História Refugiada - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), TWICE
Personagens Dahyun, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtanboys, Bts, Dahyun, Jungjiwoo, Noonadohope, Refugiada, Romance, Twice
Exibições 30
Palavras 5.350
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Cheguei!!!
Vim correndo dessa vez, né?
Gente, pelo amor de Deus, que fanfic trabalhosa kkkkkkkkkkkk
Esse capítulo ficou gigante e vai ter continuação. Essa festa é longa....
Sem demoras, boa leitura.

Capítulo 5 - Pela primeira vez, Nora!


Fanfic / Fanfiction Refugiada - Capítulo 5 - Pela primeira vez, Nora!

Rodeamos a rotatória que nos levaria ao nobre bairro da casa de Nate. Mansões de todas os tamanhos e formas enfeitavam o local, a maioria com carrões e motos nas garagens desprovidas de portões ou cercas, não era necessário tal proteção já que a entrada era restrita a convidados.  Contava vagarosamente os carros pretos que encontrava, eram a maioria, e tinham exceções como a  Lamborghini rosa chiclete.

Desde que entrei no carro deseja ardentemente chegar ao destino para vomitar arrependimento e chorar mal humor. Estava decidida a encarar com seriedade o fato de que eu era uma borboleta deficiente. Odiava meu casulo, mas não podia me ausentar dele. Aquele espaço apertado era um esconderijo seguro das minhas preocupações e dos outros seres vivos.  Quer prova? Quando entrei no carro, me aproximei da janela de trás do motorista e me sentei confortavelmente. Hoseok entrou e se acomodou na outra janela, e de tempos em tempos olhava para mim como se eu usasse um chapéu de pele de urso com um pedaço de carne viva ainda presa nele. Jin e Juji não se incomodavam com nosso constrangimento e conversavam tranquilamente sobre assuntos impossíveis de se introduzir opinião. Resultado, eu era a acompanhante mais esquisita para um garoto, seja ele quem for – olha só a tremenda esquisitice, eu nem sabia quem Hô era.

Suspirei com a perda da conta,  e me apercebi que Juji tinha fechado a matraca e me olhava pelo retrovisor, Jin fazia a mesma coisa de vez em quando. Tentei fingir que não vi, mas a coisa realmente se tornou um incomodo quando ela tornou o rosto para mim suspirando repetidas vezes.  Encarei de volta na terceira vez, irritada.

É uma pena que você não saiba dançar Nora! Hô ama dançar. – Juji disse ligando o som e sintonizando na rádio que tocava Nirvana, Smells Like Teen Spirit.

Hoseok olhou para mim abismado, sério, seus lábios se abriram em um sorriso que dizia “Não brinca?”.

Nora é a caloura mais marrenta de “H”. Mas mesmo assim deve ser a mais inocente a cerca do mundo adolescente em que vivemos. – Jin disse rindo, acompanhado em seguida de todos. Menos, é claro, de mim.

Sabe como é?, ouvir seu nome sendo rebatido como uma bola de beisebol como se você não estivesse lá para ouvir. Estava prestes a gritar um palavrão, quando senti as pernas de Hoseok encostarem-se às minhas, ele tinha acabado de se arredar para o meio do banco – sim, aquele meio que guardava o silêncio de pessoas inconformadas por não poderem se assentar na janela. Eu me senti tão confusa com aquilo que não tive tempo de reagir aos seus braços rodeando minha cintura e segurando como se fossemos íntimos.

Eu vou te ensinar! – Ele disse alto, mas bem próximo aos meus ouvidos.

É claro que os espasmos no corpo começaram desde que ele tocara minha mão no corredor, fazendo minha barriga se transformar no polo norte, mas agora o polo norte tinha vindo me encontrar por inteiro fazendo meus pelos se eriçarem com sua voz rouca. Eu não olhei para ele novamente, mas me limitei a sorrir agradecida, e depois voltei aos carros pretos e rosas.

É sua primeira vez em uma festa? – Ele disse fazendo com que eu voltasse meus olhos para si.

Fiquei desesperadamente gaga, não tinha aberto a boca, mas sabia que gaguejaria. Sorri de novo, demostrando a vergonha da resposta ser ‘sim’. Ele soltou o que eu não queria ver, aquele sorriso viciante e autoconfiante.

Você realmente não é nada do que o Jin-Hyung disse.

