História Realidade - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Bad Boy, Colegial, Nerd, Romance, Roqueiro
Exibições 6
Palavras 1.940
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá! ♥ Como vocês estão? Estão gostando da história? :D

Admito que esse capítulo foi mais complicado de escrever do que eu pensei... Acabei montando como um "quebra cabeças" em mil peças, então me avisem se encontrarem qualquer erro, ok? Me esforcei para conseguir terminar e ficar bom, então espero que vocês gostem ♥ ♥ ♥ Até a próxima!

PS: Tem capítulo de Homeworld quase saindo! ♥

Capítulo 6 - Estranho


— Você não olha por onde anda?

Eu não conseguia fugir dos olhos de Alex. Ele já estava de pé, e eu continuava sentada no chão feito uma idiota, sem saber o que dizer.

— Não está me ouvindo? — Ele perguntou calmamente, como se duvidasse da minha capacidade de compreensão. — Acho que você deveria parar de andar por aí falando sozinha e olhando para o chão.

Toda a coragem que eu estava tentando reunir me abandonou em menos de um segundo. Como ele conseguia ser tão estúpido? Eu não sabia o que dizer, e não era culpa da minha timidez ou dos meus medos. Ninguém tinha falado daquele jeito comigo antes, e eu estava paralisada, repetindo aquelas palavras na minha cabeça.

— Eu... eu sinto... muito... — respondi com um sussurro.

Finalmente consegui desviar o olhar, e abaixei a cabeça para olhar para os meus próprios pés. E, quando fiz isso, me arrependi no mesmo momento.

Uma barata grande e gorda estava vindo na minha direção, bem do lado do meu tênis. Levantei com um pulo e quase caí para trás, e deixei escapar um grito agudo. Alexander procurou o inseto, pisou nele sem fazer nenhum esforço, e me encarou outra vez.

— Esse bicho tão pequeno te dá tanto medo assim? — Perguntou.

Agora, sua voz saiu calma e contida. Pelo seu tom, e pelo jeito como ele me olhou, aquilo soou mais como uma pergunta inocente do que um questionamento.

— Sim — suspirei. — Trauma de infância. Sei que é bobagem...

Minha voz morreu, e eu não consegui pensar em mais nada. Para ele, aquilo devia ser ridículo, porém eu me lembrava muito bem do dia em que Larissa achou uma barata morta e decidiu brincar de jogar em mim. Eu devia ter uns quatro anos na época, e quase não lembrava mais disso. E, mesmo assim, sempre que eu via um daqueles bichos nojentos, sentia um medo tão grande que quase não conseguia respirar, e parecia que o meu tórax ia explodir a qualquer momento.

Apesar dos meus receios, eu tomei coragem e olhei para Alexander, e me surpreendi com o que encontrei. Ele continuava me observando, porém não havia mais traços de raiva naquele olhar. Até seu rosto estava diferente, e suas feições se tornavam mais leves sem aquele olhar carregado. Ele parecia estar um tanto... confuso? Eu não tinha certeza. Ainda não conseguia ler o que estava escondido por trás daquele garoto.

— Espere — ele murmurou de repente, e puxou a mochila em suas costas.

Eu não tinha percebido que ele estava carregando algo, e não fazia ideia do que Alex poderia estar procurando agora, segurando aquela mochila pesada e olhando entre os papeis e que revirava por todos os lados. Enquanto esperava, eu me lembrei de Roy e Lizzie. Ela estava mais sorridente do que nunca e feliz por encontrar um perseguidor escondido, enquanto Roy me olhava de braços cruzados com um sorriso torto que eu não sabia como interpretar.

— Hoje está sendo um dia surpreendente, não acha? — Ele comentou, e piscou para mim.

Bom, faz tempo que eu não tenho um dia tão agitado assim, tenho que admitir. Tentei abafar um suspiro, e torci para que Alexander não percebesse o meu monólogo particular.

— Você está curiosa, não está? — Roy continuou, rindo. — Você não muda, Mel. Esqueceu do jeito que ele acabou de te tratar? Por que você acha que isso vai acabar bem dessa vez?

Como eu odiava quando Roy jogava a verdade na minha cara daquele jeito!

    — E você continua curiosa, mesmo pensando nisso tudo! — Ele prosseguiu. — Isso é tão interessante...

