História Rehab - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias NCT U
Personagens Doyoung, Hansol, Jaehyun, Johnny, Mark, Taeil, Taeyong, Ten, Winwin, Yuta
Tags Dojae, Johnten, Soil, Taeten, Yusol, Yuten, Yuwin
Exibições 105
Palavras 4.080
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Depois de quase um mês sem atualizar por motivos de faculdade, aqui estou eu dizendo que tô viva e que não me esqueci dessa fic. -qq

Então, eu queria agradecer pelos 40 favoritos. Sério, isso é muito importante pra mim. Obrigada por estarem lendo e ~espero~ gostando do que estou escrevendo. <3

Revisei por cima, então desculpem-me pelos erros.


Boa leitura

Capítulo 4 - Lembranças


Fanfic / Fanfiction Rehab - Capítulo 4 - Lembranças

Não fazia tanto tempo que Hansol tinha chegado a sua casa. Dessa vez, não ia desapontar seu namorado, que o esperava na cozinha. Não se lembrava do motivo de Yuta ter se estressado tanto. Talvez porque estava conversando “até demais” com Taeil? Muito provavelmente, pois o japonês era completamente obcecado e possessivo por Hansol.

Mas nem sempre foi assim. Já eram dois anos de namoro, mas naqueles últimos meses, Yuta se tornara irreconhecível. Começara a ser mais agressivo e inseguro, além de impulsivo.

Já ouviu as pessoas ao seu redor falando sobre isso, sobre o quão diferente o seu namorado estava, mas Hansol preferiu esperar até o pior quase acontecer.

Entrou na cozinha como sempre fazia, sem muita cerimônia. Viu Yuta de frente à pia de lavar louça e de costas para o namorado. Hansol se aproximou.

- Já estou aqui. – Mas nenhuma palavra foi dita de volta. – Yuta?

O mais novo se virou, mostrando os braços ensanguentados e os cortes profundos que fizera com uma tesoura. O sangue escorria até os dedos. Hansol ficou em estado de choque, sem entender.

- M-Mas o que...

- Me desculpa. – Os olhos de Yuta lacrimejavam. – Eu não quis te machucar. Fiz aquilo por amor.

O que Yuta falava era sobre a noite anterior, em que agrediu Hansol depois de ter se irritado com uma conversa por telefone com Taeil. Claro que o japonês o via uma grande ameaça, pois poderia sentir que Taeil era apaixonado por Hansol. Queria rouba-lo dele, era isso.

Chegou a gritar, a chorar e a agredir fisicamente o seu namorado quando o mesmo se aproximou para acalma-lo, para dizer que não era nada do que ele estava pensando. Não deu nada certo.

Hansol passou as mãos pelos ombros do menor, o envolvendo em um abraço.

- Eu não deveria, mas te perdoo. Eu te amo muito para não te perdoar. – Sentiu o abraço sendo correspondido. Não se importava com o sangue manchando a sua camisa.

Yuta apertou o abraço até onde pôde. Hansol o beijou o topo da cabeça.

- Ninguém vai te tirar de mim. Eu te amo, Hansol.

 

Estava sonhando acordado. Hansol piscou os olhos, observando o local. Ainda estava no quarto, sentado na cama. Foi uma amnésia de cinco segundos que se passou em sua cabeça, até recuperar toda a consciência. Massageou os olhos e tentou se recompor.

Levantou-se da cama como se nada tivesse acontecido. Taeil estava em outro quarto com a porta fechada, provavelmente se arrumando para ir a seu trabalho. Não queria atrapalha-lo, mas também queria desesperadamente falar com ele.

Sem pensar, Hansol bateu na porta do quarto, e sem receber uma resposta imediata, entrou.

- Taeil, eu... – Não completou quando viu as costas nuas do mais velho bem a sua frente.

Taeil se virou um pouco assustado com a entrada repentina de Hansol no quarto. O mais velho estava apenas com a sua roupa íntima. Apesar disso, o mais alto não se importava em como Taeil estava. Precisava muito falar com ele.

