História Red - Capítulo 3


Escrita por: ¢

Postado
Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 2.249
Palavras 5.257
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heys, my lovers!
Santo Deus, cês são tão maravilhosos <3
Quero muito agradecer pelos comentários e favoritos. Foram muitos, galera e, cada vez que um chegava, eu ficava muito feliz por ver o retorno de vocês com a história. É muito bom saber que estão gostando e isso me deixa extremamente empolgada para continuar postando e, de maneira geral, escrevendo. Então, eu quero agradecer um milhão de vezes, recebam meus abraços, por terem favoritado, lido e comentado. Vocês são realmente fantásticos e me deixam muito feliz. Nem posso expressar.
Obrigada <3
Agora, vamos seguir no ritmo, né?
Eu estou postando esse capítulo um dia antes do planejado. Se der certo, eu passo a postar nas sextas ao invés de sábado. Mas não é uma questão certa, okays? Minha escola termina tarde e demora um bocado para chegar em casa, então não posso prometer que sempre serão as sextas e nem nada assim.
Não falei pra vocês na semana passada, mas eu fiz um style inspirado na fic. Tá no meu perfil, inclusive. Se cês ficarem interessados ou coisa assim, é só ir no meu perfil ou falar comigo que eu mando o link procês.
Com relação ao capítulo, não tem nada pra falar. Caso eu não esteja enganada, e acho que não estou, o próximo é narrado pelo Harry, então cês vão dar uma pequena espiada na vida dele. São capítulos mais raros, mas vão acontecer.
O capítulo também foi betado pela Angel, do Valerie Edits. Só há um porém: eu reli ele hoje e alterei alguns pontos. Então, peço desculpas se houver algum erro ortográfico.
Ah! Eu só foi descobrir outro dia, mas o banner do capítulo anterior tinha um gif. Só que o gif não tava rodando e eu não sei a razão. Então, desculpa por isso e tals. Esse banner também tem gif, mas não é tão importante quanto o outro. E também quero pedir desculpas porque a formatação fica dando problema. Eu só reparei isso outro dia. Desculpa mesmo, gente. Eu não sei o que é, mas estou tentando resolver.
Acho que é só isso. Boa leitura e espero ver vocês lá embaixo.

Capítulo 3 - Red carnelian


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 3 - Red carnelian

Charlie

Sinto o meu rosto esquentar. Viro e mudo de posição, tentando fazer com que a luz e o calor parassem de me incomodar porque eu ainda me sentia cansada e disposta a dormir mais algumas horas. Quando isso não surte efeito, puxo o travesseiro que estava debaixo de minha cabeça e coloco sobre o rosto. Mas já é um pouco tarde demais; eu estou muito acordada para conseguir dormir novamente.

— Que droga. — Murmuro contra a cama. — Que droga.

Expulso o ar de meus pulmões. Coloco as mãos sobre os colchões e uso de impulso para virar o meu corpo e ficar de barriga para cima.

Arfo.

O meu cabelo está caído sobre o meu rosto e eu espio por entre as mechas. É preciso algum tempo para processar o quão diferente aquele quarto era do meu e me lembrar de que eu estava em Londres, fora da minha casa e um pouco afastada da minha zona de conforto.

— Eu estava quase te chamando.

Ergo o tronco. Harry está semi-vestido, subindo o zíper da bota e com uma toalha dependurada sobre o ombro nu. Do ponto onde estou, posso ver a cicatriz grosseria que serpenteia por seu tórax, atravessando a clavícula até atingir a dobra do braço. Algumas tatuagens cobrem alguns pedaços, mas não tudo.

— Seria muito gentil da sua parte.

Bocejo. Apoio os punhos na cama e me sento. Tento pentear os cabelos com os dedos, mas logo desisto, porque sinto que isso só aumenta o volume e faz com que pareça pior. Não é tão fácil quanto gostaria. Olho para o chão, analisando todo o espaço em busca dos meus sapatos.

Harry tem o quarto absurdamente claro. Todas as paredes são pintadas de branco e a decoração é tão simplória quanto a de meu próprio quarto no alojamento da faculdade era na minha primeira semana, antes que eu pudesse decorar como quisesse. Isso só pode significar duas coisas: a situação dele aqui não é nada permanente ou ele não é nem um pouco ligado na ideia de guardar recordações e memórias. A janela é do tipo bay window e está completamente escancarada, favorecendo a entrada da luz do sol. A cama é simples, com um colchão grande e macio, com um criado mudo de três gavetas e um abajur por cima de cada lado. O guarda-roupa fica entre a entrada do quarto e uma outra porta que suponho ser do banheiro. Uma poltrona fica parada ao lado da janela, arrumada na direção da cama.

