História Reconstrução - Capítulo 8


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


I'm back! Boa leitura!

Capítulo 8 - Capítulo Sete


SARAH

   São 3h da manhã.
   Eu não consigo fechar meus olhos sem continuar repassando o exato momento em que meu pai me deu a notícia da morte da minha mãe. Fiquei tão presa nisso, que só agora, me ocorreu ligar para o número do qual recebi as malditas mensagens. Transfiro o número para a área de discagem e pressiono o botão de chamada. Muitas possibilidades pairam sobre essa ligação. Porém, antes que eu possa analisar qualquer uma delas, a chamada é encaminhada para a caixa postal. Diretamente para a caixa postal. E eu posso apostar que as mensagens foram enviadas de um pré-pago. Quem está plantando as dúvidas, aparentemente, não quer ser encontrado. Seja lá quem for.
   Logo os primeiros raios de sol se infiltram pelas cortinas roxas, que pendem da minha janela. Eu tenho que ficar pronta para a escola e encarar o meu pai. Penso seriamente em confronta-lo, mas mudo de idéia, afinal o que está acontecendo pode ter como objetivo atingir a ele e a seus negócios. Meu pai é um empresário muito importante no seu ramo.
   Pensando bem, talvez eu deva contar para ele exatamente por isso. Se estão tentando atingi-lo, ele deve saber, certo? Tomo a decisão e me arrumo o mais rápido que posso. Enquanto faço isso a conclusão à que cheguei vai ficando mais, e mais convincente. Só pode ser isso. Agora me sinto boba por ter cogitado algo diferente. Com certeza minhas lembranças parecem estranhas, porque eu estava sendo influenciada pelo pânico e pela confusão que aqueles torpedos me causaram. A pressa e o fato de não ter dormido, fazem com que eu desça mais cedo do que de costume. Ao me aproximar da cozinha vejo papai falando ao telefone, de costas para mim e apoiado no balcão. Ele não me nota entrando, então não interrompe a conversa.
    - Eu sei que estamos arriscando muito com essa jogada, mas vai dar certo! - sua voz está firme e parece que ele esta discutindo isso faz tempo. Continuo caminhando em sua direção, mas sua próxima frase me para no meio de um passo. - Você só tem que manter os federais longe desse esquema, e eu poderei fazer a minha parte sem maiores problemas.
   Federais? O que isso significa? Meu pai é importante no que faz, mas ele trabalha com construções. O que os federais teriam a ver com os seus negócios? E porque ele os quer afastados?
   Um milhão de perguntas surgem em questão de segundos, nublando a minha mente. Olho ao redor da cozinha espaçosa, que era o cômodo favorito da minha mãe, e parece que ela está se fechando aos poucos sobre mim. Eu sei que posso estar entendendo tudo errado, mas minha nuca se arrepia e, algo me diz para sair daqui sem ser notada por ele. Então é o que eu faço.
   Volto para o meu quarto e espero a hora de ir para o colégio se aproximar. Quando desço as escadas novamente, papai esta sentado na cabeceira da mesa com uma xícara de café na mão e um sorriso no rosto. Acabo inventando uma desculpa qualquer para sair mais cedo, sem tomar café da manhã ou olhar em seus olhos.

★ ★ ★

   Hoje era meu dia de dar carona ao Jonas, mas preciso de mais tempo para me recompor, então mando um sms dizendo que vou me atrasar e perder a primeira aula e, por isso ele deve ir sem mim para a escola. Não espero uma resposta, desligo o celular e estaciono perto de uma praia que eu adorava frequentar. Fica a menos 10 minutos da minha casa. Tiro as sandálias que escolhi usar hoje, saio do carro e ando direto para a areia. Enterrar meus dedos na areia branca sempre foi uma das minhas coisas favoritas no mundo. Eu sou uma rata de praia e nunca me canso disso.
   Hoje ainda é terça feira. E não são nem oito da manhã. Os últimos surfistas do amanhecer estão saindo da água e, com exceção deles, a praia está deserta. Caminho até a pedra que declarei minha quando tinha 7 anos e me sento, assistindo as ondas se formarem no horizonte e se tornarem espuma quando encontram a areia. Não venho aqui desde o enterro. Lembro que depois que saí do cemitério, dirigi direto para cá e me sentei por horas lembrando de todas as vezes que estive aqui com ela. Uma lembrança em especial me fez rir.
  
