História Recovery - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, One Direction
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Harry Styles, Lauren Jauregui, Liam Payne, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren
Exibições 68
Palavras 5.426
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oee, gente
Segue aqui mais um capítulo :)

Capítulo 2 - Hospital


 Eu sentia meus sentidos voltando aos poucos. Ouvia vozes... talvez, um choro? Mas eu não conseguia abrir os olhos, sentia minhas pálpebras absurdamente pesadas. Rapidamente eu cai em um sono de novo.

(...)

Mais uma vez é como se eu tivesse acordando. Vozes... depois silêncio... porta abrindo e fechando... até que me entreguei mais uma vez ao sono, é como se apenas ouvir me causasse um esforço absurdo.

(...)

A audição voltando... e mais uma vez eu tentei abrir os olhos, sendo essa tentativa bem sucedida. Ao abrir um pouco mais os olhos, uma claridade absurda me invadiu, fazendo com que eu os fechasse com força, abrindo novamente após um tempo e me acostumando com a claridade. 

Abri e fechei as mãos, como que conferindo qualquer coisa. Olhei em volta, enxergando um quarto branco, onde havia uma máquina ao meu lado que realizava o famoso "bip-bip". Era óbvio que eu estava em um hospital, e o quarto até que era bastante ajeitado. Não havia ninguém ali, mas o problema era eu não me lembrar exatamente como fui parar ali, e eu fazia um esforço absurdo para recordar quando ouvi a porta abrindo, roubando minha atenção.

Olhei naquela direção e ao ver a pessoa que adentrando o quarto, senti meu coração gelar. Parando abruptamente e completamente pálida, estava minha antiga amiga Vero, ainda segurando a maçaneta da porta.

Nós nos olhávamos, mas nenhuma ousava dizer nada. Eu queria perguntar como fui parar ali, mas era como se isso não fosse mais tão importante. Vero estava ali, na minha frente, soltando a maçaneta da porta e caminhando até a cama. Percebi um brilho em seu olhar, mas a frase que se segui me pegou de surpresa:

 - Que bom que está viva, Lauren. Agora eu mesma terei a chance de matá-la. - arregalei levemente os olhos. Vero me encarava com uma olhar extremamente ameaçador, e eu não sabia o que devia dizer. É como se eu tivesse perdido o jeito de conversar com ela, depois de tantos anos. - Você tem ideia do que aconteceu, pelo menos? - ela disse em um tom baixo, repirando lentamente, parecia estar se controlando para algo.

 - Na verdade... n-não? - gaguejei ridiculamente. Eu queria tanto um sorriso de Vero (claro que eu nunca admitiria isso), eu estava absurdamente confusa, e mesmo se isso fosse um sonho, eu queria desfrutar um pouco da presença de minha antiga melhor amiga. Mas ela parecia ter outras coisas em mente. 

 - Não? - ela parecia me desafiar, e eu me sentia ridícula por não saber o que responder. Até que tudo começou a fazer sentido, e tive certeza do meu palpite com a próxima fala de Vero. - Você ao menos lembra o motivo de não ter retornado minhas ligações e mensagens? - me encolhi minimamente na maca em que estava deitada. - 7 anos sem aparecer e 3 anos sem dar um sinal de vida, Lauren, 3 ANOS. - o aumento no tom de voz de Vero me atingiu em cheio e eu senti um enorme dor de cabeça me consumir. Fechei os olhos com força, colocando uma mão em cada têmpora. - Me desculpe, eu... - olhei para Vero e ela parecia meio perdida e culpada, mas eu não a culpava. - Acho melhor eu chamar o médico. - dito isso saiu rapidamente do quarto. Nem tive tempo de dizer mais nada. Fiquei ali, olhando para a porta entre aberta, pensando em como fui parar ali, enquanto a dor de cabeça aliviava.

 - Que bom que acordou, senhorita Jauregui. - fui tirada de meus pensamentos pelo médico que entrava no quarto acompanhado de uma Vero acanhada. Uma súbita alegria me consumiu por saber que ela ainda estava ali. - Lembra-se de algo? - ouvi a voz do Doutor que devia ter em tordo de uns 40 anos. Assenti negativamente com a cabeça. - Poderia me dizer em que data estamos?

