História Recomeço! - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Hyuna, Romance, Século Xix, Soohyun, Taegi, Vsuga
Exibições 46
Palavras 3.434
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!!

Capítulo 5 - Relógio Novo!



- Ah, querido Yoongi, olhe aquele broche! Que encanto! - apontou Hyuna, entusiasmada. - Combinaria com seu terno!

- E quanto ao seu, senhorita Hyuna? Que tecido escolheu? - perguntou SunHee

- Seda. É o casamento de meu irmão, não posso...

Hyuna continuou falando, mas eu não ouvi. Minha atenção estava no relógio de bolso prateado descansando sobre o cetim creme. Ele destoava dos outros, e me causou certa estranheza olhar para a peça simples, nada rococó, com o mostrador branco e os longos ponteiros pretos. Não combinava em nada com o restante da vitrine repleta de dourado, brilho e pedras coloridas.

Entrei na loja sem refletir muito, o coração batendo rápido. As três garotas me acompanharam.

- Olá! - saudou o homem de bigodes cinzentos e pele morena.

- Que grata surpresa ver um tão belo jovem e tão belas jovens em meu humilde estabelecimento. Como tem passado, senhorita SunHee? Não tenho visto seu pai pela vila ultimamente.

- Ele tem sofrido de gota outra vez, senhor Estevão - respondeu SunHee com um sorriso doce. - Mas está melhor, graças aos cuidados do dr. Lee.

- Mande lembranças a ele. E como está crescida, senhorita Hyuna! Já é uma moça! - elogiou o joalheiro.

- Completarei dezesseis na primavera.

- Como o tempo voa! - o sujeito exclamou, então focou os olhos em mim. - E esta deve ser o encantador senhor Yoongi, que arrebatou o coração de nosso jovem senhor Kim. Lamento não ter ido ao baile de noivado. Minha esposa estava com uma terrível amigdalite. Mas ficamos muito felizes com a notícia. Ansioso com a proximidade do casamento?

- Um pouco nervoso. - acabei confessando.

- É claro que está, meu querido. - e ele exibiu uma fileira de dentes tortos. - Minha esposa ficou muito contente quando recebeu o convite. Estamos honrados pela lembrança e desejamos os mais sinceros votos de felicidade ao casal.

- Vale... errr... Obrigado.

- Minha sobrinha acaba de chegar. Ficará conosco até o Natal. Seria muito abuso se eu a levasse à cerimônia?

- Não, de jeito nenhum. Quanto mais gente, melhor. - Ao menos era assim que Tae pensava.

- Em meu nome e no de Jiyoon, eu lhe agradeço. - ele fez um ligeiro gesto com a cabeça e sorriu. - Como posso ajudar o senhor e as senhoritas? - perguntou a nós quatro.

- Posso ver aquele relógio ali? - indiquei a vitrine.

Não sei por que fiz isso. Realmente não sei. Eu não tinha como pagar por ele.

- Certamente, senhor. - Estevão abriu a vitrine com uma chavinha, pescou o que eu queria dali e me entregou a peça. Fiquei admirado ao sentir o peso em minha mão. - É prata pura - ele informou. - Veio diretamente de Londres.

Inferno! Importado no século dezenove deve ser o olho da cara.

- É muito bonito. - E era mesmo.

A caixa traseira era simples, tinha apenas um pequeno entalhe com o símbolo do infinito bem ao centro. Ali em minha palma, não parecia tão diferente. E eu tinha certeza de que em certas mãos ele se encaixaria de forma precisa e perfeita.

- Se procura um presente para seu noivo. - continuou Estevão -, um relógio seria uma lembrança marcante para celebrar a união. Mas, se me permite, senhor Yoongi, talvez um dos outros modelos agrade mais ao senhor Kim. Há uma peça de ouro com acabamento impecável. A
máquina conta com dezoito rubis e...

- O Taehyung iria gostar mais desse - interrompi, sério. Muito mais do que a ocasião pedia. Minha mão começou a suar. - Ele não iria querer um relógio com dezoito rubis. Taehyung gosta de coisas simples e comuns.

- Bem... - Estevão pigarreou. - O senhor deve conhecer melhor o gosto dele que eu.

Assenti uma vez.

