História Remember Me - Capítulo 10


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Categorias Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter, Gabriel (O Inferno de Gabriel), The 100
Personagens Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter
Tags Alycia, Alycia Debnam-carey, Eliza, Eliza Taylor, Eliza Taylor-cotter, Elycia, Remember, Remember Me
Exibições 101
Palavras 8.659
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, FemmeSlash, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Orange, Romance e Novela, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Me desculpem pela demora, eu estava em semana de provas então ficou difícil para postar rs, estarei sempre alternando entre as fics, posto aqui, posto em BD, depois volto aqui, depois BD de novo rs. Muito obrigado pelos comentários, favoritos e views.

Capítulo 10 - Capítulo Nove


O Lobby era um bar e lounge sofisticado na Bloor Street. Alycia, no melhor estilo dantesco, sempre se referia ao clube como O Vestíbulo, pois gostava da ilusão de que que os frequentadores eram como os pagãos virtuosos que passavam a eternidade na versão de Dante para o Limbo. Porém a verdade era que o Lobby e seus clientes tinham muito mais em comum com os vários círculos do Inferno.

Alycia não queria levar Eliza Taylor ali, muito menos Lindsey, pois aquele era seu local de caça, aonde sempre ia para saciar seus apetites. Muitas pessoas a conheciam ali, ou tinham ouvido falar a seu respeito, e ela temia o que elas poderiam dizer – as indiscrições que poderiam escapar de lábios vermelho-sangue.

Mas ela se sentia confortável no Lobby, confiante de que poderia controlar o ambiente. Não havia a menor hipótese de Alycia levar Lindsey e Eliza Taylor a um ambiente que não pudesse controlar. Só por aquela noite, ela seria Beowulf em vez de Dante, uma guerreira em vez de uma poeta. Andaria com sua espada desembainhada nas mãos e mataria Grendel e todos os seus parentes se eles ousassem olhar para seu precioso carregamento. Embora conseguisse ver a grande hipocrisia daquilo tudo, passou por cima dela para fazer Lindsey feliz.

Quando Lindsey e Eliza saltaram do táxi e a seguiram obedientemente até a porta do Lobby, depararam com uma fila enorme. Alycia ignorou as pessoas na fila e se aproximou do segurança, um negro grande e careca com brincos de diamante. Ele apertou a mão de Alycia, cumprimentando-a com formalidade:

– Srta. Carey.

– Ethan, gostaria de lhe apresentar minha irmã, Lindsey, e sua amiga, Eliza – disse Alycia, indicando as jovens, ao que Ethan sorriu e meneou a cabeça, dando um passo para o lado para que elas entrassem.

– O que foi isso? – sussurrou Eliza para Lindsey enquanto elas entravam num espaço preto e branco moderno, decorado com bom gosto.

– Minha irmã está na lista VIP. Não pergunte – respondeu Lindsey, franzindo o nariz.

Alycia as conduziu até os fundos do clube. Tinha reservado uma área exclusiva chamada Salão Branco – um nome inventivo escolhido em função de sua decoração monocromática. As duas amigas se sentaram num banco branco acolchoado, acomodando-se nas almofadas de pele. De onde estavam, conseguiam ver a pista de dança, localizada bem no centro da boate, com acesso para todos os salões privativos. Não havia ninguém dançando.

Lindsey lançou um olhar de admiração para sua protégée.

– Eliza está linda, não está, Alycia? Deslumbrante.

A pele de Eliza adquiriu um tom incomum de vermelho, e ela começou a puxar a bainha do vestido.

– Lindsey, por favor – sussurrou.

– O que foi? Ela não está linda? – Lindsey fechou a cara para a irmã, que lançava um olhar de alerta para ela.

– Vocês duas não estão nada mal – disse ela, sem dar o braço a torcer. Ela transferiu o peso do corpo para outra perna, como se estivesse com dor.

Eliza balançou de leve a cabeça e praguejou baixinho, perguntando-se por que se importava tanto com a opinião de Alycia e por que era tão difícil para ela ser simpática. Ao seu lado, Lindsey deu de ombros. O dinheiro era de Alycia mesmo. E, se Alycia não se importava em gastar quase dois mil dólares para que Eliza ficasse nada mal, quem era ela para discutir? Só que sua óbvia falta de entusiasmo indicava que a amiga provocava alguma reação nela. Então Lindsey resolveu encarar o desafio.

– Ei, Eliza – começou ela, certificando-se de que Alycia estava ouvindo e observando-a de canto de olho –, como foi seu encontro com Bob?

A pele de Eliza continuava tão vermelha quanto antes.

– Foi ótimo. Ele é um verdadeiro cavalheiro. Bem à moda antiga.

Ela resistiu à tentação de se virar para ver se Alycia estava ouvindo. Não precisava ter se importado. Lindsey estava atenta pelas duas.

– E ele levou você para jantar?

– Sim. Ao Nataraj, o restaurante indiano favorito dele. Amanhã vai me levar para uma sessão dupla do Festival de Cinema e depois vamos ao bairro chinês.

– Ele é bonitinho?

Eliza ficou encabulada.

– Não sei se um jogador de rúgbi pode ser chamado de bonitinho. Mas ele é charmoso e gentil. E me trata como uma princesa.

Papa-anjo.

Lindsey e Eliza se viraram para Alycia, incertas se tinham ouvido o que achavam que tinham ouvido. Eliza ergueu as sobrancelhas e fechou a cara, desviando o olhar. Satisfeita por ter provocado em Alycia uma reação proporcional à sua mais recente infração, Lindsey se virou no banco para conferir a maquiagem no espelho atrás delas. Estava tirando o excesso de batom Chanel cor-de-rosa quando parou de repente, olhando para alguém que vinha na direção delas.

– Alycia, aquela mulher está comendo você com os olhos!

Como se respondesse à exclamação de Lindsey, uma garçonete de cabelos tingidos de louro se aproximou.

– Srta. Carey! Que prazer revê-la. – A garçonete se inclinou, exibindo o decote bastante generoso e pousando sua mão de unhas bem-feitas no ombro de Alycia, o esmalte coral brilhando na penumbra.

Eliza fez uma careta involuntária e se perguntou se a garçonete planejava usar aquelas unhas para fazer algo contra Alycia, ou se apenas as exibia para afugentar outras mulheres. A loura meneou a cabeça para elas.

– Meu nome é Alicia e vou atender vocês hoje.

– Abra uma conta para mim, por favor. Pode pôr todas as nossas bebidas nela. E acrescente uma para Ethan e outra para você, claro. – Alycia colocou uma nota dobrada na mão da garçonete, libertando seu ombro.

Ela sorriu de leve e guardou o dinheiro.

– O que as moças vão beber? – perguntou ela, sem desgrudar os olhos de Alycia, com um sorriso provocante no rosto, a ponta da língua despontando entre seus lábios cor de coral.

– Um Cosmo para mim – disse Lindsey.

Eliza congelou.

– E você? – perguntou à amiga, cutucando-a.

