História Remember Me - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Asuma Sarutobi, Fugaku Uchiha, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Kurenai Yuuhi, Mei, Mikoto Uchiha, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Amor, Cannon, Naruto, Orihimeba, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Exibições 116
Palavras 4.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, meus amores!
Pois é, aqui estou eu com mais uma, completamente SasuSaku e com muito amor
A história é inspirada em Cinderella, mas não tem nada de fantasia, até porque não tenho o dom para escrever esse tipo de coisa kkkk

Bom, chega de enrolar.
Espero que gostem :D

Capítulo 1 - Sakura's Lullaby


Fanfic / Fanfiction Remember Me - Capítulo 1 - Sakura's Lullaby

 

Konoha, 1932

Sakura saiu voando de casa, montada em sua bicicleta branca de cesto na frente. Pedalava com vontade pela estrada de terra e depois pelas ruas de paralelepípedos da cidade. As curvas já eram decoradas por seu cérebro, seu corpo fazia o caminho automaticamente, sem que precisasse pensar. Seus cabelos longos balançavam conforme o vento batia e sua saia farfalhava a cada pedalada que dava. Chegou em poucos minutos na grande Ópera de Konoha, um edifício de centenas de anos atrás, construído pelos primeiro moradores da cidade.

Deixou sua bicicleta na mureta ao lado da porta de entrada, sem se importar em arrumá-la direito. Subiu os degraus correndo, louca para poder ainda ouvir o espetáculo que acontecia lá dentro. Quando entrou no prédio, a atmosfera era completamente diferente e seus ouvidos foram invadidos pelo som de violinos. Um sorriso involuntário brotou em seus pequenos lábios. O homem parado à frente dos músicos, vestido com um terno simples, deixou seu cigarro no cinzeiro ao lado e balançou a batuta.

No mesmo instante, o piano começou a tocar. O barulho melodioso e perfeito, na opinião de Sakura, era o mais maravilhoso de todos. O homem de terno mexia os braços com sutileza, mostrando à orquestra como seguir a apresentação. Na verdade, não havia ninguém ali, era apenas mais um dia de ensaio, mas para uma pequena menina de treze anos, aquilo era a mais perfeita sincronia. As teclas de marfim sendo tocadas eram um som hipnotizante para Sakura. A menina se sentou em um dos centenas de lugares vagos do local e passou a tocar um piano invisível. Conforme o som chegava ao seus ouvidos, seus dedos se moviam como se ela mesma estivesse tocando lá no palco.

O homem que tocava o piano era extraordinário. Sakura não tirava os olhos dele, observava o modo como ele se sentava, como seus braços e dedos se mexiam para alcançar as notas e como sua cabeça mal se movia da partitura para as teclas. Ele parecia já saber exatamente onde elas ficavam. A música foi tomando uma proporção maior, foi crescendo, até que teve seu pico de emoção, e foi finalizada. O maestro balançou uma última vez a batuta e a orquestra cessou os sons de seus instrumentos. Sakura podia ouvir tudo que acontecia ali, por conta do silêncio repentino.

- Obrigado pessoal – ouviu o maestro dizer – Até amanhã, no mesmo horário.

Os músicos começaram a se levantar e a guardar seus instrumentos e partituras e Sakura se levantou do assento, indo em direção ao pianista.

- Renji – ouviu o maestro chamar um dos violinistas – Pode dar uma olhada nessas passagens?

- Sim, claro, posso revisá-la – ele se aproximou do maestro e pegou a folha que ele segurava – Sem problemas.

- Ok, obrigado – o mastro agradeceu e o rapaz pôde ir embora.

Sakura terminou de subir os degraus do palco no momento que o maestro se virou para ela.

Ou melhor, seu pai.

- Minha querida, você gostou? – ele perguntou, passando o braço por cima dos ombros dela.

- Oh, você sabe o quanto eu gosto de te assistir, papai.

Seu pai, o maestro, se virou para o pianista, que havia se levantado e o cumprimentou.

- Obrigado – o homem disse.

- Foi muito bem – seu pai elogiou, sorrindo.

- Obrigado, mais uma vez.

E o homem saiu dali com a partitura em mãos. Assim que ele estava do outro lado do palco, foi a vez de Sakura se sentar no piano. Aquela majestosidade de madeira e marfim, esculpida na mais calma e precisão, era o sonho de Sakura. Ela tocou as notas, delicadamente, sem emitir som algum.

