História Redingray - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Big Bang, Block B, EXO, IKON, WINNER
Personagens B.I, B-Bomb, Bobby, Chen, D-Lite (Daesung), G-Dragon, Jinhwan, Junhoe, Kai, Lee Seunghoon, Mino, P.O., Personagens Originais, Seungri, T.O.P, Taehyun, Xiumin, Zico
Tags Bigbang, Hetero, Ikon, Inccubus, Winner
Exibições 93
Palavras 4.723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heey, people!! \o

E aí, conseguiram sobreviver a mais uma atrocidade do kpop? Disband de 2NE1, NamTae saindo do Winner... A bad virou uma amiga muito próxima depois de tudo isso. T^T

Maaas vamos falar de coisa boa. Esse cap ta dlç, bem leve e gostoso de ler. Espero que gostem!

Boa leitura! <3

Capítulo 22 - Apostas e Certezas


Fanfic / Fanfiction Redingray - Capítulo 22 - Apostas e Certezas

A brisa fresca de fim de tarde soprava em sua face e brincava com seus cabelos. As folhas que descansavam no chão eram levadas pela corrente invisível com sutileza, como se as acariciasse e as convencesse a se juntar a ela para serem livres. E era essa sensação que HyoMin queria encontrar na turbulência da tempestade que escorria por dentro de seu ser.

O atestado médico e a insistência de JiHo não foram o bastante para fazê-la ficar alguns dias em casa em repouso. Dois dias foram o bastante para se recompor –ou para acostumar-se com a dor generalizada a ponto de não ligar.

HyoMin se resumira a um robô feito de sucata, assim como o de O Mágico de Oz. Apenas existia, vazia, enferrujada e amassada. Infelizmente, não dera a sorte de não possuir um coração. Porém o seu já se encontrava num estado decadente, em coma e batendo com a ajuda de aparelhos utópicos que o forçavam a continuar desempenhando seu trabalho.

O rompimento aparentemente definitivo com SeungHyun fora uma avalanche que fez naufragar seu pequeno e humilde acampamento no meio do nada. Ela se abrigou na neve, mas a mesma que lhe ofereceu suporte também tirou sua base, seu chão.

Desde então a jovem investigadora de campo afundou na única coisa que ainda lhe oferecia conforto: o trabalho. Uma mente ocupada jamais deixaria espaço para o sofrimento. O sentimento de ser destruída de dentro para fora era amenizado pela torrente de informação constante durante o dia, e as noites eram reservadas para a insônia e os pensamentos excessivos reprimidos ao longo do dia.

Um labirinto sem fim. Não adiantava fugir, então optou pela convivência com seu novo demônio: uma nova versão de si mesma. Não fora criada para depender de outro alguém ao lado e não seria agora que o faria. A vida seguia, com ou sem SeungHyun.

Outros universos continuavam intactos e precisavam dela. O caso no qual trabalhavam não fora finalizado apenas com a morte de Bobby, e não era de seu feitio apenas observar o mundo se destruindo sem fazer nada –ainda mais agora que tinha ciência do que estava por vir.

Momentos antes de chegar ao parque, Hoon telefonou e a convidou para um passeio para relaxarem. E lá estava ela, caminhando pelo parque enquanto o procurava em meio às árvores e pessoas. Não demorou muito para avistá-lo próximo a uma barraca de sorvete, onde acabava por pagar por dois deles.

- Estou muito atrasada?- ela perguntou ao se aproximar, roubando-lhe a atenção.

- Foi mais rápida do que imaginei.- o tom brincalhão se fez presente. Hoon levantou os picolés em frente ao rosto e os balançou.- Chocolate ou limão?

- Limão.- tomou o sorvete nas mãos e rasgou a embalagem num segundo.

- Você é a primeira mulher que nega chocolate.- comentou, boquiaberto.- De que planeta você é?

- Ahh, não exagere.- franziu o nariz e se pôs a caminhar ao lado dele.

