História Em meio ao passado- ladrão de raios - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Bianca di Angelo, Charles "Charlie" Beckendorf, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Dionísio, Frank Zhang, Grover Underwood, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Jason Grace, Júniper, Katie Gardner, Leo Valdez, Luke Castellan, Nico di Angelo, Percy Jackson, Piper Mclean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Silena Beauregard, Thalia Grace, Travis Stoll, Zeus
Tags Nicercy, Percico, Pernico
Visualizações 66
Palavras 3.814
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei nessa bagaça!!! Desculpem se demorei, e aproveitem o capítulo!!

Capítulo 3 - Meias mortais


- Capítulo 2 - Três velhas senhoras tricotam as meias da morte- leu.

Eu estava acostumado a uma ou outra experiência esquisita, mas normalmente elas passavam depressa. Aquela alucinação 24 horas por dia e sete dias por semana era mais do que eu podia encarar. Durante o resto do ano escolar o campus inteiro parecia me pregando algum tipo de peça. Os alunos agiam como se estivessem completa e totalmente convencidos de que a Sra. Kerr – uma loira alegre que eu nunca tinha visto na vida até o momento em que ela entrou no nosso ônibus no fim da excursão – era nossa professora de iniciação à álgebra desde o Natal.

- Onde você conseguiu alguém pra ser a nova professora, Quíron? - Charles perguntou e todos olharam para o centauro. 

- Ela era uma filha de Atena que tinha se formado, contratamos ela caso algo assim acontecesse.- esclareceu e a leitura voltou.

De vez em quando eu soltava uma referência a Sra. Dodds para cima de alguém, só para ver se conseguia fazê-los titubear, mas eles me olhavam como se eu fosse louco.

- Esse é o chato da Névoa, faz pessoas na situação do Percy acharem que ficaram malucas.- disse Ártemis. 

Acabei quase acreditando neles: a Sra. Dodds nunca tinha existido. Quase.

Mas Grover não conseguiu me enganar. Quando eu mencionava o nome Dodds ele hesitava, depois alegava que ela não existia. Mas eu sabia que ele estava mentindo.

- Sério, sátiro, alguém precisa te ensinar urgentemente à mentir!!- exclamou Hermes e seus filhos concordaram, deixando Grover todo vermelho de vergonha. 

Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa havia acontecido no museu.
Eu não tinha muito tempo para pensar no assunto durante o dia, mas, à noite, visões da Sra. Dodds com garras e asas de couro me faziam acordar suando frio.

- Fracote.- sussurrou Ares pra si mesmo, mas Percy ouviu e mandou uma enorme bola de água fria nele e todos riram.

O tempo maluco continuou, o que não ajudava meu humor. Certa noite, uma tempestade de raios arrebentou a janela do meu dormitório. Alguns dias depois, o maior tornado jamais visto no vale do Hudson tocou o chão a apenas oitenta quilômetros da Academia Yancy. Um dos eventos correntes que aprendemos na aula de estudos sociais era o número inusitado de pequenos aviões que caíram em súbitos vendavais no Atlântico naquele ano.

Todos os do passado olharam pra Zeus e Poseidon sabendo que essa não era só uma discussão comum, algo maior estava acontecendo.

Comecei a me sentir mal-humorado e irritado a maior parte do tempo.

Todos os semi-deuses estremeceram, sabendo que coisas muito ruins podem acontecer quando Percy fica irritado.

- Qual é, ele não pode ser tão assustador assim!!- exclamou Ares e os deuses viram eles assentirem com a cabeça. 

- Teve uma vez em que todos ficaram em volta dele a semana toda porque descobriram que ele tocava piano, até que ele se irritou tanto que ouve um terremoto,  seguido de um furacão consideravelmente pequeno e uma onda vinda da praia que molhou todos em uma distância de dois quilômetros de onde ele estava.- Nico contou.

Todos os deuses ficaram espantados com o poder do garoto, mas depois que o choque passou a leitura voltou depois de Apolo pedir pro menino dar uma demonstração do que ele toca mais tarde.

 Minhas notas caíram de D para F. entrei em mais atritos com Nancy Bobofit e suas amigas. Era posto para fora da sala e tinha de ficar no corredor em quase todas as aulas.

- Pelo menos você está conseguindo estudar direito agora...- comentou Annabeth.

