História Red - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 4.025
Palavras 3.670
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello. It's me.
É bom estar de volta depois de tanto tempo! Eu escrevi várias e várias versões dessa história até chegar ao ponto de decidir que era a hora certa de postá-la. Mas essa me agradou. Agradou demais. E espero que, da mesma forma, agrade a vocês também.
Só tenho alguns detalhes bem pequenos pra citar antes de começarem a ler.
♦ Bem, essa história é uma nova versão de uma que eu já tinha postado anteriormente, até aqui no Social mesmo;
♦ Como toda a fanfic já está escrita (sim, irmãos e irmãs! Gloria!) nós não teremos atrasos com as postagens. Eu devo atualizar a cada duas semanas;
♦ Alguns assuntos que são meio delicados vão sendo abordados ao longo da fic, então peço que mantenham a mente bem aberta e fiquem atento ao que está nas entrelinhas;
♦ O tema central é realmente algo muito polêmico e que não aparece logo de cara, nem na vida real, então, realmente prestem muita atenção no que está nas entrelinhas, sim?
♦ A história começa se passando em 2010 e não em 2015;
♦ A personalidade dos personagens não originais provavelmente, muito provavelmente, não corresponde a quem eles são. E nem a idade.
♦ A faculdade da Charlie é a Sussex e eu busquei o máximo de informações reais dela. Como nem tudo é possível, existem vários aspectos ficcionais dela.
♦ Nós teremos alguns capítulos com a narração do Harry mas, ao menos por hora, eles serão poucos;
♦ Perdão se há erro de português na fic. Pode ter passado despercebido.
Acho que realmente é só isso. Espero que gostem e nós nos vemos lá embaixo!

Capítulo 1 - Red coral


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 1 - Red coral

Charlie

28 de março de 2010

Passo a mão sobre o vidro do espelho, desfazendo a camada de água recém-formada sobre a superfície. Suspiro, avaliando atentamente os círculos roxos debaixo dos meus olhos. Eu deveria parar de virar minhas noites tentando finalizar os infinitos trabalhos da faculdade. Quanto mais eu fazia, mais parecia surgir algum.

— Charlie!

Afasto-me do espelho imediatamente. De longe, eu não pareço tão cansada quanto de perto.

Enrolo a toalha sobre o corpo e deixo meu cabelo ensopado cair sobre as costas. Empurro a porta do banheiro, deparando-me com Diana sentada sobre minha cama.

— Adivinha quem acabou de saber de uma festa. — Ela cantarola, com um sorriso tão grande que a elasticidade em seu rosto poderia se romper.

— Adivinha quem precisa de uma noite de sono. — Respondo, satirizando seu tom de voz.

Atravesso o quarto. O espaço é demasiado pequeno. Preciso me espremer para passar na pequena área que está entre a minha cômoda e a cama. Puxo uma camiseta.

— Eu precisei fazer alguns telefonemas para conseguir descobrir o endereço. Não pode não ir. Adivinha quem vai estar lá? — Diana se inclina sobre a cama, mordendo o lábio.

— Todo o time de basquete e os caras que competem em rachas ilegais porque eles acham que são bons corredores quando são, na verdade, os piores motoristas que eu já vi? — Desdobro a camisa para verificar se é que eu quero.

— É. Adivinha quem mais? — Ela sorri minimamente.

Abaixo as mãos e os olhos até Diana. Ela ainda está sorrindo para mim, como quem acaba de ter uma ideia extremamente maligna e cruel. Na verdade, é provável que ela realmente o tenha feito.

Diana tem algum gene maligno, assintomático na maior parte do tempo, mas que é extremamente brilhante e eficaz no momento de planejar uma vingança ou ser atroz em um instante de irritação. Talvez seja um fator consistente com a o restante de sua personalidade, com a sua calmaria quase latente. Se você não a atacasse, sairia completamente bem.