— Quantas horas são? — Inclino-me em direção ao chão

Puxo os meus sapatos para perto.

— Acho que 9h.

Aperto a mão contra o rosto ao perceber o horário. Eu teria uma aula em pouco tempo, mas tenho plena noção de que não chegarei a tempo para ela. Infelizmente, não era o tipo de aula que eu poderia me dar ao luxo de falar.

É terrível. Eles contam todo esse tipo de coisa. Eu me orgulhava de um histórico tão limpo quanto o meu. Não era nenhuma dedicação especifica ou coisa de boa garota. Eu só adorava poder me exibir por aí com isso.

— Droga! — Sussurro.

— Qual o problema? — Harry pergunta.

— Eu tinha uma aula importante às 10h. Mas não vou conseguir chegar a tempo. — Calço um dos sapatos e em seguida o outro. — Mesmo que saia nesse instante, eu não conseguiria chegar.

Harry joga a toalha sobre o braço da poltrona. Ele abre a porta do guarda-roupa e puxa uma camisa cinza para fora. Veste, cobrindo praticamente toda a cicatriz em seu braço.

— Eu posso te dar uma carona. — ele diz, arrumando a blusa sobre o corpo.

— Não tem que ir pra Brighton só para me dar uma carona.

Ele ergue uma sobrancelha.

— Não se preocupe. Eu tenho mais coisas para fazer em Brighton.

Hesito. Eu realmente chegaria muito mais rápido se ele me levasse. Isso poderia diminuir consideravelmente o número de faltas desse dia.

— Tem certeza? — inquiro.

— Claro. Por que não? Posso ver minha irmã ou coisa desse tipo.

Sorrio minimamente. Ele tem sido muito gentil e nada ameaçador a minha integridade física e mental. Talvez não fosse um cara ruim. Só as circunstâncias eram.

Levanto-me da cama. Ela está uma completa bagunça e eu gostaria de ter algum tempo para arrumá-la.

— Posso usar seu banheiro? — Pergunto.

— Fique à vontade. — Ele abre espaço. — Nós saímos quando estiver pronta.

Passo ao lado de Harry e entro no retângulo, fechando a porta atrás de mim. Abro a torneira. Encho as mãos de água e jogo contra o rosto, ficando ainda mais acordada. Abro o espelho sobre a pia e puxo a pasta de dentes. Abro-a e coloco um punhado sobre o indicador. Passo nos dentes, na esperança de que isso melhore o gosto que sinto e o meu hálito.

Coloco água na boca e bochecho por um tempo. Cuspo na pia e limpo os lábios. Não é a melhor forma de começar o dia, mas estou desprovida de recursos e o melhor que posso fazer é improvisar.

Meu cabelo não está ruim como eu imaginei. Volto a penteá-lo com os dedos e, dessa vez, tenho um resultado melhor. Prendo para trás em um coque que seja apertado o suficiente para durar.

Seco as mãos na toalha de rosto pendurada ao lado do box do chuveiro e destranco a porta. Empurro-a e caminho para fora. Harry não está mais no quarto. O estado da cama me incomoda extremamente. Do ponto de vista pessoal, eu me sentiria um tanto quanto desagrada se a situação fosse inversa e Harry deixasse o meu colchão dessa forma.

Como já estou atrasada, não me importo em gastar algum tempo estendendo o lençol sobre a cama e dobrando a coberta em seguida. Sinto-me melhor com isso. Eu me desloco até a sala. Encontro Harry sentado sobre o sofá ainda desarrumado e com um celular entre as mãos.

— O seu apartamento é bonitinho. — Comento, fazendo-o me olhar.

A sala dele é tão isenta de memórias, personalidade e conteúdo quanto seu quarto. Tudo é, basicamente, claro e simples, sem carecer de qualquer decoração grandiosa nas paredes ou na mesinha de centro. E tão simples que beira o vazio e a solidão, quase me causando um ataque de desespero.

— Não é permanente. — Ele responde. Franzo a testa. — A decoração.

Acho que minha cara de confusão e agonia com as paredes e molduras vazias se tornou tão aparente que uma justificativa deve ter lhe parecido uma ideia plausível.