Não? Era para ser, mas algo estava falhando perto de você Jung Hoseok.

O assunto finalmente voltou a ser discutido, e dessa vez foi sobre o que Hô amava fazer: dançar! Era isso o que ele estudava, e sonhava em fazer pelo resto de sua vida. Ele tinha até um grupo bem famoso com esse tal de Park Jimin, dono da moto assassina. O grupo se chamava  NEURON, e ganhou vários prêmios.

Fui campeão no underground de Gwangju, na Coreia. Nunca ouviu falar?

Deus, Zeus... Ele não sabia nada sobre mim, nada. Isso era bom ou ruim? Devia contar de onde vim ou não?  Olhei para ele como quem perdeu o fio da miada de como se respira, e graças aos deuses Jin me socorreu.

Nora era bem presa quando adolescente. “H” é seu primeiro contato com o que chamamos de liberdade Hoseok. Você sabe como é!

Sorri abertamente, me senti tanto agradecida como sossegada. Jin realmente era um bom  amigo, o melhor, daqueles que te entendem só de olhar nos seus olhos.

Hoseok começou a contar que me entedia, mas um barulho insistente de motor começou a abafar a voz dele, assim como a música que tocava no carro. Uma Honda Fireblade estava colada na traseira do nosso carro, a  moto era toda preta e um rapaz vestido da mesma cor a dirigia, acelerando de tempos em tempos, ameaçando passar por cima – o que daria um belo acidente no meu ponto de  vista.

Jin buzinou e acelerou a Kia Sportage, o que me assustou de inicio, mas que pareceu trufa de chocolate comparada com a freada me fazendo ir de cara com o banco dele. Se não fosse às mãos de Hô segurando minha cintura meu nariz teria sido trucidado.

Passa por cima cuzão! – Jin gritou. Mas não foi um grito qualquer. Foi o triunfo de alguém que blefa.

Juji aumentou o som, o barulho das caixas se sobrepôs ao motor da moto, e a adrenalina no meu corpo começou a fazer o efeito desejado de todos no carro. Acho que meu sorriso era maior que o do Jin ao mostrar o dedo do meio para o motoqueiro, que também freou bruscamente para não bater.

Mas a briga não parou. Jin acelerou o carro novamente, e a moto invadiu a faixa contraria só então eu pude perceber a carona do motoqueiro. A mesma blusa jeans de Taehyung voava para trás, ele estava em pé na moto, sustentado por pedais e com os braços abertos.  Dedução: Jimin era piloto.

Jin não estava brigando, e sim brincando, assim como Juji e Hô, que pulavam de tanto rir. Senti-me uma idiota, mas ao mesmo tempo mais feliz com toda aquela situação definitivamente irresponsável, inconsequente, desajuizada, imprudente, estouvada, louca e libertina.

Acho que ninguém ia me entender, mas o mundo não se importa em ligar. Por toda a minha vida encarei o medo de ser deportada para meu país de origem, me encontrei em situações de perigo iminentes e em completa situações de miséria. E agora iria viver isso?

A resposta é sim, eu iria. Se os pais soubessem o quão importante é viver feliz e morrer da mesma forma, não fechariam seus olhos para crianças que não tem os mesmos direitos que seus filhos e pensariam duas vezes antes de dizer o famoso ‘não’.

Jimin acelerou, mais e mais, até ultrapassar o carro e alcançar metrôs à frente. Jin gritou outro palavrão e tentou o acompanhar. Jimin encarava o retrovisor direito com afinco e Jin aproveitou a deixa para manobra-lo. Acelerando com tudo ele se pôs lado a lado da Fireblade, mas antes que Jimin pudesse desempatar, Jin freou, foi de ré, e o ultrapassou pela esquerda livre.

Jin gritou, Juji gritou, Hô gritou. Eu berrei! Foi à coisa mais surreal que eu vi. Era para existir só em filmes, mas não! Eu estava ali, viva e feliz, vendo tudo com meus olhos. Hoseok abriu o vido do meu lado e gritou coisas, algumas delas eram politicamente incorretas, outras carregavam meu nome. Taehyung fez questão de comemorar quando Hoseok disse que eu mandei eles se foderem. Aquela maldita mania de fingir que eu não estava ali permaneceria até o fim.

