História Red Queen (Adaptação) - Capítulo 10


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo Dez


Karen se afasta. Fico sozinha no corredor, digerindo suas palavras.

Eu costumava pensar que existia apenas uma divisão: prateados e vermelhos, ricos e pobres, reis e escravos. Contudo, há muito mais entre esses dois extremos, coisas que não entendo, e estou bem no meio delas. Cresci me perguntando todos os dias se haveria comida suficiente para o jantar. Agora estou num palácio prestes a ser devorada viva.

A frase “vermelha na cabeça, prateada no coração” não me sai do pensamento e serve de guia para minhas atitudes. Abro bem os olhos para contemplar o grandioso palácio que tanto Camila como Karla nunca imaginaram, mas meus lábios permanecem firmes. Karla se impressiona, mas guarda suas emoções para si. É fria e insensível.

As portas no fim do corredor abrem-se para revelar o maior salão que já vi, maior até que a sala do trono. Acho que nunca vou me acostumar com o tamanho brutal deste lugar. Atravesso a porta e me deparo com uma escadaria. Os degraus levam a um espaço amplo onde todas as Casas aguardam impassíveis minha chegada. Mais uma vez, agrupam-se por cores. Alguns cochicham entre si, provavelmente sobre mim e meu showzinho. Sobre uma plataforma elevada a quase um metro do chão, Michael e Karen erguem-se diante dos súditos. Nunca perdem a chance de exercer seu domínio sobre os outros. Ou são vaidosos ou muito cuidadosos. Parecer poderosos os torna poderosos.

A princesa e o príncipe combinam com os pais, vestindo também vermelho e preto. Embora diferentes, ambos os trajes são decorados com medalhas militares. Lauren está à direita do pai, com o rosto impassível. Se já sabe com quem vai se casar, não parece muito animada com a escolha. Shawn também está lá, à esquerda da mãe, com um rosto que lembra uma nuvem de tempestade carregada de emoções. O irmão mais novo não é tão bom como Lauren em esconder o que sente.

Pelo menos não terei de lidar com um bom mentiroso.

— O rito da Prova Real é sempre um evento afortunado, representando o futuro do nosso grande reino e os elos que nos mantêm fortemente ligados diante dos inimigos — fala o rei dirigindo-se à multidão, que ainda não me vê no canto do salão. — Mas, como vocês viram hoje, a Prova Real trouxe-nos mais do que somente a futura rainha.

Ele se volta para Karen, que enlaça sua mão na dele com um sorriso devoto. A mudança de vilã demoníaca para rainha pudica é impressionante.

— Todos recordamos nossa luminosa esperança contra a escuridão da guerra, nosso capitão, nosso amigo, general Ethan Titanos — Karen diz.

Um burburinho, de carinho ou tristeza, percorre o ambiente. Mesmo o patriarca Issartel, pai cruel de Keana, inclina a cabeça.

— Ele liderou a Legião de Ferro à vitória, fazendo as linhas da guerra que já haviam durado quase cem anos recuar. Temido por Lakeland, amado por nossos soldados.

Duvido muito que sequer um soldado vermelho amasse seu general prateado.

— Espiões de Lakeland assassinaram nosso amado amigo Ethan. Esgueiraram-se pelas trincheiras e destruíram nossa única esperança de paz. Sua esposa, Lady Nora, uma mulher boa e justa, morreu com o marido. Naquele dia fatídico há quinze anos, a Casa Titanos se perdeu. Amigos foram arrancados de nós. Nosso sangue foi derrubado.

Agora é o silêncio que preenche o salão enquanto a rainha faz uma pausa para enxugar lágrimas dos olhos que sei que são falsas. Algumas das participantes da Prova Real se inquietam em seus assentos. Não se importam com um general morto; nem a rainha se importa, não de verdade. A questão aqui sou eu, é como botar a coroa na cabeça de uma vermelha sem que ninguém perceba. É um truque de mágica, e a rainha é habilidosa nisso.

Seus olhos me veem no topo das escadas e se fixam em mim. A multidão segue seu olhar. Alguns parecem confusos, outros me reconhecem do evento. Uns poucos focam meu vestido. Conhecem as cores da Casa Titanos melhor que eu, e entendem quem sou. Ou ao menos quem finjo ser.

