História Relógio De Vidro - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias B.A.P
Tags Banglo, Bap, Daejae, Himup, Viajem No Tempo
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Palavras 6.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, Luta, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!
Primeiramente, eu quero pedir desculpas pela sinopse. E pela capa. Eu não sou boa com isso.
A muito tempo já eu queria escrever algo com o tema “viajem no tempo”, mas eu não tinha nenhuma história preparada.
Eu me inspirei bastante em Doctor Who – que inclusive é a minha série preferida- para escrever isso daqui. Na verdade, tentei ser o mais original possível, mas foi inevitável colocar alguns elementos da série enquanto escrevia. Eu não sei se tem Whovian’s por aqui, até porque é meio raro achar Baby’s que sejam Whovian’s também, mas eu tentei (tentei mesmo) não deixar muito confuso para que quem não assiste a série entenda.
Só quero dizer que esse capítulo tá completamente fumado, e talvez um pouco chato por ter explicações demais sobre coisas que talvez sejam inúteis... é um pouquinho parado, mas eu quis já deixar uma ideia de como vai ser a "pegada"
Eu não gosto muito da minha escrita, mas eu me senti muito confortável escrevendo essa história e é um tema que eu realmente gosto muito.
Desculpa, vou parar de enrolar.
Simbora.

Capítulo 1 - Got A Feeling


Fanfic / Fanfiction Relógio De Vidro - Capítulo 1 - Got A Feeling

YoungJae esticou o pescoço afim de saber o que acontecia dentro daquela sala. Ouvia o barulho alto de coisas quebrando mesmo estando no seu quarto, que era muitos andares acima do laboratório que ficava à direita da sala de visitas.

Seu tio gostava de exibir o que tinha. Gostava de bradar aos quatro cantos que ele era o cientista mais bem sucedido daquele século – o que para YoungJae era um grande exagero- e não se importava de exibir para quem quisesse  e não quisesse ver todas as coisas exóticas e incríveis que ele mesmo criara com as próprias mãos.

O homem passou a receber o sobrinho em sua casa assim que YoungJae completou a maioridade, pela escolha dele de não continuar morando com o pai. JongSuk compreendia o jovem; seu irmão não era lá uma maravilha de pai, e tampouco uma pessoa com quem se queira conviver. Acolheu YoungJae de braços abertos, feliz pela escolha do garoto de ir morar consigo, mas não imaginava que ele tivesse uma personalidade tão forte e difícil. Também, o que se esperar de um adolescente? Mas Lee não podia reclamar, afinal, ele era igual.

YoungJae chamou pelo tio, esquivando-se pela porta para poder entrar no cômodo. JongSuk parou o que fazia, olhando para o sobrinho com um sorriso brilhante no rosto.

- YoungJae! Precisa de alguma coisa?- Perguntou, um pouco animado demais. O jovem o olhou com descrença e cruzou os braços, o que fez o anfitrião rir de sua postura.

- Eu preciso que você pare com essa merda e me deixe ir dormir.- Falou rápido, acenado com a cabeça para a furadeira nas mãos dele para depois voltar a olha-lo.- E você também, meu senhor.

Lee teria ficado indignado com a atitude audaciosa do sobrinho se não achasse graça. Um riso soprado lhe escapou, levantou ambas as mãos em sinal de rendição, se arrependendo ao sentir o peso da furadeira lhe esmagando os músculos.

- Eu estava indo, já. A tarde foi muito trabalhosa para mim.- Suspirou, vendo YoungJae murmurar um “mentira”, rindo para si mesmo. Pôs a furadeira sobre a mesa e pegou um pano branco em cima desta, a usando para limpar as mãos. Olhou para YoungJae, que olhava para o centro da sala com cara de sono.

- O que é isso?- Perguntou. YoungJae podia não pensar muito bem nas suas palavras quando estava com sono, e concluiu que perguntar o que era aquele objeto grande e branco em formato de ovo no meio da sala não foi uma boa ideia assim que viu o sorriso quase maníaco adornar o rosto de Lee. Ia dar meia volta e ir embora antes que o homem começasse a falar, mas já era tarde demais.

- Eu. Não faço. A menor. Ideia.- Respondeu pausadamente, como se contasse uma grande novidade a melhor amiga.- Mas...- Gritou.- Eu tenho uma teoria.

YoungJae choramingou, assumindo uma postura derrotada. Suspirou e fez um sinal para que o homem prosseguisse.

- Obrigado.- Disse, animado. Cruzou os braços, deixando a ponta do pano pender no ar.- Inicialmente eu pensei que isso pudesse ser uma espécie de novo modelo de cabine telefônica, ou então um daqueles brinquedos estranhos de parques científicos.- Fez uma pausa.- Ou  um banheiro público.- YoungJae franziu o cenho se perguntando como algo daquele tamanho poderia ser um banheiro público, por fim concluiu que havia alguma possibilidade, mas seria muito desconfortável.

- Parece um ovo de galinha.- Disse, apertando os olhos.- De uma galinha bem grande.

O objeto do qual falava era bem estranho. Tinha cerca de 2 metros de altura e 1 de largura, num formato oval, um pouco deformado. Toda a sua coloração era branca, branca e lisa; sem nenhum arranhão, imperfeição ou relevo. Era, literalmente, um ovo de galinha gigante.

Lee pôs o dedo mindinho no lábio, fazendo uma expressão engraçada, depois riu e voltou a cruzar os braços.- Mas é claro. É a primeira coisa a qual você associa, mas alguém intelectual como eu tem uma mente muito mais ousada.- Falou, com orgulho. YoungJae riu debochado, se apoiando na perna direita, assumindo uma postura mais relaxada.

