História Reign of Cabello - Capítulo 47


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Larry Stylinson, Norminah, Trolly, Vercy
Exibições 172
Palavras 4.024
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 47 - Like Margaret Windsor


46 – Like Margaret Windsor 

  

  

  

       Dizem os soberanos mais antigos que o maior trabalho do governante é não fazer nada, que o fazer nada é o trabalho mais difícil de todos e que ele exige de toda sua energia. Ser imparcial não é natural, não é humano. Sempre vão querer que o soberano sorria, concorde ou feche a cara, esse é o ponto nevrálgico deste mundo. E quando você faz isso ou age humanamente, declara uma posição, um ponto de vista e essa é a única coisa que o soberano não tem direito. Quanto menos fizer, disser, concordar, sorrir, pensar, sentir, respirar, existir, melhor. Essas regras cabem perfeitamente como uma luva para um bom soberano, mas para uma pessoa de carne, osso e coração, se faz cruel. O soberano deixa de ser mãe ou pai de família, irmão, primo e amigo ao que o poder cai em seu colo. A soberania exige uma extinção do seu eu anterior quando a coroa pousa em sua cabeça. Ou se é um soberano ou se é um pai, mãe, irmão, amigo e primo. Estes são os conflitos contraditórios que derrubaram monarquias e famílias. 

  

  

Lauren Jauregui 

  

- Se tem vontade de me perguntar algo, pode falar, filhota. – desviei meus olhos dos documentos a minha frente para encarar minha filha sentada em meu colo com sua expressão curiosa e traquina. 

       Hoje era meu dia de levá-la ao balé, mas no meio do caminho Mary mudou de ideia e insistiu para que me acompanhasse ao meu gabinete. Eu sabia que uma hora ou outra ela ficaria entediada e eu teria que deixar de fazer minhas obrigações para cair na brincadeira ao seu lado. 

- Pode falar. – incentivei. 

       Ela pensou por um momento sobre a minha proposta, ladeou a cabeça e me encarou pensativa como costumava fazer quanto tinha dúvidas. 

- Elas são uma chateação? – franzi o cenho e ela apontou para caixa vermelha a minha frente. 

- As caixas? – perguntei e ela assentiu. – Elas só são uma chateação quando eu me descuido delas. Eu tenho que cumprir e cuidar para que não me deixem chateada ou virem um problema. Um grande problema. – toquei na ponta de seu nariz. – Por isso que a mom sempre está aqui e não pode faltar muito. 

- Ouh, nem no natal? – sorri. Natal para ela é algo sagrado e emocionante. Crianças tendem a criar um universo colorido e desbravador sobre o natal e sua cultura. 

- Nem no natal. – seus dedos se trançaram e ela respirou fundo, mostrando-me que sua cabeça pequenina e infantil estava abarrotada de perguntas alheias e fervilhantes, por mais que ela mal entendesse do que se tratava. Curiosidade e senso de conhecimento. 

- Ouh, mom, o que vem dentro delas? – alisou a caixa vermelha. 

- Hum... – abri o recipiente. – Papéis, vários deles, de diversas cores e tamanho. – deveria ter uns cinquentas ou mais papéis. – Tudo que eles querem que eu saiba, colocam por cima. – apontei para dentro e ela olhou coçando a nuca. – Tudo que preferiam que eu não soubesse, por exemplo, reuniões de gabinete e instruções do ministério de relações exteriores, eles colocam por baixo. Por isso, o que eu faço quando ninguém está vendo é isto. – retirei todos os papéis de dentro da caixa e os virei na mesa lhe arrancando um riso solto. 

- Eu não entendo o que a senhora quer dizer muito não, mas é engraçado. Dá vontade de jogar para cima, tipo chuva de papel. – ri com gosto até que a tosse forte me tomasse o ar. Eu estava gripada, doente ou não sei. Algum tipo de alergia. Há alguns dias venho tossindo e cansando constantemente. Camila vai me matar quando souber que me esqueci de tomar meus remédios para imunidade. Meu peito doía e estava cheio de catarro, tanto que as vezes quando eu falava ou respirava algo soava rouco. Infelizmente não me livrei das amarras de uma vida não saudável e ainda tenho que me cuidar por causa da minha anemia. 

