História Reprogramados - Capítulo 27


Escrita por: ~ e ~oldlove-m

Postado
Categorias Divergente
Tags Drama, Romance, Tortura
Exibições 169
Palavras 2.431
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 27 - Chapter Twenty Seven


Tris - Chapter Twenty Seven

Eu tinha que me sentir confiante. E eu até estava me saindo bem, acho, até por míseros segundos de olhares trocados com Tobias.

Não aguentei olhar dentro de seus olhos, e desviei o olhar. Pensar em tudo ainda doía. Tinha a certeza de que, mesmo com as aulas, Tobias não prestaria atenção no professor. Seu alvo seria eu.

E não só seu olhar, como o olhar de todos.

Não baixei o olhar, e andei até meu lugar, perto de Chris.

Peguei os materiais e, por impulso, passei as mãos em meu cabelo. Ver ele verde em algumas mechas não foi um problema. O comprimento me assustou mais.

- Não disse que você ia ficar bem com saia e moletom? -Chris me dá um tapinha no ombro.

- É... -sorrio um pouco.- Até que eu gostei.

Chris sorri também. Isso me fez sentir melhor, mesmo que, no fundo, bem no fundo, eu não estivesse. Sorrisos eram a única forma de me fazer melhor por um segundo.

O professor entrou em sala, e, depois de olhar a sala inteira, seu olhar veio para mim. Ele sorriu. Talvez porque tenha gostado da minha mudança.

Mas espero que também sem segundas intenções.

Ele começou a falar sobre assuntos que cairiam na prova, mas eu não conseguia prestar atenção. As duas pessoas de quem eu mais estava com raiva estavam aqui.

Zeke brincava com a caneta, fazendo-a ir e voltar em sua mão. Aquilo me irritou, mas me conti para não gritar para que ele parasse. Lembrar dele todo emaranhado com Tobias estava me dando vontade de chorar.

Olhei para Peter. Ele não prestava atenção na aula. E eu podia sentir que seu olhar estava tentado a se vidrar em minhas pernas. Eu estava me sentindo sufocada com aquilo, mesmo que Christina tivesse dito que eu estava bem assim.

Me controlei mais uma vez, mas agora para não olhar o Tobias. Tinha certeza de que ele também estava me olhando. E seu olhar era diferente do olhar dos outros. Ele parecia me enxergar além do que eu estava vestindo, como sempre parecia enxergar. E eu deixava. Porque gostava.

Mas teria que parar com isso. Eu e Tobias não somos mais nada. Aliás, nós nunca fomos nada de mais. E nem nunca vamos ser.

O evitar vai ser melhor. Não quero falar com ele tão cedo, embora eu saiba que teremos que conversar dia ou outro. Isso me incomoda muito.

Como isso vai ser? Prefiro não esquentar a cabeça por enquanto. É melhor pra ele e melhor para mim a distância.

E assim será.

*****

Peter não parava de me olhar. Caramba, até Tobias parou. E ele? O que ele quer?

Me sento no banco do refeitório ao lado de Christina, que comia sua maçã com alegria. Will se sentou a nossa frente, assim como Uriah. O fato de ele ser irmão de Zeke não me fazia ter raiva dele. Uriah não tem nada a ver com isso.

- Acho que você já causou demais por hoje, Tris. -Will abre seu suco de caixinha.- Não teve ninguém que não olhou pra você.

Abraço a mim mesma, mas não faço um sorriso fraco. Eu tinha que estar mais confiante, como meu visual mostrava que eu estava agora.

Tenho que fazer isso valer, certo?

- Foi essa a intenção. -dou de ombros.

Uriah e Chris quase cuspiram todo o suco que estavam compartilhando. Meu comentário foi tão escandaloso assim?

- O que você disse? -Uriah coloca a caixinha em cima de sua bandeja.

- Eu disse que foi a minha intenção. E não era, Christina? -a cutuco.

Ela assente, ainda me olhando como se eu fosse uma completa estranha.

- É... Sim. Era essa mesma a intenção. -ela sorri pra mim.

Chris me passou mais confiança ainda. Seu sorriso era daquele tipo que acreditava no potencial de alguém. E eu sabia que ela sentia exatamente o mesmo depois da minha fala.

- Adorei a cor do cabelo, Tris. Acho que combinou com você. -Will comenta, sorrindo abertamente.

Houve um movimento rápido, com a perna da Chris roçando na minha para chutar a canela de Will. Uriah tomou um susto, mas depois deu risada.

- Acho que alguém aqui ficou com ciúmes. -Uriah me dá uma piscadela.

- Pois é, Uriah. -confirmo, e olho pra Christina.

Will estava fazendo uma careta, e Chris o olhando como se fossem os últimos segundos de sua vida.

- Ah... Não foi nada de mais, não é, querido? -Chris o chuta de novo.

Eu e Uriah caímos da risada. Chris e seu ciúmes doido de tudo e de todos. Bem, mais especialmente do Will.