Se bem que, naquele momento, claramente não era uma boa hora.

- D-Desculpa te interromper. Eu deveria ter esperado... – Foi interrompido.

- Não. Pode ficar. – Taeil pegou sua calça, a qual estava sobre a cama. – Não me incomodo com você aqui. Bem... – Corou um pouco, ainda sem olhar pra ele. – A não ser que você se incomode, claro.

- Não me incomodo. – Hansol se sentou em uma cadeira giratória. – Eu preciso muito falar com você.

Taeil terminara de vestir a calça. Olhou sem entender para o outro.

- Pensei que não queria falar com ninguém... – Se aproximou do mais novo. – Sobre o que quer falar?

Hansol não conseguia raciocinar direito com Taeil sem camisa na sua frente, mas deveria ignorar aquilo. Afinal, seria a primeira vez em que iria se abrir com ele.

- Sobre Yuta

De certa forma, Taeil não estava impressionado. Decepcionado, mas não impressionado. Revirou os olhos, tentando não demonstrar que ficava incomodado quando Hansol tocava no nome de Yuta. Todavia, não poderia fazer nada.

- Sim...

- Eu estou preocupado com ele. Não sei se ele vai estar disposto ao que ele vai sofrer naquele lugar.

Taeil não tinha o que falar sobre aquilo. Bem, na verdade, tinha, mas preferia ficar quieto e não assustar Hansol. Tudo o que queria era que o mais novo se sentisse mais confiante, e para isso, precisava se conformar com o fato de que nunca irá tê-lo. Pois parecia que o amor entre Hansol e Yuta não iria se desfazer.

Sentia-se horrível por já ter desejado que isso acontecesse.

- O que você sente por ele é tão bonito... Mesmo ele tendo feito aquelas coisas com você... – Apertava o seu coração falar daquilo.

Hansol assentiu, sentindo o tom forçado na fala do outro.

- Sei bem do que ele fez comigo. – Sua voz pesada evidenciava que não teria mais condições de continuar falando daquilo por mais tempo. – Mesmo assim, eu sinto que posso perdoa-lo.

Não iria aguentar ir até o final daquela conversa sem falar algo que estava passando por sua cabeça. Esperava não afetar o outro de alguma forma, mas deveria tentar.

- Por que perdoar alguém que você sabe que pode fazer tudo o que fez de novo? Depois de tudo isso, ainda confia em Yuta?

Foi algo sem pensar, e pensou que Hansol poderia sair de lá completamente chateado. No entanto, o mais novo apenas abaixou a cabeça, claramente confuso.

- Só eu e ele sabemos do que realmente aconteceu.

Não queria estender aquele assunto, então Taeil se aproximou ainda mais do outro, que fechou os punhos com nervosismo. Passou a mão pelo rosto do mais novo, o qual ainda estava um pouco marcado.

- Eu sei que você não vai dizer nada pra mim, mas ainda vou me esforçar pra você ficar bem logo.

Hansol queria muito olhar nos olhos dele, mas o clima estava tão quente que não conseguia sequer falar, porque todos os seus pensamentos estavam confusos. Por que se sentia assim quando estava com Taeil?

- Obrigado... Eu não sei o que seria de mim sem você.

Se ao menos Hansol soubesse do impacto daquelas palavras em Taeil, tudo ficaria mais claro.

 

 

  – x –

 

 

Já fazia quase dois dias que Yuta não saia daquele lugar nem ao menos para ir ao jardim do local, um lugar bem arborizado e calmo. Por isso, pediu a Sicheng leva-lo até lá.

O sol estava ardendo os seus olhos, mas era pela falta de costume. Assim que adentrou ao jardim, colocou ambas as mãos sobre os olhos, tentando se esconder da luminosidade. Estava frágil demais para aquilo. Ao menos se livrou das roupas brancas, tendo liberdade para usar as suas próprias roupas. Estava mais confortável daquele jeito.