- Eita, mom. – minha filha colocou a mão em meu rosto e o alisou tentando me acalmar quando não consegui cessar a crise respiratória. Seu olhar era preocupado e assustado. 

- Pegue, pequena rainha. – respirei fundo quando a tosse diminuiu e lhe entreguei uma pasta tentando distrai-la. 

- Mom. – me chamou e eu fiz um som nasal para que prosseguisse. – A senhora não se cansa disso tudo? Não cansa de ficar todo dia? – fixei meus olhos nela e deparei-me com uma seriedade gigante e inacreditável para uma criança. Às vezes quando eu e Camila falávamos sobre esse tipo de postura de nossa filha com algumas pessoas, elas achavam que poderíamos estar mentindo, mas Mary tinha um senso e uma áurea que às vezes eu julgava como criança sensível e madura. Eu não sei se madura é a palavra certa em definição a tudo isso, por que ela ainda é criança, mas às vezes se posicionava diante de certos assuntos e situações como se entendesse realmente ou sentisse tudo o que esta quer dizer. – Mom, a senhora não se cansa disso tudo? – tornou a perguntar diante do meu súbito silêncio. 

- Sim. – respirei fundo e ela encostou sua cabeça em meu peito. 

- A senhora se sente sozinha? – brincou com o botão de minha blusa e eu beijei sua testa. 

- Ás vezes, por isso é tão importante ter a pessoa certa ao meu lado. – suas mãos passaram a alisar meu rosto. – Eu tive muita sorte em ter sua mãe, em todos os sentidos e aspectos. Ela me dá a paz, o amor e o aconchego que eu preciso e basta, por que assim eu tenho forças para enfrentar o mundo. Consegue me entender, pequena Valente? – beijei seus olhos que estavam num tom acinzentado naquela manhã.  

- Acho que sim, a senhora ama a mama e a mama ama a senhora? – assenti. – E isso não deixa à senhora triste, nem sozinha? – abri um sorriso largo. 

- Isso. – ajeitei os documentos que terminei de assinar. 

- A mama fala sobre algo..... – parou para pensar. – Ficar forte igual à mulher maravilha. 

- Isso mesmo, pequena rainha. – ajeitei sua franja. 

- Mom.... – me chamou, mas foi interrompida por batidas a porta. 

- Entre. – autorizei e levantei as vistas para ver quem era deparando-me com Felicity um tanto quanto nervosa. – Fizzie? 

- Hey. – consertou os óculos diversas vezes num sinal claro de nervoso e sorriu amarelo. – Já começou sem mim? – comentou sobre as obrigações da red box qual ela tinha que fazer comigo. – Pensei que eu fosse sua secretária particular e favorita, mas Lilly tomou meu lugar. – fingiu-se de triste aproximando-se de minha filha. 

- Mary está me ajudando em seu lugar. – a pequena sorriu. – Você demorou, agora ela é minha favorita. 

- É tia Fizy. – levantou a pasta. – A mom me deixou fazer um monte de coisa. 

- Isso mesmo, pequena, tem que ajudar a sua mom ou ela não cumpre as regras da caixa. – revirei os olhos e ela voltou à atenção para mim. – Precisamos conversar, é urgente. – sussurrou quando Mary se distraiu com algo em cima da mesa. – Só mantenha a calma. – afastou-se da mesa indo para o canto da sala, deixei Mary na cadeira e levantei-me seguindo seus passos. 

- O que foi? – perguntei preocupada. 

- Liza já trouxe o jornal desta manhã? – neguei e ela me estendeu o jornal mostrando-me a capa. 

- O que é isso? – perguntei afobada ao deparar-me com uma foto de Taylor e seu professor de esgrima na manchete de um dos principais jornais de Londres. – Felicity? O que é isso? – meu coração batia tão desesperado e quebrado que eu mal conseguia respirar. – Que história é essa? – sussurrei. – Desde quando Taylor tem um caso com um homem casado e vira manchete de um dos jornais mais famosos do país? Que porra é essa? 

