História Renegades - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Lucy Hale, One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Lucy Hale, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Harry Styles, Louis Tomlinson, Luce Hale, Milo Ventimiglia, Niall Horan, One Direction, Zayn Malik
Exibições 12
Palavras 5.527
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Dearly beloved


POV. Harry

Não parava de arquietar meios e de pensar em como confrontaria o Costello. O Louis era quem estava dirigindo o Lexus GS na cor preta, um de seus carros preferidos.
Meus dedos pareciam ter vida própria e estavam a batucar em minha perna, esse era um dos indícios da minha ansiedade, o Louis estava focado no caminho, mas me pareceu distante, provavelmente ainda preocupado em deixar a Lucy sozinha, e eu confesso que também estava. Segundo ele, ela não estava se sentindo bem, e até chorou em sua frente, isso me deixou mal, não estava gostando de pensar em um motivo que arrancasse aquele humor pungente dela.

– Muito bem, temos algum plano ou só vamos chegar lá intimidando aquele bosta?  – O Louis me puxou pra longe dos pensamentos.

– Pensei que chegar lá e o intimidar já fosse um plano. 

– Seria, mas sabemos que esse puto é inteligente, temos um contato importante com ele.

– O dinheiro que ele nos fornece com esses buracos dele não chega nem perto do que ganharíamos com a venda daquela carga. Temos mais a ganhar do que perder aqui.  – O Louis assentiu parando o carro em frente ao lugar.

Normalmente não era permitido estacionar aqui, por isso o segurança veio em direção ao carro, mas abrimos as portas e descemos. Ele recuou. Olhei pro Louis e depois passei a caminhar pra dentro da casa noturna que ainda estava vazia.
Algumas vadias pareciam dar uma última checada no ambiente pra que ele fosse aberto daqui a alguns instantes, elas elevaram seus olhares pra nós dois. Louis já estava a meu lado. Trish, a puta que aliciava as outras, resvalou no ombro de uma das garotas e lhe direcionou um olhar de ordem. A menina caminhou até nós indo até o Louis, depois a Trish veio até mim, era ela quem eu comia quando não queria me dar o trabalho de levar uma idiotinha na conversa.

– Posso te levar pra um quarto? – Trish falou ao pé do meu ouvido, era gostosa, mas aquilo me deu nojo. Não sabia o porquê daquela rejeição do meu corpo, porra, é uma mulher. A afastei.

– Chama o filho da puta do teu chefe, fala pra ele que Harry e Louis estão aqui! – Falei de forma rude e a garota, que o Louis também afastou, se assustou.

– Pode deixar que eu vou  – Trish sorriu maliciosa e rebolou até uma escada que dava acesso aos camarotes, mas que também levava a um escritório. Ela bateu na porta e entrou no mesmo, ao retornar sua expressão já não era das melhores. Algo me fez pensar que não era pra ela ter dito que o Costello estava. A porta do escritório se abriu novamente e de lá saiu o filho da puta do Vincent.

– Meus garotos! A que devo a honra da sua visita?  – Ele abriu os braços com a sua calorosidade falsa, sabiamos que ele não estava pra ser receptivo. Subimos as escadas sem dar nenhuma palavra e passamos por ele entrando em seu escritório. Ele entrou logo depois e fechou a porta arrumando a gola de sua camisa.

– Você parece meio tenso Costello, porquê não senta um pouco e relaxa? –  Falei enquanto me sentava em uma cadeira executiva bem a frente da mesa dele, estava com uma arma presa ao coldre em minha cintura, portanto a tirei e coloquei na mesa girando a mesma com auxílio do dedo indicador no espaçamento do gatilho, ela estava bem travada. Louis estava um pouco mais reservado e apenas se recostou ainda na porta cruzando os braços.

O Vincent tremia mais que vara verde e hiperventilava como se estivesse passando mal.

– A menos que essa sua suadeira sugira um lanche mal indigesto, recomendo que sente a porra desse seu traseiro de merda nessa cadeira. – Ele abriu a boca, talvez já estivesse tão sem paciência quanto eu. Estava louco pra enfiar uma bala na cabeça desse desgraçado.

– Ouviu o Louis, este é um concelho  sábio. – Acrescentei agora pegando a minha arma e a destravando, sinal mais que claro de que o assunto que iriamos tratar ali era realmente sério.