Sicheng caminhava ao seu lado, observando o seu rosto, mas ficando um pouco sentido quando o mais velho colocou as mãos sobre o rosto. O chinês pousou as mãos sobre os pulsos do outro, afastando as mãos do mesmo. Yuta continuava com os olhos fechados.

- Pode abrir os olhos. Devagar. – Sussurrou para o paciente.

O japonês obedeceu-o. A visão estava um pouco turva. A forma que encontraram para diagnostica-lo era pesada e desconfortável. Não sabia se ia sobreviver àquilo. Mordeu os lábios.

- Eu quero ficar sozinho.

- Não posso sair de perto de você aqui no jardim. Desculpe-me...

Yuta ficara um tanto irritado. Afastou violentamente as mãos do outro para andar sozinho. Sicheng não entendeu bem aquela reação estranha.

No dia anterior, o japonês não estava tão raivoso assim. Talvez as constantes mudanças em seu humor estivessem em um nível desesperador. Deveria segui-lo, independente do que o outro falasse.

Yuta percebeu que Sicheng estava o seguindo, o que lhe aumentava mais sua raiva. Em determinado momento, pensou em correr pela grama, tentar despista-lo, mas quando menos esperou, o chinês havia o agarrado para que ele não fugisse.

- Ei! Me solta! – Tentou se debater, mas em vão. – Por favor, me deixa em paz! – Suas lágrimas nasciam de novo. – Eu não quero você perto de mim!

- Se acalma... – Claro que Sicheng estava com medo do outro o machucar ou fazer coisa pior, mas não poderia o deixar naquele estado. – Eu não vou fazer nada com você.

O mais velho parou de se debater, mas bufou de raiva. Empurrou o outro, mas dessa vez, não fugiu. Ficou apenas parado a sua frente.

- Eu deveria te levar para o quarto de novo?

Yuta fez que não, seguramente.

- Não me leve de volta pra lá nem tão cedo, tá me ouvindo?! – Falou de forma rude. – Eu não quero ficar trancado!

O chinês respirou fundo.

- Então não fuja de mim, ok?

Yuta olhou para o chão, derrotado.

- Ok... Me desculpa.

O mais novo pegou na mão do paciente, levemente. Sentia-se um pouco mal em fazer aquelas coisas, mas o outro não lhe dava escolha. Espantou-se quando sentiu o seu corpo sendo jogado no chão. Caiu de joelhos na grama, enquanto via Yuta se sentando na grama. Estavam debaixo de uma árvore, pôde perceber só naquele momento.

Os ventos estavam ficando um tanto mais fortes, mas não eram ameaça. Os olhos vazios do mais velho não o davam a confiança de que aquela situação iria mudar tão brevemente.

Obviamente Yuta não queria passar a ideia de ser uma pessoa completamente irritante, mas fazia aquelas coisas quase involuntariamente. Não entendia o motivo de estar assim e queria ajuda e carinho, mas ao mesmo tempo, não queria uma aproximação muito grande de mais ninguém. E sabendo que tinha que ficar muito tempo com a mesma pessoa, tudo se tornava mais torturante.

- Você precisa ficar comigo, não é? Então, me escute agora. – Falou da forma mais calma que pôde, mesmo claramente aquilo não sendo um “calmo” propriamente dito. – Eu quero me aproximar das pessoas, mas eu não consigo.

Sicheng tentou entender o que o outro estava sentindo. Podia sentir a dor dele em suas palavras. Não percebeu que ainda estavam de mãos dadas.

- Entendo... – A única coisa que podia fazer era ouvir. Não queria que ficasse um silêncio muito grande, mas para o seu alívio, Yuta começara a falar novamente logo em seguida.

- Eu nunca quis machucar ninguém... Ainda mais... – Lembrou-se de Hansol, e do quanto que seu ex-namorado deve ter sofrido. – Eu não queria me lembrar de que o machuquei.