XXXXX

 

Hô me ajudou a descer da Kia, e quando fiz menção de soltar sua mão ele se negou. Alegou que queria me apresentar a Jimin, mas que deixaria claro de que eu era sua acompanhante. Soou extremamente possessivo, e também altamente fofo.

Quando a moto foi estacionada junto com as outras bem em frente à casa nada discreta de Nate eu me atentei para os detalhes. O primeiro era que o som era bem mais alto que o do carro, o segundo é que já tinham jovens caídos no grama, rindo de tão chapados e drogados, e a terceira era que estava lotado de garotas seminuas – nem um pouco emo-góticas como eu, ou barbezinhas como Juji.

Então foi você que mandou eu me masturbar?  – Ouvi a voz aguda atrás de mim e quando me virei arrependi-me de ter demonstrado surpresa.

Park Jimin era de longe o menino mais surpreendente de “H”. Lindo eu sabia que ele seria, mas não assim. Imaginei barba, piercing, tatuagens em todos os lugares e roupas bem mais... Amedrontadoras. Nada disso! Além de a voz ser mansa e fina, o olhar e o sorriso faziam os anjos do céu parecerem desafinados no louvor. A altura deixava tudo nele menos intimidador, e as roupas pretas e apertadas mostravam o corpo definido e bem treinado de um dançarino experiente.

Eu não disse isso! – Rebati. Não cometeria o mesmo erro que fiz com Hoseok.

Jimin riu soprado, e Taehyung chegou na rodinha para fazer o pandemônio.

É claro que ela não disse isso Jimin. Ela mesma queria fod...

Para com as nojeiras nada cavalheirescas. A menina vai pensar que vocês pegam bico em um prostibulo.  – Juji disse segurando o riso enquanto batia com uma mão no peito de Jimin e outra no peito de Tae, como se separasse eles de uma briga feia.

Dei graças com um sorriso por não ter que rebater a resposta de Taehyung, e segurei firme a mão de Hô, disposta a aceitar a proteção. O garoto se virou para mim, sorriu e me puxou insinuando que queria entrar na casa, mas Nate se adiantou com mais alguns garotos do time de futebol americano e Yoongi. Descendo as escadas correndo com sua tropa de seguidores ele gritou por Hoseok.

Fala aí dance machine!

Aqueles cabelos castanhos, corpo atlético e olhos verdes era o que toda menina desejava. Não existia nenhuma garota de “H” em sã consciência que não sonhasse em receber um olhar de cobiça de Nathaniel.  É claro que as Nerd’s o desprezam, mas nas noites, às escondidas, usam o sono como desculpa para tornar seu inconsciente real e ter um final feliz com o socialite popular. Eu simplesmente não consigo sentir-me bem do lado de pessoas como Nate e Taehyung. É algo pessoalmente profundo e preconceituoso.

Nate segurou a mão de Hô e o abraçou com “masculinidade”. Aquela coisa toda de bater um no peito do outro como se fossem gorilas. Os próximos foram Taehyung, Jimin e Jin.

E aqui está minha menininha favorita! – Juji foi erguida do chão como uma criança, rodopiando nos braços do jogador ela soltou gargalhadas adoráveis.

Vocês não podem cumprimentar uma garota sem abraça-las com segundas intenções? – Hoseok disse sarcástico.

Nate suspirou, sorriu com deboche e enlaçou a cintura de Ji Woo com força. A garota ficou seria e se afastou. Murmurou um “idiota” e voltou a sorrir abobada. Acho que até ela tem suas quedas pelos pares de olhos esmeraldas do garoto.

Você realmente ainda continua com esse ciúme ridículo da sua irmã?

Hoseok suspirou. Soltou minha mão e partiu para cima de Nate em uma brincadeira de briga.

Se tivesse uma irmã mais velha como a minha não agiria assim. – Hô disse depois de se cansar da briguinha infantil.

Hoseok veio até mim, circulou o braço em volta do meu pescoço e sorriu para os garotos. Yoongi olhou para mim com um sorriso estranho nos lábios, e depois desviou o olhar para Jimin, com quem começou uma conversa tímida.

Então trocou a nova líder de torcida pela novata do Tigers? – Nate disse sorrindo para mim. – Blair queria muito que você fosse o par da Rachel, eu até estranhei quando ela chegou com o idiota do Kurt.

Hoseok balançou a cabeça negativamente enquanto eu sintonizava meu melhor sorriso de desdém para o metido a banana.