   Eu tinha 9 anos, estávamos deitadas em uma toalha, bem ao lado da minha pedra, e um grupo de crianças chegou correndo, apostando para ver quem a alcançaria primeiro. Um garoto magro e com cabelos vermelhos como o fogo ganhou e eu não me importaria se ele não tivesse subido na MINHA pedra e dito:
   - Agora essa pedra vai ser o meu trono, e vocês os meus subitos! - eu poderia ter rido do erro dele como a minha mãe fez, mas eu estava muito ocupada empurrando ele de cima da pedra, para rir.
    - Seu trono uma ova! Essa pedra é minha! - eu disse enquanto subia nela. - E se diz SUDITOS e não SUBITOS!
   Eu podia ouvir a mamãe tentando segurar a risada. Como esse peste ousa reivindicar a minha pedra?!
   - Sua pedra? Por acaso seu nome está escrito nela?- ele pergunta, zonbando de mim e fazendo seus amigos rirem. Porém, ele escolheu a provocação errada, porque o meu nome estava escrito na pedra e eu não perdi tempo em apontar para ele. Eu o escrevi bem perto da base, com tinta roxa, minha cor favorita. Fiz isso quando tinha sete, então estava um pouco apagado, mas estava lá.
   Ele ficou um tempo calado, mas então disse: - Quem me garante que esse é o seu nome, feiosa? - sua trupe riu outra vez.
   Feiosa?! Eu ia mostrar a feiosa pra ele!
   Minha mãe que, até então, estava deitada observando e rindo, pareceu ler a minha mente. Ela se sentou e disse:
   - Sarah, nem pense nisso... - ela sempre me lia tão bem. 
   - Mas eu não ia fazer nada, mãe! - eu falei, olhando para ela por cima do meu ombro. Ela me respondeu com o olhar que dizia que ela não acreditava em mim. - Eu não ia!
   - O nome dela é Sarah, sim. A pedra é dela. Vocês podem brincar aqui, mas não quero ninguém reclamando a pedra da minha filha. - ela disse para o grupo, todos a olhavam sérios, enquanto ela tentava segurar a risada.  Eles acenaram e sairam correndo para loge. Me virei e olhei para ela com a cara mais inocente que pude fazer.
   - Você ia pular naquele menino, não ia?- ela pegunta, eu começo a negar, mas a gargalhada dela me cortou e encheu o ar a nossa volta.
   Ela sabia que eu ia.

   Levei anos para entender que, o absurdo de reivindicar uma pedra na praia para a sua filha de gênio forte, foi o motivo de tantas risadas.
   Com o tempo fui retocando o meu nome com o mesmo tom de tinta roxa, sempre que podia. Ele ainda está aqui. Apagado, mas está aqui.
   Foco meu olhar no horizonte mais uma vez, e tento decidir o que fazer a seguir.
   As mensagens, minhas recém reavalidas lembranças e o telefonema que eu presenciei mais cedo, estão formando um nó na minha cabeça. Como tudo se encaixa? Se é que realmente existe algo para relacionar. A possibilidade de eu estar imaginando tudo isso, não foi descartada. Minha melhor chance de descobrir, é perguntar ao meu pai, mas não consigo esquecer o sentimento de insegurança que me tomou na cozinha quando estava com ele. Não me senti segura escutando aquela conversa, por isso saí sem que ele me notasse. E isso não é um bom sinal.

DANIEL

   De todos os lugares para encontrar o motivo dos meus atuais problemas, uma praia deserta com certeza é o pior.


Notas Finais


Eu disse que iria começar a introduzir musicas na narrativa, mas não encontrei uma que se adequasse ao capítulo, então fica para o próximo!


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