- Eu não sei e estou tão surpresa quanto você. – olhou para Mary que ainda se matinha entretida em rabiscar os papéis. – Isso está causando um alvoroço que você não faz ideia e não tem nem uma hora que esse jornal foi para as bancas. Lauren, todos os canais de TV estão comentando, há falatório em cada esquina, a porta do palácio tem mais fotógrafos que eu nem sei o que. Isso vai explodir. 

- Como eu não soube disso? Eles divulgaram algo irreal sem o meu aval. – raiei entredentes. – Que maldita história é essa? Isso está quebrando as regras tácitas de deferência e respeito da mídia para com a família real. – andei de um lado a outro. – “Palácio de Buckingham ignora boatos de relacionamento controverso – Romance real põe monarquia em risco.” – reli a manchete. – Onde está Michael? Ele já sabe disso? Ligou-me? Onde diabos ele está? 

- Viajou a Austrália. – respondeu. – Caçada de St. Louis de novo. Não sei se isso já chegou lá, mas ele vai enfartar, com certeza seu secretário já sabe e daqui a pouco o mundo vai desabar. Que Deus nos salve.  

- Minha mãe? – assim que terminei de falar meu celular tocou chamando minha atenção. 

- Não morre mais. – Felicity me entregou o celular onde a foto de minha mãe piscava. 

- A senhora sabia? – nem a deixei falar. 

- Lauren..... 

- A senhora sabia, sim ou não, mamãe? – a cortei. 

- Você precisa se acalmar..... Isso não é hora para agir de cabeça quente ou se deixar cegar por um escândalo. – respirou fundo. – Por favor, venha a Stuart House, nós precisamos conversar. Charles e Martin estão virão amanhã, seu pai está incomunicável e eu sinceramente não faço ideia de como proceder perante a isso. Charles e Martin saberão o que fazer quando nos reunirmos a eles e ao seu pai. – Martin é secretário do governo e Charles é secretário de minha mãe. 

- Chego ai em meia hora. – desliguei e disquei o número de Camila que atendeu no segundo toque. 

- Amor.. você já viu as notícias? – perguntou preocupada. 

- Sim, vida, eu estou indo a Stuart agora para resolver as coisas com minha mãe. – fiz sinal para Felicity avisar a Diggle da minha saída. – Vou mandar Mary de volta para casa com Oliver, tudo bem? – minha filha me olhou de cenho franzino e minha esposa fez um som nasal em concordância. – Eu tenho que resolver isso antes que estoure mais. 

- Só mantenha a calma, você não sabe se é verdade. – neguei com a cabeça. Taylor nos últimos meses estava me dando tanta dor de cabeça e me trazendo tantos problemas que eu não duvidava de mais nada. Eu me perguntava como uma menina se tornou outra completamente diferente num piscar de olhos. – Amor, paciência, ela só tem dezoito anos. – chamou minha atenção. – Não resolva nada de cabeça quente.   

- Eu sei. – respirei fundo. – Vida, o que eu faço? 

- Converse com ela, se isso for verdade, iremos achar uma solução. Não estamos em 1936, nem em 1953, o mundo é outro e monarquia também. 

- Mas a história se repete, realeza versus divorciados e casados. – lembrei. – Estamos passando pelos mesmos problemas. Lá trás também não deu certo, por que daria agora? 

- Por que as rainhas do Reino Unido somos nós.  – calma e clareza, era isso o que ela me trazia toda santa vez. – Eu confio em você e sei que fará de tudo para resolvermos essa situação sem perdas ou desastres. – essa é a minha rainha. – Assim que terminar, me ligue e venha para casa. Você não tomou seus remédios e está cheia de catarro. – tentei me justificar, mas ela não me deixou. – Nem ouse mentir para mim, têm dez dias que você está assim, não discuta comigo. – e ali eu me calei. – Eu te amo muito. 

- Eu amo você, vida. Obrigada. 

- Peça para Oliver trazer minha filha em segurança. – ri. Camila é tão paranoica. 

- Sempre. Beijo. – desliguei. 

- Vamos? – Felicity se aproximou. 

- Sim. – vesti meu sobretudo. – Falou com Oliver? – ela assentiu. – Filha. – chamei Mary que já me olhava com cara de choro. – A mom vai ter que sair. 

- Para onde? – me abaixei para ficar em sua altura. – Mom, a senhora prometeu. 