Rachel preferiria ir com Taehyung ou Jungkook. Ela só me enxergou quando recebeu um fora dos dois.  – Eu entendi bem? Taehyung deu um fora na nova vadia da torcida? E Hô estava com o orgulho ferido? Isso quer dizer que eu era remédio para dor de cotovelo?  – E eu não troquei ninguém Nate, eu escolhi Nora como acompanhante. – É! Só esqueceu-se de me avisar com antecedência os mínimos detalhes.

Hoseok sorriu, e se virou de costas para todos, me levando junto consigo em direção ao hall da casa, porém Nate nos impediu, ele segurou o braço de Hoseok e questionou aonde íamos. Ou o garoto era carente ou tinha todos os problemas comigo.

Vou aproveitar a festa com a garota que eu trouxe. – Hô sorriu debochado. – Não achou que eu fosse ficar aqui fazendo companhia para você né?

Alguém conseguiu um ponto positivo na minha lista. Parabéns Jung Hoseok.

Qual é cara! Preciso muito da sua ajuda. O Nam não veio, e ao que parece prendeu o moleque junto com ele.

De novo ao tal do irmão do Jin e Jungkook. Realmente algo de muito importante esse Nam era. Talvez um Nathaniel Archibald versão 2.0.

Deixa isso Nate! Nam não quer mais participar dessas coisas. Se você for lá incomodar ele algo de ruim pode acontecer. Não vale a pena arriscar a amizade. – Jin disse segurando o ombro do menino.

Olha só, eu e ele fizemos isso juntos, e vai acabar com a gente juntos. O moleque a gente traz a força, trouxe reforços – Nate encarou os grandalhões do time. Jungkook era tão forte assim? Mas o Nam, ele te escuta Hoseok, você e o Yoongi vão conseguir trazê-lo.

Jimin suspirou, Taehyung só escutava tudo com preocupação nos olhos e Juji, ela parecia aflita, muito mesmo.

Talvez Nate tenha razão! – Juji disse baixinho ao irmão. – Sem o Nam não tem a menor graça.

Percebi um sentimentalismo fora do comum naquelas palavras, e pelas feições de Jin, eu soube que ele tinha disfarçado bem mau o desconforto com as palavras.

Hoseok variou o peso de um pé para o outro, me encarou, parecia me questionar com os olhos. O que ele queria que eu fizesse? Eu nem sabia o que estava fazendo ali! Atentei-me para sua expressão e seus olhos se contradiziam. Um deles perecia estarem presos aos meus com um pedido suplicante para que eu pedisse para ele ficar, o outro queria fugir, correr com Nate e Yoongi atrás do amigo.

Está tudo bem! – Disse por fim, meio alheia ao meu redor.

Ele sorriu, bem aliviado. E não sei porque, mas aquele sorriso me irritou profundamente. Desejei muito dar meia volta e voltar para casa, mas só desviei meus olhos para um casal se agarrando no arbusto do jardim.

Eu cuido dela. Vai, e volta com os dois!

Hoseok sorriu para a irmã, veio até mim e tocou meu rosto delicadamente com a mão direita fazendo com que eu olhasse diretamente para seus olhos. Seu rosto deformado pelo sorriso ainda estavam lá, e era impossível não retribuir aquela magica que só ele sabia fazer.

Eu vou voltar e vamos dançar quantas músicas você quiser, okay? – Ele sussurrou para que só eu pudesse ouvir. Meu coração parecia passar pelos três estados físicos da meteria de minutos em minutos, e aquilo parecia multiplicar um forte amor/ódio por Hoseok. – Me espera!

A última frase pareceu um ultimato, e depois eu o vi descer até um carro vermelho que um garoto estranho dirigia. O atual estado físico que meu coração estava era o solido, completamente indisponível para qualquer outra coisa a não ser as mãos de Hô nas minhas. Foram quantos minutos para eu me acostumar? Que droga, ao lado dele era tão fácil deixar de ser a Dahyun para ser a Nora.

Jin veio até mim questionado se eu estava bem. Respondi que sim e ele ofereceu o braço para me acompanhar, mas vi em seus olhos que ele também estava um pouco machucado pelas palavras da Juji e me senti com mais raiva ainda por ser a 2ª opção de todos, o colírio para os olhos machucados da “galera”.