– Harry, vamos lá, as coisas não precisam ser tratadas dessa maneira – O babaca estava consumindo a minha paciência. Ele sentou na cadeira a minha frente.

– Chega de rodeios, essa coisa de fingir que não sabemos o que está acontecendo, quando sabemos exatamente a merda que você fez! – O Louis começou.

– Vão precisar desenvolver isso um pouco melhor para que se façam entender.

Ri nasalado meneando a cabeça em desaprovação. Cara de pau. Seu olhar recaiu sobre mim.

– Vincent Costello. Foi a esse alguém que chegamos quando começamos a procurar pelo possível autor do furto à nossas cargas, um pouco mais cedo. Quem teria a ousadia e o cacife pra ordenar uma ação como essas?

– Harry, sejamos realistas. Não sou uma pessoa muito confiável. E sim, eu lhes meteria uma rasteira assim que pudesse, mas sou inteligente o suficiente pra saber que o meu negócio não me forneceria o pessoal ou até mesmo a força pra coordenar uma ação dessas.

Fazia sentido, mas como todo culpado, ele teve tempo de pensar em alguma desculpa.

– Mesmo que não esteja diretamente por trás, você sabe de alguma coisa, Costello. Nós sabemos disso, não decore a história com contornos, nos dê o que queremos saber e você vai ser liberado pra voltar às suas sujeiras cotidianas. – O Louis caminhou até a mesa, o olhar do Vincent se alternava entre ele e a porta por onde ele poderia sair e libertar-se da situação.

O estabelecimento já estava em funcionamento, um som frenético tocava lá em baixo e podia-se ouvir gargalhadas das pessoas se divertindo, o meu tipo de som favorito depois dos gemidos das garotas no meu ouvido.

– Não posso dizer – Ele nos olhou sério. Ah, o safado sabia de algo. Iria fazer ele cuspir tudo, as informações, os dentes e até as víceras, se necessário – Eles irão me matar se eu fizer isso!

– Se não nos contar aí é que você morre. Afinal de contas, somos nós quem estamos aqui, armados na sua frente.

– Zayn Malik. – Vincent falou  apoquentado.

Tínhamos um nome. Um nome que eu nunca havia ouvido falar antes.

– Quem é esse? Fala porra! – Exigi, mas a partir desse ponto, ele parecia tão indouto quanto nós.

– Eu não sei. Um nome, é tudo o que tenho. Me mandaram fazer isso, a recompensa seria grande, eu só vendi uma informação!

"Só vendi uma informação". Isso pra mim é um claro pedido de morte, não aturo traíções, sejam elas pequenas ou grandes. Ri nasalado meneado a cabeça em desaprovação, o Vincent pareceu se sufocar ainda mais com a sua situação. O típico olhar, o mesmo olhar dos outros quando sabem que aqueles são seus últimos instantes. No momento em que eu ia apertando o gatilho, o Louis segurou minha mão, certamente tinha algo em mente. O merda finalmente respirou, ele sorriu nervoso, mesmo assim ainda suava. Meu olhar se voltou para o Louis.

– Esse bosta é o nosso único meio de chegar até esse tal de Zayn.

Sim, ele tinha razão. Mas eu estava tão irado, que precisava no mínimo enfiar uma bala na cabeça de alguém. Olhei novamente pro Vincent.

– Esse caralho ainda não terminou, você vai nos informar quando esse desgraçado entrar em contato com você novamente! – Meu tom de voz era alto, incontido. Guardei minha arma no coldre novamente e saí daquela sala praticamente soltando fumaça. O Louis veio logo atrás.

Ao descer, notei uma aglomeração incomum. Parece que tinha algumas vadias dançando e fazendo a festa pra um monte de marmanjos ali. Estavam faltando três degraus pra eu terminar de descer aquela escada, e por estar em um nível mais elevado pude ver quem estava bem ali no centro. Porra, hoje eu definitivamente tinha que matar um, o Louis parece ter visto o mesmo que eu, sua expressão não denunciava nada, mas eu sabia que ele não estava menos irritado que eu. Desci aquilo em um pulo só, logo estava empurrando com os ombros alguns caras até chegar ainda mais próximo. Cruzei meus braços me contendo pra não sair puxando essa puta dali.

