História Resilience - Capítulo 2


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Categorias Got7
Personagens Jackson, Yugyeom
Tags Drama, Jackson, Jackyeom, Romance, Yugyeom, Yuson
Visualizações 29
Palavras 1.490
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Cortes


Fanfic / Fanfiction Resilience - Capítulo 2 - Cortes

Hael, 28 de março de 1997

Por volta das 09:00 horas

O castanho abriu os olhos e encarou o lustre que estava sob a sua cabeça, pendurado no teto balançando levemente de um lado a outro. As grandes janelas estavam abertas, as cortinas balançavam esvoaçantes, e uma ópera relaxante tocava ao fundo.

Ao seu redor, havia uma mesa acompanhada de uma cadeira coberta de veludo vermelho, um tapete preto cobria a maior parte do cômodo, e sua mochila estava em frente ao que seria o guarda-roupa. Um copo com leite, biscoitos e um sanduíche estavam repousados no criado-mudo ao lado da cama, e um par do uniforme estava perfeitamente passado e dobrado em cima da cama.

Não aguentando mais de fome, rapidamente agarrou o sanduíche, e o mordeu, tirando quase metade. Não parou para apreciar o gosto, apenas precisava comer, ou então não passaria daquele dia. Tomou o leite, e por fim, os biscoitos.

Suspirou. Ela havia conseguido tirar a última parte restante de sua humanidade, quando o jogou nesse lugar, sem nem mesmo, informar aos diretores que ele possuía alguém para chamar de família.

Mesmo que aquilo fizesse seu coração doer antes, agora já não sentia mais nada. Não importava que ela fosse aquele monstro que alimentou seu ódio diariamente; o que importava era que ela estava longe, e não teria mais ninguém para jugá-lo por ser diferente, nada seria como antes, ele estava livre. Ou ao menos, pensava estar livre.

— Quer dizer que meu passatempo preferido está estudando comigo? Ah, assim eu não resisto. — Ouviu uma voz grave, seguida de um riso, entrar no quarto. Nem precisava olhar para saber quem era, ou que faria em seguida. Já estava acostumado a aquilo tudo, e mesmo estando tão longe daquele inferno, parece que o inferno veio novamente até ele. — A donzela não falará nada? — Aproximou-se e tocou no garoto que encolheu-se. Ele não podia fazer nada para mudar quem ele era, a única saída é aguentar todo sofrimento que lhe foi imposto desde que ele se fora, naquela noite chuvosa de novembro. — Eu estava com saudades de seu corpo maravilhoso, coberto de cicatrizes, sabia? — Sua mão rapidamente, segurou as de Yugyeom, acima da cabeça, fazendo o garoto deitar na cama. A mão livre, passou rapidamente pelo abdomên, e desceu até o sexo do castanho, fazendo uma pequena pressão o local. — Você é bastante delicioso. Eu não consigo resistir! — Ele se remexeu abaixo do outro, que agora já havia colocado sua mão por dentro do jeans, e apalpava o outro. Essa não era a primeira vez que Yugyeom resistia, mas como sempre nunca podia fazer, ele não era forte o suficiente para resistir a maldade humana, pois ele próprio já havia desistido de sua humanidade. — Já está chorando? Chora mais, adoro ver suas lágrimas. Elas me motivam. — As lágrimas não paravam de descer dos olhos do castanho, e nem mesmo um grito ele conseguiria esboçar. Ele nunca consegue.

Hael, 28 de março de 1997

Por volta do meio-dia

Aconteceu novamente, e ele não pôde fazer nada. Apenas derramar aquelas lágrimas, que de nada mais valiam.

Sentou-se no canto do quarto e deixou que a lâmina fizesse seu trabalho. Nem precisava guiar suas mãos, já havia feito tantas aquilo tantas vezes que sabia como cortar sua pele sem nem mesmo olhar.

— Você está fazendo errado. Se quiser se matar, corte na vertical. — Levantou a cabeça e encarou o garoto parado a sua frente, com a mesma bandana de antes.

— Saia. — Sussurrou. Falar era algo novo para ele assim como andar era para bebês.

— Solte isso. — Avançou no outro que encolheu-se, ao mesmo que num movimento rápido tentou pegar a gilete e acabou se cortando na palma da mão.

Yugyeom o encarou e largou a gilete. Levantou-se, e pegando na mão do moreno o levou até o banheiro, deixando que a água batesse no ferimento e carregasse o sangue.

— Saia. — Sussurrou novamente, voltando para o quarto e indicando a porta. Sua postura estava mais curva, seus cabelos desgrenhados por causa do suor de mais cedo, e ainda havia sangue jorrando de seu braço.

— O diretor quer te ver. — Falou, pressionando o machucado com um papel higiênico.

— Só espero que ele tenha comprimidos. — Desviou a atenção do outro e voltou-se para o uniforme na cama.

