História Reflexos de uma Injustiça - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias The Originals, The Vampire Diaries
Personagens Bill Forbes, Bonnie Bennett, Camille O'Connell, Caroline Forbes, Elizabeth "Liz" Forbes, Esther Mikaelson, Klaus Mikaelson, Lexi Branson, Lucy Bennett, Mikael Mikaelson, Rebekah Mikaelson, Stefan Salvatore
Tags Armas, Conflitos, Criança, Drogas, Injustiça, Klaroline, Mistério, Mumble, Prisão
Exibições 212
Palavras 4.888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Consequências e impasses


Fanfic / Fanfiction Reflexos de uma Injustiça - Capítulo 13 - Consequências e impasses

Capítulo 13

VOLTEI OS OLHOS PARA ELA não compreendendo o motivo por trás de seu pedido absurdo.

Assim que regressei ao meu quarto, após minha conversa com minha filha que acabou com ela novamente castigada e trancafiada me deparei com Lexi, desta vez em meu quarto, me esperando para me dar outra surpresa desagradável.

— E o por que disso agora, posso saber Lexi? — questionei tentando compreender os motivos que a levavam a pedir demissão.

Lexi trabalha como preceptora de Arabella desde quando minha filha foi entregue a mim, não a tratava mais como sendo somente uma funcionária, mas também como uma amiga, afinal sempre pude contar com ela e ela jamais falhou comigo.

— Vamos Lexi me responda? — indaguei ainda surpreso. — Por um acaso não está mais satisfeita com seu contrato, pois se for isto eu posso readequá-lo e...

Ela me interrompeu.

— Por Deus Klaus claro que não é isso — disse em tom de evidente indignação me fazendo sentir remorso por ter acreditado que ela estava insatisfeita com seu salário e condições de trabalho. Brevemente notei que suas bochechas estavam rosadas indicando que a deixei constrangida com minha conclusão precipitada. — Conhece minha história e você bem sabe que eu trabalharia aqui até de graça, amo a função que exerço e também amo Arabella.

Encrespei o cenho em sinal de incompreensão.

— Qual é o problema então? — perguntei ficando impaciente.

Lexi deu um longo suspiro antes de contestar:

— O problema é você Klaus... você e o modo como trata a sua filha, este é o grande problema para mim agora! — esclareceu, por fim, me encarando com o semblante impassível. — Não é de hoje que desaprovo a maneira a qual você a trata, certo sei que sou só a babá e não devo me meter, pois você é o pai, mas como já pedi demissão posso falar tudo o que eu tenho para dizer.

A encarei remotamente surpreso.

— Você bem sabe que não gosto que interfiram quando o assunto é a educação de Arabella, certo? — relembrei-a sendo direto.

Sua voz minguou por um instante; mas ela foi capaz de prosseguir.

— Sim. Eu sei, mas Klaus hoje você passou dos limites! — alegou só que dessa vez não reprimiu o horror em sua voz. — E sim, escutei sua conversa com ela e não me arrependo e sabe de uma coisa? Klaus você foi injusto com Arabella, não poderia ter falado com ela daquela maneira... como se sua filha fosse louca. Você foi insensível e demasiado enérgico.

Voltei a me surpreender, Lexi havia espiado minha conversa com minha filha... agora sabia onde Arabella havia adquirido esse péssimo habito.

— Sei que fui Lexi — confirmei lhe dando razão. — Mas você quer que eu faça o quê? Vamos me diga! Conhece suficientemente minhas razões para...

— Klaus a questão não são seus problemas com Caroline, a questão aqui é sua filha! Você deveria ter tentado explicar para a menina e céus você acha que a afastando daqui a mãe dela vai cansar de vir procurá-la e desistir assim do nada? Está mesmo contando com isso?

Bufei contrariado e resisti ao ímpeto de olhar zangado para ela e me contive, pois sabia que novamente ela estava certa.