– Isso aí! – A garota que estava com ela a incentivou. E eu só ali, esperando ela se dar conta da nossa prensença. Ela foi virando, foi virando. Ahá! Finalmente ela nos viu, travou na hora e eu continuei a encaranado por um tempo até que peguei em seu braço e saí a puxando pra fora dali.

– Me solta eu não vou a lugar algum, tenho todo o direito de me divertir! – Ela travou os pés parando de caminhar. Puta que pariu mulher, não me deixa ficar mais irritado do que já estou! A peguei no colo jogando a mesma sobre meu ombro, deixando uma de minhas mãos em sua bunda para não mostrar mais do que deveria. Ela começou a se debater, já estávamos fora da casa noturna, o Louis tava louco atrás de mim e a garota que estava dançando com ela também estava ali.

– Fica quieta Cacete! – Gritei.

– Me coloca no chão seu babaca, você não tem esse direito sobre mim!

– Não sei como deixaram uma pirralha feito você entrar nesse lugar. – A joguei com tudo no chão e ela caiu de bunda.

– Cara, cê tá louco? O que deu em você?! – O Louis ficou puto e tava vindo pra cima de mim. Aquela garota ajudou a Lucy a ficar de pé.

– Sou pirralha pra isso né? Mas pra foder com você eu bem que sou mulher!

– Você tocou na Lucy seu desgraçado! – O Louis acertou um soco no meu rosto, fui logo avançando contra ele com alguns socos em sua barriga.

– Parem com isso! – A Lucy gritou avançando pra nos separar, mas acabou levando um soco do Louis que deveria ter sido em mim. Paramos na hora.

– Você tá bem? – Falamos praticamente em uníssono.

POV. Lucy

Levei a minha mão ao rosto, aquilo com certeza iria ficar roxo. Eu tava com medo, com raiva, muito envergonhada e agora com dor. Fiquei mal pelo Louis, sabia o quanto ele odiava o Harry, e sentia seu afeto por mim. Me afastei dos dois, meus olhos estavam mais do que marejados. Procurei a Avary com o olhar, ela não tinha saído dali mesmo com o mundo caindo. Caminhei até ela, nunca me senti tão humilhada na vida. Ela me abraçou e chorei em seu ombro, a única razão pra eu estar ali era pra curar um pouco da minha dor, e acabei conseguindo me machucar mais. Ela me abraçou forte, de um modo em que encontrei conforto.

– Lucy, desculpa. Eu não queria te machucar! – O Louis veio até mim. – Anda, vamos pra casa, acho que já deu por hoje.

Me desvencilhei da Ava e a olhei por um instante.

– Obrigada por hoje, te vejo na segunda. – Ela assentiu e voltou para dentro do lugar.

Suspirei me voltando para o Louis que também me abraçou por um segundo. Por sobre o ombro dele olhei o Harry, que tava praticamente explodindo de ódio naquele momento.

– Me tira da frente dele por favor – Falei baixo e ele se desvencilhou de mim segurando em minha mão. Caminhou comigo até um carro. Ele abriu a porta pra mim e logo entrei. Não poderia haver pessoa mais constrangida que eu ali, não conseguia deixar de olhar pro Harry, por mais irritada e ultrajada que estivesse, queria ir correndo pros braços dele, pedir desculpas e ser reconfortada. Mas eu sabia que aqueles não eram os braços certos, ele jamais me trataria da maneira que eu deveria ser tratada, mas porque justo na pessoa mais errada eu encontro tudo o que desejo? São aqueles olhos? Os cabelos ou... Não! Chega Lucy! Você definitivamente não pode gostar de alguém como ele.

                             [...]

O caminho de volta para casa foi silencioso, o Louis morava longe dali o que só foi me matando mais e mais. Na minha mente eu fui refazendo os últimos ocorridos. Por que eu fui dizer aquilo? Não poderia ter controlado a minha maldita boca? E porquê o Harry agiu daquela forma? A única pessoa que deveria ter ficado irritado e até mesmo ter agido assim era o Louis. Minha cabeça estava prestes a explodir, eu queria muito ter a descência de abrir a boca e me desculpar por tudo, mas foi bem o contrário. Travei.

