História Red Tears - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Palavras 4.105
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação, serão noites inteiras, talvez com medo da escuridão”
— Será, Legião Urbana

Capítulo 2 - Pilot


Fanfic / Fanfiction Red Tears - Capítulo 2 - Pilot

Capítulo 1

Pilot

 

Era uma vez, um antigo reino europeu, ao leste da França. Tal reino era conhecido pelos reinos vizinhos pela pouca habitação e a pequena extensão territorial, entretanto, era desenvolvido em comparações a outros reinos. 

Em meio às floresta que rodeavam tal reino, uma família morava tranquilamente em uma das mais antigas residências de famílias aristocratas de toda a França.

A casa pertencia, desde gerações, a família Hatsune. Hoje, a mansão dirigida por Mikuo Hatsune e sua amada esposa Gumi Hatsune.

Desde o casamento dos dois primogênitos de ambas as famílias — ambas iguais em reputação e riquezas, o casal feliz almejava serem dignos de receberem a maior das honras que um casal jovem poderia receber; um filho. Gumi sentia-se pronta para poder cuidar de uma alma menor que a sua, uma alma dependente de si, enquanto Mikuo sempre se viu capaz de ajudar sua esposa.

O maior sonho do casal tornou-se realidade quando Miku Hatsune foi concebida. A felicidade desmedida do casal causou uma grande festa na mansão, em comemoração ao novo bebê da família Hatsune.

Mas, mesmo nas famílias mais felizes e bem sucedidas, sempre há lugar para que a tristeza paire. Gumi foi diagnosticada com uma doença terminal que infelizmente iria requerer cuidados especiais, cuidados que seriam específicos, mas, infelizmente, deveria ser para apenas um. Ela deveria escolher entre a sua própria vida ou a vida de sua filhinha.

Como uma mãe sonhadora, ela decidiu dar a sua vida pela de sua filha.

Assim, no dia do nascimento de Miku Hatsune, Gumi Hatsune, sua mãe, morreu.

Mikuo Hatsune, seu pai, ficou desolado com a perda da mulher que ele mais amava. Ver que a sua filha era a responsável pela tristeza que ele sentia por ter que viver sem a mulher de sua vida, o magoava profundamente; ver que Miku crescia tão graciosa e bela quanto Gumi fazia com que a tristeza em seu coração aumentasse ainda mais.

Em sua mente, aquela garota era a responsável por toda a desgraça em sua vida, toda a tristeza e desolação que sentia pela saudade constante da mulher que ele mais amou em sua vida, portanto, Miku cresceu sendo negligenciada pelo próprio pai, apenas porque ela crescia tão sábia e gentil como sua mãe era. À medida que a garota crescia, ela era cada vez mais mimada pelos empregados, pelo menos assim, talvez, ela pudesse crescer melhor consigo mesma, talvez assim, não se sentisse mal pelo seu pai não amá-la, entretanto, o coração humilde e a mente gentil não deixava que ela se tornasse a criancinha mimada que as pessoas esperam de uma garota tão rica como ela era.

Seu pai, por outro lado, não gostava dos mimos que os empregados davam para a sua filha, afinal, ela não merecia. Em sua mente, ela era uma assassina, afinal, se ela nunca tivesse sido concebida, certamente Gumi ainda estaria viva e eles poderiam viver felizes para sempre na mansão de seus antepassados.

A tristeza constantemente crescente no coração de Mikuo fez com que o rapaz fosse à loucura.

Em uma noite fatídica, quando Miku tinha nove anos, o homem aproximou-se lentamente de sua pequena filha. A visão inocente da pobre garota iluminada pela lua cheia dava uma dor cortante em seu coração, mas, infelizmente, o rapaz sabia o que precisava ser feito. Aquilo era melhor do que deixá-la crescer da maneira que crescia; não amada pelo seu pai.

Com o remorso corroendo o seu coração, ele tentou asfixiá-la com o próprio travesseiro. A criança desesperada pelo ar tentava gritar por ajuda, tentava pedir para que seu pai parasse de fazer aquilo, mas sua voz era abafada pelo seu travesseiro de penas. O homem desesperado pelo que acontecia não conseguiu terminar o trabalho que fazia, sentindo-se um tolo por isto. Ele afrouxou seus braços fazendo com que a criança fugisse de seu pai, pelo medo do homem tentar matá-lo, de novo.

