História Red - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 1.636
Palavras 5.606
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, coisas lindas!
Como cês tão? Bom, antes de tudo, quero agradecer pelos comentários e favoritos. CÊS SÃO SENSACIONAIS DEMAIS DA CONTA! A minha alegria com cada comentário e/ou favorito que chegava é algo que não posso expressar corretamente em palavras. Só quero que saibam que sou extremamente grata por isso. Muito obrigada por darem uma chance, lerem e dedicarem o tempo de vocês a comentarem e tals. Fazem com que eu realmente me sinta muito empolgada a continuar postando.
Eu também queria pedir desculpas por duas coisas: a primeira delas é pela minha demora em atualizar. Eu espero sinceramente que me perdoem por isso e juro que estou me organizando mais e melhor pra conseguir postar mais e tals. A segunda coisa é pela minha demora em responder os comentários de vocês. Eu levei muito tempo pra isso e não fiquei muito contente em deixá-los tanto tempo sem resposta. Vou fazer o meu melhor para que isso não ocorra novamente e espero que possam me desculpar por isso também.
Gente, cês pediram tanto pro Harry não fazer essa viagem que eu quase reescrevi o capítulo pra poder me adequar a esse pedido. Mas, infelizmente, não foi possível. Por favor, não me matem por isso. Juro que vou compensar essa situação pra vocês haha Na verdade, até agora eu tô com um frio na barriga pensando em como cês vão reagir aos acontecimentos. Dedos cruzados pra dar tudo certo.
Um muito obrigada a Two, que lindamente betou o capítulo <3 Espero que gostem. Boa leitura e nós nos vemos lá embaixo.

Capítulo 11 - Ruby red


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 11 - Ruby red

Charlie

Encaro Harry, confusa. Devo ter ouvido errado. Estou quase certa de que há algum problema e que interpretei as palavras de uma maneira equivocada.

— Pode repetir? — peço. — Eu devo ter escutado o destino errado.

— Não. Afeganistão. Está certo.

Harry me ultrapassa. Ele se senta no sofá e busca pelo controle remoto, ligando a televisão. Eu ainda encaro o lugar vazio na minha frente.

A última revelação me deixou abalada. Depois do que houve semana passada, eu conclui que um ambiente calmo seria a melhor opção para garantir algum tipo de estabilidade. Não se isolar do mundo — isso poderia mais atrapalhar do que ajudar — mas conseguir encontrar algum tipo de ponto de equilíbrio entre a completa loucura que é estar vivo e a calmaria que ele precisa.

Ir para perto de uma zona de guerra era a última coisa que alguém aconselharia. Harry está perturbado. Talvez ele não saiba disso, não consiga ver as coisas do jeito certo. Mas eu vejo. E só consigo imaginar catástrofes se ele concretizar esse plano.

— Não pode estar falando sério. — digo.

— Por que eu não estaria? Não é como se estivesse pegando mais um período. É só trabalho. Na próxima semana estou de volta.

— Você é burro?

Pulo na frente dele. Harry endireita a postura, surpreso pela movimentação rápida. Agarro o controle de sua mão e desligo a televisão. O som me incomoda e eu não consigo pensar.

Tudo parecia muito mais simples dez minutos atrás. A confusão era eminente. Harry estava travado e frio. Ele tentava demonstrar que já havia superado o acontecido, mas a forma como seu corpo reagia cada vez que o assunto era posto em pauta deixava claro que ele ainda não deixou para trás.

Apesar disso e do meu arrependimento, não parecia tão complicado. No momento em que ele falou e aceitou conversar comigo, deixando-me até entrar, imaginei que seria mais fácil de resolver. Imaginei que ele acabaria se abrindo e nós encontraríamos uma forma de solucionar e consertar isso.

Agora, eu não me sinto mais segura. Não sinto mais que as coisas podem dar certo ou acabar bem. Meu estômago está tão fundo que nem sei se consigo encontrá-lo mais. Minha boca tem um gosto amargo e minha cabeça começa a doer. Acho que é isso que chamam de pressentimento ruim.

— É sério, Harry. Não consegue ver a loucura do que está fazendo?

— Não é loucura. É meu trabalho. Já estive no Afeganistão. Você sabe disso.

Quando ele fala isso, quase me sinto ridícula pelo que penso. É verdade. Harry conhece a zona de guerra extremamente bem e vai saber se virar lá com exímia segurança. E só esses aspectos deveriam ser suficientemente confiáveis para que eu os aceitasse como prova de que tudo terminaria bem.

Assim que meu cérebro completa esse pensamento, ele se desfaz de tal ideia. Que insensatez pensar que uma experiência anterior seria o bastante para tornar os momentos futuros bons ou confiáveis. Nem todo o conhecimento do mundo pode bastar para garantir um final feliz.

