História Reminiscência - Don't you remember? - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Tom Holland
Personagens Personagens Originais, Tom Holland
Tags Comedia, Drama, Personagens Originais, Romance, Saga, Tom Holland
Visualizações 61
Palavras 1.514
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


"Amar e ser amado
Não há nenhuma outra pérola
Para se achar entre os refolhos da vida
Amar é um cumprimento."


Victor Hugo

Capítulo 17 - "Amar é um cumprimento." Victor Hugo


Tom’s POV 

    Sigo Enzo pela porta lateral que há na cozinha, sinto-me nervoso e a única coisa que tenho em mente é que a conversa com ele não será amistosa. O engraçado é que, de tanto a Liv reclamar do pai, eu fiquei um pouco receoso com ele. O fato dele não ter ido visitá-la no hospital no acidente que ela teve, dele não falar com ela direito quando chegamos e que os oito meses que ela perdeu de memória, não há um resquício de que eles tinham voltado a se falar, me deixa irritado com ele. Porém, lembro que Sofia falou que Olivia sempre foi meio fechada e cabeça dura em voltar a conversar com Enzo. De todas as coisas que passei nesses últimos dias, tirei um aprendizado, uma história tem sempre dois lados, então cá estou eu, seguindo meu sogro. 

    Descemos as escadas que há na lateral da casa, uma parte que ainda não tinha visto. Há uma área de lazer com uma cozinha americana e uma piscina, o chão é de paralelepípedo e o contraste com os arbustos forma uma arquitetura bonita. A casa no todo é linda, Olivia é milionária, é essa a conclusão que chego, sua casa é 5 vezes maior que a minha, o fato de isso nunca ter passado pela minha mente, só me deixa mais apaixonado por ela. Ela poderia ostentar, ser metida, mas não, é humilde, na dela e extremamente trabalhadora. Para mim isso é apenas um reflexo da criação que recebeu, o que me faz pensar que seus pais foram atenciosos com a formação de caráter da filha. 

    Seu Enzo continua caminhando em direção a parte da frente da casa, vejo os carros estacionados, mas ele segue em frente até que chegamos ao vinhedo, o cheiro é doce e as uvas estão bem roxas. Seu Enzo pega um cacho com as mãos, acho que irá arrancá-lo, mas apenas se aproxima e sente o cheiro das uvas.

    — Estão quase boas para a colheita. — Ele comenta, soltando o cacho e se virando para mim. — O que você faz da vida? 

    Uau, bem direto.

    — Sou ator. 

    — Hm. Como Olivia está? 

    Sério isso? Ah, mas eu não vou perder a oportunidade. 

    — Achei que já tinha conversado isso com dona Sofia. Vocês parecem ser tão próximos. — falo um pouco sarcástico, sentindo um gosto ácido na boca. Eu definitivamente, tomei as dores de Olivia. Ele me olha com a cara firme, mantenho minha posição, coloco as mãos nos bolsos da calça e o encaro.

    — Já sim, mas estou perguntando  para você. 

    — Com todo o respeito, senhor, você deveria perguntar para ela. Vocês precisam conversar. Pode não parecer, mas ela sente sua falta, sei que sim.

    — Olivia é teimosa. — Ele diz. É, eu sei, tenho vontade de falar.

    — Porém, é a sua filha, seu Enzo. — Falo sério, mas ele me encara e abre um sorriso.

    — Agora eu entendo por que Sofia tem tanto afeto por você. — Ele diz, meneando a cabeça em afirmação.

    — Como assim? — pergunto curioso. 

    — Você a lembra dela. — ele diz olhando para mim.

    Seu Enzo vira as costas, continua andando e eu o sigo, até chegarmos no que acho ser um celeiro, abre as portas e o cheiro de vinho entra pelas minhas narinas. Há vários barris de carvalho, eles saem do chão e amontoando-se em três linhas de barris, formam um estoque de vinho em fermentação. A iluminação não é muito forte,  há colunas em que neles têm pregadas algumas lâmpadas. Continuamos andando e chegamos a um banco, já no final do galpão onde sentamos um do lado do outro virados para a porta principal.

    — Lembro quem? — pergunto finalmente.

    — Chloe, você lembra Chloe. É o seu jeito, rapaz. Sofie já havia comentado comigo e eu não acreditei.

           Eu não sei como me sentir com essa informação, na verdade, não estou entendendo essa conversa. Estralo meu pescoço e aperto minhas mãos uma com a outra, estralando os dedos também.

    — Perdão, Enzo, mas não entendo a que rumo que você quer levar essa conversa. Vim aqui por causa da Liv e também para conhecer a família dela, tentar entender o que houve entre vocês.