Poucos dias depois da noite fatídica, toda a mansão ficou chocada com um acontecimento.

Mikuo Hatsune foi encontrado enforcado em seu escritório.

A notícia não pôde deixar de chocar todos os habitantes que moravam ali. Desde os empregados que praticamente viram o rapaz crescer e tornar o homem bem sucedido que era antes de sua morte, até a sua pequena filha que se sentia completamente sem rumo.

Era apenas uma pequena garota, não sabia o que deveria fazer, apenas sabia que não tinha ninguém que pudesse guiá-la pela escuridão; não teria ninguém que seguraria a sua mão quando precisasse, ninguém iria ajudá-la quando precisasse.

Mesmo que a sua pouca idade não lhe fizesse pensar em todos os aspectos de seu futuro, ela sabia que nada seria do jeito que deveria ser. Ela não tinha mais pais, então não tinha mais porto seguro, não tinha mais ninguém que pudesse ajudá-la a passar pelas provações que a vida pudesse apresentar.

O desespero fez o doce coração da garotinha, esfriar.

10 ANOS DEPOIS

Agora como única herdeira viva de toda a riqueza que a família Hatsune conseguiu adquirir depois da junção das famílias Hatsune e Megpoid, Miku seguia sua vida como dona da mansão Hatsune e a pessoa que iria receber a herança que seus pais construíram. Ela comandava sua mansão com punho de ferro; não permitia erros, não permitia que seus empregados cometessem nenhum equívoco ou desrespeito, e, quando cometiam, eram despedidos sem dó nem pena.

A principal empregada que já recebera diversos sermões de Miku era Haku Yowane, uma das empregadas mais novas da mansão. Ela não estava acostumada com a personalidade forte e sempre cometia erros e mais erros por ser iniciante neste trabalho de empregada. Ela aceitara este trabalho por causa do salário farto que sua chefa oferecia, afinal, o dinheiro que dispunha para dar aos empregados não era pouco; sua família estava passando por problemas financeiros, principalmente depois que seu pai foi expulso do palácio, onde ele trabalhava como tesoureiro; sua mãe estava doente e suas irmãs completamente cheias de necessidades pelos filhos pequenos que tinham. Era seu dever cuidar de toda a sua família, mas não tinha uma boa formação acadêmica, na verdade, nem sabia ler ou escrever, apenas trabalhava em trabalho braçal.

Miku sabia da situação em que Haku estava metida, apenas a aceitava em sua mansão por remorso, mas, ela não tinha privilégios que ela esperava que tivesse. Ela era apenas mais uma empregada de sua mansão e não receberia tratamento especial por causa da situação em que sua família estava metida, muito pelo contrário, se ela estivesse tão desesperada como ela parecia estar, deveria se esforçar mais do que o normal para dar uma estadia confortável à governanta que cuidava de tudo. Mas, ela parecia desleixada e pouco experiente, o que era um problema sério, que deveria ser consertado o mais rápido possível.

Como em todas as suas manhãs, Miku estava sentada, lendo tranquilamente um livro na varanda da cobertura de sua mansão. Ela escolhia as obras que lia com cuidado, enquanto tomava um delicioso chá de jasmim, vendo o céu enevoado libertando os raios solares.

Mais uma noite que passara acordada graças aos constantes pesadelos que tinha envolvendo seu pai. Não sabia porque se sentia tão assombrada pela memória de seu pai, desde que ele morrera, a garota fizera uma promessa a si mesma que deixaria o passado no passado e não ligaria mais para aquele fatídico dia, não havia motivo para guardar rancor ou remorso, afinal, o responsável por aquele dia já estava morto e decomposto em sua tumba.

Dois leves batidos na porta de vidro de sua varanda chamaram sua atenção, era seu mordomo particular Kiyoteru Hiyama, ele trajava um terno chique de coloração amarronzada, enquanto esperava pacientemente que sua chefa desse ordens para que ele pudesse entrar. Assim feito. A mulher abriu a porta calmamente, dando o espaço necessário para que o homem pudesse ficar em sua companhia.

— Bom dia, senhorita. Gostaria de algo em particular para o seu café da manhã? — perguntou o rapaz, fazendo uma caprichada reverência para a sua chefa. A mesma apenas dera mais um gole em seu tão amado chá, antes de responder a pergunta inexpressivamente.