- Está melhor?

Ela apenas assentiu com um sorriso pequeno. O novo amigo acabou se tornando um ótimo conselheiro mesmo sem saber ao certo os detalhes do que a deixara tão para baixo nos últimos dias.

Se tratando de uma quinta-feira, o parque até que estava cheio. Algumas crianças brincavam aqui e acolá, algumas pessoas passeavam com seus animais de estimação, e outros –como ela e Hoon- apenas aproveitavam uma tarde ociosa.

Acomodaram-se a alguns metros do lago, longe o bastante para ficarem a vontade e conversarem. HyoMin encarou o passeio como algo comum, uma vez que Hoon se prontificara a calar os traumas que ela desenvolvera e superar o término recente.

Em contrapartida, Hoon enxergava o momento como uma oportunidade para colocar tudo em pratos limpos. Tinha certeza que seu querido dongsaeng comeria seu fígado com um sorriso enorme no rosto, mas se sentia incomodado por permanecer calado diante de toda a bagunça desconhecida pela garota.

- Aqui é tão tranquilo.- ela comentou na tentativa de puxar assunto.- Até achei estranho a escolha. Você geralmente prefere lugares mais badalados, cheios de gente e perigosos.

 - Meu estilo de vida às vezes permite que meu lado zen tome conta.- a fitou, sereno.- E também, eu precisava de um lugar calmo para conversarmos.

HyoMin lhe dirigiu um olhar cismado, franzindo as sobrancelhas. Uma gota do sorvete pingou em sua mão.

- Aconteceu alguma coisa?

- Bom, muita coisa está acontecendo.- um sorriso sem humor, e os olhos migraram para o lado.- Como você está mais do que envolvida nisso, acho justo que saiba.

- Sobre o que estamos falando?- tomou uma postura séria e pouco tensa.

- Sobre Goonnie, você, eu e todo o caos que nos cerca. É um assunto delicado e prefiro que ouça tudo da minha boca. Tenho me sentido mal por ficar escondido nos bastidores.

Hoon enfiou a mão livre dentro da camiseta e retirou dali o pingente que trazia pendurado no pescoço. O cordão se entrelaçava a pena de material não identificável. HyoMin apenas acompanhava com curiosidade e receio.

- Imaginei que estivesse curiosa em relação ao que estava em jogo na chantagem do líder.- ele prendeu o pingente entre os dedos delicadamente.- Esse foi o motivo de todas as coisas saírem do controle.

- O que tem o colar?- indagou quase que instantaneamente. Não entendia porque Hoon simplesmente resolvera lhe contar o que Mino escondia a sete chaves.

- Se essa pena for queimada, serei enviado para o inferno. Bobby o roubou de mim e o usou num momento oportuno. Fez Goonnie escolher entre a minha vida ou a sua.

- Você...- ela parou por um momento, juntando as peças que ele lhe lançava sem cuidado. A hipótese causou-lhe um arrepio.- Você... não é humano?

Hoon balançou a cabeça em sinal negativo, prevendo que seria um choque para ela. E foi, mas não de um jeito completamente ruim. Ao contrário do que pensou, HyoMin não fez um escândalo ou o tratou com repulsa e pavor. Apenas estranheza por ter contato com algo novo se mostrava em suas ações e trejeitos.

- O que é você?- perguntou simplesmente, sem tirar os olhos dele.

Hoon sorriu, sentindo-se como um experimento nas mãos de uma criança. Era quase inocente. Virou-se para ela e levantou a blusa para exibir as costas. Duas cicatrizes grotescas começavam nas escápulas e se uniam em forma de V pouco a cima da altura dos rins.

- O q-que...- ela balbuciou, tapando a boca com a mão em função da surpresa.

- Fui um dos primeiros arcanjos a ser expulso dos céus. Pouco depois de Lúcifer, para ser mais exato.- explicou, assumindo a posição anterior.- Não sou um dos maus.

