História Remember? - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Tinashe, Troye Sivan
Visualizações 3
Palavras 3.648
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 13 - XIII


Fechei a porta do quarto rapidamente ainda com Jéssica em meu colo. Os gritos, mesmo com mais uma barreira, ultrapassava-se facilmente pelas paredes.

Deixei Jéssica em sua cama e dei caminhei até o outro lado do quarto, pegando meus fones de ouvido. O entreguei a garotinha que me olhava confusa e logo conectei o fone ao meu celular.

Apertei em reproduzir e naquele mesmo instante, a música tomava conta dos ouvidos de Jéssica. Agradeci mentalmente por isso, ela não ouviria os barulhos.

Por longos minutos, a situação continuou a mesma. A menina ao meu lado balançava a cabeça constantemente por causa das músicas e a minha cabeça continuava dolorida graças aos gritos que  se cessaram mais tarde naquela noite e eu me senti agradecida por isso. Removi os fones da orelha de Jéssica e anunciei que era hora de dormir, ela teria aula em poucas horas.

—Eu gostei das músicas —Ela sorriu abertamente —Mas não entendi nada —murmurou ela.

Soltei uma grande gargalhada e a menina me retribuiu fazendo língua. Ela provavelmente não deveria saber que existem outros idiomas no mundo.

—É porque está em outra idioma —Voltei a sentar do seu lado, explicando-a.

—O que é isso? —Seu rosto transbordava confusão.

—Amanhã eu te explico. Vai dormir agora — Jéssica se deitou e eu rapidamente a cobri com o cobertor, deixando um beijo em sua testa.

—Por que o papai e a mamãe estavam ‘’dicutino’’? —A menina me olhou de forma curiosa para em seguida coçar seus olhos.

—Porque eu cheguei tarde em casa —Disse de forma simples, me ajoelhando próxima da cama.

Ela pareceu satisfeita com a resposta e se calou, durante longos minutos um silêncio confortável brotou no quarto. Eu acariciava o cabelo de Jéssica. Já a menina, no entanto, estava caído de sono, mas parecia lutar contra o mesmo.

—Você chega tarde em casa e faz a mamãe e o papai brigarem, mas mesmo assim, eu amo você.

Uma sensação totalmente boa tomara conta de mim. Meus lábios se curvaram, surgindo um grande sorriso e eu senti meu coração derreter graças àquela menina.

Eu convivia com Jéssica, ela falava comigo todos os dias, me enchia de perguntas e, muitas vezes, eu não me importava com o que aquela menina falava, me sentia muito mais preocupada em lamentar pela minha perda de memória.

Jéssica, na verdade, é incrível. Além de gostar de desenhos que eram os meus favoritos há anos atrás, ela sempre era a mais animada em minhas consultas no psiquiatra. Mesmo sabendo de meus problemas, ela não me tratava indiferente ou fugia de mim.

Meu coração doeu ao pensar na possibilidade de que era uma irmã melhor antes da queda que resultou minha perda de memória e naquele momento, prometi a mim mesma que Jéssica teria sua irmã de volta, talvez uma versão mais danificada dela. Ela merecia e eu a amava.

—Eu também te amo —As palavras brotaram de minha boca, mas a pequena Jéssica já havia pego no sono.

Poucos mais de duas semanas haviam se passado e eu poderia dizer que as coisas estavam bem tranquilas aqui em casa. Oh, mas é claro...tirando o fato de minha mãe não estar me dirigindo a palavra.

Nos primeiros dias cheguei a me preocupar com isso, sempre odiei ficar sem falar com alguém que eu ame, mas acabei por abrir mão disso. Eu não iria pedir desculpas e prometer que nunca mais chegaria tarde em casa, afinal, eu chegaria e estava em meu direito chegar.