Finalmente, quando nosso professor de inglês, o Sr. Nicoll, me perguntou pela milionésima vez por que eu tinha tanta preguiça de estudar para as provas de ortografia, eu explodi. Chamei-o de velho dipsomaníaco. Não sabia direito o que aquilo queria dizer, mas soou bem.

O Olimpo todo ouviu a risada vinda da sala do trono com essa última frase.

O diretor mandou uma carta para minha mãe na semana seguinte, tornando oficial: eu não seria convidado a voltar para a Academia Yancy no ano seguinte.

Ótimo, disse a mim mesmo. Simplesmente ótimo. Eu estava com saudades de casa. Queria ficar com minha mãe no nosso pequeno apartamento no Upper East Side, mesmo que tivesse de frequentar uma escola pública e aturar meu padrasto detestável e seus jogos de pôquer estúpidos.

Percy estremeceu ligeiramente à menção do ex-padrasto, abraçando o namorado em uma tentativa de se esconder das lembranças de sua infância. Todos na sala perceberam isso é suspeitaram, mas acharam melhor não dizer nada agora.

E, no entanto... havia coisas em Yancy de que eu sentiria falta. A vista da minha janela para os bosques, o Rio Hudson à distância, o cheiro dos pinheiros. Sentiria falta de Grover, que tinha sido bom amigo, mesmo com seu jeito meio estranho. Fiquei pensando como ele iria sobreviver ao próximo ano sem mim.

Também sentiria falta da aula de latim – os dias malucos de torneio do Sr. Brunner e sua confiança em que eu poderia me sair bem.

- Você pode mesmo, só precisa de um pouco de esforço em não causar nenhum acidente.- comentou divertida Katie.

Quando a semana de exames foi se aproximando, latim era a única prova para a qual eu estudava. Não tinha me esquecido que o Sr. Brunner falara, sobre essa matéria ser questão de vida ou morte para mim. Não sabia muito bem por que, mas acreditei nele.

- Que bom, deixa as coisas um pouquinho mais fáceis.- Afrodite disse.

Na noite anterior ao meu exame final, fiquei tão frustrado que joguei o Guia Cambridge de mitologia grega do outro lado do dormitório. As palavras tinham começado a flutuar para fora da página, dando voltas na minha cabeça, as letras fazendo manobras radicais como se estivessem andando de skate. Não havia jeito de eu me lembrar da diferença entre Quíron e Caronte, ou Polidectes e Polideuces. E conjugar aqueles verbos em latim?

- Latim é muito fácil! -disse Jason, vendo todos os semi-deuses gregos revirarem os olhos.

Nem pensar.

Fiquei indo de um lado para outro no quarto, com a sensação de que havia formigas andando por dentro da minha camisa.

Os irmãos Stolls e a Clarisse sorriam maliciosos em pensar em fazer isso com o Percy, mas o olhar assustadoramente maligno que Poseidon mandou pra eles os fez pensar que preferiam continuar vivos.

Lembrei a expressão séria do Sr. Brunner, de seus olhos de mil anos. De você, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson.

Respirei fundo. Peguei o livro de mitologia.

Eu nunca havia pedido ajuda a um professor antes. Se falasse com o Sr. Brunner, quem sabe ele me daria algumas dicas. Poderia, pelo menos, pedir desculpas pelo grande F que ia tirar na prova. Não queria sair da Academia Yancy deixando-o pensar que eu não tinha me esforçado.

- É fofa a maneira como você queria o deixar impressionado, mesmo já tendo sido expulso. -disse Héstia e Percy ficou corado.

Desci a escada para os gabinetes dos professores. A maioria estava vazia e escura, mas a porta do Sr. Brunner estava entreaberta e a luz que vinha da sua janela se estendia ao longo do piso do corredor.

Quíron e Grover trocaram olhares imaginando que já sabiam o que iria acontecer.

Eu estava a três passos da maçaneta da porta quando ouvi vozes dentro da sala. O Sr. Brunner tinha feito uma pergunta. Uma voz que, sem sombra de dúvida, era a de Grover disse: “...preocupado com Percy, senhor.”

Eu gelei.

Normalmente não sou bisbilhoteiro, mas desafio alguém a não tentar ouvir quando seu melhor amigo está falando sobre você com um adulto.

- Eu iria perder com certeza.- disseram todos os semi-deuses em uníssono. 

Cheguei um pouquinho mais perto.