- E o que a sua “grande” e “geniosa” mente projetou, oh “Senhor Ousadamente Intelectual”?

Lee lhe lançou um sorriso de lado e se pôs a andar de um lado para o outro, carregado de uma aura orgulhosa e egocêntrica, coisa que YoungJae jamais vira fora de si.

- Bem, o que adianta perder tempo especulando? Eu resolvi que eu iria agir, sem pensar, apenas agir.

Mais uma vez, YoungJae contornou seu sorriso de deboche. “E foi assim a vida toda, não é mesmo?”, pensou.

- Eu tentei de todas as formas possíveis e impossíveis, abrir este... objeto.- Fez cara de nojo, como se fosse uma palavra pouco intelectual demais para se usar.- Desde chaves de fenda à armas de fogo; eu usei de tudo.- Disse a ultima parte pausadamente. YoungJae pensou em todo o drama que estava por vir.- Enfim.- Suspirou.- Não importa qual objeto eu usasse, não importa a intensidade da força, essa porcaria não recebia nenhum arranhão.

- Porra!- YoungJae exclamou, como se desse os seus mais sinceros “parabéns” para o objeto. Pigarreou ao sentir o olhar reprovador caindo sobre si.- Sim, e depois?

- Bem, depois de muito tempo tentando sem sucesso algum fazer ao menos uma rachadura nesta coisa, eu deduzi que é impossível quebra-lo.- Pôs dois dedos na testa, olhando de relance para YoungJae.

- Uau!- Exclamou, desanimado.- Parabéns, você é um gênio!

Lee sorriu orgulhoso, não identificando o sarcasmo nas palavras de YoungJae, que revirou os olhos.

- E então, é aí que vem a questão principal: se não dá para quebrar, como abri-lo então?- Se virou para o objeto, o encarando de frente. Percorria com os olhos semicerrados por toda a extensão branca e lisinha, o analisando com cuidado.- Não há um botão em lugar nenhum. Nem um controle ou qualquer outra coisa que possa abri-lo do lado de fora.

- Mas então...- Começou YoungJae.- Por dentro?

- Exato.- Piscou para o sobrinho.

- Mas não dá pra entrar. Como alguém pode projetar algo assim?- Já estava começando a ficar bravo por causa de toda aquela complexidade. Na verdade, nem deveria se importar, mas aquela enrolação toda já estava lhe dando nos nervos.- Ah, e você ainda não disse o que acha que isso é.

JongSeok riu alto, e mais uma vez YoungJae teve que se preparar para toda uma ladainha que no final não chegaria a lugar nenhum.

- Sabe, Jae, seria muito menos importante e muito menos interessante se fosse apenas um objeto estranho jogado em qualquer lugar.- Alterou sua expressão para uma totalmente séria num drama exorbitante. Só então YoungJae percebeu que em momento algum seu tio falou onde o achou.- Mas não estava em qualquer lugar. Ele estava bem aqui, estacionado com perfeição no meio exato do cômodo como se cada pequeno ponto geométrico deste lugar tivesse sido calculado.- YoungJae franziu o cenho em estranheza. Havia acabado de ouvir que aquela coisa havia parado ali do nada?- Ninguém entrou aqui e ninguém saiu. É como se tivesse vindo para cá por meio de um tele transporte. E o mais curioso, é impossível levanta-lo. Tem uma densidade tão absurda nisso que o solo cedeu.- O jovem olhou para o chão, surpreendendo-se ao ver a rachadura que vinha desde o pé do objeto até próximo o lugar onde estava parado. Haviam mais algumas rachaduras no chão em volta dele. Como não tinha notado aquilo antes?

- Uhum, eu concordo que isso é estranho e etc, mas ainda dá tempo de tomar um remédio.- Franziu o cenho para YoungJae, perguntando o que ele estava querendo dizer.- Eu estou dizendo que você ‘tá viajando pra caralho.- Pôs o indicador nos lábios, fingindo pensar.- Devia pedir ajuda a um psiquiatra.

- Cala a boca, menino insolente.- YoungJae pôs a mão no peito ao ouvir aquela sentença, falsamente ofendido.- Eu ainda não terminei.

Não teve escolha senão assentir, mesmo sem vontade alguma de ouvir o resto. Pendeu a cabeça para o lado, cansado de não fazer nada.

- A algumas horas atrás eu me pus a estudar o material componente disso aí, e depois de algumas pesquisas eu descobri algo impressionante.

- Sim, mas o que isso é, afinal?

- Pergunta errada, YoungJae. Talvez ir direto ao ponto tenha me atrasado um pouco, mas o importante é que eu descobri qual foi o material usado para construi-lo.

- Tá, e qual é?

Lee caminhou até uma estante no canto da parede e tirou de lá algo parecido com uma revista daquelas que se vendem em bancas de jornal. Voltou para perto de YoungJae, folheando as páginas a procura de algo.

- Aqui.- Disse, empurrando o livro aberto para YoungJae.

O jovem deu uma olhada na folha que falava sobre uma espécie de material esquisito do qual nunca ouvira falar e nem se importava. Passou os olhos rapidamente pela matéria detalhada e complexa que descrevia o objeto de uma forma absurdamente exagerada. Duvidava muito que alguma coisa assim existisse de verdade.

- Entendi. Você está dizendo que o ovo é feito de grafite sei lá o que...

- Grafeno.- Corrigiu.- A parte escrita em negrito, à direita da folha.- Gesticulou.

