História Red - Capítulo 7


Escrita por: ¢

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 1.813
Palavras 7.880
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heys, babys!
Como estão? Eu quero muito agradecer pelos comentários e favoritos. Eu fico muito feliz, cês num tem noção de como é o sentimento. Então, muito obrigada mesmo.
A internet voltou pra mim, então vamos voltar a ter capítulos nos sábados e parar de ter capítulos nas segundas.
Eu não tenho mais nada pra falar aqui. Que loucura! Fico sempre contando a quantidade de coisas pra por aqui e hoje num tem quase nenhuma... Enfim, espero que gostem do capítulo Um muito obrigado a Lali, que betou ele e tudo mais. Boa leitura e a gente se vê lá embaixo.

Capítulo 7 - Red-falu


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 7 - Red-falu

Charlie

 

Cruzo os braços sobre o peito e ergo uma sobrancelha. Harry está escorado na parede, olhando-me com cara de paisagem. Posso estar errada, mas não consigo parar de supor que ele esteve me observando enquanto eu trocava de roupa.

É loucura pensar nisso. Eu deveria estar agradecida pelo que ele fez por mim nós últimos tempo. Tinha sido mais útil do que eu imaginava que poderia. A minha noite ainda estava cheia de buracos e borrões confusos, com partes as quais eu não poderia encaixar em nada. Era sinuoso e eu não poderia confiar que Harry havia respeitado todos os limites, principalmente quando acordei em uma blusa dele e sem saber da minha roupa.

— Eu acabei de chegar. — ele responde inocentemente. — Bateria na porta quando você saiu. — permaneço com a sobrancelha erguida. — Por que eu ficaria te vendo trocar de roupa?

— Eu não sei.

Desisto de meus questionamentos quando percebo que não tenho uma boa justificativa para minha pergunta. É só uma intuição e não tem nada que a comprove além da minha própria insanidade. É bem melhor deixar tudo isso para lá. Se ele quisesse me ver nua ou coisa do tipo, teria tido uma ótima oportunidade quando eu estava grogue demais para reagir.

Ultrapasso Harry, parando no primeiro degrau. Percebo que não tenho a mínima noção do lugar no qual estou e que isso deveria ser um fator preocupante.

— De quem é esta casa? — interrogo.

— Minha irmã. — Harry se aproxima. — Achei que seria uma ideia melhor vir para cá do que ter que ir a Londres.

Concordo com a cabeça. Realmente faz muito mais sentindo. No momento, também não é algo que eu queria questionar. Minha cabeça dói e sinto nós espalhados por todo o meu corpo. Dormi por um tempo longo demais, mas sinto que, caso me permitisse isso, poderia dormir por ainda mais tempo. As roupas da irmã de Harry apertam os meus quadris e coxas. Só quero ir para casa e me afundar em uma cama quente e larga até não ter que me preocupar com mais nada.

— Pode me levar para a Sussex? — peço. — Gostaria de mais familiaridade agora.

Ele concorda com um balanço de cabeça. Nós descemos as escadas e Harry me apresenta formalmente a irmã dele. Ela é extremamente gentil, em seguida, oferece-me uma xícara de café que acabou de preparar. Aceito. Enquanto bebo, choco-me com a tremenda semelhança entre eles dois. São só alguns pequenos detalhes que os diferem um do outro.

Encontro minha bolsa no carro. A jaqueta, por outro lado, já era. Talvez eu devesse deixar de lado a ideia de me encontrar com Harry, porque sempre que isso acontece, eu perco algo que me é importante.

Ao voltarmos, peço que Harry me conte tudo sobre o que houve na última noite. Ele apenas dá de ombros e diz:

— Você estava drogada e dormiu por muitas horas. Nada mais do que isso.

Talvez realmente não seja importante. O fato é que toda vez que eu tento me lembrar do que houve na noite passada, minha cabeça é tomada por um branco doloroso.

São como borrões. Eu me lembro de que Harry e eu estávamos com um ótimo clima e tudo estava dando muito certo quando ele disse que tinha algo para resolver e saiu. Eu fui comprar umas bebidas e um homem pediu algumas instruções. Ele deve ter aproveitado quando eu me distraí para por algo no meu drink. Eu voltei para Harry e, depois de tomar o Cosmopolitan, eu comecei a perder completamente o controle. Era como se eu não tivesse mais noção do meu próprio corpo. Cada um dos meus membros parecia uma gelatina recém feita e eu não tinha certeza se poderia controlá-los. Eu mal conseguia falar quando queria.

Lembro de Harry ter me carregado de um lado para o outro, de ter me colocado na cama e reclamado que eu estava cheirando a cerveja. Acho que ouvi o barulho de um chuveiro e que a porta se abria muitas vezes. Eu lembro claramente de ver o olhar furioso de Harry se tornar preocupado quando eu comecei a mergulhar na inconsciência. Mas não tenho nada de concreto e isso me assusta. O que eu perdi?

Harry me deixa na porta da faculdade, mas não entra mais do que isso. Não posso culpá-lo, acho que monopolizei seu tempo mais do que qualquer relação saudável faria. Ele diz que, qualquer coisa, é só eu ligar e deixa o número do seu celular comigo. Eu gostei de recebê-lo, entretanto não sabia se deveria usá-lo.

Depois desse dia, só volto a vê-lo na quarta, quando mato aula e me desloco até Londres para que Diana possa resolver algumas questões pessoais. Aproveito-me desse fato para levar as economias que tenho e comprar um celular. O novo não é tão moderno quanto o velho, mas tem tudo que eu preciso bem a disposição. E não temos muito tempo para conversar. Harry tem um projeto para apresentar e tenho que encontrar minha amiga. Antes disso, eu tive quase certeza de tê-lo visto quando estava atravessando e o seu Toyota quase ultrapassou o sinal vermelho. Mas não tive tempo de confirmar e teria essa pergunta por mais um bom tempo.