 - Ah... 10 de julho de 2016? - respondi com grande incerteza. A última vez que lembro de ter reparado na data foi em um quarto de hotel qualquer lá em Londres na última missão em que trabalhei.

 Meu Deus, meu trabalho. Droga, droga. Minha chefe, Simone, deve estar louca por eu não ter entrado em contato com ela. Espera, será que ela sabe que estou aqui? Com certeza ela sabe, então, onde está ela? 

 Não deixei essa confusão de pensamentos transparecer, não queria falar sobre trabalho com Vero ali presente. O médico avaliava todo meu corpo, como se procurando uma lesão. Chegou até a colocar aquela luzinha irritante nos meus olhos. 

 - Sinto dizer. senhorita Jauregui, mas estamos em 4 de agosto de 2016. - que? - Você ficou em coma por 3 semanas. - Droga, droga, droga. - Lembra-se o que aconteceu para que viesse parar aqui? - não, eu não me lembro, mas sei que tenho que sair daqui urgentemente e ir trabalhar. Sei que minha superior deve saber do meu caso, com certeza, e inclusive é um tanto estranho não haver nenhum representante aqui.

 - Não lembro não. - respondi inocentemente em meio ao turbilhão de pensamentos. Mas na verdade eu lembrava aos poucos do que aconteceu. Lembro dos meus pensamentos antes de direcionar o carro naquela maldita árvore... - O que aconteceu? - Vero ouvi a conversa antentamente, intercalando seu ohar entre eu e o médico.

 - Bom, de forma simplória, a senhorita sofreu um acidente de carro em Nova York e isso ocasionou algumas lesões pelo seu corpo e um traumatismo craniano, ou seja, seu tecido nervoso sofreu um inchaço e tivemos que colocá-la em um como induzido para que o tratamento pudesse ser feito e a circulação de sangue nos vasos sanguíneos voltasse a ocorrer normalmente. A senhorita foi transferida de Nova York e agora está no Hospital Central de Miami. Vou pedir mais um pilha de exames padrões, enquanto isso peço que repouse e se alimente bem até próximas instruções. - dito isso, se retirou da sala com um aceno de despedida. Por que será que eu havia transferida? Será por ordens de Simone? 

 E mais uma vez me vi sozinha com Vero, ela ficou quieta o tempo todo, e confesso que aquilo estava começando a me incomodar. Ela me encarava e eu a encarava de volta. 

 - Como... - limpei a garganta nervosamente. - Como você está? - eu esta extremamente relutante, e previ que essa pergunta era um tanto quanto idiota. 

 - E você por acaso se importa? - respondeu categoricamente. Aquilo estava começando a doer. Ela parecia tão magoada, parecia... decepcionada.

 - Mas é claro que me importa. - eu tinha que retomar a postura, não queria parecer fraca agora, mesmo estando em uma cama hospital. 

 - Você não sente vergonha? - Vero perguntou duramente olhando nos meus olhos. Me encarou por um tempo, ambos não sabíamos o que dizer, até que por fim falou, após um suspiro: - Vou ligar para seus irmãos. - e ia saindo do quarto quando eu me manifestei. 

 - Espera! - ela não disse nada, somente parou na porta. Eu podia perceber que ela não queria me olhar, a mágoa era evidente nos seus olhos que pareciam começar a ficar lacrimejados. - Acho melhor... é... eles não virem, sabe... eu tenho que ir embora e...

 - Você tá de brincadeira? - quando me olhou, fiquei mais nervosa do que já estava. - Como ousa, Jauregui? Meu Deus, quem é você, afinal? - agora ela havia perdido a paciência. Não deu nem tempo e ela saiu rapidamente do quarto. 

 Fiquei imersa em pesamentos. Eu sentia um grande cansaço começar a me invadir, mas eu não estava afim de descansar agora, mesmo sabendo que isso poderia prejudicar na minha recuperação. Olhei para os lados em busca do meu celular e não encontrei nada, até que a porta foi aberta novamente. A hora que olhei para quem estava ali foi como se uma onda de alívio percorresse pelo meu corpo.