– Lucy, eu entendo que as coisas não estejam fáceis pra você. Essa coisa de perder seus pais e ter que encarar uma vida completamente nova. Mas o lugar em que você estava...bem, não faz mais isso tá legal? –  Ele quebrou o silêncio, e agora eu não sabia o que era mais massacrante. A ausência das palavras ou o uso conflitante delas? Eu suspirei. Meus dedos indicadores estavam em ganchos e meu olhar permanecia sobre eles. Era mais agradável olhar meu esmalte preto descascado do que ter que o encarar.

– Eu sei, isso não é de mim. Me desculpa Louis, isso não vai se repetir. E obrigada por me defender.

– Eu te defenderia sempre. Sei que sabe que não me dou bem com o Harry, mas não pense que usei a situação pra descontar algo. Eu realmente me irritei com o modo com que ele te tratou. Não quero assistir ninguém te tratando desse jeito. E depois de saber daquilo...

– Eu fiz besteira! – Assumi. – Já tá difícil estar lidando com o que fiz, então se puder evitar um pouco...Eu agradeço.

– Não entenda mal, eu só acho que você merece um tipo de cara diferente dele.

   Não o respondi, tudo o que eu menos queria fazer nesse momento era ficar debatendo sobre o tipo de cara ideal pra mim. O tipo perfeito de pessoa com quem eu deveria ter tido a minha primeira vez sem me arrepender. Não queria ficar abrindo brechas para ficar criticando o Harry, nem o depreciando por mais que eu estivesse com ódio dele nesse momento.
  O Louis parou o carro em frente a casa. Ele desceu e abriu a porta para mim. Respirei fundo, agradeci com um sorriso tímido e desci arrumando o meu vestido. Caminhamos juntos para dentro da casa, a primeira coisa
que fiz foi me jogar naquele sofá enorme. Ele entrou, mas foi direto pra a cozinha, retornou com um saco de gelo e se sentou na beirada do sofá.

– Vamos dar uma olhada nisso – Ele falou com um embargo na voz, certamente ainda se culpava pelo incidente do seu punho no meu rosto.

– Você não precisa fazer isso Louis, eu mesma poderia me cuidar – A verdade é que nunca gostei que pessoas cuidassem de mim, não quero que se preocupem ou que ocupem as suas mentes com possíveis coisas que eu não possa fazer.

Ele me olhou com uma expressão que não me deixava negar o pedido.

– Quer fazer isso pra se sentir menos culpado, não é? – Falei me sentando de forma que meu corpo ficasse voltado pra ele.

– Quero fazer isso porque não gosto da idéia de te ver machucada. Essencialmente por mim, mesmo que eu não tenha tido a intenção. – Ele arrumou algumas almofadas atrás de mim e fez com que eu me respaldasse sobre elas.

– Tudo bem. – Cedi, no final das contas acho que precisava muito daquele saco com gelo.

O Louis levou a mão a meu rosto e essa proximidade fez minhas bochechas ganharem um rubor. Procurou pelo machucado e quando eu recuei ele havia o encontrado.

– Desculpa. – Ele falou enquanto colocava o saquinho de gelo em meu rosto. – Isso é um pouco incômodo, mas vai ajudar a não ficar muito roxo ou inchado.

– Bem, obrigada – Sorri fraco enquanto o olhava. O Louis possuía uma beleza intrigante e muito atraente, o conjunto dos seus olhos azuis e a forma como seus cabelos castanhos claro contornavam o seu rosto poderia muito bem ser dita como um imã. Sim, pois sugava toda a minha atenção, e só se agravava estando assim ainda mais perto.  Ele afastou o saco de gelo do meu rosto e ficou fitando os meus lábios, pareceu pensar em algo e menear a cabeça como se estivesse apagando alguma idéia.

– Tá com sono ou não vai resistir à "For a few dollars more"?  – Ele quebrou o silêncio, quebrou o constrangimento.

"O meu pangaré não gosta que riam dele. Vocês são loucos de rirem dele, mas se vocês se desculparem, como sei que vão, posso o convencer de que fizeram sem querer" – Falei a minha frase favorita no filme e o Louis abriu um lindo e largo sorriso.