A desconfiança não abandonava as feições de HyoMin.

- Goonnie vai me matar quando souber que te contei.- brincou, querendo quebrar o clima estranho que se formara.

- Acho que precisamos aproveitar, já que ele sempre mantém as coisas por baixo do pano.

- Não está com medo?

- No fundo, beeeem no fundo, eu sabia que tinha alguma coisa de errado com você. Nunca pensaria nessa possibilidade. Você me enganou direitinho.- deu-se por vencida, deixando escapar um riso nervoso.

- Pode me bater, eu deixo.- fechou os olhos, esperando pelo movimento seguinte.

Não veio.

- Pelo menos você me contou.- desviou o olhar, percebendo a poça que seu sorvete havia se tornado.- Mas por que está me dizendo tudo isso?

- Uma guerra está prestes a acontecer. Não sei se você sabe, mas serins se voltaram contra os céus e o inferno, por isso eles têm matado pessoas a rodo como forma de conseguirem energia e ficarem mais fortes. Mesmo com Bobby fora da jogada, eles não irão parar.- avisou com certo pesar.- Pode ser que eles venham nos procurar a fim de vingar o líder. Sei que é muita informação, mas é justo que saiba para não ser pega desprevenida.

O olhar atônito e aflito encontrou o dele. As feições rígidas pela revolta de pessoas morrerem apenas para sanar o ego de outrem somado a uma razão fútil.

- Nós podemos fazer alguma coisa?

- Goonnie tem planos e os arcanjos já começaram a se infiltrar na Terra e se juntar aos demônios. São opostos, mas tem o mesmo objetivo em comum.- complementou.

 - Isso é loucura...- ela disse num murmúrio indignado. Quantos mistérios mais existiam naquela vã filosofia que era o mundo sensível?

- A propósito, alguém chegou.- Hoon indicou a direção mais além com o queixo.

HyoMin virou-se, pronta para encontrar um dos arcanjos do qual Hoon mencionara, mas não aconteceu. O semblante murchou ao se deparar com Mino, quem logo se acomodou ao lado deles.

- O que ele está fazendo aqui?- perguntou ela.

Os rapazes trocaram olhares cúmplices. Estavam de acordo com os próximos passos que seriam dados.

- Tem algumas coisas que o hyung não lhe contou. E recebemos a aprovação de JiHo para isso. Acredito que é um momento oportuno.- Mino comentou, e os olhos de HyoMin migraram diretamente para o outro, exigindo uma explicação plausível.

- O que raios está acontecendo aqui?- ela reclamou, inquieta.

- Você nunca se perguntou o porquê de não sentir durante os ataques de serins?- Hoon interveio, um pouco apreensivo com a reação que viria.- O pecado e a luxúria estão no nosso sangue, nas três raças, e qualquer estímulo carnal reage quase de imediato na vítima, como um prazer entorpecente. E essa espécie de poder não faz efeito em você.

 Ela coçou a cabeça como se tentasse colocar as peças no lugar.

- Acho que estou melhor sem saber dessas coisas improváveis e loucas.

- Min, nós analisamos a situação e formulamos hipóteses. Talvez você não seja... uma pessoa normal.

- Está dizendo que não sou humana? Céus, porque eu ainda fico surpresa com isso?- o riso nervoso não foi poupado, e então ela voltou-se para Mino.- E você, é o que? Um caído também? Um gnomo? A fada do dente?

- Eu não. Mas quanto a você já não posso dizer o mesmo.- Mino rebateu, acompanhando a desordem se formando no olhar feminino.- A princípio pensamos que Bobby estava atrás de você por vingança, mas era muito mais do que isso.

- Ele lhe disse algo suspeito?- foi a vez de Hoon perguntar.- Tente se lembrar.

- Ele só disse que eu havia estragado tudo e que as coisas tomaram esse rumo por conta de um ex-namorado.- disse pensativa.- Ele também me dopava... Mostrou fotos onde dormia comigo.