Diana não ficou surpresa quando eu cheguei no final da tarde de quarta. Foi bem ao contrário. Ela ainda parecia cansada e acreditando que eu estaria aproveitando o tempo na casa de Becky para descansar a mente de tudo o que havia acontecido. A faculdade havia dado um pequeno tempo para os alunos fazerem isso, alguns dias sem aula. Em matéria de observação, Diana não era a melhor pessoa. Eu poderia fazer uma strip-tease na frente dela que, talvez, ela não percebesse até que eu estivesse completamente nua. É muito diferente de quando eu vivia sob o mesmo teto que minha irmã. Naquela época, qualquer mínima mudança era muito facilmente percebida, tão facilmente que chegava a ser estressante. Hoje admito sentir falta disso.

Daniel volta a me perguntar se eu participaria da lavagem de carro. Segundo ele, agora um pouco do dinheiro arrecadado seria revestido para uma homenagem aos que morreram em Moscou na última semana. Questiono-me o quão útil isso seria. De fato, não muito. Todavia, é mais fácil se lamentar pelas pessoas que já se foram ao invés de tentar ajudar as que estão vivas.

De qualquer forma, eu acabei aceitando. Não por Moscou, mas porque a proposta anterior era muito humana e talvez fosse capaz de alterar o rumo de alguma coisa. Até Diana participaria, embora eu imaginasse isso mais uma forma de se mostrar para Jay do que de tentar fazer alguma diferença.

 

Eu sou a penúltima filha. Eu deveria ser a última realmente, mas, quando eu tinha dezesseis, um dos meus pais trabalhava como ajudante no abrigo para crianças da cidade. Ele conheceu um garotinho chamado Thomas que, por causa de uma má formação do cérebro, havia sido tachado pela família como retardado e abandonado sem escrúpulos pelos pais biológicos. Os meus pais, por outro lado, sempre adoraram a ideia de uma família grande e não tiveram que refletir muito antes de chamar um advogado e dar início ao processo de adoção de Thomas. Meu irmão completou seis anos recentemente e é o xodó da família.

Originalmente, só havia a Maya. Ela é filha do primeiro casamento de um dos meus pais e celebrou o 35° aniversário no último dia quatro de dezembro. A família dela era perfeita e estruturada: uma mãe que estava sempre em casa fazendo biscoitos enquanto o pai administrava uma grande criação de gado e ela era a aluna exemplo. Às vezes, eu costumava me perguntar se foi muito estranho para Maya quando o pai dela se apaixonou pelo dentista da cidade e decidiu que era com ele que queria passar a vida, e não a esposa.

Sempre falaram que minha avó aceitou a notícia bem enquanto meu avô passou muito tempo desapontado e furioso com aquilo. Mas quando ele conheceu o dentista McLamore, e viu como o filho dele estava bem muito mais feliz nesse relacionamento, foi mais fácil aceitar a ideia.

Maya, por outro lado, nunca me revelou exatamente como se sentiu ao descobrir que o pai era gay. Para uma garota da idade dela, imagino que tenha sido um processo confuso. Sei que a mãe dela odeia completamente os meus pais ate hoje pelo que houve. Eles já tiveram discussões intensas, para dizer o mínimo, na porta de casa, com gritos, berros e revelações intensas. Acho que os vizinhos até se acostumaram com os constantes chiliques de Mary Clearwater.

Quando Maya completou 12 anos, meus pais estavam juntos já fazia mais de três. Eles ainda não eram oficialmente casados, moravam juntos e viviam muito melhor do que muitos maridos e esposas da cidade. Acho que foi muito natural quando eles decidiram que queiram iniciar uma família deles. A primeira opção, e mais óbvia, foi a adoção. Surpreendendo toda a seita tradicional cristã da cidade, os meus pais foram bem requeridos pela assistência social. Em pouco tempo, eles conseguiram adotar um garotinho irlandês cuja a mãe tinha morrido doente após entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Ele tinha quatro anos na época.

Nossos pais sempre deixaram muito claro que, biologicamente, nós não éramos filhos deles. Preferiam que fosse assim desde o princípio, evitando dar brecha para qualquer tipo de fofoca. Olhando em retrospectiva, acho que isso facilitou muito as coisas para nós.

Niall sempre disse que queria saber mais sobre a família dele. Qualquer coisinha a mais, qualquer resposta a mais seria de bom grado para as perguntas dele. Os meus pais até incentivaram e apoiaram essa ideia, porque achavam que isso só melhorariam o relacionamento deles. Agora, Niall estava prestes a tirar férias na Irlanda, tentando traçar qualquer linha biológica com sua família de sangue.

Meus pais entraram na fila de adoção novamente um ano e dois meses depois do primeiro filho chegar. Eles eram bem vistos pelo serviço social porque nunca causaram problemas e ser dispunham a ter qualquer tipo de criança. Já tendo adotado uma, a coisa ficava mais fácil.

Minha mãe biológica, porém, não tinha a mesma vontade de ter um bebê. Ela já havia procurado o serviço social, avisando sobre a gravidez e que não queria ficar com a criança. Ela receberia ajuda para o pré natal e todo o período, desde que ela parasse de se drogar.

É claro que ela não parou.

Quando eu fiquei mais velha, com idade suficiente para entender, meus pais tentaram me explicar a situação da melhor forma possível. Não foi muito fácil saber que sua mãe mendigava no sinal para comprar drogas, mesmo com uma barriga de seis meses. Ela fugiu da supervisão do serviço social e passou a morar na rua, vivendo de trocados. Não é difícil pensar que meu pai biológico seja algum traficante ou coisa do tipo.

Em uma cidade tão pequena quanto a que morava, as fofocas corriam rápido demais. Eram o passatempo de mulheres cujos maridos ficavam trabalhando o dia inteiro e se entediavam ao entrar em casa e ver as esposas. Como elas precisavam de uma de distração, divertiam-se ao criticar qualquer um. Meus pais foram o assunto delas por um longo tempo. Eu também. Aquelas mulheres sabiam que eu, inclusive, nasci perto do canteiro de obras durante a noite.

Numa cidade essencialmente religiosa e com a mente muito fechada, a maioria dos casais gastou o tempo fazendo listas sobre as razões pelas quais não poderiam me adotar:

— E se ela se tornar uma viciada como a mãe?

— Ela provavelmente vai ter muitos problemas de saúde. Coitadinha! Mas nós não temos dinheiro para pagar muitos tratamentos médicos.

— E quem é o pai?