Ainda com aqueles pensamentos. Yuta apertou a mão de Sicheng, que apenas percebeu que eles ainda estavam de mãos dadas após isso, mas não se importou.

- Isso já acabou... Eu sei que ainda é muito recente, mas... Você pode melhorar. Seu ânimo vai voltar, basta você querer se esquecer de tudo isso. – Viu o rosto molhado por lágrimas do outro. Não gostava de ver ninguém chorando. – Não chore, ok?

Os olhos de Yuta se voltaram para o enfermeiro. Não via alguém que o ajudaria, mas alguém que só o atrapalharia. Não sabia por que confiou no outro para falar aquelas coisas. Afastou a mão do outro.

Sicheng suspirou.

- Acredite em nós se você quiser sair daqui.

Yuta mais uma vez ficara em silêncio. Claramente queria que o outro saísse dali, mas não queria ser rude, pois já foi o bastante. Iria guardar a sua impulsividade enquanto ainda podia.

Felizmente, ou não, uma terapeuta foi até eles. A mulher pediu para Sicheng a acompanhar, já que precisava de ajuda em alguma coisa. Como parecia ser uma ordem, o chinês logo assentiu, dizendo que já ia. Assim que ela voltou, balançou a cabeça, recompondo a paciência.

- Eu não deveria, mas vou ter que te deixar aqui. Posso confiar em você?

Yuta fez que sim, apenas querendo que o outro saísse de lá.

O mais novo o deixou com um coração um tanto apertado. Levantou-se, caminhando até o saguão do hospital, mas antes, olhou para trás, ainda conseguindo ver Yuta sentado debaixo de uma árvore, abraçando as pernas e aparentemente chorando.

Por que o deixara lá?

 

 

Yuta também se perguntava por que o deixou ir. Por mais que aquele lugar o desesperasse, não poderia ter colocado o enfermeiro como se fosse o único culpado daquilo tudo. Parecia que não valeu a pena ter pedido a ele pra sair um pouco. Apenas se frustrou por não conseguir se abrir corretamente... de novo.

Talvez não tivesse mais chances para se recuperar.

- Oi! – Uma voz alegre o assustou.

Yuta estava tão perdido em seus pensamentos que quase se jogou na grama inconscientemente. Ouviu a risada de Ten, que saiu de trás da árvore e se curvou.

- Te assustei de novo, foi?

O japonês respirou fundo.

- Você de novo?!

Ten se ajoelhou na grama, ao lado de Yuta. Viu que o outro estava chorando, e por isso, tirou o sorriso do rosto.

- Ah, você está chorando... Por quê?

O maior não sabia o que responder. Era um conjunto de coisas que estava o fazendo triste, mas não sabia como começar a falar. Estava muito perdido.

- Não sei.

O tailandês ergueu uma sobrancelha, tentando entender.

- Está assim por causa de alguém?

Como ele pôde deduzir isso de forma tão simples? Bem, Yuta não se demonstrou surpreso. Olhou para Ten, percebendo que ele não iria o deixar em paz nem tão cedo. Suspirou.

- Não é do seu interesse.

- Mas você parece estar tão triste. Quero ajudar.

- Não! Me deixa em paz!

O menor o olhou sem entender.

- Por quê? Não quer companhia?

Yuta demorou a responder, o que o fez interpretar de uma forma completamente equivocada.

- Acho que quer.

O japonês o olhou com indignação. Como alguém poderia dizer com tanta certeza do que ele queria, ainda mais nem o conhecendo?

- Você tem um parafuso a menos.

O tailandês riu.

- Até parece que eu não sei disso. Se eu não tivesse um parafuso a menos, eu não estaria aqui.

Fez o outro se impressionar.

- Você tem consciência do que você tem?

Ten fez que sim.