— Isso é diferente. — digo.

Não é a melhor resposta. Eu sei disso. Percebo logo que pronuncio que não vou conseguir convencer Harry de nada pensando dessa forma.

— Sei que é, Charlie.

— Você me entendeu. Depois do que aconteceu semana passada, como pode achar que fazer isso vai trazer algum bem?

Harry engole o que sobra de seu sanduíche. Ele trava o maxilar e me faz perceber o efeito de minhas palavras. Talvez tenha lhe dado um golpe duro demais ao colocar esse assunto em pauta.

Não demonstro que isso me atinge. É complicado ficar em pé ali, fingindo que nada mudou. Espero que o golpe tenha sido impactante ao ponto de fazê-lo mudar o ângulo de sua visão. Ou ao menos tentar fazê-lo compreender o que digo.

— Como você fica nisso? — prossigo.

— Não mais fudido do que estou agora.

Harry se ergue e segue para a cozinha. Eu sigo em frente, ficando cada vez mais frustrada. A frustração me leva e irritação e, de repente, tudo que mais desejo é berrar até ser realmente escutada. Harry é muito teimoso e de uma maneira absurda. Duvido que qualquer um seja realmente capaz de demoli-lo de alguma decisão.

— E como eu fico nisso? — pergunto.

— Como você fica nisso? — Harry reprisa minhas palavras, parecendo irritado com elas. Vira-se para me encarar. — Uma semana atrás, você me expulsou da sua vida sem qualquer cerimônia. Suponho que vá ficar bem.

—Você tinha acabado de atacar meu amigo. Eu estava apavorada, seu imbecil. Pode ter certeza que eu jamais quis magoar você. Fiquei tão mal por isso que, nos últimos dias, só conseguia pensar que fui uma idiota. Pior, eu estava começando a sentir falta de ter você e sua péssima mania de falar palavrões na minha vida. Eu não sei qual a merda de razão que fez você querer participar do meu cotidiano, mas vamos deixar bem claro que me deixar sozinha é a última coisa que você pode fazer. Merda!

Eu puxo uma cadeira e me sento. Finco os cotovelos sobre as coxas e escondo o rosto entre as mãos. Estou sentindo que falta pouco, pouquíssimo, na verdade, para que eu desabe em lágrimas bem na frente dele.

A pior coisa é que Harry não vê o quanto está me afetando. Eu nem o queria na minha vida antes. Ele que insistiu para ficar. Agora, justamente quando sua presença começa a se tornar importante e desejada, ele não tem mais o direito de fazer uma escolha tão insana como essa.

Não deveria me importar tanto. É prematuro de minha parte começar a por Harry nesse tipo de posição. Mas é um tanto quanto involuntário. Com a pressão de agora e a terrível sensação que esmaga meu peito, não posso parar de pensar que, caso algo dê errado, haverá um espaço vago na minha vida para sempre.

A borracha que deveria evitar o desgaste da cadeira não é o bastante para proteger o piso quando a madeira se arrasta pelo chão, provocando um rangido agudo. Acho que Harry está se sentando ao meu lado. Não tento conferir. Só sigo com a cabeça baixa. Fungo.

— Eu não vou morrer lá, Charlie. — Harry sussurra. — Não vou lutar em uma guerra. Não vou estar em risco.

Sua voz penetra fundo, fazendo-me estremecer. Suponho, pela forma como o calor do corpo dele emana até o meu, que haja uma mínima distância entre nós. Quando afasto o meu rosto das mãos e me viro, percebo a proximidade assustadora entre nós. São só centímetros que afastam a minha boca da dele. Seus olhos tombam sobre mim e eu me sinto contida pelo verde profundo. Preciso de um segundo para recobrar o que tinha em mente.

— É a pior mentira que já contou. — falo, contendo o nervosismo. — Você é um péssimo mentiroso. E sabe que é um risco. Sabe que não está pronto para voltar. Até eu sei disso. Por que não aproveita que estamos bem nesse momento e fica comigo?

Harry sorri de lado e balança a cabeça.

— É muito tentador, Dawson.

— Mas?

— Não posso ficar.

Desvio o rosto e encaro o fogão a minha frente. Balanço a cabeça e sugo o lábio inferior. Ainda sinto o olhar de Harry pesando sobre mim.

Quando vim para cá, só queria alguma chance de arrumar tudo. Não. Eu queria arrumar tudo. Sem talvez ou plano B. Meu saldo se tornou negativo em poucos segundos e a situação, ainda mais bagunçada. Não me sinto mal por ter magoado Harry; tudo indica que ele já me perdoou pelo ocorrido e pela minha crueldade. Sinto-me mal por pensar em tudo de ruim que pode ocorrer nessa viagem.