– ...sozinho nesse verão – Grover estava dizendo. – Quer dizer, uma benevolente na escola! Agora que sabemos com certeza, e eles também sabem...

– Só vamos piorar as coisas se o apressarmos – disse o Sr. Brunner. – Precisamos que o menino amadureça mais.

Clarisse abafou o riso, quando todos olharam pra ela, disse:

- O Percy não é muito maduro!!- com isso todos riram um pouco, menos Percy e Poseidon.

– Mas ele pode não ter tempo. O prazo final do solstício de verão...

– Terá de ser resolvido sem ele, Grover. Deixe-o desfrutar sua ignorância enquanto ainda pode.

- Se bem que ele ainda hoje é um pouco ignorante.- Annabeth comentou, deixando Percy emburrado e alguns riram. O que eles não viram foi que essa ofendeu o garoto.

– Senhor, ele a viu...

– Imaginação dele – insistiu o Sr. Brunner. – A Névoa sobre os alunos e a equipe será suficiente para convencê-lo disso.

- É sério que você achou isso?- perguntou Dionísio. 

Quíron apenas seu de ombros.

– Senhor, eu... eu não posso fracassar nas minhas tarefas de novo – a voz de Grover estava embargada de emoção – sabe o que isso significaria.

- Você não fracassou! -disseram juntas Thalia e Annabeth, deixando o sátiro agradecido.

– Você não fracassou, Grover – disse o Sr. Brunner gentilmente. – Eu deveria tê-la visto como ela era. Agora vamos apenas nos preocupar em manter Percy vivo até o próximo outono...

- Considerando a sorte do Percy, isso pode ser uma tarefa quase impossível! - disse Nico e Percy deu um tapa no braço dele, enquanto todos riram.

O livro de mitologia caiu da minha mão e bateu no chão com um ruído surdo.

- E lá se vai meu orgulho!- disse Hermes dramático. 

- Viu? Esse é um exemplo de como Percy é azarado.- disse Nico.

O Sr. Brunner silenciou.

Com o coração disparado, peguei o livro e voltei pelo corredor. Uma sombra deslizou pelo vidro iluminado da porta da porta de Brunner, a sombra de algo muito mais alto do que meu professor de cadeira de rodas, segurando alguma coisa suspeitamente parecida com o arco de um arqueiro.

Quando todos olharam pra ele, desviou o olhar tentando parecer inocente,  só faltando começar à assobiar. 

Abri a porta mais próxima e me esgueirei para dentro.

Alguns segundos depois ouvi um lento clop-clop-clop, como blocos de madeira abafados, depois um som como o de um animal farejando bem na frente da minha porta.

Um grande vulto escuro parou diante do vidro e depois seguiu adiante.

Uma gota de suor escorreu por meu pescoço.

Em algum lugar no corredor, o Sr. Brunner falou.

– Nada – murmurou ele. – Meus nervos não andam tão bons desde o solstício de inverno.

- O que ouve no solstício de inverno? - quis saber Apolo, mas não recebeu resposta.

– Nem os meus – disse Grover. – Mas eu podia ter jurado...

– Volte para o dormitório – disse-lhe o Sr. Brunner. – Tem um longo dia de provas amanhã.

- Aquele foi um dia horrível, minha mão ficou cheia de bolhas de tanto tempo segurando um lápis. - disse Percy dramático. 

– Nem me lembre.

As luzes se apagaram na sala do Sr. Brunner.

Aguardei no escuro pelo que pareceu uma eternidade.

- Por quanto tempo você ficou lá? - perguntou Silena.

- Só uns cinco minutos.- disse Percy e todos deram risada.

 Por fim, me esgueirei para o corredor e subi de volta para o dormitório. Grover estava deitado na cama, estudando as anotações para a prova de latim como se tivesse estado lá a noite inteira.

– Ei! – disse ele, com olhar de sono. – Vai estar preparado para a prova?

Não respondi.

– Está com uma cara horrível. – Ele franziu a testa. – Tudo bem?

– Só estou cansado.

Virei-me para que ele não pudesse perceber minha expressão e comecei a me preparar para dormir.

- Nem funcionou, eu posso ler emoções. - disse o sátiro. 

- Mas eu não sabia, então calado!- respondeu o garoto um pouco emburrado. 