 - Fiquei sabendo que acordou. - disse com o tom de voz divertido, parando em frente a porta agora fechada. 

 - Pois é. Tenho certeza que sentiu minha falta, Roger. - dei um sorriso de lado e ouvi a risada irônica do agente preencher o quarto.

 - Pelo visto você está ótima. - disse cruzando os braços e me olhando atentamente, ficando sério. - Simone está puta com você. - senti um leve desespero. Nada pior que irritar a chefe. - Disse que vai te dar um aviso. 

 - Ah, droga. - tombei a cabeça para trás e revirei os olhos. A cama não estava totalmente reta, estava inclinada um pouco na parte do travesseiro. - Acho que mereço, afinal.

 - Merece mesmo. - o encarei como se estivesse incomodada por ele ter concordo comigo, e realmente fiquei. . - Não adianta me olhar assim. O que deu em você? Sabe que o que fez diz muito sobre seu lado médico, não sabe? 

 - Está me dizendo que tenho problemas psicológicos? - conversávamos baixo, sabia que ele deveria estar com problemas. Provavelmente deve ter ouvido muito de Simone, afinal, ele era meu parceiro de campo enquanto estávamos em Nova York. 

 - Não, estou dizendo que você está abalada emocionalmente, consumindo álcool com uma frequência comprometedora. Acha que não notamos? - suas palavras me atingiram em cheio. - E isso sim, pode te tirar do serviço por um tempo. - quando ouvi ele terminar de falar o encarei. Eu não podia parar de trabalhar, tinha que ocupar minha cabeça com algo, se não eu tenho certeza que posso chegar a piorar. 

 - Ela não seria capaz disso. Sabe que amo o que faço. - não disse nada mais que a verdade. 

 - Ninguém duvida disso, afinal, seus trabalhos sempre foram ótimos. - suspirei. Olhei pela janela tentando pensar em uma solução. 

 - O caso que estávamos cuidando em Nova York...? 

 - Como não conseguimos nada muito concreto contra o alvo em relação ao que estamos procurando, Simone achou melhor dar um tempo. Parecia que ele estava fazendo umas transferências, o que nos leva a crer que suspeita que estava sendo vigiado. - assimilei todas as palavras dele e concluí que se Simone deu essa ordem, eu não iria contra ela nessa atual situação. 

 - Quando eu saio daqui? - disse mudando de assunto ainda olhando para a janela, onde o Sol da manhã brilhava e reluzia pela cidade. 

 - Daqui, o mais rápido possível, Simone cuidou para que seu tratamento fosse o melhor. Depois vai para o centro médico da central fazer outros exames.

 - Por que não fui mandada direto pra lá? - perguntei curiosa o encarando novamente. Essa era uma boa pergunta, já fui mandada dezenas de vezes pra lá. 

 - Bom, é... - ele estava visivelmente nervoso. Arqueei a sobrancelha o encarando.  O que ele estava escondendo? - Sabe... - ele foi interrompido pela porta aberta subitamente. 

 - Quantas vezes já disse para não entrar aqui? - Vero disse visivelmente irritada. 

 - Moça, já disse para me respeitar. - Roger, meu parceiro de trabalho, tentava manter a pose, mas com o olhar de Vero até eu fiquei receosa. 

 - Saia. - disse lentamente o encarando fixamente. 

 - Não, espere, ele não pode sair. - me manifestei. Vero me encarou ainda mais raivosa que antes, até que jogou as mãos para o alto, e respondeu:

 - Ok, tudo bem. Só quero ver quando seus irmãos aparecerem. - disse cruzando os braços e me desafiando. Os dois me encaravam, e eu me sentia mais perdida a cada momento. Ela realmente tinha os chamado. Droga.

 - O que você prefere, Lauren? - Roger me olhou. Eu sabia que ele, de certa forma, entendia minha situação.

 - Vou esperá-los. Pode ficar lá fora, Roger. Avise Simone que quero conversar com ela. - ele acenou positivamente com a cabeça e se retirou sem mais. Roger era extremamente profissional e eu sabia que ele iria respeitar toda e qualquer decisão minha. 