- Sim, por isso eu tento melhorar e... bem, acho que nem aqui está dando certo. – Riu sem graça. – Saí da Tailândia pensando que aqui no Japão, as pessoas me entenderiam, mas...

O japonês se encolheu, um tanto culpado por como o tratou. Deixou que o outro se aproximasse, mesmo contra a sua vontade. Viu que Ten era mais bonito do que pensava. Os olhos brilhantes do tailandês eram tão vivos que o davam certa esperança. Era um sentimento bom.

- Acho que sei como se sente.

- Sério? Então isso quer dizer que podemos ser amigos?

- N-Não quis dizer isso...

Parecia que o mais novo não entendia o significado da palavra “não”. Ten pôs as mãos nos ombros de Yuta, o olhando nos olhos.

- Posso fazer algo que você vai gostar?

O japonês não entendeu a pergunta, e não deu tempo de perguntar, pois sentiu os lábios de Ten sobre os seus.

Poderia ter se debatido, mas correspondeu ao beijo.

 

 

 

 

Andando pelos corredores do hospital, ainda se perguntava por que havia deixado Yuta lá, sozinho. Estava um tanto apreensivo, e com certeza, iria levar algum carão de algum superior. Por seu azar, Sicheng se encontrou com Johnny no corredor, que logo se perguntou por que o chinês estava lá, e não com o paciente.

O americano foi até ele, que estava andando ao lado da terapeuta. O parou ali mesmo.

- Sicheng? Pensei que estava com o Yuta.

Sicheng parou ali mesmo, se encolhendo.

- É que me chamaram com urgência.

- Não se preocupe, eu precisei chama-lo. – A moça interviu.

Johnny entendeu, pelo menos. Suspirou, colocando as mãos sobre a cintura.

- Sim, então onde está o paciente?

Sicheng, mais aliviado, olhou nos olhos do maior.

- Está no jardim.

O americano mordeu os lábios. Ten também estava no jardim. E do jeito que o tailandês era... Preocupou-se, porque não sabia o que Yuta seria capaz de fazer com ele. Estremeceu-se só de pensar na possibilidade.

- Tudo bem, Johnny? – Perguntou o chinês.

O maior fez que sim, sem olhar para Sicheng.

- Eu vou pro jardim então. Podem prosseguir.

Achou estranho o jeito que Johnny falou. Sicheng o seguiu com o olhar, e o outro parecia estar quase correndo até o jardim.

Não poderia demorar muito. Tinha obrigações a cumprir.

 

 

– x –

 

 

Taeyong tentava se concentrar em todos os livros sobre Ética que tinha. Não conseguia como um todo. Sempre voltavam os mesmos pensamentos. E não era apenas Yuta que o preocupava, ainda que fosse o principal. Havia a preocupação com a sua situação, de seu trabalho e tudo mais. Não aguentava mais ouvir a voz de Doyoung, e não aguentava mais pensar que estava sendo um peso para Jaehyun.

Ainda mais, sempre quando percebia, se pegava pensando naquele garoto hiperativo daquele hospital. Sentia que sua cabeça poderia explodir apenas por pensar nisso.

Colocou a mão na testa, enquanto sentado em frente àquela mesa. Parecia estar começando a latejar.

- Taeyong! – A voz de Doyoung soou no local. O outro apenas se arriou a mesa em cima dos livros, se fingindo de morto. – Nossa, que disposição! – Ironizou.

O mais velho se ergueu novamente, suspirando.

- O que você quer agora?

Doyoung encostou a mão no ombro dele.

- Não precisa se levantar. Quero falar com você.

Viu o maior se encostando a mesa e cruzando os braços, enquanto ainda olhava pra ele.

- Então fale.

- Bem... – Revirou os olhos. – Eu quero te pedir desculpa.

Por um momento, Taeyong não acreditou. Virou o seu rosto para ele com indignação e surpresa.

- O que disse?

- Você realmente quer que eu repita?

- Não consigo entender.

- Sim, estou te pedindo desculpa. Pronto, satisfeito?