YoungJae leu o que seu tio indicou, mas não entendia sequer uma palavra , o contexto parecia muito difícil para interpretar, então só leu por ler mesmo e voltou a olhar para o tio esperando que ele explicasse de uma forma clara.

- Vou resumir para você.- Começou.- Levando em conta o tamanho e a densidade dessa coisa é preciso de uma quantidade absurda de Grafeno para construí-lo.- YoungJae assentiu em concordância.- Não existe essa quantidade de Grafeno nem em uma fábrica de Smartfones.

- E como sabe que é Grafeno?- Perguntou YoungJae, estreitando os olhos.

- Bom, eu o analisei.

- Sem uma amostra?- Arqueou a sobrancelha, desconfiado.

- Eu... analisei.- Falou, coçando a nuca.

YoungJae cruzou os braços, fazendo uma careta.- Que feio, senhor Lee. Tirando conclusões sem ao menos pesquisar.

- Opa.- Estendeu a mão em sinal de “pare”.- Eu pesquisei sim. E eu já disse isso. E eu não ousaria “deduzir”, eu não sou idiota.- Disse a palavra com desprezo, gesticulando para o nada.

- Enfim.- YoungJae começou.- Vamos fingir que de fato é todo feito de Grafeno, onde é que se encaixa a parte do “por mais que a densidade disso seja quinhentas vezes a de um elefante obeso eu dedicarei a minha sagrada sexta-feira a tarde para tentar quebrar uma coisa que na real é inquebrável”?

Lee suspirou, perguntando para si mesmo como poderia ser sobrinho seu aquele menino tão idiota.

- O negócio é o seguinte. Seja o que isso for, foi feito com a finalidade de aguentar uma quantidade absurda de pressão. Eu não irei entrar em detalhes, mas nada terrestre é capaz de quebra-lo.

- No entanto, você continuou tentando quebrar.

- Sim, mas foi para ter certeza.- Fez uma careta para o sobrinho, que retribuiu de modo infantil.- Além do mais, não é um material cem por cento natural. Pelo menos não o desse aqui.- Apontou para o objeto.- Deixe eu te mostrar.

E novamente foi para o canto da sala, voltando com uma caixa de vidro em mãos.

- É isso aqui.- De dentro dela, retirou uma espécie de papel absurdamente fino, colocando-o inteiro na palma da mão.

- É isso o grafite? Digo, o Grafeno?- YoungJae perguntou. Nem mesmo percebeu quando começou a ficar tão interessado.

- Uhum!- Lee sorriu, empolgado.- Para você ter uma ideia, é preciso de 3 milhões de folhas dessas empilhadas para chegar a um milímetro de espessura.

Ao ouvir aquilo, seu queixo caiu como se a gravidade nunca estivesse tão presente antes como naquele momento.

- Mentira!- Exclamou, surpreso.

- É verdade!- Afirmou Lee, rindo animadamente.- É como se fossem bilhares de Smartfones colados uns aos outros formando um objeto gigante e inquebrável de puro Grafeno!- Fez uma pausa.- Eh, talvez não tão puro assim.

- Como assim?- YoungJae perguntou.

- Bem, algo me diz que há muito mais do que isso. Tudo indica que é Grafeno, mas estranhamente parece ser algo a mais.- Franziu o cenho, como se decidisse se estava mesmo disposto a queimar seus neurônios novamente.- Mas, enfim!- Por fim decidiu que a hora de pensar já havia passado à muito tempo.- Podem haver trilhões, senão uma quantidade incontável de Grafeno, todos embutidos em um único e impenetrável objeto. E não é só isso!

- E o que mais?- Os olhos de YoungJae brilhavam feito estrelas em combustão. Aquilo lhe trazia uma sensação nostálgica e agradável que a muito não sentia. Por um momento, seu peito doeu fortemente, mas resolveu que deveria empurrar quaisquer sentimento para o fundo da sua mente e se concentrar inteiramente naquilo que estava a sua frente.

- Não há peso algum neste material.- Disse, estendendo a fina folha para que YoungJae pegasse. E assim fez, arfando ao sentir a suavidade absoluta daquele pequeno objeto.

- Uau!- Exclamou, sentindo a voz falhar entre uma sílaba e outra.- Agora você vai explicar de onde vem todo esse peso, acertei?- Olhou para o tio com um singelo sorriso no rosto.

- Vou.- Riu alto.- Como eu disse antes, há algo a mais nisso. Quando eu digo que é feito inteiramente de Grafeno, estou me referindo à base, à parede. A esta barreira que separa a parte de dentro da parte de fora.

- Então, definitivamente tem algo dentro. Algo denso o suficiente para compensar a falta de peso do Grafeno, mas...- Pensou.- O peso do Grafeno não se altera? Digo, estando em uma quantidade tão grande, faz alguma diferença?

- Olha, meu sobrinho está começando a raciocinar! Eu sabia que o seu cérebro seria útil pelo menos uma vez na vida.- Riu, vendo YoungJae contorcer o rosto.- Há uma diferença entre o peso de uma única folha de Grafeno para a quantidade que supostamente há ali. Não é pequena, mas também não chega a pesar toneladas. Se fosse considerar unicamente o Grafeno, eu diria que pesa mais ou menos... dez quilos.

- Ah, decepcionante.- Fez uma careta.- E você ainda diz que não é pouco.

