História Red - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 682
Palavras 3.911
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores!
Bom, antes de qualquer coisa, eu quero agradecer pelos comentários e favoritos no último capítulo. Muito obrigada à cada um de vocês, que veio aqui e dedicou um pouquinho do tempo pra comentar a história. Eu fico mega feliz com cada comentário que chega, e também com cada favorito e só posso agradecer por tornarem tudo tão especial. Também agradeço quem falou comigo pela TL, MP e WPP. Eu recebi umas coisas muito lindas essas semanas que fizeram meu coração bater mais rápido. É realmente indescritível a minha alegria quando alguém pede atualização porque tá com saudades, curioso ou me diz que gosta da fic. Eu fico me sentindo haha Muito obrigada <3
Então, agora eu tenho alguns recadinhos importantes aqui. Me desculpem, mas essas provavelmente serão as mais longas notas iniciais que eu já escrevi kkk
A primeira coisa que quero falar é que Red está concorrendo numa premiação aqui do SS. Sim! Conseguem acreditar nisso? Fiquei bem feliz quando a inscrição foi aceita e, agora, preciso da ajuda de vocês. A votação é publica, via TT, e, obviamente, ganha a história que tiver mais votos. E pra votar eu conto com vocês haha É bem simples: basta mencionar meu perfil do TT, rachel_pego (e inclusive, se quiserem se comunicar por lá, é só mandar no privado ou mencionar mesmo) com a tag da história que é #PSRed. Cada um desses é contabilizado como voto e o limite por dia é de 50 tweets. Agradeço se puderem dar um help nisso e, se não puderem, agradeço também porque estão lendo a fic haha A votação já está valendo e vai até 23:59 do dia 12 de outubro.
Agora, o nosso outro recadinho. Inicialmente, sempre desejei e planejei que Red fosse uma trilogia. Desde a primeira versão que escrevi. Mas eu acho que, por mais que desejasse que a fic tivesse sucesso, eu nunca pensei muito nisso. E conforme ela foi crescendo, eu me peguei em um dilema: sempre planejei mais duas partes, mas será que meus leitores vão gostar disso? É é justamente o que quero, e preciso saber. Por favor, digam-me o que pensam sobre esse assunto. Essa primeira parte já está entrando na reta final, de modo que, qualquer que seja a decisão final, precisa ser rápida pra eu mudar o que for necessário e se for necessário. Como eu disse, sempre me planejei desse modo, e tenho a história divididinha pra cada parte. Porém, o que quero saber agora é a opinião de vocês. Por isso, peço que me contem, seja por MP, TL, TT... Enfim, por onde acharem melhor.
Agora, depois de tudo isso, eu finalmente lhes dou o capítulo. Foi betado pela Nanda que, inclusive, está fazendo aninhos hoje. Dedico essa capítulo especialmente à ela, que tem me ajudado demais, não só com essas história, como em tudo. Espero que apreciem e nos vemos lá embaixo.

Capítulo 21 - Red sangria


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 21 - Red sangria

Leiam as notas iniciais, por favor.

Harry

 

— Ela o faz feliz? — de súbito, Amélia pergunta. 

Paro de olhar para a mesa de doces, metros distante de onde estou, e abaixo o olhar. A mulher loira a minha frente está apreensiva, fitando-me com um misto de preocupação e temor.

Não permaneço encarando Amélia. Torno a erguer meu rosto e a encarar todo o lugar ao meu redor e evitar ao máximo minha mãe. 

— Você se importa agora? — rebato. 

— Eu sempre me importei! Sua felicidade e a felicidade de Gemma são as coisas que mais me enchem a mente. Eu quero, eu preciso, eu desejo, que vocês sejam felizes. 

Balanço a cabeça, pouco crente no que escuto. 

— Não é bem assim na minha memória. Miranda me fazia feliz e isso nunca bastou para fazer que você gostasse dela ou aprovasse nossa relação. 