– Eu... não sei – gaguejou Eliza, perguntando-se o que poderia pedir sem passar vexame. Em um lugar como o Lobby, não poderia simplesmente beber uma cerveja ou shots de tequila, que eram seus venenos habituais.

– Dois Cosmos, então – disse Lindsey. – É um ótimo drinque, Eliza. Você vai adorar.

Então, sem olhar para a garçonete, Alycia pediu:

– Uma dose dupla de Laphroaig 25 anos, caubói, por favor. E peça ao barman um copinho de aperitivo com água mineral sem gás.

A garçonete foi embora e Lindsey começou a rir.

– Só você mesmo para transformar um pedido de bebida em algo tão pretensioso – disse ela.

Eliza riu, gostando de ver a irritação de Alycia ante o comentário da irmã.

– O que é Laphroaig? – perguntou Eliza.

– É um uísque escocês single malt.

– E a água mineral?

– Só uma ou duas gotas para apurar o sabor. Pode provar quando chegar. – Ela arriscou um pequeno sorriso para Eliza, que desviou o olhar para seus lindos sapatos.

Alycia seguiu seus olhos e se viu hipnotizada. Lindsey não fazia ideia de como tinha acertado na compra. Cada centavo tinha valido a pena simplesmente para poder ver as pernas perfeitas da Srta. Cotter alongadas por aqueles sapatos incríveis. Ela se remexeu desconfortavelmente em seu assento, esperando que a mudança de posição aliviasse o aperto de sua excitação cada vez maior.

Não funcionou.

– Alycia, fique aqui esperando pelas bebidas que Eliza e eu vamos dançar um pouco.

Antes que Eliza pudesse protestar, Lindsey já a havia puxado para a pista de dança, fazendo um gesto para o DJ aumentar a música e se pondo a dançar com entusiasmo. Eliza, por sua vez, estava constrangida. Notou que Alycia tinha mudado de lugar a fim de poder olhar para ela, recostando-se no banco e observando com um olhar fixo e intenso. Perguntou-se se ela teria notado que ela não usava calcinhas tradicionais por baixo do vestido.

Será que pessoas como ela percebem esse tipo de coisa? Marcas de calcinha?

Ela não conseguia desviar a atenção, enquanto os olhos de Alycia deslizavam preguiçosamente por todo o seu corpo, parando por mais tempo que o necessário nas pernas nuas bem torneadas e nas solas vermelhas dos seus sapatos.

– Não consigo dançar com esses saltos – protestou Eliza no ouvido de Lindsey.

– Besteira. Deixe os pés parados e mexa o corpo. Aliás, você está linda. Minha irmã é uma idiota.

Eliza deu as costas para a professora e começou a dançar, fechando os olhos e se deixando levar pela música. Era uma sensação maravilhosa. Assim que foi capaz de se esquecer da presença de Alycia e de seus penetrantes olhos verdes, até conseguiu se divertir. Um pouco.

Será que ela pode ver as marcas da lingerie sob o vestido? Ah, que se dane. Espero que ela esteja vendo. Espero que seja uma tortura para ela. Aproveite o espetáculo, professora, porque é o máximo que você vai conseguir.

Quando a música estava terminando, Lindsey se aproximou do DJ com um sorriso e perguntou quais eram as próximas músicas que ele tinha programado. A resposta deve ter lhe agradado, pois ela deu um soco no ar de forma bem pouco feminina e quase soltou um gritinho.

– Excelente! – exclamou, atravessando de novo a pista até Eliza, pegando as mãos da amiga e a fazendo girar.

Agora que Eliza e Lindsey estavam dançando (e obviamente se divertindo), pessoas vinham de vários salões privativos para se juntar a elas, inclusive um homem louro muito atraente.

– Oi – arriscou ele, aproximando-se de Eliza e se movendo ao ritmo da música.

– Oi – respondeu ela, sentindo-se um pouco em evidência.

Eliza pensou naquele velho clichê sobre as mulheres associarem a dança com o sexo. Se isso fosse verdade, aquele homem devia ser muito bom de cama, pois dançava muito bem e de um jeito bastante viril. Na verdade, era de tirar o fôlego.

– Nunca vi você aqui antes – disse ele com um sorriso.

Eliza notou que os dentes dele eram muito brancos. E, por um instante, se esqueceu de responder, concentrada no surpreendente tom de azul de seus olhos.

– Eu sou Brad. Qual o seu nome? – Ele se inclinou para a frente, quase roçando a orelha nos lábios dela para ouvir a resposta por cima da música.

Ela ficou um pouco nervosa com essa proximidade.

– Eliza.

– É um prazer, Eliza. Que nome lindo!

Ela indicou que tinha ouvido e lançou um olhar desesperado para Lindsey, na esperança de que a amiga fosse vir salvá-la. Mas Lindsey estava ocupada demais dançando de olhos fechados, parecendo que adorava a música que estava tocando.

– Posso lhe pagar uma bebida? Estou com uns amigos numa mesa lá na frente. – Ele gesticulou vagamente, mas Eliza não acompanhou seu movimento.

– Obrigada, mas estou com uma amiga.

Ele sorriu, sem se deixar abater, e chegou um pouco mais perto.

– Traga sua amiga, também. Seus olhos são lindos. Eu jamais me perdoaria se deixasse você escapar sem pedir seu telefone.

– Hum... não sei...

– Então pelo menos deixe eu lhe dar o meu.

Eliza lançou outro olhar para Lindsey, o que foi uma péssima decisão, pois não viu Brad se aproximar mais. Acabou pisando no pé esquerdo dele e Brad fez uma careta de dor. Eliza se desequilibrou. Brad a segurou antes que ela caísse e a manteve junto de seu peito. Ela precisava admitir que, para alguém de terno, Brad tinha o peitoral bastante musculoso e os braços surpreendentemente fortes.

– Calma, minha linda. Desculpe por ter feito você tropeçar. Tudo bem? – Ele manteve a mão esquerda no braço dela e ergueu a direita para afastar os cachos de seus olhos. Sorriu para ela.

– Tudo. Obrigada por não me deixar cair.

– Eu seria um idiota se deixasse você escapar, Eliza.

Ela notou que o sorriso de Brad não era nada assustador. Ele parecia até simpático. O terno indicava que ele tinha ido para lá direto do trabalho, que provavelmente ficava no centro da cidade, talvez alguma grande empresa, um lugar que ainda obrigasse os jovens a usarem terno e gravata. E sapatos pretos muito reluzentes.

Ele era confiante, pensou ela, mas não arrogante. E suas palavras, embora escolhidas com cuidado, não pareciam calculadas. Era, talvez, o tipo de pessoa com quem ela poderia namorar por um tempo, mas duvidava que tivessem muito em comum. Certamente não planejava voltar a dançar num futuro próximo. Embora dançar com ele...

Eliza era tímida demais para estender a conversa. Ela abriu a boca para dizer que sentia muito, mas então alguém pegou seu outro braço e, com o próprio corpo, tirou Brad do caminho de modo eficaz. Eliza sentiu um arrepio, como um choque elétrico, e ela soube na mesma hora de quem eram aqueles dedos longos e frios em volta do seu braço nu.

