História Razão e Sensibilidade - Capítulo 49


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chicago P.D.
Tags Chicago Med, Hospital, Reese, Rhodes
Visualizações 19
Palavras 2.163
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 49 - Joey


Estou andando pelo pequeno caminho cercado de grama verde, tão verde que contrasta pesadamente contra o cinza predominante. E até mesmo o sol parece ter decidido se esconder, além disso, está tão silencioso que eu posso ouvir o som dos meus sapatos contra o concreto. Escuto uma risada, um riso leve, ele está parado em frente ao mármore, é impossível não notar as semelhanças entre eles, quase consigo me sentir bem, mas vejo o nome gravado na placa dourada e sou acertada com uma dor indescritível: “Connor Rhodes”, e então tudo some.

—Sarah! Sarah! – A voz de April me chama. Abro os olhos, estou no chão do estacionamento, Will está ajoelhado ao meu lado, me examinando, afasto suas mãos e tento me levantar, mas estou fraca demais para isso, minhas pernas tremem, posso também sentir um pouco de sangue escorrendo pela minha testa, mas não me importo, a arma que Joey apontava para mim, a imagem de Connor entrando no carro, é só nisso que eu consigo pensar no momento.

—Joey... Joey levou Connor! – Grito. – Ele vai matá-lo. -As lágrimas começam a rolar pelo meu rosto. –Eu preciso fazer alguma coisa, precisamos ligar para polícia.

—Tudo bem querida. – April diz. – Will já ligou para Jay, eles já estão procurando por Connor. Tente ficar calma. – Ela afirma.

Não se preocupe, vão encontrá-los. – Will diz. – Agora venha aqui. - ele fala me ajudando a ficar de pé, você precisa entrar e ser examinada.

—Eu estou bem. Eu preciso ir atrás deles. Você deu a placa do carro de Connor? Descreveu? Ele não pode morrer, não pode... - Digo caindo no choro.

—Jay me disse que podem rastrear o telefone dele. Você precisa ficar calma.

—Calma? – Pergunto irritada. – Você não o viu, vocês não o viram... Joey está descontrolado ele vai matar o Connor, ele vai matá-lo e é tudo culpa minha.

Não consigo esquecer o sonho, alucinação ou qualquer que tenha sido aquilo que meu inconsciente havia enviado enquanto estava desacordada, não consigo deixar o nome de Connor gravado numa pedra qualquer.

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—Por quê? – Pergunto enquanto dirijo. Não é a primeira vez que alguém aponta uma arma contra a minha cabeça, no oriente médio, algumas vezes, realizei atendimentos sob a mira de uma arma. A diferença é que eu podia entender as motivações daquelas pessoas. Eram homens que tinham perdido tudo, que não conheciam linguagem alguma além da linguagem da violência e no fundo eu sabia que só precisava colaborar, que nenhum mal me aconteceria, contanto que eu fizesse o meu trabalho. Aprendi com elas a não culpar alguém que devolve ao mundo aquilo que recebe, mas não era a mesma coisa com Joey. Era? Caso contrário, como ele foi capaz de fingir por todo esse tempo? – Por que você está fazendo isso?

—Você é inteligente, tenho certeza que pode entender o porquê. Mas eu vou tentar refrescar a sua mente... primeiro você roubou a minha noiva – sinto vontade de dizer que Sarah nunca foi noiva de Joey, mas também tenho experiência o suficiente para saber que você nunca deve tentar dar uma de esperto quando alguém aponta uma arma para sua cabeça – depois, você está sempre saindo por cima em todas as situações e... e bom, a gota d’água você nunca vai saber, e essa vai ser a minha maior vitória, você vai morrer sem saber.

Me pergunto o que ele quis dizer com isso, mas antes que eu possa falar qualquer outra coisa Joey grita para que eu pegue a esquerda, estamos no caminho Humboldt Park. É uma área de desova de corpos comumente conhecida, era isso, ele ia mesmo tentar me matar, alguma parte de mim ainda acreditava que não, que aquilo tudo não fazia o menor sentido.

—O que você pretende fazer depois que me matar Joey? – Pergunto.

—Tanto faz. Eu não pretendia sair vivo, talvez eu ainda não saia. – Ele diz sorrindo.

É um sorriso doentio, estou realmente impressionado com o quão frio Joey pode ser, todos esses meses escondido, tramando uma vingança, o plano de me incriminar pela morte de Downey. Tudo isso exige um nível de controle e planejamento que eram dignos de um psicopata. Começo então a pensar que talvez seja isso, que talvez Joey passe essa ideia de cara introvertido e gentil como um disfarce para quem ele de fato, mas coisas nunca ficam fora da superfície por muito tempo, não importa quão bom você seja.