- Ah, papai, e o pianista foi brilhante – ela adicionou, se referindo à orquestra de antes.

- Não foi mesmo? – ele concordou.

Kizashi Haruno pegou um embrulho que estivera dentro do piano e entregou para a filha. Era um envelope grande, envolvido numa fita lilás com um laço grande e bonito no meio. Ele colocou o envelope em cima do piano e os olhos de Sakura brilharam.

- Aqui – ele o empurrou levemente para a filha – Feliz aniversário, querida.

Sakura pegou o envelope na maior rapidez, desfez o laço e abriu o embrulho. Retirou o que havia ali dentro, várias e várias folhas de papel juntas, envoltas numa outra fita lilás. Sakura, com as mãos um pouco trêmulas, retirou o outro laço e olhou com mais calma as notas desenhadas nas inúmeras folhas à sua frente. Piscou diversas vezes antes de olhar para o pai.

- Escreveu isso pra mim? – perguntou.

- Com a ajuda da sua mãe – o pai concordou – Ela começou a trabalhar nisso, mas nunca terminou... – o pai soprou o cigarro, que voltou a tragar, pelo nariz, antes de voltar a falar – Então, de certa forma, é de nós dois.

Sakura sorriu com a lembrança de sua mãe. Colocou a nova partitura no piano e começou a ler a melodia ali composta. Seus dedos se posicionaram nas teclas de marfim automaticamente e, sem que precisasse se esforçar tanto, ela começou a tocar as primeiras linhas dali. Conforme a melodia saía, Sakura lia as linhas após a que tocava, para se preparar para os próximos movimentos. Seu pai se debruçou sobre o piano, deixou até mesmo o cigarro de lado, e observou o rosto de sua filha. A pequena Sakura, não mais tão pequena assim, estava crescendo e se parecendo cada vez mais com sua falecida esposa, Mebuki. Não havia um dia em que Kizashi não se lembrava dela. Não havia um dia em que ele não sentia sua falta.

- Você toca cada dia mais como ela – ele murmurou para a filha – Até mesmo levanta os pulsos como ela.

Sakura, mesmo tocando a nova melodia, não tirou os olhos da partitura, mas balançou a cabeça, confusa e se dirigiu ao pai.

- Isso é tão estranho – disse – Eu nunca a vi tocar.

Kizashi, que antes sorria, desmanchou o sorriso e franziu os lábios numa linha fina. Tragou seu cigarro mais uma vez, aproveitando a sensação da fumaça levando embora todas suas preocupações. Sakura parou de tocar e se virou para ele.

- Acha que eu posso ser tão boa quanto ela? – perguntou, ansiosa.

Seu pai desencostou do piano e se dirigiu ao banco em que a filha estava sentada. Ela deu um espaço para ele se sentar e, assim que colocou a mão nas notas de marfim, ele deixou o cigarro de lado.

- Você é talentosa – disse para a filha – Mas é uma carreira que exige muito.

- Eu não me importo – Sakura respondeu de prontidão – Eu amo música mais do que qualquer coisa!

Kizashi sorriu ao ver a paixão da filha e colocou um braço ao redor dos ombros dela.

- É por isso que te fiz uma poupança – ela o olhou com os olhos verdes brilhando – Com vinte e um anos, você poderá decidir se irá seguir carreira ou não.

Conforme Kizashi falava, o sorriso de Sakura se alargava. Ao pensar em um dinheiro guardado no banco só para ela para, quando pudesse, destinado a investir na carreira que sempre sonhou, a fez se encher de alegria. Isso era tudo que ela precisava no momento. Seu pai a apoiava, mesmo sendo um pouco duro, e sabia que sua mãe ficaria muito orgulhosa em ver a mulher que estava se tornando.

- Obrigado papai – Sakura o abraçou – Isso significa muito para mim.

Assim que lhe deu um beijo estalado na bochecha barbuda, Kizashi riu e bateu as mãos em palmas.

- Chega de conversa séria – ela olhou para ela – Vamos para casa comemorar.

Ele se levantou na cadeira com uma animação contagiante, ajeitando seu paletó gasto.

- Acho que Mei está preparando algo especial – ele disse e Sakura deu um sorriso ao se levantar.