- É relativo.- Lee contrabateu, e YoungJae concordou antes que viesse outro discurso sobre relatividade.- Mais cedo eu pedi para que YongGuk examinasse alguns objetos que eu achei aqui dentro. Eles também apareceram do nada, mas diferente do “Ovo gigante” eles estão um caco. Estavam todos esparramados junto a um montinho de lixo lá no jardim, talvez algum vizinho ande jogando suas inutilidades por cima do muro que vão parar justamente no meu jardim. Queria ver se fosse o jardim da mãe dele, aí sim...

- “Mas”...- YoungJae se apressou em complementar a fala do tio. Não queria ouvir o sermão que o vizinho é que deveria receber.

- Mas eu resolvi que seria melhor estuda-los, porque não é normal coisas tão estranhas aparecerem do nada assim.

- E o que eram essas coisas?- Perguntou. Parecia até uma criança na fase das perguntas. Fez uma careta ao ter esse pensamento, voltando a cruzar os braços numa posição que ele julgava ser muito máscula.

- Literalmente, lixo. Lixo antigo, sabe? Uma bússola quebrada, binóculos (também quebrados), engrenagens, porcas, fios e etc.

- Lixo antigo?- Estranhou.

- É, lixo antigo. YongGuk ainda não apareceu por aqui para confirmar, mas tanto ele quanto eu notamos que aquelas coisas tinham uma aparência muito velha. Aliás, quem hoje em dia usa bússola?- YoungJae concordou. Aquilo estava fazendo até sentido, mas não significava que ele acreditasse no papo do seu tio, afinal, não achava que esse homem batesse bem da cabeça.  Der repente, algo veio à sua mente. Algo que pareceu quebrar toda a lógica anterior e o fez voltar para o zero novamente.

- Uma pergunta...- Começou. JongSuk voltou sua atenção para o sobrinho, com os olhos brilhantes de empolgação.- Como o Grafeno é transparente... isso não deveria ser transparente também?- Apontou para o objeto em questão.

Outra vez, um sorriso assustador repuxou os lábios finos do homem, assustando YoungJae de novo. Viu JongSuk correr até a mesa e pegar um isqueiro quase redondo. Descansou a cabeça no próprio ombro, meio cansado ao mesmo tempo que um pouco cheio de toda a informação que viera recebendo.

- Eu estava louquinho para ouvir essa pergunta.- Se aproximando do sobrinho, tomou o objeto transparente de sua mão o estendendo no ar. A chama do isqueiro passou a dançar debaixo do objeto, o fazendo adquirir uma coloração esbranquiçada e quase líquida, como cera de vela, antes de desaparecer nas mãos de quem o estava segurando.

- Legal!- Sussurrou alto.- Faz de novo?

- Não!- Exclamou, quase indignado.- Grafeno não é como o dinheiro que dá em árvore. E eu não tenho muitos desses, relativamente falando. Então vê se fica longe do meu Grafeno.- Enfiou o dedo na cara de YoungJae.

- Desculpa.- Riu.- Então ele fica branco quando queima e se estiver numa quantidade muito pequena vai sumir feito uma folha de papel... entendi.- Devia admitir que estava muito orgulhoso de si mesmo. – Ei, por que você não tenta...

- Queimar?- JongSuk interrompeu, complementando sua pergunta. Suspirou, sendo tomado pelo desanimo.- Foi a primeira coisa que eu tentei, acredite, mas acabei descobrindo que em quantidade muito grande ele se torta impossível de queimar. É como água. Quando congela não dá para ver o que há através dela, como também não dá para dividir o líquido com as mãos, como antes. É preciso de um pouco mais de esforço.- Suspirou novamente.- O que estou querendo dizer é que é preciso de muita força para partir esse objeto. Porém, nada é inquebrável, YoungJae. Nada!- Enfatizou.- Mas não quero criar expectativas, afinal, estamos falando de um dos materiais terrestres mais resistentes já descobertos.

- Mas, espera...- YoungJae interrompeu.- E se não for realmente isso? Nós apenas especulamos que o material componente do “ovo” é essa coisa, mas não tem como ter certeza.- JongSuk flexionou os lábios, pensativo. Ele não duvidava que a sua dedução estava correta, até porque parecia muito lógico em sua cabeça.

YoungJae por sua vez, permanecia pensativo. Ainda com sono, balançava seu corpo para frente e para trás, esperando que seu tio falasse mais alguma coisa estranha e esclarecedora que ele tanto gostaria de ouvir. Devia admitir que se sentia bem na presença do homem. Talvez, por não ser muito velho, Lee podia compreender seu sobrinho melhor do que qualquer outra pessoa. A verdade é que aquele homem era como um segundo... não. Era como um pai para ele. Era alguém que ele chamaria de pai com todo o orgulho do mundo. E por mais que seu tio fosse meio errado das ideias, YoungJae o amava mais do que qualquer outra coisa.

Percorria perdidamente seus olhos pelo local. O sono já lhe dominava mais do que antes, e já não queria outra coisa senão deitar-se na sua cama e tirar uma bela soneca, mas algo ali lhe chamou a atenção.

Havia algo sobre a mesa que não havia visto antes. Ou estava ficando louco ou as coisas realmente estavam aparecendo do nada. Focou seus olhos melhor no objeto, mas daquela distância não podia identificar.

- O que é aquilo.- Perguntou, apontando para o tal objeto. JongSuk se virou bruscamente, procurando com os olhos o que YoungJae questionava ser. Seguindo a direção para onde ele apontava, pode visualizar com clareza o objeto, abrindo um sorriso no rosto.

- Isto- O pegou com delicadeza pela corrente prateada que estava interligada a um pequeno globo cor de prata.- É um relógio de bolso.