— Não Lexi... não conto com essa hipótese, sei que Caroline não desistirá e sei que acabaremos em um tribunal e como também sei que nenhum juiz tirará a guarda da menina de mim e dará a uma ex presidiária, isso é fato já, mas tentarei o máximo que eu puder deixar Bella fora de tudo isso.

Lexi sorriu sem emoção caminhando de um lado para o outro em meu quarto.

— Deixar Arabella de fora da situação? — voltou a sorrir só que dessa vez com evidente tom de escárnio. — Não há como deixar a menina de fora klaus, pois é ela que ambos querem, ela é o centro de tudo e já se inteirou que a mãe à procura, você a ouviu, ela sabe que aquela mulher que veio hoje aqui é Caroline, sobretudo, ela sabe perfeitamente que se trata da mãe biológica dela você tentou, assim como eu, enganá-la… e só o fiz para te dar um álibi, mas a menina não é mais bobinha.

Minha filha jamais foi boba ela sempre foi sagaz e novamente voltei a ficar em um impasse se ela ser assim era bom ou ruim.

— E você sugere que eu faça o quê? Diga, o quê? — perguntei alterado querendo uma saída plausível.

Ela novamente se restabeleceu frente a mim e procurou averiguar meu semblante antes de me responder o que meu advogado James já havia me aconselhado:

— Talvez você e Caroline possam entrar em um acordo... — ofereceu a hipótese mais ridícula.

Entrar em acordo com Caroline Forbes estava fora de cogitação.

— Jamais! — resmunguei exasperado. — Eu não a quero perto de Arabella, ela é um péssimo exemplo e já causou danos demais a minha família e a mim, não permitirei que faça o mesmo com minha filha, não mesmo!

Novamente o mesmo olhar impassível. Dei um pigarro para me livrar dos nós em minha garganta. Lexi prosseguiu me encarando.

— Você acha que está sendo um exemplo de pai enganando-a da forma que a está enganando?

Suas palavras foram como um tapa desferido em meu rosto.

— Eu a estou protegendo, não me importo se estou sendo o mocinho ou o vilão. — contestei respondendo de forma amena.

— Protegendo? — ironizou apertando os olhos. — Não Niklaus definitivamente isso não é seu objetivo, não seja hipócrita e admita que o que você quer não é proteger a menina, mas sim usá-la para se vingar de Caroline.

Cerrei os punhos não suportando suas acusações explícitas.

— Sim é exatamente isso que eu pretendo Lexi — confirmei lhe demostrando novamente que ela estava certa. — Vou machucar Caroline onde mais lhe dói assim como ela fez comigo e minha família, pois ela foi a culpada por perdemos Rebekah!

Poder dizer essas palavras era demasiado libertador.

Lexi me lançou um olhar crítico em sinal de evidente desapontamento.

— Seis anos longe da filha dela, sem notícias, perdendo a oportunidade de vê-la crescer, de presenciar seus primeiros passos, seu primeiro corte de cabelo, o nascimento dos dentinhos, sua primeira fala, o primeiro dia de escola… olha, eu não sou mãe, mas um dia pretendo ser e como mulher não consigo imaginar dor maior do que ter seu filho tirado de seus braços, não acha que Caroline já teve o suficiente Niklaus?

Sorri sem emoção perante seus argumentos.

— Lexi quem está sendo a hipócrita agora? Você a defende como se não soubesse que ela cometeu o mesmo crime com a minha família… — rebati irado perante seu olhar e expressão impassível. — O certo é um filho perder os pais com o tempo e não o contrário Lexi, minha mãe jamais será a mesma, minha família jamais será a mesma porque foi justamente Caroline a responsável por isso, por tirar Rebekah de nós.

— Você afirma isso como se Caroline tivesse obrigado sua irmã a usar drogas… pelo amor de Deus Klaus, seja realista, quando um não quer dois não briga. Sua irmã também não foi obrigada a nada se ela se tornou uma usuária foi porque quis e não por…

Fiquei adequadamente imóvel. Depois suspirei.