— Não é muito difícil de imaginar que ele seja um traficante. Imagina se vem atrás da garota! Toda a minha família estará ameaçada. Não é um risco que podemos correr.

— Provavelmente vai ser uma péssima influência para os meus filhos. Não quero isso.

As fofoqueiras da cidade conheciam muito bem todas essas desculpas.

Meus pais só queriam mais um filho. Todo o preconceito que eles passavam já deveriam ser o suficiente. Eles não complicariam nada e o serviço social tinha certeza disso ao chamá-los. E é claro que eles me adotaram.

Eu nem fui uma criança e adolescente tão rebelde assim. Eu era mais introvertida e precisava de muito tempo para me soltar por completo. As fofoqueiras tinham filhas que frequentavam a mesma escola que eu e que tinham algum tipo de diploma em rir de mim, fazer fofoca de mim e apontar para mim. Quando eu e meu grupo começamos a fazer o mesmo com elas, as garotas foram até a diretoria me denunciar. Infelizmente, a diretora tinha um sentimento similar a pena com relação à mim e fez vista grossa. Eu sabia que era só gentileza dela

Meus pais sempre deixaram claro que eu teria o apoio total deles caso resolvesse procurar mais sobre os meus pais biológicos. Mas eu nunca tive vontade. Se eles não quisera saber de mim antes, o que me garantiria que eles queriam saber agora? Eu estava bem feliz assim e era melhor deixar dessa forma.

Ela, todavia, deve ter pensado diferente. Quando eu tinha dezessete, trabalhava em um supermercado durante meio período. Uma mulher chamada Louise Clark comprou alguns salgadinhos e porcarias bem baratas. Ela tinha olheiras gigantes, roxos por todos os lados. Quando perguntei se ela estava bem, ela disse que sim. Então, começou a puxar assunto comigo. Por duas semanas, ela passeava horas ao meu lado, falando sobre assuntos aleatória e nada específicos. Acho que me deixei levar tão facilmente porque meus pais se desdobravam em mil para conseguir atingir nossa demanda, mas alguns assuntos eram femininos demais para que eles pudessem dar conselhos realmente funcionais. Maya tinha 31 anos a época e havia acabado de se casar. Ela tinha a própria vida para cuidar e eu não poderia monopolizar sua atenção. Com vovó, a situação não era muito diferente. Desde que meu avô morrera, ela dedicava suas horas as mais diversificadas atividades. Era a sua forma de lidar com o luto.

Louise e eu nos dávamos muito bem. Ela era ótima ouvindo e dando conselhos, apesar da situação catastrófica que obviamente era a sua vida. Poderíamos nos considerar amigas, eu diria. Louise gostava de ouvir detalhes sobre o meu dia e a minha vida, mas, costumeiramente, recusava-se a me contar qualquer coisa sobre se própria. Eu sabia que ela estava em um relacionamento abusivo com um homem que não amava tanto mais e que se drogava com alguma frequência.

Um dia, porém, Louise me convidou para comer com ela. Não foi nada grandioso. Compramos uma pizza gigante e refrigerante barato e sentamos de frente para a estação de trem. Era uma noite melancólica e abafada. Cheirava a tristeza e decepção.

Foi então que Louise me contou tudo. Entre lágrimas e soluços, ela me pediu desculpas por ter errado. Falou-me sobre o viciado que ela namorava (não era um traficante, afinal) e como ela não estava preparada para ser mãe quando ficou grávida. Ela até tentou parar de cheirar, mas era muito mais difícil do que parecia. Ela garantiu que fumava e bebia o mínimo possível, mas que não podia parar por completo.

Louise me pediu desculpas por não ter ficado comigo. Ela não teria condições de cuidar de mim como deveria. Eu cresceria sob péssima influência paterna e provavelmente me tornaria uma versão aprimorada dela. E isso era tudo que Louise Clark não queria para a filha.

Eu gritei como ela. A situação havia me deixado nervosa, irritada e eu só queria que ela soubesse que suas desculpas não resolveriam nada do que se passou. Ela havia me deixado e fugido, isso não tinha justificativa alguma que resolvesse. Depois, eu fui embora e a deixei chorando na estação. Em casa, eu rompi em lágrimas. Contei tudo para os meus pais e eles passaram a noite comigo, tentando me fazer analisar as coisas pelo ângulo dela. Só conseguir entender o que eles diziam mais tarde.

Mas não dava. Eu costumeiramente me sentia mal por essa situação. Eu odiava pensar que ela tinha me abandonado e feito uma série de escolhas erradas para nós duas ao longo do caminho antes disso.

O corpo de Louise Clark foi encontrado no banheiro da estação de trem na manhã seguinte. Ela se havia se enforcado. Os policiais me entregaram uma carta na qual ela pedia desculpas por não ter sido quem eu esperava e quem eu merecia. Inevitavelmente, eu não conseguia evitar pensar que aquilo era, de alguma forma, minha culpa. Talvez, se eu tivesse sido menos feroz, ela ainda estivesse viva, sendo minha mãe. Não é o tipo de coisa que se esquece facilmente. E esse sentimento se acumulou a raiva, não me deixando nem um pouco bem com o que se passara.

Meus pais me levaram ao enterro de Louise. Ficaram lá o tempo todo. Havia um homem que era o alvo das condolências ali. Ao ver seu rosto, não pude negar as semelhanças físicas entre nós dois. Ele deveria ser o namorado de Louise. Mas sai de lá antes de confirmar. Com ele, eu realmente não gostaria de qualquer contato.

De certa maneira, um dos meus maiores temores era me tornar como Louise. Não queria ser como ela. Não queria estar em um relacionamento infeliz, com um cara que tinha como hobbie preferido me bater e me denegrir. Não queria ser uma viciada irracional. Não queria abandonar meus sonhos e planos. Não queria ter que pedir esmolas no sinal para conseguir sobreviver.

Eu queria ser muitas coisas, mas não queria ser parecida com Louise Clark.

 

No sábado, eu sigo para a faculdade de medicina. O dia amanheceu anormalmente quente. Nessas circunstâncias, eu não me importei em colocar um short jeans acabado e uma blusa mais larga. Prendo o cabelo em um rabo de cavalo e me preparo para ficar encharcada.