    — O que houve é que eu não sei lidar com Olivia desde que a mãe dela, a minha esposa faleceu. Ela se fechou, se isolou. E ao mesmo tempo em que estava tentando lidar com a minha perda, eu tinha que aprender a lidar com a de Olivia, que era adolescente, mais a de Sofia, de todo mundo. — Ele cuspiu as palavras como se estivessem presas em sua garganta por muito tempo. — Não sei nem por que estou conversando isso com você.

    — Olivia acha que você não a ama. — Falo com uma certa raiva, levanto-me e paro na sua frente. — Sua filha sofreu um acidente, perdeu a memória e nem no hospital você foi vê-la.

    — Você acha que não me preocupo com ela? — ele pergunta ríspido.

    — Senhor, o que eu acho não importa. O que importa é como o seu comportamento tem efeito na vida da Olivia. Quantos anos que vocês não se falam direito?

    — Desde que Cici faleceu. — Ele diz com pesar, dá para ver que ele sofre com a situação.

    — E com a dona Sofia?

    — Com ela nunca perdi contato. — Enzo levanta o olhar e me encara. — Ela é praticamente uma mãe para mim.

    — O que ela acha de tudo isso? E por que? É isso que Liv não entende e muito menos eu, amo dona Sofia, mas a Olivia é sua filha, não era mais fácil perder contato com a sogra do que com a própria filha?

    — Sofie é praticamente uma mãe para mim, quando eu estava passando fome quando adolescente, ela e Benedict me acolheram para dentro da fazenda e me ensinaram tudo que hoje sei sobre a colheita. Foi assim que conheci Chloe. —Ele para por um momento, reflete e continua diminuindo o tom da voz. — Sei que é errado dar mais atenção para minha sogra do que para minha filha, mas sempre foi mais fácil me abrir com Sofia do que com Liv. Olho para Olivia e vejo Chloe por inteiro, a cor dos olhos, o jeito de andar, o jeito de falar e sorrir… Eu não sei olhar para Olivia e não pensar na Chloe e isso me dói.

    Enzo põe a cabeça entre as mãos e olha para o chão, eu apenas o encaro, esperando uma reação, qualquer que seja, uma palavra para eu entender tudo que está acontecendo. Ele continua a falar:

        — Eu amo minha filha, Stanley, sei que estou errado e quero consertar o que tiver para consertar.

    — Faço o que for preciso para ajudá-lo, senhor. 

    — Você tem caráter, isso é importante. — Ele levanta o olhar e volta a me encarar.

    Ele diz isso e eu me impressiono, quando vim conversar com ele, não achei que a conversa seria assim. Já estava me preparando para o pior, mas a verdade é que ele parece ser um senhor legal, ele só precisa demonstrar isso para Olivia, fazê-la entender tudo o que aconteceu. Canso de ficar em pé e volto a me sentar ao seu lado.

    — Obrigado. 

    — Não estou encontrando meios para justificar o meu comportamento, mas gostaria de te fazer uma pergunta.

    — Pode fazer. — Ai meu Deus.

    — O que passou na sua mente quando ficou sabendo do acidente de Olivia?

    Pergunta injusta. Mas respondo.

    — Várias coisas, seu Enzo. Uma delas foi me sentir responsável pelo acidente, mesmo não sendo minha culpa. A outra foi que não encontraria outro ser humano com quem gostaria de compartilhar a minha vida, eu fiquei sem reação.

    Enquanto eu falo essas palavras, mais certeza eu tenho da decisão que tomei antes das nossas férias para Nice, eu quero compartilhar minha vida com a Liv e durante as nossas férias ela aceitou. É ela a escolhida.

    — Como você se sentiu? — ele pergunta, a isso eu não sei responder, não sei explicar. 

    Eu o encaro, penso um pouco para tentar formular uma resposta que tenha sentido e falo:

    — Não achei que seria possível, de alguma forma, ser cem por cento feliz se a perdesse para sempre. — Engulo seco, falar essas palavras é mais difícil do que apenas pensá-las, sinto o meu nariz e olhos arderem. Pensar na época em que Olivia estava no hospital, há duas semanas, é desesperador.

    Vejo Enzo engolir seco e ele passa as mãos nos olhos.

    — Você não sabe o que é sentir isso todos os dias.

    Um momento de reconhecimento recai sobre todo o meu corpo e lembro do que senti quando Liv sofreu o acidente, tento refletir como eu estaria agora se ela tivesse morrido. Eu teria me isolado, ficado quieto. No momento que penso sobre como seria minha vida sem a mulher que estou apaixonado, sem a mulher que eu amo, sinto compaixão por Enzo. Por um lado, vejo o comportamento dele como egoísta, deixar de falar com a filha, com a própria família eu acho errado, por outro, eu saberia lidar com a minha dor se eu estivesse passando por isso todos os dias durante dez anos?

    — Sinto muito, Enzo. — enfim falo e o entendo.

 

 


Notas Finais


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