História Remember? - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony, Tinashe, Troye Sivan
Visualizações 3
Palavras 1.765
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - VIII


Jéssica continuava a me observar enquanto pequenas lágrimas continuavam a escorregar pelos seus olhos, suas bochechas agora estavam vermelhas e já começava a se tornar visível certa vermelhidão em suas narinas também.

Prontamente trouxe a menina para o meu colo, permitindo-me que a colocasse sentada na bancada e sem pestanejar, a acolhi entre meus braços. Senti sua respiração no meu pescoço, ela escondia sua cabeça ali.

—Fique calma, Jess —Me pronunciei enquanto acariciava as costas da menina fazendo pequenos círculos imaginários.

—V-você não se lembra n-nem de como fazer...minha trança  —Dizia ela em meio ao soluços e lágrimas. Por um momento, também senti uma forte vontade de chorar.

A pequena Jéssica não tinha culpa e nem merecia passar por isso, já que obviamente saiba do acontecido. Assim como eu, ela é apenas mais uma vítima de toda essa história. Deveria ter uma irmã presente, que sempre estava ali com ela, sabia cada traço seu e de repente, a mesma irmã que um dia lhe dava amor e atenção, se tornou uma mulher que tampouco sabe seu nome.

—Você pode me ensinar, o que acha? —Acariciei as pequenas madeixas de Jéssica na tentativa de acalma-la.

Nada recebi como resposta, além de mais lágrimas escorrendo pelos olhos da menina. A afastei um pouco, livrando-a de meu abraço e logo ela estava corretamente alinhada a bancada enquanto cobria seu rosto com suas pequenas mãos.

—Jess, não precisa esconder seu rosto. Só olha para mim —Disse de forma cautelosa e doce para a menina a minha frente.

Toquei em suas pequenas mãos, na tentativa de tira-las de seu rosto. Jéssica resistiu e eu acabei por suspirar derrotada.

—Jess, qual sua personagem de desenho favorita? —Mordi os lábios em apreensão, a pergunta era umas das únicas alternativas que poderia fazer Jéssica parar de chorar.

—‘’Doli’’ —Ela respondeu cessando seu choro, mas mantendo um olhar triste no rosto.

—E a Dori também é dodói da cabeça, por isso vive esquecendo, certo? —Perguntei e em troca vi Jéssica assentir. Ela estava começando a prestar atenção em mim.

—Eu sou como a Dori. Não me esqueço de tudo a toda hora, porém eu não me lembro de algumas coisas, sabe? Eu não lembro do que aconteceu nos últimos anos, não lembro do Troye, nem da Tinashe e não me lembro de você. Mas eu quero te conhecer —Jéssica escutava tudo com bastante atenção, seu rosto entregava-lhe uma expressão avaliativa, ela provavelmente estava pensando —Então, da essa chance para a sua irmã idiota que conseguiu perder a memória?

—Claro que sim! —Me assustei em vê Jéssica mudar de uma expressão triste para extremamente feliz em questões de segundos. Agora ela tinha um grande sorriso que poderia rasgar seu rosto e batia palmas freneticamente —Você agora vai ser a minha ‘’Doli’’, mas sem ser um peixinho —Jéssica segurou meu rosto em suas mãos. Seus olhos brilhavam em meio à vermelhidão, fazendo meu coração derreter.

—Sabe o que sua Dori vai fazer agora? Uma trança bem bonita! —Sorri abertamente para a menina a minha frente.

Vinte minutos haviam se passado e Jéssica já estava pronta para ir à escola. Deixamos nosso condomínio e eu tive que respirar fundo quando me deparei com uma extensa rua que provavelmente era a que deveríamos seguir.

O sol quase escaldante já estava ali, pronto para fazer seu trabalho. Assim como as pessoas, que deixavam o condomínio a cada minuto com seus filhos nos bancos de trás de seus caros e glamorosos carros. A maioria deles com um ponto de parada antes de seguirem para seus verdadeiros trabalhos.

E era esse ponto de parada para onde estava indo.

Diferente deles, a pé com a pequena Jéssica ao meu lado, segurando minha mão. A felicidade da menina me espantava naquelas circunstancias, era raro ver alguém realmente feliz sabendo que o caminho que estava fazendo era para a escola.

Por uns minutos, dei por esquecer que aquela era a primeira vez que saía do condomínio sem ser por visitas ao psiquiatra.  Eu estava ali, andando pelas ruas normalmente, como se fosse apenas mais uma de várias pessoas que cruzavam meu caminho, aparentando ter uma vida normal.

A sensação de adaptação estava se tornando cada vez maior, sorri orgulhosa ao pensar nisso.

A cada passo dado, se tornava mais nítido ver uma grande concentração de crianças em frente a um grande prédio. Eles usavam a mesma camisa que Jéssica usava, então obviamente aquele era o meu ponto de parada.

A pequena soltou-se de minha mão e correu em direção a aquele grande vai e vem de crianças. A menina corria rapidamente em direção ao portão, porém não passou por ele. Seus passos tiveram fim quando a mesma pairou no colo de uma mulher, tão baixa quanto Jéssica. Ela deveria conhecê-la.

Dei passos largos em direção a Jéssica e a pequena mulher que agora recebia um abraço da minha irmã.

—Jess, você não pode sair correndo desse jeito —Disse quando próxima de ambas que pareceram notar minha presença.

—Me desculpe, é que eu estava com saudades da tia Ally —Jéssica falou com um tom fraco, olhando para a calçada —Mas essa é a tia Ally! Sua amiga e mãe do Troy! Ele é muito fofo e meu amigo —Completou ela com um sorriso tímido, vi suas bochechas ganharam um tom vivo de vermelho.