Eu sou esperta o suficiente para saber que eles usariam todos os tipos de apelo para conseguir o máximo de dinheiro possível. Não foi surpreendente ver garotas com roupas mais curtas e justas que as minhas. Daniel me avisa que, caso eu me sinta desconfortável, basta avisá-lo e ele daria um jeito. Eu contava com o bom senso das pessoas para não chegar até um ponto assim.

Ao meio-dia, eu já tinha lavado cinco carros sozinha. Entre o valor que eles deveriam pagar e a gorjeta que eu recebia por minha boa educação, eu havia recebido cerca de 400 libras. Todavia, parece ser muito pouco para o grande propósito deles.

Eu ansiei desesperadamente pelo almoço. Estou faminta e adoraria algum docinho. Minha blusa está molhada, o que deixa parte do meu sutiã aparecendo. Também gostaria muito de trocá-la.

Sei que parte daquela exposição seria muito útil. Algumas meninas haviam aberto a mão de uma camiseta para ficar com a parte de cima de um biquíni e aceitavam se molhar por completo. Alguns dos caras também haviam tirado a camisa, e estavam sorrindo por ai e atraindo o máximo de pessoas para aquele lugar.

Um carro parou ao meu lado. Imagino se teria de lidar com uma cantada indesejada e ridícula agora. O motorista abaixa o vidro e percebo ser Harry com grandes óculos escuros.

— Tem tempo para lavar mais um carro?

Não pude evitar uma risada. Afasto-me da porta, dando-lhe espaço para abri-la. Harry saiu. Ele cambaleou um pouco e parecia um tanto quanto grogue ao caminhar até mim. Suas mãos estavam manchadas e o lábio cortado.

— O que faz aqui? — questiono.

Eu nunca esperava que Harry aparecesse na faculdade. Esse ambiente não pe para ele. Nem cursar algo ele cursa aqui. Só tem algum privilegio que o permitia usar do alojamento.

— Fiquei sabendo que a faculdade estaria realizando um evento beneficente essa semana e vim realizar minha boa ação anual. — reviro os olhos. — Não sabia que estaria participando. Estou realmente surpreso com isso.

Dou de ombros.

— Parecia uma ideia legal. — respondo. — Por que esses óculos?

— Eu preciso de um favor. — Harry murmura e abaixa a cabeça. Ele tira os óculos. — Pode fazer um curativo para mim?

Harry ergue o rosto e me encara. Um de seus olhos está roxo e cheio de arranhões. Os machucados ainda estão sujos e com sangue.

— O que você fez? — questiono, preocupada. Passo a mão sobre suas maçãs do rosto e ele geme. — Desculpe. Vou tentar ser mais gentil.

— Eu agradeceria se você pudesse me ajudar sem fazer grandes perguntas.

Ele está sério. Absurdamente sério. Deixo de lado minhas perguntas e penso em como posso ajudá-lo. Lembro-me do quite de primeiros socorros no meu alojamento, no armário do banheiro, junto com os remédios. Imediatamente, aceno para Daniel e faço sinal, pedindo tempo. Ele balança a cabeça e me manda um dedão positivo.

Encaro Harry.

— Vamos para o meu alojamento. Norwich House. Eu cuido dos seus machucados lá. — aviso. — Consegue dirigir?

— Eu dirigi até aqui, Dawson. Ainda estou um pouco bêbado, mas consigo segurar o volante muito bem.

Levo Harry ao meu apartamento. Peço a ele que se sente enquanto pego o quite de emergência comprado há meses. Nunca havíamos precisado dele, mas de alguma forma é um alívio saber que ele está ali. Coloco as coisas sobre a mesa e deixo a tampa aberta.

— Acho que deveria fechar os olhos. — murmuro, pegando um pedaço de algodão e molhando em água. Harry atende o meu pedido. — Como se machucou?

Seu peito vibra com uma risada.

— Não vai desistir, não é? — interroga.

— Você sabe que não.

Passo o algodão em cima do maior corte, logo abaixo do olho. Tento manter a mão o mais leve e suave possível, para que a pressão sobre seu roxo não lhe cause dor. Ainda sim, ele franze os lábios e trava o maxilar duramente ao meu toque. Escolho a mão.

— Desculpe. — peço.

— Pare de se desculpar. Você está me fazendo um favor. Não tem porque pedir desculpas se eu resolvi brigar.

— Luta de bar?

— Mais ou menos isso. Na verdade, era algo mais como um confronto amigável.

— Confronto amigável? — ironizo.

— É. Por isso não foi nada muito grave. Se fosse uma briga de verdade, talvez eu tivesse quebrado alguma coisa.

— Fez isso por quê?

— Brigar?

— É.

— Eu preciso sentir que estou vivo ainda, Charlie. Que ainda posso quebrar ossos e ficar machucado. — ele suspira. — Se estiver se sentindo desconfortável nessa posição, minhas pernas estão disponíveis para que possa se sentar.

Reviro os olhos.

— É um convite muito agradável, mas terei que rejeitar. — ironizo.

Harry tenta dar de ombros, mas seguro seus braços antes que ele conclua o movimento, pois isso me atrapalharia. Ficamos em silêncio. Termino de limpar o local e pego uma pomada para cicatrização.

— Minha irmã vai casar hoje. — Harry diz.

— Ah! Dê meus parabéns a ela.

— A família toda estará lá. Acredito que, em muitos aspectos, vai ser uma grande merda.

— É o casamento da sua irmã. Não fale assim.

Viro-me para pegar os curativos. Quando volto a me virar para ele, Harry está com os olhos bem abertos. Eu me choco com a profundidade do verde em sua iris. Demoro um tempo para me lembrar do que eu deveria fazer.

— Não preciso de um desses. — Harry aponta para minha mão. — Mas o que quer que você planeje fazer de almoço cairia muito bem agora. Não como tem muito tempo.

Balanço a cabeça e guardo os curativos. Fecho a caixa de primeiros socorros e abaixo a trava. Deixo-a sobre a mesa. Vou até a cozinha e coloco o almoço de ontem no microondas em uma quantidade suficiente para mim e Harry.

— Sua irmã mora perto daqui. — comento. — Por que veio aqui ao invés de ir na casa dela?