Eles saíram juntos de lá, de braços dados, rindo como duas crianças. Kizashi tinha um carro e, na opinião de Sakura, era o mais bonito de todos. Sua cor era de um verde escuro, que apenas brilhava quando a luz do sol batia nele. Seus bancos eram de couro claro, iluminando o interior do veículo mesmo não tendo luz. Sakura havia ido de bicicleta, mas não havia problema. Seu pai a ajeitou de uma maneira que não atrapalhasse nem caísse, na parte de trás do carro, e eles se sentaram na frente. Sua casa não era longe, moravam em um sobrado grande o suficiente para uma grande família, com direito à jardins e pátios. Era todo construído de pedras e madeira, com um ar frio, mas ao mesmo tempo aconchegante. Era o grande lar de Sakura. Era a casa dela, de seu pai e, um dia, foi a de sua mãe. Aquele lugar seria para sempre deles.

Cantaram juntos até entrarem pelos portões de ferro de casa. Sakura desceu enquanto seu pai retirava sua bicicleta e a colocava no canto. Subiram os degraus de pedra que levavam ao pátio de trás tentando adivinhar o que teria para o jantar. Kizashi parou na beira da escadaria enquanto Sakura seguia para dentro.

- Vou tocar agora mesmo – ela disse, se referindo à sua nova música.

Ele estava acendendo seu cigarro e, assim que Sakura colocou os olhos na porta de entrada, pensou ter visto uma assombração, tamanho o susto. As duas meninas, com os cabelos presos de lado, em vestidos quase iguais, se não fossem as cores, estavam sentadas lá dentro, observando exatamente onde Sakura estava. Elas tinham duas grandes malas na frente, como se estivessem de mudança.

Sakura recuou, com a boca aberta, não sabendo exatamente o que estava acontecendo ali. Mas achou melhor perguntar para seu pai. Assim que se virou, ele já havia apagado o cigarro recém-acendido e estava parado ao seu lado, observando as duas meninas dentro de sua casa. A de cabelo vermelho, vivo como fogo, a olhou com o cenho franzido, enquanto a outra, loira, a observou dos pés à cabeça.

- O que está olhando? – a ruiva praticamente cuspiu – Nunca viu uma mala, não?

Karin nunca havia sido amável. Nunca nem ao menos tentou. Ino, irmã dela, também não era a mais simpática das crianças. As duas sempre tinham as expressões sérias e frases rudes na ponta de língua. Seu pai deu um passo à frente, com a mesma feição de desentendido de Sakura e abriu os braços para as duas meninas sentadas em seu sofá.

- Para onde vocês vão? – perguntou para elas não fazendo ideia do que estava acontecendo ali.

Mudando da água para o vinho, Karin, que foi grossa com Sakura, respondeu na maior delicadeza para Kizashi.

- Não devemos dizer, Sr. Haruno – disse com a voz mais doce que conseguiu.

Kizashi saiu dali decidido, dando passos longos para longe dali, subindo as escadas. Sakura o seguiu, ainda apreensiva sobre o que poderia estar acontecendo com aquelas duas. Elas eram filhas de Mei, uma viúva que havia chego em sua casa há um tempo, morando com eles para que pudesse passar seu luto e se arranjar para sua vida sozinha com as filhas. Mei era nova, bonita e muito educada. Sakura sempre a viu impecável. Suas duas filhas eram da mesma maneira, sempre bem vestidas, limpas e com os cabelos milimetricamente penteados e presos. Elas não eram muito de conversar, ou se eram, certamente não faziam isso com Sakura. As únicas palavras que saiam de suas bocas eram para lhe insultar, ou insultar alguém que trabalhava ali.

Sakura terminou de subir os degraus de madeira com um olho à sua frente e o outro atrás, ainda temendo que as irmãs a seguissem para, também, espionar seu pai. Ela o encontrou dentro do quarto de Mei, com a porta entreaberta, e conseguiu ouvir os dois conversando.

- Esse arranjo se tornou muito embaraçoso – ouviu Mei dizer – Eu era uma viúva respeitável quando me mudei para cá. Meu marido morreu, pelo amor de Kami!

Sakura não sabia há quanto tempo Mei era viúva, mas sabia que ela quase nunca falava de seu falecido marido. Desde quando ela havia se mudado para lá, se Sakura havia ouvido falar sobre ele duas vezes, era muito. Ela nem ao menos saiba o seu nome.