— Você se mudou tem pouco tempo? — É a única coisa que me vem à cabeça.

— Uns oito ou nove meses. Você decide se isso é muito tempo.

— Ah.

Ele para de digitar no celular e se levanta. Guarda o aparelho no bolso e me olha por algum tempo.

— Eu já recarreguei meu celular. Pode ligar dele para sua amiga, se quiser. — Avisa.

— Ela está dormindo agora. Não vai me atender. Nós deveríamos ir.

Ele concorda com a cabeça e empurra o sofá para longe, porque ele ocupa um grande espaço da sala e atrapalha o movimento.

— Você quer comer algo? — ele para na frente da porta e me olha. — Eu tenho aquele café instantâneo e o bolo que a empregada trouxe sexta. É só um pedaço, na verdade.

Sorrio. É muita gentileza. É quase desconcertante, na verdade. Mas não sei se é pior para ele ou para mim.

— Realmente agradeço, mas não precisa. Eu não estou com fome.

— Não foi isso que te fez desmaiar ontem?

Dou de ombros

— Ou um outro um milhão de coisas.

Harry franziu o cenho e balançou a cabeça depois de um tempo. Ele vai na frente e eu o sigo. Não me lembro de grande parte do caminho que fizemos na noite anterior. Estava sonolenta e tonta demais para conseguir. Portanto, obrigo-me a confiar no caminho que Harry está traçando.

Ele ainda não tem 100% de minha confiança. Estou completamente segura e salva até o momento, mas isso não significa que não haja qualquer outra surpresa ou choque no restante do caminho. Na verdade, o próximo passo pode ser realmente surpreendente e eu prefiro manter minhas defesas bem erguidas até que ele aconteça.

Pegamos o elevador para a garagem. É muito mais fácil identificar o quão baixa ela quando há tanta claridade e eu estou mais acordada. Agora sei qual carro Harry dirige. É um Toyota Yaris preto, com uma marca de amassado grotesco próximo as rodas traseiras.

Entro no carro. A garagem está vazia já, acho que a maioria das pessoas já está no trabalho ou na escola uma hora dessas. O que me faz questionar se Harry não é um desempregado. Talvez nem seja da minha conta, mas é uma curiosidade e a pergunta não sai da minha cabeça.

— Não deveria estar trabalhando? — Questiono quando ele dá a partida.

— É um pouco complicado.

— Nós temos quase uma hora. Pode se explicar com calma.

Ele sorri torto. Saímos da garagem direto em uma rua bem movimentada.

— Meu pai é dono de uma empresa. Começou com o meu avô na garagem da casa dele projetando armas para os Aliados. Era o melhor jeito de ajudar sem ter que estar em um campo de batalha, eu acho. Deveria ter acabado com o fim da Segunda Guerra, mas não teve muita paz depois disso e meu avô começou a expandir o negócio para fora dos muros de casa e meu pai continuou com isso.

— E agora você assume o lugar dele na presidência. — Suponho, sem ser capaz de conceber a ideia de Harry sentado atrás de uma mesa, encaixotado em um terno e enfrentando reuniões burocráticas.

— Não. Eu jamais faria isso. Não sou o cara que se dá bem com papelada e as decisões técnicas. Não. Não posso nem me imaginar sendo diplomático e trabalhando com pessoas. Eu deixo isso para o meu primo. Ele até ser diverte. Eu trabalho com projeção e criação. Às vezes, com testes também.

Pior do que supor Harry como um clichê meia boca, infeliz com a sua vida de executivo, é imaginar que ele, um ex-soldado, tenha resistido a se separar do seu histórico de guerras. Acho que a maioria das pessoas faria exatamente isso e não criaria mais laços. Só tentaria seguir em frente.

Minha surpresa deve ter ficado aparente, porque Harry ri e diz:

— Isso te choca?

— Não cabe a mim julgar as pessoas, mas acho que pensava em você tendo uma vida um pouco mais pacata.

— Pacata? Alguns dos meus amigos estão quase entrando no terceiro período e outros trabalham para a polícia. Acho que ficar só desenhando o dia inteiro dentro de casa é a coisa mais pacata que eu poderia fazer.