— Já disse. Hoje é o grande dia da Gemma. Ela não precisa que eu tumultue as coisas ainda mais.

Concordo. Parece sensato. Harry se levanta e vem até mim.

— Está ocupada essa noite? — inquire.

Ergo uma sobrancelha.

— Não.

— Vem comigo. Ao casamento da minha irmã. — ele coloca minha franja atrás da orelha.

Esquivo-me. Ele parece andar mais rápido do que deveria. Parece não, está. Com está proposta, ele conseguiu burlar todas as fases e regras pré-estabelecidas que eu tenho com relação à relacionamentos. Nem conheço tanto assim a irmã dele para aparecer.

— Você bebeu? — digo.

— Um pouco. Mas já tem algumas horas.

Reviro os olhos.

— Não posso ir ao casamento da sua irmã. Mal a conheço.

— Não é como se precisassem se tornar grandes amigas. Eu só quero alguém que possa me fazer companhia e que seja mais interessante que as garotas que Gemma joga para mim.

— Garotas que Gemma joga para você?

— Amigas dela ou coisa do tipo. Não temos muito em comum.

— E nós temos? Precisa de um argumento melhor, caubói.

— Não pretendo nem lhe apresentar para a minha família. Eu só não quero ter que passar muito tempo com eles. Além disso, o nosso último encontro não foi exatamente um encontro.

— Que horas é o casamento?

— Seis e meia.

— Que horas você me pega?

 

Eu precisei me arranjar com relação a roupa. Diana não ficou muito feliz com essa ideia, com o fato de eu estar saindo com Harry. Ela claramente não gostava dele, mas eu não estava disposta a convencê-la do contrário. Ao menos, não por enquanto. Talvez fosse melhor dar um tempo, para ver até onde nós chegávamos. Nesse caso, haveria alguma utilidade em convencê-la de que Harry era alguém bom.

Diana me emprestou seu vestido vermelho. Ele era longo, com fenda lateral abaixo do joelho e um decote profundo, chegando quase ao meio de tórax. Ela prendeu meu cabelo com uma trança lateral, deixando as pontas soltas e escorregando em apenas um ângulo de meu rosto. Emprestou-me um par de sandálias de salto e uma bolsa combinando. Diana tinha um senso de moda forte demais para me deixar sair de qualquer maneira. Ela só não precisava saber com quem era para querer me deixar parecendo uma super modelo.

Antes do horário combinado, eu desci e fiquei esperando de frente ao alojamento. Alguns alunos passavam e olhavam, outros fingiam que não era nada demais. Eu precisei trocar o peso de uma perna para outra, tentando fazer com que o salto machucasse menos.

Harry chega vinte minutos atrasado. Ele para o carro de qualquer forma e veio até mim. Ainda usava seus óculos escuros e o roxo sobre seu olho se tornara ainda mais aparente. É estranho vê-lo arrumado dentro de um terno. Eu havia me acostumado com seus jeans detonados e velhos e as blusas largas. Nada tão elegante quanto hoje. Mas é bom. Ele fica bem assim.

— Eu sei que estou atrasado. — ele fala. — Mas se não formos agora, não vamos chegar a tempo.

Eu não pretendia fazer nada além de que cobrar seu atraso. Porém, Harry parece estar realmente preocupado com a ideia de chegar depois do horário marcado e, por isso, e eu lhe permito um pequeno desconto dessa vez.

Entro no carro e ele começa a dirigir.

O casamento e a recepção seriam na praia. O tempo estava agradável, combinando muito bem com essa ideia. Eu poderia imaginar que Gemma deveria ter feito algum acordo injusto com Deus e todos os santos para que o dia estivesse perfeito. Ela provavelmente sempre teve tudo dando certo e funcionando.

O trânsito está uma droga. Qualquer atalho que Harry pega parece nos levar até um engarrafamento ainda maior. É a lei de Murphy em ação, penso, mas não chego a comentar nada, porque Harry parece tão preocupado com um possível atrasado que entra em estado de fúria.

De fato, nós chegamos atrasados. A cerimônia deveria ter começado a pouco tempo, porque ninguém tem lágrimas nos olhos. Harry deixa o óculos escuro comigo e corre para o altar enquanto eu me sento no último banco, o mais longe possível, ao lado de duas senhoras que narram e comentam cada instante do casamento. Ao menos, elas tem companhia. Eu, por outro lado, sinto-me desconfortável e deslocada.

Gemma realmente deveria ter feito um acordo com Deus porque até o crepúsculo ocorreu durante a cerimônia, quase no exato momento de dizer o sim. Isso não acontece no mundo real, quando chuvas e coisas assim e atrapalham os nossos planos

Quando a cerimônia termina, as pessoas formam uma fila atrás de Gemma e o marido para cumprimentar e tirar foto. Harry é o primeiro. A irmã lhe cochicha algo e ele mal responde. Então se posiciona ao lado deles para a fotografia. Tento fazer amizade com as duas velhinhas, mas elas saem de perto de mim e complementam a longa fila de convidados. Bufo e me recosto no banco.

Eu me pergunto se também devo me juntar a esse grupo, mas não acho que seria uma boa ideia. Eu só conseguia me imaginar saindo constrangida.

— Sua cara de insatisfação representa muito do que eu sinto às vezes. — Harry se senta ao meu lado.

— É uma droga não conhecer ninguém e não ter com quem conversar. — cruzo os braços.

— Vou te apresentar a minha avó. Ela vai estar um pouco alta, mas será a companhia mais saudável de toda a família.

Rio e inclino o pescoço, encostando-o ao ombro de Harry. Por alguma razão, não acho que isso ultrapasse qualquer um dos nossos limites. Quando ele não se move ou demonstra desconforto, tenho certeza de que realmente não atravessei nenhuma fronteira.

— Estou no casamento de alguém que nem conheço. — murmuro. — Sinto-me como as fofoqueiras de minha cidade, que entravam de penetras nas festas para comer de graça e ter boas fofocas para fazerem.

— Você foi convidada. Pelo irmão da noiva.

— Isso é tudo parte do seu plano maligno de me seduzir. — estalo a língua.