— Não, esperarei o dia sair definitivamente antes de tomar o meu café da manhã — respondeu impassivelmente. O rapaz apenas acenara positivamente com a cabeça, em sinal de entendimento, ele endireitou a postura e então juntou suas mãos à frente do corpo; a mesma olhou nos olhos castanhos do homem. — Algo mais que queira me dizer?

— Sim. A senhorita Megurine a espera na entrada da mansão; posso deixá-la entrar?

— Sim, deixe-a entrar, mas não a mande aqui em cima. Prefiro arrumar-me completamente antes de encontrar com ela, explique-a a situação e peça que ela espere; descerei em poucos minutos — dito isto, o rapaz concordou silenciosamente, antes de fazer mais uma reverência e deixar a sala rapidamente. A garota o seguia com o olhar, até que o mesmo desaparecera seguindo pelo largo corredor do andar, ela voltou o seu olhar para frente e dera mais um gole de seu chá, lendo mais uma linha de seu livro.

Espero que o dia torne-se mais belo do que está agora, pensou imparcialmente, voltando toda a sua atenção para a estória que lia calmamente em seu livro; não tinha a mínima pressa para encontrar sua amiga, quem sabe assim ela tornasse-se mais calma e conseguisse esperar pacificamente.

Desde a sua infância, Luka Megurine foi uma das únicas pessoas que mantiveram contato com ela. Ela fazia parte de uma das famílias mais influentes do reino e amigos pessoais da família real; a família Megurine e a família real Shion tinham antigos laços de amizade que se fortaleceram cada vez mais pela ação do tempo, até que a filha mais jovem da família Megurine conhecesse o príncipe Kaito Shion, quando ambos tinham nove anos de idade.

Luka sempre falara à Miku que havia sido amor à primeira vista. Ela apenas se apaixonara platonicamente pelo príncipe no mesmo minuto em que pusera seus olhos nos olhos azul-petróleo do príncipe.

Para Miku, aquilo não passava de simples conversa de adolescente apaixonada. Era claro para todos; o amor platônico que ela tinha pelo príncipe, mas jamais achara que passaria de algo assim; sabia que Kaito não sentia o mesmo por ela, mesmo que jamais o tivesse encontrado, sabia que nenhum rapaz gostaria de uma moça tão oferecida como Luka demonstrava ser. Sabia que a garota tinha certa rivalidade com uma das plebeias do reino, afinal, ambas disputavam o amor do príncipe em mesmo nível; o amor platônico que elas dividiam por Kaito era algo realmente triste.

Mesmo que Luka fosse alguém que se merecesse estar por perto; uma garota sem igual, o seu pior defeito sempre foi a obsessão elevada que ela tinha pelo príncipe, afinal, era apenas um garoto, um jovem adulto assim como todos os outros. Mas que parecia que a classe social que ela tinha era o convite assinado para várias garotas desesperadas para conseguir ter uma simples dança com ele.

Garotas superficiais; é claro.

Como as suas primas.

Lily e Neru Akita eram suas primas por parte de mãe. Filhas de Lola e Nero Akita, um casal desprezível e superficial que apenas via a beleza exterior das pessoas e depravava todos aqueles que não demonstrassem serem dignos de estar em sua presença, sendo que, na verdade, ninguém merecia estar em sua presença. Ninguém deveria ser torturado a passar poucos segundos sequer com eles; afinal, não tinham nada de interessante para provar aos outros, apenas a diminuta ação cerebral.

[...]

Trajando uma simples roupa esverdeada, com seus costumeiros saltos brancos, Miku descia calmamente as escadas em direção à sala de estar, onde encontraria com sua velha amiga que a esperava calmamente.

Passando pelos corredores de sua casa, largos quadros mostravam sua antiga família. Quadros antigos do casamento de seus pais; de seu nascimento, enfim, tudo que um artista renomado pudesse imortalizar em um quadro. Claro, para Miku, tudo aquilo era extremamente desnecessário, tanto que jamais deixara que um artista pudesse pintá-la desde que completara dezenove anos.

Ela encarava fixamente os quadros que passavam por ela, até que encontrou um quadro de seu pai sozinho. Ele trajava um terno branco com ombreiras douradas, seus cabelos esverdeados e os olhos de mesma cor eram imponentes e passavam a confiança que ele tinha sobre si mesmo. A garota encarava os olhos de seu pai naquele quadro, refletindo sobre tudo o que ele a fizera passar.