Ela já estava pronta. De alguma forma, ela havia conseguido se aprontar no curto espaço de tempo que passei trancada no quarto. Ela sabia se arrumar rápido e bem. Sua mãe trabalhava em um ateliê, o que talvez tenha influenciado seu gosto pela moda. De um a dez, Diana provavelmente tiraria um 7 no quesito beleza. Talvez um 8. Ela já era favoravelmente alta e gastava boa parte do seu tempo livre em uma academia, buscando por alguma coisa parecida com o corpo perfeito. O cabelo dela era tão claro quanto palha e extremamente liso. Contrastava suavemente com o formato do rosto e os olhos claros.

— Quer saber de uma coisa? — Digo. Soa indiferente. — Eu realmente não estou mais interessada. Oliver pode sair com quem ele quiser porque eu simplesmente não importo.

— Você é a pior mentirosa que eu já conheci. Acho que meia hora é o suficiente para que se arrume.

Diana ergue-se da cama com um pulo apenas e caminha para fora do quarto em passos largos, fechando a porta após passar por ela. Bufo ao jogar a blusa contra a cama.

Oliver e eu havíamos tido um curto relacionamento. Não foi nada intenso ou poderoso, mas o nosso término — se é que havia algo para terminarmos — não foi tão sensato, pacífico ou fácil de lidar. Por alguma razão, Diana ainda acreditava que eu usava parte do meu tempo para pensar sobre o assunto e, talvez, sofrer por ele.

Atravesso o quarto até o guarda-roupa. Uma farpa alfineta meu dedo, mas isso geralmente é o que acontece quando eu encosto no armário.

Escancaro a porta. Eu sei que a maioria das garotas vai estar usando roupas tão curtas que não passam de pedaços de pano ou que sejam justas como uma segunda pele. Por isso, puxo uma calça legging e uma blusa preta com alças finas e bojo recortado. Visto-me rapidamente e calço um coturno, porque tenho ciência de que posso passar tempo demais em pé e sentir dor não faz parte dos meus planos.

Bagunço meu cabelo e coloco o celular e algum dinheiro no bolso de trás da calça.

Encontro Diana sentada na nossa pequena sala. Sendo sincera, todo o alojamento é essencialmente pequeno. A decoração é neutra, de modo que qualquer um possa usar sem se sentir incomodado ou deslocado. A faculdade fornecia uma série de coisas básicas e extremamente necessárias para nossa vida no campus, sem qualquer tipo de extravagância ou excesso. As casas de fraternidades, entretanto, não se importavam em pecar pelo excesso.

— Foi simples assim? — Diana se levanta ao me ver.

— Nem sequer pense que isso é por causa do Oliver. Eu vou me divertir e isso não tem nada relacionado com ele.

— Você frisa essa ideia tão enfaticamente que eu me questiono se não está tentando convencer a si mesma.

Reviro os olhos, completamente ciente de que essa é apenas uma forma de Diana me zangar.

— Nós deveríamos ir.

Ela ergue as mãos como um sinal de neutralidade e recolhe a bolsa punk dourada do sofá. Destranca a porta e dá-me espaço para passar para fora.

Dividíamos uma das últimas habitações nas fileiras de casas do alojamento, e no último andar. Não era um golpe de sorte; constantemente, eu me via tendo que fazer algum pequeno malabarismo para conseguir passar pela fina trilha entre o meu dormitório e os demais. Regulamente, eu batia o cotovelo em uma janela e acordava alguém. Além disso, as escadas não eram corretamente grandes como deveriam ser em alguns pontos, o que complicava em muitos aspectos o trabalho de descer por elas.

Empurro a porta de vidro e PVC que separa o pequeno hall de entrada do prédio área externa do campus. Diana aperta o casaco contra o tronco de uma forma quase desnecessária, porque o vento que sobrava não era tão incômodo ou frio como ela fizera parecer.

Diana e eu atravessamos um pedaço do campus. Já estava escuro e a luz que tínhamos era fornecida apenas por postes de iluminação que apareciam a cada 4 metros. A vaga sensação de segurança era reforçada por alguns poucos guardas armados com cassetetes e spray de pimenta vencido. Caso alguém fosse atacado, eles provavelmente não seriam ameaça suficiente para afugentar o  calhorda sem vergonha. Ao menos, não sozinhos.