— Vou te apresentar a minha família. Então, vai repensar seu conceito.

— Acho que isso é apenas uma forma de me testar e ver o quão interessada eu estou.

Harry ri. Nós dois ficamos sentados ali, vendo cada um dos cumprimentos e votos de felicidade. Depois de desejar muitas alegrias ao casal, os convidados param para uma foto e ganham uma taça de champanhe. Reconheço o pai de Harry pela muleta e a cara fechada. Ele está acompanhado de sua própria seita. O que resta da família, eu acho. Imagino que o politicamente correto seria Harry estar com eles. Quando lhe digo isso, ele me fala para observar a decoração ao invés de me preocupar tanto com ele.

— A recepção vai ser muito longe daqui? — pergunto, preocupada com a ideia de ter que atravessar a areia com saltos altos.

— No navio que atacaram no porto.

— Vocês compraram um navio? — arregalo os olhos.

— Não. Comprar seria muito caro, nós só alugamos o espaço. — reviro os olhos. — Se está preocupado com seus sapatos atolarem em areia, eles fizeram uma trilha para as pessoas usarem. — suspiro, aliviada. — Posso te carregar também, se quiser.

— Aposto que adoraria isso.

Harry puxa o paletó, afastando-o da blusa. Remexe na parte interna dele e puxa seu maço de cigarros. Acende um.

— Eu já fiz isso duas vezes em menos de um mês. — ele fala. — Deve ser um sinal ou coisa assim.

— Não deveríamos ir com eles? — aponto para a multidão que se move.

— Eu conheço o caminho. Se está preocupada em conseguir um lugar para sentar, eu posso dar um jeito nisso.

— Não vai me por para sentar com sua família, vai?

— Não vou te fazer passar por isso. Só quero terminar esse cigarro. Gemma me proibiu de fumar com muita gente por perto. Ela não quer que ninguém tenha câncer de pulmão por minha causa.

— Nesse caso, ela deveria te dar um daqueles adesivos de nicotina. — encaro-o.

— Não me olhe dessa maneira, Dawson. Você está aqui porque quer.

— É, talvez.

Harry parece estender ao máximo o tempo ali fora. Cada tragada demora quase um século e ele fica conversando comigo, o que faz demorar ainda mais. Ele não se dá bem com a família, especialmente com o pai, imagino eu. Talvez por isso seja tão custoso se juntar ao resto das pessoas ma recepção.

Mas eu não entendo bem. Ele não falou muito sobre sua vida pessoal e, dado ao nosso nível de familiaridade e convivência, eu não poderia pedir por uma coisa assim. O clima de tensão, todavia, é tão evidente que eu fico criando teoria mirabolantes para poder justificá-lo.

Após uns bons quinze minutos, Harry comprime o que resta do cigarro contra o banco da frente e se levanta. Ele tira um chiclete do bolso da calça e coloca na boca. Acredito ser para disfarçar o cheiro de cigarro.

— Você tem uma nuvem de fumaça impregnada ao corpo, caubói. — falo, saindo do banco. — Não quero decepcioná-lo, mas um chiclete de hortelã não vai resolver o problema.

— Não tenho como tomar um banho agora, Charlie.

Era impressionante como o cheiro de cigarro grudava facilmente em Harry. Alguns dos outros fumantes que eu conhecia precisavam de mais de um cigarro para conseguir cheirar a isso. Para Harry, um era o suficiente para deixá-lo cheirando a isso.

Harry me mostra a trilha feita. Tecido em cima da areia macia. Aumenta um pouco da minha confiança, mas ainda temo que o pano vá rasgar ou coisa do tipo. Eu ergo o vestido para conseguir caminhar sem pisar no pano. A porta do navio, Harry se livra do chiclete em uma lixeira e se identifica com a organizadora. Ela escreve algo em sua planilha e nós deixa passar com um sorriso no rosto.

Vamos direto para o salão. A coisa é tão antiquada que me sinto naquela cena do Titanic que o Leonardo DiCaprio janta com a Kate Winslet na primeira classe. Lembro de Diana, e concluo que a decoração no estilo dos anos 10 está mais para vintage do que para antiquada. Ela ficaria orgulhosa de me ouvir falar assim.

O salão é simplesmente grandioso. Foi todo decorado provavelmente para realmente se parecer com o Titanic. É gracioso, mas um pouco assustador quando se faz essa conexão.

A mesa do noivo e noiva fica bem ao centro, e todos os lugares já estão ocupados. Com exceção de um único que suponho ser de Harry. Ele também nota isso, mas prefere se sentar em uma mesa mais ao fundo, onde quase não nos vêem.

— Deveria se sentar com a sua família. — digo quando nos servem o champanhe.

— Eu estou bem aqui. Só preciso estar presente nas fotos do casamento e ninguém vai poder reclamar de nada.

Mas dez minutos depois, uma mulher vestida em um terninho caro e com uma prancheta na mão vem até nós. A mensagem dela para Harry é bem clara:

— O senhor está sendo convocado a ser sentar na mesa dos noivos.

— Moça, a única convocação que aceitei durante toda a minha vida, foi a do exército. Vamos deixar assim.

— Sua mãe e sua irmã que pediram.

— Eu estou acompanhado aqui e não posso deixá-la sozinha.

A contra gosto, a mulher balança a cabeça e sai. Pergunto-me se não estou criando nenhum problema aqui.

— Talvez devesse mesmo ir. — aconselho.

— Não.

— Não quero que tenha problemas com sua família.

— O quê? — ele ri, debochado. — A última coisa que está fazendo é me criar problemas. Eu realmente não me sentaria com eles. Agora, só tenho uma boa desculpa para isso.

— Não acho que vão desistir.

— Não vão. Só precisam entender que a resposta é não.

Eles começam servindo champanhe. Garçons passam entre as mesas o tempo, com uma bandeja brilhante e muitas taças em cima. Eles estão perfeitamente equilibrados e com uma postura impecável. O terno deles não possuí nenhuma marca.

Harry pega uma taça para ele e outra para mim. Eu bebo um gole e gasto um tempo avaliando um ambiente em volta. Quando percebi, Harry me olha. Ele sorri minimamente, mas de uma forma pretensiosa.

— O que foi? — questiono, com um riso leve.