- É claro que esse que escolheu é magnífico - ele emendou, voltando ao modo vendedor. - Poderia gravar uma mensagem na tampa ou as iniciais de seu noivo, se desejar. Deixe-me mostrar.

Ao pegar o relógio, ele o girou e levantou a tampa traseira, e a peça se abriu como se fosse um estojo de pó compacto, revelando a parede interna, lisa como uma colher.

- Vê? - indicou ele. - Perfeito para uma inscrição apaixonada.

- Ah, Yoongi, quanta delicadeza de sua parte. - Hyuna se animou, tocando meu ombro. - Taehyung ficou tão abalado por ter perdido o relógio de papai! Estava na família há gerações.

Sei que não foi a intenção dele, mas aquilo só me deixou ainda mais mortificado.

- Quanto custa?

Quando o homem disse o preço, eu não soube avaliar se era ou não caro demais. A moeda - literalmente, nada de notas - era dividida por cores. Cobres e douradas, e tudo que eu sabia era que as douradas valiam mais. Vergonhoso para alguém que por anos trabalhou em um escritório de contabilidade.

- Deve ficar com ele. - Hyuna me encorajou. - Não acha que Yoongi deve comprar este presente para Taehyung, senhorita SunHee?

- De fato, é uma linda peça. - SunHee concordou, piscando rápido.

- Isso... esse valor... é muito caro? - perguntei a elas. - Tipo, o que eu poderia comprar com esse dinheiro?

Hyuna franziu o cenho.

- Bem, não sei ao certo. Talvez um bom terno de baile...?

- Ou aquele par de brincos, ou dois pares de sapatos, ou alguns frascos de perfume - ajudou Jihyun, enumerando com os dedos e parecendo grande conhecedora do assunto. SooHyun e ela deviam se entender muito bem. Um terno. Não parecia ser tão caro assim.

- Garanto que nada deixaria meu irmão mais feliz do que receber um presente seu. - Hyuna sorriu - Ainda mais um relógio!

Eu mordi o lábio, tentado, mas já sabia a resposta. Eu não tinha como pagar. Não sem assaltar alguém, ou roubar um banco. Quer dizer, se os bancos já existissem, é claro.

Desde a minha volta ao século dezenove, quase três semanas antes, eu estava desempregado, e a grana que eu tinha na carteira só teria validade em uns cento e setenta anos. Não me sobrara muito tempo para pensar a respeito com Tae e Hyuna me arrastando de um lado para o outro por conta dos preparativos para o casamento. Eu não tinha nada meu ali, exceto os cacarecos sem valor dentro da bolsa que viajara no tempo comigo na primeira vez e ali permaneceram.

Tae era muito generoso - até demais para o meu gosto. Ele me daria todas as moedas de que dispunha se eu pedisse, mas, se eu pagasse pelo relógio com a grana dele, deixaria de ser um presente. E a minha intenção não era substituir um relógio por outro. Eu tinha plena consciência de que a perda que Tae sofrera era irreparável. Mas talvez, se eu desse a ele algo que representasse quanto eu o admirava e amava, quanto ele era importante para mim, a falta do relógio do pai se tornasse mais suportável, ou algo assim.

Não tinha nada a ver com o fato de que ele um dia pudesse passar a me odiar por eu ter sido a causa da destruição (ainda que sem querer) de algo tão precioso. Nada a ver mesmo! No entanto, por mais que eu quisesse sair daquela loja com o relógio numa sacola, meus bolsos permaneciam vazios.

- Obrigado, senhor Estevão. - E devolvi a peça ao homem. - É muito bonito, mas não posso ficar com ele.

- Tem certeza? - ele perguntou, surpreso.

Fiz que sim com a cabeça e saí da loja antes que fizesse uma loucura - tipo agarrar o relógio e sair correndo. SunHee e Jihyun nos seguiram para fora, mas perceberam que meu humor não era dos melhores e logo trataram de inventar uma desculpa, se despedindo apressadas e voltando para o ateliê. Hyuna teve que correr para me acompanhar.

- Yoongi, espere! Por que desistiu da compra? - Ela me alcançou e inspirou fundo, tentando recuperar o fôlego. - Tenho certeza de que meu irmão ia adorar aquele relógio.

- Eu sei, Hyuna! Mas eu não tenho como pagar. Não ainda.