Eu sou mais parecido com você do que com a mamãe, pensou calmamente. Ela passou os dedos pela placa dourada que estava abaixo da moldura adornada do quadro de seu pai, ali dizia “Mikuo Hatsune, 1601 - 1640”, seu pai morrera mais cedo do que deveria; plenos trinta e nove anos.

Suas memórias antigas de sua infância, quando seu pai ficava todos os dias trancado em seu escritório, fazendo sabe-se lá o quê apenas para não ter que ficar passando o tempo com sua filha; os dias que ele simplesmente a ignorava e a dizia claramente o quão insignificante ela era para ele. Por mais que ela não quisesse, aquilo ainda doía. Uma dor cortante em seu coração que parecia queimá-lo de dentro para fora.

Poxa, era seu pai. Sua obrigação era amá-la mais do que tudo em sua vida, mas aquilo não foi bem recebido por ele, que parecia nem se importar com a vida que ele pusera no mundo. Pobre garota ela foi. Mesmo tendo todas as riquezas do mundo, jamais tiver aquilo que mais importava para todos: o amor de seus pais.

Mãe morta.

Pai negligente.

Preferia nem estar viva se fosse para viver desta forma.

— Senhorita? — a voz calma de Teto Kasane chamou sua atenção. Era uma das empregadas mais antigas que tinha em sua casa, mesmo que ainda se mantivesse jovem. A garota já era bem mais experiente e acostumada com os costumeiros chiliques de ganância que a garota tinha e já havia aprendido a entender, por mais complicado que fosse.

— Sim, Teto? — falou calmamente. Precisava se recompor depois de tal sessão de reflexão que teve consigo mesma. Teto, por outro lado, havia visto a expressão triste no rosto de sua chefa, uma expressão bem difícil de ser encontrada, afinal, a garota parecia esconder sua tristeza nas profundezas de seu coração frio. — Será que poderia retirar todas estas pinturas? Seria muito mais bonito se colocassem bandeiras com o brasão de minha família... — falou calmamente. Não se exaltava quando falava com seus empregados, apenas demonstrava sua convicção naquilo que dizia.

— Sim, senhorita. Tudo o que quiser — falou respeitosamente, antes de reverenciar sua chefa. A esverdeada continuou seu caminho em direção a sala de estar deixando sua empregada para trás. A mesma a encarou pelas costas, realmente sentida por ver como uma criança tão doce, gentil e brincalhona havia se tornado aquela pessoa tão fria e gananciosa.

Descendo rapidamente as escadas, Miku conseguia ver sua amiga encostada na parte de trás de seu sofá, a encarando curiosamente. A esverdeada descia as escadas sem demonstrar nenhum tipo de excitação na presença de sua amiga em sua casa, estava indiferente, como sempre. Mas, para Luka, nada passava despercebido, até mesmo a maneira que ela utilizava para escorregar sua mão pelos corrimãos da escada de mármore eram algo suspeito.

— Olá, minha cara — disse Luka afetuosamente. Miku não respondera de imediato, apenas aproximara de sua amiga e fizera uma breve reverência, que foi seguida por Luka. A Megurine não estava muito certa que sua amiga estava como normalmente, da maneira que a Hatsune gostaria que ela acreditasse, conhecia sua amiga muito bem para saber quando estava abalada. — Aconteceu algo?

— Não, não aconteceu nada — falou rapidamente olhando profundamente nos olhos azuis de sua amiga. — Enfim, o que faz aqui, minha cara? — perguntou calmamente, juntando suas mãos à frente do corpo. O olhar curioso de Luka percorreu todo o corpo de Miku, ela procurava algum sinal físico que sua amiga estivesse querendo esconder; mãos tremeluzentes, inquietação de dedos ou até chocalho de pés, qualquer coisa que demonstrasse ansiedade.

— Ora, apenas vim aqui para ver minha antiga amiga. Espero que não esteja incomodando — falou calmamente, aproximando-se lentamente da amiga, no intuito de dar um simples abraço nela. Miku, por sua vez, afastou-se quando percebeu que Luka queria abraçá-la, nunca foi chegada em expressões claras de afeto e apreço.