— Já basta Lexi! — sentenciei não permitindo que a defende-se. — Ela pode não ter acendido o isqueiro nessa tragédia que nos devastou, mas foi quem ateou a gasolina e o fez propagar-se.

— Bem, vejo que é em vão te fazer ver o quão cruel está sendo, não com Caroline, mas com Arabella que é quem mais importa aqui.

A olhei pensativamente por alguns segundos antes de responder:

— Com Arabella eu me entendo Lexi!

Ela assentiu, mas ainda acrescentou:

— Agindo da forma que você agiu hoje só vai fazer com que sua filha fique mais rebelde do que já está e ela não é uma rebelde sem causa, muito pelo contrário...

— Deixe que da rebeldia de Arabella eu também lido! — a interrompendo mantendo o tom de voz normal, mas seco disposto a disciplinar minha filha da maneira que eu bem entender e achar necessário. — Pretende mesmo ir embora, certo?

Lexi me encarou por mais alguns instantes antes de rebater:

— Vai insistir em machucar a menina com sua vingança lhe negando o que ela mais quer não vai?

Sua expressão estava cheia de expectativa, como se esperasse que eu voltasse atrás em minha decisão já formulada.

A resposta fora unânime:

— Sim Lexi não mudarei meus planos, Arabella, no que depender de mim, não verá Caroline.

— Certo — respondeu no mesmo instante. — Eu não quero estar aqui e presenciar o sofrimento dessa inocente. Vou pegar minhas coisas e na segunda feira pela tarde passo na construtora para resolver as questões burocráticas sobre minha rescisão e depois, caso você permita, eu gostaria de me despedir da menina.

— Será sempre bem-vinda aqui Lexi! — assegurei-lhe.

Ela assentiu e no instante seguinte me pegou de surpresa e desprevenido me dando um forte abraço que sem jeito acabei retribuindo.

— Niklaus — murmurou meu nome próximo ao meu ouvindo dizendo em seguida o que jamais esquecerei e que mais tarde ficaria me martirizando por muito tempo. — Tome cuidado para esse seu ódio não destruir sua filha e reze para que ela não acabe odiando você.

Nada mais foi dito. Lexi me deu um singelo beijo no rosto e abandonou meu quarto me deixando só.

[...]

Despertei repentinamente na madrugada graças ao ruído estrondoso de um trovão, sempre tive o sono pesado, entretanto devido as minhas recentes preocupações não estava conseguindo dormir direito. Quando outro trovão ecoou fazendo com que infiltrasse a claridade do mesmo através da cortina da janela, logo me levantei disposto a ir ver se Arabella estaria acordada, já que ela sempre teve medo de tempestades e vinha se juntar a mim para não ficar sozinha.

— Filha? — chamei-a assim que destranquei a porta não a encontrando em sua cama.

A luz estava acesa, imaginei que ela estivesse no banheiro e enquanto a aguardava comecei a recolher seus materiais escolares que estavam espalhados pelo chão.

— Não adianta você arrumar de um lado e desarrumar outro! — ralhei ao terminar de empilhar seus cadernos, estojo e demais objetos os depositando na escrivaninha ao lado de sua cama.

Arabella havia arrumado o quarto como a ordenei, contudo do jeito dela, o que deixou tudo mais desarrumado do que já estava. Estranhei o fato de sua cadeira de balanço estar encostada em seu armário e o mesmo com as portas de cima abertas. Ela estava aprontando!

— Arabella — voltei a chamá-la batendo o dedo indicador curvado na porta do banheiro.

Não houve resposta.

— Ara... — minha voz morreu no silêncio quando abruptamente, ao abrir a porta de seu banheiro não a encontrei. Passei a procurá-la atrás da cortina de plástico que revestia a banheira, debaixo da cama, agora em seu quarto e dentro do armário.

Ela não estava em lugar algum!

— Arabella apareça, não é hora de brincar de esconde-esconde my love. — adverti sabendo desse seu hábito de se esconder da última vez a tinha encontrado dentro do armário da cozinha.