– Vou colocar a pipoca no micro-ondas – Ele levantou e saiu indo em direção à cozinha enquanto eu me acomodei melhor no sofá. Não demorou muito e logo ele estava voltando com o balde de pipoca. Fui me sentar ao seu lado, já que não dava pra ficar longe da comida. Assistimos ao filme, mas como era inevitável ficávamos completando as falas dos personagens a todo momento. O que nos rendeu boas risadas.
                           
                             [...]

Quando dei por mim, estava acordando ali no sofá. Dormimos juntos mais uma vez. Ele me segurava pra que eu não caísse, eu também me segurei nele. Nossos rostos estavam bem próximos, tava tentando não o acordar, mas não tinha como, estávamos grudados demais, ele acabou abrindo os olhos.

– Não conseguirei mais dormir sozinho se continuarmos fazendo isso – Ele sorriu me olhando.

– Eu sei, a minha presença é reconfortante – Ri me afastando pra levantar. – Mas não me acorde durante a noite pra ir expulsar o monstro do seu armário.

– Ai! – Ele falou se sentando. – Não, esquece. A minha cama é muito mais confortável

– Tadinho, tá tão caquético. Isso deve ter acabado com a sua coluna, mas isso é normal pros setentões. – Ele me olhou com uma nítida indignação.

– Eu ia te levar pra ir tomar café, mas agora vai ter que se virar com o que tiver na cozinha!
– Hoje é domingo, eu não faço nada aos domingos!

– Isso deveria me comover?

– Quando a Anna ligar vou relatar a sua falta de cuidados comigo!

– Vai tirar essa camisa que você chama de vestido. Agora vê se não demora muito, tá legal?

– Não vejo nenhum problema no meu vestido! – Protestei.

– Ele só está mostrando o seu útero. Olha, sem problema. Não quer trocar, não vai.

– Êpa, tô indo colocar o meu hábito.

– Beleza, bem melhor. Agora anda logo!

– Tá bem Vovô, não vou demorar – Ri enquanto me direcionava às escadas.

                           [...]

Demorei um pouco, afinal decidi que merecia um banho. Meu rosto, mesmo tendo recebido gelo, estava com uma marca roxa que merecia uma maquiagem por cima, então teria que aproveitar a saída pra forçar o Louis a me acompanhar em uma dessas lojas de cosméticos. Vesti a minha calça preta e uma regata cinza, além do meu inseparável tênis branco. Não que eu fosse apegada a ele, mas era tudo o que eu poderia ter nesse momento e tudo o que o meu dinheiro poderia prover.

Desci.

– Louis, tô pronta! – Ele não estava sozinho. Liam, Niall e a garota que o Harry havia dito ser sua irmã estavam na sala. Suas expressões não pareciam nada boas. Todos lançaram seus olhares em minha direção.

– Lucy! – Niall veio até mim, mas parou me olhando analiticamente. – Eita, o que aconteceu com seu rosto?

– Bom, Louis aconteceu – Sorri fraco.

– Quê? Como foi isso?! – Foi a vez do Liam questionar.

– Foi um acidente e eu já me desculpei. – O Louis se defendeu Taciturno.

– Temos algo muito mais importante do que uma pancadinha no rosto de uma pirralha nesse momento – Gemma falou. Esperei alguém me defender, mas todos concordaram.

– Lucy, tem algo pra você comer na cozinha. Desculpa, eu realmente tenho que ir.

Queria saber o que de tão importante eles teriam pra fazer nesse momento. A cara deles não era a mesma de alguém que têm nas mãos um penqueno problema, seus rostos expressavam um distúrbio. E eu não deixava de me interpelar onde estava o Harry. Teria alguma coisa acontecido a ele? Meu estômago revirou com a idéia, logo depois a sensação de algo queimar, ferver ou inflamar dentro de mim foi ficando forte, ao mesmo tempo em que eu suava frio.

– Lucy? – Liam falou. Todos me olhavam e esperavam que eu respondesse algo.

– Aconteceu alguma coisa com o Harry? – A minha perturbação era nítida, até a minha voz saiu embargada.

– Ai que fofinha, espera só até o Harry saber disso! – A garota se divertiu com a situação. Como ela poderia rir de algo assim? Eu tive um medo real, pois mesmo não sabendo o que eles fazem, sei que é algo perigoso. Ao menos a sua resposta me dizia que ele estava bem.