Mino remexeu-se, desconfortável.

- Provavelmente ele não fez nada, senão não estaria aqui agora.- Hoon a tranquilizou.- Nos conte sobre esse rapaz.

- Daesung? Era um namorado que tive no ensino médio.

- Kang Daesung?- os olhos de Hoon se arregalaram pela surpresa, e então ele estalou os dedos como se uma ideia tivesse lhe atingido em cheio.- Isso explica tudo!

A confusão pairou sobre os outros dois. Hoon prosseguiu.

- Ele era um caído supremo antes de reconquistar suas asas. Provavelmente ele lhe protegeu, por isso você é imune aos nossos poderes.

Antes de mais perguntas, Hoon ousou segurar o queixo dela e o inclinou em direção a ele. A estranheza passou para um sentimento atônito que a acometeu.

- Eu não vou fazer nada. Apenas fique quietinha.- Hoon a acalmou, presenteando-a com um sorriso plácido, assim como sua fala.

O polegar deslizou suavemente pelos lábios macios dela. Hoon conseguiu sentir um comichão em sua pele, que se estendeu por todo o corpo em velocidade recorde, e os olhos foram tomados por um negro profundo –característica de sua espécie. Apenas o pequeno toque acendeu seus instintos primitivos de caído.

Como se tivesse levado um choque, ele recolheu sua mão. Fechou os olhos por um momento, tomando as rédeas do início de um possível descontrole. Olhando agora, ele se lembrou de que não havia se alimentado nos últimos dias e que o efeito do beijo era real. Não só tornava imune a pessoa beijada, como também ampliava o efeito da maldição de outrem que não fosse o autor da magia.

- Não são os genes ruins. Daesung deve tê-la amado muito para lhe dar o beijo e lhe proteger de todos nós.- ele concluiu, engolindo em seco. Sentiu-se sufocado por um momento, e Mino logo percebeu.

- É um alívio.

- E então...?- HyoMin se intrometeu, tocando os lábios com os próprios dedos como Hoon fizera, procurando por algo. A pele parecia normal ao tato.

- Se você for beijada por um ser supremo de alguma das três raças, você se torna imune a nós. Isso pode ter acontecido em qualquer momento da sua existência, no caso, quando estava com Daesung. Digamos que é um antídoto.- Hoon explicou, levantando-se com um pouco de pressa. Os olhos dominados pelo breu intenso como a noite, quase aveludados.- Eu preciso ir.

E então saiu andando ligeiro com o celular na orelha.

HyoMin lançou um olhar questionador para Mino, quem apenas fez um sinal para que ela esquecesse. Continuaram ali, juntando os pedaços do quebra cabeça que obtiveram até ali. A morte de HyeJin, os serins, MinSeok, Bobby, a presença curiosa e enigmática do homem mascarado... Tudo estava interligado. Faltava apenas uma única peça para formar a imagem completa.

- MinSeok terá a resposta.- Mino assegurou, afiado.

- DongDaeMun nos espera.- ela afirmou, e Mino se surpreendeu com a confiança.

- JiHo pretende mantê-la fora de...

- Yaah, acha mesmo que eu vou desistir? Eu quase morri por esse caso, e agora que estamos tão perto, não vou jogar a toalha.- o cortou e Mino a fitou abismado, preocupado e satisfeito ao mesmo tempo.

Era visível o quando HyoMin estava disposta a reprimir em seu âmago todos os seus medos e usar a utopia como combustível para seguir em frente.

- A menina certinha vai desobedecer às ordens do chefe?

- Eu tenho você, e isso me basta. A responsabilidade será sua caso algo aconteça, Sr. Investigador de elite.- o sorriso de raposa se mostrou.- Não preciso me preocupar. Somos uma equipe, certo?

- Já estou começando a me arrepender disso.- alfinetou.