— Nesta manhã presenciamos um milagre — retoma a rainha. — Assistimos a uma garota vermelha cair na arena como um relâmpago e demonstrar um poder que não deveria ter.

O burburinho retorna, mais alto, e alguns prateados chegam a levantar. A tal Keana parece furiosa, seus olhos escuros fixos em mim.

— O rei e eu entrevistamos a garota demoradamente na tentativa de descobrir sua origem.

Entrevista… Um eufemismo curioso para “vasculhar o cérebro”.

— Ela não é vermelha, mas ainda assim é um milagre. Meus amigos, por favor deem as boas-vindas àquela que voltou para nós: Lady Karla Titanos, filha de Ethan Titanos. Antes perdida, agora encontrada.

Com um movimento rápido da mão ela me chama para perto de si. Obedeço.

Desço os degraus em meio a aplausos forçados, pensando apenas em não tropeçar. Mas meus pés caminham seguros e meu rosto permanece sério conforme passo por aquelas centenas de faces reservadas, ameaçadoras, desconfiadas. Mais uma vez estou sozinha diante dessas pessoas. Jamais me senti assim tão nua, mesmo coberta por camadas de seda e pó. Agradeço de novo por toda a maquiagem; ela é o escudo entre eles e a verdade sobre quem sou. Uma verdade que nem eu compreendo.

Caminho na direção de um assento vago na primeira fileira que a rainha me indica com um gesto. As garotas da Prova Real observam-me, perguntando-se o porquê de eu estar aqui e ser de repente tão importante. Mas estão apenas curiosas, não zangadas. Olham para mim com pena, solidarizam-se o máximo que podem com minha triste história. Exceto Keana Issartel. Finalmente chego ao meu assento, ao lado do seu. Ela me lança um olhar fulminante. Longe de suas roupas de couro e detalhes de ferro, Keana traja agora um vestido de anéis metálicos entrelaçados. Pelo seu jeito de apertar os dedos, posso ver que sua vontade não é outra senão a de pular no meu pescoço.

— Salva do destino dos pais, Lady Karla foi levada do front para um vilarejo vermelho a menos de vinte quilômetros daqui — continua o rei, retomando a palavra para que seja ele a anunciar a grande virada da minha história. — Criada por pais vermelhos, ela trabalhava como criada vermelha. E, até esta manhã, acreditava ser uma deles.

Os suspiros suscitados por essas palavras me fazem ranger os dentes. O rei prossegue.

— Karla era um diamante bruto, trabalhando no meu próprio palácio, a filha de meu falecido amigo bem debaixo do meu nariz. Mas isso é passado. Em expiação da minha ignorância e em retribuição às grandes contribuições ao reino prestadas por seu pai e sua Casa, gostaria de aproveitar este momento para anunciar a união entre a Casa Mendes e a ressurrecta Casa Titanos.

Mais suspiros, desta vez das meninas da Prova Real.

Pensam que vou tirar Lauren delas. Pensam que sou sua concorrente.

Elevo os olhos ao rei numa súplica silenciosa para que continue antes que uma delas me mate.

Quase consigo sentir o frio metálico de Keana cortando minha carne. Ela enlaça os dedos com tanta força que sua mão fica branca. De fato luta para não me esfolar à vista de todos. Do outro lado, seu taciturno pai pousa a mão em seu braço para acalmá-la.

Quando Shawn dá um passo à frente, a tensão do ambiente se desfaz. Ele gagueja um pouco, atrapalhando-se com as palavras que lhe ensinaram, mas sua voz finalmente sai:

— Lady Karla.

Fazendo o máximo para não tremer, fico de pé e o encaro nos olhos.

— Sob o olhar do meu magnífico pai e desta nobre corte, gostaria de pedir sua mão em casamento. Prometo-me a você, Karla Titanos. Aceita?