Ao ver o objeto ser estendido para si, YoungJae o pegou com firmeza, levando para bem perto dos olhos.

Era uma figura bonita. Um bonito desenho composto por traços feitos à mão marcava o tampo. Haviam algum desenhos nas laterais e também no pequeno suporte quase azulado da corrente. Por uma pequena fresta dava para ver os ponteiros pequenininhos do reloginho girando num compasso melodioso. Jamais vira um objeto tão cativante em toda a sua vida.

- É um daqueles objetos que apareceram do nada. Eu o achei depois que YongGuk se foi, e quando eu tentei alcança-lo ele já havia subido para o quarto dele. É bem bonito, não é?- YoungJae balançou a cabeça em confirmação, sem tirar os olhos do relógio.- Pena que está quebrado.

Olhou para o tio, perguntando com os olhos o que havia de errado naquele objeto impecável. Voltou sua atenção para ele. Com o polegar, puxou o tampo prateado, expondo o interior. Parecia tudo em ordem para si. Os números romanos desenhados em traços retos e impecáveis, protegidos por um vidro completamente intacto e livre de arranhões. Mas realmente havia algo de errado. Dentre todos os ponteiros, apenas dois estavam ali. O ponteiro em formato de flecha prateado estava parado no nove, como julgava ser o correto para aquele horário, e o ponteiro menor corria livre pelo espaço, provocando o bonito tic tac que ouvia. Mas o ponteiro maior, e talvez o principal, não estava ali.

- Onde está?- Perguntou ao tio, o encarando com os seus olhos grandes e expressivos. JongSuk enfiou a mão no bolso e a estendeu para si em punho fechado. YoungJae levou a palma aberta até o ar, a pondo debaixo da mão do outro. Um pequeno objeto caiu com exatidão no meio de sua palma, e não pode ter outra reação senão de surpresa.

Era um ponteiro bonito e alongado, lindamente detalhado de uma ponta à outra. E o que mais chamava atenção era a sua coloração dourada e brilhante, como uma joia. Durante um tempo ficou ali parado, olhando embasbacado para aquela coisinha minúscula e que podia ser usada para furar o olho de alguém.

- Eu irei consertar!- Disse, determinado. JongSuk arqueou uma sobrancelha, sem tirar o sorriso do rosto em momento algum.

- Okay. Conserte-o.- Fez com a mão um sinal de “vá em frente”, vendo YoungJae sorrir com um brilho estranho nos olhos.

- Isso é mesmo ouro?- Ao perguntar, recebeu o olhar quase questionador do tio, antes de ouvir o anfitrião dar uma risada alta.

- Ouro? Quem dera. É puro plástico.- Ao ouvir aquilo, o sorriso no rosto de YoungJae murchou feito uma flor no outono. Como podia aquela coisa tão brilhante e bonita ser apenas plástico? Um bico adornou seus lábios sem que percebesse, fazendo Lee rir de sua expressão.

- Ora, já desistiu da ideia de conserta-lo?- YoungJae endureceu a expressão, balançando a cabeça para o lado ao mesmo tempo que batia o pé direito no chão. Cerrou ambos os punhos carregados com os objetos e se virou duramente, caminhando até a saída.

De braços cruzados, JongSuk o encarava, sorrindo. Estava satisfeito por ter feito YoungJae abrir um pouco mais sua mente para o mundo tecnológico, além de estar feliz por tê-lo feito, mesmo que sem esforço algum, se interessar por algum objeto que não fosse um celular ou um vídeo game. Antes que pudesse fazer mais alguma coisa, ouviu passos rápidos em sua direção, antes de sentir ser quase asfixiado pelos braços do sobrinho que rodearam-se em seu pescoço, num abraço exagerado.

- Eu te amo, tio.- Disse com a voz abafada pelo ombro do homem.

Deixando um riso bobo escapar, apertou o menino contra si, beijando o topo de sua cabeça.

- Eu também te amo, pirralho.- E com isso, viu o garoto se afastar, abanando a mão em um “tchau” antes de sumir pela porta. Deu um último sorriso naquela noite, se sentindo feliz pela companhia que teve.

Se tinha uma coisa que YoungJae odiava, era o fato de seu tio ser claustrofóbico, pois por conta disso o aposento era cercado de escadas. A cada degrau que subia era um resmungo. YongGuk vivia dizendo que se aquelas escadas não estivessem ali, ele seria um belo de um gordo, mas YoungJae nunca dava importância para o que YongGuk dizia. Por azar ou não, o seu quarto ficava no quinto andar daquele prédio. Quando chegou, ele disse: “Eu quero o maior quarto daqui!”, e então o seu tio lhe apresentou o magnífico e deslumbrante quarto luxuoso que ficava a “quilômetros” de distância da cozinha, e ainda por cima ficava a quatro remeças de escadas que ele nunca entendeu o porquê de serem tão longas.

Abriu a porta dupla do cômodo dramaticamente. Seu quarto realmente não era brincadeira. Parecia com um daqueles quartos de mulheres ricas dos filmes, por mais que nenhuma garota habitasse o recinto.

Decidido a ir dormir, pôs o que estava em suas mãos em cima da penteadeira de madeira perto da parede. Se apressou em deitar na cama. Não havia necessidade de cobertor, afinal, aquela noite era marcada pelo calor e YoungJae gostava daquilo. Sem fechar os olhos, ficou curtindo a calmaria que aquela casa tão grande proporcionava. Deveria se sentir sozinho, e se sentia, mas de uma forma boa. Tirando YongGuk, ele julgava ter tudo o que precisava, afinal não trabalhava e seus estudos a muito tempo já tinham acabado. Literalmente, durante todo o dia ele não fazia nada. Era o que se chamava de desocupado ou inútil.