 

- - -

 

YuBin esparramou-se no sofá entre os dois irmãos, sem se preocupar com o olhar feio que recebeu de JunHoe por invadir seu espaço pessoal. A cerveja já estava em mãos como acompanhamento para uma noite relaxante. Uma noite que parecia ser aceita apenas por ela, afinal, HyoMin ainda mantinha-se ocupada com os preparativos para DongDaeMun, e o rapaz, enfiado no livro que escrevia. Havia mudado totalmente o tema, roteiro e tudo o mais, o que implicava em muito mais trabalho diante de um prazo tão apertado.

- Assim, eu acho que vocês dois deveriam parar.- ela reclamou, prestes a ter um chilique.

- Não é porque você não está trabalhando que nós devemos fazer o mesmo.- Hoe rebateu, ácido.

 - Eu estou de férias, para sua informação.- empinou o nariz na intenção de parecer superior.- E é minha escolha gastá-la com vocês dois, então façam o favor de me amar.

- Convencida.- o rapaz revirou os olhos, ganhando uma carranca da outra em resposta e um sorrisinho de HyoMin.

- Vocês ficam tão fofos juntos.

- Ele não merece essa felicidade toda na vida dele. Não me canso de dizer.- emburrou, tomando um gole da bebida.

 JunHoe parou imediatamente de escrever e a olhou, afetado com a acusação.

- Já que estamos no inferno, porque não abraçar o capeta?- alfinetou, abraçando-a em seguida.

HyoMin explodiu numa gargalhada. O rosto de YuBin adquiriu todas as colorações de vermelho pela raiva antes de enxotá-lo dali aos tapas. Não resolveu muito. Segundos depois, JunHoe ocupou o lugar ao lado de YuBin mais uma vez.

- Nunca esperei que estivesse viva para presenciar esse dia.- a mais nova comentou.

- Ele me deixa louca! Não sei como vou aturá-lo nessa viagem!- disse YuBin, histérica.

- Para onde vão?- HyoMin perguntou, curiosa. Já não se sentia tão à vontade com a ideia de ficar sozinha na casa.

- Bukhansan. O hyung nos convidou já faz um tempo, e com as coisas que aconteceram, vai ser uma boa oportunidade de esfriar a cabeça.- o caçula explicou, cauteloso.

Citar SeungHyun ou qualquer coisa relacionada a ele fazia com que o coração de HyoMin se apertasse. Possuía a confiança de ter feito a coisa certa para ambos e a consciência estava livre de pesos ou manchas. Contribuíram juntos para que a linha vermelha se rompesse. Um lado da tesoura constituído pela ausência dela, e o outro, pela desconfiança pétrea dele.

Foi o melhor que puderam fazer diante das circunstâncias claustrofóbicas e doloridas. Sabiam que o tempo iria curar, mas cinco anos de história, carícias e entrega eram difíceis de serem apagados, assim como pedras levadas pelas águas e depositadas no fundo do rio, desgastando-se aos poucos pelo atrito até sumirem por completo.

- Lá é muito bonito. Espero que se divirtam.- o sorriso forçado não ocultou o sentimento frouxo.

YuBin afagou a coxa da amiga e entregou um pacote de fritas -que retirou sem aviso prévio das mãos de JunHoe- na tentativa de confortá-la.

- Quando seu irmão me contou eu não acreditei.- YuBin soltou com o típico olhar de quem ansiava por fofocas e acabou recebendo um cutucão do mais novo.

- Que inconveniente. Ela ainda está chateada.- JunHoe resmungou. Os olhos grudados na tela do notebook. Já estava ficando louco por tentar escrever com a garota tagarelando em seu ouvido.

- Claro que eu sei, mas a fila anda.- ela olhou para HyoMin, esperando que ela concordasse.- Não é, baby? Não nascemos para chorar as pitangas por causa de macho. Eles precisam da gente mais do que nós precisamos deles, que, no caso, inclui estritamente trocar lâmpadas, arrumar a resistência do chuveiro e matar baratas.