—Então seu primeiro plano era me mandar para cadeia pela morte de Downey. O que te fez mudar de ideia? – Pergunto. Em parte eu quero ganhar algum tempo, mas também estou genuinamente curioso.

Joey me encara, olho rapidamente de lado e vejo o cano preto do revólver extremamente perto de mim, considero pela primeira vez a possibilidade de tentar desarmá-lo, agora que Sarah está segura. Vejo o rosto dela, a sua expressão enquanto eu tentava conversar com Joey, eu deveria ter dito o quanto a amava antes de entrar no carro. Olho pelo espelho central do e vejo que duas SUVs se aproximam em alta velocidade, são carros da polícia, tenho quase certeza.

—Encoste! – Joey grita novamente. Para perto de algumas árvores e ele me manda sair do veículo. Olho para a pista e vejo os dois carros se aproximando. Joey desce e aponta a arma para mim. – Acho que vai ter que ser aqui mesmo Doutor Rhodes.

Eu dou alguns passos para trás enquanto ele avança. Uma voz pede para que Joey não se mova, ele olha para trás rapidamente e percebe que está cercado, então olha para mim novamente e puxa o gatilho.

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Estou sentada numa das camas de hospital enquanto Natalie tenta me examinar, ela limpou o ferimento na minha cabeça e insistiu para que eu fizesse uma tomografia, mas me neguei. Não vou a lugar algum até saber notícias de Connor, não vou ter paz até que ele esteja aqui novamente, comigo, são e salvo.

—Alguma coisa aconteceu. – Digo a ela. – Nat, alguma coisa ruim aconteceu com ele. Eu posso sentir. Chame Alexa, eu preciso que ela... – Levo a mão até a boca quando vejo Will entrando na sala, suas sobrancelhas grossas arqueadas, sua expressão entrega a mistura de preocupação e tristeza. – O que aconteceu? Ele está morto não está? – Pergunto soluçando, mal posso respirar.

—Não. Conseguiram encontrá-los perto do Humboldt Park...

—O que você não está me dizendo Will? – Pergunto levantando da cama. – Por favor, apenas me diga a verdade. – Ele me olha parecendo avaliar a situação, mas o encaro com firmeza, eu preciso saber.

Connor, ele... ele levou um tiro. – Will afirma. Então tudo começa a girar e eu desmaio.

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“Jay, ele levou um tiro. Vou chamar uma ambulância” – Ouço alguém fizer, abro meus olhos e encaro Lindsay, ela está ajoelhada ao meu lado.

—Você está bem? – Lindsay pergunta me olhando. Seus olhos descem para o meu ombro e eu faço o mesmo, percebo que estou ferido e a dor começa, imediatamente, a irradiar pelo meu braço. A proximidade da arma fez com que impacto fosse grande, fez com que eu acabasse deitado no pequeno matagal que introduz o bosque atrás de mim. Me sento e vejo Joey sendo algemado, ele se debate e grita dizendo que é tudo culpa minha, que eu vou pagar por isso, mas não é desespero que vejo em seus olhos, é frieza. Aquela não é uma ameaça vazia. Reprimo a vontade que estou sentindo de levantar dali e espancá-lo por ter ameaçado a vida de Sarah. – Connor, você está bem? – A detetive insiste.

Percebo que estamos mais próximos do Mount Sinai e que é provavelmente para lá que a ambulância me levará.

—Não precisa de ambulância respondo. Eu posso voltar sozinho. – Meu carro está parado a alguns metros de distância.

—Ficou maluco? – Jay pergunta se aproximando. – Você acabou de levar um tiro, não vai para lugar nenhum sozinho. Além disso, eu já liguei e pedi a ambulância, também avisei a Will que conseguimos te encontrar.

—Eu preciso ser levado para o Med. Eu preciso ver a Sarah.

—Tudo bem. Você vai ser levado para o Med. – Lindsay diz colocando uma das mãos no meu ombro. – Mas você precisa me garantir que esse ferimento não vai te matar.

— Ela olha novamente para ponto de encontro entre meu braço e ombro, o local atingido pela bala.

Examino-o rapidamente, apesar de haver muito a sangue a bala apenas perfurou superficialmente minha pele, nenhum dano significante, só alguns vasos de menor importância foram rompidos.  

—Eu vou ficar bem. – Garanto. Rasgo um pedaço da minha camisa e, com ajuda de Lindsay, amarro-a para fazer pressão no ferimento. – Como vocês nos acharam?