Por mais que estivesse com sono, não conseguia fechar os olhos. Havia algo lhe incomodando e ele sabia muito bem o que era. As palavras “Eu vou conserta-lo” ecoaram pela sua cabeça como se fosse um despertador, o impedindo de ficar em paz até que conseguisse resolver aquela coisa.

Num pulo se levantou da cama. Puxou a cadeira de frente à penteadeira e se sentou nela. A luz do cômodo estava desligada, mas a luz que vinha da janela convenientemente iluminava o relógio e o seu ponteiro perdido como se fossem estralas sob holofotes. Abriu a gaveta e tirou dela uma chave de venda pequenina de cabo azul. Costumava usa-lo para descascar a madeira da penteadeira quando não tinha nada para fazer, mas parece que pela primeira vez aquilo seria realmente útil.

Pegou o relógio e abriu o tampo. Não sabia como fazer, mas sabia que teria que retirar o vidro de alguma forma. Enquanto tentava inutilmente retira-lo ladeando o objeto com a ferramenta, pensou em como aquilo foi tirado de lá.

Quero dizer, para retirar o ponteiro, é preciso retirar o vidro. Mas talvez tenha sido um erro de fabricação, até porque, por que diabos alguém tiraria um ponteiro de um relógio? Não vendo nenhuma abertura para que pudesse retirar o vidro, pensou que nesse caso ele teria que quebra-lo, pôr o ponteiro no lugar e então substituí-lo. Mas não sabia por que fazia tanto caso. Talvez por ser uma coisa demasiada bonita e curiosa, mas não o convencia. Não teve escolha senão quebrar uma parte do vidro. Não foi muita coisa, apenas trincou um pedacinho. Enfiou dentro dele a ponta da chave de fenda e a forçou para cima, conseguindo facilmente levanta-lo.

- Legal!- Sussurrou, orgulhoso.

Com a ponta do indicador e do polegar, pegou o ponteiro maior e o encaixou numa fina “agulha” que marcava o seu local. Girou-o várias vezes para ter certeza de que aquilo estava firme, sorrindo cheio de orgulho ao constatar que estava. Olhou para o relógio na parede acima da porta e guiou o ponteiro maior até o número correto, findando seu trabalho ao pôr o vidro em seu lugar sem nenhuma dificuldade.

Já não tinha mais uma aparência tão perfeita por causa daquela falha que tivera que fazer no vidro, mas fechando o tampo não daria para vê-lo. O segurou pela ponta da corrente fazendo o objeto pender no ar. Admirou-o um pouco, sorrindo tão brilhantemente que se aquele relógio não fosse um ser inanimado com certeza se derreteria. Era impressionante como a falta de contraste entre as cores o deixava tão agradável aos olhos. Era um objeto bonito.

Recusando-se a larga-lo, YoungJae o apertou forte contra o peito enquanto ouvia o tic tac apressado se misturar dessincronizado com as batidas calmas do seu coração. Agora sim poderia dormir em paz.

Iniciando sua jornada até a cama, deitou-se de lado usando o relógio como “ursinho de pelúcia”, como se não fosse desconfortável dormir com um objeto duro colado ao corpo, mas estava tranquilo. O barulho infindável que vinha do relógio de bolso cortava o silêncio e o deixava mais a vontade. Não demorou muito para que caísse no sono, adormecendo com um sorriso no rosto.

 

 

 

 

 

No auge do seu sono, em meio a um sonho doce e livre de preocupações, YoungJae teve o desprazer de ser acordado por um som alto demais para aquele horário. O que escutava agora era uma música, muito diferente das que já ouvira antes. Pensou que JongSuk ou até mesmo YongGuk haviam colocado suas músicas no último volume talvez até na intenção de perturba-lo, não se surpreenderia se isso viesse de YongGuk.

Era algo calmo, bonito e afinado, uma harmonia perfeita. Mas não o deixava feliz. Até porque acabou de ser acordado. Levantou da cama guardando o relógio no bolso. Apenas de meia mesmo, caminhou até a porta dupla e abriu-a devagar. Pôs apenas a cabeça para fora afim de olhar o corredor, olhando para ambos os lados, apenas por extinto.

A música havia ficado um pouco mais clara, pois ao sair do cômodo, era uma parede a menos para impedir as ondas sonoras de se alastrarem pelos seus ouvidos. Desceu as escadas com pressa, diminuindo a velocidade apenas ao chegar à última, que dava acesso à sala. A música vinha do laboratório, como já suspeitava. Caminhou a passos duros até a porta e a abriu com força.

- Ei, dá pra desligar...- Cortou-se, não conseguindo terminar a fala ao ver as luzes desligadas.- Tio?- Chamou. Sabia que não poderia ser YongGuk ali, uma vez que as luzes estivessem apagadas, pois o garoto tinha medo de escuro. Pensou que a energia poderia ter caído e ele teria ficado preso ali, e pôs a música alta na intenção de chamar ajuda. Chamou pelo seu nome, mas não obteve resposta. Jamais soube onde ficava o interruptor daquele lugar, então começou a tatear cegamente as paredes afim de encontra-lo, mas, assim que se virou, uma luz passou a ser emitida atrás de si.