— Eu vou ficar bem. — Harry fala.

Ele ainda tenta me tranquilizar. É como se acreditasse ser realmente capaz de me fazer ficar em paz com essa ideia. O problema é que ele não pode fazer isso de uma alguma maneira diferente de aceitar ficar.

— Espero que fique. Porque, caso contrário, eu juro que vou quebrar essa sua cara bonita.

— Acha que eu sou bonito?

— Não abuse da sorte. — reviro os olhos. — Quando é o seu vôo?

— Em algumas horas. Eu vou precisar sair logo.

— Vou te levar. — Harry expressa muito claramente o quão surpreso essa frase o deixa. Tento remendar. — Se você quiser, é claro.

— Eu quero. Sim. Vou tomar um banho e você pode ficar a vontade. Qualquer coisa, é só bater na porta.

Harry se ergue e me deixa sozinha. Suspiro, frustrada com minha própria ineficiência em fazê-lo mudar de ideia. Digo a mim mesma que tenho algum tempo ainda. Levarei ao aeroporto e isso me dá algumas horas extras para convencê-lo da loucura que está prestes a cometer.

Preparo um café para mim. Sinto-me mais tranquila quando o cheiro da bebida recém passada preenche o espaço da cozinha. Escolho a primeira xícara disponível e coloco líquido até estar satisfeita. Depois, sigo para a sala e sento-me no sofá.

Fico bem ao lado da mala. É impressionante como algo inanimado parece ganhar vida e me encarar, como se risse de mim por meu fracasso argumentativo. Penso ser só paranóia, mas não consigo evitar que meus olhos se desviem na direção dela. Acabo mais impaciente.

Levanto-me em pulo. Seguro as alças da mala e a puxo para fora do sofá. Está mais pesada do que eu suspeitei. Quase a deixou cair. Forço-me a recuperar o equilíbrio e arrasto a mala para o quarto de Harry.

O barulho de água caindo é o único som. A bagagem cai, provocando um estrondo. Fico parada, imaginando que Harry escutou e que vai sair para ver o que é. Porém, nada se altera e eu encaro o ambiente.

A cama está arrumada com perfeição. Tão esticado que não causa qualquer ruga no tecido. Não sei como Harry consegue. Meus pais tentavam coisas assim na nossa casa, mas sempre não funcionava como deveria. É tão curioso que eu me aproximo ainda mais e toco o um pedaço do lençol.

Crio a primeira marca com um formato semelhante ao meu indicador. Parece algo mais humano e muito mais normal. Parece algo plausível de ser encontrado em uma casa.

Um pedaço em minha visão periférica chama minha atenção. Eu olho para o lado, percebendo a enorme abertura na porta do banheiro.

Afasto-me da cama. De repente, ela não me é algo mais tão interessante. Sigo em frente, inclinando-me sobre o joelho e espiando pelo espaço. Debaixo de todo o vapor que se impregna pelas paredes, consigo identificar a silhueta de Harry. Pingos de água escorrem pelos contornos de seus braços e pelo cabelo. Suas tatuagens e cicatrizes jamais formaram uma combinação tão sedutora.

Seguro o impulso. Meu instinto me mandarentrar ali naqule exato instante e pular no colo de Harry. A vontade é tão forte que travo as mãos ao lado do corpo, tentando conter meu desejo. Mordo o lábio.

Não quero ceder. Não quero dar vazão ao meus instintos mais naturais quando minha mente ainda se mostra confusa sobre o que fazer. E não sou capaz de fugir. Não consigo afastar meus olhos do corpo de Harry porque tudo que eu queria ers a oportunidade de poder tocar cada uma das tatuagens e dedilhar o contorno de cada músculo.

É loucura. Pouco tempo atrás, estávamos em discussão intensa e muito perto de ódio mútuo. Agora, eu luto para não agarrá-lo. Circunstâncias assim fazem com que eu questione a validade de meu desejo. Não pode ser tão verdadeiro quando é precedido por sentimentos tão controversos. Ou pode?

Perco a noção do tempo ali. Só percebo que os minutos transcorrem quando o barulho da água caindo é interrompido com um girar metálico. Eu recobro a consciência, imaginando todas as implicações de Harry me ver ali e juntar as peças. Apresso-me em abandonar o quarto antes ganhe um acompanhante.

— Merda. — digo a mim mesma.

O que eu estava fazendo? É constrangedor pensar em tudo que quase cheguei a fazer cinco minutos antes. Nem sei que parte de mim esteve no controle e quase me fez cometer uma loucura.