Não havia mais a onde procurar exceto... mal tinha acabado de conjecturar tal hipótese e inesperadamente a porta que dá acesso a sacada de seu quarto, graças à força do vento, se afastou do batente rangendo se avolumando por entre a cortina e voltando instantes depois a se fechar.

— Depois reclama quando a castigo, faz tudo o que não é para fazer sua travessa! — esbravejei irritadiço imaginando minha filha na chuva há essa hora.

Caminhei até a porta afastando a cortina.

A chuva estava grossa, mas ela não me incomodou nem um pouco, pois ao ver a cadeira de plástico e um pano amarrado que logo descobriria serem lençóis no parapeito da sacada fiquei em estado de choque. Nada me preparou para o tormento que veria logo a seguir ao olhar para o gramado e ver minha filha desfalecida no relento.

Tome cuidado para esse seu ódio não destruir sua filha.”

As palavras de Lexi tomaram minha mente me castigando ferozmente.

Outro trovão alto e estridente ecoou, contudo não sabia discernir se meu grito de horror foi maior que ele.

[...]

Eles não permitiram a minha entrada.

Eu a vi sendo levada para uma sala na ala do pronto socorro deitada em uma maca cercada por três médicos usando gorros cirúrgicos e fui atrás. Ao empurrar a porta dupla estilo vai e vem voltei a ficar atordoado com o que vi; minha filha tremia muito quando retiraram o cobertor térmico, lembrei-me de como ela estava fantasmagórica devido a sua palidez como se ela estivesse... neguei-me a sequer pensar em tal disparate, tentei vê-la novamente para averiguar se havia mais cor em sua pele, contudo tinha muitos médicos ao seu redor, o quanto, não sei ao certo. Tão logo uma mulher alta e corpulenta, vestida de verde praticamente me empurrou porta afora. Tentei entrar novamente, entretanto fui advertido em tom enérgico, mas educado de que não era possível eu ficar ali.

E então novamente me vi em uma sala de espera fria, por um momento fiquei espiando por aquelas estreitas vidraças retangulares fixadas na porta vaivém, não conseguia ver muito, em realidade quase nada, era embaçado demais. Pude ver quando retiraram a faixa que estava envolta de sua cabeça, assim que avistei o vermelho escarlate rutilante que embebia aquele pano uma vertigem me atingiu em cheio e antes de cair e me entregar a escuridão tratei logo de me sentar no assento vago mais próximo dobrando minha coluna até meu rosto estar apoiado em meus joelhos respirando profundamente, a tontura não demorou a passar dando espaço para outro sentimento emergir e este era pior que o medo, mas não permiti que ele me domina-se, caso contrário sabia perfeitamente onde o mesmo me levaria… me levaria a ela.

Os minutos pareciam horas, a tortura de não receber notícias era angustiante.

— Filho... como está a menina? — perguntou Mikael, meu pai, assim que me avistou na sala de espera.

Logo me levantei do assento ao qual estava, caminhando meio trôpego, lhe dando em seguida um forte abraço. Estranhamente senti a sensação de Déjà vu, pois anos antes vivi esta mesma cena, contudo em vez de Arabella a preocupação era Rebekah, minha irmã.

— O médico já veio dar notícias? — questionou alarmado ao perceber meu desespero.

Neguei ainda vulnerável em seus braços.

— Você contou para Esther? — perguntei preocupado com os nervos dela.

Esther se desesperava por tudo. O medo de uma nova perda sempre estava presente, então poupávamos sempre que minha filha estava doente.

— Não! — negou de imediato. — Ela surtaria, vou deixar para falar quando tivermos notícias, a deixei dormindo e deixei um bilhete com uma desculpa qualquer.

Assenti não prestando atenção.

— Conte-me direito... como foi que tudo aconteceu Klaus? — perguntou tentando compreender a situação querendo detalhes.

Voltamos a nos sentar.