Amélia se cala. Sinto, pela minha mão em suas costas, seu corpo tensionar de modo abrupto. Ela está incomodada com o que eu disse, embora não tenha falado mais do que a verdade. 

Forço Amélia a girar pelo salão, seguindo o ritmo da música. Mudamos de posição e eu passo a encarar o céu noturno por uma das enormes janelas.

— Você está confundindo as coisas, Harry. Aquilo foi completamente diferente. — Amélia se defende, por fim.

— Diferente? O que fez a situação ser diferente? O fato de eu ter me casado com ela ou ter parado de ser quem vocês achavam que eu era?

— Você era uma criança, Harry! Vocês dois eram. Queria que eu batesse palmas e aprovasse sua decisão? Eu jamais poderia fazer isso sabendo que sua vida mudaria por completo e que qualquer plano para o futuro estaria arruinado. 

De súbito, eu paro meu corpo e forço Amélia a fazer o mesmo com o seu. No meio da pista, encaramo-nos. O olhar dela demonstra algum tipo de preocupação. Todavia, não consigo ser atingido por isso e muito me sensibilizar. 

Irrita-me ver como Amélia julga a situação. Irrita-me igualmente ver o tipo de pensamento que ela mantém sobre o meu passado — especialmente sobre as escolhas que jamais me trouxeram arrependimento. 

— Não foi isso que arruinou minha vida, Amélia. Foi outra pessoa. — afasto-me. — E você sabe quem foi.

Consigo visualizar perfeitamente Amélia parada no lugar que a deixei, com o mesmo olhar desgostoso que vejo em seu rosto quando sou o principal assunto. E o desgosto sendo gradativamente substituído por decepção, até o momento em que ela viraria o rosto e voltaria para a sua mesa.

Sigo porta a fora até os fundos do hotel — uma enorme área de lazer com grandes piscinas e brinquedos infantis. As luzes e o barulho da festa chegam com muito menos intensidade aqui e quase me sinto seguro, afastado de todas as pessoas que poderiam provocar meu colapso. 

Assim que me sento na beirada de uma espreguiçadeira, sou lembrado de Charlie sozinha. Não tão sozinha assim. Com meu pai, mesmo que a ideia me seja desagradável. Viro o rosto para a porta por onde sai e chego a pensar em voltar. Minha vontade de encarar John, no entanto, é nula e não tenho o menor ânimo para falar com ele. 

Se Charlie queria tanto uma oportunidade de conversar e conhecer minha família, creio que lhe dei uma excelente brecha. Não consigo nem mesmo temer os rumos da conversa, porque sei que, onde quer que cheguem, Charlie não vai sentir outra coisa que não ânimo para prosseguir questionando e investigando. 

Um cigarro e meio depois e ainda não sinto a menor vontade de voltar. Deveria estar com minha família ou ao menos procurando Charlie e tentando convencê-la de que esse é o momento de irmos. Mas aqui fora é seguro. Diferente do salão de festas, incrivelmente lotado e imerso em uma confusão que inibe qualquer pensamento sensato, aqui é calmo. Não tenho a cabeça cheia e bagunçada.

Tiro o paletó, deixando-o ao meu lado, e afrouxo o nó de minha garganta. Estou muito perto de tirar os sapatos e só sou detido pela consciência de que eles demoram demais para serem calçados. Desvio a atenção de meus pés e dou mais uma tragada no cigarro, expelindo uma enorme nuvem de fumaça cinza na frente de meu rosto.

— Excelentíssimo senhor Harry Edwards Styles, sargento condecorado da marinha norte americana e ex-membro interino da equipe SEAL.

Eu lentamente viro o rosto, petrificado por aquelas palavras. Encaro Charlie parada atrás de mim, com as mãos tremendo ao segurarem o papel de carta. Seu rosto está vermelho, com olhos inchados e mais marcas de desespero do que sou capaz de contar.

— Venho, por meio desta, convocar seus serviços com urgência. Peço que se junte a nós no próximo dia 23 de setembro onde mais detalhes sobre seu papel em nossa missão tática serão passados.