Passamos pelo centro de Londres. Harry pega a Trafalgar Square. Nós saímos na Whitehall. Passamos ao lado do Big Ben. Não surpreendentemente, ele já se encontra lotado de turistas afobados. Até pouco atrás, eu era uma deles, querendo fotos em todos os pontos turísticos possíveis. Seguimos em frente na Millbank, atravessando a rotatória até a A202. Depois que atravessamos a ponte Vauxhall, Harry perde qualquer decência com o volante e pisa no acelerador com toda a força, fazendo com que eu agarre a porta em um ato reflexo.

Ele ri alto da minha surpresa.

— Não vai ser machucar comigo ao volante. — Diz.

Aperto ainda mais a mão na maçaneta.

— Tem certeza? — Inquiro.

Ele apenas troca de marcha, achando que isso é o suficiente para uma resposta. Só faz com que eu me assuste ainda mais com sua direção perigosa.

Preciso de um tempo para me acomodar novamente. Quando o súbito aumento de velocidade já não é tão mais assustador assim, solto a porta e subo a mão até os controles da janela. Tomo a liberdade de abaixar o vidro o máximo possível, fazendo com que vento invada o carro.

Usamos a M23. Harry não preza nem um pouco pela minha integridade física e muito menos pela dele, porque se arrisca nas manobras mais inesperadas e insanas para fugir de  engarrafamentos e coisas parecidas. Meu coração se desloca do peito e me faz ficar sem ar. Em uma tentativa de me acalmar, ou em algum tipo de brincadeira, Harry me diz que isso não é nada, e que eu deveria ver o que ele é capaz de fazer e um carro que seja realmente próprio para corrida.

Não me conforta muito.

Acessamos a Viaduct Rd. Passamos bem ao lado do que se parece uma pequena igreja e Harry solta um murmúrio de desaprovação.

— Não gosta de igrejas? — Pergunto, erguendo uma sobrancelha.

— Olha todas essas pessoa. — ele aponta para a multidão se movendo. — Não é insano como elas podem perder a razão e o senso só por causa do que o padre disse?

— A cultura judaico-cristã é quase que concebida em cima de um dualismo, como alma e espírito. Na ontologia dualística, o seu corpo pode ser ruim ou estar amplamente comprometido com qualquer coisa que fuja do "bem padronizado" — faço aspas com os dedos. — E sua alma ainda pode ser salva. Se você olha em perspectiva para a história humana, vai ver que muitas vezes eles se basearam nessa ideia como um mantra ou um guia para a vida.

— Eu não entendi metade do que falou. Pode conversar comigo em inglês tradicional. Entendo bem melhor assim. Você poderia ter mandado eu me ferrar e eu provavelmente não entenderia. — rio. —  Está tentando me converter?

— Antropologicamente falando. — Reviro os olhos.

— E pessoalmente falando?

Seguro o fôlego.

— Suas crenças religiosas não são da minha conta.

— Eu quero saber.

— Não vou entrar em uma discussão religiosa com você. Não vou. — digo, certa de minha escolha.

— Tem razão. Talvez esse assunto seja melhor discutido em uma outra ocasião.

Reviro os olhos.

— Não há essa de "outra ocasião".

Tenho perspectivas e planos para o futuro que são completamente claros e sólidos. De forma alguma consigo ver Harry incluso neles, mesmo que por um rápido segundo. Ele parece inconstante e volátil demais, totalmente imprudente e impulsivo para confiar. Seria como esperar pela chuva no deserto: cansativo e totalmente desapontador. Sua ajuda me foi muito útil, mas não passaremos dessa situação.

— E, sim, eu acredito em Deus.

— Que pena, Charlie. Pessoalmente falando, eu começo a pensar que você pode estar desperdiçando toda essa habilidade de falar complicado só por acreditar nisso.

— Minha habilidade de falar complicado poderia ser muito útil em uma igreja, não acha? — ironizo. — Quero dizer, você mesmo admitiu que nem entendeu o que eu disse.

— Não entendi. Vamos precisar de mais que uma meia hora para discutir esse assunto.

— Nós poderíamos discutir esse assunto a vida inteira e acho que nem assim chegaríamos em um consenso.

Penso se Diana está muito desesperada. Talvez sim. Imagino que, nesse ponto, ela já esteja acordada e já tenha recebido alguma indicação de como a festa da última noite terminou. Talvez, só talvez, ela tenha tentando me ligar algumas vezes antes de perceber uma mensagem nova em seu correio de voz. E depois disso, ela provavelmente ficou furiosa por toda a preocupação que eu devo ter lhe causado.