Vero sentou na poltrona quando ele fechou a porta. Ficamos ali sem dizer nada. Eu olhava pela janela e Vero pegou seu celular. Pelo jeito que digitava parecia conversar com alguém, se fosse a 7 anos atrás nós jamais estaríamos em tal silêncio e constrangimento. O tempo passava, e meus pensamentos caíram novamente sobre ela. Desde que acordei já havia pensado algumas vezes nela. Isso chega a ser algo absurdo. Fiquei pensando em Camila, em como será que poderia estar a vida dela agora, como seria se eu a reencontrasse e não vi o tempo passar, até o momento de a porta abrir, novamente. 

 - LAUREN. - mal tive tempo de processar a situação e já senti um corpo se chocando ao meu. Foi quando senti tudo doer novamente, mas aquele abraço, meu Deus, eu reconhecia. 

 - Pessoal, vocês não podem entrar assim. - ouvi uma voz aleatória enquanto eu estava estática. Já sentia as lágrimas de minha irmã molharem meu pescoço. Meu Deus, eu já não lembrava de como sentia falta disso. Queria tanto retribuir o abraço, e fui enlaçando seu corpo aos poucos com meus braços. - Moça, por favor, se afaste da paciente. - senti Taylor se afastar e só aí percebi como queria seu calor. Olhei em seus olhos que estavam absurdamente vermelhos, havia um misto de alegria e tristeza. Nossa, como ela havia crescido, estava uma mulher. 

 Finalmente olhei quem estava atrás dela, completamente quieto, e... meu Deus. Chris estava ali, seu rosto inexpressivo. Não é mais aquele garotinho. Se eu o visse na rua aleatoriamente, talvez não o reconheceria. É um homem formado.

 Senti minha cabeça girar e uma ânsia me invadir. Droga, eu estive tanto tempo longe deles, me sinto tão ridícula...

 - Senhorita? Olhe para mim. - ordenou a enfermeira. Eu não queria fazer nada, apenas encostei a cabeça na cama e apertei os olhos com força. 

 - Lauren... fala comigo, o que está sentindo? - ouvi a voz de Vero e percebi que ela se aproximava.

 - Por favor, se retirem, estou indo chamar o médico. - a tontura piorou, e me senti como se tivesse desligado.

(...)

 Senti meus sentidos retomarem a sensibilidade. Ouvia vozes, mas demorei um tempo para destingui-las. 

 - Eu vou ficar aqui e ninguém vai me tirar. - parecia ser a voz de Taylor.

 - Está tudo bem, seu irmão foi conversar com o médico, vai dar um jeito de ficarmos. - Vero, com certeza era ela.

 - Você avisou alguém? - a pergunta demorou para vir, porém eu ainda não tinha aberto os olhos. Seja talvez porque eu queria evitar esse esforço, ou por querer ouvir o que elas tinham para conversar.

 - Conversei com Dinah e Ally. Elas disseram que iriam avisar os outros. - ouvir o nome das duas fez meu coração disparar. 

 - Acha que elas virão? - o que? Taylor está falando sério? Elas não podem vir, não possso vê-las...

 - Não sei se Ally conseguirá vir agora. Dinah está louca para isso, mas sabemos que ela irá brigar com Lauren e ela não pode com isso por enquanto. - ouvir elas falando de mim assim me fazia sentir tão impotente. Saber que Dinah está louca da vida comigo não é exatamente uma surpresa, mas não queria lidar com ela. Meu Deus, eu só queria ir embora. Antes de dormir devo ter ficado acordada por 1 hora e já quero ir para longe novamente. Não é exatamente querer, mas sim , de dever...

 - Tem razão... e Camila e Dave? - a pergunta era a que meu subconsciente tanto esperava. Talvez tenha sido por isso que eu ainda não tenha pedido socorro para Roger, queria saber dela. Será que ela sabia que eu estava aqui? Será que ela se importava? Onde será que estaria nesse momento? Será que ao menos sabia que eu estive em coma?

 - Ainda não sei. Se eles vão saber logo ou não acho que depende muito de Dinah, ela é a melhor pessoa para contar a eles que Lauren acordou. - sim, ela sabia que eu ao menos estava em uma cama hospitalar. E o que será que achava disso? Será que se preocupava comigo? E Dave, meu antigo melhor amigo, como ele estaria no meio de tudo isso?