Charlie engole seco e eu me levanto. Vejo-a fazer uso da mão antes livre na tentativa de manter o papel parado. Penso que devo ir até ela e tirar a carta de suas mãos porque isso não lhe diz respeito; é um problema meu e só eu sou capaz de resolvê-lo.

Mas seu pânico me paralisa. O nervosismo que desliza por seu corpo o a faz perder o controle não me deixa avançar nem mesmo um passo para ela. Parte de mim sente vergonha pelo flagrante: fui pego mentindo e nada poderá mudar isso. Outro pedaço sente raiva pela invasão de privacidade e o que sobra começa a temer os próximos acontecimentos. 

Quando Charlie torna a falar, percebo que os espasmos nervosos em seu corpo chegaram até sua voz e agora ela treme por completo. 

— Para maiores esclarecimentos, assista o DVD enviado em anexo a esta carta. Esperamos que o senhor se junte a nós mais uma vez e colabore para o sucesso — a voz de Charlie falha e lágrimas escapam de seus olhos. Ela inspira profundamente, recuperando-se de maneira mínima, suficiente apenas para continuar falando. —sucesso de nossos planos. Entre em contato imediatamente, informando-nos de sua decisão. Atenciosamente, James Edwards Sullivan. Master chief do DEVGRU. 

Charlie abaixa a mão, deixando a carta repousar ao lado de seu corpo. Ela me encara e sei bem que espera por respostas.

Eu, no entanto, não sou capaz de dá-las. Certos detalhes são tachados como confidenciais e eu não poderia falar sobre eles nem se quisesse isso. O que posso dizer não seria o bastante para convencê-la de meus motivos.

O olhar de Charlie cai sobre mim. Ela sente dor ao mesmo tempo que me acusa. Sua tristeza se mistura ao pânico e sinto algo se revirar dentro de mim por ser quem lhe causa isso.

— Então, os tais convites de Edwards eram para um churrasco? — ironiza-me.

— Eu... — começo, sem qualquer ideia do que devo falar.

— É um mentiroso.

Ela consegue unir força o bastante para falar com toda a firmeza. Mas um suspiro pesaroso escapa de seus lábios e sei que esta lutando para se manter no controle. 

Charlie vem até mim; seu salto estala a cada choque irado que uma pisada sua provoca ao entrar em contato com o chão. 

— Você é a merda de um mentiroso e de um traidor! — ela berra, pouco se importando que alguém possa nos escutar. — Achou que eu nunca fosse descobrir, Harry?

— Isso não é problema seu. 

— Claro que é! Você é problema meu desde que aceitei que fosse parte da minha vida. Mas que merda!

— É o meu trabalho, é o meu dever.

— Trabalho? Dever? — Charlie solta uma gargalhada nervosa. — Você não é um patriota com sede de justiça pelo seu país! É a porra de um soldado aposentado, ferrado da unha do pé ao cabelo na cabeça. 

Eu me calo diante das acusações de Charlie. Queria ter bons argumentos para provar que meu ponto está, de algum modo, correto e que tenho razão em minhas escolhas. Mesmo que eu fosse capaz disso, duvido que Charlie aceitasse o que digo. Ela não é capaz de escutar algo além do próprio desespero nesse momento. 

— Eu não quero que você vá, Harry. 

Charlie choraminga como uma criança assustada. De repente, toda a raiva parece ter se dissolvido em uma simples expressão de tristeza que me deixa imóvel e calado. 

Charlie treme como nunca vi antes. Ela nem mesmo tem firmeza para segurar o pedaço de papel em sua mão e pressinto que não falta muito para que ela o deixe cair. As lágrimas deixaram de ser uma simples ameaça para se tornar algo real e deslizam pelo rosto de Charlie como uma cachoeira. 