Tudo bem, novo plano. Eu juntaria uma grana e voltaria em um mês ou dois. Como conseguiria dinheiro ainda não estava muito claro, mas eu podia bolar alguma coisa, certo? Se eu consegui me virar para pagar a faculdade depois da morte dos meus pais, podia muito bem pensar em algo que me desse algum lucro. Era uma droga estar no século dezenove, onde o trânsito era inexistente e eu não podia vender balas no semáforo (também inexistente, claro).

- Mas Taehyung não lhe deu muitas moedas? - perguntou Hyuna.

- Deu. Mas eu... perdi todas - menti.

- Você está mentindo. Por que não quer usar o dinheiro que meu irmão lhe deu?

- Porque... não seria um presente para ele. Seria uma compra, e não é essa a intenção.

- Que pensamento mais peculiar, Yoongi. Os homens sempre arcam com as despesas do companheiro, mesmo que seja com um presente para eles. Ao menos é o que um bom marido faz, e meu irmão deixou claro que você pode ter tudo que quiser.

Ela nunca entenderia. Tentei outro caminho.

- Pois é, mas ele ainda não é meu marido.

Seus imensos olhos azuis se ampliaram, a boca se escancarou conforme minhas palavras penetravam seus ouvidos.

- Tem razão! Se as pessoas souberem que você estava fazendo compras com o dinheiro de Taehyung antes do casamento, pensarão que você é o... Oh, não!

- Hyuna, ele comprou metade da vila pra mim. - abri os braços, desanimado.

- É diferente! Foram presentes do seu noivo, ninguém jamais poderá reprimi-lo por isso, mas se você, um jovem solteiro, decidir fazer compras usando o dinheiro de Taehyung, assumirá que é sustentado por meu irmão. Sua reputação cairá na lama! Ficará à margem da sociedade, ninguém vai recebê-lo ou convidá-ll para jantares e bailes, você se tornará uma pária! Não podemos permitir que algo tão abominável aconteça! - Hyuna encrespou a testa. - Temos que pensar em outro jeito de pagar por aquele relógio.

Não era bem aquela reação que eu esperava, mas funcionou, de qualquer forma. A menina começou a andar de um lado para o outro, seus saltinhos repicando o paralelepípedo, as delicadas sobrancelhas franzidas como se estivesse concentrada em algo. De repente, ela parou, fazendo sua longa saia bufante balançar.

- Tenho algumas economias. Não é muito, mas posso lhe emprestar quase a quantia toda, e o que faltar poderá pagar depois do casamento! Tenho certeza de que o senhor Estevão não vai se importar.

- Não. De jeito nenhum. Seria ainda pior do que pegar o dinheiro do Tae. - Porque não era fácil uma garota conseguir algum dinheiro naquele século.

Ela me olhou feio assim que eu disse isso, e estava pronta para retrucar quando algo em sua expressão mudou.

- Então você pode pagar com as economias da casa! - Seu sorriso foi tão amplo que quase atingiu as orelhas. - Todo marido oferece um bom montante para o companheiro manter a casa. Para a compra de mantimentos, roupas de cama, pequenos imprevistos, as necessidades dele. É uma boa soma e, se conseguir economizar nos gastos diários, pode conseguir o valor que precisa para comprar o relógio!

- Tipo um salário por cuidar da casa? - perguntei desconfiado. - Porque ele já tem a Madalena pra fazer isso.

- Madalena é governanta. Ela cuida dos afazeres, mas não pode decidir nada sem consultar Taehyung ou a mim. E, a partir de amanhã, será você quem deverá assumir essa tarefa! Não pense que é fácil. Todos os gastos serão sua responsabilidade. E o que sobrar será seu, para gastar como bem quiser. É uma compensação por seu empenho e esforço. Foi assim que consegui juntar minhas economias.

Engoli em seco. Ouvir aquilo não era bom. Nada bom.

- Eu não sou muito boa em cuidar da casa. Vivia faltando leite na minha geladeira porque eu nunca me lembrava de comprar.

A cabeça dela pendeu para o lado.

- Sua geladeira?

- Ah, é um... humm... baú onde eu guardava comida. Dei esse nome a ele. - me apressei em dizer.

Hyuna não tinha ideia da minha história, e eu queria que permanecesse assim. Já bastava ter bagunçado a cabeça de Tae uma vez. Eu estava ali, escolhi aquele século, era tudo o que importava.