– Você está bem? – perguntou Alycia, falando alto e olhando apenas para Eliza. Seu tom calmo e preocupado contrastava totalmente com a raiva inexplicável em seus olhos.

Sem conseguir entender aquela ira, Eliza não respondeu. Ela pareceu confusa, o que Brad percebeu de pronto.

– Essa idiota está machucando você? – perguntou ele, se empertigando e fechando a cara para Alycia. Então deu um passo à frente, parecendo bastante ameaçador.

Eliza balançou a cabeça em resposta, ainda um pouco chocada.

– Ela está comigo – rosnou Alycia, sem nem se dar o trabalho de virar a cabeça para Brad, mas conseguindo que ele recuasse um pouco. – Venha – ordenou a Eliza, puxando-a da pista de dança em direção ao lugar onde estavam antes.

Eliza lançou um olhar de desculpas para Brad por sobre o ombro e foi embora sem oferecer resistência. Alycia lhe entregou seu drinque enquanto tentava recuperar o fôlego. Estava surpresa consigo mesma e com seu impulso de resgatar Eliza antes de sequer refletir sobre as consequências. Ela bebia o Cosmopolitan, tentando entender o que tinha acontecido, quando Alycia se virou para ela, segurando com força seu copo de uísque já pela metade.

– Você precisa ter mais cuidado. Um lugar desses pode ser muito perigoso para uma garota como você. E você, minha cara, é um desastre esperando para acontecer.

Ela trincou os dentes.

– Eu estava bem. Ele foi muito gentil!

– Ele pôs as mãos em você.

– E daí? Nós estávamos dançando, eu tropecei e ele me segurou para que eu não caísse! Não ouvi você me chamando para dançar.

Alycia se recostou no banco e a encarou com um sorrisinho.

– Isso tiraria toda a graça de observar, você não acha?

Ela virou a cabeça para o outro lado, jogando os cabelos e desviando seus olhos dos dela, duas esmeraldas iluminadas pelo uísque. Na pista de dança, Brad tentava fazer contato visual com ela. Com a linguagem corporal, Eliza tentava indicar que ela e Alycia não estavam juntas. Um lampejo de compreensão surgiu nos olhos de Brad e ele assentiu, desaparecendo em seguida.

– Eu prometi que deixaria você provar. – Alycia deslizou para mais perto de Eliza e segurou o copo perto dos seus lábios.

Ela sentiu o cheiro da bebida e se virou de lado.

– Não.

– Eu insisto. – A voz dela ficou mais firme.

Eliza bufou e tentou tirar o copo da mão de Alycia, mas ela o segurou firme.

– Deixe-me alimentar você – sussurrou ela, o tom de voz repentinamente áspero.

Ela parecia a personificação do sexo. Ou, pelo menos, de como Eliza imaginava que o sexo seria se tivesse olhos verdes brilhantes e um queixo arrogante e estivesse sentada num banco branco, tentando pressionar um copo contra a sua boca.

Ah, Alycia. Ah, Alycia. Ah, Alycia. Ah... minha Alycia.

– Posso tomar sozinha – sussurrou ela, insegura.

– É claro que pode. Mas para quê, se estou aqui para fazer isso por você? – rebateu ela, o sorriso revelando seus dentes perfeitos.

Eliza não queria derramar seu precioso uísque por acidente, então permitiu que Alycia pressionasse o copo em seu lábio inferior, o que ela fez de forma lenta e sensual. Eliza fechou os olhos e se concentrou por um instante na sensação do vidro frio e liso contra sua boca. Alycia inclinou de leve o copo e o líquido de sabor defumado penetrou seus lábios e escorreu para dentro de sua boca aberta e passiva.

Eliza ficou surpresa por Alycia estar sendo tão ousado com ela, tão sensual. Porém ficou mais surpresa ainda quando o uísque incendiou sua boca, queimando-lhe a língua. Ela engoliu depressa.

– Que horror! – falou. – Parece que engoli uma fogueira!

Ela recuou e estudou seu rosto. Eliza estava corada e cheia de energia.

– É a turfa. É preciso aprender a gostar. Talvez você decida que deseja gostar depois de prová-lo algumas vezes. – Alycia sorriu com malícia, metade da sua boca se repuxando para cima.

Ela balançou a cabeça, tossindo.

– Duvido. Aliás, já sou bem grandinha, sei cuidar de mim mesma. Então, a menos que eu peça sua ajuda, por favor, me deixe em paz.

– Até parece. – Ela gesticulou vagamente para a pista de dança. – Grendel e seus parentes comeriam você viva na primeira oportunidade. E nem tente discutir comigo.

– Como é que é?! Quem você pensa que é?

– Alguém que sabe reconhecer ingenuidade e inocência. Agora beba seu drinque devagarzinho como uma boa menina e pare de agir como se estivesse à vontade em um lugar como este. – Alycia lançou-lhe um olhar sombrio e terminou seu uísque de um gole só. – Calamidade ambulante.

– O que você quer dizer com “ingenuidade e inocência”? O que exatamente está insinuando, Alycia?

– Você quer que eu desenhe?

Ela fez uma careta e baixou o tom da voz até um sussurro, inclinando-se na direção dela. Eliza revirou os olhos involuntariamente ao sentir o hálito quente dela descer pelo seu pescoço nu.

– Você cora como uma adolescente, Eliza Taylor. E percebo sua inocência. Está mais do que claro que ainda é virgem. Então pare de fingir ser quem não é.

– Ora, sua... sua...! – Eliza se afastou dela enquanto tentava pensar em uma palavra ofensiva o suficiente. “Babaca” lhe parecia leve demais, então recorreu à sua forma em italiano, mais forte: – Stronzo!

A princípio, Alycia pareceu furiosa, então seu rosto se acalmou e ela riu. O tipo de risada que faz a pessoa jogar a cabeça para trás, fechar os olhos e levar as mãos à barriga. Eliza estava possessa. Ficou ali sentada, fervilhando, bebendo seu Cosmo muito depressa e se perguntando como Alycia poderia saber a verdade a seu respeito mesmo a conhecendo havia tão pouco tempo. Lindsey com certeza não... Ela balançou a cabeça. Lindsey jamais faria isso. Era uma informação pessoal de Eliza e ela não comentaria com ninguém além de Marie. E Marie era leal demais para contar a qualquer outra pessoa.

Enquanto Alycia sorria, Eliza lamentou por ela ter arruinado sua chance de conhecer um cara que parecia simpático. Provavelmente não teria dado seu telefone a Brad, pois não fazia esse tipo de coisa, mas queria que a decisão tivesse sido dela, não da sua professora. Ela era mesmo uma babaca. E estava na hora de isso mudar. Poucos minutos depois, a garçonete loura apareceu e entregou a Eliza uma caixinha dourada.

– Para você.

– Sinto muito, mas deve ser um engano. Não pedi isso.

– Claro que não, querida. É presente de um dos rapazes da mesa dos funcionários do banco. E ele disse que vai ficar arrasado se você recusar. – Ela abriu um sorriso sedutor para Alycia. – Posso lhe servir mais uma bebida, Srta. Carey?