Resolvi fingir não ver seu braço estendido e andei até o hall da casa. Juji veio logo atrás de mim, junto com Jin. Bastou ver os dois juntos que meu coração se aquietou um pouco, pelo menos alguém estaria feliz ao lado de seu acompanhante.

Quando entrei na casa percebi que era real mente uma mansão, mas a maioria dos moveis tinham sido retirados para mais espaços. A casa cheirava a álcool, cigarro e perfume importado. A música eletrônica retumbava nos meus ouvidos causando um tremor na minha barriga.

Passei pelo corredor, as escadas - cheias de meninas rindo totalmente desmazeladas com suas mini-saias -  entrei no salão onde a balada estava acontecendo e encontrei a bancada com todos os tipos de bebidas. Fui até ela e me sentei em um dos tamboretes. Juji e Jin se sentaram em seguida. Taehyung e Jimin apareceram logo depois – Taehyung sumiu com a mesma rapidez que chegou quando uma morena o chamou para dançar.

Um curto diálogo foi sendo semeado entre nós, mas eu só dizia sim ou não, isso quando não fingia estar ocupada lendo os rótulos das bebidas. Estava profundamente irritada, e aquilo me fazia tão bem que eu não ligava para o que causava em outras pessoas. Nora realmente estava tomando conta de mim, eu podia ser marrenta, birrenta e mandar um dane-se para tudo. Eu podia ser o que quiser na hora em que me desse à vontade. Aquela liberdade me fez perceber o quanto eu estava perdendo em me prender em um banco e rótulos de bebidas.

Abri um sorriso quando encontrei uma garrafa de whiskey da Jack Daniels. Disse a Juji que ela devia chamar o Jin para dançar e ela pareceu surpresa com meu humor bipolar, expliquei a ela que ia ficar bem, e que estaria ali quando ela voltasse. Ela se desculpou, não sei de que, e então puxou a mão de Jin que saiu bobo do banco, olhando-a de cima até em baixo enquanto ela andava.

Sorri escancaradamente e voltei para meu novo amigo Jack Daniels, tentei abri-lo, mas minha experiência era 0% em abrir garrafas. Jimin me encarava com um sorriso debochado e pensei na possibilidade de abrir a garrafa batendo ela na sua cabeça. Mas seria muito desperdício de whiskey.

Um garoto do além surgiu, loiro, magrelo e cheirando a cigarro, me oferecendo um copo de bebida.

Quer dançar? – Ele disse próximo demais. Ele tinha um hálito de menta misturado com cigarro, era tolerável, mas ainda sim, nojento.

Talvez depois! – Disse como desculpa.

O garoto sorriu e saiu para qualquer lugar. Jimin soltou uns risinhos. Ignorei-o e tomei o copo oferecido pelo estranho levando aos lábios, quando a bebida começou a escorrer pelo vidro Jimin disse algo que tirou minha atenção da bebida.

Há dois anos esse mesmo cara me ofereceu um copo.

Olhei para ele, a garrafa de whiskey agora estava aberta e ele bebericava um pouco em seu copo. Jimin estava de olhos fechados, mas os abriu quando não recebeu resposta nenhuma. Ele olhou nos meus olhos e fez algo de comum, me analisou. Fazia isso com delicadeza, uma sutileza nos olhos pretos e um sorriso amistoso espalhado pelos lábios carnudos. Fiquei presa  na sua feição por um tempo e depois resolvi responde-lo.

E daí?

Se ele era sutil e manso, eu era grossa e direta.  Ele soltou mais um dos seus sorrisinhos indiretos, bebericou a bebida e me olhou um pouco incrédulo.

Você é mesmo ingênua né? – Ele se ergueu do tamborete em que estava sentado e se aproximou de mim. Ficando em pé ao meu lado ele apoiou um dos braços no balcão e o outro descansou em um dos bolsos da calça de couro.

Na verdade não, eu não era ingênua. Só que conhecer todas as maldades do mundo não era um requisito básico, ou era?

Do que você está falando? – Perguntei na defensiva.

Jimin me encarou. Pensava com cuidado nas palavras.

Na minha primeira festa eu só tomei um copo de bebida, oferecida pelo mesmo cara que te deu isso e o resultado não foi bom. Ele tem uns amigos bem da pesada, que fazem entregas de drogas especiais para a festa dos calouros. Ele distribui para todos, mas faz a oferta da dança só para as meninas que tem interesse em levar para cama.