Quero ver de perto quando esses dois assumirem.

*****

O sinal bateu, e arrumei todo meu material. Falei que Chris poderia ir, porque minha mãe iria me buscar hoje. Ela ainda não viu o que fiz no cabelo. Tomara que ela não parta pra cima de mim, como fez dias atrás.

Quando coloquei a mochila nas costas, a sala já estava vazia. Não liguei. Mais vazia do que a minha vida, essa sala com certeza não é.

Desci as escadas e quando vi, já estava do lado de fora. O carro de minha mãe estava parado, à minha espera. Foi aí que eu vi que era uma roubada. Eu fui inocente em ter uma ponta de esperança de que minha mãe não se importaria com meu cabelo pintado.

Coloquei a toca do moletom e arrumei meu cabelo para trás, de modo que parecesse que ele estava preso.

Olhei pros lados. Estavam todos indo embora como eu, ou então se movimentando. A não ser um único vulto preto, ainda no meu campo de visão.

Tobias estava parado, observando meus movimentos. Seu olhar parecia me desejar sorte. Ele sabe como minha mãe é. Ele sabe como Natalie agiria se descobrisse.

Forcei um sorriso, que deve ter saído mais como uma expressão triste. Me lembrar dele com Zeke, como já disse, doía demais.

Desviei o olhar porque sei que sentimentos iriam invadir meu peito se eu continuasse a olhá-lo. E eu não precisava disso.

Entrei no carro no banco da frente. Minha mãe me veria de saia, então eu teria que mostrar que mudei.

- Saia, Beatrice? Quer chamar atenção de alguém? -ela liga o carro, encarando minhas pernas.

- O que tem? Não posso mais diversificar meu visual um pouco? -dou de ombros.

Ela suspira, e sussurra algo como "adolescentes". Me viro para o outro lado, olhando pela janela enquanto ela começava a dirigir. Eu estava me saindo super bem, até ela parar em um sinal vermelho.

- Que mecha verde é essa em seu cabelo? O que aconteceu? -ela pergunta.

Quase tive um infarto, mas não poderia demostrar isso. Então, apenas me virei devagar e peguei a única mechinha verde que ela viu.

- Um amigo meu estava perto de mim quando a caneta verde dele estourou. -olho pra frente e dou de ombros mais uma vez, como se não fosse nada.- Quando chegar em casa eu tiro.

Ela assente e parece acreditar. Por dentro, suspirei de alívio.

Não era tão difícil assim enganar Natalie.

*****

No meio daquilo tudo, tinha até me esquecido da tal profecia. Ela era importante, mas nada se encaixava.

As frases dela rodavam em minha mente. Elas tinham conexão? O que elas tinham a ver com minha vida? Por que meu pai diria algo em forma de versos?

Era tudo ainda muito confuso. Eu queria encontar um meio para descobrir mais daquilo logo, porque já não estava mais aguentando tanta desgraça em minha vida. Já estava cansada.

Deixei o papel de lado, e foi aí que meu celular tocou. Acho que não conhecia aquele número, mas bem que já o vi em algum lugar. Decidi atender.

- Alô?

- Você não me ligou, então Christina me arrumou seu número. Tenho uma proposta pra você.

*****
Tobias.

Estava andando perto da casa da Tris quando ouvi um som de vozes animadas vindas do quarto da mesma.

Só por curiosidade resolvi subir até a altura de sua janela para ver o que estava acontecendo.

Eu já estava tão acostumado a fazer isso, que não foi esforço nenhum. Natalie não devia estar em casa, porque Tris estava conversando por viva-voz.

- A que horas? Dependendo, acho que não posso ir.

- Não quero demorar muito pra te ver. Minha casa é perto da sua casa, então você vem na minha. Vou te falar o endereço.

Reviro os olhos e fervo de raiva. Peter só quer Tris porque ela mudou de visual, e, na visão dele, ela é só mais una que está pedindo pra ser levada pra cama.

Tris não é assim. Peter nunca saberá como Tris é de verdade. E, desse nunca, eu posso assegurar muito bem.

Sorri ao ter esse pensamento, e desci de volta para o chão. Já sei o que fazer com Peter. A cena, que por acaso é linda, se passa nos mínimos detalhes na minha cabeça.

Peter vai estar fora de campo. Menos um com quem eu vou precisar me preocupar.

*****

Já estava tudo na minha mochila, e eu lembrava nos mínimos detalhes o endereço de Peter. Acho que ele estaria sozinho, pois senão não teria chamado Tris pra ir em sua casa.

A sorte é que realmente é perto da casa da Tris. Ficava no caminho, então não vou demorar muito tempo caminhando.

Enquanto andava pela rua com a mochila, pensava na Tris. Ela estava tão diferente com aquele cabelo verde. Tão diferente nas atitudes... Mas seu olhar ainda era o da Tris que eu conheci.

Infelizmente, ou felizmente.

Suas roupas, seu visual, não a fizeram mudar. Ela ainda era depressiva. Ela não estava bem, mas estava aprendendo a passar a impressão de que estava para os demais.