– Acho que estamos satisfeitas, obrigado.

Ela manteve os olhos fixos em Eliza, observando-a revirar a pequena caixa na mão. Dentro, encontrou uma única trufa, embalada em papel dourado, e um cartão de visita.

Brad Curtis, MBA

Vice-Presidente, Mercados de Capitais

Banco de Montreal

55 Bloor Street West, 5º Andar

Toronto, Ontário

Tel. 416-555-2525

Ela virou o cartão e leu as palavras escritas numa letra muito firme:

Julia,

Lamento termos começado com o pé esquerdo.

O chocolate me faz lembrar seus lindos olhos,

Brad.

Por favor, me ligue: 416-555-1491

Eliza virou novamente o cartão e um sorriso se espalhou por seu rosto oval. Ele tinha feito uma brincadeira. Não a rejeitara por ser extremamente desajeitada. E não a havia chamado de virgem como se fosse um palavrão. Ele tinha admirado seus olhos e a achara atraente. Ela desembrulhou a trufa com cuidado e a pôs na boca. Divina. Como ele sabia que ela adorava chocolates caros? Só podia ser o destino. Eliza fechou os olhos e se deliciou com o sabor intenso e amargo, passando a língua pelos lábios para garantir que não perderia nada. Um gemido involuntário escapou de sua boca.

Por que não conheci alguém como ele quando era caloura na Saint Joseph?

Enquanto isso, Alycia mordia o nó do dedo indicador como um animal enlouquecido. Mais uma vez, a visão da Srta. Cotter desfrutando um dos pequenos prazeres da vida era uma das coisas mais eróticas que já tinha visto. O modo como os olhos dela se arregalaram ao ver a trufa, o rubor em suas lindas faces diante da expectativa de prová-la, a maneira como ela gemeu com a boca entreaberta e lambeu os restos de cacau grudados nos lábios cor de rubi... era demais.

Então, é claro, ela teve que estragar tudo.

– Não me diga que você comeu isso.

Eliza virou a cabeça rapidamente. Ela havia se esquecido de que Alycia estava ali, imersa em seu próprio êxtase quase orgástico induzido pelo chocolate.

– Estava uma delícia.

– Ele pode ter drogado você. Não lhe ensinaram a não aceitar doces de estranhos, garotinha?

– Imagino que não haja problema em aceitar maçãs, não é, Alycia?

Ela estreitou os olhos ao ouvir sua resposta sem sentido. Havia algo ali que Alycia não estava entendendo.

– E não sou nenhuma garotinha – esbravejou ela.

– Então pare de agir como se fosse. Você não vai guardar isso, vai? – Ela gesticulou para a caixa, que agora despontava de sua bolsa de mão.

– Por que não? Ele me pareceu simpático.

– Você teria coragem de fazer isso? Pegar um homem qualquer num bar?

As sobrancelhas de Eliza se juntaram e seu lábio inferior começou a tremer.

– Eu não estava pegando ninguém! Como se você nunca tivesse pegado uma mulher num bar e levado para casa. Aliás, isso eu nunca fiz. Não que seja da sua conta, professora.

O rosto de Alycia ficou muito vermelho. Ela não poderia contradizê-la; não seria hipócrita a esse ponto. Mas, por algum motivo, o que havia acabado de acontecer entre a Srta. Cotter e Grendel, o sujeito louro, a tirara do sério. Ela se apressou em chamar a garçonete para pedir outro uísque.

Eliza, por sua vez, pediu outro Cosmopolitan, torcendo para que a forte mistura frutada a ajudasse a esquecer a mulher cruel, porém cativante, que estava sentada tentadoramente perto dela, mas que ela jamais poderia ter.

Quando Lindsey voltou, deixando-se cair, exausta, no banco, Eliza se levantou e pediu licença. Seguiu pelo corredor dos fundos, procurando o banheiro feminino. A arrogância e o maternalismo de Alycia a haviam deixado furiosa. Ela não a queria, mas também não aceitaria que ninguém mais a tivesse. Qual era o problema dela?

Ela estava tão concentrada em Alycia que não notou um homem parado no corredor. Esbarrou nele e foi jogada para trás, caindo perigosamente em direção ao chão. Por sorte, ele conseguiu segurá-la.

– Obrigada – murmurou ela, erguendo os olhos para o rosto de Ethan, o segurança, que parecia achar graça da situação.

– De nada – disse ele, soltando-a imediatamente.

– Estava procurando o banheiro.

Ele apontou com seu celular.

– Fica para o outro lado. – Então, voltando ao texto que estava escrevendo antes da trombada, ele praguejou: – Droga.

– Quebrei alguma coisa?

Ethan balançou a cabeça.

– Não, só estou tendo... problemas com um torpedo.

Eliza abriu um sorriso simpático.

– Sinto muito.

– Eu também. – Ele a avaliou com o olhar. – Estou impressionado. Carey nunca costuma chegar com mulheres.

– Por que não?

Ethan deu uma risada sarcástica.

– Está falando sério? Olhe à sua volta. Quantos casais você acha que chegaram juntos aqui?

– Ah... – exclamou ela. – Ela vem muito aqui?

Ethan a estudou com cautela, perguntando-se quanto deveria revelar.

– Acho que você deveria perguntar isso a ela.

Eliza pareceu enojada.

Quando Ethan viu sua expressão, tentou tranquilizá-la.

– Ei, ela veio com você hoje. Isso quer dizer alguma coisa, não?

Ela olhou para as mãos e brincou com as próprias unhas.

– Hum... ela não está exatamente comigo. Na verdade, sou só uma amiga da irmã dela.

Ela parecia triste, com aqueles olhos azuis enormes e o lábio trêmulo. Ethan tentou pensar em algo para distraí-la.

– Eliza Taylor, você por acaso não falaria italiano, falaria?

Ela sorriu.

– Pode me chamar de Eliza. E, sim, falo. Estudo italiano na universidade.

O rosto de Ethan se iluminou.

– Pode me ajudar a escrever um torpedo para a minha namorada? Ela é italiana. Queria impressioná-la.

– O italiano de Alycia é melhor do que o meu. É melhor pedir a ela.

– Está brincando? Eu quero o Srta. Carey bem longe da minha garota. Já vi como as mulheres reagem a ela. Só faltam se atirar para cima dela.

Eliza voltou a se sentir enojada, mas afastou sua repulsa.

– Claro, posso traduzir o que você quiser.

Ethan lhe entregou o celular e ela começou a digitar as palavras em italiano. Riu baixinho ao ouvir algumas das frases mais íntimas, mas, no geral, ficou impressionada com Ethan, que, apesar da aparência durona e rude, se importava o suficiente com a namorada para lhe dizer quanto a amava e garantir a ela que estava mantendo distância das mulheres do Lobby.

Já estava acabando de digitar quando alguém surgiu atrás deles e pigarreou. Eliza se virou e deparou com um conhecido par de olhos verdes zangados.

– Srta. Carey – falou o segurança.

– Ethan – rosnou Alycia.