– Nada aconteceu a ele, sossega – Niall beijou meu rosto e caminhou de volta até onde todos estavam.

Não deixei de olhar para o Louis, ele parecia mais consternado que antes, não deveria ter perguntando pelo Harry, ele deve estar pensando que sinto algo por ele.

– Se cuida Lucy! – Liam falou enquanto caminhava até a porta. Isso apressou os outros que o seguiram.

– Volto logo Nanica! – Todos já estavam fora, e Louis estava segurando a maçaneta da porta postergando a sua ída.

– Quão logo isso pode significar na linguagem de um setentão?

– Tentei ficar séria e um silêncio dramático sugeriu que eu estivesse pensando na resposta.

– Se eu te mandar ir se foder, você vai me obedecer? – Ele sorriu enquanto fechava a porta. Estava Sozinha. Suspirei.

Fui até a cozinha e procurei algo, tinha suco de caixinha na geladeira, além de cereal de chocolate. Peguei a caixa do cereal e coloquei o suco num copo e tava pronta pra passar a manhã zapeando canais. Não repudiava a idéia de estar só na casa e ter que ver TV o dia inteiro, mas com a solidão vem aquele modo pensamento e memórias recorrentes que tomam conta de mim.

POV. Harry

Coloquei o molho de chaves sobre a mesinha do Hall. Enquanto caminhava pra sala fui tirando a minha jaqueta.
A todo instante, o que vinha em minha mente era ela levando um soco do Louis e depois já tava abraçada com ele. Pior ainda, ela entrou naquele carro e foi, não me deu a chance de me retratar ou qualquer outra coisa. Haviam dois dias que eu não tinha ninguém na minha cama e não sentia a mesma necessidade que eu sentiria antes, isso porque eu não sentia falta de garotas e sim de uma maldita garota.
Me respaldei no sofá respirando fundo. Eu não tinha que estar pensando nela nesse instante. Eu tinha o nome de um cara que nitidamente queria me atingir e precisava muito fazer algo. Decidi ligar pro Liam.

– Porra Harry, você me atrapalhou! – O Liam falou depois de atender na segunda chamada que efetuei.

– Não me interessa saber o que eu atrapalhei. – Pude ouvir uma vadia pedindo pra que ele voltasse para a cama.

– O que tu quer cara? Fala logo!

– Você vai dar seu jeito de me trazer informações sobre alguém chamado Zayn Malik.

– Zayn o quê? Quem é esse?!

– Malik. E é justamente pra isso que eu estou te ligando.

– Tá legal, era só isso né?

– Cara vai logo terminar de foder essa vadia!

– Agradeço sua compreensão – Quase pude vê-lo revirar os olhos antes de desligar.

                            [...]

Fui acordado às 7:00 da manhã com uma ligação do Ventimiglia. Ele é o legista da homicídios que trabalha para nós. Essa foi uma idéia do Niall e que funciona perfeitamente.
Quando um corpo acaba sendo encontrado e tem alguma ligação conosco, ele é responsável por manter toda e qualquer suspeita distante. Mas desta vez, a vítima não foi reconhecida e eu odiava essa parte. Ter que ir lá e olhar pra um presunto, dar-lhe um nome e dizer se temos algo a ver.
Tomei um banho longo no desígnio de procrastinar a ída ao frizer de pessoas. Aliás, tudo o que fiz ainda esta manhã foi com a intenção de postergar isso, de modo que até mesmo calçar um sapato se tornou uma tarefa com total esforço direcionado. Saí de casa sem tomar café, não estava nenhum pouco a vontade com a possibilidade de colocar tudo pra fora em instantes. Não que eu nunca tenha visto cadáveres. Talvez tenha visto tantos e encaminhado muitos pro inferno eu mesmo, mas geralmente quando sou chamado aqui os corpos estão podres e eu acabo os identificando como meus porque apresentam marcas inusitadas. Eu sei, sou muito criativo, no entanto, tudo acaba sendo uma nojeira depois de um tempinho no Delivery pros tios vermes.
No momento, encarar os azulejos Verde vômito e branco do corredor de acesso às geladeiras não está ajudando muito.