Sinto-me culpada por um tempo, mas isso logo se alivia. Ela me arrastou para aquele lugar, para não ficar sozinha, e simplesmente sumiu logo em seguida, sem nem se preocupar com o fato de que eu, inevitavelmente, estaria sozinha e sem como nem entrar em casa. Não posso ser tão culpada assim por essa situação.

Harry e eu entramos no campus pela Knights Gate. Ele pergunta qual o meu alojamento. Digo-lhe para seguir para Norwich House. Conforme nos aproximamos, ele reduz a velocidade drasticamente, até eu quase sentir que estamos parados. Ele para o carro junto ao meio fio. Surpreendo-me ao ver Diana sentada na grama, com um misto de preocupação e tédio estampado-lhe o rosto.

Tiro o cinto.

— Aquela é sua amiga? — Harry pergunta, analisando Diana.

— É. Ela deve estar me esperando.

— Não é uma amiga tão ruim assim. — Ele ironiza.

Puxo a maçaneta e empurro a porta, deixando espaço suficiente para que eu passe.

— Obrigada. — Harry ergue uma sobrancelha. — Por ter me ajudado e não ter violado nenhum aspecto da minha integridade física ou mental.

— Isso eu entendi. Foi um prazer. Minha cama está disponível para você quando precisar. Vamos marcar um dia para repetir.

Reviro os olhos.

— Não tão cedo.

Saio. Bato a porta atrás de mim. A luz do sol faz meu olho arder e lacrimejar. Está mais forte do que eu imaginava. Contorno o carro e caminho até Diana.

— A gente se vê por aí, Charlie. — Harry grita. Viro o rosto para olhá-lo. Ele sorri, dá a partida e sai.

Volto a andar até minha amiga. Ao me ver, Diana se levanta. Ela não usa as mesmas roupas de ontem e não parece tão cansada e acabada quanto eu imaginava. Talvez não tenha se esgotado pensando no que havia acontecido comigo tanto quanto eu gostaria. Ela cruza os braços com força, franzindo os lábios e enrugando o nariz.

— Não pode sumir assim. — Essas são suas primeiras palavras.

— Olá, Diana. Que bom que está feliz por me ver. É recíproco.

— Não seja uma falsa.

— Acho que eu também posso te pedir para não sumir. Afinal, você se mandou e nem se preocupou em me falar nada.

Ela imediatamente suaviza a expressão e abaixa os braços.

— Não foi de propósito.

— Nem eu.

— Olha, eu sinto muito por ter te esquecido. Mas parece que você se virou bem, não é?

Demoro um tempo para entender a subjetividade de suas palavras. Imediatamente, olho para trás, para o lugar onde Harry estacionara o carro.

— Não é nada do que está pensando. — Reviro os olhos. — Ele só me ajudou depois que a polícia chegou e eu desmaiei.

— Que tipo de ajuda?

Bufo. Ergo o dedo do meio para Diana, totalmente desagradada com a piada dela e me afasto, subindo em direção ao nosso alojamento. Diana ri e grita em animação. Corre atrás de mim, fazendo inúmeras e variadas piadas sobre a atual situação.

— Ele é bonito, Char. Não tem nada de errado se tiver acontecido alguma coisa.

Nesse ponto, já estamos paradas na porta de nosso pequeno apartamento. Estendo a mão para Diana, esperando as chaves. Ela remexe os bolsos da calça. Puxa um chaveiro do Mario Brose põe sobre a minha palma. Encaixo a chave na fechadura e destranco. Abro a porta.

— Eu não o conheço. — Falo. — Eu não sei nem o sobrenome dele. Por alguma razão, ele me ajudou ontem à noite e se dispôs a me trazer aqui hoje. São coisas que eu agradeço muito, mas a relação que tive com ele, se é que esse título não é pesado demais para o contexto, provavelmente acabou há cinco minutos.

Entro. Diana vem logo atrás de mim. Ela fecha a porta e se joga contra o sofá, caindo para os lados. Tiro os sapatos e os jogo longe.

— Você vive dentro de uma bolha. — Diana joga as mãos para cima, exasperada. Range os dentes. — Diga-me o primeiro nome dele e a faculdade que eu descubro tudo até o fim da tarde.

— Ele não estuda aqui mais, Diana.

— Não? Isso atrapalha as coisas, mas não as impossibilita. Só preciso de um nome. Eu conheço um monte de pessoas e tenho muitos contatos. Você sabe.