- O que aconteceu? – seu pai perguntou para ela.

Agora, Sakura havia empurrado, bem pouco, a porta e conseguia observar toda a cena. Mei estava com a mala em cima da cama, aberta, com roupas para todos os lados, as dobrando e enfiando ali. Mei tinha uma expressão magoada enquanto falava.

- Eu estava no mercado, hoje cedo, e ouvi umas pessoas sussurrando pelas minhas costas – ela fez uma pausa – Coisas ruins.

Ela se virou para Kizashi, com o rosto distorcido em dor e tristeza, dobrando uma peça de roupa nos braços antes de colocá-la na mala. Mei balançou a cabeça em negação e franziu os lábios.

- Não posso fazer isso com minhas meninas – disse, por fim – Tenho uma reputação a zelar.

- Eu não entendo – Sakura ouviu a voz grossa do pai ecoar no quarto, mas também ouviu outro barulho.

Ao se virar para fora, encontrou Kurenai no corredor, com as peças de roupa em mãos. Ela usava o uniforme preto com o avental branco por cima e tinha uma expressão de tédio. Assim que foi se aproximando de Sakura, e da conversa interessante que ela ouvia pela porta, sua expressão mudou.

- Não há nada de incomum em ter uma governanta morando em casa – Kizashi disse.

Kurenai deu seus passos silenciosos e parou ao lado de Sakura, observando a mesma cena que ela via, pela fresta da porta. Nesse momento, Mei fez uma pose de vencida, como se não precisasse explicar o porquê dela não poder morar na mesma casa que eles, sendo uma governanta.

- Exceto por não sermos casados e morarmos na mesma casa – ela disse por fim.

- Eu estou prestes à sair em turnê, Mei – Kizashi disse com convicção – Pode, pelo menos, ficar até eu arrumar outra pessoa?

Para ele, essa história toda não havia sentido algum. Há muito tempo Mei morava sob o mesmo teto que ele e Sakura e nunca, nem uma única vez, ela disse algo sobre ser imoral ou errado. Ela deveria ter ouvido algo muito ruim, de pessoas que não tem mais o que fazer e precisavam ocupar seu tempo vago importunando os outros.

- Eu não posso – Mei respondeu fazendo a mesma feição de antes – Eu nunca deveria ter aceitado esse emprego. Mas então, eu vi como você se preocupa com a Sakura e... Eu não pude evitar.

Mei fez outra pausa, observando as roupas em cima da cama e as peças dobradas dentro da mala, e só depois se virou para Kizashi.

- Eu queria fazê-la se sentir amada e segura – ela disse – Por favor, saia. Eu tenho que me trocar.

Mei se virou, ficando de costas para Kizashi. Ele ficou olhando para ela, tentando entender o que estava acontecendo e o que faria para arranjar outra governanta. Observou o corpo de Mei ficar rígido e ela levar as mãos para a altura do peito. Ela estava de costas, ele não sabia o que ela fazia, mas sabia que precisava consertar essa situação. Deveria haver alguma coisa que ele poderia fazer para que ela ficasse ali. Ele precisava dela, para cuidar da casa, e Sakura precisava de uma figura materna por perto. E nada melhor do que Mei, uma viúva nova, com duas filhas da mesma idade de Sakura, para lhe ensinar o que sua mãe não pôde. Ao pensar em Mebuki, Kizashi sentiu uma leve tristeza. Leve, pois ela já havia falecido há anos e ele aprendeu a conviver com a saudade. Mas ele sabia que a saudade nunca deixaria de existir.

Deixando de lado os pensamentos de sua esposa, ele voltou o foco para a conversa principal que acontecia naquele quarto. Mei continuava de costas, desabotoando devagar a camisa que vestia, atenta com os movimentos de Kizashi atrás de si. Ela queria que aquela conversa terminasse em apenas um rumo. E ela faria de tudo para que acontecesse.

- Não podemos sentar e conversar com calma, Mei? – ele tocou o ombro dela – Por favor.

Ao se virar para Kizashi, Mei tinha os primeiros botões da blusa abertos, revelando a blusa de cetim fina e quase transparente que usava por baixo da camisa. Inconscientemente, os olhos de Kizashi relancearam para lá, e então subiram para o rosto de Mei. Kurenai sabia muito bem o que iria acontecer ali, mesmo que rezasse para que não, e achou melhor Sakura não ver mais nada daquela cena.