O meu relacionamento com minha mãe acabou resultando em uma briga interna entre ela e meu pai.  Era como a Guerra Fria, eles não gritavam e nem ao menos se ameaçavam, não havia nenhum tipo de combate, mas se fosse preciso, travariam uma guerra a qualquer momento e provavelmente por minha causa.

Se isso fosse há dez anos atrás, provavelmente os convidaria para irem ao ‘’Casos de Família’’. Na verdade, será que esse programa ainda existe? Pois se existir, há uma grande possibilidade de oferecê-los essa grande oportunidade de resolverem seus problemas na televisão diante de todo Brasil.

Gargalhei com a ideia, mas se eu fizesse tal proposta a eles, acabaria chorando.

No meu caso, tudo melhorou um pouco nos últimos dias. A notícia de minha união com uma mulher que apenas sabia o nome já não me abalava tanto, não em meus pensamentos. Já com meus amigos, sentia que poderia ter um surto psicótico a qualquer minuto por achar que ela apareceria de surpresa. E como se não fosse o bastante, se tornou ainda pior quando Tinashe me disse que essa tal Dinah também fazia parte do nosso grupo de amigos.

Meu celular vibrou na mesa, tirando-me dos devaneios,  e eu rapidamente o peguei, me jogando em cima de Jéssica que estava com seus olhos vidrados na televisão.

—Você é pesada! —Exclamou ela, formando um bico em seus lábios —Sai pra lá. Seu lugar é aqui! —Ela apontou para o espaço livre ao lado dela no sofá.

[Troye – 14:03] Aparece na varanda, vadia

Caminhei até a varanda lentamente, puxando as cortinas e recebendo pequenos reclamações de Jéssica pela sala ter ganhado mais luz do que ela gostaria que tivesse.

Meus pés, por vez, entraram-se em contato com o piso gelado da varanda, criando um pequeno choque térmico em meu corpo. Caminhei até o limite daquela pequena construção retangular, debruçando  no peitoral de granito.

—Eeeei, sua vadia

Um grito bastante distante se fez presente. A voz era extremamente familiar, sem dúvidas era a de Troye. Ergui o olhar e encarei o prédio a minha frente, procurando de qual apartamento Troye gritava.

—Olha pra cimaaaaa

E assim fiz, encontrando um garoto balançando os seus braços incansavelmente a alguns andares acima. Gargalhei com a cena, Troye era louco.

—Eu pintei meu cabelo. Você gostou? — Troye se apoiou no peitoral de sua varanda e seu corpo correu um pouco a frente. Confesso que senti medo só de imaginar  a possibilidade do garoto escorregando do peitoral e caindo andares abaixo.

Voltei a olhar para a figura do garoto metros acima e pude perceber que agora seus castanhos tornaram-se loiros. Mesmo com certa dificuldade, o corte aparentava ser o mesmo.

—Está lindo! —Gritei de forma sincera, com minhas mãos próximas a boca na esperança do eco se tornar maior para Troye ouvir do outro lado.

—Obrigaaaada, leite azedo! A gente se vê depois! —Troye soltou diversos beijos, desaparecendo logo depois.

Me mantive naquela mesma posição por alguns minutos até sentir os braços de Jéssica me puxando de volta para a sala, ainda era hora dos desenhos. Voltei novamente para o sofá, tirando o celular do bolso. Jéssica não ligava se eu assistia o desenho ou não, o importante era apenas a minha presença ali.

[14:11 – Tee] Mani vai sair mais cedo hoje. Ela vai nos encontrar lá, tudo bem?

[14:11 – Júlia] Além de segurar vela? Nenhum.

Ri após enviar a mensagem. Conheci a Normani tem alguns dias, mas assim como Tinashe, ela também é maravilhosa, em todos os sentidos. Sem dúvidas, formavam um belo casal.

—Tô com fome —Jéssica se pronunciou com um olhar suplicante enquanto mantinha suas mãos na barriga, enfatizando sua fome.

—Eu também. Vou preparar algo —Deixei um beijo na testa de Jéssica e segui até a cozinha.