Sinto o calor percorrendo minhas bochechas e meu corpo. Suponho que minha face esteja avermelhada agora. Jogo o cabelo para trás, sentindo a temperatura elevada de minha testa. Bufo, agradecida por não ter ninguém para assistir meu pequeno espetáculo.

Lavo o rosto na pia da cozinha. Deixo as mangas da blusa marcadas em um tom mais escuro ao deslizar por minha face, retirando o excesso de água.

Harry me encontra nesse estado. Ele me pergunta o motivo de minha cara rosada e eu desvio de assunto rapidamente. A mala retorna para cima do sofá e eu me recuso a ocupar o espaço ao lado dela.

Saímos. Fico em silêncio na maior parte do caminho, juntando as palavras que devem compor uma boa tese para convencer Harry a ficar. Quando chegamos a Gatwick, eu sou surpreendida com a chave do Toyota pairando a minha frente.

— O que está fazendo? — interrogo.

— Você pode ficar com o meu carro essa semana. — Harry se explica. — E pode vir me buscar na próxima sexta.

— Ah! Não é para me ajudar, então. Só para o seu próprio proveito.

Ajudo Harry com o check-in. Nós nos sentamos em um dos bancos e eu percebo a forma cada vez mais ansiosa como ele se porta. É um indício claro de que ele está ansioso. Uso isso ao meu favor, tentando convencê-lo a permanecer aqui. Também não funciona.

Pergunto sobre sua família. Harry diz que apenas John e Will sabem o real destino dele enquanto, por manutenção da paz, todos os outros pensam que ele vai para as Filipinas.

Fico um pouco melhor ao pensar que Harry não estará sozinho. Haverá toda uma equipe junto com ele, enviada previamente, e que está responsável por fazer todo o cronograma ser atendido. Não é o melhor dos consolos. Porém, é tudo que tenho nesse momento.

O tempo se arrasta até anunciarem o vôo. Olho para Harry, observando-o se erguer e segurar a mala sobre o ombro.

— Realmente não posso te fazer mudar de ideia? — questiono, ficando de pé.

— Não dessa vez. Eu tenho que ir. Vejo você na sexta?

Eu balanço a cabeça minimamente. Acredito que Harry não tenha notado porque o sorriso sumiu de seu rosto enquanto ele vira para atravessar.

Não é a despedida certa. Poderia ser a última vez. Essa é a única certeza que se tem ao dizer adeus, mesmo o que você crê ser temporário, para alguém que, de alguma forma, significa algo ou está muito perto de significar. E não é assim que eu gostaria que fosse. Tão seco e frio... Tão sem emoção que nós poderíamos ser apenas dois desconhecidos em um momento aleatório.

— Harry, espera! — chamo-o.

Ele se vira. Para pra me olhar e fica esperando. Cubro a distância entre nós com alguns passos e apenas o encaro por um segundo. Logo em seguida, eu o puxo para mim e selo nossos lábios.

Harry deixa a mala sobre o seu ombro cair. Suas mãos e braços rodeiam minha cintura e ele me leva para ainda mais perto. Permito que meus dedos se agarrem aos seus ombros. Aproveito a sensação de tê-lo por perto e tento entender porque eu sempre crio algum tipo de obstáculo para nós dois.

O som de convocação soou mais uma vez. Eu me afasto, olhando em volta em busca do alto falante apenas para amaldiçoa-lo por ser tão inoportuno.

— Tem que pegar um avião, não é? — inquiro.

— É. Tenho.

Harry se afasta de mim. Ele recolhe a mala do chão e torna a pendurar a alça sobre o ombro. Suspiro profundamente e cruzo os braços.

— Tente não ser morto. — aconselho.

— Vaso ruim não quebra. Nunca te falaram isso?

— É, mas você não se encaixa nessa categoria. Ainda pode se quebrar. Manda noticias. Ligue-me quando chegar.

— Eu ligo. Vamos nos ver novamente em menos de uma semana.

— Não me esqueça nesse meio tempo.

— Não poderia.

Harry vai embora

— Charlie! Charlie! — Kate estala os dedos na minha frente repetidas vezes até que eu dirija meu olhar a ela. — Pode, por favor, prestar atenção no que está fazendo?

Balanço a cabeça, recobrando o objeto de meu foco.

— Claro. Desculpe. — sorrio amarelo.

Kate estala a língua, irritada. Ela provavelmente perdeu as contas de quantas vezes chamou minha atenção e tentou fazer com que eu permanecesse funcional no grupo. Eu também já não sei quantas vezes prometi que me concentraria e pedi desculpas pela desatenção.