— Pai — disse hesitante para a notícia que eu tinha a dar. — A mãe da Arabella voltou!

Carol? — rebateu surpreso me analisando atentamente chamando Caroline pelo apelido.

Assenti e a única atitude que Mikael teve foi recostar a cabeça na parede fechar os olhos e respirar lenta e profundamente.

— Bem... — disse após um tempo interminável provavelmente absorvendo a notícia que acabara de lhe dar. — Sabíamos que um dia isso aconteceria meu filho.

Voltei a assentir incapaz de esboçar qualquer argumento. Meu súbito desejo era que Caroline não tivesse voltado.

— Ainda não completou a sentença... quando foi que ela saiu do presídio? — questionou Mikael desta vez com mais ânimo como se ele de fato quisesse saber de tudo.

Antes de lhe responder vi que novamente aquelas portas duplas vaivém voltaram a se abrir e de pronto me atentei, entretanto ainda não havia chegado a minha vez e sim a de um casal de senhores sentados distantemente de nós.

— Foi por esses dias — articulei impassível respondendo no automático com os olhos vidrados na porta vaivém torcendo para que logo alguém viesse me dar notícias. — Caroline me procurou na construtora, não sei quando ela saiu da cadeia, o que sei é que ela aparentemente não sabia de nada sobre a Rebekah, sobre a mãe... enfim ela quer ver minha filha.

Esperei enquanto ele desviava o olhar para a mesma porta que instantes atrás eu olhava com a expressão distante.

— Contou a ela onde internamos a mãe dela? — perguntou com ares benevolentes.

— Não disse e nem direi!

Caroline que a procurasse, assim como eu e minha família tivemos de procurar por Rebekah desesperados quando a mesma fugiu da clínica de reabilitação. Não facilitaria o lado dela, por mais que eu goste de Liz Forbes e me empenhe para que ela tenha o melhor tratamento, não mudava os fatos e nem o que Caroline nos fez e no que dependesse de mim ela não saberia de nada a respeito de Liz, pois nem a mãe que tem ela merece.

— Deveria ter dito Klaus! — ralhou Mikael em tom de crítica não aprovando minha atitude.

Mikael era benevolente demais para guardar rancor por muito tempo, ele não disse, mas sabia que bem lá no fundo ele já havia perdoado Caroline, coisa que eu jamais serei capaz.

— Acho que é melhor não contarmos nada a sua mãe ainda filho, sabe como ela fica abalada com tudo o que envolva a sua irmã — sugeriu pensando no bem-estar de Esther.

Minha mãe ainda não havia se conformado tão pouco se habituado à perda de Rebekah, por mais que meu pai e eu tentássemos fazê-la entender era em vão, a dor de minha mãe não se atenuou e creio que jamais se atenuará afinal a lei da vida é os pais irem primeiro e não o contrário. Esther manteve tudo o que pertencia a Rebekah totalmente intacto, como se ela pudesse regressar algum dia, coisa que infelizmente não aconteceria, tentamos fazê-la mudar de opinião, papai tentou se livrar das lembranças, mas mamãe não permitiu. Os retratos, o quarto, as roupas, tudo ainda a rodeava, queríamos que ela seguisse em frente, mas ela não queria aceitar. Respeitamos sua escolha, sabendo que seria em vão ir contra.

Incapaz de contestar usando a voz somente concordei com cabeça voltando a me angustiar com a demora, o tempo de fato é relativo, pois minutos pareciam horas... lentas e nefastas horas.

— E com a menina... o que houve com minha neta Klaus? — questionou aturdido também preocupado com a neta.

O remorso voltou. Foi minha culpa.

— Caroline não sei como, talvez por intermédio da assistente ou de minha secretária soube meu endereço e foi até lá e Arabella a viu.

Mikael me olhou confuso e, ao mesmo tempo, surpreso.

— Ela falou com a menina e disse que era a mãe dela? — perguntou ainda desnorteado.