Caminhamos para fora do Norwich House, seguindo em diagonal até Kent House, onde pegamos um táxi para fora do campus. Diana passa o endereço para o motorista e ele nos leva para uma casa não muito distante da praia. Antes mesmo que estivéssemos dentro da área da residência, o som de música alta e conversas barulhentas nos atingiu em cheio. Conforme nos aproximávamos, eu pude sentir a música pulsando e inserindo as batidas do meu coração em um ritmo completamente diferente.

Diana toma a dianteira e usa suas pernas longas para se misturar ao embaralhado de pessoas. Eu me permito ficar para trás, sentido minha disposição anterior se esvair em meio ao tumulto aglomerado. De repente, eu me sentiria feliz se pudesse tomar uma dose de vodka, uma garrafa de cerveja e me retirar de volta para o meu quarto. Talvez, caso se mantivesse afastada de mim, Diana nem perceberia que eu havia ido embora mais cedo.

Porém, como um retrocesso em meu plano inicial, Diana se afasta de todas as pessoas ao seu redor e retorna para perto de mim, carregando um copo shot, com tequila até a borda, em cada uma das mãos. Ela me estende um e eu, rapidamente, recolho-o.

— Podemos brindar à nossa total falta de nexo. — Diana sugere, erguendo levemente o copo no ar.

— Vida longa à completa ausência de conexão lógica na nossa vida. — Concordo, fazendo o mesmo que Diana.

Nós tocamos a base de nossos copos, o que faz uma pequena quantidade do líquido derramar. Em um seguido, viro o conteúdo em minha boca e engulo. Minha garganta esquenta a franzo os lábios.

— Eles tem dinheiro. Poderiam ao menos gastar com uma tequila de boa qualidade. — Comento, balançando a cabeça. Diana apenas dá de ombros.

Ela move a cabeça para o lado, em direção à festa, indicando que deveríamos entrar. Sigo-a até lá, livrando-me de meu copo em uma estátua de pedra sabão no jardim.

Por dentro, a música está escandalosamente alta e todas as conversas são despejadas em gritos e berros. Eles improvisaram um balcão no meio da sala com algumas cadeiras e bancos de madeira baratos. Deixaram um armário improvisado de bebidas logo atrás e um cara conhecimento de drinks ali. As luzes estão remediadamente presas ao canto da sala, lançado uma iluminação que me deixa desnorteada e tonta. A faixa de papel picotado foi amarrada perto da escada, o único lugar que provavelmente tinha um suporte, improvisado, para o encaixe das abas de crepom.

Alguém pula em nossa frente e grita. Ele provavelmente está bêbado de mais. Isso fica claro pela sua fala embolando e pelo total descontrole de seus movimentos.

Diana e eu passamos por ele até a área mais movimentada da festa. Mesmo tendo ciência de que o sabor não é dos melhores, puxo mais um copo de tequila da bandeja que desfila pela sala e o bebo em um gole só, enrugando o nariz logo em seguida. Acredito que vou precisar de mais algumas doses para que o gosto melhore. Despejo o copo sobre o balcão.

Como eu havia suspeitado, grande parte das mulheres daqui estão usando roupas muito curtas, muito justas ou uma combinação perigosa dos dois. Não que eu seja eu a melhor pessoa para julgar; ao menos não quando estou usando uma calça colada como a minha.

Vejo o modo como Diana está observando e analisando atentamente cada pedaço, como se estivesse em busca de alguém.

— Como você ficou sabendo dessa festa? — Questiono a Diana.

Se você estivesse nas redondezas, seria praticamente impossível que deixasse um lugar como esse passar em branco. Mas nós estávamos em uma distância bem maior para que fossemos atingidas por qualquer resquício dessa festa.

— Eu tenho contatos. Eu conheço pessoas. — Ela explica, ainda sem tirar a atenção da multidão.

Olho em volta. Uma grande parte de mim começa a trabalhar em todas as suposições que levariam Diana para fora às vésperas de uma prova importante. E, claramente, não posso deixar de fora o seu recente, e deveras catastrófico, caso do amor.