Não é curiosidade, Roy... eu não sei o que fazer. Não sei o que esperar.

— Esse cara é muito suspeito! — Lizzie exclamou, apontando para Alex. — Como ele sabia que ia te encontrar aqui?

— É, logo na saída do único shopping da cidade! Quem ia pensar que duas pessoas poderiam se esbarrar aqui? — As palavras de Roy transbordavam sarcasmo.

— Ora, é essa a ideia! Eles se infiltram, se disfarçam e se escondem entre nós! Podem ser quem menos esperamos que sejam! Vão estar onde menos podemos imaginar, só esperando uma chance! — Liesel bufou, cruzou os braços e fechou a cara.

Roy nem sabia o que responder depois de ouvir aquilo, e eu escondi a boca com a mão para não rir sozinha. Por sorte, Alexander estava tão entretido revirando a mochila que não percebeu. Ele procurou mais um pouco e puxou uma garrafa d’água, e a ofereceu para mim.

— Tome. Vai ajudar — foi só o que ele disse.

Olhei para Alex, e precisei de um instante para entender o que estava acontecendo.

— Tem certeza?

A pergunta saiu antes que eu pudesse realmente pensar no que estava dizendo, e senti vontade de cobrir a boca outra vez só para não dizer mais besteiras. Eu simplesmente não sabia como reagir, e com certeza não esperava que ele fosse me ajudar.

— Se te deixou tão nervosa, não é bobagem. Tome.

Ele colocou a garrafa na minha mão e não disse mais nada. Como eu ainda não sabia o que responder, abri a garrafa e bebi, e então fechei para devolver, porém ele recusou.

— Pode ficar com ela. Está mais calma?

— Sim — murmurei.

Eu podia sentir a gentileza naquela preocupação inesperada, mas os olhos de Alex continuavam frios. Minhas mãos estavam trêmulas, porém achei melhor não dizer nada. Eu sempre preferia não incomodar ninguém com as minhas reclamações.

Tentei forçar um sorriso para fortalecer a mentira, e Alex acenou com a cabeça.

— Então já posso seguir meu caminho — ele colocou a mochila nos ombros. — Até mais.

E, sem dizer mais nada ele seguiu andando. Toda a grosseria estava de volta, e eu não tive nem tempo de agradecer. Ou muito menos de pedir desculpas. E, enquanto eu via Alexander se afastar, percebi o quanto aquela cena era familiar...

Era um dos meus primeiros dias de aula no ensino médio. Para minha sorte, a vida real era bem diferente de filmes clichês, e eu não me tornei o assunto do colégio inteiro só por ser a “aluna nova”. Na verdade, quase ninguém tinha notado a minha presença, e eu gostava disso.

Eu acordei cedo naquela manhã e cheguei na hora, mas não conhecia os corredores sem fim muito bem, e as salas de aula pareciam ser todas iguais. Acabei me perdendo procurando pela minha próxima aula, e cada minuto que passava só me deixava mais nervosa. Apertei o passo porque não queria me atrasar... E foi aí que aconteceu.

Passei pelos corredores andando rápido e olhando entre as portas, e me esqueci de prestar atenção no meu caminho. Deveria ser óbvio, mas só me lembrei de olhar para a frente quando esbarrei em alguém e me apoiei na parede para não ir ao chão. A mochila que eu não vi se aproximando caiu aberta, e todos os papeis que estavam dentro dela se espalharam pelo corredor.

— Você não olha por onde anda?

O garoto de olhos azuis frios e cheios de raiva se virou para mim, e eu senti meu corpo gelar como sempre acontecia nessas situações. Por que eu era tão covarde? Foi só ele se virar e olhar para mim, e eu já queria sair correndo dali. Eu devia pedir desculpas, mas o jeito como ele me encarou me deixou completamente sem reação. Talvez eu devesse ajudá-lo a recolher as coisas, mas foi só pensar nisso que meus joelhos se transformaram em gelatina. Então, eu só fiquei de pé ali, olhando como uma grande babaca. Ele recolheu as coisas com pressa, jogou tudo dentro da mochila de qualquer jeito, e saiu sem dizer nada. E eu, que nunca tinha me sentido tão constrangida, fiz de tudo para apagar aquele encontro horrível da minha mente.