Fiz uma careta e ao contestar minha voz ficou acre:

— Sim. Ela disse quem era, mas só a viu de longe… lembra da foto que ela encontrou no quarto de Rebekah e quando ela perguntou de quem se tratava e você respondeu que era a mãe dela?

Mikaeel assentiu no mesmo instante sua expressão mudou, não soube dizer qual sentimento o dominava agora, mas culpa eu sei que não era. E eu fiquei satisfeito por ele não sentir culpa.

— Minha neta a reconheceu? — perguntou sem acreditar, bem como eu.

Respirei fundo novamente.

— Sim pai — confirmei. — Tentei dissuadi-la a pensar que se enganou, mas você bem sabe como é o gênio dela...

Mikael sorriu.

— Cabeça dura que nem o pai dela! — acrescentou.

Revirei meus olhos, afinal Bella puxou o gênio e determinação da mãe dela.

— Que seja! — dei de ombros. — Acabamos discutindo. Disse a ela que iria ver com o senhor e com a Esther para ver se poderiam levá-la para o Canadá, ela não aceitou, protestou e ameaçou que fugiria de casa caso eu não a deixasse ver Caroline, eu a tranquei no quarto castigando-a e ela tentou fugir pela sacada e… ai pai... ela, ela caiu.

Relembrei de como a encontrei; ela estava na chuva toda ensopada e desacordada, na queda ela bateu a cabeça no irrigador automático e teve um corte profundo na cabeça, esse corte é o que mais me preocupa.

— Mantenha a calma meu filho, vai dar tudo certo!

Tentei crer em suas palavras, mas a ansiedade não me deixava.

— Foi minha culpa pai, minha... Jamais vou me perdoar! — sentenciei não mais me segurando.

Mikael voltou a me abraçar, eu me sentia tão pequeno, assim como quando era só um menino e subia em seu colo.

— Ei... calma filho, você precisa ser forte! — murmurou determinado tentando inutilmente me acalmar me abraçando e batendo de leve suas mãos em minhas costas como me confortando.

Voltamos a ficar sozinhos.

— Tinha... tinha tanto sangue pai! — informei-o desorientado. — E os paramédicos disseram que ela estava com hipotermia, por ter ficado muito tempo debaixo da chuva... eu... eu sou um canalha pai, antes eu tivesse deixado aquela víbora vê-la, as consequências seriam menos drásticas.

Chegar essa conclusão foi difícil, entretanto verbalizar foi mais ainda, as palavras saíram espaçadas e com gosto amargo.

[...]

Já estava quase amanhecendo. Mikael acabou adormecendo na poltrona a que estava, eu, no entanto não conseguia nem se quer piscar direito.

A sala de espera ampla após as 4 da madrugada passou a ficar aglomerada novamente, ouvia ruídos de conversas adversas, às vezes choros, mas não consegui prestar atenção a nada que não fosse aquela bendita porta.

— Nada ainda? — questionou Mikael com a voz grogue e rouca ao despertar repentinamente.

— Nada! — disse exasperado mais por força de hábito.

Ficamos em silêncio por um tempo indeterminado.

— Vou até lanchonete — anunciou se levantando prontamente. — Quer algo de lá filho?

Ao mesmo tempo que questionava depositou uma de suas mãos em meu ombro.

— Não — murmurei soltando um longo suspiro.

— Nem um café, nada? — conjecturou tentando me fazer mudar de ideia.

— Certo vou lá e já volto, se eu regressar e você não estiver te aguardo aqui.

Nada mais foi dito Mikael me deixou e logo ouvi o “plim” de algum elevador próximo, talvez no corredor a minha direita, não sei ao certo, o que sei é que uma junta médica saiu do mesmo, provavelmente deveria ser troca de turno, mas logo um dos doutores caminhou até minha direção, no mesmo instante me levantei ficando de pé, minhas costas estavam rígidas, mas não me importei.

— Está aqui pela paciente… — pausou inesperadamente olhando o prontuário fixado na prancheta. — Arabella Mikaelson?