Diana havia se acostumado com uma lista de relacionamentos aos quais poderia recorrer em momentos de carência ou solidão. Depois, de uma forma bem simples, ela apenas findava o relacionamento ou o colocava em um hiatos. Todavia, em algumas vezes, ela encontrava alguém que não caia de joelhos logo de cara ou que relutava fortalecer o relacionamento. Então, o lance quase tornava uma obsessão, porque Diana era muito boa em desejar qualquer coisa que ela não pudesse ter.

— Não veio procurando pelo Jay, veio? — Questiono, cruzando os braços sobre meu tórax.

Diana vacila.

— Não. Eu só vim me divertir com você. — Ela sorri amarelo.

Reviro os olhos e bufo, um tanto quanto irritada. Achava que, depois de tudo que ela havia feito e passado, esse pequeno casinho era apenas um ultrapassado sinônimo de humilhação e ultraje. Porém, eu estava errada porque Diana ainda parecia bem-disposta a correr atrás de alguém que, ao menos para ela, não valia muita coisa.

— Você deveria parar de ficar se humilhando e bancando a idiota. — Comento, erguendo o indicador levemente. — Ele não é bom o suficiente para você.

— Eu não vim aqui por causa dele. Além disso, nós dois tivemos uma conversa hoje de amanhã e resolvemos a nossa situação.

Sei que isso não significa que ela tenha tomado a decisão que eu queria. E minha hipótese se confirma quando vejo Jay, o grande e momentâneo problema de Diana, aproximar-se de nós com o sorriso que não me indica nada menos que confusão.

Cruz o os braços novamente, dessa vez com mais força do que anteriormente.

— Oi, Diana. — Jay diz, olhando exclusivamente para minha amiga. Pigarreio. — Olá, Charlie. — Seu tom é uma mistura de divertimento e irritação.

Diana parece completamente abestada. Não posso negar que isso me irrita o suficiente para que eu vire os olhos e faça careta. Independente de quão boa tenha sido a noite, Diana sempre volta chorando no dia seguinte. E eu que preciso lidar com a situação.

— Eu te vi aqui. Não pensei que fosse vir. — Jay continua. Coço a testa.

— Eu não tinha muito para fazer em casa. — Diana explica e eu bato a mão na cara, irritada. — Achei que pudesse ser legal. Você está com os seus amigos?

— Alguns. Sim, estou.

— Eu trouxe a Charlie. Talvez a gente possa juntar os grupos.

Essa é a gota d'agua que esgota minha paciência. Acho que Diana realmente ultrapassou o limite da nossa amizade ao tentar me incluir em uma situação que eu jamais gostaria de participar. Arrastar-me para uma festa não deveria ser o suficiente.

— Eu vou ficar bêbada. — Interfiro, deixando bem claro minha visão da situação. — Vocês que reúnam seus grupos.

Passo entre Diana e Jay e afasto-me da multidão atordoada. Eu posso imaginar que eles passarão a noite entre beijos e amassos, e que isso não é realmente o tipo de coisa que eu queira presenciar. Os amigos de Jay também não são muito mais agradáveis que ele é, de modo que seria um suplício passar um tempo muito longo ao lado deles.

Afasto-me me dos dois. Recolho uma das cervejas que se encontram à disposição no balcão e bebo um gole. Olho em volta, analisando o ambiente e buscando uma possível solução para meu total desconforto e deslocamento.

Deslizo para o meio do salão com a minha garrafa meio cheia como companheira. Preciso de alguns minutos para me soltar e só um pouco mais de tempo até achar alguém conhecido em meio a balbúrdia. Posso não estar entre grandes amigos, mas é bem melhor do que estar sozinha.

Depois de uma garrafa de cerveja, eu já estou relaxada o suficiente para poder me movimentar sem qualquer preocupação entre as outras pessoas. Apesar das circunstâncias adversas que me levaram até ali, é muito mais divertido estar dançando ali do que estar em casa. Meu cabelo ainda está úmido, mas não mais por ter sido lavado e sim pelo fato de que estou suando porque não posso mais ficar parada.