Eu nunca a vi dessa forma. Tão puramente amedrontada e agoniada, deixando isso claro. Nunca a vi se irritar tanto ao ponto ter o corpo percorrido por tremores ou de simplesmente não conseguir ajustar o cérebro e se expressar corretamente. É tudo muito novo para mim e, por sua falta de controle ou habilidade, imagino que não seja tão diferente para ela. 

— Não é como se eu fosse morrer ou coisa assim. — sussurro.

Charlie vira o rosto para mim de uma forma assustadora; seu olhar recai sobre mim e é a mais pura expressão de raiva. As lágrimas se interrompem ao mesmo passo que seu maxilar tenciona ao ranger dos dentes. Trouxe sua fúria de volta e por um comentário tão ruim quanto impensado. 

As palavras mal abandonaram meus lábios e eu percebi que disse o pior que poderia. Arrependo-me instantaneamente, torcendo para que meu pequeno deslize não seja só mais lenha nessa fogueira. É claro que é inocência pensar que não tornei tudo pior; o simples modo como Charlie move a face de forma a me encarar deixa claro que pisei muito feio na bola.

— Vá para o inferno! — Charlie berra.

Ela atira a folha de papel em mim. Seu movimento é só uma expressão de raiva, mas a carta cai aos meus pés antes de me atingir. Fisicamente, saio ileso de seu ataque; emocionalmente falando, sinto que seu ato abala um pouco todas as estruturas e a própria decisão que eu já tinha tomado.

Charlie me deixa sozinho. De imediato, apenas a deixo sair enquanto me ajoelho, recolhendo a carta. Está manchada e com marcas úmidas em alguns lugares. Charlie chorou sobre ela, constato, mortificado. 

Isso é o que me basta para recolher todas as minhas coisas e correr porta adentro atrás de Charlie. Guardo a carta no bolso de minha calça. Eu atravesso o salão, contornando todos que surgem em meu caminho. John surge pela frente e eu me sinto muito tentado a parar e lhe socar a face, porque tenho plena ciência de que foi John a contar tudo para Charlie.

Ignoro sua presença e percorro o salão com o olhar. Quando não encontro Charlie, sigo em frente sem nem me preocupar em me despedir das pessoas. Passo pela recepcionista e pelos seguranças, vestindo o meu paletó tão logo chego a calçada. 

Charlie está parada próxima à um parquímetro. Ela se move de um lado ao outro ao redor do objeto, encarando o céu ou cobrindo parte da boca e da bochecha com as costas da mão. Sem a menor vergonha em ser vista, ela chora. Chora e resmunga. Parece desesperada, presa no meio de um surto.

Por um instante, eu paro. Observo-a a distância e vejo quando Charlie coloca as mãos sobre o parquímetro, escondendo o rosto nos ombros. Quando ela torna a erguê-lo, esforça-se para estabilizar a respiração e se acalmar. 

Atravesso a rua e chego pelos flancos, de modo que ela nem sequer me vê. Toco-lhe o ombro e, quando Charlie se vira, seu peito torna a descer e subir de maneira acelerada. Ela trava o maxilar, tensiona os lábios e infla as narinas, criando formas de não retornar ao estado de pânico anterior. 

— Vamos para casa. — sussurro. 

Charlie não me diz uma palavra e se vira, ficando a minha frente. Reconheço o manobrista e peço-lhe que me traga o carro. O tempo em que esperamos transcorre em um tipo de silêncio agonizante. Charlie se recusa a falar comigo ou a me olhar; quando percebo que está tremendo de frio, tiro meu paletó e jogo sobre seus ombros. Imediatamente, ela o tira e, ainda sem me encarar, entrega-me. Suspiro baixo, frustrado. 

Quando o carro para em nossa frente, Charlie entra rápido e bate a porta com um estrondo exagerado. O manobrista não disfarça e encara à nós dois com especulação e curiosidade. Ao entregar-me a chave, deseja boa sorte para "lidar com o furacão dentro do Toyota". Eu apenas ignoro o comentário, pegando o chaveiro de suas mãos e ocupando meu lugar como motorista.