— Eu sei que você tem uma quantidade de te hórarios vagos impressionante e que adora socializar.

— É só um nome, Char.

Ela pisca os olhos cheios de rímel de uma forma tão doce que chega a ser desconfortável lhe dizer um não. Mas eu já a conheço há algum tempo, e sei que esse é um de seus infindáveis truques para conseguir o que quer. Não sou imune a todos eles, mas já resisto bem mais facilmente.

— Não. — Digo simplesmente.

— É só um nome, Charlie! Só um maldito nome. Já que não é uma situação importante como diz, qual a diferença entre me contar e manter segredo?

Ela soube exatamente qual o argumento usar. Suspiro e coloco a mão na curva da cintura.

— É Harry. Esse é o nome dele. Pode me deixar em paz agora?

Ela sorri. Deixo a sozinha, caminhando até o quarto. Tranco as janelas e fecho as cortinas, evitando qualquer tipo de exposição. Tiro minhas roupas e me enrolo no roupão. Verifico as horas, analisando quanto tempo falta até meu próximo horário. Não é muito, mas espero que seja o suficiente.

Tomo um banho. Visto uma calça jeans e uma camiseta. Jogo os cabelos para cima, prendendo-os em um coque apertado o suficiente para que dure o restante do dia. Jogo todos os livros e cadernos dentro da bolsa, sem me importar com o fato de que alguns deles tem a capa mole demais e muito fácil de ser amassada e danificada.

Passo pela sala e Diana não está mais lá. Ela provavelmente não está na sala de aula, estudando, como deveria. Segundo Diana, segundas são os dias no quais ela se dedica apenas para si mesma.

Atravesso o campus em passos largos, quase correndo. Esbarro em várias pessoas, tenho certeza disso. Deveria ter posto um relógio, porque assim não ficaria agonizando sem saber o quão atrasada estou. Seguindo a lei de Murphy, derrubo minhas coisas no meio do caminho e alguém deixa uma pegada sobre um dos meus cadernos.

Não superando as expectativas, chego atrasada. O professor para no meio da sua fala quando a porta se abre porque não suporta qualquer tipo de interrupção. Todos os meus colegas viram seus olhares para mim. Constrangida, abaixo a cabeça e caminho até a carteira vazia ao lado de Melody.

Ela me enche de perguntas antes mesmo que eu sente. Uma pequena parte dela está realmente preocupada comigo, mas a outra está apenas muito curiosa para saber o que se passou na última noite. Ela quer todos os detalhes do que houve, incluindo as partes sórdidas. Deve lhe ser frustrante descobrir que não aconteceu nada. Ainda sim, gasto quase todo o tempo disponível para lhe convencer disso.

Ela se arrasta atrás de mim quando o horário acaba, questionando mais coisas do que eu tenho criatividade para responder. Melody até prontamente me convida para a próxima festa organizada pelas mesmas pessoas de ontem, na esperança de que isso me leve a encontrar o "cara das tatuagens" e lhe fornecer uma história mais completa.

Almoço com ela e algumas outras garotas do curso no Arts Piazza Cafe. Elas até tentam me integrar na matéria perdida, mas se embolam tanto que eu apenas finjo entender e agradeço no final. Posso tentar uma monitoria ou coisa assim para recuperar o tempo perdido.

Depois do almoço, reviso todos os temas estudados, fazendo anotações nas bordas das páginas e mordiscando a ponta da caneta enquanto analiso todas as situações.

Dedico a minha tarde aos estudos. Antes de voltar para casa, ligo para os meus pais apenas para avisar que estou 100% bem e segura, e que eles não devem se preocupar com absolutamente nada. As coisas vão de vento em polpa.

Quando estou andando até Norwich, as luzes dos postes começam a se acender. Mas ainda há movimento o suficiente para transmitir alguma sensação de segurança.

— Charlie!

Paro em meu lugar e viro o pescoço, buscando quem me chamou. É Daniel. Ele estuda medicina aqui. É amigo de Diana, ao menos agora, e nós nos conhecemos porque ele passava muito tempo no sofá do meu alojamento até tarde da noite. No tempo livre, acho que Daniel joga basquete, o que deve ser muito fácil para ele devido às suas pernas longas. O cabelo dele é claro, com um caso cacho teimoso quase sempre caindo entre os olhos claros.

— Oi. — Digo, virando-me. — A Diana não está comigo. Sendo sincera, eu não faço a mínima ideia de onde ela está.