Eliza não teve certeza se ouvira bem. Parecia que Alycia tinha produzido um rosnado rouco no peito, como um animal, mas isso era impossível.

Ela pressionou a tecla Enviar no celular e o entregou de volta a Ethan.

– Prontinho. Mensagem enviada.

– Obrigado, Eliza. Vou mandar uma bebida para você. – Ethan meneou a cabeça para Alycia e desapareceu numa curva do corredor.

Eliza começou a andar em direção ao banheiro.

– Aonde você pensa que vai? – perguntou Alycia, indo atrás dela.

– Ao banheiro. O que você tem com isso?

Ela estendeu a mão e segurou seu pulso, roçando o polegar nas veias que pulsavam debaixo de sua pele branca. Eliza arquejou. Alycia a puxou até elas estarem escondidas num corredor longo e escuro e a encostou contra uma parede. Continuou apertando seu pulso, saboreando a sensação da pulsação acelerada de Eliza sob seus dedos e colocando a outra mão na parede, ao lado do ombro dela. Eliza estava presa. Alycia se deteve por um instante para sentir seu perfume de baunilha e lambeu os lábios, mas seus olhos não estavam nem um pouco felizes.

– Por que deu seu telefone para ele? Ele vive com outra mulher, sabia? E agora ele paga bebidas para você e a chama de Eliza?

– Esse é o meu nome, professora! Você é a única que não quer usá-lo. E agora, mesmo que quisesse, eu não deixaria. Acho melhor me chamar de Srta. Cotter para sempre. E não dei meu telefone para ele.

– Você digitou seu número no telefone dele. Quer dizer que se oferece para vários homens ao mesmo tempo?

Eliza balançou a cabeça, irritada demais para responder, e tentou passar por baixo do cotovelo de Alycia, mas ela a agarrou pela cintura.

– Dance comigo.

Ela soltou uma risada irônica.

– Nem sonhando.

– Não banque a difícil.

– A dificuldade está só começando, professora.

Tome cuidado. – O tom de voz dela era ameaçador.

Eliza esperou passar o frio na espinha que esse tom lhe causou.

– Por que não enfia uma faca no meu coração e acaba logo com isso? – sussurrou ela, olhando bem fundo nos olhos de Alycia. – Já não me machucou o suficiente?

Alycia a soltou imediatamente e recuou.

Eliza Taylor.

Ela pronunciou o nome de Eliza como algo entre uma censura e uma pergunta. Franziu as sobrancelhas e assumiu uma expressão muito transtornada, mas não irritada. Magoada, talvez.

– Sou mesmo tão má assim? – A voz dela soou baixa, quase um sussurro.

Eliza balançou a cabeça negativamente e encurvou os ombros.

– Não tenho intenção de machucá-la. Longe disso.

Ela observou a postura intencionalmente submissa de Eliza, os olhos se apressando em buscar sua boca. Observou os lábios dela se projetarem um pouco para fora, trêmulos. Os olhos correndo de um lado para outro, nervosos.

Ela está assustada, sua idiota. Pegue leve!

– Você disse que eu não a chamei para dançar. Bem, estou chamando agora. – Sua voz ficou consideravelmente mais suave. – Eliza Taylor, me daria a honra de dançar comigo? Por favor?

Ela abriu um sorriso cativante e inclinou um pouco a cabeça... o gesto sedutor que era sua marca registrada. Mas não obteve o efeito desejado, pois Eliza não levantou a cabeça. Ela estendeu a mão para deslizar os dedos com carinho pelo pulso dela, como se tentasse pedir desculpas à sua pele. (Não que sua pele fosse aceitar.)

Instintivamente, Eliza levou a mão ao pescoço, de repente sentindo como se o descontrole emocional de Alycia tivesse lhe causado algum dano físico. Ela olhou para aquela mão que vibrava contra o pescoço branco como um lençol e, mais uma vez, notou que as veias azuis de Eliza tremiam no ritmo das batidas de seu coração.

Como um beija-flor, pensou ela. Tão pequena. Tão frágil. É preciso ter cuidado com ela...

Ela engoliu em seco e buscou, ansiosa, uma maneira de escapar.

– Por favor – repetiu ela, os olhos brilhando na escuridão.

– Eu não sei dançar.

– Mas estava dançando agora mesmo.

– Mas não músicas lentas. Vou pisar nos seus pés e machucá-la com esses saltos. Ou tropeçar, cair e fazer você passar vergonha. E já está irritada comigo... – O lábio inferior dela começou a tremer de forma mais visível.

Alycia deu um passo à frente e ela se espremeu mais contra a parede, quase como se tentasse atravessá-la para fugir de Alycia. Ela pegou sua mão e a levou, de forma pomposa, aos lábios. Então, com um sorriso firme no rosto, se aproximou mais alguns centímetros, inclinando a cabeça para baixo e colando a boca à orelha dela. A proximidade e a sensação do hálito dela se espalhando pela sua pele fizeram Eliza estremecer.

– Eliza Taylor, como eu poderia ficar irritada com alguém tão doce? Prometo que não vou me zangar nem me sentir envergonhada. Você vai conseguir dançar comigo. – O sussurro dela era estimulante e suave, sensual e sedutor, uma mistura de uísque e hortelã. – Venha.

Ela segurou a mão dela com mais firmeza e aquela mesma eletricidade familiar percorreu a pele de Eliza. Enquanto aguardava pela resposta, Alycia sentiu que seu toque a acalmava e ficou intrigada com aquela reação estranha. Era como se seu charme estivesse funcionando, mesmo que momentos antes ela estivesse tremendo.

– Por favor, professora – sussurrou ela, os olhos fixos na frente da camisa dela, relutando em encará-la.

– Achei que poderíamos ser Alycia e Eliza esta noite.

– Você não quer dançar comigo. É só o efeito do uísque.

As sobrancelhas dela se arquearam de repente e ela teve que conter uma resposta grosseira. Ela a estava provocando, quase como se soubesse exatamente como e quando fazer isso.

– Só uma música lenta. É tudo o que peço.

– Por que você iria querer dançar com uma virgem? – sussurrou ela, subitamente fascinada com os laços em seus sapatos.

Alycia se empertigou.

– Não uma virgem qualquer, mas você, Eliza Taylor. Achei que gostaria de dançar com alguém que não pretende molestá-la na pista nem tomar liberdades com você numa boate cheia de homens sexualmente agressivos.

Ela pareceu desconfiada, mas continuou em silêncio.

– Estou tentando manter os lobos à distância – disse Alycia em voz baixa.

Uma leoa tomando conta dos lobos, pensou Eliza. Que conveniente.

Ela não estava brincando. Seus olhos verdes intensos e sérios a encaravam com firmeza, a ponto de deixá-la nervosa.

– Dance uma música comigo e eles saberão que devem deixar você em paz. Do jeito que a coisa está agora, isso já seria um avanço. – Ela abriu um leve sorriso. – Se eu tiver sorte, ninguém irá incomodar você pelo resto da noite e não vou precisar vigiá-la tão de perto.

Ela ficou irritada por ser tratada daquela forma, mas cedeu, percebendo que, àquela altura da vida, Alycia estava acostumado a conseguir o que queria – sempre.

