História Reconstrução - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 3
Palavras 1.800
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estou de volta da terra dos sem-internet!!!
Vou tentar escrever o máximo possível, enquanto posso. Boa leitura!

Capítulo 7 - Capítulo Seis


DANIEL

  Enquanto atrevesso as portas do refeitório, consigo sentir os olhos de todos em mim. E não poderia me importar menos. Os corredores estão tão vazios, que é possível ouvir os passos dela enquanto ela se afasta, o que torna muito fácil segui-la. Corro, dobrando varias "esquinas", seguindo o som até que ele cessa, e eu vejo uma porta à minha esquerda batendo. Ela só pode estar lá. Alcanço a maçaneta, mas paro antes de gira-la.
   O que eu estou fazendo aqui?
   Não planejei seguir ela, então não sei como prosseguir. Fico parado, tentando descobrir o que fazer e não encontro nenhuma resposta. Sério, o que eu diria? "Hey, eu sou uma espécie de perseguidor seu, vi você sair correndo do refeitório e vim ver se estava bem!". Não vai rolar.
   Mas qualquer pensando racional me abandona quando ouço sua respiração ficando cada vez mais difícil e irregular. Algo definitivamente não está certo, e mais uma vez minha impulsividade leva o melhor sobre mim. Abro a porta com tanta força, que ela acaba batendo contra a parede que contêm uma imagem completa da tabela periódica. Mas nem mesmo o barulho da batida chama a sua atenção. Ela está olhando para a frente, mas não parece estar vendo nada. A sua dificuldade para respirar é visível e está me deixando inquieto. O que pode ter ocasionado uma reação tão extrema?
   Ela está sentada no chão, atrás da mesa do professor e encostada na parede abaixo do quadro. Me aproximo e agacho ao seu lado, ainda não chamando sua atenção. Nunca presenciei um ataque de pânico, mas tenho certeza de que se parece com isso. Lentamente coloco minha mão em seu ombro, tentando fazer ela me notar. Não funciona.
   - Sarah? Está tudo bem?- eu sei que não está, mas essa é a unica coisa que me vem à cabeça. - Sarah, tente olhar pra mim. Sarah?
   A falta de resposta dela está assustando o inferno fora de mim. Os próximo dois minutos parecem uma eternidade, até que ela me olha. Seus olhos verdes estão cheios de lágrimas não derramadas e exibem uma mistura de dor e dúvida. Como se ela tivesse acabado de ser varrida de seus pés.
   - Está tudo bem. Tudo vai ficar bem.- sussurro uma e outra vez, enquanto massageio suas costas levemente. Repito tantas vezes que em certo ponto, nem escuto mais. Repito até que sua respiração se acalma e as lágrimas represadas caem, silenciosamente. Ficamos assim, em silêncio, por mais alguns minutos, até que o sinal toca, nos tirando do nosso transe, indicando que o horário de almoço chegou ao fim. Ela se levanta tão rápido que me assusta, e eu acabo caindo para trás, perdendo a chance de falar qualquer coisa. Fico sentado enquanto a assisto correr para longe de mim, pela segunda vez hoje. Mas, dessa vez, fico onde estou.
  
   ★ ★ ★

   Depois que saí da sala em que a encontrei, fui direto para o meu armário e em seguida, para minha próxima aula. Durante o resto do dia pude sentir as perguntas, não formuladas, pairando sobre mim. Ao que tudo indica, todos querem saber o que está acontecendo entre nós. Bem, boa sorte com isso, nem mesmo eu sei.
   No meu ponto de vista, isso está se tornando um grande, um enorme inconveniente. Mas não posso evitar. Meses atrás ela era só uma garota bonita, que por acaso estuda na mesma escola que eu. Mas depois de ver seu corpo se quebrando em soluços à quatro meses, eu passei a me preocupar com ela. Eu não gosto dela, disso eu sei. Mas não consigo ser indiferente. É uma ligação que eu não consigo explicar. Passo as próximas horas divagando a respeito da relação inexistente entre nós dois e não vejo Sarah nenhuma vez, até o fim do dia.
   Quando as aulas terminam, e eu me dirijo para o estacionamento, começo a rezar silenciosamente, e a desejar que o dia de hoje nunca tivesse acontecido. Demi está encostada no meu carro, praticamente fervendo. Me aproximo cautelosamente e tento agir como se não estivesse rolando nada demais.
   - Hey querida..- eu tento, mas sou interrompido imediatamente.
   - Corta essa! - Demi grita, ganhando automaticamente a atenção das pessoas ao nosso redor. - Que porra você acha que está fazendo me deixando sozinha, para ir atrás daquela vagabunda?!- ok, então estamos indo direto ao ponto.
   - Eu não fui atrás dela. - eu minto. - Foi uma coincidência, apenas percebi que havia deixado meu celular na sala ao mesmo tempo em que ela saiu correndo. - eu sei, eu sei. Não poderia mentir nem pra salvar a minha vida, que por acaso é exatamente o que eu estou tentando aqui, mas tenho que tentar contornar a situação, pelo menos até estarmos em outro lugar.
   - Hum... é mesmo? Então porque você não me disse isso anter de sair correndo?- ela pergunta, nem um pouco convencida.
    - Porque... hum.. bem, você sabe! Eu não queria, ah... atrapalhar o seu almoço! É isso, eu não queria atrapalhar o seu almoço. - por todos os deuses! Essa mentira parece patética até para mim.
   - Besteira!!- ela grita e de repente, um silêncio sepulcral cai sobre todos, e é como se estivem esperando a próxima fala.
   Nesse momento eu tenho duas opções, entrar na onda e dar um belo show para os fofoqueiros de plantão ou, tentar amansar a fera e fazer o máximo de controle de danos, antes que a situação saia dos eixos de vez.
   - Baby..- ela sempre adora quando eu a chamo assim. - Não é nada disso. Vamos para a minha casa e lá conversamos, ok?- eu falo enquanto chego mais perto e a envolvo em meus braços. Parece que ela vai discutir, mas após dar uma olhada a nossa volta, muda de idéia.
   - Vamos sair daqui, antes que eu exploda de vez! Eu acho bom você me dar uma ótima explicação, Daniel.- diz Demi, se soltando bruscamente de mim, dando a volta para o lado do passageiro e entrando no carro. Eu suspiro, e assumo meu lugar atrás do volante.
   Manobro meu sedan preto para fora da vaga, me afasto e, quando estou quase cruzando os portões vejo Sarah pelo espelho retrovisor, andando até um carro sob o olhar atento de todos que a cercam.
   Eu realmente queria poder apagar o dia de hoje. Meus impulsos só tornaram as coisas mais difíceis para todos nós.