- E, de todo jeito, não adianta. Eu queria dar o relógio para o seu irmão amanhã, depois do casamento, e só vou receber essa grana mais pra frente, certo? Voltamos ao problema de eu ser amante do seu irmão.

- Shhhh! Não diga essa palavra em voz alta. - ela enroscou o braço no meu. - E ninguém precisa saber disso. Basta dizer ao senhor Estevão que teve problemas com a remessa de alguns títulos e que, assim que os correios despacharem os documentos, a agência bancaria fará o pagamento.

- Os correios já existem? - perguntei surpresa. Ela se deteve e me olhou confusa. - Existe aqui! Foi isso que eu quis dizer. Se já existe nesta região.

- Bem, temos um agente dos correios na vila. O senhor Bregaro. Mas duvido que o senhor Estevão vá falar com o sujeito. Ele não tem motivos para desconfiar de sua palavra. Ou da minha. Vamos! Temos de nos apressar antes que Taehyubg fique impaciente e decida nos procurar. Ele não pode estragar a surpresa! - Ela fez a volta e me puxou rumo à joalheria.

Eu relutei. O plano de Hyuna tinha muitos furos. Eu podia enganar o seu Estevão e o pessoal da vila, mas Tae não era bobo. Assim que visse o relógio, ele se perguntaria como eu tinha conseguido comprá-lo. Hyuna, porém, garantiu que o irmão pensaria que eu havia utilizado as moedas que ele me dera nas últimas semanas e não tocaria no assunto.

Eu também temia que Taehyung topasse com o seu Estevão e o joalheiro lhe contasse que eu tinha comprado fiado, além da mentira sobre títulos de valor e tudo o mais. Hyuna achou muito improvável; o sigilo absoluto entre vendedor e comprador era quase sagrado naquele século.

Eu tinha quase certeza de que aquele plano não daria certo. Ainda assim, a expressão desolada no rosto de Tae pouco mais cedo naquele dia bloqueou qualquer pensamento e eu entrei na lojinha. E, como Hyuna
antecipara, o senhor Estevão ficou mais do que satisfeito em me vender fiado e acreditou em tudo o que eu disse (e ainda resmungou sobre o senhor Brega-Sei-Lá-das-Quantas precisar de um assistente).

Depois de termos acertado tudo, demorei um pouco para decidir o que queria gravar na tampa do relógio. Evoquei a imagem de Taehyung sorrindo daquele jeito que fazia meu coração se alvoroçar, e as palavras saíram sem esforço.

Estevão levou pouco mais de vinte minutos para fazer a gravação e me entregar o relógio dentro de uma bela caixa de madeira forrada de veludo verde-escuro.

Nós dois saímos da joalheria, passamos rapidamente no sapateiro para pegar minha encomenda - a única coisa que Tae comprou para mim da qual não reclamei, apesar de ele não ter visto o modelo que escolhi - e voltamos para a frente do ateliê de madame Georgette.

Isaac já tinha acabado de empilhar as caixas e nos esperava sentado no banco da frente da carruagem. Pedi a ele que guardasse o relógio dentro de um dos pacotes, e o garoto me atendeu de pronto. Isaac estava sempre disposto a me ajudar. Eu gostava cada vez mais daquele garoto.

Hyuna tocou meu braço de repente e seus dedos finos me prenderam.

- O que foi? - perguntei sem entender.

A garota deu de ombros.

- Apenas atendendo a um pedido curioso.

Eu acompanhei seu olhar e encontrei Tae travessando a rua. Dei um passo à frente, mas Hyuna me conteve, me segurando mais firme, de modo que eu tive de esperar por ele.

Ah!

- Já terminaram? - ele perguntou ao nos alcançar. Educado como sempre, ele se inclinou, os olhos fixos nos meus, tomou minha mão e a levou aos lábios. Um rugido selvagem reverberou pelo meu corpo quando senti a carícia quente em minha pele.

- Já - suspirei.

Ele se endireitou, mas não soltou a minha mão, apenas a realocou na curva de seu braço.

- Excelente. Gostaria que me acompanhasse até a igreja.

- Algum problema com o casamento? - Hyuna arregalou os olhos.