Matar arqueologia étnica foi a pior ideia que eu poderia ter. Um trabalho passado naquela aula dividiu a sala em grupos e eu fiquei com a rebarba. As pessoas com que dava-me bem de fato fecharam o grupo antes de perceber minha ausência. O trio incompleto de Kate precisava de mais membros, então Melody colocou a si mesma lá e me levou junto.

Deveria ser grata porque precisava garantir esses pontos. Elas foram gentis em me aceitar, especialmente quando eu nem estava lá. Mas são pessoas mais difíceis de lidar. Kate é tão focada em seus estudos que me obrigou a sair da cama cedo nesse domingo para fazermos o possível do trabalho. Hana é tão calada e ineficiente que nem parece estar aqui. Chloe é hiperativa, incapaz de permanecer no mesmo lugar por mais de cinco minutos.

Não estou bem. Não ter conseguido fazer Harry ficar foi a pior coisa em termos de derrotas pessoais. A todo instante, meu cérebro retorna aos acontecimentos do dia anterior, modificando o final e o que se passou de modo a deixar Harry em Londres.

Depois que ele subiu no avião e eu retornei à Sussex com seu Toyota, percebi que desejava algo. E não encontrava o que era em lugar nenhum. Uma sensação muito similar a estar incompleta, com um pedaço perdido. Não tenho a mínima ideia de onde encontrar o que tanto me falta.

O silêncio de Harry é uma tortura ainda maior. Mantenho meu celular com o volume no máximo e a bateria sempre completa, esperando o momento no qual eu vá receber alguma ligação. Algum sinal de vida.

É doloroso pensar que, nesse momento, mesmo com a diferença de fuso horário, eu já deveria ter alguma notícia. Harry disse que ligaria, então por qual razão ainda não o fez? Seria esse um sinal de que meu sexto sentido está certo e de que nada de bom sairia dessa viagem? Começo a rezar para que não. Por mais que uma parte racional de mim se mantenha calma e tente me falar que pode ser só um problema de sinal, estou desesperada e temendo algo grave como a queda de um avião.

— Charlie! — Kate me chama.

Pulo de susto na cadeira. Encaro a ruiva na minha frente, percebendo o quão irritada ela está comigo.

— Desculpe. Desculpe. — apresso-me em dizer. — Eu vou prestar atenção agora. Juro que vou.

— Está falando isso fazem horas.

— Sei que estou.

— Dê um desconto para ela, Kate. — Melody intercede por mim.

Ela está sentada ao meu lado. Mantém um pirulito encaixado entre os lábios e preso dentro da boca. Enrola grossas mechas de cabelo no dedo, tentando formar cachos. Vez ou outra, apoia o pé no suporte da mesa e toma impulso, inclinando a cadeira para trás e depois deixando que retorne para frente, balançando-se.

— Charlie está tendo um dia ruim. — prossegue.

— Não é nada. — falo, tentando cortar o assunto antes que se estenda além do máximo.

— É uma justificativa, Char. O namorado gostoso e pirado dela voltou para o Afeganistão e ela está preocupada. Na verdade, ela está sofrendo por não tê-lo convencido a ficar.

— Ele não é meu namorado e ele não é pirado.

— Mas gostoso ele é?

Reviro os olhos. Melody sorri, sacana, quando eu não respondo sua última pergunta e isso é o bastante para uma confirmação.

Não sei o que a leva a fazer isso. Um tempo atrás, Melody nem ao menos se importava com os homens que passavam por minha vida. Com Harry, ela parece tendenciosamente disposta a se intrometer e criticar. Não lhe conto mais do que o necessário e, notando a forma como age, sinto ainda menos disposta a tal.

— Não é relevante. — digo, puxando um dos livros. — Viemos aqui fazer o nosso trabalho, não é? Então é isso que deveríamos fazer. Kate, pode repetir o que já havia dito? Juro que vou escutar tudo.

Kate acena com a cabeça, indicando que sim. Ela se inclina sobre a mesa com seu caderno em mãos. Faço o mesmo, amassando os papéis espalhados sobre o tampo de madeira. Presto total atenção no que Kate fala, tentando compreender cada coisa que ela diz.

— Fiquei sabendo do que houve entre ele e Daniel. — Melody continua, incontrolável.

— O que houve com Daniel? — Hana fala pela terceira vez no dia.

Ela está curiosa. É provavel que mal saiba quem é Daniel, mas parece desejosa para saber tudo que se passa e todas as fofocas quentes e chocantes.

Viro o rosto para Melody, boquiaberta.

— Como? — ofego.

— As notícias correm. — dá de ombros, tentando mostrar-se indiferente. — O campus não é tão grande quanto parece. E temos ciclos de amizade bem parecidos.

— O que houve com Daniel? — Hana repete, com olhos arregalados e toda atenção voltada para nós.