- Exatamente! E já andou.- disse enquanto bebericava o conteúdo amarelado.

 - O que?!- YuBin e Hoe disseram em uníssono, tomados pela surpresa.

HyoMin não evitou a risada.

- Estou brincando.

- Não está não!- acusou, ajeitando-se no sofá de modo que suas costas ficassem voltadas a JunHoe.- É verdade, então? Você está com o Mino?

JunHoe soltou uma exclamação em protesto, disposto a começar um de seus sermões, mas YuBin tapou-lhe a boca firmemente com as mãos e o ameaçou de arrancá-lo da sala caso não ficasse quieto.

- Sério, baby? Logo ele?

- Deixe de ser louca, unnie. Ele é um bom amigo, só isso.- a tranquilizou, reprimindo a risada que certamente soaria suspeita.

Nada passava despercebido pela mais velha.

- Olha, não acho que você fez uma troca muito inteligente. Já conversamos sobre isso lá nos primórdios de sua parceria com ele e você viu no que deu. Ele já colocou sua vida em risco mil e uma vezes.- pontuou, tomando um comportamento sério enquanto ainda esmagava os lábios do garoto.

- Ele sabe lavar banheiro, arear panela e fazer um ramyun bacana.- cutucou, travessa. A expressão de YuBin logo mudou.

- Baby, vai fundo! Tem meu total apoio.

- Vocês querem o que? Um empregado?- JunHoe se pronunciou, indignado com as baboseiras que ouvia.

YuBin ocupou a pose de palestrante, pronta para citar a enorme lista de virtudes ideais que quebrariam a visão arcaica e machista que a sociedade ainda pregava.

HyoMin aproveitou a deixa e checou o celular em busca de mensagens. Uma foto de Mino apareceu na tela assim que selecionou sua notificação. Trajava uma camiseta listrada de branco e preto e uma jaqueta jeans clara por cima. Óculos de lentes transparentes e alaranjadas destacavam as sobrancelhas arqueadas e os olhos provocativos, e os cabelos negros cobriam parte da testa numa franja bagunçada.

“Pronto para bancar o fashionista no evento de DongDaeMun.”, estava escrito logo abaixo. HyoMin não conteve o sorriso de canto. Desde quando Mino se permitia divertimento numa viagem? E quem era ela para criticar? Parecia uma boa ideia para espairecer.

“Ficaria melhor com aquela calça verde limão com bolinhas laranja”, ela respondeu, sabendo que ele esperava por um elogio ou algo que lhe acariciasse o ego.

Ela abriu a foto mais uma vez e se demorou na imagem, em cada traço do rapaz. A imaginação vagueou por caminhos perigosos na área restrita que, até então, permitia a entrada apenas do ex-noivo. HyoMin fechou o arquivo e bateu com a palma em sua testa.

- O que eu estou fazendo da minha vida?- a pergunta retórica num murmúrio.

 

- - -

 

Um império comercial. DongDaeMun era um ícone quando o assunto se tratava de moda. Possuidora de mais de trinta mil lojas e cinquenta mil fábricas de confecção e ateliês, o conglomerado de shoppings liderava o ranking de mais famoso e renomado mercado fashion da Coreia do Sul.

Era ali que tudo acontecia. O lançamento de tendências, novos estilos, distintas combinações. Todo o processo podia ser sentido na vibração pulsante que o local desprendia.

A ideia saía do papel, os tecidos escolhidos a dedo se distorciam e ganhavam forma, a peça nascia de mãos talentosas e tornava-se referência.

Início, meio e fim. A mágica deslumbrava e encantava. E a vítima da vez era HyoMin.