SARAH

   Meu celular parece pesar uma tonelada. A única coisa na qual consigo pensar é aquela maldita mensagem. Depois da cena que eu fiz no refeitório, e do episódio que eu prefiro não comentar, com Daniel, eu não toquei mais nele. Tentei ignorar totalmente o que havia acontecido, mas foi inútil. No meio da sexta aula, eu o senti vibrar novamente, e levou tudo de mim para não ver do que se tratava.
   Algumas possíveis explicações passaram pela minha cabeça. Foi engano? Uma brincadeira de mal gosto? Mas no fundo, eu sei a resposta, só tenho medo de admitir.
   Consigo manter a maioria das minha emoções sob controle até chegar em casa. Mas, assim que a porta do meu quarto se fecha, um turbilhão me atinge e eu não consigo parar a tempestade de pensamentos que me domina. Em meio a tudo, uma das minhas piores lembranças vem à tona. Eu sinto como se tivesse sido ontem.

  É noite, estou em meu quarto vendo algo no YouTube, algo engraçado, estou rindo tanto que tenho lágrimas nos olhos.
É uma noite como outra qualquer. Jantei com meus pais e depois subi para fazer as tarefas da escola. Minha mãe saiu para encontrar algumas amigas, hoje é a "Quinta das garotas", como a minha mãe gosta de chamar. Uma quinta de cada mês elas se reúnem, tomam drinks, riem e reclamam da vida, pelo menos é o que a mamãe me diz. Antes de sair, como sempre, ela diz que me ama e que volta logo.
   - Eu te amo mais! - é sempre a minha resposta.
   Horas se passam, nem percebi que ela já devia ter voltado. Estou tão distraída que não ouço o telefone da cozinha tocar. Tão distraída, que me assusto quando meu pai passa pela minha porta com a morte refletida em seus olhos e me diz que algo aconteceu. Antes mesmo que ele fale, algo dentro de mim quebra, algo único e precioso, algo que eu nunca vou recuperar.
   - A sua mãe sofreu um acidente.. - ele diz. - ... não puderam fazer nada para salva-la, ela ficou muito ferida e o socorro demorou muito pra chegar.
    Ele continua falando, mas eu não ouço nada. O mundo como eu o conhecia, meu mundo, acaba de ser arrancado de mim. Minha mãe se foi? Não é possível, ela sempre volta pra casa, pra mim. Ela sempre volta.
   - Eu preciso ir até lá para fazer o reconhecimento e iniciar os preparativos. Já chamei sua tia Samanta, ela vai ficar com você enquanto eu estiver fora. - ele diz isso ao me abraçar e me impede de cair de joelhos, enquanto tudo a minha volta desmorona.
   Um choro feio e desamparado toma conta de mim. Minha mãe, minha melhor amiga, meu porto seguro nunca mais vai entrar no meu quarto carregando o mais novo figurino que acabou de fazer. Nunca mais vai deitar na minha cama comigo e jogar conversa fora até altas horas. Nunca mais vai se emocionar com uma apresentação feita única e exclusivamente, em sua homenagem. Nunca mais vai ouvir o meu "Eu te amo mais".
   Nunca mais.

   Aos poucos consigo me distanciar da horrível memória. Sempre me mantenho afastada delas, das memórias ligadas aos dias que seguiram a sua morte. Levei longos e dolorosos meses para, mesmo que minimamente, bloquea-las. Sento na beirada da cama e tento me acalmar. Quando consigo dominar minhas emoções, alcanço minha bolsa, que joguei no chão quando entrei, e pego meu celular. Assim como eu temia, recebi outra mensagem do mesmo número desconhecido. Essa diz: "George sabe mais do que parece."
   George é o nome do meu pai.
   Não foi engano, agora tenho certeza absoluta. Minhas esperanças me abandonam, conforme eu visito aquela memória novamente. Os olhos do meu pai me diziam uma coisa, mas seu corpo, dizia outra. Na época pareceu que ele estava em choque. Mas agora que a dúvida foi plantada, algo em seu comportamento parece fora de lugar. Sua fala era quase automática, como se tivesse sido ensaiada. A forma controlada com que ele disse que iria fazer o reconhecimento do corpo da mulher que amava, agora me parecia muito fria e distante.
   O que está acontecendo? Quem faria isso? Me mandar mensagens que tem o poder de me fazer questionar o comportamento do meu próprio pai.
   E o mais importante: Porque?


Notas Finais


É o que temos pra hoje! E então?
Volto para corrigir os erros num futuro próximo.
P.s.: a partir do próximo capítulo vou começar a inserir músicas na narrativa. O que acha?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...