Não entendi o que tinha ouvido lá embaixo. Queria acreditar que havia imaginado aquilo tudo. Mas uma coisa estava clara: Grover e o Sr. Brunner estavam falando de mim pelas costas. Achavam que eu corria algum tipo de perigo.
Na tarde seguinte, quando estava saindo da prova de latim de três horas, atordoado com todos os nomes gregos e romanos que tinha escrito errado, o Sr. Brunner me chamou de volta.

Por um momento, fiquei preocupado achando que ele descobrira minha bisbilhotice na noite anterior, mas não parecia ser esse o problema.

– Percy – disse ele. – Não fique desanimado por deixar Yancy. É... é para o seu bem.

Seu tom era gentil, mas ainda assim as palavras me deixaram sem graça. Embora ele estivesse falando baixo, os que terminavam a prova podiam ouvir. Nancy Bobofit me lançou um sorriso falso e fez pequenos movimentos de beijo com os lábios.

Percy fez uma careta ao lembrar disso.

Eu murmurei:

– Está bem, senhor.

– Quer dizer... – O Sr. Brunner andou com a cadeira para trás e para frente, como se não tivesse certeza do que falar. – Este não é o lugar certo para você. Era apenas uma questão de tempo.

Meus olhos ardiam.

Ali estava meu professor favorito, na frente da classe, me dizendo que eu não era capaz. Depois de falar o ano todo que acreditava em mim, agora me dizia que eu estava destinado a ser expulso.

– Certo – falei, tremendo.

– Não, não – disse o Sr. Brunner. – Ah, que droga. O que eu estava tentando dizer... é que você não é normal, Percy. Não é nada...

– Obrigado – soltei. – Muito obrigado, senhor, por me lembrar.

– Percy...

Mas eu já tinha ido. 

- Você precisa aprender à ser um pouco mais gentil, Quíron.- comentou Héstia, deixando o centauro um pouco vermelho.

No último dia de aulas, enfiei minhas roupas na mala.

Os outros garotos estavam fazendo piadas, falando sobre os planos para as férias. Um deles ia fazer trilha na Suíça. Outro faria um cruzeiro de um mês pelo Caribe. Eram delinquentes juvenis como eu, mas delinquentes juvenis ricos. Os papais eram executivos, embaixadores ou celebridades. Eu era um joão-ninguém, de uma família de joões-ninguém.

Todos olharam pra Percy indignados, fazendo o garoto se assustar um pouco e se esconder atrás de Nico.

Eles me perguntaram o que ia fazer no verão, e eu disse que voltaria para a cidade.
O que não lhes contei foi que ia arranjar um trabalho de verão passeando com cachorros ou vendendo assinaturas de revistas, e passar o tempo livre pensando em onde iria estudar no outono.

Os deuses se perguntaram porque um garoto de doze anos precisaria arrumar um trabalho.

– Ah – respondeu um dos garotos. – Legal.

Eles voltaram à conversa como se eu não existisse. A única pessoa de quem tinha medo de me despedir era Grover, mas do jeito como as coisas aconteceram, eu nem precisei. Ele havia comprado uma passagem para Manhattan no mesmo ônibus Greyhound que eu, então lá estávamos nós, juntos outra vez, indo para a cidade.

- Isso é ser um pouco perseguidor...- comentou Apolo e Ártemis deu um pescotapa nele.

Durante toda a viagem de ônibus, Grover olhava nervoso para o corredor, observando os outros passageiros. Ocorreu-me que ele sempre agia de modo nervoso e inquieto quando saíamos de Yancy, como se esperasse que algo ruim fosse acontecer. Antes, eu achava que ele tinha medo de que o provocassem. Mas não havia ninguém para fazer isso no ônibus.

Finalmente, não pude mais aguentar.

– Procurando Benevolentes?

- Acho que ele quase morreu naquela hora.- comentou Travis divertido.

Grover quase pulou do assento.

– O que... o que você quer dizer?

Confessei ter ouvido a conversa dele com o Sr. Brunner na noite anterior ao dia da prova.

Hermes começou a bater a cabeça no encosto de braço do trono, achando que nunca se deve confessar um crime da qual você não foi pego.

O olho de Grover estremeceu.

– Quanto você ouviu?

– Ah... não muito. O que é o prazo final do solstício de verão?

Ele se esquivou.

– Olhe Percy... Eu só estava preocupado com você, entende? Quer dizer, tendo alucinações com professoras de matemática demoníacas...