 Decidi abrir os olhos lentamente, Vero estava sentada no sofá e Taylor na poltrona. Quando perceberam meu movimento vieram até mim e perguntaram se eu estava bem. Não sabia como agir com nenhuma delas. Entendia que Taylor queria minha atenção, mas eu não sentia que poderia dar isso a ela agora.

 Demorou um tempo e Chris apareceu. Ele não falou muito, apenas perguntou como eu estava. Não me deu um abraço como Taylor, e o fato de nem ao menos ter se aproximado apertou meu coração. O médico havia dito que elas poderiam ficar ali durante o resto do dia, mas que a noite apenas uma pessoa poderia ficar comigo no quarto. A enfermeira veio mais algumas vezes me dar medicamentos. Eu estava com um curativo na cabeça e outros machucados pelo corpo, o mais grave na perna esquerda; eu não havia me incomodado tanto, talvez pelo fato de ultimamente estar "acostumada" a me machucar nas missões. Antigamente eu não era assim, mas desde que comecei a usar o álcool em maior quantidade esse tipo de fator ocorre.

Falando em missões, ninguém falou nada sobre meu trabalho,  e eu já estava impaciente querendo saber onde Roger estava. Queria conversar com Simone e saber que tipo de aviso ela iria me dar. Esse aviso é uma espécie de castigo que a agência implanta para os agentes caso eles "andem fora da linha", e, bom, acho que tentar, de certa forma, me suicidar durante uma missão, foi mais que o suficiente. 

Eu havia acordado no período da manhã e agora já era noite. Não fiz nada o dia todo. Chris havia saído para resolver algumas coisas. Percebi que ele queria me evitar, de certa forma. Taylor e Vero conversavam entre si sobre coisas irrelevantes e assistiam algo na TV. Eu prestava atenção no que elas falavam em alguns momentos. Mesmo assim, aproveitando a companhia delas, não conseguia ficar em paz por vários motivos. Primeiro: queria saber sobre meu trabalho. Segundo: eu sabia que havia uma grande chance que eu revesse as pessoas que estive evitando por anos. Terceiro: Vero e Taylor não comentavam sobre meu sumiço, e isso começou a me incomodar. Será que elas queriam esquecer o assunto e achavam que eu iria ficar perto de novo? 

Eu não sei, mas nada me aquietava. 

Até que a noite caiu e eu pedi que Taylor e Vero fossem embora e descansassem. Insisti muito, muito mesmo. E no final somente Vero ficou. Chris passou aqui no final da noite apenas para um diálogo monótono. Ele não parecia mais aquele garoto agitado e hiperativo que era e isso me deixava para baixo, parecia que o garoto tinha se tornado alguém frio. 

Vero acabou dormindo no sofá enquanto eu permanecia sem sono. Eu queria levantar e ir atrás de Roger, mas não sabia por onde procurar.  Até que a porta abriu e uma silhueta apareceu iluminada pela luz do corredor. 

 - Está afim de se movimentar um pouco, Lauren? - perguntou com um tom de riso. Fiquei mais que animada com sua proposta, comecei a tirar o soro que estava em meu braço e levantar, até que vi ele puxar uma cadeira de rodas do corredor. Parei o que estava fazendo e o encarei. - Que foi? Acha mesmo que vai andando? Sua resistência está mais baixa que sua amiga Ally. - revirei os olhos. Eu já havia falado de minhas antigas amigas para ele, e óbvio que a altura de Ally não passou despercebida nas minhas descrições.

Conversávamos sussurrando, rezando para não acordar Vero. Eu levantei da cama enquanto ele se aproximava. 

- Não vou sentar nessa coisa. - disse tentando ficar em pé, e quando coloquei meu peso sobre as duas pernas me desequilibrei, sentindo mais uma onda de tontura e uma fisgada na coxa esquerda. Ele me segurou a tempo, com uma mão me apoiei em sua ombro e a outra na cama. 

 - Ah, vai sim. - senti ele me colocar na cadeira de rodas. 