Os pés ligeiros caminhavam pelos corredores do shopping enquanto os olhos varriam toda a informação em cada loja. Roupas, acessórios e sapatos para todos os lados. E melhor ainda: a um preço super acessível. Era difícil acreditar que roupas de ponta, tão lindas e bem trabalhadas como as de grife, se encontravam com um valor ótimo para qualquer tipo de público.

 Era inovação, era revolução, era a pérola encontrada dentro da concha.

HyoMin estava tão maravilhada que mal percebeu a partir de que momento as sacolas foram parar em suas mãos. Apenas três no total, mas sabia que se não se controlasse, acabaria com mais de doze delas.

Não estava lá como uma visitante ou para fazer compras. Dali a algumas horas teriam um evento no mesmo local, onde seriam apresentadas as novas coleções de verão. Lojas competiam pelo pódio, todas queriam ser campeãs de venda. E a coleção mais impactante certamente garantiria lucros e prestígios a mais com os donos do complexo de shoppings.

Ela parou por um momento e olhou ao redor. Imersa na emoção contagiante, acabara não notando que Mino não a acompanhava e sabe-se lá desde quando.

- Só pode ser brincadeira.- resmungou, buscando pelo celular na bolsa. Num lugar que se assemelhava a um labirinto ela nunca o encontraria. Só se tivesse muita sorte.

 Caminhou lentamente, o celular grudado na orelha esperando que a ligação fosse atendida. Devido ao horário, muitas pessoas ainda transitavam pelo local. Se o cenário se repetisse durante o evento, as probabilidades de encontrarem MinSeok eram quase nulas.

- Acho que alguém se lembrou da minha existência.- a voz grave ecoou do outro lado da linha. Não parecia muito feliz.

- Onde você está?

- Em Donghwa-dong.

Ela conseguia ouvir os sons do tráfego ao fundo.

- Você foi embora e me esqueceu aqui?- a voz levemente aflita foi tomada pela histeria e indignação.

- Não. Foi de propósito mesmo.

- Mino!- censurou. Podia sentir o sorriso dele.

A essa altura ela já caminhava pelo labirinto a procura de uma saída. O único problema era que Mino estava com o carro e ela não fazia ideia de como voltar para casa.

- Ainda está no shopping? Vá ao estacionamento subterrâneo. Estou indo te buscar.

 Um resmungo incompreensível finalizou a chamada.

Então era desse jeito que ele iria “proteger” a parceira no crime? As coisas não haviam mudado tanto quanto ela pensou. Na primeira oportunidade, Mino a abandonaria visando o próprio bem. Tinha tendência ao egoísmo.

Após descer alguns lances de escada rolante, chegou ao estacionamento. O carro estava parado numa vaga distante das outras, próxima à parede, e Mino estava encostado no capô com uma pose casual, relaxado. Os olhos se escondiam por detrás dos óculos escuros, mas ainda assim ela soube quando seus olhares se encontraram.

Aproximou-se, esbanjando certa prepotência. Não estava irritada ao todo, porém os resquícios de dúvidas começavam a brotar em sua mente mais uma vez e pinicar por debaixo da pele.

 - Nunca mais faça isso. Quase tive um ataque.- reclamou, apontando o dedo no peito dele.

O sorriso traiçoeiro foi tudo o que recebeu antes do rapaz dar a volta no carro e abrir a porta de trás para colocar as sacolas que ela trazia como se fossem seu novo tesouro.

- Eu não queria estragar sua diversão. Nem a alegria de uma criança no parque de diversões iria se equiparar a sua de consumidora impulsiva.- alfinetou. O olhar afiado veio como flechas em suas costas, mas ele tratou de ignorar.- Temos pouco mais de três horas até o início do evento. O que quer fazer?

- Bom, já detectamos a loja ligada a MinSeok, temos nossas credenciais, garantimos a invasão no sistema de câmeras que irão monitorar o local...- citou, riscando os itens de uma lista imaginária.- Tem algo em mente?

Mino titubeou, os dedos tamborilando por sobre os lábios formados num biquinho sutil.