– Grover...

– E eu estava dizendo ao Sr. Brunner que talvez você estivesse muito estressado, ou coisa assim, porque não havia uma pessoa chamada Sra. Dodds e...
– Grover, você mente muito mal mesmo.

- Finalmente alguém disse!!!- Hermes, Travis e Connor disseram juntos, levantando os braços e ajoelhando.

As orelhas dele ficaram cor-de-rosa. Do bolso da camisa, ele pescou um cartão de visitas encardido.

– Pegue isto, certo? Para o caso de você precisar de mim este verão.

O cartão tinha uma escrita floreada, que era um terror para os meus olhos disléxicos,

Todos olharam pra Dionísio com uma pergunta muda na qual ele respondeu:

- Eu acho engraçado como eles apertam os olhos e tentam ler esse tipo de escrita!- disse rindo e todos o olharam feio. 

mas por fim consegui identificar alguma coisa como:

Grover Underwood

Guardião
Colina Meio-Sangue

Long Island, Nova York

(800) 009 -0009

– O que é Colina Meio...

– Não fale alto! – ganiu. – É meu, ah... endereço de verão.

Meu coração desabou. Grover tinha uma casa de veraneio. Eu nunca imaginara que a família dele poderia ser tão rica quanto as dos outros em Yancy.

- Quem me dera ser.- disse Grover.

– Certo – falei, mal-humorado. – Tá, se eu quiser uma visita à sua mansão.

Ele assentiu.

– Ou... ou se você precisar de mim.

– Por que iria precisar de você?

- Credo, que rude.- repreendeu Hera, Percy abaixou a cabeça em reconhecimento.

Saiu mais rude do que eu pretendia.

- Que bom que sabe, pelo menos!- disse Hera ainda um pouco brava.

Grover ficou com a cara toda vermelha.

– Olhe, Percy, a verdade é que eu... eu tenho, de certo modo, que proteger você.

Olhei fixamente para ele. Durante o ano inteiro me meti em brigas para manter os valentões longe dele. Perdi o sono temendo que, sem mim, ele fosse apanhar no ano que vem. E ali estava Grover agindo como se fosse ele a me defender.

– Grover – disse eu – do que exatamente você está me protegendo?

Houve um tremendo barulho de algo sendo triturado embaixo dos nossos pés. Uma fumaça preta saiu do painel e o ônibus inteiro foi tomado por um cheiro de ovo podre. O motorista praguejou e levou o ônibus com dificuldade até o acostamento.
Depois de alguns minutos fazendo alguns sons metálicos no compartimento do motor, o motorista anunciou que teríamos de descer. Grover e eu saímos em fila com todos os outros.

Estávamos em um trecho de estrada rural – um lugar que a gente nem notaria se não tivesse enguiçado lá. Do nosso lado da estrada não havia nada além de bordos e lixo jogado pelos carros que passavam. Do outro lado, depois de atravessar quatro pistas de asfalto que refletiam uma claridade trêmula com o calor da tarde, havia uma banca de frutas como as de antigamente.

As coisas à venda pareciam realmente boas: caixas transbordando de cerejas e maçãs vermelhas como sangue, nozes e damascos, jarros de sidra dentro de uma tina com pés em forma de patas, cheias de gelo. Não havia fregueses, só três velhas senhoras sentadas em cadeiras de balanço à sombra de um bordo, tricotando o maior par de meias que eu já tinha visto.

Os deuses tiveram um mau pressentimento sobre isso, Poseidon olhou pro filho preocupado.

Quer dizer, aquelas meias eram do tamanho de suéteres, mas eram obviamente meias. A senhora da direita tricotava uma delas. A da esquerda a outra. A do meio segurava uma enorme cesta de lã azul brilhante.

As três mulheres pareciam muito velhas, com o rosto pálido e enrugado como fruta seca, cabelo prateado preso atrás com lenço branco, braços ossudos espetados para fora de vestidos de algodão pálido.

- Você nunca tinha dito que encontrou as Parcas!!- Nico disse preocupado.

- Como eu não morri não achei que precisasse comentar.- respondeu com naturalidade.

A coisa mais esquisita era que elas pareciam olhar diretamente para mim. Encarei Grover para comentar isso e vi que seu rosto tinha ficado branco. O nariz tremia.

– Grover? – chamei. – Ei, cara...

– Diga que elas não estão olhando para você. Estão, não é?