Mas nem sempre foi assim, não é mesmo, Alycia?

– Que música gostaria de dançar? – Ela a convenceu a voltar para o salão, pousando a mão na base das suas costas. – Posso pedir o que quiser. Que tal Nine Inch Nails? “Closer”, talvez?

Ela sorriu para indicar que estava brincando. Mas Eliza não olhava para ela, e sim para o chão, para não tropeçar e dar vexame ou envergonhar a professora. Mesmo assim, quando ouviu o nome daquela canção sair dos lábios dela, congelou.

Eliza parou tão de repente que Alycia quase trombou contra as costas dela. Com as pontas dos dedos, Alycia sentiu o corpo dela gelar e na mesma hora se arrependeu amargamente de ter sugerido aquela música. Ela se moveu para o lado a fim de olhar o rosto dela e ficou muito perturbado com o que viu.

– Eliza Taylor, olhe para mim.

Ela prendeu a respiração.

– Por favor – acrescentou ela.

Obediente, Eliza ergueu seus grandes olhos para ela. Debaixo dos cílios longos, Alycia viu medo e um desconforto extremo, e algo aconteceu dentro dela.

– Foi uma brincadeira. De mau gosto. Me perdoe. Eu nunca pediria essa música para dançar com você. Seria a pior forma de blasfêmia expor alguém como você àquelas palavras

Eliza pestanejou, confusa.

– Sei que fui uma... stronzo esta noite. Mas vou escolher algo agradável. Prometo.

Sem querer largá-la, por medo de que ela saísse correndo, Alycia a levou até a cabine do DJ e deslizou uma nota para ela, sussurrando seu pedido. O DJ assentiu com um sorriso, cumprimentando Eliza antes de procurar a canção solicitada.

Alycia conduziu Eliza até a pista de dança e a puxou para perto, mas não demais. Notou que as mãos dela, menores que as suas, tinham começado a suar. Não lhe ocorreu que essa reação fosse por causa da música que ela tinha mencionado. Não, pensava apenas que Eliza tinha aversão a ela e que só havia piorado as coisas ao insultá-la e sufocá-la, quando tudo o que queria era salvá-la dos lobos que haviam surgido para farejar debaixo da sua saia.

Por que estou tão preocupada? Ela não é uma criança. E nem é minha amiga.

Ela a sentiu estremecer e, novamente, se arrependeu por ter sido tão ríspida com Eliza. Ela era muito delicada e sensível. Não deveria ter dito que sabia que ela era virgem. Foi uma tremenda grosseria. Grace teria ficado estarrecida com sua falta de tato, e com toda a razão. Talvez devesse compensar a bela Eliza Taylor dançando com ela de forma carinhosa e mostrando que, apesar dos pesares, podia ser uma boa pessoa. Alycia pôs a mão espalmada na base das costas de Eliza. Imediatamente, sentiu a respiração dela acelerar.

– Relaxe – sussurrou ela, sem querer roçando os lábios em seu rosto.

Alycia juntou seu corpo ao dela, certificando-se de que Eliza podia sentir o peito dela contra o seu. Força e rigidez encontraram maciez e delicadeza enquanto elas roçavam uma contra a outra. Alycia não poderia se comportar melhor. Eliza não reconheceu a música que ela havia pedido. O vocalista cantava em espanhol e a letra não lhe parecia familiar, embora reconhecesse o verso besame mucho e soubesse o que significava. O arranjo em si era um jazz latino lento, e as duas deslizaram devagar àquele som. Alycia a conduziu pela pista como uma profissional. O fato de ter escolhido uma canção tão obviamente romântica a fez ruborizar.

Eu beijei muito você, Alycia, numa noite gloriosa. Mas você não lembra. Será que lembraria se eu a beijasse outra vez? ...

Eliza sentiu o dedo mindinho dela roçar a parte de cima da sua calcinha por sobre o vestido e se perguntou se Alycia saberia o que havia debaixo do seu dedo. A ideia de que ela talvez soubesse fez uma explosão de calor se espalhar pela pele dela. Eliza manteve os olhos fixos nos botões da camisa dela.

– Seria melhor se olhasse nos meus olhos. Fica mais fácil de seguir meus passos.

Então Eliza notou o sorriso dela, largo e sincero, como ela não via havia anos. Seu coração disparou e ela também abriu um sorriso radiante em resposta, baixando a guarda (mas não sua calcinha especial) por um breve instante. O sorriso de Alycia desapareceu.

– Seu rosto me parece familiar. Tem certeza de que Lindsey nunca nos apresentou numa das vezes em que estive lá em casa?

Os olhos de Eliza se iluminaram com o que poderia ser esperança.

– Não, ela não nos apresentou, mas nós...

– Eu poderia jurar que já vi você antes. – Ela franziu a testa, confusa.

– Alycia? – instigou ela, tentando mostrar a verdade com os olhos.

Ela suspirou com força, balançando a cabeça.

– Não, acho que não. Mas você me faz lembrar a Beatriz do quadro de Holiday. Não é engraçado que você tenha esse quadro em casa?

Se Alycia soubesse o que procurar, ou se fosse capaz de interpretá-la um pouco melhor, teria visto que Eliza pareceu ficar um pouco enjoada e que qualquer esperança desapareceu de seu rosto.

Ela mordeu o lábio sem perceber.

– Uma... amiga me falou sobre o quadro. Foi por isso que o comprei.

– Sua amiga tem bom gosto.

Algo na resposta de Eliza a aborreceu, mas ela achou que seu mal-estar fosse em consequência de ela estar tão tensa em seus braços. Alycia suspirou e colou a testa à dela, seu hálito quente contra o rosto de Eliza. Ela cheirava a Laphroaig e a algo inconfundivelmente “alyciano” e perigoso.

– Eliza, eu juro que não mordo. Você não precisa ficar nervosa.

Ela se retesou, embora soubesse que ela estava tentando acalmá-la. Mas Alycia já a havia transtornado muitas vezes e ela estava cansada disso. Não era uma marionete com a qual ela poderia se divertir a seu bel-prazer só porque outro homem lhe enviou uma trufa. Aquela dança parecia apenas uma chance para ela declarar sua superioridade.

– Não acho que isso seja muito profissional – começou ela, os olhos repentinamente em chamas.

O sorriso sumiu do rosto de Alycia e os olhos dela lampejaram em direção aos de Eliza.

– Não, Srta. Cotter, não é. Não estou sendo nem um pouco profissional com você. Mas acho que não seria apenas uma desculpa se eu disser que queria dançar com a garota mais bonita da boate.

A linda boca de Eliza se abriu um pouco, mas então ela a observou apertar os lábios com força.

– Não acredito em você.

– Não acredita que é de longe a mulher mais bonita daqui? Com todo o respeito à minha irmã, claro. Ou que eu, uma canalha com o coração de gelo, fosse querer dançar uma música bonita com você?

– Não me faça de boba – retrucou ela, irritada.

– Não estou fazendo, Eliza Taylor.