- A mom tem que ir conversar com a vovó e a tia Taytay. – expliquei calmamente. 

- Eu posso ir? – neguei ajeitando sua roupa. – Mas eu quero ver a vovó. – fez um bico. 

- Mais tarde, amor. A vovó está com problemas e a mom precisa ajudá-la. – a carreguei. 

- Tudo bem. – ficou com a carinha triste. 

- A mom te ama. – beijei sua bochecha ao sairmos da sala. 

- Eu te amo, mom. – abraçou meu pescoço. 

- Você vai com Ollie.  – desci a escadas em direção a porta do Palácio. 

- Tudo bem. – murmurou contra meu pescoço. 

- Desfaz essa carinha. – deslizei o nariz no seu. – Daqui a pouco a mom está em casa, eu juro. – beijei sua testa e a entreguei para Oliver. – Cuidado, Ollie. – assentiu. Esperei que ele a colocasse em segurança dentro do automóvel e partisse antes de fazer o mesmo processo. 

  

**** 

  

       Dava para ouvir os gritos de minha mãe e Taylor da entrada de Stuart House. Eu pedia paciência e clareza a Deus para resolver aquela maldita situação ou íamos todos enlouquecer. 

- Eu posso saber que diabos está acontecendo aqui? – entrei na sala de reuniões e bati a porta ganhando a atenção das duas mulheres a minha frente. – Por que você está gritando feito uma desorientada, Taylor Regina? 

- Eu não aguento mais, Lauren. – minha mãe se queixou e negou veemente com a cabeça. Sua expressão indicava todo desgaste mental para lidar com uma rebelde. – Essa menina está me dando nos nervos, estou a ponto de mandá-la para um colégio intento ou exército. 

- Taylor.  

- Não se meta, Lauren. – me cortou respondendo-me rudemente. 

- Cuidado como você fala comigo. – me aproximei dela. 

- Ou o que? – me encarou. – Eu tenho a porra de dezoito anos e vocês acham que possuem o direito de me dizer o que fazer. Eu estou de saco cheio disso, você pode me poupar do desprazer do seu sermão moralista.  

- Abaixe seu tom de voz, Taylor. – gritei de volta e ela se encolheu. – Você se acha tão adulta e sobre si, então por que faz tanta merda? Você é imatura e irresponsável deveria procurar seu lugar.  

- Você não sabe de nada. – me encarou. 

- Seu rosto bonitinho está estampado em cada banca de jornal da Grande Londres. – joguei o jornal em sua direção. – Acha que eu não sei de nada? Até quando ia esconder isso? – ela se manteve calada. – Vamos, me responda.  Até quando pensou que esconderia isso? Você se envolveu com um homem casado e com filhos. Você tem dezoito anos, Taylor. 

- É a minha vida, Lauren. – bateu os pés. – Eu tenho o direito de fazer o que eu quiser. 

- Não, Taylor, é a vida dessa família. Somos uma família, tudo o que você faz reflete em nós, se você cair, nós caímos. Esta é a monarquia. Esse é o preço que se paga, regras são para serem seguidas e cumpridas.  

- Quem você acha que é para me dar lição de moral? – se aproximou de mim. – Você fez coisa pior, Lauren, não tem do por que de me passar um sermão, eu não sou sua filha. – cerrei as mãos em punho. Eu sentia tanto ódio quando usavam meu passado infeliz para me atingir. – Você se acha, por que é a grande Lauren, a rainha da Europa, não é? A grande rainha que zela pela monarquia e tem um continente nas mãos, mas não passa de uma doente, fraca e perturbada. 

- Você está pedindo por um castigo, Taylor. – me aproximei dela e minha mãe entrou na minha frente. – Você está implorando por isso. Você não sabe metade do que eu passei e do jeito que é mimada não duraria um dia. Você é uma infeliz.  

- Você tem inveja de mim. – riu debochadamente. – Sempre teve, por que papai me ama e eu sou sua filha favorita. 

- Poupe-me, Taylor e cale-se. Você não sabe o que fala, não passa de uma mimada que está querendo chamar atenção. Pensa que não sei seu maldito jogo. – encarei-a seriamente. – O que você quer? 