– Estão. Esquisito, não? Você acha que aquelas meias serviriam em mim?

– Não tem graça, Percy. Não tem graça nenhuma.

A velha do meio pegou uma tesoura imensa – dourada e prateada, de lâminas longas, como uma tosquiadeira. Ouvi Grover tomar fôlego.

– Vamos entrar no ônibus – ele me disse. – Venha.

– O quê? Lá dentro está fazendo quinhentos graus.

- Por que é tão difícil só entrar na porcaria do ônibus?!- murmurou Poseidon pra si mesmo e ninguém ouviu.

– Venha!

Ele forçou a porta e subiu, mas eu fiquei embaixo.

Do outro lado da estrada, as velhas ainda olhavam para mim. A do meio cortou o fio de lã, e posso jurar que ouvi aquele ruído cruzar as quatro pistas de trânsito. As duas amigas dela enrolaram as meias azuis e me fizeram imaginar para quem seria aquilo – o Pé Grande ou o Godzilla.

Apesar da tensão, a última frase aliviou um pouco e alguns foram um pouco.

- Só mesmo você pra conseguir achar um jeito de fazer graça num momento desses!- disse Nico no ouvido do namorado. 

Na traseira do ônibus, o motorista arrancou um grande pedaço de metal fumegante do compartimento do motor. O ônibus estremeceu e o motor voltou à vida, roncando.

Os passageiros aplaudiram.

– Tudo em ordem! – gritou o motorista. Ele bateu no ônibus com o chapéu. – Todo mundo para dentro!

- Por que os mortais fazem essa coisa com o chapéu? -perguntou Leo.

- Não sei...- responderam todos.

Quando já estávamos a caminho, comecei a me sentir como se tivesse pego uma gripe.

Grover não parecia muito melhor. Estava tremendo e batendo os dentes.

– Grover?

– Sim?

– O que me diz?

Ele enxugou a manga da camisa.

– Percy, o que você viu lá atrás, na banca de frutas?

– Você quer dizer, aquelas velhas? O que há com elas, cara? Elas não são como... a Sra. Dodds, são?

- Muito, muito, muuiito piores que a Fúria!!- disse Thalia fazendo drama.

A expressão dele era difícil de interpretar, mas tive a sensação de que as velhas da banca de frutas eram algo muito, muito pior do que a Sra. Dodds. Grover disse:

– Só me diga o que você viu.

– A do meio pegou uma tesoura e cortou o fio.

Ele fechou os olhos e fez um gesto com os dedos parecido com o sinal-da-cruz, mas não era isso. Era outra coisa, algo um tanto... mais antigo.

- Bem observador da sua parte- comentou Atena, surpreendendo todos na sala.

Ele disse:

– Você a viu cortar o fio?

– Sim. E daí? – Mas mesmo enquanto dizia isso, já sabia que era algo importante.
– Isso não está acontecendo – murmurou Grover. Ele começou a morder o dedão. – Não quero que seja como na última vez.

– Que última vez?

– Sempre na sexta série. Eles nunca passam da sexta.

– Grover – chamei, porque ele estava realmente começando a me assustar – do que você está falando?

- Desse jeito qualquer um fica assustado!- disse Annabeth, todos concordaram e Grover abaixou a cabeça.

– Deixe que eu vá com você da estação do ônibus até sua casa. Prometa.

Aquele me pareceu um pedido estranho, mas prometi.

Grover deu uma olhada repreendedora na direção de Percy, mas não conseguiu ficar bravo por muito tempo quando este fez sua melhor cara de gatinho chutado.

– É uma superstição ou coisa assim? – perguntei.

Nenhuma resposta.

– Grover... aquele corte no fio. Significa que alguém vai morrer?

Ele olhou para mim com tristeza, como se já estivesse escolhendo o tipo de flores que eu gostaria de ter em meu caixão.

- Rosas azuis e negras com um caixão branco, obrigado!- disse Percy fazendo graça.

- Acabou o capítulo- disse Hera- quem vai ler o próximo? 

-Eu!- exclamou Apolo e Hera lhe entregou o livro, ele abriu e imediatamente corou quando lei o título- Isso é estranho, mas vamos lá: Capítulo 3-Grover de repente perde as calças. 

 




Notas Finais


E este é o final de mais um capítulo, espero que tenham se divertido e me perdoem pela demora!!


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