns números de acesso de pessoas que olharam a pasta de Downey e que poderiam ter feito a denuncia para a policia.

—Como ela conseguiu...

—Isso não importa agora. O que importa é que a pessoa responsável por isso foi o Joey.

—Joey?

—É! E eu fiquei pensando... o que mais ele pode fazer...

A pergunta é como um soco no meu estômago, saio correndo pelo hospital em direção ao estacionamento, ouço April falar, mas ignoro, apenas corro. Assim que me aproximo do meu carro vejo a pior cena possível. Joey está em pé, atrás de Sarah, segurando-a com um só braço, uma arma apontada para a lateral do seu corpo.

—Achei que você não vinha Dr. Rhodes. – Ele diz. Joey parece descontrolado.

—Joey! O que você está fazendo? Solte a Sarah, por favor. – Grito.

—Eu vou fazer isso, mas primeiro as três balas vão ganhar destino, mas não se preocupe, nenhuma delas é para você, somos só nós, você fica de fora dessa vez. Quero que experimente a sensação de ter algo tomado de você pelo menos uma vez na vida.

—Eu sinto muito... eu sinto muito. – Sarah diz. – Mas, por favor, não faça isso, não atire. – Sarah diz. – Connor... – ouvi-la suplicar me deixa ainda mais desesperado, faz com que eu me sinta impotente.

—Joey...vamos conversar... – Digo tentando me aproximar.

—Nem mais um passo. – Ele avisa pressionando a arma contra Sarah.

—Você deveria me matar.  – Digo. – Deixe a Sarah ir, isso resolve tudo. Eu sou o culpado. – Afirmo.

—Não! Connor... não! – Sarah diz soluçando.

—Está tudo bem querida. – Falo olhando em seus olhos. – Isso faz sentido. Joey, pense bem, você não vai querer matar a Sarah, fui eu, eu dei encima dela... eu que a roubei de você... – Me esforço para tirar meus olhos de Sarah e encará-lo.   - Você deixa ela ir e me mata, não é melhor assim? Pense no quanto ela vai sofrer se você me matar.

—Você acha que eu sou idiota? Claro que acha! Você achou quando ficou com a Sarah, quando jogou seu charme para ela pelas minhas costas... eu estou cansado de gente como você, que acha que pode ter o que quiser, quem quiser... sem nunca pagar por isso. Eu suportei pessoas como você a minha vida inteira, na escola, na universidade e eu achei que isso nunca mais aconteceria até que você apareceu... e agora você vai aprender que não pode ter tudo. Abra o carro. – ele grita na minha direção, abra o carro e entre nele, deixe as chaves encima, sente no banco do motorista.

Faço o que ele pede. Observo enquanto Joey caminha com Sarah até o lado do carona e bate com a arma em sua cabeça fazendo-a cair no chão desacordada. 

—Não se mova! – Ele diz apontando a arma para mim. – Você conseguiu o que queria, ela vai viver. Agora dirija. – Ele diz me passando as chaves do carro.  



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