Ela fechou a porta devagar e olhou para Sakura com um sorriso estranho. Kurenai era boa em disfarçar suas emoções, mas não suas reações. Com a porta fechada e nenhuma fala saindo de dentro do quarto, Sakura se deu por vencida. Resolveu ir para o seu quarto, descansar, antes de rumar para o piano e tocar sua mais nova música. Mas, assim que chegou no cômodo, encontrou Karin e Ino lá dentro, mexendo em suas coisas. Sakura estreitou os olhos, tentando entender o que aquelas duas faziam lá dentro. Coisa boa não era, elas nunca haviam sido amigáveis com ela, e não começariam agora.

- O tecido é caro – Ino dizia, com uma cara de nojo – Mas é velho... Talvez fosse da avó dela.

Ela segurava nas mãos o laço do vestido de casamento da mãe da Sakura, Mebuki Haruno, analisando o tecido usado. Karin tinha uma foto em mãos, observando as pessoas nela. Seus olhos passaram pelo rosto de Mebuki, na foto, e ela olhou a irmã.

- Ela não fazia cinema mudo? – perguntou, mas antes que pudesse ter uma resposta, Sakura irrompeu o quarto.

- O que estão fazendo aqui? – perguntou já aguardando a resposta rude das duas – Ela não tinha nada a ver com esse vestido.

Sakura se aproximou rapidamente das suas e arrancou a foto da mão de Karin. Ino soltou, na mesma hora, o tecido que segurava e ficou apenas observando as ações de Sakura. Ela depositou o porta-retratos na mesinha de cabeceira, ao lado de outras duas, e se virou para as irmãs.

- Eu acho que seu papai vai fazer de novo... – Karin disse, deixando a frase no ar.

Sakura não entendeu e, para ser bem sincera, Ino também não. Mas essa manteve a pose e fingiu que havia entendido tudo. Sakura, que era bem curiosa, não se aguentou e resolveu perguntar sobre o que se tratava.

- Fazer o que?

- Se casar – Karin disse como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Ele nunca faria isso – Sakura disse com tanta convicção que Karin levantou as sobrancelhas.

- Oh, ele faria sim – Ino retrucou, dando um passo em direção à Sakura – Quer apostar?

Sakura a olhou com receio. Seu pai nunca se casaria de novo. Ele seria para sempre de sua mãe, como ele mesmo já havia dito várias e várias vezes. Então, porque Karin e Ino haviam dito aquelas coisas? Sua jovem mente trabalhou em acreditar nas palavras que disse, que seu pai nunca se casaria novamente, enquanto Ino e Karin saíam do quarto com sorrisos maldosos. Com elas já longe, Sakura continuou com o pensamento de que seria para sempre ela e seu pai, unidos contra tudo e contra todos.

[...]

O tempo passou, para ser mais exato, três meses, e com isso, as coisas também mudaram. Depois da conversa que Sakura havia ouvido atrás da porta, seu pai e Mei começaram a se encontrar nos cantos das salas e corredores. Karin e Ino passaram a se portar cada vez melhor perto dele e Sakura sentia que alguma coisa estava acontecendo.

No fim, ela estava certa. Numa noite, seu pai passou por seu quarto para lhe dar boa noite, mas parecia estranho.

- Minha querida – ele alisou seus cabelos mais uma vez – Quero lhe contar uma coisa.

Sakura se levantou na cama, não tão pronta para ouvir as palavras do pai.

- Mas primeiro – ele levantou o indicador – Quero que saiba que eu sempre estarei aqui com você. E que sua mãe sempre estará com nós.

Sakura sentiu o coração palpitar. Por que seu pai falava aquilo? Ela não conseguiu entender e ficou aguardando ele continuar.

- Certo? – ele perguntou para ela.

- Sim – ela sorriu, com medo do que poderia vir a seguir.

- Bom – seu pai olhou para os lados, claramente enrolando para dizer – Mei e eu iremos nos casar.

Por Kami Sakura já estava deitada, senão a falha que sentiu em suas juntas a teria levado ao chão. Casar? Com Mei? Por quê? Piscou seus olhos mais do que deveria, tentando assimilar o que seu pai havia acabado de dizer.