Então era isso? Não aceitar coisas de estranhos? Bem, eu ia ser dopada e Jimin me avisou, isso significa que ele tinha algo de bom dentro de si. Sorri agradecida e baixei o copo, mas continuei o segurando. Não sei por quê.

Nora! – Ele me chamou. – É o seu nome não é?

Balancei a cabeça positivamente. Jimin pegou o copo da minha mão e substituiu pelo dele.

Se quer se divertir, largar esse muro de arrogância e desconfiança que te cerca, é só tomar umas cinco doses. Vai ficar desinibida como todas as outras. – Ele cheirou  a bebida que antes estava na minha mão, sorriu medroso e bebeu tudo em um só gole. – Mas acho que você não quer ser como elas, não é?

Sorri! Jimin tinha algo de muito bom nele, quase como Jin, mas bem mais ousado e abusivo.

Será que Hoseok vai conseguir trazer esse tal de Nam? – Perguntei por fim encarando a porta, esperando ver Hô entrando por ela com seu sorriso contagiante.

Acho que sim. Ele vai acabar cedendo aos encantos do Hoseok – Ele riu brincalhão. – Todos cedemos!

Ficamos rindo por um tempo. Jimin ficava o tempo todo olhado para meus olhos, como se quisesse ler algo de ruim dentro de mim. Achar um defeito. E eu fazia o mesmo. Esperava encontrar um alerta de perigo indicando que eu deveria deixa-lo o mais rápido possível.

O que aconteceu de tão ruim na sua primeira festa? – Perguntei me desvencilhando dos olhos dele.

– Você não costuma confiar nas pessoas, então porque eu deveria confiar em você? – Sua pergunta não era para me afugentar, mas para me provar.

Estou tentando achar algo de ruim em você para me poupar de sofrimentos. Sabe, todos nós deixamos de viver por medo, é uma coisa natural. Morrer sem viver e viver para morrer.

Os olhos de Jimin sorriram. Sim, os olhos dele sorriem.

Que bom que eu não sou o único. – Ele tirou o copo cheio de bebida da minha mão. –  Esse já o sexto Nora, e acho melhor não procurar tantos defeitos em mim em uma só noite. Vou te dar tempo para descobrir cada um deles.

 

Isso era um pedido de amizade? Ou uma aceitação? Sorri com a audácia do garoto e tentei me levantar, mas minha cabeça girou muito quando encostei os pés no chão. Não era minha primeira vez bebendo. Já tinha ficado em estados bem piores quando queria esquecer do meu passado desgraçado. Jimin segurou meus ombros com as mãos e eu me segurei em seus braços procurando me equilibrar. Acho que estava meio avoada, com um sorriso que não sentia e  tinha se paralisado nos lábios.

Seu candidato número um retornou. – Ele sussurrou nos meus ouvidos.

Dei passos corridos para longe de Jimin, desesperada com o que Hoseok poderia pensar. Olhei para a porta o procurando, mas não vi nem ele nem Nate. Na verdade era só o estranho com segundas intenções vindo cobrar a dança adiada. Senti náuseas em pensar naquele hálito, e olhei para os pés pensando na nova desculpa que daria. Talvez um ‘Não’ fosse o bastante.

Senti meus braços sendo guiados para a pista de dança. Pensei que aquele deturpado estava forçando a barra, mas era só o Jimin bancando o Dom Quixote de novo. Fomos para um canto mais afastado da pista de dança, e Jimin pediu permissão com palavras mudas para me segurar pela cintura. Eu não respondi, mas ele entendeu que eu não tentaria mata-lo se ele fizesse. Suas mãos acariciaram minhas costas, fazendo o percurso de uma cintura a outra, ele entrelaçou os braços como um X e me abraçou balançando devagar o corpo para que pegasse o ritmo. Eu me sentia tão idiota por não saber dançar, e mais ainda por arranjar um par dançarino profissional.

Você me deve uma.

Um jazz tocava, e meus pés se moviam lentamente junto com os dele.

Eu não pedi sua ajuda!

Rebati amedrontada do que ele poderia querer em troca. Adivinhei que seu sorriso manso e tímido estava pairado sobre seu rosto, e desejei me afastar de seus ombros para vê-lo. Acho que realmente estava bêbada.