Charlie passa a maior parte do caminho em silêncio completo. Ela só torna a falar quando estamos próximos de Brighton. Tenho esse pequeno intervalo de tempo apenas para sentir o peso do papel em meu bolso. Nunca imaginei que um punhado de palavras pudesse ser tão absurdamente pesado.

Vez ou outra, viro o rosto e analiso Charlie. Ela encara o vidro e, pelo seu reflexo, vejo lágrimas escorrerem velozmente e em silêncio. Isso só faz com que o peso do papel se torne ainda maior. Sinto-me até tentado a jogar aquela carta pela janela, mas sei que não passaria de uma tentativa frustrada. Ainda haveria algum fardo sobre mim e ainda haveria espaços entre Charlie e eu.

— Pensei que tivesse me dito que não haveria surpresas essa noite. — Charlie confessa. 

Eu a encaro e seu olhar permanece fixo na estrada escura. Torno a encará-la, quase constrangido pela situação em que me encontro.

Não sei o que dizer. Simplesmente, desconheço qualquer frase que venha a se encaixar nesse momento. Garanto a mim mesmo algum privilégio ao me manter em silêncio, evitando que frases estúpidas e impensadas aumentem o estrago. 

— Não vai falar nada? — Charlie pressiona. 

— O que quer que eu fale? — berro, começando a deixar que sua irritação leve minha paciência. 

Charlie tira o cinto e vira o corpo, sentando de lado para mim. Penso que acabei de acordar a fera. 

— Que tal falar que você percebeu o tamanho da merda que esta fazendo e resolveu mudar de ideia? — sugere, cheia de ironia. — Ou então apenas ser sincero. Isso já seria um ótimo começo. 

— Se eu for ser sincero, não posso dizer nada do que você quer ouvir. Agora vira para frente coloca a merda do cinto antes que se machuque. 

— Isso é ótimo! Suas tendências suicidas estão subindo a cabeça. 

— Tendências suicidas? Mas que porra..! Saiba que foram as minhas tendências suicidas que conseguiram comprar aquela merda de casa onde você vive.

Vejo um vislumbre de ofensa correr por seus olhos. Charlie trata de se recompor antes que isso se torne um problema.

— Eu não pedi que você compre merda de casa nenhuma. Eu nunca quis isso, Harry! 

— E o que você quer?

—Quero que você pare de tentar morrer ou de ignorar a droga dos seus problemas. Quero que pare de agir como se estivesse tudo bem e que abandone essa maldita armadura que usa o tempo todo. Mas, acima de tudo, eu quero que você consiga ser sincero comigo uma vez na droga da nossa vida e que eu saiba das coisas porque você me contou, não porque alguém fez algum tipo de fofoca.

Eu me calo diante das acusações de Charlie, petrificado e sem respostas. Meu silêncio perdura e Charlie balança a cabeça e suga os lábios, deixando claro que esperava exatamente esse tipo de reação. Sinto muito por simplesmente não saber como usar as palavras ou o que dizer que justifique os meus atos.

Faço o que faço porque acho que isso é o certo e pronto. Nunca precisei bolar um texto de justificativa porque ninguém nunca se importou o bastante para me pedir isso.

— Quer saber? Não precisa me levar para a casa que você comprou com seu maldito dinheiro. — Charlie anuncia. — Leve-me para a casa de Becky ou para a faculdade. 

— Não vou fazer isso, Charlie. Já é loucura demais. Até para você. 

Escolho desafiá-la e pego o desvio que nos leva para a praia. Aperto o interruptor preso ao painel do Toyota e abro a garagem, guardando o carro. Mal tiro a chave da ignição e Charlie está caminhando para dentro.

Vou logo atrás. Tiro os sapatos, o paletó e a gravata. Puxo a blusa para fora da calça e abro os primeiros botões da camisa, livrando-me permanente da sensação se sufoco.