Abri a geladeira e passei bons segundos estudando o que poderíamos comer. Uma vez que estava prestes a desistir, achei um pacote de pão de queijo  muito bem escondido entre as verduras.

Sorri abertamente quando removi o pacote em torno aos meus inimigos comestíveis desde pequena. Verduras e legumes eram terríveis.

Jéssica adentrou a cozinha saltitando e era possível ouvir suas palmas. Ela puxou a cadeira da bancada e com muita dificuldade, conseguiu sentar na mesma. Seus olhos arregalaram-se quando viram o pacote em minha mão e assim como eu, um sorriso enorme também formou-se nos lábios da menina.

—Pão ‘’di’’ queijo! —A menina exclamou com brilho nos olhos.

—Simmm. Eu vou por dezenas deles no forno, mas só para nós. Isso é um segredo — Levei meu polegar indicador aos meus lábios —Shhh

—Shhh —A menina repetiu meu ato e acabei por sorrir de forma suave.

Levei quase todos os pães de queijo que estavam no pacote ao forno e estabeleci os minutos certos para eles ficarem prontos. Assim como Jéssica, me sentei em uma das cadeiras da bancada.

O celular mais uma vez vibrou em minha calça e eu vi Jéssica rolar os olhos, a menina não era muito fã de ter sua atenção dividida.

[14:20 – Tee] Não quer segurar vela então arrume alguém, leite azedo. Te espero na frente do condomínio as 19:00.

Levei o celular até a bancada e olhei para Jéssica, ela estava aborrecida. Não pude evitar uma risada que resultou em uma Jéssica me ignorando graças ao seu ciúme.

—Não fique assim, Jess. Agora eu sou só sua, ok?

—Só acredito nisso se me der seu celular —Disse ela, ainda sem  me olhar e com um enorme bico em seus lábios.

A olhei confusa por alguns instantes, mas acabei por entregar o aparelho nas mãos da minha irmã. A menina deu um grande salto da cadeira e saiu da cozinha, com pequenos gritos de ‘’Não venha atrás de mim’’.

Um grande temor da possibilidade de Jéssica jogar meu celular pela janela do prédio tomou conta de mim e quando estava prestes a correr atrás da garota, ela retomou a cozinha. O corpo da menina colidiu contra o meu.

—Pronto, agora você é só minha —Ela ergueu seus braços fazendo menção para pegá-la no colo — Só vou devolver seus celular quando me der atenção! —Disse a menina já em meu colo.

—Você é má!

—Má não. Esperta! —A menina disse em meio às risadas.

A deixei sentada na bancada e voltei à geladeira, pegando uma jarra de suco. Não iria dar refrigerante a Jéssica, já estava ferrada o bastante por estar fazendo pão de queijo.

Como eu sabia que estava ferrada? Simples, quando alguém quer que você não coma algo, seu esconderijo secreto sempre será a gaveta de legumes.

—Lembra quando você me emprestou seu celular para ouvir música quando o papai e a mamãe estavam brigando? —A voz de Jéssica se fez presente na cozinha mais uma vez. E eu estremeci ao pensar na possibilidade de ter que explicar outra vez o que aconteceu naquela noite.

—Lembro, por quê?

—Você nunca me explicou sobre os idiomas —Jéssica revelou e eu suspirei em alivio.

—Qual país além do Brasil você conhece? —Sentei ao lado de Jéssica na bancada.

—Eu já ouvi falar dos Estados Unidos e África do...Sol. Isso, África do Sol! O tio Troye nasceu lá! —Ela sorriu orgulhosa e aquilo me fez rir.

—Não, Jess. É África do Sul —A corrigi, recebendo um olhar pensativo de Jéssica.

—Como eu posso explicar a você... — Jéssica era extremamente curiosa, mas eu deveria lembrar que a garota tinha apenas cinco anos, teria que explica-lá da maneira mais simples possível.