Taeyong se levantou da cadeira, ficando de frente a ele.

- Você não tá doente? Quer que eu te ajude?

Doyoung bufou.

- Para com isso, Taeyong!

- Quantas semanas de boquete o Jaehyun te prometeu para você vir me falar isso?

- Quer que eu mude de ideia?

Já chegou ao limite. Taeyong ficou convencido que foi o próprio Doyoung que quis pedir desculpas. Decidiu então não o irritar.

- Ok. – Colocou as mãos sobre a cintura. – Mas por que exatamente?

Doyoung olhou para o chão, batendo os dedos uns nos outros.

- Por... ah! Eu não quero que o Jaehyun se chateie mais comigo, e, além disso, fiquei com um peso enorme na consciência. Sabe... desde que o Yuta se meteu nisso tudo, eu percebi que você não vêm tido descanso. E acho que eu piorei tudo, não?

Taeyong cogitou em perguntar se ele estava brincando ou não. Todavia, como sabia que Doyoung não era de fazer brincadeiras, percebeu que não seria bom faze-lo. Coçou a nuca, sem ter o que dizer.

- Você me estressa. – Falou com a maior sinceridade que conseguia. – Mas sou agradecido por ter se passado um ano que eu estou na sua casa e não me chutou pra fora daqui.

- Isso não significa que eu não tive vontade de fazer isso várias vezes.

- É, eu sei. – Riu sem humor. – Mas bem... É por isso que você está me pedindo desculpa?

O mais novo se desencostou da mesa.

- Bem... Sim. Eu tenho que te tratar melhor. – Olhou para o rosto do inquilino. – Sei que você não está em um bom momento.

Taeyong assentiu sem ânimo.

- Sim, sim. Obrigado por finalmente me entender, Doyoung. – Sorriu fraco.

- Mas eu sempre te entendi.

- Que?

- Só não ia com a sua cara.

- Ah... Eu também não ia com a sua cara. – Cruzou os braços novamente, rindo. – Mas eu te desculpo.

Doyoung respirou fundo, aliviado.

Jaehyun ouvia a conversa no pequeno corredor com um sorriso tranquilo no rosto. Finalmente os dois pareciam se entender. Esperou eles se silenciarem para poder entrar. Doyoung olhou para ele de imediato, corando logo em seguida.

- Finalmente se acertaram, não é?

Taeyong se virou para o amigo, erguendo as sobrancelhas.

- Você tem algum dedo nisso, Jaehyun?

- Uma mão inteira. – Riu da pergunta do amigo. Foi até o marido, envolvendo os ombros dele com o braço. – Oi, querido. – Deu um selinho no outro.

- Chegou mais cedo, Jaehyun. – Sorriu para o mais alto. Ainda estava corado. – Fiz o que sempre me pediu.

Sabia que não poderia simplesmente ficar parado lá como um idiota, pois tinha aula para dar. Meteu-se quase no meio dos dois, os dispersando.

- É muito linda a forma que vocês dois me deixam de vela, mas eu preciso ir dar aula. – Fez ambos olharem pra ele. – Eu só queria que vocês soubessem. Desculpa quebrar o clima.

Jaehyun riu, se virando para Taeyong.

- Bem, agora que vocês se acertaram, você bem que poderia... – Foi interrompido por uma tapa que levou na cabeça por Doyoung.

- Nem pense nisso! Eu ainda não tenho simpatia o suficiente por ele pra isso!

O mais novo riu. Taeyong entendeu o que ele quis dizer, então, um pouco constrangido, deu uns passos pra trás.

- Então... Acho melhor não, tenho muitas coisas para fazer.

Foi surpreendido por uma risada por parte de Doyoung. Realmente, algo novo. Esperava que as coisas fossem mais fáceis dali em diante.