- Isso pode ser uma pergunta perigosa.- os dedos deslizaram os óculos para cima, prendendo-os no topo da cabeça.

O desafio foi lançado através do olhar e a resposta positiva veio da mesma maneira. HyoMin não fazia ideia das intenções alheias, mas, vindo de Mino, só podia esperar o pior.

- Acho que virei adepta da filosofia de “viver perigosamente”.- recostou-se no capô ao lado dele, mas foi surpreendida quando ele a agarrou pela cintura e a colocou sentada ali.

As pernas dela balançavam no ar pela lateral do carro, uma de cada lado dos quadris do rapaz. Mino não a tocava em nenhuma parte, embora a distância tivesse reduzido consideravelmente. As mãos estavam apoiadas na lataria, e o tronco, ligeiramente inclinado para frente, na promessa de algo mais.

HyoMin o olhava com uma mistura de confusão e expectativa, enquanto Mino mordia o lábio para não rir. Gostava de provocá-la e desarmá-la com um mísero gesto. A garota sempre fora muito transparente e receptiva a toques de pele, mesmo que fosse só um abraço ou um beijo na bochecha. A inocência em alguns aspectos era a porta para ele conseguir seus objetivos: constrangê-la e ganhar o rubor nas bochechas.

- O que está fazendo?- ela perguntou, analisando-o. Não sabia porque, mas o simples gesto a desestabilizou, dando asas ao território promíscuo de sua imaginação. O mesmo que a atacara nos dias anteriores.

- O que você acha que estou fazendo?- revidou. O sorriso matreiro curvando-lhe os cantos dos lábios.

- Tentando me seduzir.- o riso irônico surgiu para ocultar os sinais de adrenalina com a possibilidade.

- E estou conseguindo?- o hálito quente soprou a resposta contra a pele de seu pescoço. Os lábios apenas roçaram a região, causando arrepios involuntários.

- Por que não tenta mais um pouco?- desafiou, arqueando uma sobrancelha em provocação.

Mino deixou escapar um riso convencido e voltou à posição inicial. Aproximou um pouco o rosto do dela sem pressa, como se pudesse testá-la. Os lábios pararam no meio do caminho. Uma fatia fina de ar os separava e nenhum dos dois se atreveu a cruzar a linha.

HyoMin não acreditava que ele estava provocando-a de tal maneira e acabara entrando no joguinho, mas estava perdendo miseravelmente. Seu lado louco, desajuizado e impulsivo ansiava pelo avanço de mais alguns poucos milímetros, enquanto o outro lado, lógico e estritamente racional, gritava em alerta vermelho.

Era apenas uma brincadeira, mas ambos já não tinham certeza disso.

 - Acabe com isso.- ela disse num fio, sentindo o toque tão superficial dos lábios dele.

Com os lábios entreabertos, ele fitava os semelhantes com uma fagulha crepitando em desejo de prová-la.

- Assim?- ele girou a cabeça para um dos lados.- Ou assim?- virou do outro.

A clara intenção de jogar um pouco mais, afinal, tinham três horas até o começo do evento. Contudo, HyoMin não parecia tão paciente assim e acabou por zerar a distância incômoda.

Um beijo calmo, explorador. As bocas moldando-se uma a outra sem pressa, como se estivessem testando um ao outro. As mãos de Mino rumaram pelas laterais do corpo dela, apreciando a maciez da pele exposta pelo vestido –que acabara subindo um pouco mais que o comprimento original- até chegar à cintura, enquanto as de HyoMin perderam-se nos cabelos escuros.

A atração escondida em suas dobras –e que HyoMin se recusava a aceitar- a invadia como uma enchente.

Um jogo. Era só um jogo.


Notas Finais


Depois de tudo isso eu só tenho uma coisa a dizer: FINALMENTE! ~aquela carinha Huhsuahushuahushua

Espero que tenham gostado! E até a próxima o/
Kissus kissus ;* <3


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