Assenti me apresentando entregando uma cópia da ficha que fiz na recepção.

— Senhor Mikaelson prazer meu nome é Matthew Collins — cumprimentou-me estendendo a mão direita e eu prontamente a apertei. — Sou o médico que está acompanhando o estado clínico da criança, me acompanhe, por favor.

O segui.

Novamente adentrei por umas séries de portas vaivém até chegar a uma saleta, não chegava a ser um consultório; creio que era ali que davam notícias a família sobre os pacientes.

— Como está minha filha doutor Collins? — perguntei alarmado querendo notícias.

Estava aflito com medo do que ele tinha a me dizer.

O doutor passou a verificar os prontuários e exames realizados me explicando tudo detalhadamente.

Prestei atenção em todas as informações passadas.

— Resumindo Sr. Mikaelson — disse ao recolher todos os exames recolocando-os no envelope me repassando. — Conseguimos conter a hemorragia devido ao corte profundo, a temperatura corporal dela se estabilizou e o quadro de hipotermia não mais existe; fizemos uma tomografia e não houve lesões internas na pancada que levou na cabeça, mas fraturou a perna direita, não chegou a quebrar, mas o osso saiu do lugar e precisamos que se fixe novamente… umas duas semanas de repouso e com a perna engessada será o suficiente!

Suspirei, só que desta vez aliviado por estar tudo bem com minha criança.

— Então ela está bem para ir pra casa? — questionei tranquilo deixando o desespero se esvair.

O semblante do Dr. Collins me deu a resposta que eu não queria ter.

— Ainda não Sr. Mikaelson. — reforçou o que já havia concluído. — O quadro da paciente é estável, mas o hemograma realizado constou que sua filha está anêmica devido à perda excessiva de sangue...

Meu conhecimento sobre o assunto era vago, contudo a pergunta saiu antes mesmo que ele pudesse terminar de me esclarecer:

— Uma transfusão não resolveria? — questionei interrompendo-o.

— Sim! — confirmou. — Precisamos repor esse ferro e minerais perdidos, mas o hemocentro filiado ao hospital não dispõe do tipo sanguíneo de sua filha, desta forma teremos de encontrar um doador compatível.

Tentei recordar qual era o fator Rh de seu sangue, o que sei é que é o tipo O.

— O meu deve servir Dr. Collins, meu sangue é o tipo O fator Rh positivo. — concluí recordando-me em um átimo.

O médico a minha frente estalou a língua em sinal de reprovação.

— Não Sr. Cullen, não serve, constatamos que o sangue da sua filha é o do grupo O, mas o fator Rh é o negativo e sendo assim ela só pode receber a transfusão deste mesmo tipo sanguíneo pra não haver incompatibilidade e gerar mais complicações... Conhece alguém que possa ter a mesma tipagem sanguínea?

Tentei buscar, vasculhar minha mente, mas não encontrei.

— Não... não conheço! — informei-o atordoado. — O que pode ser feito Dr. Collins?

A preocupação voltou a me assolar.

— Bem... podemos recorrer aos bancos de sangue próximos, contudo a burocracia é demorada e sua filha necessita dessa reposição pra ontem a melhor opção para Arabella agora seria um doador compatível... geralmente a mãe costuma ter o mesmo fator Rh — sugeriu.

Minha boca se abriu e minha respiração soprou uma lufada áspera.

— E se não encontrarmos um doador... como fica a situação de minha filha doutor? — perguntei hesitante me levantando impaciente tentando não pensar no pior.

Um pigarro fez retomar minha atenção ao doutor quando o mesmo contestou:

— Não podemos esperar por muito tempo, ela está fraca e a pressão instável e a cada hora diminui o deficit de oxigenação no organismo e se este processo prosseguir e não for revertido causará danos diversos, desde problemas cardíacos até neurológicos.

A culpa e o remorso novamente voltou me transformando novamente em um menino que chorava sem receio.

[...]