Meu coração quase sai pela boca com essas palavras. Embora Shawn tenha me feito uma pergunta, sei que não tenho escolha para responder. Não importa o quanto queira desviar o rosto, meu olhar permanece no jovem príncipe. Ele abre um sorriso tímido para me encorajar. Fico imaginando que garota ele escolheria para si.

Quem eu escolheria para mim? Se nada disso tivesse acontecido, se o mestre de Justin não tivesse morrido, se nunca tivessem quebrado a mão de Sofia. Se, a pior palavra do mundo.

Recrutamento. Sobrevivência. Crianças de olhos castanhos com meus pés ligeiros e o sobrenome de Justin. Esse futuro já era quase impossível antes. Agora, é inexistente.

— Prometo-me a você, Shawn Mendes — digo, batendo os últimos pregos do meu caixão. Minha voz vacila, mas não paro. — Aceito.

É tão definitivo que é como fechar a porta para minha vida anterior. Tenho a impressão de que vou desabar, mas consigo dar um jeito de sentar graciosamente.

Shawn cai de volta ao assento, grato por sair dos holofotes. A mãe acaricia seu braço para reconfortá-lo. Abre um sorriso suave, só para ele. Até os prateados amam seus filhos. Mas ela volta a enrijecer quando Lauren levanta; seu sorriso desaparece num piscar de olhos.

Parece até faltar ar no salão depois que todas as garotas inspiram fundo à espera da decisão. Duvido que Lauren tenha tido alguma voz na escolha da rainha, mas ela representa bem seu papel, como Shawn, como estou tentando. A herdeira abre até um sorriso luminoso que arranca suspiros de algumas garotas. Seus olhos, porém, carregam uma solenidade terrível.

— Sou herdeira de meu pai, nascida num berço de privilégio, poder e força. Vocês me devem fidelidade, e eu lhes devo a vida. É meu dever servir a vocês e a meu reino da melhor maneira que puder, e mais.

Lauren ensaiou o discurso, mas é impossível fingir esse fervor. Ela acredita em si mesmo, acredita que será uma boa rainha… ou morrerá tentando.

— Preciso de uma rainha tão disposta ao sacrifício quanto eu para manter a ordem, a justiça e o equilíbrio.

As participantes da Prova Real se inclinam para a frente, ansiosas para ouvir as próximas palavras. Mas Keana, com um sorriso malicioso e obsceno no rosto, não se mexe. O restante da Casa Issartel parece igualmente calmo. Seu irmão Austin chega a conter um bocejo. Eles sabem quem é a escolhida.

— Lady Keana.

Não há qualquer surpresa, choque ou comoção nela. As outras garotas, por mais que estejam de coração partido, apenas recostam novamente e dão de ombros. Todo mundo já sabia. Lembro da família gorda no Jardim Espiral reclamando que Keana já tinha vencido. Eles estavam certos.

Com uma elegância fluida e fria, Keana levanta. Mal olha para Lauren. Em vez disso, volta o rosto para trás para tripudiar sobre as concorrentes vencidas. Deleita-se em seu momento de glória. Um sorriso assombra seu rosto quando seus olhos recaem sobre mim. Não deixo passar batido o brilho ferino dos seus dentes.

Quando ela volta a olhar para a frente, Lauren repete a proposta do irmão.

— Sob o olhar do meu magnífico pai e desta nobre corte, gostaria de pedir sua mão em casamento. Prometo-me a você, Keana Issartel. Aceita?

— Prometo-me a você, princesa Michelle — sua voz sai estranhamente aguda e abafada, contrastando com sua aparência dura. — Aceito.

Com um sorrisinho triunfante, Keana volta ao assento e Lauren faz o mesmo. O sorriso dela, porém, é rijo como uma armadura, mas a outra garota não parece notar.

Do nada, sinto uma mão contra meu braço, e unhas começam a arranhar minha pele. Luto para segurar o impulso de pular da cadeira. Keana não reage, ainda com o olhar fixo no lugar que um dia será seu. Se estivéssemos em Palafitas, arrancaria seus dentes com um soco. Seus dedos afundam em mim até a carne. Se ela tirar sangue — o sangue vermelho — nosso joguinho terá acabado antes mesmo de ter começado. Contudo, ela para antes de cortar minha pele, deixa apenas vermelhões que as criadas terão de esconder.