Tinha funcionado, até acontecer de novo.

Era por isso que ele tinha sido tão rude? Era verdade que eu devia um pedido de desculpas — e acho que, agora, também devia um agradecimento — mas isso não era desculpa ou justificativa para Alexander me tratar mal daquele jeito. Aquele garoto parecia ser cada vez mais estranho... E a minha consciência estava ficando cada vez mais pesada.

***

Quando cheguei em casa, ainda estava tentando ignorar as perguntas que se passavam pela minha cabeça. Roy, ao contrário de mim, não conseguia falar sobre outra coisa, e Lizzie gritava “perseguidor!” ou “stalker!” sempre que o nome “Alexander” surgia na nossa conversa. Talvez ele tivesse percebido o quanto foi grosseiro comigo, e esse fosse seu modo de fazer as coisas de outro jeito. Se esse meu palpite estivesse certo, será que ele teria me procurado se não tivéssemos nos esbarrado de novo?

Minha irmã estava jogada no sofá da sala, mudando o canal da TV sem prestar muita atenção. Tentei passar direto para o meu quarto e torci para que ela nem me visse, mas ouvi Larissa chamar meu nome quando cheguei perto do corredor.

— Que bom que você chegou cedo — ela disse, e eu logo soube que nada de bom poderia vir disso.

— Aconteceu alguma coisa, Sissa?

No fundo, eu só queria acreditar que não íamos repetir a mesma conversa pela enésima vez. Larissa nunca estava em casa numa sexta-feira, principalmente numa hora daquelas, quando “a noite nem começou direito” para ela. Eu não estava preparada para outra briga com a minha irmã. E, depois daquele encontro confuso com Alexander, eu simplesmente não conseguia encontrar as minhas palavras muito bem. A ligação de Emily, encontrar Alex, Larissa estar em casa... aquele dia estava ficando cada vez mais estranho.

— É... — Roy concordou com o meu pensamento. — Hoje é realmente um dia extraordinário.

Balancei a cabeça e ignorei o comentário.

— Não exatamente — ela me respondeu, direta e seca. — Pelo menos, por enquanto. Semana que vem...

— Eu sei, Sissa. Sua festa de aniversário.

— Eu só quero garantir que não vamos ter nenhum problema. Não quero crianças na minha festa — Larissa resmungou, e eu dei de ombros.

— Sissa, eu nem teria o que fazer na sua festa, porque você não me quer lá. Não conheço nenhum dos seus convidados, e não tenho amigos para levar.

— Será? — Roy perguntou no mesmo instante. — É claro que eu gostaria de estar falando de mim, mas muita coisa pode acontecer em uma semana. Olha só tudo o que aconteceu hoje! Que tal convidar o Alex?

Roy jogou o cabelo para trás, e eu continuei ignorando suas piadinhas sem graça.

— Eu só queria ter certeza — ela me encarou com os olhos estreitos.

— Certo.

Esperei por mais alguma reclamação, mas Larissa só voltou para o sofá e continuou a trocar entre os canais da TV. Mesmo quando estava em casa, minha irmã nunca ficava ali. Senti vontade de perguntar o motivo, porém sabia que minha irmã nunca recebeu minhas tentativas de aproximação de mente aberta, e aquele com certeza não me pareceu ser o melhor momento para tentar alguma coisa. Então, eu apenas continuei o caminho até o meu quarto, entrei, e fechei a porta.

Roy continuava resmungando qualquer coisa sobre “dia incomum”, e eu procurei meus fones de ouvido para não ter que pensar nisso porque concordava com ele dessa vez. Aquele tinha sido um dia “incomum”, como ele estava dizendo, e tanta mudança geralmente me deixava mais confusa do que eu já costumava ser. Eu não queria ouvir nada, nem os meus próprios pensamentos, e a música clássica escolhi sempre me ajudava a respirar com mais calma.

Quando fechei os olhos, me lembrei de Alex virando as costas e indo embora. E, apesar de não entender o que tinha acontecido muito bem, eu tinha certeza de uma coisa: ele merecia um agradecimento, e um pedido de desculpas. Se ele gostava de agir como uma criança mal-educada, eu não queria fazer o mesmo.

 



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