Ela apertou o braço em volta da cintura de Eliza e ela arquejou, pois o gesto mexeu com ela por dentro. Alycia sabia disso, é claro, e já esperava uma reação. O que não sabia era que já a havia tocado ali antes, que tinha sido a primeira pessoa a tocá-la daquele jeito. E sua pele nunca tinha se recuperado da ausência de seu toque. Alycia observou a irritação que ela demonstrou em seguida, divertindo-se bastante.

– Quando não está me olhando de cara feia, você fica muito bonita, com seus olhos azuis e meigos. É atraente de qualquer jeito, mas, nessas horas, parece um anjo. É quase como se fosse... você se parece com....

Um lampejo de reconhecimento atravessou de repente o rosto dela e Eliza parou de dançar. Ela apertou a mão de Alycia e fitou seus olhos, instigando-a a lembrar.

– O que foi, Alycia? Pareço com alguém que você conhece?

A expressão em seu rosto desapareceu tão rapidamente quanto havia surgido e ela balançou a cabeça, sorrindo para ela com indulgência.

– Foi só um devaneio passageiro. Não se preocupe, Srta. Cotter, nossa dança está quase acabando. Você logo se verá livre de mim.

– Quem me dera isso fosse possível – murmurou ela.

– O que disse? – Alycia tornou a colar sua testa à dela.

Sem pensar em como aquele gesto seria íntimo, ela soltou a mão de Eliza e afastou devagar um dos cachos do seu cabelo, os dedos se demorando muito mais do que o necessário no pescoço dela.

– Você é linda – sussurrou ela.

– Estou me sentindo a Cinderela. Lindsey me deu o vestido e os sapatos – disse Eliza, apressando-se em mudar de assunto.

Alycia recolheu a mão.

– Você se sente mesmo a Cinderela?

Ela fez que sim com a cabeça.

– É tão fácil fazê-la feliz – disse Alycia, mais para si mesma do que para ela. – Seu vestido é muito bonito. Lindsey devia saber qual é sua cor favorita.

– Como você sabe que roxo é minha cor favorita?

– Roxo é o que não falta no seu apartamento.

Ela fez uma careta ao se lembrar da única visita de Alycia à sua toca de Hobbit. Alycia queria fazê-la olhar para ela. Só para ela.

– Seus sapatos também são maravilhosos. – Os olhos dela se deslocaram do alto da cabeça de Eliza até os pés.

Ela deu de ombros.

– Estou com medo de acabar caindo.

– Eu não deixaria isso acontecer.

– Lindsey é muito generosa.

– Ela é mesmo. Assim como Grace era.

Eliza assentiu.

– Mas eu não. – O comentário dela soou quase como uma pergunta, e seus olhos buscaram os dela.

– Nunca falei isso. Na verdade, acho que você pode ser muito generosa quando quer.

– Quando eu quero?

– Sim. Eu estava com fome e você me alimentou. – Duas vezes, pensou Eliza.

– Você estava com fome? – A voz de Alycia soou ríspida, horrorizada, e ela parou de dançar. – Estava passando fome? – Os olhos dela ficaram duros, transformando-se em duas joias verdes gélidas, e sua voz esfriou até a temperatura de um filete de água escorrendo por uma geleira.

– Também não é assim, professora. Tinha apenas um pouco de fome de... carne. E por maçãs. – Eliza ergueu os olhos para ela com timidez, esperando aplacar seu repentino mau humor.

Alycia estava irritada demais para perceber o comentário sobre maçãs. Seu próprio estômago se revirou diante da pobreza dos alunos da pós-graduação (uma realidade que ela conhecia muito bem) e da pobre e faminta Srta. Cotter. Não era de espantar que fosse tão pálida e magra.

– Fale a verdade. Você tem dinheiro suficiente para se manter? Se precisar, falarei com o chefe do departamento na segunda-feira para que ele aumente sua bolsa. Por Deus, lhe dou meu cartão adicional hoje mesmo. Simplesmente não vou deixar que passe fome. De jeito nenhum.

Eliza ficou calada por alguns instantes, espantada com a reação dela.

– Estou bem, professora. O dinheiro é suficiente se eu controlar os gastos. Cozinhar no meu apartamento é um problema, mas juro que não estou passando fome.

Aos poucos, Alycia voltou a dançar, conduzindo-a com suavidade. Ela tornou a olhar para seus lindos sapatos.

– Vai vender esses sapatos para fazer compras? Ou pagar o aluguel?

– Claro que não! Foram um presente de Grace, de certa forma. Nunca vou me desfazer deles. Não importa o que aconteça.

– Promete que se estiver precisando muito de dinheiro falará comigo? Por Grace?

Eliza desviou o olhar, preferindo ficar calada.

Ela suspirou e baixou a voz:

– Sei que não mereço, mas peço que confie em mim só nessa questão. Você promete?

Ela respirou fundo e prendeu o ar.

– Isso é muito importante para você?

– Sim. Muito.

Ela soltou ruidosamente a respiração.

– Então eu prometo.

– Obrigado – disse ela, suspirando de alívio.

– Lindsey e Grace sempre foram muito boas comigo, principalmente depois que minha mãe morreu.

– Quando ela morreu?

– Durante meu último ano no ensino médio. Eu morava com meu pai em Selinsgrove na época e ela, em St. Louis.

– Meus pêsames.

– Obrigada. – Ela moveu a boca como se fosse dizer algo mais, porém se deteve.

– Tudo bem – sussurrou ela. – Pode falar. – Ela olhou nos olhos de Eliza, encorajando-a, mas por um instante Eliza esqueceu o que queria dizer. Contudo, logo se recompôs.

– Hum... eu ia dizer que, se um dia precisar conversar com alguém... sobre Grace, quero dizer. Sei que Lindsey está voltando para a Filadélfia. Mas eu continuarei aqui... é óbvio. Não que isso fosse ser muito profissional, mas estarei por aqui. Hum. Bem, é isso.

Ela evitou os olhos de Alycia e a mesma sentiu seu corpo inteiro se retesar, como se ela estivesse se preparando para algo terrível.

O que eu fiz com essa pobre garota? Ela está morrendo de medo de que eu vá dar um coice nela ou algo assim.

Alycia sabia que merecia aquela desconfiança, então resolveu enchê-la de gentilezas... pelo menos até o fim da música, quando elas voltariam a agir com todo o profissionalismo. Então ela tornaria a ficar distante, mas sem perder a ternura.

– Eliza, olhe para mim. Sabe, não tenho nada contra me olharem nos olhos.

Eliza o fitou, hesitante.

– É uma oferta muito gentil. Obrigado. Não gosto de falar sobre certos assuntos, mas não me esquecerei de você. – O sorriso dela voltou e, dessa vez, não desapareceu. – Você é ao mesmo tempo caridosa e bondosa, duas das mais importantes virtudes celestiais. Na verdade, estou certo de que possui todas as sete.

Especialmente a castidade, pensaram as duas ao mesmo tempo. E ela considera isso um motivo de piada, refletiu Eliza.

– Nunca dancei assim, para ser sincera – disse Eliza em tom melancólico.