—Uh! Outros idiomas existem porque nós não moramos no mesmo lugar, entende? —Olhei para a menina e ela simplesmente negou com a cabeça — Por exemplo, nós falamos português e as pessoas que moram nos Estados Unidos falam inglês, porque elas moram beeem longe de nós.

A menina pensou por um tempo. Seu rosto transbordava dúvidas, mas a garota aparentava não querer desistir de tentar entender.

—Mas eu aprendi na escola que os portugueses também falam português e eles estão beeeem longe — A garota balançou levemente sua cabeça para o lado.

—É porque nós fomos colonizados por eles — Respondi de forma simples e deixei a bancada. Buscando copos no armário.

—E o que é isso? 

—Quer suco, Jéssica? —Desconversei, Jéssica era muito nova para entender.

—Quero! —A menina disse enquanto assentia animadamente. Enchi seu copo de plástico e entreguei a menina que tratou de me agradecer.

No mesmo instante o forno apitou, dando a entender que nossos pães estavam prontos. Vesti as luvas para que não queimasse minhas mãos e retirei a forma repleta pelos pães. Me senti em êxtase quando o cheiro chegou em minhas narinas.

Os removi de forma e distribuí em três pratos. Um deles seria para o meu pai, para ele não ficar bravo por comermos quase tudo, obviamente.

—Nós sempre comíamos pão de queijo com a tia Dinah —A menina disse nostálgica.

Durante todo esse período que descobri meu casamento, não me atrevi falar sobre Dinah uma única vez. Vez ou outra, Tinashe a mencionava em algum acontecimento, mas ela entendia que eu não estava aberta a falar sobre a minha...esposa.

Pude sentir um grande enjoo quando essa palavra surgiu em minha cabeça. Querendo ou não, ela era minha esposa, pelo menos por enquanto. A necessidade de falar sobre ela naquele momento era nula, então me mantive calada.

—Aí ela ficava muito brava porque a gente comia tudo, mas depois você dava beijinhos nela e tudo se resolvia.

Olhei para Jéssica que tinha um grande sorriso em seus lábios, ela olhava para um ponto fixo, provavelmente lembrando-se das imagens.

Uma grande pontada de curiosidade entrou em colisão com meu corpo. Por um minuto, eu quis saber o que mais fazia com Dinah, como era nossa relação ou qualquer outro detalhe. Mas não era uma boa ideia, era uma péssima ideia.

Eu já tinha grande noção de como era meu passado e não sentia mais necessidade para revira-lo como um entulho de lixo. Nos próximos anos, apenas o futuro me interessaria ...não! Melhor que isso! Pelo resto da vida apenas o futuro me interessaria.

Sentei ao lado de Jéssica  em silêncio e comecei a me deliciar com todos aqueles pães. Deus, eu estava me sentindo no céu. Todos meus problemas pareceram sumir depois da primeira mordida. Comida tinha um grande efeito em mim.

—Eu sinto falta dela —A voz de Jéssica soou triste

A menina suspirou em tristeza e aquilo estava quebrando meu coração, deixando-os em cacos. Eu queria dizer alguma coisa para conforta-la, queria dizer que poderíamos visitar  Dinah, mas não poderíamos, seria tudo da boca para fora. Eu encontraria um jeito de tirar a tristeza momentânea daquela menina.

—O que acha de sorvete depois daqui?

Era a minha primeira tentativa e como uma benção dos deuses, foi sucessiva. A menina quase caiu da cadeira quando ouviu ‘’sorvete’’ e começou a assentir freneticamente. Agora, seus olhos já brilhavam de ansiedade. Desejei que Jéssica tivesse espaço em sua barriga para tudo que comeria nessa tarde.

A noite estava apenas por começar quando acabei de me arrumar para encontrar Tinashe e Mani. Vestia algo simples, mas ao mesmo tempo apresentável. Se fosse para ser vela, deveria ser ao menos uma vela bem arrumada.