- Não, Hyuna. Está tudo certo. Mas desejo falar com o padre Antônio.

- Ah... - foi minha complexa resposta.

Eu me encontrara com o padre uma única vez, logo depois de voltar para Tae. O homem até que foi simpático e me desejou felicidades assim que soube do nosso noivado, mas bastou ser informado de que eu estava morando na casa dos Kim para que toda a camaradagem desaparecesse. Foi por isso que inventei dezenas de desculpas para não ir à missa nos dois últimos domingos.

- Demoraremos um pouco. - Tae avisou a irmã. - É melhor você voltar para casa. Vou pegar Meia-Noite na casa do dr. Lee mais tarde.

- Está bem, mas procure não demorar muito. Yoongi e eu temos que terminar os arranjos das mesas.

- Farei o possível. - ele concordou com um firme aceno de cabeça.

Despedindo-se da irmã e de Isaac, Tae começou a me guiar pelas ruas da vila, seguindo em direção à igreja.

- Senhor Yoongi! Senhor Yoongi!

Eu me virei. Anelize corria em minha direção, um dos lados da saia levemente suspenso, uma caixa redonda nas mãos.

- Que bom que o encontrei. Eu me esqueci desta encomenda. São suas... - Ela olhou para Taehyung pelo canto do olho. Tae pigarreou de leve.

- Vou esperá-lo ali. - Ele me soltou e se afastou alguns passos.

- São suas... O senhor as chama de cuecas. Estavam embaixo de um rolo de tecidos. Desculpe.

- Não tem problema. Pode entregar para Hyuna? Eu tô indo pra igreja agora.

- Ah, claro. E o senhor faz muito bem. Rezar numa hora dessas é tudo que podemos fazer.

Eu ainda não tinha entendido o que ela quis dizer quando seus braços magros me envolveram.

- O senhor estará em minhas orações todas as noites.

- Humm... Valeu - dei um tapinha desajeitado em suas costas. Quando ela se endireitou, percebi que tinha lágrimas nos olhos. - Anelize, você tá bem?

- Ah, como o senhor é atencioso! Com tanto para pensar, ainda é gentil o bastante para se preocupar comigo. Farei uma novena para o senhor. Minha fé é poderosa. Vai dar tudo certo. Oh, não! A senhorita Hyuna está partindo. Preciso entregar o pacote a ela!

Anelize gritou enquanto se apressava na direção da carruagem, e eu fiquei ali, observando a garota magra e alta feito um cabo de vassoura, que não falara coisa com coisa, se aproximar de Isaac e estender a caixa para o alto. Eu ainda observava a assistente de madame Georgette quando Tae me abordou.

- O que aconteceu?

- Eu honestamente não sei.

- Podemos ir? Não quero que minha irmã fique furiosa comigo por mantê-la longe de casa na véspera de nosso casamento. Assenti e aceitei seu braço.

- Espero que o padre esteja de bom humor hoje - comentei. - Madalena disse que ele perguntou por mim ontem, quando apareceu para acertar uns detalhes com você. Foi muita sorte Hyuna ter me arrastado com ela e SooHyun ao ateliê da madame Georgette logo cedo.

- O padre Antônio apenas se preocupa com a sua reputação. Amanhã, no entanto, essas aflições terminarão. Você será meu perante Deus e os homens. Para sempre. - dicionou ele, com um sorriso torto satisfeito.

Eu sorri também. Tae e eu estávamos tentando - de verdade - nos manter afastados um do outro. Em parte porque Madalena era um tremendo cão de guarda, e, em parte, porque Taehyung queria fazer tudo de acordo com a tradição. Mas, sabe como é, estávamos apaixonados, e de boas intenções o inferno está cheio.

Entramos na igreja em estilo barroco localizada bem no centro da vila. A capela não era tão diferente da que eu estava acostumada. Tinha bancos de madeira escura e um altar simples, e algumas imagens de santos nos davam as boas-vindas. Na lateral, em um pequeno recuo, ficava o confessionário, uma espécie de casinha. Não gostei dela.

- Por que você precisa falar com o padre? - sussurrei enquanto atravessávamos o corredor.

- Quero me confessar.

Foi aí que entrei em pânico!


Notas Finais


Espero que tenham gostado e desculpe qualquer erro!

Bye bye


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