 

 

Quando ligou para Jaehyun para saber onde Taeyong estaria, esperava ser mais fácil. Porém, quando o amigo lhe respondeu de que ele tinha ido dar aula para um garoto em uma pensão, Hansol pensou realmente em desistir do que ia fazer. Pra que beneficiar uma pessoa que aceitou ir contra ele em um tribunal? Mesmo que não fizesse sentido, não custava tentar.

Era simples, se não encontrasse Taeyong naquele lugar dentro de uns minutos, iria embora. Por sorte, a pensão não era longe de onde morava com Taeil, então conseguiu ir até lá mesmo andando. Apesar de preocupar muito o seu amigo, não iria deixar aquilo passar.

Ficou surpreso em ver o outro andando um pouco a frente dele, indo para o mesmo lugar. Hansol tentou apertar o passo para poder alcançar Taeyong, e conseguiu. Chegou próximo do outro e colocou a mão no ombro dele, o fazendo se virar.

- Hansol?! – Se assustou quando viu o rosto do outro. – Mas o que... – Fora interrompido.

- Taeyong, eu preciso falar com você.

O menor ergueu uma sobrancelha, surpreso.

- Eu pensei que nunca mais iria querer me ver depois de eu ter... – Fora interrompido.

- Você me ajudou.

- O que?

O mais alto olhou para o chão, pensando no que havia falado. Estava certo. Não tinha nada de errado.

- Eu queria muito que Yuta tivesse algum acompanhamento médico porque eu sei que ele não é daquele jeito. – Olhou nos olhos de Taeyong. – E eu sei que você também sabe disso.

Taeyong revirou os olhos.

- De fato. – Ergueu os ombros. – Meu primo nunca foi violento.

Hansol respirou fundo, o que fez Taeyong estranhar. Sabia que ele iria demorar a superar tudo o que aconteceu com Yuta, mas Hansol estava péssimo. Pior do que imaginava. Viu o maior pegando uma boa quantia de sua carteira e entregando ao menor.

- Eu sei que o Yuta não vai ter condições de te pagar. Bem... Eu não sei nem se eu posso fazer isso, mas fique com esse dinheiro.

Taeyong olhou para o maior sem entender.

- Espera aí! Você está me pagando por estar contra você em um tribunal?! É sério isso?!

Hansol fez que sim.

- Não tenho como explicar. Apenas aceite, por favor.

Foi naquele momento que Taeyong decidiu olhar para Hansol em um todo. Ele estava mais magro e mais frágil. Começara a se perguntar se aquilo tudo foi fruto do que houve com Yuta. Não poderia ser possível, tinha mais alguma coisa acontecendo.

- Hansol, você tá bem?

- Estou ótimo.

- Não me parece “ótimo”.

O maior preferia que ninguém além de Taeil soubesse da leucemia. Fez uma reverência, em respeito. Olhou nos olhos de Taeyong, que claramente não estava entendendo nada.

- Sim, estou muito bem. – Mordeu os lábios.

Taeyong desviou o olhar, sem graça.

- Outra coisa, pretende visitar o Yuta?

Hansol fez que não, seguramente.

- Não quero mais vê-lo. Ele fez muito mal a mim.

O menor esperava aquela resposta. Desviou o olhar. Percebendo que não poderia se atrasar para a aula que deveria dar, deu uns passos pra trás.

- Foi o que imaginei. Me desculpe por isso, Hansol.

Viu o outro se afastando para ir até o seu compromisso. O maior ficara parado ali, sem muita vontade de sair.

Eu menti, pensou para si mesmo.


Notas Finais


Um biscoito pra quem acertar o que o Jaehyun pensou. *aquela carinha*

Obrigada por lerem e espero que tenham gostado. <3 Comentem o que acharam, se possível. Iria me fazer bem feliz.
Lembrando que eu geralmente demoro para responder pelo mesmo motivo que citei lá nas notas iniciais, mas eu respondo, e eu SEMPRE leio e releio os comentários. Apenas avisando. Obrigada, de nada. <3

Até o próximo capítulo


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