— Não, não se preocupe, não está incomodando. Acompanha-me? Irei tomar um chá no quintal — falou calmamente. A garota mostrou a porta de saída de sua casa, fazendo Luka abrir um sorriso fechado para a moça antes de concordar silenciosamente com a cabeça.

[...]

Já acomodadas na mesa de vidro que existia no gazebo da mansão de Miku, Miku e Luka conversavam descontraidamente enquanto Haku servia o chá para ambas as damas, com certo descuido em suas mãos trêmulas e inquietação em seus dedos, com medo de errar e acabar por derrubar chá em uma das damas.

Deus quisesse que isto não acontecesse, senão ela seria despedida em dois segundos.

— Então, Luka, há algum motivo em particular para querer vir aqui? — perguntou Miku sorridente, a mesma esperava pacientemente que Haku servisse seu chá. Luka olhava igualmente sorridente para Miku, os momentos que ela tinha com sua amiga eram completamente inesquecíveis. As conversas que elas tinham em particular eram frases que ficavam gravadas eternamente nas memórias de ambas, sem falar que representava algo muito mais importante, afinal, era um dos únicos momentos em que Miku demonstrava estar realmente feliz com a presença de alguém.

— Muitos motivos, na verdade. O reino está cada vez mais interessante — Luka falou com um sorriso provocante em seu rosto, agradecendo em voz baixa a moça que servia o chá para elas. — Primeiramente, saiba que os irmãos Sakine decidiram atacar gratuitamente uma família em um dos bairros mais pobres do reino... pelo visto a má formação cerebral é algo comum em todos daquela família.

— Vejo que, quanto mais o tempo passa, menos você consegue suportá-los, hein, querida amiga — disse Miku sarcasticamente, retirando uma expressão repreendedora da parte de Luka. Miku riu com tal ação da amiga. — Mas, enfim, sabe qual foi a família que eles ridicularizaram?

— Sim. Se não me engano, era a família Yowane — disse Luka rapidamente, dando um longo gole em seu chá. Miku também não via tanto pensar no nome daquela família, entretanto, mesmo que não quisesse prestar atenção na conversa de sua chefa, Haku ouvia claramente. Sua família havia sido ridicularizada pela víbora da Meiko Sakine, uma das nobres mais egocêntricas e arrogantes que existiam em todo o reino de Genebra. Sempre demonstrando o quão rica a sua família era, sempre demonstrando seu desprezo pela gente como Haku: pobres.

Haku parecia ter imergido em pensamentos deprimidos. Sua família estava passando por uma situação tão difícil, pelo que havia ouvido certamente aquilo não era nada fácil para eles, afinal, já com a baixa auto-estima que tinham, deviam ter ficado completamente desolados; se sentindo como meros e insignificantes insetos. Pelo menos era assim que Meiko fazia com que eles se sentissem; a Yowane sentia nojo da família Sakine e completo remorso dos pais daqueles irmãos. Bruno e Clara Sakine eram nobres respeitados em todo o reino, não deviam ter a decepção de ter filhos como eles.

— Haku, preste atenção! — Miku berrou para a empregada que voltou a si quando percebeu que estava transbordando a xícara de sua chefa. Haku sentiu seu coração palpitar por um segundo, tudo aquilo que poderia acontecer de errado com ela, acabara de acontecer. Por sorte não havia sido em sua calça, se não, já poderia fazer as malas.

— Sinto muito, senhorita... Perdoe-me — falou em voz baixa, tentando não levantar seu olhar para encontrar os olhos esverdeados de sua chefa. O medo estampado em sua face deixava o coração de Luka apertado, jamais esperava que sua amiga tivesse chegado a um ponto tão indiferente que se via contente em causar medo em um empregado, apenas por ele ter cometido um erro. Algo que jamais achava que iria acontecer.

Haku limpava aquela mesa o mais rápido que conseguia com o seu avental branco. Enquanto Miku olhava aquilo, completamente horrorizada, do jeito que Haku realizava o seu trabalho, ela acabaria por fazer com que um acidente acontecesse naquele quintal. Dito e feito. A mulher desesperada acabou por bater, acidentalmente, no bule de chá, o derrubando na grama fresca.

— Minha nossa, sinto muito, senhorita — a moça pegou rapidamente o bule de chá e o colocou em sua bandeja, continuando o trabalho de limpar a mesa com o seu avental, não percebendo a expressão reprovadora de Miku. Luka, por outro lado, percebia que não demoraria muito mais para que Miku desse um longo sermão em Haku.