Minha filha tinha mesmo a aparência de uma criança anêmica; seus olhos estavam fundos e levemente arroxeados; sua pele pálida quase que fantasmagórica, bem como a encontrei; e lábios secos. Era algo difícil e doloroso de se ver por muito tempo. Foi essa a constatação que tirei após vê-la brevemente graças a permissão do Dr. Collins.

— Enfermeira… por que ela se remexe tanto? — questionei quando minha filha passou a mexer a cabeça de um lado para o outro, mas em velocidade lenta. — Ela está com dor?

A enfermeira deixou o que estava fazendo e foi para seu lado colocando uma de suas mãos dentro de sua roupa de hospital tirando de lá um termômetro.

— Não, ela está sedada e não acredito que esteja com dor, a medicamos, mas a febre voltou… ela vai e volta! — anunciou averiguando o termômetro.

Consternado me aproximei de seu leito pegando suas mãozinhas agora bem quentinhas e febril.

— Senhor, a mãe dela virá vê-la? — perguntou a enfermeira analisando o soro.

— Por quê está me perguntando isso? — devolvi surpreso pelo seu questionamento.

— Os medicamentos para que ela não sinta dor a fizeram dormir, mas quando estava só febril a menina delirava chamando pela mãe.

Novamente as palavras de Lexi voltaram a me azucrinar fazendo sentir-me mais culpado do que já me sentia.

Meu coração estava estilhaçado em muitos pedaços.

Eu precisava encontrar um doador compatível o quanto antes.

E foi com esta ideia fixa que deixei o quarto onde minha filha estava na unidade de terapia intensiva e passei a caminhar apressadamente rumo à sala de espera disposto a mover céus e terra para salvar minha menina.

Uma simples rajada de vento que soprou em minha direção me fez parar abruptamente. Parar, pois seguindo o instinto de fincar minhas mãos no bolso da blusa a qual estava para proteger-me do frio senti o peso da carta que minha filha havia me deixado; carta que só encontrei quando corri para seu quarto pegando roupas e cobertores secos para aquecê-la minutos depois de ligar para o resgate, mas que na hora não a li e acabei me esquecendo.

Sem demora desdobrei a folha de caderno e passei a ler o que Arabella havia escrito.

Oi papai não queria que você lesse esse meu recado, mas puxa vida não teve jeito eu tive de ir, cuida das minhas bonecas, por favor!

Eu não podia ficar para você me mandar pro lugar que disse que meus avós me levariam, eu tenho que ir atrás da minha mamãe.

Você não entende e não entende porque você tem a vovó Esther do seu lado, mas eu não tenho a mamãe perto de mim... então tenho de ir atrás dela e sinto que vou encontrar ela loguinho.

Não fique preocupado eu estou levando meu cofrinho com minhas economias, roupas e minha escova junto da pasta de dente, vou ficar bem.

Desculpa sair do castigo, quando eu voltar com a mamãe você pode me colocar de castigo pra vida toda se quiser, pois tendo ela junto de mim eu não me importo nadinha.

Te amo! Fica com papai do céu pai, logo dou notícias.

Sua filha complicada.

A carta com a caligrafia torta e desalinhada não passava de uma grande impertinência de uma menina rebelde, porém me emocionou.

Agora estava em um impasse:

Trair a memória de minha irmã; sendo benevolente e conceder a sua assassina a chance de ter o que ela mais quer ou… salvar a vida de minha filha.

A minha decisão já estava tomada!


Notas Finais


Quem tem o sangue tipo O fator Rh negativo (O -) só pode, caso necessite, receber doação desse mesmo sangue, descobri que aqui no Brasil mais de 60% da população tem esse tipo sanguíneo, mas destes 60% menos da metade é O fator Rh negativo, sendo a grande maioria positivo, achei interessante, tem gente que até morre a espera de doação do O negativo, é o mais procurado pelos bancos de sangue junto com o AB-, que é bem mais raro de se encontrar.

Gostaram? Ficou ruim, péssimo, bom, mais ou menos, nenhum e nem outro?

Até!


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