Daniel sorri. Ele está com as mãos cheias de panfletos coloridos.

— Na verdade, vim falar com você. — Explica. Ergo uma sobrancelha, confusa e curiosa. Essa é uma das raras vezes em que isso aconteceu. — Conhece a semana solidária?

— Não.

— É a escola de medicina que organiza. Nós fazemos alguns eventos para conseguir arrecadar fundos para causas como o MSF e alguns hospitais da região que precisam de ajuda. Vai rolar durante toda a próxima semana, nos prédios da faculdade de medicina e em alguns lugares da de artes.

Ele me passa um panfleto. Toda a programação está inserida ali, organizada em uma planilha, com uma justificativa e as razões porque se deve participar.

— Está me convidando para ir? — Pergunto.

Ele passa a língua pelos lábios:

— Não exatamente. No sábado, acontece o lava-jato. Nós lavamos carros e o dinheiro é revestido em doações. Ninguém recebe nada por isso, é voluntário. A Diana participa. Algumas das suas amigas também. Mas precisamos de mais ajuda nisso.

Inflo os pulmões.

— Isso é sério?

Daniel e eu quase nunca conversamos. Quando o fazíamos, mais parecia uma tentativa frustrada e um momento degradante. Verdade seja dita, ele era muito bom em estar com Diana, mas péssimo em se relacionar com as amigas dela. De repente, superando as expectativas, ele me pede ajuda. Não poderia mentir e dizer que não estou chocada.

Na verdade, quase parece uma piada. Se eu dividisse as garotas entre três grupos, extremo, médio e inferior, eu provavelmente estaria no meio. Isso só significa que, por mais gentil, simpática ou bonita que você seja, não faz nada para se destacar e chamar a atenção de grupos de garotos que são notoriamente cortejados.

Gostava da segurança de estar na média.

— Não acontece nada. — Daniel se justifica, apressado. — Pode usar a roupa que quiser. Não ligamos para isso. E você não vai receber nenhum dinheiro, porque doamos tudo. Mas é por uma boa causa.

— Sempre é. Olha, eu não sei se é uma boa ideia.

— Pode falar com a Diana. É 100% seguro.

Mordo a parte interna da bochecha, analisando as possibilidades.

— Eu vou pensar sobre o assunto. — Digo. — Só não crie muita expectativa sobre isso.

— Tudo bem. — Ele mostra os dentes brancos com um sorriso. — Pense com carinho. Você sabe me encontrar quando tiver a sua resposta. — Balanço a cabeça e ele começa a se afastar. — A gente se vê por aí, Charlie.

Coço a testa. Dobro o papel ao meio e coloco no bolso de trás da calça. A causa é boa; talvez valha a pena ajudar nisso. Não vai me custar nada. Mas não tenho certeza se estou realmente disposta a isso.

De qualquer forma, possuo um pequeno tempo para analisar a situação. Posso me aproveitar disso.

Viro de costas e volto a andar. As distâncias que percorro no campus são consideravelmente grandes e eu as ando todos os dias, praticamente da mesma forma. É cansativo, além de uma ótima desculpa para não ter que gastar tempo frequentando uma academia.

Chego em casa. Escuto o barulho de água correndo e música alta assim que passo pela porta. Diana deve estar no banho. Jogo minhas coisas sobre o sofá e tiro os sapatos. Deixo-os no tapete de entrada e caminho para cozinha. Encho um copo de água e bebo um gole. Abro a geladeira e analiso todas as opções que temos para o jantar. Estou faminta.

— Você não faz a mínima ideia do que eu fiz hoje.

Balanço a mão, deixando um pouco de água cair do copo, e arrumo a postura, jogando o corpo para trás enquanto estremeço pelo susto. As batidas do meu coração aceleram e eu ponho a mão sobre o peito.

Engulo em seco.

— Santo Deus, não tem pena do meu coração? — Pergunto.

Diana está parada logo atrás do balcão fino que separa a cozinha. Ela está enrolada em uma toalha branca, com o cabelo preso por uma presilha e as pontas pingando água.

— Você precisa ser menos sensível. — Faz careta. — Está se assustando muito.

Apoio-me na bancada e coloco o copo sobre a pia.

— Não foi isso que fez o dia todo, ou foi? — Mudo de assunto.

— Na verdade, não.

Diana contorna o balcão e puxa um dos bancos de madeira com as pernas desnecessariamente longas e finas. Senta-se e me analisa.