Além de turrona é mesquinha? – Ele desfez o a braço, segurou minha mão e me rodou fazendo com que meu corpo ficasse de costas para o seu, e seu braço agarrado a minha barriga, me prendendo a sua boa vontade de me soltar. – Você não é tão ruim quanto pensa. Nem tão corajosa e marrenta. É só alguém muito teimosa, metida a esperta, ingênua e... muito bonita.

 Sua voz estava próxima do meu ouvido, mas ao invés de cocegas causava arrepios pela minha pele exposta. Deixei meu rosto pender para baixo, a fim de que o cabelo liso escorresse tampando o meu rosto vermelho pela vergonha.

Jimin me rodopiou de volta com carinho, segurou minhas duas mãos e aproximou meu corpo do seu. Ele era o guia da dança e meu corpo se recusava a ter controle, deixando que Jimin fizesse o que bem queria. Seu rosto se aproximou do meu, sua testa encostou-se à minha, meu coração não batia mais e minhas pernas travaram no lugar. O que ele estava fazendo era realmente aquilo que eu achava que ele ia fazer? Sua respiração batia contra meu nariz, e quando ele umedeceu seus lábios eu pude sentir sua língua esbarrando na minha boca. Eu realmente não estava preparada, mas meus olhos já tinham se fechado sem minha permissão. Estávamos ambos hesitando, e meu corpo começava a reagir a demora que o meu físico clamava para acontecer.

Mas tudo acabou quando uma mão levou Jimin para longe. Taehyung afastou o garoto rapidamente de mim, um pouco serio demais, e depois sorriu.

Não vai fazer algo do qual vai se arrepender depois Park. Já fez isso da última vez e quem ouviu seu choro durante meses fui eu. Além do mais, a Nora não é menina para você!

Taehyung piscou para mim. Tomou o lugar de Jimin e me levou para o meio da pista. Não olhei para trás, estava envergonhada demais para isso, não consegui sequer afastar minhas mãos da de Taehyung. Meu corpo ainda esperava algo, e minha mente estava confusa para manda-lo parar de pensar no que viria depois.

O mais alto parou segurou minha cintura sem pedir e me olhou sério. Depois levantou um canto dos lábios e me olhou inquisitivo.

Jin, Hoseok e agora o Jimin? – Taehyung passou a língua pelos lábios, àquela mania irritante e completamente sedutora me fazia querer correr para bem longe dele. – Eu ouvi coisas variadas de você Nora, mas a única que tenho certeza é de que você não gosta de mim. Por quê?

Serio isso? Ele queria que eu colocasse e palavras meu desapreço por ele? Bem, digamos que nossa apresentação não foi uma das melhores, e suas brincadeiras não tinham a menor graça. Seus olhos pareciam perverter tudo o que era bom, e ele olhava para as mulheres como se fossem um pedaço de carne utilizável somente uma vez. Suas manias eram terríveis e seu raciocínio não condizia com o mundo natural. Mas isso tudo não era o meu real problema com ele.

Você quer sinceridade? – Perguntei erguendo uma sobrancelha enquanto segurava seus ombros tentando manter o máximo de distância. Ele assentiu e sorriu com o toque da minhas mãos. – Sua autoconfiança e mísera consideração irritam, suas gracinhas não tem graça e... Você é...  Sua ...Como eu podia dizer isso sem parecer retardada?

Taehyung ergueu uma sobrancelha, curioso. – Minha?

Suspirei. – Sua beleza e presunção  ferem meu orgulho.

Esse era o problema. Negar que Taehyung era superiormente bonito era impossível, e resistir a ele estava em um grau de dificuldade concedido a poucas pessoas. E, graças ao deuses, eu fui provida desse dom, até quando duraria? Impossível saber.

Ele sorria. Seus olhos se fecharam em uma espécie de prazer interno e sua cabeça começou a se mover ao ritmo da música, assim como seu corpo, que forçava o meu a dançar.

As pessoas costumam se irritar comigo, tendem a fazer julgamentos precipitados, e dizem o que não sabem.  As garotas quase sempre dizem que me amam e no outro dia já me odeiam. Mas você... é tão esquisita a ponto de não gostar de mim por ter receio em gostar de mim? – Seu sorriso mais sincero foi solto. Eu pude o ouvir segurando as gargalhadas. – Eu realmente ofendo seu orgulho?

Sim! E isso eu realmente não perdoo. Olha só para seu sorriso excêntrico? A maneira sarcástica, os olhos bobos, as caretas e mesmo assim ainda sairia como um modelo se eu tirasse uma foto.