— Nada.

Falo isso ao mesmo tempo que Melody diz:

— Apanhou do namorado da Charlie.

Nunca tinha visto esse lado dela. Eu nem suspeitava que Melody tivesse uma faceta como essa. Há tanto veneno escorrendo pelos lábios que chego a temer que marque o contorno da boca.

Não sei o que leva Melody a fazer isso. Começo a pensar que ela gostaria de estar no meu lugar. Lembro-me quando vimos Harry pela primeira vez e ela o elogiou. Disse que poderia tomar essa para si e talvez ela tenha de fato arriscado nisso. O que quer tenha planejado para os dois foi por água abaixo e eu sou uma das culpadas.

— Ele fez o quê?

Hana fica abismada com a informação obtida. Seus olhos se arregalam e as pupilas quase saltam para fora das órbitas oculares. Seu corpo se inclina para frente, arrastando papéis dos livros e cadernos junto. Ela fica próxima de Melody, com certeza sedenta por mais informações.

Travo os dentes.

— O cara surtou, sabe? — Melody tira o pirulito da boca para falar confortavelmente. — Ele partiu para cima do Daniel e começou a soca-lo sem mais nem menos. Por isso o Danny está com o rosto machucado e inchado.

Hana se inclina para mais perto ainda de Melody e as duas mergulham em uma conversa sobre o incidente da semana anterior. Eu as fuzilo com o olhar, surpresa com a futilidade e a forma como tocam no assunto sem bem prezar por qualquer um dos envolvidos.

Kate me olha com convalescença. Ela se sente constrangida por como as coisas desandaram e cutuca Hana, tentando conter a colega. Também não serve de nada.

O meu celular toca e eu empurro tudo sobre a mesa para encontrar o aparelho. Afoita, encaro a tela. Sorrio, vendo o nome de Harry aparecer no identificador de chamadas.  Peço licença a Kate e saio do Dhaba Café.

— Começava a achar que algo de ruim tinha acontecido. — é a primeira coisa que digo ao atender o telefone.

A risada rouca de Harry enche meu ouvido. Mordo o lábio, segurando um sorriso. Não imaginei que poderia me sentir tão aliviada ao escutar um som tão comum.

— Dawson, você se preocupa demais.

Sem o benefício visual, tudo que tenho é a voz de Harry. Seu timbre rouco me parece igual ainda. Analiso suas palavras e a forma como ele as fala, tentando descobrir se tudo está de fato bem ou se é apenas ima camuflagem para que eu não me desespere.

— Faz muito tempo desde seu vôo. Eu estava preocupada porque você não dava notícia. — justifico-me.

— Não precisa ser melodramática. Disse que tudo ficaria bem. Você claramente não acreditou.

— Como estão as coisas aí?

Harry suspira. Não consigo tomar isso como um bom sinal e me sento em uma pequena elevação na construção do café. Estico as minhas pernas sobre a grama e grudo os olhos nas sapatilhas.

— Harry?

— Tudo bem.

Por um instante, chego a pensar que ele me daria alguma abertura. A expectativa cresce e imagino Harry sendo sincero comigo e me contando não o que quero ouvir, mas o que ele verdadeiramente sente. Todavia, surpreendo-me com a afirmativa de fundo falso que deveria indicar que está tudo bem.

O tom de voz já mudou. Agora me parece muito mais sobrecarregado e cansado do que no princípio da conversa. Para mim, são indícios claros que nada está bem como deveria. Harry é péssimo mentindo. Suas mudanças são voláteis e rápidas demais para que ele consiga disfarçá-las.

— Prefiro que seja honesto comigo agora. — sugiro. Esfrego um pé no outro, mordendo a parte interna da bochecha. — Sei que é mentira o que me diz.

— Eu estou sendo sincero. Está tudo bem.

Harry tenta convencer a mim e a ele mesmo. É tão ruim mentindo que não consegue fazer com que suas palavras pareçam verdadeiras nem para si. Seria cômico, se não fosse trágico. E é trágico não apenas por Harry ter que se convencer,  mas também porque a realidade por trás pode ser macabra.

Encaro o céu. Não há qualquer nuvem pairando hoje e o azul é tão intenso que consegue desconcertar qualquer um. Será que Harry vê o mesmo céu de onde está? Duvido. Quilômetros e horas de diferença devem lhe dar uma visão muito diferente. Talvez ele nem mesmo esteja em ambiente aberto agora.

— Você está tão quieta. — Harry sussurra.

— Eu estou olhando para o céu agora e pensando quanto tempo demoraria para contar as estrelas. E você?

— Meus sapatos. Estou olhando para os meus sapatos e vendo os meus demônios.