— Você sabe que segundas são os meus dias livres, não sabe? — Começa.

— Até o reitor sabe.

Volto a mexer na geladeira. Tiro uma pizza congelada de lá. Coloco o forno para esquentar enquanto arrumo a comida sobre um tabuleiro e despejo mais molho e queijo sobre a massa.

— Meu ponto não é esse. Depois que nós conversamos e você foi tomar banho, eu fui atrás do Jay. — Reviro os olhos. — Estamos ótimos, obrigada. Eu fui falar com Jay sobre o seu amigo, porque o meu cara conhecia muita gente que estava na festa ontem.

— Para variar, ele não sabia nada? — Ponho a pizza para assar e Diana sorri amarelo, completamente seca. Sento em sua frente e cruzo as mãos sobre a mesa.

— Ele conhece o seu amigo, está bem? Seu amigo e a família tinham uma casa de campo ao lado da casa da avó de Jay e eles já conversaram algumas vezes. Nada demais. Foi o Jay que o chamou para a festa de ontem. Chamou para várias outras festas, na verdade. Esse tal de Harry começou a fazer faculdade de direito aqui quando tinha apenas 17 anos. Bem precoce, não é? Mas antes mesmo de se terminar o primeiro ano na Sussex, ele conseguiu uma bolsa em Colúmbia e se mudou direto para Nova Iorque. Ele namorava uma americana naquela época e eu até chego a apostar que ele se mudou por causa dela.

— Ele não teve dinheiro para ser manter e passou a trabalhar com roubos e assassinatos para sobreviver? — É uma conversa cansativa e eu ironizo a situação. — Foi um daqueles matadores de aluguel? Isso poderia ser uma ótima desculpa.

— Não. — Diana ignora o meu comentário. — Ele abandonou o que restava da faculdade e se alistou no exército norte americano três meses após o 11 de setembro. E foi aceito.

— Eu sei. Ele me falou isso.

— Então consegue perceber o quão estranho isso é? Foram quase sete anos de serviço. Ele foi dispensado com honras e voltou para cá. Trabalha em um negócio familiar. E a faculdade ainda deixe ele usar o alojamento daqui quando for preciso, mesmo que ele não tenha qualquer conexão. Aí está sua pista.

— Só porque ele pode frequentar a faculdade sem ser mais um aluno significa que tem alguma coisa errada?

— Você quer mais? Tudo bem. Eu tenho mais.

Diana ser ergue e caminha até a sala. Remexe em sua bolsa. Bufo. Já está enfadonho essa história. Por alguma razão, Diana acredita que esse assunto me importa ou que ao menos me interessa. Pior. Ela gastou seu tempo procurando por respostas para perguntas que eu jamais fiz. Sua vontade de provar coisas é insana e desesperada.

Apoio o cotovelo no balcão e a cabeça sobre as mãos. Diana volta para minha frente com um papel marcado de caneta em mãos.

— Ele participou de lutas de boxe. Não eram exatamente legais. E foi preso por isso. Milagrosamente, foi solto no dia seguinte e ninguém mais tocou nesse assunto. Já foi preso duas vezes por posse de entorpecentes.

— Não tem com o que ser preocupar. Ele é só mais um badboy com meiguice interior.

— É sério, Charlie. Acho muito legal que esteja disposta a se envolver com alguém, mas acho que escolheu a pessoa errada para fazer isso.

— Diana. — Coloco minhas mãos em seus braços. — Minha querida Diana, você é famosa por ser muito apressada. Sabe o que aconteceu noite passada? Eu precisei de ajuda. Eu não estou interessada nele e nem pretendo ter qualquer tipo de contato. Sua pesquisa foi inútil e um tédio. Podemos seguir em frente agora e fingir que nada aconteceu.

O telefone toca.

Não são boas notícias.


Notas Finais


Hey de novo, mores!
Que bom que chegaram até aqui. Esse é o capítulo. Terminou num clima meio de suspense e tals... Logo cês descobrem qual a notícia, prometo. Enquanto isso, me contem o que pensam. Que tal? Me falem as suposições e eu digo se tá frio ou quente kk
E falem comigo. Cês podem me chamar pelo SS ou lá na ask https://ask.fm/GrupoDOW (aproveita pra conhecer o grupo porque vale a pena), porque eu já disse e repito que vou amar falar com vocês.
Obrigada por terem lido e espero que tenham gostado. Até logo!
xoxo


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