— Fique no meu caminho e matarei você devagar, menininha elétrica — ela sussurra através do sorriso.

Menininha elétrica. Esse apelido começa a me dar nos nervos.

Para reforçar seu ponto, a pulseira de metal escovado em seu pulso muda, transformando-se num círculo de espinhos afiados. Cada uma das pontas brilha como que implorando para derramar sangue. Engulo em seco, tentando não me mover, mas ela logo me solta. Sua mão repousa sobre o colo, e Keana volta a ser a imagem recatada de uma moça prateada. Se existe no mundo uma pessoa que pede para levar uma cotovelada é Keana Issartel.

Um rápido passar de olhos pelo salão me revela uma corte cabisbaixa. Algumas garotas estão com os olhos marejados e encaram Keana, e até a mim, com um rancor selvagem. Provavelmente esperaram a vida inteira por este dia, só para fracassar. Quero me livrar do juramento, dar aquilo que querem tão desesperadamente. Só que não posso. Tenho que parecer feliz. Tenho que fingir.

— Por mais fantástico e feliz que o dia de hoje tenha sido — diz o rei Michael, ignorando o sentimento no salão — devo lembrar a todos do porquê desta escolha. O poder da Casa Issartel unido á minha filha, e aos filhos da minha filha, ajudará a guiar nossa nação. Todos os presentes sabem da situação precária do nosso reino, com guerra ao norte e extremistas tolos, inimigos do nosso modo de vida, tentando nos destruir por dentro. A Guarda Escarlate pode parecer pequena e insignificante, mas representa uma mudança perigosa para nossos irmãos vermelhos.

Mais de uma dúzia de pessoas, até eu, fazem cara de desdém ao escutar o termo “irmãos”.

Pequena e insignificante. Então por que precisam de mim? Por que me usar se a Guarda Escarlate não é nada para eles? O rei é um mentiroso. Mas ainda não sei bem o que tenta esconder. Poderia ser a força da Guarda. Poderia ser eu mesma.

Provavelmente as duas coisas.

— Caso tal levante rebelde venha a se consolidar — ele prossegue —, terminará em carnificina e em uma nação dividida, o que não posso tolerar. Precisamos manter o equilíbrio. Keana e Karla nos ajudarão a fazer isso, para o bem de todos nós.

Cochichos percorrem a corte após as palavras do rei. Alguns dos presentes concordam com a cabeça, outros parecem irritados com o resultado da Prova Real, mas ninguém manifesta seu descontentamento. Ninguém levanta a voz. Ninguém escutaria quem o fizesse. Sorrindo, o rei Michael inclina a cabeça. Sabe que ganhou.

— Força e poder.

O lema ecoa pelo salão à medida que cada um dos presentes diz as palavras.

Elas se enroscam na minha língua, talvez por se sentirem deslocadas na minha boca. Lauren me encara para me ver unida ao coro dos demais. Neste momento, tenho ódio de mim mesma.

— Força e poder.

Sobrevivo ao banquete: olho sem ver, ouço sem escutar. Até a comida — mais comida do que já vi em toda a minha vida — não tem graça na minha boca. Eu deveria estar enchendo a barriga, aproveitando a melhor refeição da minha vida, mas não consigo. Não consigo sequer falar quando Shawn vem cochichar com sua voz calma e equilibrada para me reconfortar:

— Você está se saindo bem.

Tento ignorá-lo. Como a irmã, também usa uma pulseira de metal, a marca das chamas. É um lembrete sólido de quem e o que Shawn exatamente é: poderoso, perigoso, ardente e prateado.

Sentada à mesa de cristal, bebo um líquido dourado e espumante até minha cabeça começar a girar. Sinto-me uma traidora. O que meus pais estão jantando esta noite? Será que sabem onde estou? Ou minha mãe está na varanda à minha espera?

Em vez disso, estou presa num salão cheio de gente que me mataria se descobrisse a verdade. E com a família real, claro, que me mataria se pudesse, e que provavelmente vai me matar um dia. Viraram-me do avesso, trocaram Camila por Karla, a ladra pela coroa, trapos pela seda, vermelho por prateado. Esta manhã, eu era uma criada, à noite, sou princesa. O que mais mudará? O que mais perderei?