Vou para a cozinha. Na geladeira, encontro o que preciso e faço um sanduíche. Encontro algumas latas de cerveja escondidas atrás do resto de pizza. Tiro uma delas e rompo o lacre. Bebo um gole, sentando-me frente a mesa. Charlie volta quando estou comendo, com a única camisola que ela deixa aqui, cabelos presos em rabo de cavalo e sem maquiagem. 

— Por quê? — inquire ela.

Ergo a sobrancelha. 

— O quê? 

— Por que você faz essa merda? Por que, depois de todas as malditas medalhas de honra e toda essa merda que você já ganhou, você volta a se arriscar tanto? Eu juro que não consigo entender, Harry! 

Penso que mesmo se eu tentasse explicar, Charlie não compreenderia. Não é algo que fuja a natureza dela, mas é uma situação à qual ela nunca foi exposta e, portanto, não poderia realmente entender. 

Dou de ombros e enfio o que sobra de meu sanduíche na boca. Levanto-me, indo lavar as mãos e tentando dar fim a esse assunto. Sinto a sombra de Charlie pairar atrás de mim.

— Deus do céu, Harry! Será que podemos ter a merda de uma conversa pelo menos uma vez? Um único episódio em que nós dois falamos e não só eu? Um único episódio em que você me fala a verdade? 

Charlie me pressiona tanto que sinto toda a irritação que há acumulada fluir em mim enquanto, nervoso, fecho a torneira e me viro para encará-la.

— Que verdade? Você não quer a verdade, Charlie! — berro. — Você quer me escutar dizendo que vou ficar e desistir que fazer o que preciso para que seu ego fique inteiro.

— Meu ego?

— Acha que eu não sei que sou a droga de um projetinho pessoal? Uma falha tentativa de se livrar do peso nos seus ombros por causa do que houve com a sua mãe? Você acha que sabe alguma merda sobre matar e lidar com fantasmas por causa disso, mas é só uma criança inocente. 

Charlie põe a mão sobre o peito e da um passo para trás, completamente mortificada. Sua expressão se modifica. A ira se transforma em perplexidade e logo em seguida vira dor e mágoa. 

Lembro-me de quando Charlie me contou sobre o que houve com a mãe. Era uma noite gelada e ela não conseguia dormir. Vestia uma das minhas camisetas e meias cobrindo seus calcanhares. Eu estava no andar inferior, olhando pelos enormes vidros da parede traseira quando Charlie me abraçou por trás e beijou meu ombro. 

Disse que havia tido um pesadelo e eu me senti extremamente tentando a lhe dizer que me encontrava em uma situação semelhante e permanente. No lugar disso, eu apenas lhe perguntei o que lhe atormentara o sono. Charlie olhou com desconfiança e hesitou. Ela respirou fundo e me disse com o que havia sonhado.

Charlie via a mãe. Via o cadáver esbranquiçado e deformado de uma mulher chamada Louise Clark, que lhe perseguia e chorava ininterruptamente. As lágrimas marcavam a face suja e ela berra pedidos de desculpa intercalados com acusações cruéis. 

Aquele provavelmente é um dos fardos mais pesados que Charlie carrega. Quando o revelou a mim, compreendi que era um sinal de plena confiança — um sentimento que eu jamais deveria destratar.

No entanto, agora eu usava o segredo de Charlie contra ela. Eu quebrava tudo que ela poderia ter construído sobre mim e um pedaço de seu coração. O arrependimento já começava a se infiltrar em meu corpo, percorrendo minha corrente sanguínea e se emaranhado em cada um de meus músculos até devorar meu cérebro. 

O olhar ferido de Charlie me fez recuar. Uma lágrima transbordou de seus olhos e deslizou pela face. Ela se arrependia de ter me dado tamanha confiança e eu nem mesmo poderia convencê-la do contrário. 

Senti o peso de minhas palavras impensadas sobre os ombros e desejei ardentemente voltar no tempo. 

— Charlie, eu... — começo, dando um passo a frente.

Charlie dá um passo para trás, erguendo a mão em sinal de defesa. Eu paro e espero. Na minha cabeça, não existe caminho certo. Qualquer coisa que eu fizer só vai servir para o piorar tudo.