Não me preocupo em achar Diana. Ela nunca está mal ao ponto de não conseguir se cuidar por conta própria. Além disso, por mais panaca que Jay seja, ele não vai fazer nada que Diana não queira ou não autorize.

Quando eles trocam o dubstep do Skrillex pela batida mais tranquilo e letra mais ácida de What Goes Around.../...Comes Around, eu não preciso me esforçar muito para desacelerar. É só respirar um pouco e relaxar o ritmo no qual remexo o meu corpo. Jogo o cabelo para o lado enquanto canto a música em um sussurro. Melody, a garota que estuda comigo, encara-me e nós gritamos o refrão juntas. Balanço a cabeça rapidamente, fazendo com o que meu cabelo cai sobre os meus olhos. Empurro a minha franja para trás, de volta ao seu lugar.

Eles trocam a música novamente e aumentam a intensidade com que as luzes na sala piscam. Agora, elas mudam a cor a cada dois segundos, lançado formas diversificadas no chão e no corpo de quem está ali. Inspiro profundamente, chegando a conclusão de que, talvez, meu tempo ali já tenha acabado.

— Você deveria prestar mais atenção. — Melody cantarola próximo ao meu ouvido.

Franzo o cenho, tentando entender o que ela quer dizer.

— Do que você está falando? — Interrogo.

Ela me encara como se a resposta fosse extremamente óbvia. Então, vira o queixo para o lado oposto, apontando para um canto mais deserto e solitário da sala, onde um grupo de homens conversa e bebe.

— O do meio não tirou os olhos de você desde que começou a dançar. — Melody sorri de lado. — Talvez seja algo em que valha a pena investir.

Ainda com o cenho encrespado, encaro Melody e depois viro o rosto para onde ela já me apontou. O cara do meio está com as mangas da blusa arregaçadas e dobradas até os ombros, o que deixa exposto uma série de tatuagens sobre os músculos. Ele está com um copo quase vazio em uma das mãos enquanto transfere o peso de um pé para o outro até estar confortável. O cabelo está desorganizado e cacheado e ele não parece notar que estou lhe encarando até que um dos seus amigos aponta para mim. O sorriso dele consegue ser ainda mais canalha do que o de Jay.

E Melody está certa. Mesmo comigo olhando, ele simplesmente não desvia o rosto. É quase constrangedora a forma como ele não tira os olhos.

Eu tento sustentar o olhar. Cinco, dez quinze. Vinte. Vinte e cinco segundos e ninguém desviou. Já começa a se tornar uma situação desagradável.

— Você o conhece? — encaro Melody.

Ela balança a cabeça:

— Acho que ele faz direito, sociologia ou coisa do tipo. Se é que estuda aqui. Acho que nunca o vi. Talvez seja só um visitante. — ela dá de ombros.

Eu também nunca o vi por aqui. Talvez Melody esteja certa em sua última suposição porque ele é um rosto completamente novo, ao menos para mim. É provável que tenha se formado antes que eu conseguisse uma vaga e só veio relembrar os velhos tempos.

Balanço os ombros e suavizo a expressão. Acredito que, no final das contas, não é algo que realmente importe. Melody só fez uma sugestão indireta que, apesar de parecer ter boas bases, não me agrada muito ou não me faz ficar completamente animada.

Mesmo com ele sendo bonitinho.

— Eu vou atrás da Diana. — Aviso. — Acho que a noite já acabou para mim.

— Não vai nem dar uma chance? Ele é bonito.

— Eu também. Pode se divertir com essa. Eu tenho aula amanhã e preciso de algumas horas de sono. — Ela faz que não se importa. — A gente se vê.

Afasto-me dela e começo uma busca atenciosa por Diana. Ela está com as chaves de casa e eu realmente preciso dela se quiser entrar no meu quarto.

Inicio um processo de interrogação a cada pessoa que possa conhecer Diana, o que mantém minha lista significativamente grande, porque, como ela mesma já disse, ela conhece bastante gente. Porém, é inútil, porque sempre me apontam uma direção na qual já estive ou na qual ela não está e minha procura se torna redundante.