—Will ligou. Disse que você tinha sumido e que achava que Joey era o responsável. Então rastreamos o seu telefone. – O detetive explica.

(...)

Apesar das tentativas do paramédico eu não deixo que ele cuide do meu ferimento. Assim que que chego no hospital, desço da ambulância e sou recebido por Will e Maggie que me encaram, ambos parecem assustados e aliviados ao mesmo tempo.

—Graças a Deus! – Maggie diz ao me ver.

—Sarah? Onde está Sarah? – Pergunto de imediato.

—Você está bem? – Will pergunta me encarando.

—Estou, graças a você! Onde ela está? Ela está bem? – Não consigo tirar a imagem de Sarah nos braços de Joey, o desespero em seu olhar. A ideia dela sozinha, naquele estacionamento, desacorda...  Eu preciso vê-la o mais rápido possível.

—Precisamos te checar Connor. – Halstead diz encarando o ferimento no meu braço.

—Will, foi só um tiro de raspão.

—Isso não significa que você não precisa de cuidados. –Maggie diz.

—Você sabe que temos razão, além disso, não pode ver Sarah desse jeito. – Ele diz apontando para minha camisa, está rasgada, ensanguentada. – Vai assustá-la. A pressão dela está um pouco alta e...

—O que aconteceu? – Pergunto.

—Ela teve uma leve concussão devido à coronhada e depois desmaiou quando contei que você tinha sido ferido.

—Quem cuidou dela? – Questiono caminhando pela recepção. Ignoro o fato de que Will contou a Sarah que eu tinha levado um tiro, sei que ele não teve intenção alguma de fazer com que ela se sentisse pior do que estava.

—Natalie. Sarah pediu por Alexa, mas ela ainda nem sabe do que aconteceu, está em cirurgia.

—Ok.... – Entro numa das salas de atendimento de trauma e tiro a camisa suja de sangue.

—Você precisa de pontos. Sabe disso. – Maggie diz. Pego um kit de sutura do carro de emergência e me sento na maca.

—Me deixe fazer isso. – Will pede.

—Eu mesmo faço.

—Você está em choque! Não pode sair por ai ponteando a si mesmo. – Ele fala com firmeza. – Não seja um idiota.Talvez ele tenha razão, não consigo pensar direito, na verdade, não consigo pensar em nada além de Sarah. Nem mesmo a dor no braço incomoda tanto quanto a ideia de não estar perto dela no momento. Permito então que Will examine o meu ferimento - Você teve sorte de não ter quebrado nenhum osso com o impacto da bala.

—Lindsay e Jay chegaram bem a tempo. – Digo relembrando a cena. Se eu fechar os olhos posso ver Joey segurando a arma na minha direção, apontada para o meu peito, a voz de Lindsay soou no megafone fazendo com que Joey virasse o rosto rapidamente em sua direção que eu aproveitei o momento de descuido e me movi um pouco exatamente no momento em que ele atirou de forma inesperada, foi o suficiente para salvar a minha vida.

—Joey... quem diria? Ele sempre me pareceu tão inofensivo. – Maggie pontua, ela parece falar mais consigo mesma do que com qualquer um de nós.

—Todo bom sociopata sempre parece. – Will fala enquanto ponteia meu braço.

—Sinto muito, eu não deveria ter tocado no assunto. Connor, eu vou pegar algo para você vestir, temos umas daquelas camisas das ações contra o câncer por aqui em algum lugar. – Ela diz deixando a sala.

—Ela só está chocada, as pessoas reagem de formas diferentes... – Will começa a dizer.

—Eu sei, e não me importo. Tudo que eu quero agora é me vestir e ver Sarah, quando eu tiver certeza de que ela está bem, tudo vai ficar bem. – Afirmo.

Devidamente atendido e vestido, eu procuro por Sarah. Will me disse que Natalie havia solicitado a transferência para um quarto particular depois do desmaio, então segui na direção dos apartamentos, nem mesmo quis esperar por Will que estava tentando se comunicar com Natalie. Assim que entrei no elevador dei de cara com Natalie.

—Está tudo bem. – Ela diz antecipando a minha pergunta. Ela dá um sorriso e encara o pedaço de faixa com a qual Will isolou parte do meu ombro e braço, limitando um pouco meus movimentos, apenas por precaução, já que eu insisti em não fazer um raio-x para descartar qualquer tipo de fratura. – Ambos estão bem. O bebê não teve nenhum tipo de alteração e Sarah está dormindo.

—Bebê? – Questiono. Natalie parece surpresa com o meu desconhecimento.

—Você não sabia? – Ela pergunta

—Não. – Respondo atordoado. - Eu não sabia. 



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