 - Que fim de carreira. - disse derrotada enquanto ele me tirava do quarto. 

 - Fim de carreira vai ser você não convencer a Simone que está bem psicologicamente.

 - Então estamos indo encontrá-la? - ele me levava pelo corredor deserto, desviando de um ou outro enfermeiro. Não entendia essa discrição toda, caso apresentássemos distintivos policiais que carregávamos eles teriam que agir conforme disséssemos. Mas não questionei, havia muita coisa estranha e sentia que conversando com Simone muitas dúvidas acabariam. 

Ele me levou até o elevador e apertou botão da cobertura. A música típica de elevador irritava meus ouvidos e eu não via a hora de chegar. Até que o elevador fez um som anunciando que havíamos chegado ao andar. Senti o vento gelado da noite me atingir e esvoaçar os meus cabelos. Ao longe, perto da mureta que separava o prédio do vão imenso onde brilhavam as luzes da cidade, estava uma conhecida silhueta. 

Simone. 

Ela estava de costas enquanto eu me aproximava. Obviamente sabia que estávamos ali, mas ela sempre adorava ter esse ar de mistério. Chegamos bem próxima dela e Roger parou a cadeira de rodas. Estávamos completamente quietos. Minha postura ficou ereta e senti Roger se afastar da cadeira e vir até meu lado. Perto de Simone eu precisaria manter a postura, a regra de etiqueta da empresa era bastante rigorosa, portanto, teria que permanecer em pé por alguns minutos. 

Me preparei para levantar apoiando-me aos dois suportes de braços da cadeira, e Roger me enlaçou para cima com os braços em baixo de minhas axilas. Uma vez em pé, ele ficou segurando um braço meu até que me acostumei com a intensa dor em minha perna esquerda. Fiquei ereta novamente e ele foi se afastando aos poucos, mantendo também certa postura ao meu lado. 

 - Prazer em revê-la, chefe. - disse com a voz firme, fiquei aliviada por isso. Ela se virou e me olhou. Eu via sua pele negra um tanto quando brilhosa por conta da luz lunar, o terninho dessa noite eu acreditava que era cinza e seu cabelo curto esvoaçava por conta do vento. 

 - Vejo que não está totalmente recuperada de seu… vamos dizer, acidente. - disse com a postura firme. 

Ironia capitada. Óbvio que ela sabia da minha momentânea intenção, Simone sabia de tudo.

 - Sinto muito, senhora. Prometo que farei o melhor para ter uma boa recuperação e assim voltar novamente ao serviço. - eu tentava ficar firme, com as mãos enlaçadas para trás do corpo, mas a dor na perna esquerda estava começando a ficar extremamente incomodante. 

 - Não precise ter pressa, Roger já deve ter te avisado que entrará em aviso e gostaria de ressaltar que está realmente muito apresentável nesse vestido hospitalar. - ouvi a risada baixa de Roger. 

 - Lamento pelos infortúneos, obrigada pelo elogia. - não consegui evitar a troca de ironias.

 - Me poupe de suas desculpas vazias, agente. - dessa vez ela soou completamente séria e parecia irritada. E eu gelei, Simone irritada não é boa coisa. - Sabe os danos que causou? A dor de cabeça que está me afetando desde sua brincadeira de carro? - ela estava me dando uma bronca que nunca recebi antes. Comecei a me preocupar, afinal, se ela não se contentava com alguém apenas dispensava de todo e qualquer serviço. Mas para ela estar ali, me dando essa lição de moral… o que isso significava? - Tivemos que conversar com o pessoal que te encontrou para que não chamassem atenção e isso chegasse na imprensa. Imagine a matéria: "Agente governamental é encontrada em um acidente de carro, tentando suicídio." Isso seria péssimo para nós. Não tem ideia do trabalho que é lidar com as sua bagunças, Jauregui, está na hora de dar um basta. - o fato de ela ter me chamado pelo sobrenome fez meu coração acelerar mais do que já estava. Está na hora de dar um basta? O que isso significa? 

O problema é que eu entendia, droga, como entendia. Eu não trabalhava mais tão bem quanto antigamente, isso era óbvio. E minha intenção com esse acidente era absurda, eu entendia isso agora que estava mais sóbria.