- Um principado. – Voíla. 

- Não. – foi até a adega e enchi o copo de uísque. 

- Você deu títulos a Christopher e não me deu nada, Lauren. – diminui o tom. 

- Eu te dei ducados e você continuou com o titulo de princesa. 

- Não me serve. – avaliei sua expressão. 

- Não te serve? – ela se manteve calada. – Você quer um principado para casar com esse homem. Só um principado te livraria da ira e cólera do governo.  

- Taylor. – minha mãe a olhou em choque. 

- Não haja como se não soubesse, mamãe. – jogou-se contra o sofá e eu encarei minha mãe. Eu não acredito que ela sabia daquilo e deixou acontecer. 

- Eu não acredito nisso. – ri sem humor. 

- Ela me disse que ele era plebeu, não casado e com filhos. – justificou. 

- Divorciado. – corrigiu. 

- A senhora permitiu isso debaixo do seu teto. – acusei. – Ele pode ter se envolvido com ela quando era menor de idade ainda. – falei entredentes. 

- Eu não sabia, Lauren. – minha mãe se aproximou de mim. 

- Ela tem dezoito anos. – deslizei a mão no rosto. 

- Lauren, me escuta, por favor. – Taylor se aproximou de mim. – Eu o amo. – neguei. – Você acha que eu não sei de nada, mas eu sei. Eu o amo, nós não tivemos nada antes que eu completasse dezoito anos, por que sabíamos que isso iria complicar. Eu não sei explicar, mas com o passar dos anos uma amizade floresceu entre nós e que agora virou algo a mais. Ele se divorciou há um ano e acho que foi natural que começássemos a pensar em algo a mais, um futuro juntos e chegamos a essa decisão de um dia...... 

- Casar. – completei. 

- Isso. – sorriu. – Claro que sabemos das complicações e questões em jogo. 

- A esposa dele, Taylor. – minha mãe informou. 

- Ex-esposa. – corrigiu. – Lauren... 

- Não é tão fácil, Taylor. – beberiquei. – Você não estará pronta para isso. Você não está pronta para casar. 

- Você e Camila se casaram com dezenove. – aumentou o tom. Eu não tinha nem um pouco de paciência para atuar Taylor mais. 

- Eu e Camila fazemos parte de um tratado. – informei. – Você o conhece há um ano. Está querendo passar por cima de tudo e todos por conta disso. Tudo no seu tempo. Há um governo, uma família, títulos e nomes em jogo. Tudo se é feito com paciência e calma. 

- Eu odeio você. – jogou as coisas que estavam cima da mesa no chão. – Vocês preferem ver a minha infelicidade. 

- Abaixe seu tom de voz para falar comigo. – gritei assustando-a. – Você não está falando com seus amigos moleques. Eu estou cansada disso, cansada do que você vem fazendo. Não é assim que funcionam as coisas, Taylor. Haja com maturidade pelo menos uma vez na vida. 

- Eu vou acabar com a monarquia. – me empurrou. 

- Será muito pior quando seu pai souber, saiba disso. Você acha mesmo que ele vai te apoiar nisso, tem certeza? Se eu fosse você me preparava para o pior.  – se ela está pensando que Michael vai passar a mão pela cabeça dela está muito enganada. – Agora, saia. Vá para o seu quarto e não saia desta casa até que tudo se resolva. – ela saiu batendo a porta e eu me joguei contra a cadeira. – Isso vai virar um inferno.... 

- Você está me culpando. – minha mãe sentou-se a minha frente. 

- Como a senhora deixou chegar a isso? – beberiquei o uísque. 

- Eu sei tanto quanto você sobre essa história, Lauren. – a olhei. – Eu não entendo como Taylor chegou a isso e me faz questionar minha capacidade como mãe. Um dia ela estava bem e no outro aprontando na escola, se envolvendo com pessoas que mal conhecemos e desprezando a realeza. 