— Sim, você precisa vestir. Não é permitido andar com outros tipos de vestimenta enquanto há aula acontecendo. — Não esperando pela resposta, saiu apressadamente do quarto, deixando Yugyeom com mais um certeza em sua vida: da próxima vez cortaria na vertical.

Hael, 28 de março de 1997

Sala do diretor

Entrar naquela sala não lhe pareceu o certo. Preferiria estar em uma ponte caindo; pôde sentir o barulho da água batendo contra seu corpo, e logo em seguida seus olhos fechando para não abrir mais.

Não esperou que o outro falasse. Sentou-se na cadeira com estofado preto, e entrelaçou suas mãos com tanta força, até ficar com as dobras dos dedos esbranquiçadas. Sua respiração estava um pouco acelerada, ainda pela emoção de ver seu sangue saindo de seu corpo. A melhor sensação que sentiu, desde que ele se fora.

O diretor chamou sua atenção, e ele o encarou. O mesmo senhor de cabelos grisalhos, poucas rugas pelo rosto, e um óculos quadrado. Se ele estivesse vivo, certamente estaria da mesma maneira que aquele senhor. Se ele estivesse aqui, nunca conheceria aquele garoto da bandana, e não precisaria saber que cortando-se na vertical iria matá-lo mais rápido. Se fosse ele ali, tudo seria resolvido com um sorriso ao final. Não precisaria passar por nada daquilo, se ele não estivesse a sete palmos abaixo da terra.

— Ontem não tivemos a oportunidade de conversar, por conta de seu incidente. — Iniciou. — Mas, falei com o vice-diretor, e chegamos a um resultado cabível. Após procurar por registros seus, conseguimos descobrir apenas que seus pais morreram e que você vive sozinho desde então. Mesmo aqui não sendo um orfanato, estaremos encarregados de sua educação até você completar a maioridade.

O olhou. Dois anos para ficar com essas pessoas. As únicas que lhe estendera a mão quando ninguém mais aparecia. Mas, mesmo assim, ainda eram aqueles seres humanos maldosos, que não viam o lado podre da humanidade. Aqueles rodeados por luxúrias, que conhecem apenas a riqueza e o glamour.

— Já vi que você não é muito de falar, então, está dispensado. — Levantou-se para acompanhá-lo até a porta. — Você precisa pegar seus horários com o representante de turma. — Yugyeom o olhou, sem saber para qual lado ir. — Jackson, acompanhe seu colega até a sala dele. 1-A.

— Claro. — Sorriu, voltando a caminhar sendo seguido de perto pelo castanho.

Ao longo do percurso, que parecia não terminar nunca, alguns alunos pararam para falar com o moreno – fazendo Yugyeom sentir-se estranho e deslocado – sendo um deles o garoto que abusou do outro mais cedo. — Só vou deixá-lo em sua sala e já volto para terminarmos.

— Um aluno novo? — Sorriu. — Poderia nos apresentar, Jackson!

— Não acho que ele faça seu tipo de amigos.

— Eu nunca citei a palavra amigo. — Gargalhou, e certamente se houvesse como desaparecer dali, Yugyeom o teria feito. Ficar no mesmo ambiente que aquele outro lhe dava ainda mais nojo da humanidade; ele certamente nascera no ambiente errado.

Ao chegarem no segundo andar, Jackson pegou o braço do castanho e abaixou a blusa, revelando as cicatrizes ainda em carne viva de mais cedo. Estavam com um vermelho bastante vivo, e ainda saia um pouco de sangue.

— Temos que tratar isso, pode infeccionar.

— Não.

— Você é um garoto bastante estranho.

— Eu ouvi isso durante toda a minha vida. Não precisa me lembrar disso.

— Calma garoto, estou apenas tentando ajudar. — Yugyeom tornou a olhá-lo. Era estranho alguém lhe oferecer ajuda, ainda mais sendo amigo daquela pessoa. Com certeza não era uma boa pessoa. — Já sei! Se eu te fizer sorrir você estará me devendo um favor. Aceita? — Estendeu a mão, mas o castanho apenas o ignorou e continuou a andar, procurando a sua sala. — Entenderei isso como um sim. — Sorriu. — Sua sala é essa. Bem, boa sorte! — Yugyeom não soube como reagir ao abraço que o outro lhe dera. Toques como estes não eram nadas comuns em sua vida. — Abraços são bons as vezes. Boa sorte com o Mark. — E deixando-o a sós, voltou para o corredor de onde vieram. Respirou profundamente antes de entrar na sala, ao mesmo que todos os olhares eram voltados para ele. E o que mais lhe incomodou, foi o fato de todos os alunos eram homens.

“Tudo terminará, assim que eu conseguir chegar a uma ponte”, pensou ele, indo até onde a professora estava, e não demorou para um dos alunos levantar-se e ir em sua direção. “Respire. Respire. Respire”, repetiu para si mesmo, quando sentiu o toque do outro em seu corpo.

Ele certamente não lembraria disso depois, mas só sentiu sua pressão baixando e seu corpo sendo levado para a frente, como uma forma de reação para qualquer toque.



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