— O que eles dizem?

— Que eu sou a piada nesse momento. Preciso desligar.

Lamento que ele diga isso. Tivemos cinco minutos ao telefone. Dez, no máximo. É um tempo demasiado curto. Gostaria de poder estendê-lo por mais horas.

— Não pode me contar qual a piada primeiro? — solicito, tentando prolongar a situação.

— Quando eu voltar. Adeus, Charlie.

— Até logo.

Harry desliga. Permaneço com o telefone escorado sobre a orelha, escutando os bipes que indicam o fim da ligação  e desejando que se transformem em uma voz de verdade. Não se transformam. Com certa melancolia, eu pego o telefone entre as mãos e encaro o papel de parede.

Deveria ter pedido para Harry não se despedir. Ele disse adeus e, para qualquer um, não há maneira mais permanente de se afastar de alguém. A própria palavra parace eterna e não consigo tomar isso como um bom sinal. Não deveríamos usar uma despedida desse tipo se queremos voltar a nos ver. Na verdade, não deveríamos usar despedida nenhuma, porque assim sempre podemos dar um jeito de encontrar um ao outro.

Suspiro. Ainda encaro o céu, pensando em toda a infinidade de estrelas que vai aparecer em algumas horas. Também penso no que eu disse a Harry. Seria uma eternidade para contar todas elas e me parece que falta uma eternidade até a próxima sexta, quando devo retornar ao aeroporto. De alguma forma, parece-me muito adequado gastar partes das minhas noites na tentativa de contabilizar os pontinhos brilhantes que enchem o céu. Minha única expectativa é que Harry chegue primeiro e eu não tenha que seguir com o projeto.

Coloco o celular no bolso. Eu retorno para o interior do café, nada animada em passar mais horas com aquelas garotas. Kate até mostrou alguma simpatia. Posso dizer que ela seria uma pessoa mais amigável se eu não me distraisse a cada minuto e ela precisasse chamar minha atenção. Chloe é incansável. Ela parou na mesa por dois minutos, nos quais falou compulsivamente, e depois, alegando precisar pegar algo no alojamento, retirou-se. Não deu qualquer sinal de vida até o momento.

Chloe e Kate são passíveis de lidar. A primeira nem está aqui para causar algum tipo de transtorno e a segunda, apesar de toda a irritação que eu lhe causei, consegue ser empática. Quem está conseguindo extrair o limite da minha paciência é Melody. Não sei em que momento ela se transformou em um ser tão disposto a causar degradação em alguém. E, independente disso, devo reforçar que ela está se saindo até bem.

Não sei se Hana tem tanta culpa assim. Ela teria tido essa curiosidade com qualquer um. Não foi por ser Daniel, até porque ela não o conhece, mas sim por ser uma fofoca e, odeio admitir isso, das boas. Poderia ter se contido. Deveria ter se contido porque partes interessadas estavam ali e o mínimo a ser feito era demonstrar respeito.

Peço desculpas a Kate quando retorno. Ela diz que compreende e eu me sento ao seu lado, aguardando as informações restantes. Nesse meio tempo, Melody e Hana ainda fofocam. Temo estar bem no centro de assunto delas.

Quando Kate termina a explicação, eu sou obrigada a concordar. Ela tem um bom projeto e o criou enquanto eu pensava no mundo fora do externo. Não me sinto confortável para mudar nada. Ganho um subtema e ligo o notebook, disposta a juntar informações para desenvolvê-lo.

— Hey, Charlie! — Hana me chama. Ela olha ao redor, vendo que Kate não a ouviu. — Posso fazer uma pergunta?

— Você já fez.

— Outra. Sobre o seu namorado.

Travo o maxilar novamente. Não consigo imaginar nada de produtivo resultando dessa conversa.

— Eu não tenho namorado.

— O carinha do exército.

Imediatamente, encaro Melody. Não lhe dei tantos detalhes, mas já me arrependi de ter ao menos tocado no assunto.

— Não, não pode.

Imediatamente, eu começo a juntar minhas coisas. Empurro tudo que me pertence para dentro da bolsa e fecho a tampa do notebook. Digo a Kate que lhe enviarei toda a pesquisa pronta e formatada por email até a manhã de segunda e ela não se opõe a isso.

— Melody disse que ele ficou muito tempo no exército. — apesar de minha negativa, Hana prossegue. Escorrego para fora do banco. — Eu só queria saber se ele é muito velho e como funcionam as coisas entre vocês. Em todos os sentidos.

Coloco a alça da bolsa ao redor do ombro.

— Não sou namorada dele. Mesmo que fosse, você não é alguém que eu preze o bastante para contar esses detalhes. Até mais, Kate.