Despedi-me de meu pai que, naquele horário, já havia chegado juntamente a Jéssica, que tratou de devolver meu celular. Chamei o elevador de forma apressada, já que se passava das 19:00 e em alguns segundos, já estava a frente de meu prédio.

Por sorte, o porteiro estava dormindo, então pude caminhar normalmente até a entrada do condomínio. Me deparando com uma Tinashe revoltada graças a minha demora.

A morena dirigiu de forma serena até a pizzaria em que havíamos marcado de nos encontrar com Normani. Por sorte, aquele lugar não precisava de solicitação de reservas, senão estaríamos ferradas e exclusivamente minha causa.

Adentramos o local e Tinashe tratou de escolher a mesa mais distante das outras, afirmando gostar de um pouco de privacidade até em lugares públicos. O garçom veio ao nosso encontro, anotando nossos pedidos e desaparecendo de nossa visão logo em seguida.

Alguns minutos se passaram e Normani já estava entre nós. A negra vestia uma roupa social que rendeu dezenas de olhares naquela pizzaria, o que fez Tinashe ficar vermelha em ciúmes. Gargalhei com a cena.

—Não precisa ficar com ciúmes, você sabe que esse corpo é apenas seu —Normani abraçou a morena que continuava emburrada.

Minha atenção foi tirada do momento fofo entre as duas quando o mesmo garçom voltou com a pizza em mãos. O garoto colocou-a no centro da mesa e de forma descarada piscou para a morena a minha frente. Agora era Mani que estava com ciúmes.

Eu saboreava pedaço por pedaço enquanto o casal a minha frente discutia de forma silenciosa. Era desconfortável, mas quanto mais falavam, menos comiam e aquilo era bom para mim, poderia comer pedaços extras, talvez.

—Resolvemos isso em casa —A negra disse por fim. Colocando um ponto final a discussão —Como estão as coisas, Júlia?

—Ah, então bem — Dei de ombros.

A negra me analisou lentamente. Eu não sabia o que aquele olhar significava, mas os movimentos de seu corpo transpareciam ansiedade. Por que ela estava ansiosa?

—Então — Normani por fim se pronunciou —Conheceu alguém legal nesses últimos meses? Digo, alguém que não estava em sua vida antes de bater a cabeça.

A mulher levou o copo a sua boca, ganhando um olhar furioso de sua namorada. Eu estava estática, incerta do que falar naquele momento.

Eu conhecia a Tinashe há pouco tempo, mas a julgaria como uma boa confidente, assim como Ally e Troye, mas não conhecia Normani tão bem assim, pensei. De fato, minha incerteza não era por não confiar na mulher a minha frente e sim pelas grandes chances de minha resposta chegar a Dinah.

Ocasionalmente, meus pensamentos me levaram até a menina de cabelos castanhos que havia conhecido na praia e desde então, mantinha contato até hoje. Eu conheci alguém, mas deveria contar sobre ela?

O que eu poderia perder? Uma esposa? Isso seria uma grande notícia sem dúvida alguma. Se realmente Normani estivesse perguntando isso  por mando de Dinah, minha querida esposa teria uma bela surpresa em minha resposta.

—Conheci sim —Sorri abertamente, levando mais um pedaço da pizza a minha boca.

Eu poderia gargalhar no momento em que Normani arregalou os olhos, ela não deveria estar acreditando em minha resposta. A mesma reação estava nos olhos de sua namorada, mas ao contrário de Normani, a morena saiu de seu estado assustado para malicioso em questões de segundos.

—Você não me contou sobre isso, sua vaca! —A morena fingiu estar magoada, mas logo um sorriso brotou em seus lábios.

—Ah, é porque ainda não é nada sério —Me certifiquei se Normani ouvia tudo com atenção e para minha felicidade, ela estava atenta.