Não é muito diferente da forma como ele me olhou na festa, na primeira vez que nós nos vimos. Ainda é como se estivesse me analisando, tentando ter acesso a partes de mim que ele não conhece. Acho que, agora, ele coloca ainda mais profundidade no olhar porque já sabe um pouco mais de mim.

— Eu estava só pensando. — Harry olha para as suas mão paradas sobre a mesa. — Deveria ter te dito isso antes, mas você está espetacular essa noite.

— Obrigada. Você também não está nada ruim.

Depois da organizadora, um casal vem. Eles são muito parecidos e bem educados. Tentam muito convencer Harry a ir com eles, mas não funciona. Outra mulher vem a coisa continua na mesma situação. Por fim, uma velhinha sorridente senta-se na mesma mesa que a gente. A primeira atitude dela é pegar uma taça de champanhe e beber.

— Querido, eu realmente acho que deveria se sentar com sua irmã. — ela diz, olhando diretamente para Harry.

— Vovó, essa é minha amiga, Charlie. — ele me apresenta.

— Olá, querida. — ela coloca uma de minhas mãos entre as dela. — Obrigada por vir. Nós conversaremos mais. Antes disso, só há uma coisa que eu preciso resolver. — ela volta a olhar para Harry. — Pela sua irmã, querido. Ela está muito triste porque você não se senta com ela. Só fique uma horinha. É o dia especial dela, não pode estragar isso. Eu faço companhia para Charlie.

— Vai, Harry. — pressiono-o mais. — Pela sua irmã.

Ele suspira e range os dentes. Coça a cabeça. Acho que todas essas pessoas vindo aqui e repetindo basicamente a mesma coisa deveria ser o suficiente para que ele se desse por convencido.

— Só por causa da Gemma. — Harry diz e eu sorrio. Ele se levanta. — E eu não vou ficar lá por muito tempo.

Harry ocupa seu lugar na mesa e imediatamente trava os dentes. Imagino que não esteja muito satisfeito estando lá. Seu pai começa a dizer algo e ele arruma a postura. Depois, pega uma das taças de champanhe que estão servindo.

A avó de Harry permanece sentada comigo o tempo todo. Ela bebe como uma louca e nunca fica de fato bêbada. Enche nosso silêncio com histórias de sua vida e adolescência. Ela tem algumas das ideias mais malucas que já se viu. E não fala muito da família em si. Mal toca nesse assunto, verdade seja dita. Até chego a perguntar, e ela responde, mas logo o assunto de torna outro e eu passo a acompanhá-la.

Os primos de Harry sentam-se conosco também. Eles são bem gentis, embora tenham ignorado completamente minha presença quando estiveram aqui mais cedo. Pelas pistas jogadas ao longo da conversa, imagino que seja Will o homem que comanda as empresas de pai de Harry. Nina terminou recentemente a faculdade de moda e agora desenha roupas para uma grife de Milão. Ela está passando uma temporada na casa dos tios, como uma forma de conseguir inspiração e aproveitar as férias.

Eles me perguntam o que eu faço e dou alguns detalhes do curso de antropologia. Não sou muito específica porque termos técnicos podem ser entediantes para aqueles que não tem muito interessante.

Em pouco tempo, sinto-me confortável em meio a eles. Não estou mais tão deslocada e posso me virar muito bem sem Harry ao meu lado, embora, pela cara dele, seria muito melhor estar aqui comigo ou sozinho em qualquer outro lugar.

Will me tira para dançar. Eu recuso no primeiro instante, envergonhada com a ideia de dançar com alguém que mal conheço. Mas, com alguma insistência, eu acabo aceitando. Deixo a bolsa sobre a mesa e o acompanho até o canto do salão, onde uma pista de dança foi montada.

— Meu primo olha para mim como se estivesse disposto a me matar. — Will sussurra.

— Ele precisou se retirar e eu encontrei um novo acompanhante. Não pode culpar ninguém além do destino.

Will me gira.

— Como se conheceram? — ele pergunta.

— Festa da universidade. Nós nos esbarramos.

— Um golpe de sorte do destino, suponho.

— É um jeito de chamar.

— Ele é um cara galante, não é?

— Ou um babaca idiota. Depende do dia e do humor dele, eu acredito. Não é bem como se espera.

— Qual seria a graça se fosse? Você com certeza ficaria ainda mais decepcionada.

Rio. Tocam o meu ombro e eu imediatamente paro os meus movimentos., Viro o rosto para trás e vejo Harry parado ali. Ele me estende a mão.

— É a minha vez agora. — fala.

Will entendeu perfeitamente o recado. Ele afasta as mãos de mim e dá um passo para trás, dizendo:

— Vou fazer companhia para a vovó. Talvez até dançar um pouco com ela.

Ele se afasta e Harry puxa minha mão fazendo com que eu me aproxime. Ele nos coloca mais perto do que eu estava com Will. Uma de minhas mãos fica entrelaçada a dele enquanto a outra está sobre o seu ombro. Harry mantem os dedos am minha cintura e me fazendo ficar perto dele.

Essa dança é muito diferente da que fizemos da última vez. Tem uma quantidade extrema de compostura. Estou com os meus quadris quase grudados ao corpo de Harry. Talvez eu ainda nem devesse, mas gosto de toda essa proximidade e gosto mais ainda da sensação das mãos dele em mim.

— Não foi tão difícil se encaixar, não é? — Harry questiona.

— Não. Não foi tão difícil ficar com a sua família, não é? — rebato. Ele fecha a cara.

— Se eu parecia estar feliz, talvez devesse tentar teatro. Estava tudo, menos confortável.

— Eu não entendo. — franzo o cenho enquanto o DJ troca a música. — São sua família. Às vezes, seus pais conseguem ser uma droga, mas a maioria das coisas que eles fazem é pensando no seu bem e querendo o seu melhor. Como quando te colocam de castigo. E você não estava parecendo feliz. Sendo sincera, poucas vezes vi alguém tão infeliz com uma situação.

— Acho que me conhece o suficiente para saber que, certas coisas, eu não explico.

— Decepcionante, mas não surpreendente. — solto-me dele, completamente frustrada com sua resposta. — Volta para a companhia dos seus pais.