YoungJae era daquele tipo de pessoa que não acredita em fantasmas, mas mesmo assim tem medo, e aquela música sinistra que diminuiu gradativamente de volume como se estivesse sendo manipulado não ajudava em nada a sua mente a pensar em alguma coisa boa. Olhou devagar por cima do ombro, vendo uma parte da parede brilhar num tom amarelado enquanto a outra parte era marcada pelas sombras. Ao finalmente se virar, ele pôde ver o objeto responsável por aquela façanha. A coisa que antes possuía um formato oval e intrigante piscava lentamente, brilhando forte. Além disso, emitia um barulho esquisito parecido com um chiado, que acontecia entre um e outro pequeno intervalo de tempo. Já não mais em seu formato oval anterior, parecia um pouco mais redondo. YoungJae, surpreso ao mesmo tempo que assustado, procurou o lugar da onde a música estava vindo, e não teve dificuldade para vê-lo. Em cima de uma mesa baixa havia um disco, daqueles antigos que foram substituídos por rádios e celulares. O CD preto girava junto à agulha, reproduzindo a música. Assim que a canção acabou, por si só o CD rebobinou e a repetiu, tocando do começo novamente.

Era perturbador. Piscou fortemente, sem ter certeza se estava mesmo acordado ou se ainda estava no conforto de sua cama grande e macia.

“Deve ser um sonho.” Pensou.

Tendo isso em mente, se aproximou devagar do objeto brilhante e pela primeira vez o tocou. Com a ponta dos dedos, traçou uma linha para baixo, sentindo a textura estranha daquela coisa. Seu corpo vibrava em ansiedade, e ele sequer sabia o porquê. Sem saber muito bem o que estava fazendo, enfiou a mão no bolso, trazendo o relógio até perto do rosto. Era estranho como ele não conseguia soltar aquele relógio. Não porque estava preso à sua mão ou coisa do tipo, mas simplesmente não tinha a menor vontade. Estranhamente, o objeto que segurava e que até então parecia só mais uma antiguidade bonitinha, começou a brilhar assim como aquela outra coisa que YoungJae não sabia nem mais do que chamar. Soltava uma névoa dourada e brilhante, tão cativante quanto assustadora.

E como se aquilo já não fosse demais, bem diante dos seus olhos, a parede daquilo que associou a um “ovo gigante” começou a romper-se, formando lentamente uma abertura. Ficou olhando aquilo com o peito estufado, prendendo a respiração sem nem perceber. A pouquíssimos centímetros do seu rosto, a parede branca descia de uma forma semelhante a uma porta automática que abria de cima para baixo.

YoungJae, mesmo perplexo, se recusava a acreditar que estava acontecendo de verdade. Estava convicto de que tudo o que acontecia diante de seus olhos não passava de um sonho, uma cena criada pela sua mente cheia da criatividade que ele acumulara durante a vida.

E para lá ficou olhando. Encarando aquela abertura que dava acesso ao interior daquele objeto curioso. Sendo ou não um sonho, aquilo era muito irônico, e com toda certeza o rei da ironia cairia na risada se seu queixo é que não tivesse caído.

Parecia tudo tão real. A música que ouvia era clara como água, e o arrepio em sua pele também era. Podia ignorar tudo, mesmo aquela luz estranha e inexplicável que provinha do objeto gigante e até então inquebrável, poderia até ser realidade. Mas aquilo, apenas aquilo, fazia toda a lógica sair pelo ralo. Quando viu aquela imagem, teve medo de não estar sonhando. Devagar, pôs cada um dos pés para dentro daquele espaço, sem momento algum desviar os olhos do seu interior, explorando antecipadamente aquele lugar.

Todo o espaço que julgava ser minúsculo e sufocante para abrigar um ser humano se converteu a uma sala gigantesca. Ficou parado, olhando para cada canto com os olhos arregalados. Estava diante de uma sala branca e iluminada, por mais que a luz não parecesse vir de lugar nenhum. No centro havia um painel de controle também branco, cheio de botões alvos, para não falar brancos. Seu rosto assumia uma expressão indescritível, repleta dos mais estranhos sentimentos que já provara. Arfou, paralisado. Sua boca produzia sons incoerentes e engasgados. Ficou parado ali dando a si mesmo tempo para se impressionar. Nunca que algum de seus sonhos foram tão surreis. Correu para fora, rodeando o objeto e o olhando de cima a baixo. E novamente voltou para dentro, várias vezes repetindo o ato de sair e entrar.

Novamente parou dentro daquela “nave”. Suas pernas falharam junto ao seu queixo. Ambos os joelhos bateram no chão claro, só não provocando uma dor maior do que o seu espanto.

Era realmente maior por dentro.

- Ai meu Deus!- Exclamou.- Ai meu Deus!­- Repetiu, de novo e de novo até que a frase já não tivesse mais sentido. Estapeou o seu próprio rosto fortemente, deixando um estalo estridente ecoar pelo espaço. Repetiu o ato, desesperado por saber se aquilo acontecia de verdade. Por mais que pudesse sentir dor, a realidade não vinha à tona; talvez porque aquela era a realidade, mas sua mente teimosa não aceitava isso.

Já não sabia mais quantas vezes aquela música tinha se repetido, mas não era aquilo que importava. O que importava era que estava dentro de algo que, pela lógica não deveria ter aquele tamanho e que o seu relógio estava possuído por uma força maligna que o fazia brilhar feito fogo descontrolado.

A abertura atrás de si se fechou como a porta automática que parecia ser, fazendo um barulhinho ao serrar-se por completo. Olhou para trás com os olhos arregalados, e para lá ficou olhando até que a sua mente lhe desse permissão para surtar de vez.

Começou a berrar como uma criança perdida da mãe, porém sem lágrimas. Apenas parou ao ter noção do quão patética era aquela cena.