Taehyung parou de rir. Encarou-me. E disse o mais serio que podia.

Vou tentar não parecer tão imperfeitamente perfeito para você. Por onde começo?

Eu queria rir. Queria sorrir e dizer para ele deixar a primeira piada engraçada de lado e correr para as meninas que não desgrudavam os olhos da gente.

Que tal parar de me chamar de baixinha? 

Desafiei. Ele pareceu odiar a ideia, revirou os olhos e mordeu os lábios. Acho que tentou ser feio, mas não deu certo.

Okay! E o que mais?

Soltei uma risada. Era bem legal dar as ordens por ali.

Tem que parar de passar a língua pelos lábios. É muito... Nojento!

Ele sorriu malicioso. Aproximou-se mais e mordeu os lábios, seguindo pela mania extravagante que me deixava louca de raiva.

Não, não é nojento. – Ele sorriu mais ainda. – E eu preciso ter uma arma contra você. Já que você não é você quando deixa sua implicância de lado. Uma Nora só é Nora, se Taehyung existe para irritar.

Foi a melhor coisa que ouvi depois de conseguir minha cidadania Americana. Taehyung realmente me reconheceu pelo que sou não dando a mínima para os erros e defeitos.  Eu realmente me senti bem, pela primeira vez não quis sair correndo para longe de Tae. Pela primeira vez Dahyun deixou de existir, dando lugar para a nova eu.

Uma balburdia começou a circular, pessoas começaram a rir e falar escandalosamente. Soltei-me de Taehyung e olhei para a porta, Hoseok estava lá, me encarando com uma espécie de decepção no olhar – mas era uma decepção bem fraquinha, daquelas que passam quando um Nate chama sua atenção. Jungkook estava na porta com seu skate nas mãos, seu corpo parecia estar no ambiente, mas a alma parecia ter alcançado o Nirvana, ou ele realmente queria tanto estar longe que se desligara do corpo para não ter que ouvir uma ruiva azucrinar o ouvido – Acho que era a tal de Rachel.

Vi Jin e Juji reaparecerem, eles pareciam bem juntos e Jin segurava, pela primeira vez, as mãos de Ji Woo em público.  Encarei aquilo com alegria, mas  meu coração insistiu em saber que meu espaço no meio do coração deles era pequeno, minha mania em deixar laços se enroscarem em mim ainda permanecia, e quem acabava caída no chão, presa em fitas quilométricas de decepção era sempre eu. Resolvi ignorar os ciúmes, e foquei em Jin e seu sorriso. Meu coração saltitou de entusiasmo, desejei muito ir até ele e abraça-lo, só para poder sentir a alegria que despencava de seus olhos.

Prendi minhas mãos uma na outra e resolvi ir até lá, meus olhos percorriam o caminho que eles faziam e quando me dei por conta chegamos juntos onde Nate estava com mais alguém. Juji não sorria mais, Jin se aliara ao lado do amigo de Nate, seu irmão.  E Eu? Não sei qual foi minha reação, mas ver Kim Namjoon, o estagiário, ao lado de Nate e Jin foi a maior surpresa do meu dia.

Jin e Kim Namjoon eram irmãos?


Notas Finais


E então? Gostaram? Espero que sim XD
Essa festa tem continuação gente, Jimin abuso ainda vai fazer um tremendo show, segredos vão ser revelados, Jungkook vai sair do modo morto, Nora vai ter que rebolar para sair das encrenca que vai criar.
Mas antes do próximo capítulo sair, preciso que vocês respondam algumas perguntinhas.
* A Nora é que tipo de protagonista?
*A Juji ( Diugi) é uma coadjuvante legal? Como ela está se saindo sendo amiga da Nora e paixão do Jin?
* Qual dos meninos até agora pareceu ser o garoto pela qual Nora vai se apaixonar? (Vale mais de um)
* Qual dos meninos teria um perfil de ser do gênero bissexual?
*Hoseok, Jimin ou V?
*Kim Namjoon ou Jin?
*Suga ou Jungkook?

Adoro ver vocês xingando, e fazendo escândalos nos comentários por isso não temam, eu só mordo mesmo.

Meu Twitter para quem quiser seguir e conversar. Eu sigo de volta : https://twitter.com/KikaRenard User: @KikaRenard

XOXO E ATÉ O PRÓXIMO


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