Eu esperava algo mais do que aquilo. Sendo sincera, não gostei nem um pouco do que escutei.

— Não quero. Vamos ficar bêbados, como adolescentes idiotas.

Dando ênfase a sua frase, Harry recolhe duas taças de champanhe da bandeja mais próxima. Ele me oferece uma e fica com a outra para si. Brindamos e bebemos.

Saímos daquele lugar. Fazemos isso da forma mais discreta possível, para não levantar qualquer suspeita. Nós ficamos escorados próximos as escadas, onde a movimentação é muito menor e não há risco de ninguém nos interromper. Eu tiro os saltos e os deixo de lado. Meus dedinhos já estão machucados. Harry afrouxa a gravata e abre os primeiros botões da camisa.

Conversamos sobre a minha família e a faculdade. Quanto tempo eu pretendo ficar por aqui, o que me levou a fazer antropologia e como vai ser quando eu terminar o curso. Harry quer saber de todos esses detalhes. Ele parece completamente absorvido enquanto narro os meus planos pós graduação. Ele quase se convida a participar deles e acrescenta suas próprias ideias malucas que me fazem gargalhar alto.

Sento nos degraus da grande escadaria enquanto Harry permanece me encarando. Faço minhas próprias perguntas sobre sua vida e ele não responde com qualquer detalhe que seja muito profundo. A cada garçom que passa, nós roubamos comida ou bebida. Quando eles ficam muito tempo sem vir, Harry some e volta com uma garrafa fechada de champanhe e vários petiscos em um prato fundo. Senta-se ao meu lado, para que possamos comer.

Ainda tenho a minha taça. Foi a única coisa que eles não recolheram. Harry a enche com o liquido e não se preocupa em buscar uma para si mesmo. Ele bebe um gole e dá uma mordida em um dos canapés. Encara-me e oferece para mim. Eu balanço a cabeça, recusando.

— Aí está você! — uma mulher grita, parando na nossa frente.

— Charlie, está é Amélia. Amélia, essa é minha amiga Charlie. — Harry nos apresenta, enfiando outro canapé na boca.

— Olá. — ela me diz rapidamente, com um sorriso forçado no rosto. Vira-se tão rápido que não tenho chance responder. — Harry, querido, você sabe que eu prefiro quando me chama de mãe. — ele movimenta os ombros como se não se importasse. — Preciso que dance comigo.

— Por quê?

— Porque seu pai não consegue andar direito, você sabe. Nós já tínhamos combinado isso.

— Sem essa de nós. Vocês decidiram isso e mandaram minha opinião se foder.

— Olha como fala.

— Você sabe que é verdade.

— Amélia! Não o encontrou?

Demora um tempo até que eu reconheça esse homem como sendo o mesmo que esteve na faculdade uma semana atrás. Ele tem o rosto tão fechado e o maxilar tão travado que sua expressão faz com que eu me encolha no canto. Sinto que estou prestes a presenciar uma briga de família e que estou embriagada demais para conseguir fugir correndo sem o risco de cair.

— Aí está você, rapaz. — o pai de Harry diz. — Vamos. Sua irmã está esperando.

— Eu não vou. Coloquem o William no meu lugar. Todos nós sabemos que sai mais bonito na foto.

— Sua irmã só aceita você. Nós já tentamos Will e ela não aceitou. — ele nota a comida e o champanhe aberto entre nós. — Foi você que invadiu a cozinha? Não pode ficar longe de encrencas ao menos por hoje?

— Eu não invadi. Eu entrei pacificamente e só peguei alguma comida. Estávamos com fome.

— Não poderia fazer como as pessoas normais e esperar até que um dos garçons trouxesse ou você só queria estragar o dia da sua irmã?

Harry não responde. Ele simplesmente puxa um cigarro e o acende. Seu pai, porém, o puxa de sua boca e joga ao chão.

— Arrume a blusa e a gravata. Já fez todos esperarem demais.

Harry se levanta e inclina o corpo na direção do pai. Imagino que poderia socá-lo agora. Posso até visualizar a cena e não gosto nem um pouco do que vejo. Pessoalmente, não gostaria que Niall discutisse com um dos meus pais no dia do meu casamente.

Amelia nem se move. Ela fica parada, com cara de poucos amigos, analisando a situação.

— Que parte do "eu não vou" você não entendeu? — ele sibila.

Também me levanto. Somos quatro: dois de nós tem disposição para brigar, uma não aparenta estar disposta a evitar isso e a outra ainda está o suficientemente sórbia para concluir que o melhor a ser feito é evitar uma catástrofe. Jogo o meu corpo entre pai e filho. Coloco as mãos nos ombros de Harry e o empurro para trás.

— Ele vai estar lá em menos de cinco minutos. — digo. — Eu prometo.

Amelia me olha por um instante. Ela parece convencida do que eu disse. Segura o braço do marido e sussurra algo para convencê-lo a sair.

— Por que fez isso? — Harry pergunta. Irritado, ele segura minhas mãos. — Por que, Charlie?

— Porque está tudo bem se quer odiar seu pai e brigar com ele durante toda a sua vida. Mas ao menos hoje, finja que se importa com alguém além de si mesmo e dance uma maldita música com sua mãe. Agora, solte-me.

Ele larga minhas mãos. Eu rapidamente começo a arrumar seu terno. Fecho os botões que estavam abertos, refiz o nó da gravata e arrumei o colarinho.

— Tenho que agir como um babaca para você querer por as mãos em mim.

Reviro os olhos e mordo o lábio.

— Termine de dançar e volte. Vou estar esperando aqui.


Notas Finais


Hellos again, my lovers!
Espero que tenham gostado do capítulo. Muito obrigada por terem chegado aqui e lido tudo. Eu amo quando ocês falam comigo. Constantemente estou na TL e cês podem chamar por lá que a gente bate um papo bem maneiro, eu garanto. E também tem a ask (https://ask.fm/GrupoDOW) que dá pra bater um papo mó maneiro por lá também!
As recomendações de sempre: https://socialspirit.com.br/perfil/rachel_wilde/jornal/volupia-5408371 (fanfic nova chegando procês loguinho)
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Até loguinho!
xoxo


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