— Pare — disse impressionantemente calma, levantando uma de suas mãos, mandando-a parar. Haku imediatamente parou o que fazia e encarou desesperadamente os olhos esverdeados de sua chefa. A mesma tinha um expressão reprovadora em seu rosto.

— Sinto muito, senhorita — disse Haku, antes de recolher a bandeja e direcionar-se para dentro da mansão. Miku encarou a moça que se afastava rapidamente, a expressão raivosa em sua face se alargava cada vez mais, assustando até mesmo Luka que quase não entendia o que acontecera ali.

— O que foi para que ela pudesse ter uma reação como esta? — Luka perguntou curiosa.

— Seu nome Haku Yowane, ou seja, a família que Meiko e Meito ridicularizaram era sua própria família. Compreensivo a reação que ela tivera — disse Miku calmamente. Ela segurou a alça de sua xícara e a aproximou de seus lábios, assoprando levemente a fumaça que saía do líquido na xícara.

— Pobrezinha... não deveria ter sido tão dura se sabia sobre a sua situação!

— E por que não? Pouco me importo sobre os seus dramas familiares, apenas quero que ela faça o seu trabalho corretamente. Não é para isto que ela está aqui? — Miku ironizou. Sua expressão impassível mostrava o quão indiferente estava sobre toda esta história, enquanto Luka, por outro lado, parecia que queria correr atrás de Haku e abraçar-lhe fortemente até que ela se sentisse bem. — Enfim, creio que não tenha vindo aqui para falar sobre os meus empregados. Continue o que você dizia.

— Enfim... Kaito acabou de voltar de uma viagem real... — Luka falou com as bochechas levemente coradas enquanto olhava dengosa para Miku. A esverdeada suspirou profundamente, sabia que não demoraria a que Luka começasse a falar sobre o príncipe. Velhos hábitos nunca mudam.

— Não, por favor, não! Eu me recuso a passar o resto deste lindo dia falando sobre o príncipe! — Miku falou suplicante. Luka sorriu com a reação de Miku, sabia que a amiga detestava quando ela começava a falar sobre o seu amor pelo príncipe, nada incompreensível, visto que a Megurine sempre exagerava.

— O que foi? Não vai me dizer que ele não é bonito!

— Pouco importa a beleza dele... enfim... o que tem o príncipe? — Miku falou arrastadamente, bebendo o seu chá o máximo que podia, se preparando psicologicamente para que sua amiga começasse a falar incontrolavelmente.

— Nada demais, ainda. Kaito me disse que o rei quer fazer um baile ao final do ano.

— Que notícia fascinante... — disse Miku irônica.

— Vamos lá, Miku, não seja tão pessimista. Quem sabe o que pode acontecer neste baile? Sabe que o rei Yuuma está pressionando Kaito o máximo possível para ele arrumar uma noiva. Não acha que estas duas informações estão unidas? — Luka falava sonhadora. Ela se imaginava sentada em um trono incrustado de esmeraldas e rubis, com uma bela coroa de ouro em sua cabeça. Rainha Luka. Havia algo melhor de se sonhar?

— Talvez, mas o que importa? De todas as jovens do reino, por que acha que o príncipe escolheria justo você? — disse Miku calmamente. — Quero dizer, por mais bela e interessante que você seja, estará competindo com um reino inteiro, incluindo com Meiko Sakine, sabe que ela não largará o troféu por nada — Luka bufou com o comentário da amiga, retirando uma breve risada de Miku pela ação de sua amiga.

— Como se eu fosse perder para alguém como Meiko. Não se engane, minha cara, eu não sou tão fácil de derrubar quanto pensa — esboçando uma feição determinada, Luka deu uma risada pelo seu comentário. A mente de Miku não sabia o que esperar, apenas o pior.

Logo, logo, Luka e Meiko entrariam em uma guerra para que uma pudesse ter o amor do príncipe só para uma, o que causaria uma tremenda catástrofe na amizade que ambas mantinham com o príncipe. Luka, por mais impulsiva que fosse, deveria saber que não poderia lutar cara a cara com Meiko por algo que diga respeito ao príncipe, senão, as consequências seriam bem maiores do que ela poderia aguardar.

Mal sabia ela que, talvez, também entrasse nesta guerra que sua amiga estava declarando.



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