— É suficiente — Shawn diz com uma voz capaz de se esgueirar pela agitação do banquete. Ele toma o cálice luxuoso da minha mão e o substitui por um copo d’água.

— Gostei dessa bebida — digo, ao mesmo tempo que viro a água de um gole só para clarear as ideias.

Ele apenas dá de ombros.

— Você vai me agradecer mais tarde.

— Obrigada — emendo do jeito mais sarcástico possível.

Não esqueci a maneira como me olhou hoje de manhã, como se eu fosse alguma coisa grudada na sola do sapato. Mas seu olhar agora é mais doce, mais calmo, mais parecido com o de Lauren.

— Sinto muito por hoje de manhã, Karla.

Meu nome é Camila.

— Com certeza sente — respondo.

— É sério — ele diz, inclinando-se para perto.

Ambos sentamos lado a lado com o resto da família real na mesa principal.

— É que… — ele começa a explicar — … geralmente os príncipes mais novos têm a chance de escolher. É um dos poucos benefícios de não ser o herdeiro — ele completa com um sorriso horrivelmente forçado.

Ah.

— Não sabia disso — respondo, sem ter o que dizer. Eu deveria sentir muito por ele, mas não consigo me obrigar a ter qualquer pena de um príncipe.

— É, bom, você não tinha como saber. Não é culpa sua.

Ele lança um olhar para o salão em festa, como se quisesse pescar alguma coisa. Me pergunto que rosto estaria procurando.

— Ela está aqui? — cochicho, tentando parecer contrita. — A garota que você escolheu?

Ele hesita para depois negar com a cabeça.

— Não, eu não tinha ninguém em mente. Mas era legal ter a opção de escolher, sabe?

Não, não sei. Não tenho o luxo de escolher. Não tenho agora e nunca tive.

— Não é como minha irmã. Ela cresceu sabendo que não teria voz no próprio futuro. Acho que agora tenho um gostinho de como é ser ela.

— Você e sua irmã têm tudo, príncipe Shawn — meus sussurros saem tão fervorosos que poderiam ser uma oração. — Você mora num palácio, tem força, tem poder. Não saberia o que é dificuldade nem se ela te desse um chute na cara. E acredite: ela faz isso direto. Então, perdoe-me se não sinto muito por nenhum de vocês.

Lá vou eu, deixando a boca passar na frente do cérebro. Aos poucos, recupero o controle, bebendo mais água na tentativa de esfriar meus ânimos. Shawn, por sua vez, apenas me encara com olhos frios. Logo, todo esse gelo começa a derreter à medida que o olhar do príncipe se torna mais terno.

— Tem razão, Camila. Ninguém deveria sentir muito por mim.

Dá para ouvir a amargura na sua voz. Estremeço ao vê-lo lançar um olhar sobre Lauren. Sua irmã mais velha está radiante como o sol, rindo junto ao pai. Quando Shawn se volta novamente para mim, força outro sorriso, mas há uma surpreendente tristeza nos seus olhos.

Por mais que eu tente, não consigo ignorar a pontada de pena que sinto pelo príncipe esquecido. Mas passa quando lembro quem ele é e quem eu sou.

Sou uma garota vermelha em meio a um mar de prateados. Não posso me dar ao luxo de sentir pena de alguém, menos ainda do filho de uma cobra.


Notas Finais


Tenho que dizer que maven (o personagem do shawn) é o meu personagem favorito da sequencia de Red Queen, mesmo! Eu tenho um amor muito grande por ele, tanto que cheguei até a ficar na dúvida de colocar Lauren como o maven, mas bom, algumas circunstancias me impediram, além de que talvez vocês me odiariam por isso mais pra frente, mas poxa eu protejo o maven com todo o meu amor e carinho, de verdade. Tenho certeza de que vocês também vão criar esse laço com o maven (shawn no caso), ou não ne mas puff só queria dizer mesmo.
Espero que estejam gostando :)


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