– Harry você está sendo dramático! – O Milo adorava rir da minha expressão. Mas o meu trabalho se resume a matá-los, se fosse pra ver eles outra vez eu optaria por vestir o camisolão e ir pessoalmente conhecer sua forma de capeta lá no inferno.

– Dramático? Acho que tenho uma lista preferencial de coisas que gosto de ver pela manhã. Presunto podre não é uma delas.

– Ninguém gosta!

– Necrófilos discordam de você, legistas pela profissão e não pelo dinheiro também...

– Êpa, eu deveria ficar ofendido!

Entramos em uma sala onde um corpo esperava sobre uma maca de metal, seu corpo estava coberto por um tecido branco e apenas os pés com uma identificação estava a vista. Este não parecia putrefado.

– Quando ele chegou aqui?

– No momento em que te liguei. As circunstâncias em que foi encontrado me fizeram te chamar. – Ele colocou luvas descartáveis e puxou o tecido até a barriga do cara. Puta que Pariu, era o safado do Costello.
Ele estava com o peito todo furado, certamente aquilo era obra das pessoas com quem ele estava se envolvendo.

– Esse merda não foi embarcado por nós, embora eu quisesse muito.

– Mas possuía alguma ligação com vocês, não é?

– Dá teu jeito de fazer os tiras pensarem que ele foi morto por um assaltante. Eu tenho coisas pra resolver.

– Claro que eu posso fazer isso, obrigado por perguntar.

– Não te pago pra ter que estar pedindo as coisas. Eu mando e você faz, esse é o sistema! – Ele me olhou com uma cara de sanha, mas sabia que ganhava tanto que até se jogaria no chão pra eu o pisar.

Saí dali ligando pro Niall, pedi a ele que todos viessem até a minha casa, precisavamos ficar em alerta, se o Vincent foi morto, foi porque alguém sabia que ele nos deu aquela informação. Esse Zayn estava mais por dentro do nosso mundo do que nós do dele, e eu não gosto nem um pouco dessa posição vulnerável. A Gemma também estava de volta e eu precisava saber o que aconteceu na fronteira além de saber se ela têm notícias do Brad.

                              [...]

– Tira essa cara amarrada Louis! – A Gemma já entrou o provocando.

– Vai te foder mulher! – Ele foi colérico.

– Porra, vocês não calaram a boca o caminho inteiro. Dá uma trégua! – O Liam tava irritado.

– Dá próxima vem no teu carro, aí não vai ter mais motivos pra reclamar.

– Calem-se, caralho! – Chamei sua atenção, todos me olharam. Ótimo.

Caminhei pra a nossa sala de reuniões. Ocupei meu lugar à mesa, eles me acompanharam e fizeram o mesmo.

– Qual a emergência pra ter me ligado tão atônito? – O Niall tava com um palito de dentes no canto da boca. Aposto que nem tinha comido nada, só fazia aquilo porque achava "maneiro".

– Receio que todos já estejam cientes sobre Zayn Malik. – Todos concordaram. – Liam, procurou o que lhe pedi?

– Esse Zayn Malik existe mesmo? Não consegui absolutamente nada, e você sabe que não há nada que eu não consiga descobrir.

Tinha que concordar. De todos nós, quem realmente trabalhava aqui era o Liam, com a parte de se envolver mesmo com a produção da Droga, já que todos nós fazemos a gestão de partes separadas do negócio. Mesmo assim, ele sempre encontrava tempo para pesquisar coisas que nos ajudavam nas nossas funções. Ráras ou nulas eram as vezes em que ele não conseguia descobrir algo.

– Porra, não temos nem como saber com quem estamos lidando aqui! – O Louis suspirou cansado.

– O Vincent parecia saber, porém,  infelizmente não podemos mais contar com aquele merda.

– Como assim? Estivemos com ele ontem.

– E deve ter sido exatamente por isso que ele agora está no bairro alto.

– O Costello tá morto? – A Gemma pareceu um pouco surpresa.

– Para a nossa infelicidade sim. Voltamos à estaca zero. Tudo o que temos é um nome, o que acaba sendo equivalente à nada.

– Tem certeza mesmo de que ele está morto? Digo, ele pode ter feito igual ao Brad!

– Já íamos chegar nesse ponto, mas já que citou...O que descobriu lá na fronteira?