—Homem ou mulher? —Continuou Tinashe. Me amaldiçoei por ter atiçado a curiosidade da morena, mas era para uma boa causa.

—Mulher. Se chama Keana e...ela é maravilhosa —Fingi um suspiro apaixonado —Mas então, como foi no trabalho, Mani?

Desconversei, não queria dar corda aquela situação. Normani já tinha bastante informações para possivelmente serem entregas a Dinah.

Meu trabalho estava concluído, agora era só esperar algum dos meus amigos me entregarem os papéis do divórcio na próxima semana. Sorri vitoriosa.

Por sorte, a negra não mudou comigo durante a pizzaria ou até mesmo ao me deixar na entrada do meu condômino. Aquilo era bom, pois independente do que acontecesse comigo e essa tal Dinah, ela estaria ali, continuaria a ser minha amiga. Bom, pelo menos é o que espero.

Caminhei lentamente até o hall, dando de cara com o porteiro. Eu ainda não gostava dele e morria de medo que descobrisse sobre minhas companhias, mas estava em um dia tão divertido que resolvi deseja-lo boa noite, o que também poderia fazer parte de minha encenação de garota inofensiva que não sabia de suas vigilâncias diárias.

Abri a porta de meu apartamento lentamente, agradecendo a todos os deuses existentes após tirar aquele doloroso salto. O silêncio fazia-se presente naquela casa. Olhei para o relógio e não passava-se das 22:00, silêncio nesse horário era anormal.

Meus primeiros passos foram dados até a cozinha, não havia ninguém lá. Segui até a sala, fazendo o mínimo de barulho possível, era a minha última esperança de encontrar alguém acordado.

Ao entrar no cômodo, encontrei a figura de um homem sentado na poltrona com uma garrafa de whisky pela metade. Seus olhos estavam vermelhos e pude ver algumas lágrimas escorrendo pelo seu roto. Era o meu pai.

Ver meu pai daquela forma era totalmente novo para mim. Ele nunca demonstrou emoções em minha frente, o que me fez acreditar que ele nunca chorava, que lágrimas não existiam em seu mundo.

Ele não chorou quando o Flamengo perdeu a partida em que o título da libertadores estava em jogo. Não chorou quando quebrou seu braço ou quando fomos ao enterro da vovó. Eu queria ser como ele, eu também queria ser anti-lágrimas

Mas agora, aqueles pequenos fluidos escorriam incansavelmente pelo seu rosto. Provando-me que ninguém é  forte o bastante, que todos nós temos momentos em que precisamos descarregar e colocar tudo para fora, até mesmo o mais insensíveis.  

De forma súbita, meus pensamentos pairaram em Dinah, na mulher que eu não fazia ideia de como era. Normani já teria ter contado a ela sobre Keana? Se tivesse, Dinah estaria da mesma forma em que se encontra o meu pai? Por um minuto, uma sensação de arrependimento surgiu e eu senti ódio de mim, ódio por  magoar uma mulher que, um dia, deveria ter sido tudo para mim.

Me aproximei de meu pai e ele rapidamente notou minha presença, livrando-se das lágrimas em seu rosto. Ajoelhei-me ao seu lado, ficando o mais próximo que conseguia, debruçando meus braços sob sua poltrona.

—Por que está chorando?

O homem ao meu lado simplesmente pegou os papéis que estavam ao lado de sua garrafa, quase vazia desta vez. Por um momento, ele analisou aquela papelada  vagamente antes de passa-la para mim, fazendo menção para que eu a pegasse.

Com os papéis em mãos, sentei-me em posição de índio, encostando minhas costas na poltrona e focando-me em ler o conteúdo da primeira folha.

Ao brevemente passar os olhos na folha pude entender o porquê das lágrimas de meu pai. Deus, eu estava estática. Reli dezenas de vezes até o choque de realidade bater em minha porta.

O pedido de divórcio havia chegado, mas não era o do meu casamento.



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