Isso era esquisito. Pelo menos para mim. Mas não quero pensar nisso. Até porque cheguei na casa do Peter.

A porta da frente estava aberta, o que realmente é uma brecha muito grande da parte dele. Ele não sabe que alguém pode entrar na casa dele e matá-lo a qualquer momento? Tem que ser muito confiante mesmo.

Subi os degraus e entrei na casa dele. Sempre soube que Peter, pelo que diziam, era um riquinho. Não me importo com esse tipo de gente. Eles merecem mais é a morte, para aprender que nada de seu dinheiro vai morrer junto com eles.

Me escondi atrás de um armário quando ouvi o som de passos, e Peter apareceu na cozinha, bocejando. Ah, pelo amor de Deus.

- Meia hora... hmmmm -ele se sentou na cadeira.- Meia hora pra ela ser minha.

Reviro os olhos e tiro minha mochila das costas sem fazer muito barulho, para que ele não perceba. Tiro de lá a corrente e o cadeado. Me levanto, e saio de trás do armário.

Ele tomou um susto quando me viu, e pulou cadeira.

- To... Tobias?

Reviro os olhos. Esse babaca sabia meu nome?

- Cala a boca e senta de novo.

Tremendo, ele se sentou. Passei por trás dele e a corrente pela frente de seu corpo, começando a amarrá-lo. Peter tremia ainda mais.

Pra quê esse medo todo? Eu hein.

- O que você vai fazer? Que correntes são essas? -Peter perguntou.

Não vou responder a nada que venha dele. Não estou com paciência. Só quero fazer isso logo antes que Tris chegasse aqui.

Peguei o cadeado do meu bolso e o tranquei quando terminei de amarrá-lo até os pés, o deixando livre na barriga. Peguei a cadeira e o arrestei até o banheiro do andar de baixo, onde estávamos.

O encostei perto do espelho, e senti a faca em minha cintura. Eu a usaria daqui a pouco. Tenho que me controlar.

- Tobias, por que me trouxe até aqui? O que é isso? Por que...

- Qual a parte do calar a boca você não entendeu? Chega de perguntas idiotas. -sorrio.- Se bem que suas perguntas chegaram ao fim.

- O que quer...

Como eu já estava com uma luva nas mãos desde antes de pegar a corrente em casa, tirei a faca da cintura sem preocupação.

Peter se assustou tanto que eu dei uma gargalhada. Curvei meu corpo até ficar de frente para seu rosto, e coloquei a faca rente ao seu pescoço.

- Tris não é quem você pensa. Ela não ia transar com você. -aperto mais a faca em seu pescoço. Peter fecha os olhos.- Você nunca vai conhecê-la de verdade. Nunca.

Me afasto, o que deve tê-lo feito pensar que eu desisti. Mas é aí que eu gosto do que faço. Enganá-los é a melhor parte.

Pego o cabo da faca no instante em que ele abre os olhos, e a finco em sua barriga. Gotas de sangue se espalharam pelo chão, espelho, pelo corpo do Peter. Cortei seu grito com minha outra mão em sua boca. Ele tinha vizinhos que poderiam desconfiar, então eu tinha que ser muito bom. Dei a segunda fincada. Ah, e, na verdade, eu amava mesmo esse som.

O som da vida indo embora.

*****
Tris.

Pulei a janela e comecei a correr. A casa de Peter ficava a menos de dez minutos da minha andando, então correndo vai ser bem mais rápido.

Tentei não ligar para o tempo, e deu certo, pois cheguei na casa de Peter logo. Optei por calça jeans e moletom, mas um pouco menos góticos, digamos assim.

A porta de entrada estava aberta. Ele deve tê-la deixado assim depois de perceber que faltava pouco tempo para eu chegar.

Entrei em sua casa, e estava tudo estranhamente silencioso. Não havia nem o som de passos, nem de qualquer outra coisa.

- Peter?

O chamei. Nenhuma resposta, nem depois das duas outras vezes que o chamei.

Comecei a olhar ao redor. Será que e ele queria que eu o encontrasse? Era algum tipo de joguinho?

Observei o chão. Próximo à mesa, haviam marcas de que algo fora arrastado. Estavam brancas, se sobressaindo na madeira. Não deve ter sido há muito tempo.

Resolvi seguir aquelas marcas. Devagar, fui caminhando até o corredor. Uma luz estava acesa, e parecia ser do banheiro.

Chamei pelo Peter mais uma vez antes de entrar no cômodo. Ainda sem uma resposta, adentrei a claridade do banheiro.

Quando olhei pro lado, não pude evitar um grito alto de horror.

Me encostei na parede, olhando aquele corpo acorrentado na cadeira. Os olhos dele estavam abertos, verdes, mas sem vida. Havia sangue em todos os arredores, principalmente o que ainda estava escorrendo. Buracos em sua camisa branca indicavam o óbvio.

Peter fora assassinado.



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