— Não acredito que disse isso para mim. — fala ela. A decepção e a tristeza em sua voz cortam fundo, como uma faca afiada. — Eu realmente não acredito. 

Charlie sai da cozinha. Escuto Charlie fungar e agora sei que ela chora. Dessa vez, chora porque eu não pensei e fui cruel.

Os passos de Charlie somem a distância. Eu me jogo no sofá da sala, encarando meus pés desnudos e minhas mãos trêmulas. Pergunto a mim mesmo o que eu fiz e como posso ter permitido que a velocidade de minha boca fosse maior do que a de meu cérebro. 

Agoniado com a sensação de culpa que se apodera de mim, eu subo as escadas. A luz da luminária sobre o criado está acessa e Charlie pressiona uma almofada contra o corpo encolhido. 

Quando entro no quarto, ela me olha por meio segundo e gira sobre a cama  ficando de costas para mim. Seguro um suspiro e travo as mãos ao lado do corpo. Hesito, pensando se sei o que falar ou se ao menos tenho qualquer controle da minha boca. 

— Me desculpe. — sussurro.

A princípio, Charlie não diz nada. Encaixo as mãos nos bolsos, esperando pelo menor sinal de boa vontade dela. Qualquer palavra já ajudaria muito, mesmo que eu não esteja certo de que as mereço.

— Eu realmente sinto muito. — enfatizo.

— Sente mesmo? — Charlie nem se vira para me encarar, mas a voz embargada me deixa claro que estava chorando. — Pelo que me disse ou pelo que vai fazer? 

— Eu não queria ter dito nada daquilo para você, Charlie. Eu só não pensei e... Acabei falando demais.

— Tem razão em dizer que eu odeio o que fiz com Louise e odeio pensar que algum dia posso me tornar um pedaço do que ela foi. Mas se engana ao pensar que é por isso que quero ajudá-lo. Meus motivos são bem mais cruéis e egoísta. Eu simplesmente gosto de você.

— Eu sei.

— Aprendi a lidar com os meus fantasmas, Harry. Você ainda não sabe o que fazer com os seus. Só os deixa ficarem em sua mente e te quebrarem de dentro para fora. Quanto mais tempo você fica nessa vida, mais chance dá para que todos os seus fantasmas e demônios lhe destruam.

— Você não entende.

Charlie subitamente se vira para mim.

— Tem razão. Eu não entendo. Não consigo. Pensei que fosse importante o bastante ou o suficiente para você. 

Charlie torna a se virar e eu penso no que dizer para conseguir melhorar a situação entre nós. As únicas palavras que chegariam muito perto disso, caso realmente não tocassem o ponto, são as únicas que não posso me arriscar a dizer.

— Você é. Mas se coloque no meu lugar. Esse é o meu trabalho. É algo que eu preciso fazer.

— Ser aposentado significa que você não tem um trabalho. 

— Charlie...

— Tudo bem, Harry. Se você quiser ir, vá. Pode ir. Vá matar alguns jihadistas e um outro pedaço de você. Mas não ache que eu vou ficar parada aqui, vendo seu suicídio. 

— O que quer dizer?

— Não espere me encontrar aqui quando voltar.


Notas Finais


Então, minhas lindas e lindo, isso é tudo por hoje. Eu realmente espero que tenham gostado. Mais uma vez, deixo aqui minha enorme gratidão por todo o apoio que vocês tem me dado. Se quiserem falar comigo, qualquer que seja o momento, podem me encontrar na TL, por MP ou pelo TT (rachel_pego). Estou sempre disponível para vocês. O nosso lindíssimo trailer, pra variar: https://www.youtube.com/watch?v=5R_iZxHEfzQ e mais um muito obrigada por tudo.
Não se esqueçam de opinar sobre a ideia da trilogia, hein? Quero, e preciso, muito saber da opinião de vocês.
xoxo
Rach


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