- Eu sei, querida – ele disse para ela com uma expressão triste – Mas Mei é uma ótima mãe, irá te ajudar com os assuntos femininos. Ela gosta tanto de você. E Karin e Ino serão suas meias-irmãs, vocês serão boas amigas…

Conforme seu pai falava, Sakura tentava entender de onde ele havia tirado essa ideia. Mei era boa em dar ordens, isso não havia como negar, mas nunca fora amorosa com ela. A não ser pelas vezes que seu pai estava por perto. E Ino e Karin devem estar detestando essa situação assim como ela.

- Papai, tem certeza disso? – Sakura ousou perguntar, ansiando que ele hesitasse ou pensasse melhor no que dizia.

- É claro que tenho, querida – ele disse sorrindo – Eu amo a Mei, e ela me ama. Além do mais, será nesse final de semana.

O choque que a atingiu foi ainda maior. Seu pai estava apaixonado por Mei. Ele havia esquecido sua mãe, ao que parecia, e encontrou outra mulher. A vontade de Sakura era de lhe entupir de perguntas, de todos os tipos, mas a resposta que seu pai lhe deu parecia tão sincera, que ela ficou com medo de atrapalhar seus sonhos. Então, tudo que Sakura fez foi sorrir, tentando parecer tão feliz quanto seu pai.

- Mal posso esperar – foi a única coisa que ela conseguiu dizer.

[...]

O final de semana chegou e, com ele, o grande dia de Mei e Kizashi.

A cerimônia foi simples, com apenas alguns convidados, a maioria trabalhava na casa ou eram apenas conhecidos. Sakura estava sentada em uma cadeira dura, numa capela perto de sua casa, com um vestido amarelo e um sorriso forçado no rosto. Para ela, aquela união não parecia certa. Mas se seu pai queria e amava Mei, Sakura faria o possível para não estragar as coisas.

- Estamos aqui reunidos hoje para testemunhar a união de Mei Terumi e Kizashi Haruno – o padre dizia – Para seguirem a jornada de suas vidas como casal.

Karin e Ino estava na primeira fileira de cadeiras dali, com roupas quase iguais, seguindo a irritante mania de Mei vesti-las desse jeito apenas pela diferença de idade ser curta. Ela, pelo outro lado, usava um vestido creme com um casaco, da mesma cor, por cima e tinha um ramo de flores em mãos. Não se era possível dizer que estava feliz, até porque sua face não estampava um sorriso largo, apenas um curvar de lábios presunçoso. Kizashi, por outro lado, olhava para Sakura sempre que possível, lhe dando sorrisos e piscadas, conforme o padre falava. Ela não podia parar de sorrir pois a cada minuto seu pai lhe olhava como se precisasse de apoio para se casar com Mei.

- Aos olhos de Kami, façam seus votos – o religioso anunciou.

Assim que Kizashi olhou para Mei, ela lhe deu um sorriso e se virou para frente afim responder ao padre.

- Mei Terumi aceita Kizashi Haruno como marido, para respeitá-lo e amá-lo na saúde e na doença, até que a morte os separe? – perguntou, recebendo a resposta afirmativa da mulher.

No momento que seu pai focou a atenção no padre, Sakura desfez o sorriso e fitou seu pai imaginando como deveria ter sido seu casamento com sua mãe. A imagem dele e dela, arrumados e bem-vestidos, saindo da porta da igreja e sendo recebidos por uma chuva de arroz se apossou de sua mente. Uma felicidade inexplicável tomou conta de si, mas assim que Mei respondeu à pergunta, toda a cena se desfez e Sakura voltou ao que acontecia à sua frente.

- Aceito – depois disso, Mei e Kizashi selaram a união com um beijo, mas o que apenas Sakura viu foi o olhar sem emoção que ela esboçou ao abrir os olhos no meio dele.

Sakura crispou os lábios, os deixando em uma linha fina, ao constatar que Mei só estava enganando seu pai. Um beijo não era para ser algo mágico? Para sentir borboletas no estômago? Se sentir nas nuvens? Pelo menos era isso que Sakura havia lido. Então, porque abrir os olhos no meio ao beijo, invés de aproveitar a sensação?

Com a cabeça cheia de dúvidas, o casamento terminou e Kizashi saiu de lá com sua mais nova esposa: Mei Haruno.

 


Notas Finais


E aí, o que acharam?
Acompanharia a história?

Link cda música do cap: https://www.youtube.com/watch?v=pvn_P7DLFFk


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