—Meu Deus, Júlia. Eu soube do que aconteceu e eu...eu sinto muito —Foi a vez da baixinha mais velha se pronunciar.

Ally tirou Jéssica do seu colo e me puxou para um abraço. Nesses últimos dias havia recebido bastantes deles e devo admitir que ao mesmo tempo em que eram estranhos e inesperados, eles traziam certo conforto.

—‘’Doli’’, eu vou entrar agora, tá bom?  —Jéssica puxou minha mão na tentativa de chamar minha atenção fazendo com que Ally também cortasse seu abraço de longos segundos.

—Volto para te buscar mais tarde, baixinha. Boa aula —Dei um pequeno beijo em sua testa.

Jéssica ajeitou a mochila em seus ombros e passou por aquela entrada de vidro. Sua imagem ainda era visível, mas acabou por ir desaparecendo aos poucos em meio à quantidade de crianças que seguiam seus mesmos passos depois daquele portão.

Olhei para o lado e Ally ainda continuava ali. Seus cabelos loiros eram longos, seus olhos marejados eram castanhos e a mesma vestia uma jardineira curta que caía extremamente bem eu seu corpo com a camiseta branca, em seus pés, all-star’s brancos. Sorri ao vê que não saíram de moda, porque particularmente, eram meus favoritos.

— Então, quer tomar um café? Eu pago —A baixinha perguntou com um olhar esperançoso em seu rosto.

—Eu...—Por alguns segundos hesitei, mas já havia conhecido Troye e Tinashe e me senti muito bem com isso, talvez não seria diferente com Ally —Posso, claro —Respondi e a vi suspirar em alívio.

—Então vamos. Meu carro está estacionado logo ali — Apontou para o veículo

Segui Ally até seu carro e não fiquei surpresa ao vê que ele também era pequeno como ela. Não trocamos muitas palavras em meio ao caminho, eu apenas podia sentir seus dedos batendo no volante em sinal de nervosismo.

Pela janela, eu tinha uma bela visão do mar que já estava recebendo seus banhistas nas poucas primeiras horas do dia. Pelo trajeto, pude perceber que estávamos saindo do Recreio.

—Para onde estamos indo? —Perguntei a Ally, tirando minha atenção da pequena janela.

—Um café de uma das nossas amigas, a Lauren. O mais próximo é na Barra —Ally disse sem tirar sua atenção da estrada a frente.

Em menos de uma hora, estávamos no café. O lugar era bem aconchegante e repleto por livros de mais variados gêneros. Em tão pouco tempo eu já me sentia totalmente à vontade naquele local. Acabei por fazer uma nota mental, este lugar era oficialmente um dos meus locais para fuga, caso esteja em um péssimo dia.
 

—Quando me disse que Lauren era fanática por café e livros...bom, eu não imaginei que seu negócio envolvia algo  mais que café. —Disse para a loira sentada a minha frente, enquanto analisava as enormes estantes.

— Lauren é uma caixinha de surpresas. Tanto é que conseguiu juntar sua bebida e seu hobby favorito e transformar em muito dinheiro. —A loira tomou um pouco do café que estava em grande quantidade na sua xícara, ele não tinha nada de especial. Era o bom e simples café preto, totalmente puro.

—Como nos conhecemos? —Perguntei enquanto dava a primeira mordida no brownie que havia pedido. Não era meu forte comer doce pela manhã, mas eles me fizeram salivar —Deus, isso é maravilhoso! —Olhei para Ally indicando aquele pedaço de bolo em meu prato, ela assentiu em concordância

—Nós nos conhecemos no último ano do colegial. Eu tinha acabado de me mudar de San Antonio no Texas para o Rio, porque meu padrasto é brasileiro. Então aprendi inglês, espanhol e português quando criança. A menos fluente era português , claro. E por isso acabei adquirindo problemas quando cheguei aqui —Vi a pequena mulher a minha frente da um pequena pausa e ingerir um pouco de seu café lentamente— Meu sotaque era muito estranho então no meu primeiro dia na escola, eu fui bastante zoada por algumas pessoas da nossa turma, mas —Um enorme sorriso junto a um olhar nostálgico voltou a dar brilho ao rosto da mulher em minha frente —Você me ajudou e desde então, somos amigas.

—Não acredito que virei amiga de uma gringa. É Júlia, eu esperava mais de você —Brinquei enquanto levava o garfo com um pedaço do doce a minha boca, mas antes de poder completar o movimento, recebi um leve soco no braço.

—Sou tão brasileira quanto você, leite azedo — Disse a loira, que não estava brava ou muito menos triste, ela também entrou na brincadeira.

—Você também não pode me visitar? —Questionei e vi a expressão de Ally mudar em cerca de segundos. Apenas a vi assentir e olhar fixamente para a xícara em mãos.

Ally não era diferente de Troye ou Tinashe, ela não falaria. Mesmo que sua expressão parecesse avaliativa, seus lábios se mantinham imóveis. Eram como cúmplices de um crime, mas qual seria esse crime? Fazer com que eles ficassem longe de mim seria como um método de punição para suas ações? Se sim, quais ações?

—Troye contou sobre essa pergunta que você havia feito para nós, no caso, seus amigos. Nós acabamos por decidir que o próximo que te encontrasse, falaria o motivo caso perguntasse e eu sou a sortuda —Ally disse sarcasticamente e um sorriso de canto fraco brotou em seu rosto.

—Você está pronta para saber? —Sua voz soou um pouco apreensiva.



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