Aquilo era sério? Estava preso dentro de um objeto inquebrável cheio de coisas estranhas dentro dele, por mais que estivesse praticamente vazio.  Nem tentou romper a parede à força, pois sabia que não iria conseguir. Indo contra a vontade de suas pernas bambas, caminhou até o centro daquele espaço. Apoiou ambos os braços no painel de controle, observando os botões um a um. Haviam alguns com números escritos, outros eram só brancos, alguns eram maiores e outros minúsculos. Aquilo não tinha lógica.

Não sabia se era uma boa ideia, mas sua mente lhe dizia que um daqueles milhares de botões abriria a porta. Suspirou fundo. Era uma tarefa difícil escolher qual apertar primeiro, até porque não sabia a função dos outros. Olhou para o relógio pressionado contra o canto do painel pela sua mão. Ele brilhava mais intensamente como se estivesse o incentivando, ou correspondendo a algo.

Fechou os olhos em busca de calma. Já não podia mais ouvir a música que tocava do lado de fora. Levou o dedo indicador até o botão do meio e o parou em cima dele, tremendo em antecipação. E então, ele o apertou.

Um grito esganiçado saiu da sua boca quando seu corpo foi jogado contra a parede. As luzes começaram a piscar de forma psicodélica, e o relógio voou de sua mão. As paredes tremiam e aquele objeto balançava como se estivesse derrapando de um precipício. Se jogou para o lado, desesperado para pegar o relógio. Quando todo o espaço se inclinou, fazendo YoungJae escorregar até a parede, o relógio começou a descer lentamente em sua direção. Esticou os braços, esperando pacientemente o objeto cair em suas mãos, e assim que o tocou, sentiu a inconsciência tomar conta de seu ser. E a última coisa que sentiu antes de apagar, foi uma dor absurda no ombro esquerdo quando este se chocou contra a parede.

 

 

 

 

A muito tempo, YoungJae não conseguia refletir. Seu coração não permitia se machucar se lembrando das coisas do passado, e o seu orgulho falava mais alto sempre que era ameaçado ser ferido por algum sentimento de culpa ou de tristeza. Mas ele estava bem agora. Se sentia tão confortável quanto no dia em que chegou naquele lugar, literalmente, sentindo-se em casa. Pela primeira vez em anos, se lembrou de seus irmãos. Onde eles poderiam estar agora? O que estavam fazendo? Eles conseguiram encontrar a felicidade ou ainda a procuravam? Mas ele não achava que tinha o direito de saber, desde que abandonou os dois mais novos naquele inferno, sozinhos. Por isso ele não gostava de refletir, porque o fazia se sentir culpado, o machucava. Mas não importava agora, pois se sentia tão leve que por um momento achou que estava morto. Não que fosse um bom pensamento, mas pelo que as pessoas falavam. “Fulano morreu, ele está em paz”, se esforçava para encarar aquilo como uma coisa boa. E dentro de seu sono livre de sonhos, ele se sentia um pouco assustado.

Foi quando abriu os olhos que a realidade bateu na sua cara como um jogador de baseball enfurecido, se é que aquela era mesmo a realidade.

A posição em que estava era muito desconfortável. Seus braços estavam pendidos para cima, presos por correntes em uma parede que parecia muito precária. Antes que pudesse sequer pensar em alguma coisa, sentiu um objeto afiado encostar em seu queixo. Ele estava perdido.

- Quem é você?- Ouviu uma voz que tentava soar aterrorizante, mas que falhava miseravelmente. Olhou para cima, dando de cara com um moleque de pele escura e de roupas estranhas apontando uma lança improvisada para si.

- É o que?- Perguntou, descrente. O que diabos estava acontecendo ali?

O garoto antes em pé, abaixou-se lentamente até que seus rostos ficassem na mesma altura, sem deixar de apontar a lança para quem supostamente apresentava uma ameaça para si.

- Eu fiz uma pergunta!- Começou, mantendo um tom de voz inseguro e apreensivo.- Que tipo de criatura é você?

YoungJae olhou para os lados, aterrorizado, antes de olhar para o garoto novamente com uma interrogação tão grande na cara que, se não estivesse confuso/com medo, julgaria sua expressão como algo muito estúpido.

- É o que?


Notas Finais


Então, o que acharam?
A música que o YoungJae escutou é essa aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=p7dt_i4TRyU
Eu amo essa música até porque eu amo a trilha sonora de Girl, Interrupted (que é um filme muito bom, inclusive)
Eu não sabia que nome colocar no capítulo, então só peguei o nome da música e enfiei ali.
Eu demorei mais tempo pensando no nome da fanfic do que escrevendo o capítulo, provavelmente eu vou mudar quando pensar em alguma coisa melhor.
E, sim. O tio do YoungJae é o Lee JongSuk. Eu achei que essa personalidade se encaixaria nele.
Pra quem não sabe de quem eu tô falando:
http://data.whicdn.com/images/258845377/original.gif

Então, como eu disse, eu não tenho muita segurança na minha escrita, mas acredito que eu vou evoluir ao longo da fanfic, o que eu não posso fazer é parar de escrever.
Espero que não tenha ficado confuso pra entender. Eu tentei descrever as cenas da forma mais clara possível.
Na real, espero mesmo que tenham gostado! Eu escrevi com muito carinho. Perdoem qualquer erro, eu tomei o máximo de cuidado pra que nenhum errinho escapasse, cheguei até a decorar o capítulo de tantas vezes que eu li e reli huahuahauh


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