- Isso não tem nada a ver com a sua capacidade como mãe ou a forma como nos criou. Se formos colocar numa balança, ela e Liam foram os que mais tiveram educação adequada. Taylor é rebelde sem causa, por que foi mimada por Michael e isso vai prejudicá-la. – tamborinei o dedo na mesa. – Isso é bem maior do que ela posso sequer imaginar ou suportar. O mundo está evoluído e aberto para muitos, mas aqui na corte de St. James nada mudou, nada se mistura e as regras permanecem as mesmas entre céus e infernos. Para começar, isso irá causar um maior escândalo e começarão a questionar a monarquia. O Reino Unido está marcado pela catástrofe de Eduardo e Margaret Windsor. Realeza e divorciados fazem qualquer coroa cair levando todos seus herdeiros. 

- Deus, o que eu fiz para merecer isso? 

  

**** 

  

    Entrei no banheiro retirando minhas roupas e jogando em qualquer canto. Londres está fria e eu preciso de um banho quente para relaxar. 

      Eu estava tão nervosa e desesperada que cada célula do meu corpo tremia. Isso não é bom sinal, não para mim que sou uma doente psicológica. Todos os meus problemas estavam muito bem relacionados ao meu psicológico, o que afetava minha saúde física e desencadeava meus transtornos, ansiedade e insônia. Eu precisava tomar algum remédio antes que desse uma crise nervosa. 

      Abri a porta do armário do banheiro e peguei três cartelas de remédio. Depositei um comprimido de cada em minha mão e levei a boca com um tanto de água. 

- Por que está tomando o seroquel e o rivotril de vez, Lauren. – a voz de Camila soou atrás de mim assustando-me. 

- Por Deus, Camila, você quer me matar do coração? – a olhei através do espelho. 

- Você não respondeu a minha pergunta.  – se aproximou de mim. – Por que está tomando o rivotril? 

- Eu estou nervosa. Você sabe que eu preciso. – ela me avaliou minuciosamente. – Ela quer um principado, Camila. Eu não sou nenhuma desajuizada, estamos falando de uma soberania. Ela está mentindo para mim, está com ele há muito tempo. – desabei sobre ela. 

- Amor... 

- Estamos falando de um homem casado, Vida, ela quer ir para o buraco e levar a monarquia inglesa junto. – passei a mão no rosto inconformada. – Não me olhe assim. – reclamei ao sentir seus avelãs me encurralarem. 

- Ainda bem que você sabe. – abraçou meu pescoço. 

- Eu não me envolvi com ninguém casado, Camila. – sua boca foi para meu queixo. 

- Amor, eu não quero desenterrar isso, mas Taylor tinha a mesma idade que você quando tudo aconteceu. – apertei sua cintura. – Você precisa trazê-la para perto, se ela estiver..... 

- Ela está. – cortei. 

- Se ela estiver o caminho certo não é afastá-la. Ela está perdida, primeiro amor e toda a questão do proibido. Taylor sempre se mostrou hiperativa e desordeira, quanto mais vocês proibirem e brigarem, mas ela vai fazer o errado para te enlouquecer. – alisou meu rosto. – Sabemos das regras quanto à realeza se envolver com divorciados, mas ela precisa entender por que disso. 

- Eu não sei o que fazer. 

- Olha para mim. – encarei-a. – Amanhã seu pai chega, os lordes irão se reunir e ministros também. Você precisará ter paz de espírito para suportar todas estas cobranças. – assenti. – Esfria essa cabeça, toma um banho gostoso e quente, eu fiz seu jantar. – colou nossos lábios. – Bem do jeito que você gosta. – sugou meu lábio inferior. – Fica calma para mim, só para mim. – enfiei meus dedos em seu cabelo e colei nossas bocas. – Você está tremendo, amor. – soou preocupada e eu colei nossas testas. – Deixa-me olhar em seus olhos.  – abri os olhos. – Vai ficar tudo bem. – posou a mão sobre meu peito. – Eu amo você. Confia em mim, eu prometo que vai ficar tudo bem. Só confia em mim 

- Eu te amo tanto. – colei nossos lábios mais uma vez. 

- Eu vou te esperar lá em baixo. – me deu um mais um selinho e eu assenti. – Não demore. – deixou o banheiro. 

       Bebi mais um pouco d´agua e a vontade de tossir me veio. Eu estava começando a cansar de novo e a sensação era horrível. Para me livrar do gosto em minha boca cuspi no vaso e me deparei com respingos de sangue. 



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