Eu me viro e começo a caminhar, fugindo para longe da visão delas. Em pouco tempo andando, percebo o peso de meus passos. Estou tão irritada com a falta de consideração e respeito que mal notei o quanto isso extravasava pelo meu corpo de todas as maneiras possíveis.

Péssima ideia ter faltado. Brincadeira cruel do destino não ter permitido que eu permanecesse em um grupo onde não me dou bem com ninguém e onde não há nada além de desejo por fofocas. Quase prometo a mim mesma não faltar em nenhuma aula mais. Essa promessa cai por terra logo em seguida, porque me recordo de que Harry chega na sexta e eu prometi, até a mim mesma, que o buscaria.

Jogo-me no sofá ao chegar em casa. Diana vem do quarto, balançando um saquinho de chá em sua xícara.

— Dia difícil? — pergunta-me.

— Você não faz ideia do quanto.

— E como foi ontem?

— Uma droga também. Harry foi para o Afeganistão, eu não pude fazer nada para evitar e, às vezes, acho que é culpa minha.

Diana vem até mim. Ela coloca sua xícara de lado e me obriga a erguer a cabeça. Senta-se no sofá e imediatamente começa a deslizar os dedos por meu cabelo. Fecho os olhos, relaxando com o toque.

— Por que acha isso? — Diana questiona.

— Eu fui cruel com ele. Você nem faz ideia do quanto, Di. Eu simplesmente o expulsei, fiz com que ele se sentisse pior. Se eu tivesse agido diferente, poderia tê-lo feito ficar.

— Acha mesmo que conseguiria?

— Harry não pensaria ser um monstro para mim. E não teria razões para se afastar.

Poderia ter sido mais gentil no dia fatídico. Isso teria alterado todo o rumo dos acontecimentos. Eu me sentiria muito melhor se tivesse feito diferente, porque uma parte de mim sabe a culpa que tem pela viagem de Harry.

Talvez por isso eu me sinta tão agoniada. Fiquei momentaneamente bem ao falar com ele. Escutei a voz de Harry e isso fez com que eu sentisse que nada de ruim aconteceu. Fez com que eu me sentisse segura. Mas já faz tempo que nos falamos. A voz de Harry já esfriou e se tornou um eco distante, cuja palavras não tem mais o mesmo sentido.

Não consigo senti-lo mais. E com tanto espaço entre nós, pensamentos mais catastróficos assolam minha mente. A verdade é inevitável: queria que Harry estivesse aqui, onde posso tocá-lo e me certificar de que está seguro e salvo dos demais perigos. Não nesse outro continente, onde momentos ruins e situações terríveis arriscam destruir o que sobra da sua mente.

Que sentimento mais tolo! É tão irônico que eu tenha recusado seus convites com tamanha veemência e agora o deseje por perto. É até cômico perceber todas as voltas que o mundo deu em um curto período de tempo.

— Não é sua culpa, Char. — Diana sussurra. — Não teria feito diferença se ele tivesse tomado essa decisão antes de ter você na vida dele.

— Gosto de pensar que sim. Ele não é um monstro, Di. Ele é uma boa pessoa passando por momentos ruins.

— Eu discordo. — movo um pouco a cabeça, virando os olhos para encarar minha amiga. — Eu acho que ele é alguém que talvez tenha sido realmente bom um dia. Mas pessoas boas não conseguem permanecer sãs quando tudo que vêem são catástrofes. Não que isso faça diferença para você. Ainda vai querer vê-lo quando puder. Eu estou errada?

— Não.


Notas Finais


E isso é tudo por hoje, pessoal. Peço novamente desculpas por minha demora em atualizar. Estou me organizando melhor essas férias e mandei vários capítulos pra betagem. A intenção é recuperar o ritmo anterior das postagens e conseguir aparecer pra vocês duas vezes ao mês. Novamente, deixo aqui o link do teaser: https://www.youtube.com/watch?v=0l-cGVf6F-o
Deixo também o link da minha ask pra gente pode ser falar: http://ask.fm/RachelWilde_
Podem aparecer lá, ou me chamar aqui mesmo na hora que quiserem. Saibam que será sempre um imenso prazer falar com vocês, então estejam à vontade pra aparecer.
Hoje eu trouxe umas fics pra recomendar pra vocês. Eu adorei todas e, se resolverem dar uma chance, espero que também gostem.
https://spiritfanfics.com/fanfics/historia/fanfiction-justin-bieber-antithesis-5932567
https://spiritfanfics.com/fanfics/historia/fanfiction-justin-bieber-naufrago-5932529
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https://spiritfanfics.com/fanfics/historia/fanfiction-zara-larsson-stranger-5839132
Até logo!
xoxo


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