Depois de algum tempo, estou com as pernas e cabeça doloridas, além de faminta e um pouco tonta porque as luzes estereoscópicas não param de piscar. Talvez eu devesse ter comido alguma coisa antes de sair de casa porque isso com certeza ajudaria agora.

Puxo um banco e me jogo sobre ele. Giro os pés e peço ao barman água. Ele me serve no copo de tequila e eu apenas espero que não tenho qualquer resquício do gosto da bebida ali. Infelizmente, não posso ter tudo que desejo.

— Como você pode beber essa coisa?

É o cara que estava me olhando. Demoro um pouco para perceber isso porque meus olhos estão lacrimejando muito e tem dificuldade em se adaptar a luz. De qualquer forma, ele está ali, trocando o copo vazio por uma garrafa cheia. Pergunto-me se é só conveniência ou se houve algum planejamento prévio. Ele tem a voz rouca demais e acho que, em parte, isso se deve a bebedeira.

Eu queria ter uma sacada genial que o fizesse ir embora daqui. Ele ainda me olhava. Mas de um jeito diferente do que eu imaginei que fosse. Não é como se quisesse me devorar ou coisa do tipo, como um percentual dos outros caras olharam. Ele é mais cuidadoso do que isso. É como se realmente estivesse tentando descobrir qualquer coisa sobre mim apenas me olhando.

— É água. — Respondo. Olho para o balcão. — Não consigo beber mais nada com álcool. Mas, de qualquer forma, eles poderiam gastar mais dinheiro comprando bebidas melhores.

— Eles poderiam. Ou poderiam comprar mais do barato e deixar todos bêbados antes da meia noite. — Ele recolhe a garrafa de cerveja. — Foi um prazer. — Afasta-se um pouco mais para logo e vira-se para me olhar. — Qual o seu nome?

— Charlie.

— Sou Harry. Acho que deveria ir para casa agora, Charlie. Acredito que a noite aqui já tenha acabado para você.

— Muito perspicaz da sua parte observar isso.

Não sei se ele escutou o que falei porque já tinha voltado a andar quando eu me pronunciei. A observação dele não foi das mais sensatas porque tenho plena noção de que não estou em um dos meus melhores momentos. Qualquer um, até o mais desatento, é capaz de observar isso.

Fiquei surpresa quando ele foi embora. Eu fique encarando suas costas conforme ele se afastava cada vez mais. Talvez não estivesse realmente me olhando ou seu interesse em ter uma conversa comigo quando me viu de perto. Mas não importa. Não me atinge.

Arrumo-me no banco e tiro o celular do bolso. Disco o número de Diana uma ou duas vezes e deixo um recado, explicitando minha necessidade de ter a chave de nosso apartamento. A parte consciente de mim sabe que não terei uma resposta tão cedo; a parte inconsciente ainda cria expectativas sobre isso.

Saio do banco e caminho até a saída lateral. Fico escorada ali, olhando para o nada, e me sentindo sortuda porque ninguém decide usar esse caminho. Mas as coisas mudam quando um batalhão corre em minha direção e eu sou empurrada para longe. Pisam no meu pé e eu grito um xingamento.

Tento analisar o que está acontecendo quando me empurram bruscamente para fora daquele lugar, em direção ao quintal. Minha cabeça gira e sinto as pernas bambearem e amolecerem como manteiga derretida. Não acho que isso seja um bom sinal. Piora quando sinto minha visão ser lentamente bloqueada por pontinhos pretos, que vão ocupando tudo.

— Mas que merda. — Escuto falarem. Acho que é o mesmo cara que me olhou e depois falou comigo. Mas, depois, tudo fica escuro e calado demais.


Notas Finais


Heys again!

E então? O que acharam? Eu realmente espero que tenham gostado. Como já disse, o próximo capítulo será postado em uma duas semanas, mais ou menos. Venham falar comigo, me contar o que acharam e bater um papo. Adoro falar com as pessoas. Cês podem falar comigo por aqui, ou pelas ask: https://ask.fm/GrupoDOW
De qualquer forma, venham, porque eu adoro bater um papo e saber o que acharam.
Até a próxima, babys!


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