História Recomeço - Capítulo 8


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Palavras 1.144
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aqui está o capítulo, antes tarde do que nunca!
Quase não consegui postar hoje, mas ainda bem que consegui porque esse cap é bem importante. Lembrem do final do capítulo 6 antes de ler esse aqui 😉
Espero que gostem!

Capítulo 8 - General


Antes mesmo de se virar, Robert já sabia quem estava atrás de si. Aquela voz era marcante, impressa e impregnada na memória como uma queimadura de ferro quente na pele.

— General Hadrian — disse Robert, levantando-se e batendo continência, automaticamente.

Robert não deveria estar ali. A regra era clara: todos dentro da base no horário de almoço, salvo se tiver uma missão designada por um oficial. O jovem nervoso já listava as possíveis punições que poderia sofrer, desde trabalhar forçadamente nos campos a limpar a Grande Calçada sozinho com uma pena.

— Descansar, garoto — respondeu o general — Sem formalidades aqui.

— Senhor...

— Pelo amor, rapaz! Sem formalidades! Aqui, neste recinto de paz, chama-me pelo meu nome.

— Sim, senh... Hadrian — disse o jovem confuso. Aquele não era o general que conhecia.

O homem a sua frente já viveu ao menos meio século, fato evidenciado pelos cabelos grisalhos em sua cabeça. Grande e robusto, com certeza sabia manusear uma espada muito bem. Ele era o melhor estrategista que Robert já vira. Não que ele lembrasse de muitos estrategistas depois da amnésia, somente lembrava vagamente de um tal de Napolitano Bonaparte, ou algo assim. De qualquer maneira, a figura do general era firme e autoritária em sua mente, não gentil e calma como ele se apresentava no momento.

— Retomando minha fala, porque não me diz o que o aflige, rapaz?

— O senhor não pretende...

— Punir-te? Claro que não. Todos precisam de um pouco de paz, não seria justo eu puni-lo por procurar a sua.

Agora, com a certeza que estava salvo de problemas, Robert respirou aliviado. Sentou em sua pedra de novo, logo seguido pelo general do seu lado, olhando o jovem. Só precisava arranjar um jeito de escapar daquela conversa.

— Nada, senhor... q-quer dizer, Hadrian. Eu só queria um pouco de... ar puro. Isso, ar puro.

Robert se deu um tapa mentalmente. Era péssimo em mentir.

— Que escolha interessante de lugar para isso — replicou o general calmamente — O cheiro de gordura do refeitório ainda esta um pouco intenso demais para meu gosto.

Robert fitou o homem mais velho e viu que estava lutando uma batalha perdida. Ele ficava visivelmente afetado quando algo o deixava chateado, pelo menos reconhecia isso.

— Bem, hoje eu tive a minha primeira missão de ataque. Digamos que eu não estava esperando por isso, nenhum de nós, na verdade. Ele acordou a gente bem cedo, jogou escudos e lanças nas nossas mãos e nos enfiou no meio da floresta, atacando uma tribo qualquer.

A medida que falava, Robert via o olhar do experiente general carregado com o brilho que somente um mentor tem. O brilho de quem sabe exatamente o problema, porque já passara por ele.

— Nossa aproximação foi excelente, zero baixas. O combate também, tudo executado perfeitamente. Até que chegou a hora de finalizar meu oponente...

Robert vacilou em sua fala, procurando a maneira certa de colocar isso. Ele desistira? Ele o poupara? Ou se acovardara? Não havia palavra que descrevesse o que sentira, a dificuldade que tivera.

— Você hesitou — completou o general.

— Isso. Eu hesitei.

Agora que havia terminado seu discurso, percebeu o quanto compartilhar aquele problema o aliviara. Talvez devesse ter contado isso aos seus amigos.

Hadrian, por sua vez, olhava para o jovem a sua frente com o olhar de um pai vendo seu filho passar por uma fase difícil. Todos os bons soldados têm essa dificuldade; os que não passam por ela, ou são tolos, ou são inescrupulosos.

— Robert, meu jovem. Matar nunca foi e nunca será algo prazeroso. Vai contra todos os princípios morais que provavelmente nos foram ensinados em toda nossa vida, da qual não nos recordamos. Mas sempre que tiver de fazê-lo, faça-o por algo que valha a pena. O que você tem agora de mais valioso para você?

Robert nunca parara para pensar nisso. Desde seu aparecimento, sua vida tem sido uma confusão de acontecimentos e informações, bombardeando sua consciência e exaurindo toda sua capacidade de refletir. Agora que parou para pensar, a resposta nunca foi tão clara:

— Minha amiga, Lívia. Seiko e Nikolai também.

— Excelente. Pense nos seus amigos. Pense em tudo que o mantém feliz e são neste mundo caótico. É por essa causa que você deve lutar. Matar é só um de muitos sacrifícios que você deve fazer por eles.

Robert ficou sentado, olhando para a floresta, refletindo sobre as palavras do general. Entendia o ponto de seu líder, mas ainda não conseguia tirar da cabeça o fato de que as pessoas que matava não fizeram nada contra ele. Não sabia o que seus superiores queriam dizer com “comprometem a paz do Império”, o discurso que deveria dar-lhe uma causa pela qual lutar. Mas não havia como lutar por uma causa tão vazia.

— Vou te deixar com teus pensamentos, rapaz — disse o general, levantando-se preguiçosamente e andando em direção a portinhola — Boa sorte no exército, soldado.

- -

Sentado em sua mesa, Hadrian soltou um suspiro cansado. Era uma pena como grandes lutadores eram perdidos por meros detalhes. Tentara convencer o rapaz a tomar o caminho correto, mas sentia que não havia mais como corrigi-lo.

A porta de sua sala se abriu, revelando o tenente responsável pelo treinamento dos recrutas. O jovem homem fechou a porta de madeira atrás de si e bateu continência:

— Mandou me chamar, senhor?

— Claro — disse a voz suave do general — Sente-se, por favor.

Obedecendo o pedido, o tenente se sentou na cadeira a sua frente, com a mesa de madeira cheia de papelada entre o general e si.

— Você sabe porque eu te promovi a tenente?

A pergunta pegou o homem de surpresa, que se contentou em dar um aceno de cabeça negativo:

— Não, senhor.

— É uma questão bem simples — começou Hadrian, reclinando em sua grande poltrona — Há homens feitos para comandar e homens feitos para serem comandados. Homens no comando têm que saber tomar decisões racionalmente, não passionalmente, enquanto homens comandados não devem tomar decisão nenhuma. E esses são os únicos tipos de homens que preciso.

O tenente ouvia atentamente, sem entender quase nenhuma palavra do que dizia. O general sabia que, por isso mesmo, ele estava em um meio termo.

— Talvez tenhamos entre nossos recrutas um rapaz diferente. Um rapaz que ameaça nosso equilíbrio.

— E quem seria esse rapaz, senhor? — perguntou o oficial inferior, sabido desta outra linguagem.

— Seu nome é Robert. Mas penso que você terá de agir em todo seu batalhão. Sua influência já se espalhou para outros membros.

— Qual ação exatamente o senhor quer que eu tome?

Hadrian encarou o tenente por um momento, ciente que ambos sabiam a resposta para aquela pergunta, confirmando seu pensamento quando disse:

— Quero que você elimine-os.


Notas Finais


Estavam sentindo falta de um antagonista? Aí está!
A personalidade é meio clichê, mas saibam que ele não é o único. Guardei inovações maiores para outros personagens...
Comentem!


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