 - Qualquer decisão que a senhora tomar, não será recorrida por mim. Estou a seu dispor. - eu estava lá, ainda tentando manter a pose, mesmo com o medo de ser demitida e com a dor absurda na perna. 

 - Você terá um afastamento de tempo indeterminado. - encarei-a surpresa. Isso significa que não serei demitida, quase suspirei em alívio. - Terá um acompanhamento de fisioterapeutas nossos na central localizada aqui em Miami, para tratar a lesão em sua perna. - não fiquei surpresa. Com certeza ela sabia de cada fratura minha. - Você fará um acompanhamento psicológico com um de nossos melhores médicos da agência. Quando estiver totalmente recuperada, avaliaremos a situação e veremos seu destino final. - droga, então eu ainda tinha a possibilidade de perder o emprego...

 - Entendido, senhora. - concordei com a voz levemente falha, estava me sentindo cansada. 

 - Então é isso. 

 - Gostaria de poder fazer uma pergunta. 

 - Seja rápida. - curta e grossa, como sempre. 

 - Por que já não fui enviada para o hospital da central em Nova York? - percebi uma leve sombra de sorriso perpassar seu rosto. Fiquei extremamente curiosa. Simone não é muito de querer sorrir em situações como essas. Na verdade, Simone não é de querer rir em qualquer situação.

 - Achei que não iria perguntar. - disse, e se aproximou dois passos. - Não se perguntou como sua amiga Iglesias e seus irmãos te acharam? - outra pergunta não era o que eu esperava, ainda mais como essa. Óbvio que eu havia pensado nisso, mas permaneci encarando-a. Sabia que era uma pergunta retórica. - Os irmãos Jaureguis estavam atrás de você a tempos. Nós já sabíamos; porém, por decisão minha, achei melhor não te passar tal informação. Acreditava que isso poderia te desestabilizar mais ainda, e além do mais você via e recebia as mensagens e ligações de cada um deles. Esses últimos tempos estavam sendo horríveis para você e achei melhor não arriscar, me intrometendo nesse assunto. Mas agora, mudei de concepção, acredito que o melhor seja você ter um tempo com eles, para decidir o que realmente quer para sua vida. - suas palavras me atingiram com força, e uma leve queimação nos meus olhos começou. - Talvez sua vida pessoal antiga seja o que falta para você se encontrar. Ninguém vive feliz solitário para sempre, agente. Todos precisamos de um tempo para espairecer quando precisamos. - e ali, já não era mais minha chefe que estava falando comigo. Eu sabia disso. Era Simone, a mulher de quase 50 anos de experiência, me dando um conselho. - Então quando soube de seu acidente e de suas intenções, dei um jeito de contatá-los. Organizei tudo para que achassem que o acidente foi aqui em Miami mesmo, e o próprio hospital, depois de tudo organizado pela agência, contatou sua família. Estou com você desde o início agente, sei do seu potencial, por isso estou te dando uma chance para fazer tudo certo. Espere que não desperdice-a. - e assim que terminou de falar, pegou o celular e pareceu mandar uma mensagem para alguém. Eu estava estática, enquanto um helicóptero parava atrás de mim, no heliporto do grande terraço. Apenas percebi ela se afastando e, após um tempo, o vento causado pelo helicóptero parar e o silêncio predominar. 

A dor na perna parecia anestesiada agora. 

"...estou te dando uma chance para fazer tudo certo. Espero que não desperdice-a." O que me atingiu foi saber que ela não estava falando de uma simples melhora no serviço, mas ela também falava de toda minha vida pessoal. 

Percebi que estava bastante tempo ali quando Roger se movimentou. Eu havia até esquecido de sua presença em meio a conversa. 

  - O que pretende fazer? - disse em tom baixo, ambos olhávamos para frente. A cidade estava, como sempre, iluminada e extremamente movimentada, assim como eu lembrava. Hoje era quinta, então amanheceria assim. Que falta Miami me faz. Suspirei pensando em uma reposta adequada. Eu sabia o que queria, mas não sei se ousaria ir atrás. - Sabe o que é certo, não sabe? 