– O Brad sumiu do mapa, não existe corpo, sangue, fio de cabelo...Enfim, eu acredito que ele tenha ajudado alguém nessa ação, seria impossível fazer algo assim sem a ajuda de alguém entre nós. Quem seria mais porco e traíra que ele?

– Precisamos ter um ponto de partida, não adianta sair atirando para todos os lados. Deve haver um meio de chegar até eles. – O Niall finalmente tirou aquele palito da boca.

– Harry, onde foi o seu último encontro com o Costello? – Pelo o que conheço do Liam, ele estava pensando em algo.

– Na toca dele, lá naquela casa noturna do Porto.

– Esse Zayn deve ter alguém lá dentro ou até mesmo pontos eletrônicos que o permitiram ouvir ou ver tudo. Se descobrirmos quem ou o quê está o auxiliando teremos uma carta na manga.

– Liam você me deu tesão – A Gemma conseguiu me irritar com aquele comentário.

– Já que ele te dá tesão, essa vai ser a tarefa dos dois. Hoje vocês irão naquele buraco e procurarão por o que acham que devem!

– Feito! – Eles se olharam e  sorriram um pro outro.

O Louis e o Niall riram olhando para a minha cara.

– Perdi alguma coisa por aqui? – Eles riram ainda mais.

– Cara, eles estão juntos. Ainda não percebeu?! – O Niall só podia estar com piadinha pro meu lado.

– Gemma, explica isso direito! – Queria ouvir algo que justificasse eu matar esse filho da puta nesse mesmo instante e depois não me arrepender.

– Harry, só tem uma semana...

– Eu falei com a Gemma seu safado!

– Harry, eu e o Liam estávamos juntos  há um bom tempo, mas só esta semana decidimos mandar o mundo se lascar pra a gente poder foder.

– Caralho Liam! – Meneei a cabeça  negativamente e de forma frenética. Os palhaços não paravam de rir. – Tanta vadia pra tu catar, aí você escolhe pegar a minha irmã?! 

A Gemma chegou há uma semana e estava esse tempo inteiro na casa desse pevertido. Não tava acreditando nisso. "Cara vai logo terminar de foder essa vadia!" Não acredito que estávamos falando da minha irmã. O pior era saber que todos ali já sabiam dessa porra.

– Você não pode falar muito. Deixou a pobre da Lucy apaixonada por você, e não quero nem saber o que fez pra isso!

– Não fala da...Porra, de onde tu tirou isso? – Falei confuso. O Louis tinha parado de rir, a costumeira expressão de ódio típica de quando estamos juntos voltou a seu rosto.

"Aconteceu alguma coisa com o Harry?" – Gemma falou de forma teatral e seus gestos foram exagerados.

– Ela falou isso? – Ascendeu um interesse patético em mim de saber mais sobre aquilo, nebulando a minha raiva do Liam.

– O que aconteceu com o "Essa vagabunda"? Até parece que não é o mesmo Harry que queria bater nela– Niall passou a gesticular com o palito na mão. Todo mundo ali tava pagando pra apanhar.

– Ela ainda é uma menina  Harry! – A Gemma falou com uma falsa indignação.

O Louis se levantou abruptamente e saiu sem dizer nada, todos pareceram entender o recado e calaram a boca.

– Espero que consigam encontrar algo. E Gemma, conversaremos depois mocinha!


Notas Finais


Os capítulos anteriores serão reeditados antes de eu soltar o quinto. O motivo pelo qual eu demoro a postar está no meu senso crítico, demoro a me satisfazer com o que escrevo e muitas vezes eu nem alcanço a satisfação. Sou cheia de ideias, no entanto, na hora de reunir tudo em uma coisa só eu faço confusão. Para ajudar, eu ainda estudo e fica complicado conciliar tudo para que eu tenha tempo para escrever. Não quero escrever qualquer coisa apenas para que a história tenha conteúdo, mesmo porquê, esse "conteúdo" seria vago. Fico muito feliz em saber que alguém está lendo essa história, por mais que sejam leitores silenciosos, eu os estimo muito. Está meio difícil escrever sim, mas não passa por minha cabeça deixar de dar continuidade a história. Por fim, não sei se ajuda, mas tentarei postar capítulos mais longos para compensar o tempo sem postar.


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