– Então fico feliz em ser a primeira – retrucou ela, apertando sua mão com ternura.

Eliza ficou petrificada.

– Eliza Taylor? O que houve?

Os olhos dela ficaram vidrados e sua pele, muito gelada. Alycia observou o rubor que se espalhara em suas faces havia menos de dois minutos desaparecer por completo e sua pele ficar muito pálida. Eliza se recusava a encará-la e, quando ela passou a mão pela sua cintura, era como se ela nem conseguisse senti-la.

Quando Eliza saiu do seu transe, estado de choque ou fosse lá o que fosse, Alycia tentou fazê-la falar com ela, porém Eliza estava abalada demais. Ela não fazia ideia do que podia ter acontecido, então chamou Lindsey com um gesto e pediu que ela levasse Eliza ao banheiro. Em seguida, foi até o bar e pediu uma dose dupla de uísque, que engoliu às pressas antes de elas voltarem.

Alycia decidiu que era hora de irem para casa. Estava claro que a Srta. Cotter não se sentia bem e, além do mais, O Vestíbulo não era lugar para ela em hipótese alguma. Ela sabia que, a partir de certa hora da noite, os homens ficavam bêbados e abusados; as mulheres, bêbadas e excitadas. Não queria que sua irmã caçula e a bela e virginal Srta. Cotter fossem expostas a nenhum desses comportamentos. Então pagou a conta e pediu que Ethan chamasse dois táxis. Sua intenção era pagar o taxista da Srta. Cotter e instruí-lo a esperar em frente à casa dela e só partir depois que ela tivesse entrado em segurança.

Porém, para infelicidade da pobre Alycia, Lindsey tinha outros planos:

– Boa noite, Eliza! Alycia, nos encontramos no seu apartamento. Obrigada por levá-la em casa pessoalmente!

Lindsey entrou depressa num dos táxis e bateu a porta. Entregou ao taxista uma nota de 20 dólares para que ele arrancasse antes que Alycia pudesse dar um passo sequer. Sua irritação agora tinha um motivo bem diferente, pois estava óbvio o que a irmã tentava fazer. De todo modo, as chances de Lindsey topar com algum vagabundo no saguão do Manulife Building, com seus vigias 24 horas, eram bem menores que as da Srta. Cotter na Madison Avenue. Então ela não poderia criticar sua decisão.

Alycia ajudou Eliza a entrar no táxi e entrou em seguida. Quando pararam em frente ao prédio dela, recusou seu dinheiro com um gesto e pediu ao taxista que a esperasse ali. Acompanhou Eliza até a porta e ficou parada sob a luz fraca da entrada enquanto ela procurava as chaves.

Eliza as deixou cair, claro, pois ainda estava trêmula por conta do que havia acontecido na boate. Alycia as pegou, testando as chaves na fechadura até conseguir abrir a porta. Devolveu-lhe o chaveiro e passou o dedo ao longo das costas da mão dela. Então ficou parada ali, encarando-a com uma expressão estranha no rosto.

Eliza inspirou com força e começou a falar com seus sapatos pretos de bico fino (um pouco elegantes demais, até para Alycia), pois não conseguiria dizer o que precisava e ao mesmo tempo fitar aqueles olhos lindos, porém frios:

– Professora Carey, quero lhe agradecer por abrir portas para mim e por ter me convidado para dançar. Tenho certeza de que foi ultrajante ter sido obrigada a se comportar dessa forma com uma aluna. Sei que só está me tolerando por causa de Lindsey e que, assim que ela for embora, tudo vai voltar ao normal. Prometo não contar nada a ninguém. Sou muito boa em manter segredos.

Após uma pausa, ela prosseguiu:

– Vou solicitar outro orientador para a minha dissertação. Sei que não me acha muito inteligente e que só mudou de ideia quanto a me expulsar do programa porque sentiu pena de mim, por causa do meu apartamento. Pelo que me disse esta noite, ficou bem claro que me considera inferior e que é um estorvo ter que falar com uma virgem idiota. Adeus.

Com o coração pesado, Eliza se virou para entrar no prédio.

Alycia deu um passo à frente, bloqueando a passagem.

– Já terminou? – perguntou, com voz ríspida.

Ela a encarou com os olhos arregalados, trêmula.

– Você fez seu discurso. Creio que a boa educação me dê direito de réplica. Então, se me permite...

Ela se afastou da porta e parou, olhando para Eliza com uma expressão quase de fúria contida.

– Abro portas para você porque é assim que uma dama deve ser tratada. E você é uma dama, Srta. Cotter. Nem sempre me comportei como uma boa pessoa, mas Grace se esforçou bastante para me ensinar isso. Quanto a Lindsey, ela é um amor de garota, mas muito sentimental. Gostaria que eu recitasse sonetos debaixo de sua janela como uma adolescente. Então vamos deixar minha irmã fora disso, está bem? Quanto a você, se Grace a adotou como fez comigo, foi porque viu algo de muito especial em você. Ela possuía o talento de curar as pessoas com seu amor. Infelizmente, tanto no seu caso quanto no meu, talvez tenha chegado um pouco tarde demais.

Eliza ergueu as sobrancelhas ante essa última afirmação, perguntando-se em silêncio o que ela significaria, mas não teve coragem de questioná-la.

– Eu a convidei para dançar porque queria sua companhia. Sua mente é sagaz, e sua personalidade, cativante. Se quiser outro orientador, é direito seu. Mas, para ser franca, estou decepcionada. Nunca pensei que você fosse de desistir facilmente. Se acha que faço as coisas por pena, é porque não me conhece. Sou uma canalha egoísta e egocêntrica que mal se dá conta dos problemas de outros seres humanos. Para o inferno com o seu discurso, para o inferno com sua baixa autoestima e para o inferno com o programa da pós. – Ela bufou de frustração, esforçando-se para não erguer a voz. – Sua virgindade não é motivo de vergonha e certamente não é da minha conta. Eu só queria fazer você sorrir e....

A voz de Alycia se perdeu e ela levou a mão ao queixo de Eliza. Ergueu o rosto dela com cuidado e seus olhares se cruzaram.

Quando se deu conta, estava se inclinando em sua direção, o rosto dela se aproximando do de Eliza, seus lábios a poucos centímetros de distância. Tão perto que ela conseguia sentir o hálito quente de Alycia.

Uísque e hortelã...

As duas respiraram fundo, sorvendo o perfume uma da outra. Ela fechou os olhos e passou a língua rapidamente no lábio inferior. Esperou.

Facilis descensus Averni – sussurrou ela, as palavras fatídicas e sobrenaturais atingindo-a na própria alma. – A descida para o Inferno é fácil.

Alycia se empertigou, soltou o queixo dela e caminhou até o táxi, batendo a porta do carro ao entrar.

Eliza abriu os olhos e viu o veículo se afastar. Então recostou-se na porta, as pernas bambas como gelatina.


Notas Finais


Me desculpem os erros.

Minha outra adaptação, Beautiful Disaster: https://spiritfanfics.com/historia/beautiful-disaster

MAY WE MEET AGAIN!


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