 - Somos quem para dizer o que é certo e o que é errado, agente? - o respondi estando totalmente aérea. 

 - Entende o que quero dizer. - e, mais uma vez, quem estava ali não era mais uma pessoa que trabalhava comigo. Mas sim Roger, um rapaz um pouco mais velho que eu, com 28 anos, cabelos castanhos arrumados em um belo topete e a barba volumosa. Se eu gostasse da coisa, obviamente teria uma queda por ele. 

 - Eu sei o que quer dizer… e também sei o que vou fazer. - suspirei. E senti a dor na perna voltar com tudo. A cadeira ainda estava no mesmo lugar, então apenas me abaixei e sentei. 

Esperei Roger se posicionar atrás de mim e começar a me conduzir até a saída da cobertura. Entramos no elevador e, mais uma vez, inertes em nossos próprios pensamentos. Outra vez no corredor, ele me levava calmamente até que, após um tempo, comecei a ouvir uma gritaria. 

 - Ela estava lá e de repente sumiu. Já disse que ela não está no banheiro nem em qualquer lugar daquele quarto. Caralho, é tão difícil tomarem uma atitude? - ah, doce Vero.

Viramos um corredor e lá estava ela, gritando na recepção com o rosto em um tom avermelhado. Roger parou a cadeira e nos virou em direção a ela. 

 - Hey… - chamei por ela, e assim que me olhou surpresa, vi, mesmo pela distância, que seus olhos estavam levemente marejados e pareciam extremamente desesperados. Após um tempo sem reação, ela veio em minha direção e nesse meio tempo me levantei novamente, colocando o peso na perna direita agora. Quando Vero se aproximou começou a me olhar atentamente. Olhou a roupa do hospital, Roger…

 - Pensei que tivesse ido embora de novo. - sua voz saiu como um sussurro e quebrada. Quando falou, meu coração se apertou. Meu Deus, como eu sentia falta dela, sentia falta de todo mundo. Já não podia negar isso a mim mesma. 

Quando finalmente admiti internamente, um sorriso começou a surgir no meu rosto, e disse risonha: 

 - Eu não vou a lugar algum. - abri levemente os braços, mostrando que estava ali, e ficaria ali; para Vero, meus irmãos e quem mais quisesse. Mesmo que fosse temporário, eu precisava disso. 

Ela me encarou por um tempo, parecendo totalmente surpresa. Foi como se eu estivesse dando mais uma chance para nos acertamos. Ela me analisou até que sorriu também, e meu sorriso se alargou. 

Vero se aproximou rapidamente e me puxou para um abraço. A abracei de volta com toda a saudade que eu tinha, tentando expressar tudo ali, naquele contato, mesmo sabendo que não era possível. Ignorei a dor que sentia pelo aperto do abraço, no momento isso não me importava. A queimação nos olhos voltou e a garganta apertou, mas eu não chorei. Já Vero, fez de tudo para disfarçar seu rosto molhado quando nos separamos do abraço.

Até zuou Roger, perguntando o que ele havia feito comigo. Obviamente desviamos o assunto de onde estávamos e o que fazíamos, e dissemos que apenas fomos dar uma volta. Não sei se ela acreditou ou não, mas não questionou. Quando voltamos ao quarto, Roger se despediu e disse que voltaria no dia seguinte. Eu não sabia se ele estava com alguma missão no momento, mas parecia que ele não queria ir a lugar algum que fosse muito longe. 

Já nos conhecíamos antes da missão por termos nos encontrado na agência de Washington algumas vezes. De cara nos entendemos, ele precisou de ajuda em um caso e não tive problemas em auxiliá-lo em uma breve investigação. Quando soube que ele seria meu parceiro de uma missão, fiquei animada por poder encontrá-lo em campo. Com isso nos aproximamos, e lá estava ele: como amigo e dizendo que voltaria no dia seguinte. Quando me deitei na cama, me senti extremamente cansada, e adormeci com Vero jogada no sofá em uma situação sem constrangimento agora. 

Eu iria rever as pessoas do meu passado, e estava começando a ficar ansiosa para isso.


Notas Finais


No próximo tem encontro Camren :)


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